3 de setembro de 2018

Capítulo 24

FELIX
KRAESHIA

Ele não gritou durante o primeiro dia que passou no calabouço kraeshiano, mas aquela determinação não durou muito. Ele não ficou tão surpreso quando os urros começaram. Como membro do Clã da Naja, tinha aprendido rápido que uma quantidade suficiente de tortura desestabiliza qualquer um. Até mesmo ele. Especialmente a tortura administrada por carcereiros que estavam frente a frente com um limeriano acusado de matar a família real.
Depois de uma semana no calabouço, suas costas tinham sido açoitadas até ficar em carne viva. Cem, quinhentos, mil toques de um chicote. Ele não sabia mais. Pendia, enfraquecido, das correntes presas ao teto enquanto o sangue escorria por suas costas arruinadas.
— Vá em frente — um guarda o provocou. — Chame sua mamãe. Vai ajudar.
Felix não sabia o nome do guarda, mas, em sua mente, chamava-o de demônio.
— Ei, lembra disso? — O demônio jogou alguma coisa no chão de terra bem à frente de Felix. — Agora está olhando para si mesmo.
Um globo ocular imundo olhava direto para Felix.
As coisas tinham sido muito mais simples no começo daquele dia, antes de o demônio enfiar uma adaga na órbita de seu olho esquerdo.
— Por que não vai em frente e me mata? — Felix cuspiu.
— E que graça há nisso? Preciso trabalhar aqui, com vocês, assassinos fedorentos, repulsivos, todos os dias. Por que me negaria um pouco de diversão?
— Sua diversão comigo é perda de tempo. Não matei o imperador Cortas, nem seus filhos.
O guarda soltou um leve riso.
— Claro que não. É totalmente inocente... como o restante da escória nesta prisão.
— Aquela vadia que você chama de princesa me incriminou pelos próprios crimes!
— Ah, não! Isso de novo? A bela e doce princesa Amara matando o pai e os irmãos? Por que faria algo assim?
— Por poder, é claro. Acredite, não há nada de doce nela.
O demônio bufou.
— Ela não passa de uma mulher, que utilidade o poder teria para ela?
— É tão estúpido que quase lamento por você.
O guarda cerrou os olhos e ficou de pé. Ele sacou a adaga e usou a ponta da lâmina para cutucar a ferida que estava no lugar da tatuagem de Felix.
Felix gritou com a dor aguda e repentina.
— Ah, isso dói? — o guarda perguntou, mostrando os dentes.
— Vou matar você — Felix rosnou.
— Não vai, não. Vai ficar pendurado aí e me deixar continuar a machucá-lo até chegar sua hora de morrer. E então vou bater em você mais um pouco antes de eviscerá-lo. — Ele raspou o pedaço de pele dependurada mais uma vez. — É, sabemos tudo sobre você e seu Clã da Naja aqui. Vocês pensam que são durões, uma elite. Bem, estava certo quando arrancou sua tatuagem insignificante. Porque agora você não é nada. Percebe que não é nada?
— Vai beijar a bunda de um cavalo.
O guarda passou a lâmina pelo braço de Felix, subindo até o ombro e dali para o pescoço, depois pelo queixo e pela bochecha até que sua ponta afiada parasse logo abaixo de seu olho direito.
— Talvez tire este aqui também. Talvez tire sua língua e suas orelhas também, e o deixe cego, surdo e mudo.
Felix pensou em lembrar àquele guarda imbecil de que tirar suas orelhas não o deixaria surdo — ele já havia testemunhado alguém do clã cometer o mesmo erro antes —, mas ficou quieto.
Alguém bateu na porta da cela. O demônio abriu e conversou com alguém por uma pequena janela.
— Desculpe decepcioná-lo, mas tenho que sair por um instante — ele disse, voltando-se para Felix. — Prometo voltar mais tarde. Descanse. — Ele girou uma manivela, que desceu as correntes que o prendiam, desobrigando Felix a ficar na ponta dos pés e fazendo-o desabar no chão. — Olhe para você, vermelho com o próprio sangue. Vermelho é a cor de Limeros, não é? Tenho certeza de que o rei Gaius ficaria orgulhoso ao ver seu patriotismo agora... quer dizer, se ainda se importasse com você.
