3 de setembro de 2018

Capítulo 28

MAGNUS
LIMEROS

Magnus passou a noite inteira acordado, preparado para receber o navio do rei assim que ouvisse o chamado dos guardas. Mas quando o sol começou a nascer e ainda não havia sinal dos kraeshianos, ele ficou frustrado, xingando Jonas Agallon por perturbá-lo sem necessidade.
Ele deixou seus aposentos e caminhou pelo palácio, grato por pelo menos poder esticar as pernas. Tudo parecia normal, como em qualquer outro dia. Mas é claro que parecia. Além de alguns guardas de plantão, a quem pediu para ficarem de olho em qualquer navio que se aproximasse, Cleo era a única que sabia o que estava por vir.
O retorno de seu pai. A ocupação de Amara. O fim de Mítica — e da vida — como ele a conhecia.
Magnus saiu do palácio, preparando-se para o frio gélido que reinava em Limeros naquela época. Mas, ao chegar nos jardins gelados, não encontrou os ventos inóspitos e dolorosamente frios que costumavam lhe cortar o rosto. Olhou para cima e viu o céu nublado, mas iluminado, e alguns flocos de neve que começavam a cair.
Ele jogou a cabeça para trás e fechou os olhos, experimentando a sensação familiar dos flocos brancos e macios derretendo sobre a pele.
Devagar, caminhou pelos jardins, sozinho, permitindo-se desfrutar da paisagem e dos sons de seu lar, sem caminhar o mais rápido possível de um ponto a outro como de costume.
Ele sentiria falta de manhãs como aquela.
Na beirada dos penhascos, com o palácio negro elevando-se à sua esquerda, Magnus analisou o Mar Prateado, procurando sinais da armada kraeshiana. Resistir apenas levaria a mais mortes e dor do que seus cidadãos já enfrentavam. Magnus não tinha nenhuma chance contra as forças de Amara, e o rei sabia disso.
Finalmente chegaria a hora de responder por seu crime de traição, e ele logo entenderia por que seu pai era conhecido como Rei Sanguinário. Magnus não esperava nenhum tipo de compaixão.
E jurou para si mesmo que não imploraria.
Durante a noite que passara em claro, Magnus tinha refletido muito sobre as mensagens que tinha recebido de Kraeshia. Algo em sua situação atual parecia muito errado, deixando-o com um gosto amargo na boca, do qual não conseguia se livrar.
Ambas as mensagens tinham sido escritas e enviadas por rebeldes — rebeldes que se conheciam e tinham trabalhado juntos no passado. Felix Graebas havia incluído um pedaço da própria pele para mostrar que havia transferido sua lealdade do clã aos rebeldes. Mas por que Magnus deveria acreditar que aquela era de fato sua tatuagem, sua pele? E que tipo de coincidência tinha feito Felix mandar a mensagem justo quando seu compatriota, Jonas, chegara ao palácio?
E depois a mensagem de Jonas na noite anterior, um alerta de perigo iminente, provocando um medo sombrio no coração de Magnus.
Uma constatação gritante lhe tirou o fôlego.
Mesmo naquele momento Cleo agia contra ele, com a ajuda de Felix e Jonas.
Apesar de todas as belas palavras, todos os pedidos para que acreditasse nela — pedidos nos quais ele estava começando a acreditar —, Cleo ainda o considerava um inimigo, um obstáculo a ser eliminado.
É claro. O rei Gaius nunca seria tão idiota a ponto de se aliar a alguém como Amara. O rei sabia que ela podia ser uma criatura falsa, que era uma manipuladora dissimulada, quase tão habilidosa quanto a própria Cleiona Bellos.
A sensação de náusea piorou ainda mais quando ele pensou em uma possibilidade que havia descartado na noite anterior: que Cleo poderia estar aliada a Amara.
As duas podiam estar trabalhando juntas desde o início, desde o instante em que Amara colocou os pés no solo de Mítica.
Com a cabeça atordoada, Magnus dirigiu-se para a Uróboro. O dono levantou as sobrancelhas espessas quando Magnus passou pela porta.
— Comida — Magnus bradou. — E uma garrafa de vinho paelsiano. Agora.
