3 de setembro de 2018

Capítulo 32

LUCIA
MONTANHAS PROIBIDAS

Quanto mais perto chegava das Montanhas Proibidas, mais elas começavam a parecer um arsenal de adagas de obsidiana rasgando o céu cinza. Mas Lucia estava acostumada a viver em meio a estruturas ameaçadoras. Afinal, tinha crescido no frio palácio limeriano.
Ela se recusava a ser intimidada pela paisagem agourenta que a cercava. Seria necessário muito mais do que aqueles supostos guardiões para assustá-la.
Mas a recordação momentânea do passado, do castelo empoleirado no alto do penhasco onde morou por dezesseis anos, provocou nela uma sensação fora do comum — e completamente indesejada.
Saudades de casa.
Depois de tanto tempo longe do lar — primeiro durante o tempo que passou em Auranos, e agora na estrada com Kyan — ela finalmente estava tão esgotada que se pegou com saudades de coisas tão banais quanto a própria cama. Sentia falta de suas criadas e da cozinheira gentil que sempre lhe dava um pãozinho a mais, um agrado especial só para ela, nos cafés da manhã. Sentia falta dos livros, da coleção que tinha em casa e da incrível seleção que tinha apenas começado a explorar na biblioteca do palácio auraniano. Sentia falta de seus tutores, mesmo daqueles que ensinavam matérias que odiava, principalmente desenho, que em Limeros era tratado mais como uma habilidade para o dia a dia do que como uma arte. Magnus era o artista da família, não ela.
Sentia falta de Magnus.
E, o mais surpreendente de tudo: sentia falta do pai.
Ela precisou afastá-los, precisou afastar tudo da mente, à exceção da tarefa atual. Não voltaria à antiga vida. Ela tinha feito uma escolha muito tempo atrás, e agora teria que viver com ela.
Em vez disso, Lucia se concentrou nos arredores enquanto se embrenhava cada vez mais nas montanhas com Kyan. Não era tão frio ali, mas, curiosamente, sentia arrepios mesmo assim. Ajeitou melhor o manto sobre os ombros.
Nada crescia ali, nem grama, nem árvores. Nem animais. Nenhuma vida. Nenhum pássaro voava no céu. Nenhum inseto rastejava pela terra. Era de fato um local desolado.
— Não gosto daqui — Kyan disse. — Acho que aquela atendente da hospedaria estava errada. Aqui não é um lugar com grande magia elementar, é um lugar esquecido, vazio e morto.
Sim, ela também sentia aquilo, mas havia alguma coisa naquele vazio, naquele silêncio e naquela falta de vida que a estimulava na mesma medida em que a preocupava.
Paelsia tinha se degradado ao longo das gerações, tornando-se desolada, seca, incapaz de sustentar vidas prósperas. Algumas pessoas diziam que era uma terra amaldiçoada — as mesmas pessoas que alegavam que Limeros também era amaldiçoada, com neve e gelo que pareciam não ter fim. Mas Lucia sabia a verdade: aquelas variações ambientais extremas se deviam aos cristais desaparecidos. A Tétrade tornava a vida possível. Não entendia exatamente como, principalmente agora que sabia que Kyan tinha sido libertado do cristal na forma de um jovem que se tornou parte de sua nova família. Mas ele não era apenas um jovem extraordinário: era elementia do fogo. Elementia de fogo puro que podia falar, respirar, comer, odiar, desejar, amar e ter esperança. E os irmãos da Tétrade eram iguais a ele. Magia da terra, magia do ar, magia da água — todos seres vivos, reais, presos em jaulas de cristal.
Sem aqueles quatro irmãos excepcionais, não haveria vida. O mundo inteiro seria igual às Montanhas Proibidas.
Os dois estavam explorando fazia pouco tempo, mas aquele ambiente hostil já começava a afetar o ânimo de Lucia. Quando começaram a caminhada pelas montanhas, ela estava otimista, tão certa de que estavam prestes a encontrar as respostas que buscavam, tão pronta a ajudar Kyan a ganhar total liberdade e subjugar o imortal que tentava controlar seu destino.
Mas agora, completamente cercada pelas montanhas escuras e serrilhadas, sem planícies nem vilas à vista, se sentia apenas triste, cansada e muito sozinha.
