23 de setembro de 2018

Capítulo 26

AMARA
KRAESHIA

Uma semana tinha se passado desde seu retorno à Joia do Império, e o mundo ainda não tinha acabado.
Amara considerou um excelente sinal para esquecer Mítica e desfrutar de todos os momentos de sua Ascensão. O dia em que se tornaria oficialmente — e em todos os sentidos — a governante absoluta do Império Kraeshiano.
Ela esperava que a cerimônia ajudasse a exterminar qualquer resquício de dor, incerteza ou fraqueza incompatíveis com uma imperatriz.
Mas até mesmo uma governante forte, capaz e poderosa precisava de um belo vestido para uma cerimônia formal.
— Ai! — ela gritou ao sentir a espetada de uma agulha manejada por mãos desastradas. — Tenha cuidado!
— Peço desculpas — disse o costureiro, dando um pulo para trás, os olhos cheios de medo.
Amara ficou encarando o homem pelo reflexo no grande espelho de seus aposentos. Que reação exagerada. Era como se ela fosse matá-lo por ser desajeitado. Amara quase gargalhou.
— Tudo bem. Apenas tome cuidado.
— Sim, minha imperatriz.
Lorenzo Tavera era de Auranos, onde tinha uma famosa loja de vestidos na cidade de Pico do Falcão. A avó de Amara tinha ouvido falar que era o costureiro preferido dos nobres e da realeza. Ele havia feito o vestido de casamento da princesa Cleo, que, segundo relatos, era de tirar o fôlego, até ser manchado pelo sangue dos rebeldes.
O vestido dourado que Lorenzo tinha criado para Amara estava ajus ado a suas curvas, a saia era rodada e, a partir do joelho, era enfeitada com o que pareciam penas douradas. O corpete tinha um bordado elaborado, com pequenas contas de cristal e esmeraldas e ametistas maiores.
A cor do vestido fazia Amara pensar na própria princesa dourada, e ela se perguntou como Cleo estava no momento. Estava sofrendo ou já tinha se perdido para a deusa da água?
Culpa minha, ela pensou.
Não. Ela não podia se ater a esses pensamentos. Não podia se ater ao fato de ter ajudado um demônio a ganhar poder e de ter deixado todos, inclusive seu irmão, para trás.
Não podia pensar sobre Kyan ser um deus com uma repulsa extrema pelos mortais imperfeitos que ocupavam o mundo; mortais que ele acreditava serem guiados apenas pela ganância, pela luxúria e pela vaidade, fraquezas que desejava exterminar.
Todos, em todos os lugares, pereceriam.
Dhosha, está tudo bem? — Neela perguntou ao entrar no quarto.
— Sim, claro. Está tudo bem. — Amara forçou as palavras sem se sentir nada bem, apesar da glória daquele dia e da beleza de seu vestido.
— Seu belo rosto… — A avó encarou seus olhos pelo reflexo do espelho. — Você pareceu muito aflita e preocupada por um momento.
Ela balançou a cabeça.
— Nem um pouco.
— Ótimo. — Neela se aproximou o bastante para tocar o belo bordado do vestido. — Lorenzo, você criou uma verdadeira obra-prima.
— Muito obrigado, minha rainha — respondeu o costureiro. — Foi por intermédio da senhora que tive a incrível honra de vestir a imperatriz.
— É tudo o que sonhei — Neela disse, suspirando com apreço. — E as asas?
— Sim, sim. É claro. São a parte mais maravilhosa de minha criação. — Lorenzo tirou de uma bolsa de seda uma grande peça dourada, porém delicada, que se encaixava sobre os ombros de Amara, dando a ilusão de asas douradas.
Amara rangeu os dentes, achando o acessório um incômodo um tanto quanto pesado e desnecessário. Mas preferiu não reclamar, já que acrescentava um toque etéreo e místico.
— Perfeito. — Neela suspirou, entrelaçando as mãos. — Hoje você terá tudo o que eu sempre quis para você. Estou honrada por ter sido capaz de tornar tudo isso possível.