Gargalhando, o guarda saiu.
— Bem, esta com certeza é uma situação infeliz, não? — Felix resmungou para si mesmo.
Ele soltou uma risada engasgada, mas mal soou como um som humano.
As paredes da cela estavam cobertas por um lodo de cheiro repugnante; o chão era apenas uma mistura de terra e resíduos humanos. Não lhe deram nada além de água suja desde que acordara ali, nem uma migalha de comida. Se não fosse pelas correntes que o penduravam, acreditava que não seria capaz de se manter em pé sozinho.
— O que acha disso tudo? — Ele propôs esta questão à aranha enorme e peluda que estava no teto. Felix tinha dado à feia colega de cela o nome de Amara.
Em seus longos dezenove anos de vida, Felix nunca tinha odiado tanto alguém quanto odiava Amara.
— O que foi aquilo, Jonas? — Felix também havia dado um nome à vítima mais recente da aranha: uma mosca que, por azar, tinha passado perto demais da teia e agora estava aprisionada, assim como ele.
Ele levou a mão trêmula até a orelha.
— Não perca as esperanças? Mantenha a cabeça erguida? Sinto em dizer, amigo, mas é tarde demais para isso. Para nós dois, ao que parece.
A única coisa que o mantinha consciente, que o mantinha lutando para sobreviver àquele inferno, era um sonho desesperado de vingança. Ah, como ele acabaria com a vida dela se um dia conseguisse escapar. Aquela abominação trapaceira, conspiratória, cruel, de sangue frio e sedenta por poder.
Só de pensar nela Felix já tremia de raiva, um movimento destruidor que logo se converteu em um choro sem lágrimas.
Ah, pare com isso, Amara, a aranha, disse. Você já causou danos o bastante na vida. Não diria que merece este tipo de tratamento?
Você é tão mau quanto eles, grasnou Jonas, a mosca. É um assassino, lembra? Não merece uma segunda chance.
— Não estou dizendo que estão errados — ele respondeu. — Mas vocês dois não estão ajudando, sabiam?
Ele tocou o rosto com cuidado, sentindo o sangue ressecado e grosso que formava uma massa do lado esquerdo. Seu olho arrancado o encarava do outro lado da cela.
Amara tinha dado a impressão de se importar com ele ao menos um pouco, de que Felix tinha alguma importância, afinal. E então fez aquilo. Por quê? E por que o rei concordou tão prontamente?
Não fazia nenhum sentido.
Felix pensava ter conquistado o perdão e a confiança do rei, mas talvez aquilo também tivesse sido uma mentira. Talvez o rei só o tivesse trazido por esta única razão: ter alguém em quem colocar a culpa, alguém para ser punido.
Ele deitou de lado, com calafrios.
Já tinha se sentido perdido e sem esperança antes, muitas vezes, mesmo que não admitisse. Mas nunca desse jeito.
— Vou morrer — ele sussurrou. — E ninguém no mundo inteiro vai sentir minha falta.
Devagar, Felix foi apagando até atingir um estado de semiconsciência — se estava dormindo ou se era simplesmente a pura escuridão, ele não sabia. Mas o tempo passou. E então, o som de uma chave chacoalhando na porta o acordou.
O guarda espiou pela pequena janela.
— Sentiu minha falta?
Felix logo sentou, seu corpo gritava de dor. Ele se afastou rapidamente, ficando o mais longe que podia da porta de ferro.
Ele não achava que conseguiria suportar mais tortura. Um pouco mais e tinha certeza de que enlouqueceria por completo. Já estava dando nome a insetos e conversando com eles. O que viria depois?
O guarda estava prestes a abrir a porta quando, de repente, ouviu-se um estrondo alto que ecoou pelo calabouço. As paredes tremeram e poeira caiu do teto em grandes nuvens que fizeram Felix tossir e respirar com dificuldade.
O guarda virou para olhar o corredor e então desapareceu.
