23 de setembro de 2018

Capítulo 34

JONAS
AURANOS

Era como se as próprias Montanhas Proibidas tivessem desabado sobre ele.
A sala do trono estava em ruínas. A luz do céu recaía sobre Jonas, iluminando os destroços do que antes tinha sido o palácio dourado. Ele tentou virar a cabeça para ver quem estava ali, quem estava ferido ou morto, mas a dor o fez gritar.
— Fique parado, seu imbecil — Lucia disse. — Seu pescoço está quebrado.
— Pescoço quebrado? — ele perguntou. — Nic… Nic está ferido. Pior do que eu. Ajude-o primeiro.
— Já ajudei — Lucia disse a ele. — Ashur insistiu. Ele vai ficar bem. Agora pare de se mexer e fique quieto para eu poder curar você. — Ela encostou as mãos sobre o pescoço dele, e uma ardência o fez uivar quando chegou até a garganta, a coluna, com tanta intensidade que ele pensou que fosse desmaiar.
Então a dor desapareceu.
Lucia olhou para ele.
— Você me curou — Jonas disse com a voz fraca.
— É claro que sim. Quer dizer, foram os seus elementia, que estou utilizando no momento.
Ele piscou.
— Eu estava morto.
— Ouvi dizer que você costuma morrer bastante.
— Acho que foi a terceira vez. Ou segunda e meia, talvez.
— Era o mínimo que eu podia fazer depois… — Lucia respirou fundo. — Sinto muito pelo que fiz. Na hora eu achei que não tinha escolha.
Jonas tocou o rosto dela, afastando o cabelo preto de sua testa.
— Claro que está perdoada.
Lucia o encarou, surpresa.
— Tão facilmente?
Ele sorriu.
— Claro. Nem tudo precisa ser tão difícil. Pelo menos hoje, não.
— Ainda não sei onde está minha filha — Lucia disse com a voz falha.
Jonas segurou as mãos dela.
— Vamos encontrá-la. Onde quer que esteja, leve o tempo que levar, vamos encontrá-la juntos.
Ela assentiu.
— Obrigada.
— Você acabou de salvar a pele de todos nós com aquela magia roubada… e aquela adaga… — Jonas se mexeu para ver o altar onde estavam as esferas, mas não restava mais nada, apenas uma marca preta de queimado.
Lucia balançou a cabeça.
— A adaga desapareceu junto com todos os pedaços das esferas de cristal.
— Já foi tarde. — Jonas a puxou com cuidado para perto, e ela soltou um suspiro trêmulo de alívio.
— Fico feliz que Kyan tenha ido embora — ela sussurrou. — Mas parte de mim gostava dele de verdade no início.
— Tenho certeza de que havia uma parte dele digna de apreço. Uma parte bem pequena. — Finalmente, porém relutante, Jonas a soltou. Ele passou a mão pelo pescoço, que parecia novo, e depois observou ao redor, os destroços da sala do trono.
Então apareceu uma mão diante dele. Uma mão presa ao braço de Magnus Damora. Jonas a segurou, e Magnus o ajudou a levantar.
Ele tinha visto uma explosão de luz sair de Magnus, Cleo, Taran e Olivia, bem como das esferas da Tétrade. Qualquer coisa com a força para abrir um buraco em um teto de mármore poderia destruir um corpo mortal com facilidade. Mas não havia destruído.
— Você está vivo — Jonas exclamou.
— Estou.
Jonas piscou.
— Ótimo. Quero dizer… Estou feliz por não ter morrido e tudo o mais.
— Igualmente. — Magnus hesitou. — Vi que você protegeu minha irmã. Tem minha eterna gratidão por isso.
Tudo estava borrado em sua mente. As trepadeiras que o imobilizavam tinham caído assim que Lucia destruíra as esferas. Jonas se lembrava de vê-la parada diante delas, com a adaga dourada na mão.
Paralisada.
Se Lucia tivesse ficado ali, ele duvidava que teria sobrevivido à explosão.
Jonas olhou para Magnus.
— Parece que sua irmã precisa de proteção às vezes.
— Ela discordaria disso — Magnus respondeu.
— Estou bem aqui — Lucia disse, levantando e abraçando o irmão com força. — Posso ouvir o que estão dizendo.
Cleo se aproximou de Magnus, acompanhada de Taran e Olivia.
Ver todos ali, livres dos monstros que tinham usado seus corpos, deixou a garganta de Jonas apertada.
— Vocês estão bem. Todos vocês.
Olivia assentiu.
— Não me lembro de muita coisa, para falar a verdade. — Ela observou ao redor, o musgo e as trepadeiras. — Mas parece que andei bem ocupada.
— Eu me esforcei muito para não deixar o deus do ar assumir o comando — Taran disse. — Ter perdido o controle foi pior do que a morte para mim. Mas estou de volta. E minha vida… vai ser diferente agora.
— Como? — Jonas perguntou.
Taran franziu a testa.
— Ainda não sei. Estou pensando.
Lucia deu um abraço apertado em Cleo.
— Se você não tivesse me contado sobre as esferas…
Cleo retribuiu o abraço.
— Precisamos agradecer a Nic por isso.
Jonas olhou para o outro lado da sala do trono, onde Nic e Ashur conversavam em voz baixa.
— Nós sobrevivemos — ele disse, aturdido. — Todos nós sobrevivemos.
Os olhos de Lucia estavam molhados.
— Eu magoei você, Jonas. Menti para você, manipulei você e… quase matei você. E ainda está disposto a me perdoar? Não consigo entender.
Jonas sorriu.
— Acho que você tem sorte de eu gostar de mulheres complicadas.
Magnus tossiu alto.
— De todo modo, vamos iniciar imediatamente uma busca em todo o reino por minha sobrinha, incluindo uma recompensa irresistível.
— Obrigada, Magnus — Lucia sussurrou.
Ela não tinha soltado a mão de Jonas.
Essa garota vai acabar me matando, ele pensou com ironia.
Mas não hoje.

5 comentários:

  1. Ainda não consigo gostar de Lucia, mas fico feliz por eles...

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  2. Gente fico feliz em saber q nn sou a única q nn gosta da Lúcia,mas acho q o Jonas merece ser feliz garera

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  3. Nem todo fim e o que vc espera Lucia e Jonas e demais para mim 😠😠

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  4. Também não gosto da Lucia, continuo achando que o Jonas merecia coisa melhor, parece que ele ficou com o prêmio consolação, mas enfim...

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  5. Que nada. Lúcia sempre foi boa, mas foi manipulada, só isso.
    Ela e Jonas tem tudo para ser feliz com Luzes.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!