Na semana que se passara desde que tinha ido visitar Mikah Kasro em sua sala do esquecimento, onde ele ficaria até ser levado para a execução durante a cerimônia, Amara tinha tentado não pensar na conversa que tiveram. No entanto, parte dela não saía de sua cabeça, como um pedaço teimoso de comida preso nos dentes, quase impossível de tirar.
“Sua avó só acredita no próprio desejo de poder”, ele tinha lhe dito.
— Estou muito feliz com sua aprovação — Amara disse em voz baixa. — Veio aqui só para dar uma olhada no vestido, madhosha?
Lorenzo a espetou de novo com a agulha, e ela deu um tapa em sua mão.
— Basta — ela o repreendeu. — Chega de consertar coisas que já estão perfeitas.
Lorenzo se afastou dela no mesmo instante, curvando-se.
— Sim, claro. — Mais uma vez, havia medo em seu olhar. Era o mesmo medo que ela se lembrava de ter visto nos que olhavam para seu pai.
Ter tanto poder sobre os outros deveria satisfazê-la.
Em vez disso, provocava-lhe uma sensação fria de vazio.
“Sei que vou ser uma boa líder”, ela tinha dito a Mikah. “Meu povo vai me amar”.
“E se não amar?”, ele questionou. “E se as pessoas se rebelarem e tentarem mudar o que lhes foi imposto sem que pudessem escolher, vai mandar matar todo mundo?”
Dhosha — a avó disse com firmeza, como se tivesse tentado chamar sua atenção mais de uma vez enquanto Amara estava perdida em seus pensamentos.
— Sim?
Amara observou ao redor, emergindo de seus pensamentos. Lorenzo não estava mais no quarto. Ela nem tinha notado quando ele havia saído.
— Você me perguntou se vim aqui apenas para ver o vestido — Neela disse. — Não. Fico feliz em dizer que seu presente finalmente chegou.
Amara balançou a cabeça.
— A senhora não precisava me dar um presente, madhosha. Já fez muito por mim.
Neela sorriu.
— Mas esse presente é especial. Venha comigo para recebê-lo.
Amara se trocou e colocou um vestido mais casual e um xale. O resto do dia seria de relaxamento, meditação e descanso. Depois ela seria arrumada dos pés à cabeça, os lábios e olhos seriam pintados, o cabelo escuro seria trançado com joias, e o vestido seria o último toque antes da cerimônia de ascensão.
Apoiada na bengala, Amara seguiu Neela pelos corredores da Lança de Esmeralda. Elas passaram por vários criados, todos olhando para o chão. Encarar um membro da família real kraeshiana diretamente nos olhos não era permitido desde que o pai de Amara tinha considerado o ato uma afronta.
Sacerdotes e profetas também ocupavam os corredores, vestidos com longas túnicas roxas. Eles tinham vindo de vários lugares do império para participar da Ascensão.
Os longos corredores estavam cobertos com tapetes bordados que um artesão contratado tinha levado uma vida para fazer. Amara se deu conta de que nunca tinha prestado muita atenção à beleza do palácio, aos requintados vasos, às esculturas e pinturas que pontuavam todo o palácio, muitos obtidos de reinos que seu pai havia conquistado.
Roubados, não adquiridos, ela lembrou a si mesma.
Eram objetos que pertenciam a reis e rainhas assassinados pelo imperador enquanto ele avançava pelo mundo como uma praga.
O que estou pensando? Ela balançou a cabeça para expulsar aquelas ideias sombrias. Seu pai não estava mais lá. Nem seus irmãos mais velhos.
Ela não tinha ouvido uma palavra sobre Ashur.
Amara sabia que deveria ser diferente daqueles que tinham governado antes dela. Ela e a avó subiram a escadaria privada em espiral que levava ao sexto andar e percorreram outro longo corredor. No fim dele havia um rosto familiar, um rosto que fez as preocupações de Amara desaparecerem, e seu sorriso voltar.