Lucia colocou a mão sobre o ventre. Se aquela desolação se espalhasse mais por Mítica, destruindo toda vida que tocasse, seu filho não teria futuro. A morte seria a única coisa à espera do ser vivo que estava em seu ventre.
Por sorte, um cristal tinha sido despertado. Logo, os irmãos se juntariam a ele e caminhariam pelo planeta. Era apenas uma questão de tempo até o equilíbrio que havia se perdido nos últimos milênios ser restaurado.
O sol começou a se pôr e, com a escuridão crescente, ficou muito mais frio. Ela não gostava da ideia de passar a noite naquele lugar. Os dois conjuraram chamas que lembravam tochas enquanto andavam, para iluminar o caminho, mas também para ter certeza de que sua magia continuava forte. Sera tinha mencionado que bruxas e Vigilantes exilados não eram capazes de acessar os elementia ali, mas aquilo não parecia acontecer com uma feiticeira e um deus. Talvez os Guardiões — o nome que Lucia usava para se referir às montanhas negras que os cercavam e observavam — tivessem o poder de drenar a magia dos Vigilantes, assim como Lucia havia feito com Melenia.
— Lucia — Kyan chamou depois de um tempo. — De repente, tive um ótimo pressentimento de que finalmente chegamos ao lugar onde precisávamos estar.
Os dois tinham encontrado um pequeno vale de rochas negras e terra, e no centro dele havia um local que se assemelhava a um jardim. Eles correram para o jardim, que tinha uma circunferência de mais ou menos trinta passos. Grama verde macia, margaridas, rosas coloridas, oliveiras. No centro do jardim, havia uma enorme rocha coberta de musgo, tão alta e larga quanto o dobro de uma das rodas de pedra que tinham encontrado antes.
Lucia suspirou, assimilando aquele pequeno oásis de beleza.
— Sente alguma coisa? — Lucia perguntou. — Alguma magia?
— Não, mas sinto vida aqui — Kyan disse. Ele deu a volta na roda da pedra, passando a mão pelo musgo. — Deve haver algum tipo de força atuando para sustentar esse oásis isolado.
A melancolia de Lucia tinha sido afastada por aquele espaço cheio de vida que florescia no meio de tanta morte.
— Talvez seja isso o que fazia as pessoas acreditarem que os Vigilantes moravam nas montanhas.
Ele concordou.
— Os Vigilantes conseguiram guardar muito bem esse segredo. Mas por que fariam isso?
Lucia se esforçou, mas a mente continuava vazia.
— Não faço ideia.
Em um momento ofuscante, uma torrente de fogo jorrou dos braços dele.
— Para trás, pequena feiticeira.
Lucia se assustou.
— O que vai fazer?
— Preste atenção e vai ver. — Os olhos dele ficaram azuis e brilhantes. Antes que ela conseguisse dizer qualquer coisa, Kyan virou para a rocha coberta de musgo, lançou as chamas e a envolveu com sua magia do fogo. O musgo queimou em um instante; a grama ao redor ficou enegrecida.
Profundamente desanimada, Lucia assistiu à rápida destruição daquele belo lugar, mas ficou quieta.
O fogo cor de âmbar de Kyan se tornou azul, e depois um branco brilhante e ofuscante.
Lucia nunca havia visto aquele fogo branco antes, mas logo percebeu que era quente o bastante para transformar a rocha sólida em lava borbulhante em segundos. A rocha derreteu como uma escultura de gelo em um dia de verão. Kyan apagou o fogo. A lava brilhava na forma de um fosso laranja protegendo um estranho objeto então revelado, embaixo de onde a rocha ficava.
Lucia esticou o pescoço para ver, esperando encontrar outra roda de pedra. Em vez disso, viu um monólito de cristal irregular de um tom roxo-claro no topo, escurecendo até chegar a um tom púrpura forte na base.
O monólito iluminou os arredores com seu brilho sobrenatural, como uma fogueira mágica. Lucia sentiu o calor daquela magia, a vida pura e pulsante que emanava do cristal.
Ela olhou para baixo, atordoada, e viu seu anel de ametista começar a brilhar exatamente com a mesma luz roxa.
