1 de setembro de 2018

Capítulo 22

MAGNUS
AURANOS

Ioannes. O nome que Lucia sussurrava como uma oração quando passara semanas adormecida.
Ioannes. O vigilante que se aproveitou de Lucia em seus sonhos, quando ela estava inconsciente e indefesa.
Ioannes. Agora ali, com total permissão do rei, oficialmente apontado como tutor particular de Lucia. Ele quase não saía dos aposentos de sua irmã desde sua chegada, uma semana antes.
O jovem era um problema e uma ameaça. Mas ninguém parecia acreditar nisso, exceto Magnus. Tomara para si a função de ficar de olho no vigilante e garantir que se comportasse.
Naquele dia, o rei tinha dado permissão para Ioannes, Lucia e sua nova amiga Cleo saírem do palácio e irem a um festival numa vila próxima.
Magnus não ficou surpreso por não ter sido convidado para ir junto. Mas isso não o impediu de ir assim mesmo, seguindo-os a cavalo a uma distância discreta. Não era segredo que não confiava em Ioannes — nem em Cleo, aliás. Lucia era tola por confiar em qualquer um dos dois, mesmo acompanhada de guardas.
Ele seguiu a carruagem por horas até ela finalmente parar. Magnus levou o cavalo para o abrigo da floresta, para poder observar, sem ser visto, os três saírem à luz do sol. Lucia disse alguma coisa para um guarda, depois seguiu com o vigilante e a outra princesa para a floresta. Os guardas não os acompanharam.
Que estranho.
Magnus esperou até o grupo desaparecer e abordou o guarda consultado por Lucia, que ficou tenso ao vê-lo.
— Vossa alteza — ele disse com a voz trêmula.
— O que está acontecendo? — Magnus perguntou. — Aonde estão indo?
— A princesa Lucia ordenou que parássemos aqui, depois pediu que aguardássemos enquanto eles faziam um… passeio.
— Um passeio?
— Sim, alteza. Ela enfatizou que queriam privacidade e disse que retornariam quando tivessem terminado…
— De passear — Magnus completou. — Sim, é claro.
— Podemos ir atrás deles, se quiser…
— Não, não precisa. Eu vou. Fiquem bem aqui.
Ele deixou o cavalo com os guardas e entrou na floresta a pé, seguindo um rastro de folhas pisadas e galhos quebrados. A cada passo, suspeitava mais da natureza do passeio da irmã. Principalmente por estar acompanhada de tipos como Ioannes e Cleo, duas pessoas que tinham motivos duvidosos para querer passar um tempo com a jovem feiticeira.
Ele apertou o passo. Precisava saber a verdade.
Não demorou muito para chegar à comitiva de Lucia. Estavam conversando, mas as palavras eram indistintas, então decidiu chegar mais perto. Então, de repente tudo ficou em silêncio.
Estranhamente em silêncio.
O que, exatamente, está acontecendo aqui?
Ele parou e escutou com cuidado.
— Você! Saia! — Era Lucia. — Seja quem for, se é destemido o bastante para nos seguir, então mostre o rosto e prove que não é um covarde.
A irmã adotiva parecia especialmente zangada. Talvez fosse influência das novas companhias.
Magnus não era covarde. Estava pronto para confrontá-los sobre a caminhada no meio do nada, tão distante do suposto destino.
Ele saiu de detrás das árvores e ficou parado no caminho. Todos o olharam com surpresa.
— Ninguém me falou desse passeio — ele disse, passando os olhos de Cleo para Lucia, cujos punhos cerrados ardiam com magia do fogo. Seu tutor novo e irritantemente belo estava ao lado dela. — Pode apagar o fogo, minha irmã. Não preocupe sua cabecinha linda. Não pretendo fazer nenhum mal a vocês.
Demorou um instante, mas ela finalmente extinguiu a chama. Olhou para ele com cautela e suspeita.
— O que está fazendo aqui? — perguntou.
— Seguindo vocês. Obviamente. — Com firmeza, olhou para um de cada vez. — Ouvi dizer que estão indo para um festival. Odeio dar essa notícia, mas qualquer vila fica a uma longa caminhada daqui.
Lucia trocou olhares com Ioannes.
— Não estamos indo a um festival.
— Estou chocado. Talvez vocês três tenham vindo aqui para conversar com a natureza. É isso?
Ele sentiu o olhar furioso de Cleo, mas nem se deu o trabalho de olhar para a esposa. O silêncio dos três falava mais do que ocultava. O que estariam tentando esconder?
— E você? — Ele se virou para Ioannes. — Quais são suas intenções, atraindo duas meninas para o meio do nada, longe de qualquer proteção? Devo adivinhar? Ou devo matá-lo bem aí onde está?
— Magnus! — Lucia gritou.