— Costas! — Quando se aproximou de seu guarda de confiança, ele se curvou diante dela. — Que bom ter você aqui para me ajudar a celebrar este dia tão importante.
— Imperatriz — Costas disse. — Estou aqui a pedido da rainha Neela.
Rainha Neela. Ela tinha notado que muitos se referiam à sua avó dessa maneira agora. Claro que fariam isso. Ela era a parente mais próxima e conselheira de confiança da imperatriz. Sua avó merecia aquele título.
Amara virou para Neela, sorrindo.
— Chamou Costas em segredo como um presente para mim? Se fez isso, agradeço-lhe muito.
Neela balançou a cabeça.
— Não. No entanto, Costas lhe trouxe um presente e o transportou para cá correndo grandes riscos. — Ela apontou para a porta que havia ao lado do guarda alto. — Seu verdadeiro presente está dentro desse quarto.
Que curioso. Que raro tesouro Costas teria lhe trazido a pedido de sua avó no dia de sua Ascensão?
Amara foi até a porta, pressionando a mão sobre a superfície fria e lisa. Apesar de qualquer apreensão ou dúvida, ela jurou que aproveitaria todos os momentos daquele dia. Desfrutaria. Saborearia. Independentemente do que fosse aquele presente misterioso, ela o merecia.
Amara abriu a porta e entrou no pequeno cômodo. Uma mulher toda vestida de branco virou para ela e então baixou os olhos para o chão. Ela fez uma reverência profunda e se afastou do pequeno móvel que tinha diante de si. Parecia muito um berço.
Com a respiração acelerada, Amara se aproximou aos poucos e olhou lá dentro. Um bebê com olhos azul-celeste e cabelo escuro a encarava.
Amara ficou surpresa, cobrindo a boca com a mão.
Neela entrou.
— Gostou do meu presente?
Madhosha, o que a senhora fez? — Amara perguntou, sem fôlego.
— Sabe de quem é essa criança? — Neela perguntou.
Amara mal conseguia pensar, muito menos falar.
— É a filha de Lucia Damora.
— Você não mencionou a existência dela. Tive que saber por Costas. Essa criança é filha de uma feiticeira profetizada com um imortal. Uma criança com pais tão extraordinários deve ter uma magia incrível, uma magia que podemos usar para muitas coisas.
Amara segurou a bengala com mais força.
Madhosha
Neela se abaixou ao lado do berço e acariciou o rostinho aveludado da bebê.
— Que nome devemos dar a ela?
— Ela já tem um nome. É Lyssa. — Amara virou para Costas. — Você fez isso. Você a tirou do berço, dos braços de uma mãe que vai destruir o mundo para encontrá-la?
A expressão de Costas permaneceu calma.
— Não vai.
— Vai, sim! Assim que Lucia souber que Costas levou a filha dela…
— Eu pensei nisso — ele a interrompeu. — Claro que sim. A rainha Neela me deu instruções explícitas para que eu desse a entender que o deus do fogo a sequestrara. A única testemunha que me viu entrar no palácio está morta. Foi queimada como prova.
— Mais um motivo para a feiticeira concentrar sua atenção nesse deus do fogo que você não conseguiu controlar — Neela disse. — Vamos criar essa criança como sua filha, assim como o rei Gaius criou a própria Lucia. Meu boticário me disse que podemos usar o sangue dela para criar poderosos elixires para fortalecer o império. Elixires para mantê-la jovem e bela por muitos e muitos anos.
— Elixires — Amara repetiu, olhando mais uma vez para o rosto da criança sequestrada — para me manter jovem e bela.
— Sim. — Neela então beijou as bochechas de Amara. — Estou tão feliz por ter podido lhe dar esse presente. Um presente que vai apreciar mais a cada ano que se passar.
A cada ano que se passar com a rainha Neela aconselhando-a sobre como governar seu povo, como controlá-lo e como punir aqueles que se opuserem a elas.