— Este é um portal original — Kyan sussurrou, colocando a mão na superfície do cristal. — É tão raro que pode levar a lugares ainda mais secretos e mais sagrados que o Santuário. Eles o esconderam por causa de seu poder. Que segredo perigosíssimo descobrimos. — Ele sorriu para Lucia. — E agora é ainda mais perigoso, porque fomos nós que o encontramos. Diga-me o que pode fazer, pequena feiticeira.
Lucia tocou o cristal com cautela e ficou boquiaberta.
Era a mesma sensação que tinha tido ao roubar a magia de Melenia. Um calor, um brilho, um desejo de ter mais.
Lucia instintivamente percebeu que poderia drenar magia daquele monólito cristalino em quantidade suficiente para tirar Timotheus da segurança de seu Santuário em segundos.
E poderia matá-lo quase com a mesma rapidez.
— Posso acessar sua magia — ela disse. — Posso atrair Timotheus para fora. É exatamente o que estávamos procurando.
Os lábios de Kyan formaram um sorriso, e ele gargalhou.
— Ah, isso é maravilhoso! Você é uma deusa, minha pequena feiticeira. E vai ficar ao meu lado enquanto queimo toda a fraqueza deste mundo.
— Como um incêndio florestal — ela disse, lembrando-se de uma lição do passado. Apesar da devastação que causavam, incêndios florestais possibilitavam a existência de novas vidas ao forçar às vidas antigas a seguir seu curso.
— Sim, como um incêndio florestal. Assim que o Santuário for destruído, vamos reconstruir este mundo, levá-lo de volta ao que era no início.
— Que início? — ela perguntou.
Kyan levou a mão ao queixo dela.
— O início de tudo. Vai ser preciso paciência, mas vamos acertar desta vez. Vamos criar um mundo perfeito.
Ela queria que o sorriso continuasse em seu rosto, mas, de repente, sentiu-se desconfortável.
— Pensei que só quisesse a morte de Timotheus para que não pudesse aprisioná-lo de novo.
— Esse é apenas o primeiro passo de meu plano grandioso e revolucionário.
Ela respirou fundo, trêmula.
— Então o que está dizendo é que acredita que este mundo... meu mundo... é uma grande floresta que precisa ser queimada para que uma nova vida floresça no lugar?
— Exato. É para um bem maior. — O sorriso de Kyan diminuiu um pouco, e ele olhou para Lucia com mais cuidado. — Não tem que se preocupar com nada, pequena feiticeira. Com uma magia tão forte e pura quanto essa — ele olhou fixamente para o monólito —, você pode se tornar imortal, como aqueles que acham que me controlam.
— Mas não precisa de seus irmãos para isso?
— É melhor que fiquem onde estão, por ora. É melhor que eu esteja no controle nestes primeiros dias. Mas logo vamos nos reunir. — Seu sorriso largo e gentil retornou. — Invoque Timotheus aqui, agora, pequena feiticeira. Esperei uma eternidade por este momento.
Timotheus já sabia daquilo — o grande plano de Kyan para o mundo. Tinha que saber. Mas não contou nada a ela nos sonhos. Não significava que Lucia teria acreditado nele se tivesse contado. E foi por esse exato motivo que ele a deixou descobrir aquilo sozinha.
Nos despenhadeiros, na noite em que Ioannes morreu, depois que matou Melenia, Lucia tinha se sentido tão ferida, tão traída, que não queria nada além de ferir todo mundo para se vingar. Não lhe restava nada mais pelo que viver, então não se importava se todos morressem com ela.
Lucia queria ver o mundo incendiado.
E agora, por causa de Kyan, de fato o veria.
— Não — ela disse, em voz baixa.
— Desculpe? O que disse?
— Eu disse não.
— Não? Não o quê? Está se sentindo mal? Precisa descansar antes de começarmos?
Ela encarou os olhos cor de âmbar dele.
— Não vou ajudá-lo a fazer isso, Kyan.
Kyan franziu a testa, e seus olhos brilharam com muita intensidade.
— Mas você prometeu.