Felix encostou a cabeça na parede limosa, sentindo um alívio momentâneo.
Outro estrondo, maior que o anterior, fez o calabouço tremer. Uma pequena rachadura começou a se formar ao longo da parede e se espalhar até o teto, até um pedaço de pedra desabar no chão a apenas alguns centímetros de Felix.
Aquele lugar inteiro ia desabar sobre sua cabeça.
Felix pensou que seria melhor morrer daquele jeito do que à mercê do guarda sádico.
Ele umedeceu os lábios secos e rachados com a ponta da língua, sentindo o gosto de suor e do próprio sangue.
— Não estou com medo — ele sussurrou. — Não tenho medo da morte. Mas quero que seja rápido. Por favor, deusa. Chega de dor. Se este pedido faz de mim um covarde, que seja, sou um covarde. Mas, por favor... por favor. Já sofri o bastante.
Ele esperou, esforçando-se para ouvir qualquer coisa que viesse do corredor. Mas depois da segunda explosão, tudo tinha ficado extremamente quieto. Minutos se passaram. Ou teriam sido horas? Ele não sabia quanto tempo ficou esperando. O tempo não significava nada ali.
Então ele ouviu. Gritos. Urros. O barulho de metal batendo contra metal, o barulho de portas de ferro se chocando em paredes de pedra. Ele se esforçou para romper as correntes, mas as algemas só fincavam mais em seus pulsos, reabrindo as feridas que já haviam feito.
Alguém estava tentando escapar. E outra pessoa ajudava.
— Aqui... estou aqui — Ele tentou gritar, mas mal conseguia falar.
Felix não fazia ideia do que poderia aparecer pela porta, se estava chamando por um amigo ou inimigo. Mas tinha que tentar.
— Por favor — ele disse com a voz rouca, mais uma vez. — Por favor, me ajude.
Finalmente, o choque e o barulho cessaram, e os sons de batalha deram lugar ao silêncio.
Felix inspirou, sua respiração produziu um som trêmulo, digno de pena, e ele sentiu a vergonhosa ferroada das lágrimas.
Tinha sido deixado para trás, para apodrecer.
Ele fechou o olho em meio à poeira e ao vazio, esperando pelo menos poder definhar em paz. Mas então um pequeno tumulto no corredor o fez voltar a abri-lo.
Passos. E o som estava mais alto, mais perto.
Por fim, alguém chegou à porta. Felix só podia ver um par de olhos, que o observaram brevemente pela janela para depois desaparecer.
Ele ouviu uma chave abrindo a fechadura, e seu corpo ficou tenso. Ele esperou, quase sem respirar, enquanto a porta se abria.
Com medo de levantar a cabeça, viu primeiro um par de botas pretas sujas de lama. Calça de couro. Uma túnica de lona suja, manchada de sangue, com amarras esfarrapadas.
O lampejo de uma espada afiada.
Felix começou a tremer enquanto se forçava a olhar para a frente. A poeira preenchia o ar, e seu olho ardia enquanto tentava se concentrar na forma daquele intruso.
Familiar. Ele parecia tão... familiar.
A silhueta do jovem na porta trazia uma expressão cheia de horror.
— Droga. O que fizeram com você?
— Estou sonhando. Um sonho. Tudo isso é um sonho. Você não está aqui de verdade. Não pode estar. — Felix se encostou na parede. — Ah, que engraçado. Sonhar com um velho amigo pouco antes de morrer.
A figura onírica se aproximou e se agachou diante dele.
— É isso que se ganha por tentar ser bondoso, seu idiota — ele disse.
— Parece que sim.
— Algum arrependimento?
— Um ou dois milhões deles — Felix piscou para ele. — É... é você mesmo?
Jonas confirmou.
— Sou eu mesmo.
Felix balançou a cabeça, ainda muito assustado para acreditar que aquilo fosse real. E sentiu algo quente e úmido na face. Lágrimas.
— Como?
— Não vai acreditar, mas precisa agradecer ao príncipe Magnus por isso. Somos aliados agora. Mais ou menos. Ele recebeu sua mensagem e me mandou para cá, para matar o pai dele.