Não quero uma criança sequestrada como presente, Amara pensou com um desespero repentino. Não quero nada disso.
O que foi que eu fiz?
Ainda assim, sem saber como sua avó reagiria se dissesse toda a verdade sobre como se sentia, Amara forçou um sorriso nos lábios.
— Muito obrigada, madhosha, por sempre cuidar de mim. Por tornar possível o dia de hoje.
Neela apertou as mãos dela.
— Todos vão se curvar diante de você. Todos os homens que já fizeram uma mulher kraeshiana sofrer. E você vai ser a melhor e mais temida governante que este mundo já viu.
Amara manteve o sorriso falso ao sair do quarto da bebê e voltar aos próprios aposentos. Ela caminhou o mais rápido possível, tentando conter as lágrimas que já se formavam.
Tinha sido ideia da avó envenenar sua família.
Tinha sido ideia da avó matar Ashur se ele se tornasse um problema.
Tinha sido ideia da avó sequestrar a filha da feiticeira.
Amara tinha confiado na avó a vida toda, sempre disposta a fazer o que ela dizia, sabendo que Neela só queria ajudá-la a conquistar o poder.
Poder que Neela poderia utilizar para o próprio bem.
Com os pensamentos confusos e a visão embaçada, Amara não viu a pessoa escondida na curva do corredor que levava à sua gigantesca ala na residência real.
Pelo menos não até ser agarrada.
Sua bengala caiu antes que ela pudesse usá-la para atacar a mão grande que a pegou pela garganta e a imobilizou contra a parede. A ponta de uma lâmina afiada foi pressionada contra seu rosto.
— Ora, foi mais fácil do que eu imaginei — Felix Gaebras murmurou. — Não há segurança suficiente no palácio verde e pontudo para evitar a aproximação de criminosos fugitivos como eu. Que vergonha.
Vê-lo foi um choque tão grande que Amara não reagiu, não lutou, enquanto ele a arrastava até o quarto vazio. Felix a empurrou, e ela cambaleou para trás e caiu no chão. A porta foi fechada e trancada.
Amara lançou um olhar para a porta. Felix não tinha entrado na Lança de Esmeralda sozinho.
— Nerissa — Amara suspirou.
Os olhos de sua antiga criada se estreitaram com frieza sobre ela.
— Tão longe de Mítica, pensei que já tivesse esquecido meu nome.
— Claro que não. — Amara tentava engolir, respirar. Tentava não parecer apavorada. — Vai impedir que Felix me mate?
— Não. Na verdade, estou aqui para ajudá-lo.
Amara ficou encarando os dois por um demorado momento. Depois começou a rir, atraindo olhares irritados tanto de Nerissa quanto de Felix. O dia tinha sido tão surreal — das asas douradas, o medo nos olhos do costureiro e o sequestro da bebê com sangue mágico que ela tinha ganhado de presente.
— Pare de rir! — Felix gritou.
— O que foi? — Nerissa perguntou. — Está louca?
— A esta altura? É muito provável. Mas você, Nerissa, como cúmplice no assassinato de uma mulher desarmada? Nunca pensei que pudesse ser tão fria.
Amara foi tomada pela certeza de que a punição que merecia tinha chegado bem antes do esperado.
— Gostaria de poder dizer o mesmo sobre você — Nerissa disse com calma.
Amara relaxou, observando atentamente a antiga criada. Alguém que tinha olhado para ela com bondade e paciência pouco tempo atrás. Alguém que havia compartilhado histórias de seu doloroso passado.
— Você me contou que você e sua mãe passaram maus bocados durante o reinado do meu pai. Sabe como é ser oprimida pelos homens e precisar usá-los para conseguir o quer. Achei que entenderia, pelo menos em parte, por que fiz o que fiz.
— O que contei sobre minha mãe ser uma cortesã era mentira. — Nerissa arqueou uma sobrancelha fina. — Ela fazia o que era necessário para sobreviver. Mas, na maior parte do tempo, minha mãe era uma assassina.