— Sim, vossa alteza — ele disse, dessa vez quase sem se dar ao trabalho de negar que havia álcool disponível.
Magnus devorou com violência ovos, bolinhos de kaana fritos e compota de figo que o homem serviu, fazendo um brinde a Cleo com a garrafa de vinho.
— Jogada de mestre, princesa — ele resmungou.
Acabou com a primeira garrafa, depois com a segunda, até decidir que estava na hora de ir embora. Na saída, parou e segurou o ombro do dono do bar.
— Quando eu for oficialmente rei, o vinho vai correr solto em Limeros de novo. Vinho para todos!
Encolhendo-se de medo, o homem deu um pequeno sorriso, e Magnus saiu sem esperar a resposta.
Embora não estivesse conseguindo andar em linha reta, Magnus retornou ao palácio sem muita demora. Só quando visualizou o portão, percebeu que não tinha levado nenhum guarda ao deixar as dependências do palácio.
— Não preciso deles — ele resmungou. — Qualquer um que ousar cruzar o caminho do Príncipe Sanguinário vai se arrepender.
Quando se aproximou dos portões do palácio, avistou lorde Kurtis conversando com um homem que vestia um manto preto. Kurtis olhou para ele e, em resposta, Magnus riu e fez um gesto grosseiro, caminhando na direção do palácio.
Cretino idiota. E pensar que as lembranças de infância de Magnus o tinham feito considerar Kurtis uma ameaça real esse tempo todo. De agora em diante, ele cortaria a garganta de qualquer um que pudesse se tornar uma ameaça. Sem exceções.


Já era o meio da manhã, e a atividade no palácio havia aumentado desde que Magnus tinha saído. Criados se apressavam pelos corredores, sussurrando uns para os outros e olhando para o príncipe. Ele seguiu o tumulto até a praça do palácio, onde viu dezenas e dezenas de cidadãos começando a se reunir depois de passar pelos portões escancarados.
Magnus pegou o braço de um guarda.
— O que significa isso?
— Vossa alteza, não está sabendo?
— Se estivesse, não teria que perguntar, teria?
— Não, é claro que não. Peço desculpas, vossa alteza. O pronunciamento real está... — o guarda pigarreou com nervosismo — ... prestes a começar.
— Não planejei fazer nenhum pronunciamento hoje. — O guarda o encarou emudecido, inseguro e temeroso. Magnus o dispensou. — Vá — ele retrucou, e o rapaz uniformizado saiu apressado.
Ele estava pagando o preço de ter tomado mais de uma garrafa de vinho. Com a visão borrada, Magnus abriu caminho pela multidão, observando rostos que pareciam ansiosos e empolgados.
Era obra de Cleo. Ela alertaria todos sobre o ataque kraeshiano, orquestrado por ela mesma. Por quanto tempo pretendia fazer esse jogo?
A multidão logo aumentou para centenas de pessoas. Magnus continuava analisando a cena que se desenrolava à sua volta, notando que nenhum dos presentes olhava para ele. Com certeza não esperavam ver o príncipe coroado perambulando entre os plebeus, principalmente com hálito de vinho.
De repente, a agitação da praça se aquietou, transformando-se em um silêncio coletivo. Magnus olhou para cima, seguindo o olhar da multidão, e viu Cleo na galeria que dava para a praça.
— Bem-vindos, sejam todos bem-vindos — ela iniciou o discurso com voz firme e confiante. — E, por favor, aceitem minha mais sincera gratidão por sacrificarem seu tempo e seus deveres para comparecerem e escutarem este importante anúncio.
Magnus sentiu a cabeça esquentar, o sangue começar a ferver.
Ele a viu sorrir calmamente enquanto esperava os gritos da multidão se silenciarem.
— A última vez que estive aqui foi durante minha excursão de casamento, em uma cerimônia para me apresentar a todo o povo de Mítica como esposa do príncipe Magnus, herdeiro do trono de seu pai, o rei Gaius. Tenho certeza de que muitos de vocês estavam aqui naquele dia para escutar o discurso do príncipe, sua alegação de que nossa união tinha acontecido por escolha nossa, que começamos como inimigos e acabamos virando duas pessoas apaixonadas que desejavam passar o resto da vida juntas.