— Agora sei que estou sonhando. Você nunca desceria tão baixo a ponto de ajudar o príncipe.
— Muita coisa mudou desde a última vez que nos vimos — Jonas pegou uma pequena chave e mexeu nas algemas, finalmente removendo-as dos punhos ensanguentados de Felix. — Acha que consegue ficar em pé?
— Posso tentar.
Jonas o ajudou a levantar, e Felix viu a surpresa no rosto dele quando notou que lhe faltava um olho. Ele praguejou.
— Você passou por um inferno.
Rir doía demais, mas era um eufemismo, se é que Felix já tinha ouvido algum.
— É, fui para as terras sombrias e voltei. Como me encontrou aqui? Os revolucionários de Mikah planejavam libertar alguns de seus homens hoje?
— Não exatamente. Eles tinham certeza de que você já estava morto, mas... não sei. Eu tinha a sensação de que não estava.
— E essa sensação era tão forte que arriscou invadir uma prisão kraeshiana para ver se estava certo?
— Parece que funcionou.
— Você veio aqui para me ajudar — Felix olhou fixamente para Jonas, e as lágrimas voltaram a correr. — Droga.
— Se esse é o seu jeito de agradecer...
Felix emitiu mais uma risada curta e dolorosa com dificuldade.
— Eu deveria estar implorando por seu perdão agora mesmo.
— Não, eu é que deveria implorar pelo seu — disse Jonas. — Sinto muito, Felix. Sinto por ter duvidado de você.
Felix se esforçou para respirar.
— Vamos deixar isso no passado, que é o lugar das coisas sombrias. Agora, preciso de um favor enorme.
— O que quiser.
— Me tire logo daqui.
O rebelde sorriu.
— Isso eu posso fazer.
Jonas explicou rapidamente que o calabouço estava instável e que os revolucionários kraeshianos estavam tentando percorrê-lo, libertando prisioneiros e matando qualquer guarda que tentasse impedi-los. Felix apenas olhou para o amigo; as palavras de Jonas eram um zumbido reconfortante em seus ouvidos enquanto ele o ajudava a levantar, e seu corpo gritava de dor a cada movimento.
Jonas ajudou Felix a sair da cela. Enquanto atravessavam o corredor com cuidado, Felix viu o que restou de seu torturador, jogado contra uma parede, cortado em vários pedaços.
Felix meneou a cabeça na direção do algoz.
— Mas que infelicidade.
— Por quê?
— Queria tê-lo matado eu mesmo.
Jonas abriu um sorriso sinistro e continuaram a percorrer o calabouço em ruínas.
— Temos muito a fazer — Jonas disse quando começaram a subir as escadas. — E precisamos de sua ajuda. Está dentro?
Felix confirmou.
— Com certeza. Para o que precisar.
— Conheço alguém que pode curá-lo depressa — Jonas o examinou mais uma vez, fazendo uma careta. — Mas não acho que possa ajudar com o olho.
— Ah, obrigado por me lembrar. Sabia que tinha esquecido alguma coisa na cela.
— Pegue, aceite isso como um presente — ele enfiou a mão no bolso e entregou um tapa-olho preto para Felix. — Tenho certeza de que vai ficar melhor em você do que em mim.
Felix olhou para ele, confuso.
— Nem vou perguntar.
Jonas sorriu.
— E então, como vai seu plano para se redimir?
Felix gargalhou com um pouco menos de dor daquela vez.


Demoraria um pouco para se acostumar com o tapa-olho, mas Olivia tinha curado todos os demais ferimentos dele.
Enquanto a Vigilante trabalhava em Felix, Jonas observava, claramente irritado pela receita de cura não incluir estrume de vaca dessa vez.
— Eu tive que usar aquilo em você daquela vez. Você ainda achava que eu era só uma bruxa — ela explicou. — Não existem bruxas poderosas o bastante para curar ferimentos sérios apenas com o toque.
— O que quer que esteja fazendo, não pare — Felix disse, rangendo os dentes com a dor causada pela milagrosa magia da terra.