— Sim, prometi ajudá-lo a recuperar a liberdade, a se reunir com sua família, chegando ao ponto de matar alguém que eu considerava um inimigo para lhe dar o que mais desejava. Mas isso... destruir a tudo e a todos... — Ela balançou a cabeça, apontando para as montanhas e para a floresta desolada atrás de si. — Não vou fazer parte disso.
— O mundo é tragicamente imperfeito, pequena feiticeira. Mesmo em nosso curto tempo juntos, vi incontáveis exemplos disso. Homens e mulheres obcecados por suas próprias vidinhas, sua ganância, sua luxúria, sua vaidade, cada uma das fraquezas desenvolvendo a seguinte.
— Mortais são fracos, é o que os torna mortais. Mas também são fortes, resilientes durante as crises que testam sua fé ou ameaçam as pessoas e coisas que amam. Não existe perfeição, Kyan.
— Vai existir assim que eu colocar meu plano em prática. Vou criar a perfeição neste mundo.
— Você não deve criá-la. Não deve destruí-la. Deve apenas sustentá-la.
A expressão melancólica de Kyan passou a demonstrar aborrecimento.
— Você ousa me julgar? Você, uma criança mortal que mal conheceu a vida?
Era raro Lucia se sentir tão certa a respeito de alguma coisa. Mais raro ainda era se defender quando outra pessoa se opunha a ela.
Ela tinha mudado.
— Acabou, Kyan. Tomei minha decisão. E agora, vou partir. É claro que não precisa vir comigo; pode ficar aqui o tempo que quiser.
Com um leve meneio de cabeça, ela virou e começou a se afastar. Mas apenas um instante depois, sentiu o calor aumentando atrás de si.
— Se acha que vou deixá-la sair daqui com tanta facilidade, é mais estúpida do que eu imaginava — ele disse. — Ainda não entendeu exatamente o que sou, não é?
Devagar, Lucia se virou para ele.
Fogo cobria a pele de Kyan, queimando suas roupas, até deixá-lo em chamas da cabeça aos pés. Seus olhos brilhavam em azul, no meio de um mar de chamas cor de âmbar.
— Sim, sei o que você é — ela afirmou com um nó na garganta. — Você é o deus do fogo.
— Sim. Mas você não consegue conceber o que isso significa de verdade. Permita-me esclarecer.
Cerrando os olhos e a encarando diretamente, Kyan começou a aumentar. Ficou duas, três, quatro vezes mais alto e largo que sua estatura anterior. E ficou muito maior do que ela, um monstro criado pelo fogo.
Um monstro feito de fogo.
O deus do fogo em sua forma mais pura.
Enquanto tremia com a simples imagem dele, Lucia lutava para manter sua posição e não se acovardar diante dessa criatura que tinha ousado desafiar. Tinha chegado muito perto de ajudá-lo a destruir o mundo. E agora, para ter a chance de salvá-lo, precisava ficar o mais longe possível de Kyan.
Ele abaixou o rosto em chamas na direção dela, chegando perto o bastante para chamuscar seus cabelos.
— Eu sou eterno. Eu sou fogo. E você vai fazer o que eu mandar, ou vai arder.
— É isso que você realmente é? — ela perguntou, sem fôlego. — Mentiu para mim esse tempo todo? Você me usou como todos os outros? Pensei que fôssemos uma família.
Ele rugiu e mais chamas surgiram ao redor de Lucia. Seu manto pegou fogo, então ela o tirou, rapidamente se afastando dele.
— Você não vai me matar! — ela gritou. — Se me matar, seu sonho de destruição e recriação estará acabado!
— Posso causar muitos danos sem você.
— Mas não tanto quanto precisa.
— Acha mesmo que é tão especial assim? Que é a única agraciada com esses dons? Vou esperar até uma nova feiticeira nascer, e ela vai me ajudar. Como gosta de me lembrar, tenho tempo para esperar. Você, no entanto, é frágil... ainda mais frágil do que Eva.
E com aquilo, uma gigantesca rajada de fogo a atingiu em cheio. Lucia fechou bem os olhos e levantou os braços, como se aquele esforço patético pudesse protegê-la daquela fúria elementar. Ela gritou, esperando seu corpo todo ser consumido pela dor candente enquanto a carne derretia de seus ossos.
Mas não sentiu nada.