Felix ficou boquiaberto.
— Você nunca me contou isso. Temos muito em comum!
Nerissa olhou feio para ele.
— Sua mãe não era uma assassina.
— Não, mas eu sou. Ah, Nerissa, você fica mais interessante a cada dia que passa. Podíamos ser parceiros depois disso. Justiceiros que assassinam criaturas terríveis e perversas no mundo todo! Mas seria ótimo se pudéssemos evitar viagens marítimas. Ainda estou passando mal por causa da viagem de Mítica até aqui.
Nerissa torceu o nariz.
— Isso, tudo isso, é improvável, Felix.
Ele franziu a testa e passou os dedos pelo tapa-olho.
— É porque eu não tenho um olho? Não posso fazer muita coisa sobre isso. Ah, espere. Também é culpa da imperatriz. Outro motivo pelo qual ela tem que morrer. — Ele observou a faca e estreitou o único olho. — Vou me divertir tanto com isso.
Nerissa deu um suspiro cansado.
— Quer parar em outro calabouço?
— Sem dúvida, não. — Felix girava a adaga na mão com a habilidade de alguém que brincava com armas afiadas todo dia. — Antes de finalmente, e com prazer, fazer isso com você, imperatriz, sou obrigado a lhe informar que estou aqui sob ordens do príncipe Magnus. Ele não ficou feliz ao saber que você mandou matar o pai dele.
Amara levantou, equilibrando o peso na perna boa. Apesar de seus problemas, sua vontade de viver continuava forte como sempre.
— Não fui eu. Minha avó contratou aquele assassino. Só fiquei sabendo quando cheguei aqui na semana passada.
Felix deu de ombros.
— Você está dizendo tudo isso como se importasse. Mas não importa. O resultado será o mesmo. Ou seja, você morta.
Amara se virou para Nerissa.
— E você simplesmente vai ficar aí parada vendo ele me matar?
— Vou, sim. — Nerissa cruzou os braços e bateu o pé como se a morte de Amara estivesse demorando demais.
— Antes daquela noite… com Kyan, quando traí todos vocês… achei que tivesse acreditado em mim — Amara disse, horrorizada com a fraqueza que estava deixando transparecer. Mas, ainda assim, era verdade. Ela não tinha mais nenhuma mentira guardada.
— Eu acreditei. Mesmo sabendo que não deveria, acreditei mesmo. — Nerissa suspirou e balançou a cabeça. — Mas você não demonstrou nenhum remorso, nenhum arrependimento. Todas as decisões que tomou foram em benefício próprio, e inúmeras pessoas sofreram por causa disso.
Felix girou a adaga mais uma vez.
— E você diz que eu falo demais! Podemos acabar com isso e sair daqui?
Acabar com isso.
Acabar com ela.
Felix tinha muitas razões para querer Amara morta. Na verdade, ela não o culpava. Ela o tinha magoado demais. Não. Amara tinha tentado destruí-lo. Mas ele tinha sobrevivido.
— Admiro isso — Amara disse.
— O quê? — Felix resmungou.
— Você. Vejo agora que teria sido muito melhor tê-lo como aliado do que como inimigo.
Ele franziu a testa.
— Esperava ouvir você suplicar de modo mais satisfatório por sua vida a esta altura. Isso é extremamente decepcionante.
— Acabou — Amara disse.
— Exatamente o que quero dizer. — Felix abriu um sorriso frio e deu um passo à frente.
Ela levantou a mão e ergueu o queixo.
— Mas você não pode me matar. Não agora. Mais tarde, talvez. Mas não agora. Tem muita coisa que precisa fazer primeiro, e vai precisar de muito da minha ajuda.
— Não. Acho que vou apenas matá-la — Felix insistiu e levantou a adaga.
Nerissa segurou o punho dele no ar, os olhos fixos em Amara.
— Do que está falando?
Amara vasculhou a mente, tentando pensar em como começar.
— Certo — ela disse. — Ouçam com atenção...

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