Cleo fez uma pausa e olhou para o público, que parecia se inclinar para a frente em massa, esperando ansiosamente pela continuação.
— Aquilo foi uma mentira. — Suspiros surpresos e falatório começaram a se espalhar pela multidão, e Magnus rangeu os dentes. Cleo continuou e, mais uma vez, as pessoas fizeram silêncio. — O rei Gaius assassinou meu pai e roubou meu trono. Poupou minha vida apenas porque viu em mim uma forma de facilitar sua aceitação no reino. Casando-me com seu filho, ele mostraria ao povo que eu tinha aceitado os Damora como minha nova família, assim como o povo de Auranos deveria aceitar o rei Gaius como seu novo líder. Eu fui forçada a me casar sob ameaça de morte, e a única coisa que pude fazer foi esperar por uma chance de alterar minha situação. E me apegar à esperança de que um dia poderia reaver meu trono.
Magnus a encarou, profundamente consternado. Ela pretendia derrubá-lo ali e naquele momento.
— Sei que o povo limeriano foi submetido a anos de medo — Cleo disse, solene. — Desde que seu gentil e benevolente rei Davidus morreu e foi substituído pelo filho cruel e sádico, Gaius, vocês têm vivido sob essa sombra escura. Agora, Paelsia e Auranos também passaram a sofrer com as crueldades do Rei Sanguinário. Reuni todos vocês aqui hoje para dizer que o rei está mancomunado com a princesa Amara de Kraeshia. Ele entregou Mítica, e, com isso, todos vocês, para o Império Kraeshiano. Estão se dirigindo à nossa costa neste exato momento. Corremos risco iminente de ocupação por forças kraeshianas.
A multidão se exaltou com provocações e gritos; conversas inflamadas eram pontuadas por medo e raiva.
Cleo levantou as mãos, reconquistando a atenção deles.
— Como sua princesa, estou pedindo ajuda a vocês. Devemos espalhar a notícia de uma invasão kraeshiana o mais rápido e o mais longe possível. Saibam que, a partir de hoje, a inimiga não é apenas a princesa Amara, mas o rei Gaius também. Que tipo de rei faria uma coisa dessas? Vender o próprio país e o próprio povo como se fossem gado, tudo em benefício próprio?
Ela se inclinou para a frente, agarrando a grade e encarando o povo com o olhar de uma guerreira.
— Esses são atos de um homem que não serve para governar Mítica. O rei Gaius é mais do que egocêntrico; ele é perverso. Ele se apropria de tudo e não dá nada em troca. E nada vai mudar a menos que nos rebelemos contra ele!
Magnus cerrou os punhos, obrigando-se a sair do estado de paralisia e choque. Precisava subir àquela galeria, arrastá-la de lá, colocar um fim nisso antes que fosse tarde demais. Precisava expor sua querida esposa como uma mentirosa rebelde, uma fraude empenhada em destruir Magnus — e todo o povo limeriano — de dentro do palácio.
— Mas quero que saibam — Cleo continuou — que existe esperança. E sou a prova viva dessa esperança. Porque embora tenha sido forçada a me casar contra minha vontade, pude conhecer o príncipe Magnus Lukas Damora muito bem nos últimos meses. E uma coisa que descobri é que o príncipe Magnus não é nada parecido com seu pai. O príncipe Magnus é corajoso e compassivo, e realmente deseja o que é justo e melhor para este reino. A bondade é o que faz um bom rei, um rei que colocará as necessidades e os direitos de seu povo acima de seus próprios desejos.
Magnus cambaleou para trás, pressionando o corpo contra um pilar para não desabar no chão. Ele não conseguia falar, mal conseguia pensar. Só conseguia ficar olhando para Cleo, totalmente abismado.
— Acredito, de coração, que Magnus é um sucessor digno e superior ao atual rei. Portanto, hoje peço que vocês rejeitem Gaius Damora como seu líder e aceitem o príncipe Magnus como o novo rei. Ele vai reparar os erros que assolaram Mítica. E fará Gaius Damora pagar por tudo o que destruiu.
Ainda olhando para ela com admiração, Magnus de repente se deu conta de que Cleo não estava vestindo azul, sua cor favorita.
Ela vestia vermelho.