— Estou sendo grosseiro? Desculpe, minha irmã. Mas certamente vai me perdoar por demonstrar a cautela que parece lhe faltar. O que, exatamente, sabe sobre esse garoto, além do fato de ele alegar ter vindo do Santuário como representante de Melenia?
Ela levantou o queixo.
— Sei o suficiente.
— Mas eu não. — Magnus olhou para Ioannes, que parecia calmo, tranquilo. — Você não se intimida com facilidade, não é?
— Não — Ioannes respondeu, tendo a audácia de demonstrar tédio diante da ira pouco contida de Magnus. — Por quê? É o que está tentando fazer? Me intimidar?
Ele abriu um sorrisinho.
— Consegui arrancar pelo menos um filete de suor dos pretendentes anteriores de Lucia. É isso que você é, não é mesmo? Além de um suposto tutor? Vejo como olha para minha irmã e não gosto. Ao contrário dela, não confio em você.
— Você não me conhece.
— Conheço o suficiente. — Magnus deu uma volta ao redor de Ioannes. Não via motivo para medir as palavras. — Por que estão aqui? Não há nada em quilômetros, exceto o Templo de Cleiona.
Os três trocaram olhares, deixando ainda mais claro a Magnus que estavam planejando alguma coisa.
Finalmente, Lucia rompeu o silêncio.
— Precisamos contar a ele.
— Lucia — Cleo protestou.
— Magnus pode ser um pouco insolente e grosseiro, mas confio nele. Confio nele tanto quanto confio em vocês dois. — Lucia se virou para o irmão. Olhou para o rosto dele e respirou fundo. — Estamos aqui hoje para reivindicar uma parte da Tétrade.
Toda a ousadia e frieza com que Magnus entrara naquela situação desapareceram em um instante. Só conseguia olhar fixamente para ela, perguntando-se se não tinha entendido mal.
— Tem certeza do que está falando? — ele perguntou com a voz rouca.
— É verdade. — Ela assentiu. — Nosso pai quer a Tétrade, mas não pode ficar com ela, Magnus. Por isso tive que mentir hoje. Ele não sabe a verdade.
A garganta dele estava se fechando, e a boca estava seca. De repente, Magnus se deu conta de como o dia estava quente e sentiu o casaco pesado sufocando-o.
— Que verdade? — ele perguntou.
— Que a Tétrade precisa ser encontrada e devolvida imediatamente ao Santuário. Se isso não acontecer, o mundo vai… vai…
— O quê? — Ele se obrigou a se recompor. — A vida como conhecemos vai acabar? É isso que seu novo tutor disse?
— Basicamente — Ioannes respondeu.
É claro. Que melhor jeito para manipular Lucia do que convencê-la de que o mundo acabaria sem sua ajuda?
Magnus olhou para Cleo. Ela estava com os braços cruzados diante do corpete do vestido rosa, muito mais sofisticado do que qualquer coisa que se costumava usar para uma caminhada em uma floresta densa em um dia quente. Ela o encarava em silêncio, zangada — não era uma expressão nova.
— E por que você está aqui? — ele perguntou.
— Quero ajudar — ela respondeu.
— Ah, sim. Tão prestativa. — Se Lucia realmente acreditava que aquela criatura de duas caras era sua amiga de verdade, era uma tola. Apesar da criação rígida e da falta de amor e orientação de sua mãe fria e calculista, Lucia conseguia ser ingênua num nível imperdoável. — Que conveniente você vir junto hoje, considerando seu interesse na Tétrade.
— É claro que tenho interesse na Tétrade — Cleo respondeu rapidamente. — Vivo em Mítica e ouvi as lendas a vida toda. Mas não sabia que era verdade até outro dia.
Ela respondeu com tanta convicção que Magnus quase acreditou.
Quase.
O príncipe olhou para Lucia.
— Você devia ter me contado. — Ele não pretendia soar tão duro. Mas costumavam compartilhar tanta coisa que doía que a irmã não confiasse nele.
— Sinto muito. Eu devia ter contado. Mas sei como se tornou próximo de nosso pai ultimamente. Vocês dois são quase inseparáveis.
— Você está exagerando.
— Magnus tem razão — Cleo disse. — Ele não passa o tempo todo com o rei. Parte dele, ou pelo menos algumas noites, são passadas com a princesa Amara.
Lucia olhou para ele, chocada.
— Você e Amara?
Ele tinha passado uma única noite com a princesa kraeshiana. Ela não havia feito contato desde o retorno para a quinta, e isso não o incomodava nem um pouco. Amara tinha sido uma distração agradável, nada mais. Mas ninguém precisava saber disso além dele.
— Não pude evitar — Magnus disse. — Amara é irresistível. Temos tanto em comum. Aquela garota é cheia de possibilidades.