A fuga da prisão tinha marcado oficialmente o início da revolução kraeshiana. Rebeldes, incluindo aqueles que tinham acabado de escapar, invadiram as ruas prontos para lutar, ávidos por tomar a Lança de Esmeralda e a própria Joia.
Ainda assim, depois que Mikah explicou a situação atual, Felix percebeu — com menos de trezentos rebeldes na ilha naquele momento — que não chegavam nem perto do número necessário para ter sucesso na tomada de uma cidade daquele tamanho.
Mesmo com os vinte navios levando tropas kraeshianas para Mítica, para auxiliar na “ocupação pacífica” do rei, os guardas que restaram na cidade superavam os rebeldes em uma proporção de dez para um.
Mas Felix estava mais impressionado com Mikah do que quando descobriu quais eram suas ambições. Nunca tinha conhecido ninguém mais determinado a fazer a diferença no mundo, sem se importar com quanto tempo isso levaria.
— Onde está Taran? — Felix perguntou.
— No sul da cidade. Está no comando da facção daquela região.
— Quem é Taran? — Nicolo Cassian perguntou, de quem Felix se lembrava como o amigo ruivo de Jonas que tinha ajudado a resgatar Lys da execução. Ele tinha perguntado sobre Lysandra, mas não havia recebido uma resposta satisfatória. Era provável que ela continuasse em Mítica para ficar de olho no príncipe Magnus.
Era aquilo, ou talvez não tivesse sido tão clemente quanto Jonas, e ainda o culpasse pelo que acontecera naquela noite terrível em Auranos.
Teria que lidar com ela depois.
— Taran é um rebelde — Felix respondeu. — Talvez até já o conheça. Ele veio de Auranos.
Nic deu de ombros.
— É um reino bem grande.
— Amara e o rei já devem estar se aproximando das praias de Mítica, não? — Jonas perguntou.
— Provavelmente ainda têm dois ou três dias pela frente — Mikah confirmou. — E o resto dos navios está apenas doze horas atrás deles.
— Precisamos enviar uma mensagem ao príncipe — Felix disse. — Para avisá-lo do que está por vir. Se a suposta “ocupação pacífica” tem algo a ver com Amara, Mítica verá muita violência. É ela que está tomando o poder, e se o rei causar qualquer problema, Amara vai matá-lo.
— Não vejo nada de errado nisso — Nic disse.
— Apesar de toda sua ganância e crueldade, o rei valoriza Mítica — Jonas disse, andando de um lado para o outro com os braços cruzados. — O que Amara deve querer com ele é colocar as mãos no resto dos cristais da Tétrade.
Felix tinha admitido a própria estupidez e confirmado que o rei estava com o cristal do ar, mas Jonas garantira que aquela era a única pedra em que o rei colocaria as mãos.
Amara, aquela viúva negra maligna e traiçoeira, estivera o tempo todo com o cristal da água, e Felix não fazia a mínima ideia.
— Um corvo não chegará lá a tempo — Jonas disse. — Olivia?
Ela foi até o lado dele.
— Pois não?
— Em que velocidade consegue voar?
— Muito rápido.
— Preciso que leve uma mensagem para o príncipe. Precisa partir imediatamente.
Ela examinou o grupo, com a expressão fechada.
— Não posso partir. Se fizer isso, você ficará vulnerável a um ataque.
— E se não fizer, muitas pessoas em Mítica correrão um perigo enorme.
— E? — O tom de voz dela demonstrava uma ponta de irritação. — Devo entender que está contando cada alma viva de Mítica como um amigo, e que preciso proteger a todos.
— Exatamente — Jonas apoiou as mãos nos ombros dela. — Por favor, Olivia. É importante. Por favor, faça isso por mim.
— Mortais... — ela disse, balançando a cabeça. Olivia analisou Jonas por um momento de silêncio. — Muito bem — ela disse, por fim. — Escreva sua mensagem. Mas se morrer antes do meu retorno, me recuso a ser considerada responsável.
Jonas concordou.
— Justo.

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