Um pouco hesitante, abriu os olhos.
Um redemoinho de fogo girava violentamente a seu redor, mas não a tocava. Tinha sido bloqueado por uma barreira de luz roxa que a cercava como uma fria auréola brilhante.
Ela olhou para o anel, e a ametista agora brilhava como um pequeno sol roxo em seu dedo, com luz o suficiente para cegar.
E viu o deus do fogo parado logo atrás da parede que bloqueava as chamas.
— O que você fez? — Kyan exigiu saber.
O anel... ele era a chave, aquele tempo todo. Guardava mais segredos, mais poder do que ela imaginava. Foi isso que permitiu que Eva manipulasse com segurança os cristais, enquanto todos os outros Vigilantes, como Valoria e Cleiona, foram corrompidos por eles. Para Lucia, o anel trazia equilíbrio ao eterno conflito de ser uma feiticeira aprisionada em um corpo mortal.
E então o anel a protegeu — e a vida que crescia dentro dela — da ira de um deus imortal.
A tempestade de fogo diminuiu enquanto o brilho ao redor dela ficou mais forte, expandindo-se até tocar Kyan.
A aura etérea se transformou em filamentos roxos brilhantes que avançavam como correntes, contendo o fogo, contendo a fúria dele. Os filamentos se enrolaram em Kyan, até que Lucia não conseguiu ver mais nenhuma chama sob eles.
Kyan começou a encolher, tornando-se cada vez menor, até voltar a seu tamanho de antes. Mas a luz só brilhava mais forte.
E ficou mais forte ainda, até Kyan gritar, e a luz explodir em milhões de estilhaços roxos.
E então o mundo ao redor de Lucia se tornou uma escuridão fria e infinita.


Ela acordou com o cheiro da grama verde e quente e de flores de macieira.
Aos poucos, abriu os olhos e descobriu que estava deitada no meio de um campo — aquele mesmo campo onde encontrava Ioannes e Timotheus nos sonhos.
— Estou sonhando? — ela sussurrou.
Ninguém respondeu, nenhum belo rapaz dourado apareceu. Nenhum falcão se empoleirou na macieira. Em seus sonhos anteriores, tudo ali se assemelhava a pedras preciosas, a grama era como filamentos de esmeraldas, as maçãs, vermelhas como rubis.
Mas agora o campo parecia feito apenas de grama verde macia, e, embora as árvores fossem altas e belas, não eram diferentes das que encontraria em Auranos.
Além do campo, havia uma enorme roda de pedra que lembrava de ter visto em sonhos. E, ao longe, depois das montanhas e dos vales verdejantes, havia uma cidade de cristal que brilhava como diamantes sob o sol.
Ela estava no Santuário. No Santuário de verdade.
Como aquilo era possível? Ioannes havia lhe contado que mortais não podiam chegar até lá. Ele tinha mentido? Ou alguma coisa tinha acontecido com Lucia, transformando-a em uma exceção à regra?
A feiticeira andou em círculos, como se a resposta fosse aparecer como mágica.
E então se deu conta.
Seu futuro filho — um bebê que era metade mortal, metade Vigilante. E ela, uma feiticeira com poder para subjugar o deus do fogo. Aqueles dois eventos extraordinários tinham dado a ela a habilidade de estar ali.
Ela não sabia aonde Kyan tinha ido, nem se voltaria. Mas, se voltasse, sabia que ele teria que ser aprisionado de novo. E seus irmãos nunca poderiam ser libertados de dentro das esferas. Kyan era a criatura mais perigosa que ela já havia visto. Mal conseguia imaginar como as coisas poderiam piorar quando ele se reunisse com sua família.
Timotheus tinha previsto aquilo? Ela perguntaria assim que o encontrasse. Ela precisava consertar o terrível mal que tinha ajudado a criar.
Lucia respirou fundo, reuniu até a última gota de coragem que tinha e começou a andar na direção da cidade de cristal.

Um comentário:

  1. Eu realmente queria que os outros deuses elementais fossem libertados, mas que ajudassem a manter o equilíbrio da natureza, porque não é justo prender e tentar controlar elementos da natureza

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Boa leitura, E SEM SPOILER!