Ele esperava que Cleo revidasse, mas ela ficou em silêncio.
— Se está dizendo… — Lucia voltou a franzir a testa. Ela virou para Ioannes. — Quero que Magnus faça parte disso. Acredito que não vai contar nada ao nosso pai.
As palavras de Lucia tocaram seu coração. Ainda se importava com ele, confiava nele, mesmo que o próprio Magnus não conseguisse pensar em muitos motivos para isso.
Ioannes não disse nada, mantendo o olhar fixo no príncipe. Havia algo nos olhos do vigilante que parecia muito mais antigo do que sua aparência jovem.
— Como quiser — ele finalmente respondeu.
Lucia meneou a cabeça e voltou a atenção a Magnus.
— Nosso pai não pode saber. Prometa, Magnus. Ele não pode saber disso.
— Ah, eu prometo — Magnus respondeu. — Nosso pai nunca terá um único cristal agora que sei que eles devem servir a um propósito muito mais importante.
Embora não fosse o propósito em que Lucia acreditava.
Mas primeiro ele precisava ver, provar para si mesmo que aquilo era real. Depois pensaria no que fazer. Se aquela jornada não levasse a nada, ele poderia usar isso como um meio de se livrar de Ioannes, manchar a reputação do vigilante aos olhos do rei. Apenas outro jovem inútil com más intenções em relação à filha do rei.
Ele sabia que Ioannes e Lucia podiam ser extremamente perigosos se provocados ou traídos. E Cleo… bem, também não a subestimava.
— Vamos continuar — Ioannes disse. — Estamos quase lá.
Ioannes e Lucia andavam na frente, e Magnus seguia atrás com Cleo, que caminhava devagar, como se pisasse em vidro quebrado.
— Problema com os sapatos? São apertados demais para caminhar? — ele perguntou, olhando para as finas sandálias douradas que apareciam sob as saias.
Ela cerrou os dentes.
— Nem um pouco.
— Ótimo. Odiaria pensar que sente uma dor constante devido a suas escolhas erradas.
Eles continuaram em silêncio. Magnus tentou ignorar o calor desconfortável e resistiu ao ímpeto de tirar o casaco. E, para ser sincero, suas botas também eram um tanto desconfortáveis.
Era um dia desagradável, mas se tornava infinitamente mais tolerável porque podia levar ao triunfo.
Estavam tão perto, e agora o rei jamais colocaria as mãos no que mais desejava. Aquele único pensamento dava mais prazer a Magnus do que qualquer coisa que tivesse sentido em meses — até mesmo anos.
Enfim, eles chegaram. O Templo de Cleiona já havia sido uma estrutura gigantesca de mármore branco, com pilares grossos e pedras esculpidas com precisão artística — a estrutura mais grandiosa e impressionante que Magnus já vira. Quando esteve ali pela primeira vez, chegou a perder o fôlego.
Agora, não passava de ruínas. A grande estátua da deusa que ficava na frente havia desmoronado durante o terremoto e estava em pedaços. Uma rachadura imensa partira o chão de mármore até o centro. O teto estava quase todo afundado.
O local de seu casamento com Cleo tinha sido abandonado. Onde antes muitos iam rezar, agora só estavam eles quatro.
— Tem certeza que há um cristal aqui? — Magnus perguntou, ainda achando difícil acreditar que pudessem estar tão perto.
— Tenho. — Lucia estendeu a mão, e Magnus notou que ela usava um anel conhecido; o anel que via Cleo usar com frequência. — Usei este anel para despertá-lo neste local de poder. E agora podemos invocá-lo por meio de um ritual.
O anel.
Magnus se esforçou para manter a expressão neutra. Phaedra, a vigilante que encontrara em Paelsia, tinha contado a ele sobre um anel que poderia ajudar Lucia a controlar sua magia.
Era esse. O coração dele disparou ao se dar conta. Ela o havia encontrado; o anel tinha simplesmente caído em seu colo, quando Magnus nem fazia ideia de onde começar a procurar.
Ele lançou um olhar inquisidor e sombrio para a princesa loira, e Lucia percebeu.
— Cleo me deu o anel — ela disse. — Para me ajudar. Para ajudar a todos.
Todo esse tempo, Cleo estava com o anel. Não podia ser coincidência.
— Ela deu o anel para você?
— Gosto de ajudar quando posso — Cleo disse calmamente.
Ele forçou um sorriso e disse:
— Se puderem nos dar licença por um instante, gostaria de ter uma palavrinha rápida com minha esposa.
Lucia olhou para ele, confusa.
— É claro.
Ela então segurou a mão de Ioannes e se afastou, aproximando-se mais da entrada do templo, para dar privacidade ao casal.