Cleo abriu os braços, como se tentasse se aproximar das pessoas.
— Vocês vão ficar ao meu lado neste dia fatídico? — Sua voz se transformou em um grito. — Povo de Limeros! Juntem-se a mim e a meu marido em uma jornada rumo a uma Mítica melhor e renovada! Repitam comigo: rei Magnus!
Um burburinho agitado tomou conta dos espectadores e, uma por uma, as pessoas começaram a acompanhar Cleo em seu brado. Logo, o volume na praça tinha se tornado ensurdecedor, todos gritando as mesmas palavras em uníssono, repetidas vezes:
— Rei Magnus! Rei Magnus! REI MAGNUS!
Um grito agudo desviou a atenção de Magnus da galeria. Ele observou, horrorizado, enquanto um grupo de guardas com uniformes verdes — a pé e a cavalo — tomava conta da praça.
O alerta era verdadeiro.
E ele estava profundamente enganado, em vários sentidos, ao duvidar de Cleo. A revelação lhe atingiu com tudo, como vidro estilhaçado.
Os cidadãos se espalharam, e a praça foi tomada pelo caos. Magnus viu quase todos os limerianos que fugiam sendo capturados e imobilizados pelos kraeshianos.
Um guarda alto, de ombros largos, montado em um cavalo enorme e majestoso, gritou para a multidão:
— Sou o comandante da guarda real da imperatriz Amara Cortas. O Império Kraeshiano agora está no comando de Mítica. Nossas intenções aqui são pacíficas. Ninguém precisa morrer hoje, mas qualquer um que resistir a essa ocupação vai pagar com a vida. De agora em diante, vocês devem se curvar para Amara Cortas, sua nova e gloriosa imperatriz.
Magnus voltou a olhar para a galeria e viu que Cleo tinha desaparecido.
Com uma última olhada no caos que o cercava, ele correu de volta para o palácio sem ser notado.
Precisava de armas. Precisava encontrar o capitão da guarda do palácio. Precisava impedir os abutres kraeshianos antes que fosse tarde demais.
Mas, primeiro, precisava encontrar Cleo.
Magnus correu pelos corredores na direção de uma escadaria em caracol que levava à galeria, subindo dois degraus de cada vez. Chegou ao alto e passou os olhos em todo o corredor longo e escuro.
Um vislumbre de cabelos longos e dourados chamou sua atenção, e ele correu na mesma direção, mas parou de repente quando chegou mais perto.
Ele viu lorde Kurtis segurando Cleo pelo braço. Ela tentava se desvencilhar dele como uma fera, golpeando e arranhando o rosto dele.
— Me solte! — ela gritou.
Kurtis a agarrou pela garganta e a jogou contra a parede, dando um tapa em seu rosto.
— Comporte-se.
— Vou matar você!
— Dê um jeito nela — Kurtis disse, jogando-a para um guarda, que a golpeou na cabeça com o punhal da espada, deixando-a inconsciente. O guarda recolheu o corpo desacordado e o jogou sobre o ombro.
Magnus correu até eles, mas de repente se viu de rosto no chão, sem ar nos pulmões. Alguém o havia derrubado. Levantou os olhos e viu um guarda kraeshiano agigantando-se sobre ele, com a espada afiada pressionada sobre o peito de Magnus.
O príncipe levantou os braços ao lado do corpo.
— Eu me rendo.
O kraeshiano afastou um pouco a espada, e Magnus segurou nas laterais da lâmina e bateu com o cabo no rosto do guarda, quebrando seu nariz. Enquanto o homem cambaleava para trás de dor, Magnus levantou e deu um soco nele, derrubando-o.
Então, sem hesitar, Magnus arrancou a espada da mão do homem e enfiou a lâmina em seu peito.
De espada em punho, ele saiu correndo pelo corredor, procurando Cleo desesperadamente. Ela não estava em lugar nenhum, mas viu Kurtis, sozinho, indo na direção de uma saída.
— É bom que tenha algumas respostas para mim — Magnus pressionou a ponta da espada entre as escápulas de Kurtis assim que o grão-vassalo tentou abrir a porta. — Onde está Cleo? — ele perguntou.
Kurtis ficou paralisado.
— Acho que essa não é a pergunta certa a se fazer no momento.
— Ah, é? E qual seria a pergunta certa?
— A pergunta certa é: com quem eu estava me encontrando nos portões hoje mais cedo?
— Bem, você não passa de um covarde, então deve ter sido um kraeshiano. Alguém que o subornou e disse que pouparia sua vida se você fizesse o que ele mandasse.
Kurtis soltou uma risada seca.
— Quase — ele respondeu. — Mas ainda assim não chegou perto. Não era um kraeshiano. Era um rei. Seu pai, para ser mais específico.
O sangue de Magnus gelou.
— Isso mesmo, Magnus. Seu pai chegou.
— E pegou a princesa. Por quê?
— Por que você acha? Francamente, Magnus, use a cabeça.
Magnus ficou irritado e pressionou mais a espada contra as costas de Kurtis.
— Tudo bem, não precisa apelar para a violência — Kurtis argumentou. — Seu pai pegou a princesa Cleo porque deseja terminar pessoalmente o serviço que devia ter sido feito em Auranos se não fosse por sua intervenção.
— Ele vai matá-la.
— É claro que vai matá-la.
— Para onde ela foi levada?
Kurtis deu de ombros e olhou para trás com um sorriso amarelo no rosto.
— Para onde? — Magnus pressionou ainda mais a lâmina, até ver uma mancha de sangue aparecer na túnica do grão-vassalo.
— Se me matar, nunca vai saber — Kurtis esbravejou.
— Você e eu, Kurtis, estamos totalmente sozinhos aqui em cima. Nenhum membro do conselho, nenhum guarda vai ajudar. — Ele desceu a lâmina ao longo da coluna de Kurtis, fazendo-o gemer de dor. — Vai me dizer logo o que preciso saber, ou prometo que o farei implorar pela morte quando começar a cortar as partes de seu corpo. — Magnus pegou um punhado de cabelo de Kurtis, puxou-o para trás e levou a ponta da espada até seu rosto. — Acho que vou começar pelo nariz.
— Não, não faça isso! Por favor! — Kurtis começou a tremer. — Se... se eu contar, promete me deixar sair do palácio, vivo e ileso?
— Muito bem. Mas, se mentir, vou encontrá-lo e fazê-lo sofrer como aqueles gatos vira-latas de que você gostava tanto quando era criança.
Kurtis engoliu em seco.
— A princesa foi levada para o castelo do meu pai, onde Amara e o rei estão hospedados.
— Muito obrigado pela informação, Kurtis.
— Agora, me deixe ir.
Magnus afastou a espada.
— Promessa é promessa.
Kurtis pegou na maçaneta da porta, mas antes que pudesse girá-la, Magnus o interrompeu.
— Foi com essa mão que você a acertou, não foi? — Magnus perguntou.
— O quê...?
Magnus levantou a espada e decepou a mão direita do grão-vassalo na altura do punho. Kurtis gritou, arregalando os olhos de choque e dor.
Magnus o agarrou pela camisa, virando-o de frente para si, e o jogou contra a parede.
— Por sinal, eu menti quando disse que não o mataria.
Pouco antes de enterrar a espada no ventre macio de Kurtis, uma criada apareceu no corredor, tremendo, seguida por um guarda kraeshiano. Magnus se virou para olhar e Kurtis deu uma cabeçada na testa dele antes de sair correndo, pingando sangue pelo caminho.
Magnus rugiu de raiva e imediatamente correu atrás dele, mas, quando virou no corredor seguinte, Kurtis tinha desaparecido.
Ele desceu as escadas e passou pelas portas do palácio, procurando freneticamente seu inimigo do lado de fora. A neve suave daquela manhã já tinha se transformado em uma tempestade. O céu estava repleto de nuvens escuras, dificultando a visão além de vinte passos à frente.
O palácio limeriano tinha sido tomado. O exército de Amara estava no controle, seus guardas ocupavam as dependências como formigas. E Magnus estava cercado.
Ele sabia que precisava lutar por seu povo, destruir seu pai e Amara e reaver seu reino antes que fosse tarde demais.
Mas, naquele momento, naquele exato momento, só conseguia pensar em Cleo.

2 comentários:

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Boa leitura, E SEM SPOILER!