Magnus observou as ruínas à sua frente, lembrando, com uma agitação nas entranhas, sua última vez no local. Cleo ficou ao lado dele, tão silenciosa e imóvel quanto a estátua desintegrada da deusa de mesmo nome.
— Sei o que está tentando fazer — Magnus finalmente disse a ela. — E não vai conseguir.
— Não vou conseguir o quê?
Ele lutou contra a frustração. Cleo tinha um jeito próprio de testar sua frieza cuidadosamente construída, diferente de qualquer pessoa que conhecia.
— A Tétrade pertence à minha família, não a você.
— Que estranho. Você não acabou de ouvir Lucia dizer que a Tétrade pertence ao Santuário? E tive a impressão de ouvi-lo dizer que concordava com ela.
— Como se eu acreditasse que está disposta a abrir mão.
— E fazer minha parte para salvar o mundo? Por que não?
— Grave minhas palavras. — Ele chegou mais perto. — Se tentar roubar o cristal, teremos um problema muito sério, nós dois.
Ela suspirou, impaciente.
— Seria um grande inconveniente, considerando que sempre nos demos tão bem.
— Cuidado, princesa, ou as coisas vão acabar muito mal para você.
O olhar dela se transformou em gelo.
— Estou envergonhada por ter acreditado, mesmo que por uma fração de segundo, que você poderia ser algo além do que aparenta.
— O quê?
— Um monstro detestável e egoísta sem bondade no coração.
Ele se segurou para não estremecer, desprezando o fato de que as palavras afiadas daquela garota em particular eram capazes de feri-lo.
— Ouça bem, princesa. Vou dizer uma vez só. Fique longe de qualquer tesouro que possamos encontrar hoje, ou juro que a transformo em cinzas para espalhar ao vento.
Antes que Cleo pudesse reagir, ele saiu andando na direção de Lucia e Ioannes, que aguardavam na entrada do templo. Esperava uma resposta mordaz e sarcástica, mas ela não disse nada.
Magnus pensou que aquele era seu jeito. Quando alguém o pressionava, ele respondia de maneira destrutiva.
— Precisamos entrar — Ioannes disse.
Magnus olhou para o telhado fragmentado e para as vigas quebradas no alto da escada.
— Para isso cair na nossa cabeça?
— Magnus — Lucia disse com severidade. — Vamos fazer o que Ioannes mandar.
A determinação de Lucia em defender o vigilante sem hesitar o irritava profundamente.
— Tudo bem. Então, por favor, mostre o caminho, Ioannes.
O vigilante os conduziu pelos degraus quebrados até a grandiosa entrada. O sol atravessava o telhado danificado. Cleo olhou em volta com o belo rosto tenso.
— E esse ritual? Do que se trata? — Magnus perguntou.
Ioannes puxou uma adaga.
— É um ritual de sangue.
Magnus quase soltou uma gargalhada.
— E não é sempre?
Sem hesitar, Ioannes pressionou a lâmina contra a palma da mão, deixando o sangue escarlate pingar no chão.
Vigilantes sangravam no mesmo tom de vermelho que os mortais.
Interessante.
Ioannes se ajoelhou e usou seu sangue para fazer uma marca no chão do templo. Um círculo dentro de outro círculo.
Era o símbolo da terra, elemento associado à magia da deusa Valoria. Magnus conhecia bem.
Quando Ioannes completou o símbolo, Lucia enrolou sua mão com um lenço.
— E agora? — Magnus perguntou.
— É só esperar. — Ioannes franziu o cenho e olhou em volta, analisando o entorno.
— Esperar o quê? — Magnus perguntou, mas os outros estavam em silêncio.
Eles esperaram. Perto dali, um pedaço de mármore do tamanho de um crânio se deslocou de um pilar e caiu no chão. Magnus notou que era esculpido na forma de uma rosa. Ao olhar em volta, confirmou que esculturas em formato de rosa enfeitavam muitas partes do templo. Estranhamente, ele não havia notado esse detalhe até aquele momento, quando tudo estava caindo.
O príncipe olhou com cautela para o teto.
— Quanto tempo precisamos esperar? — ele resmungou.
— Não sei — Ioannes respondeu.
— Pensei que um vigilante sábio e mágico como você saberia essas coisas.
— Não sei de tudo. — Ioannes parecia impaciente, talvez um pouco desesperado, como se esperasse que as coisas acontecessem de outra maneira.
Então, algo chamou a atenção de Magnus. Uma marca em uma área livre atrás de Cleo.
— O que é aquilo? — A sensação de aperto nas entranhas bastou para que ele soubesse a resposta para a própria pergunta.
— Não pode ser — Ioannes disse em voz baixa. — Não pode ser. Como saberiam?
Desenhado na superfície imaculada havia outro símbolo idêntico ao de Ioannes. O sangue ainda era vermelho e fresco.
Alguém tinha chegado antes.

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