23 de setembro de 2018

Capítulo 21


CLEO
AURANOS

Cleo acordou na grande cama de dossel com colchão de penas e, sonolenta, estendeu o braço na direção do marido.
Mas não havia ninguém ali.
Ela se apoiou no cotovelo e viu que os lençóis de seda do outro lado da cama não estavam sequer amassados.
Magnus não tinha voltado.
Quando tentara encontrá-lo durante a noite, tinha visto que não era o único que tinha sumido do palácio sem explicações — além dele, não encontrara o príncipe Ashur nem Taran.
Ela não sabia se devia ficar preocupada ou irritada.
Enquanto pensava nisso, a criada chegou, uma jovem auraniana chamada Anya, atenciosa e educada. Ela continuou sorrindo mesmo quando notou a teia de linhas azuis que agora cobriam toda a mão e o braço de Cleo.
Anya não fez nenhuma pergunta, apenas conversou banalidades enquanto ajudava Cleo a vestir um vestido rosa-claro com renda dourada no corpete, um modelo simples, porém belo. Era um dos vestidos que Cleo tinha pedido para o alfaiate do palácio modificar e incluir um bolso para a esfera de água-marinha.
— Você viu o príncipe Magnus hoje de manhã? — Cleo perguntou.
— Não, vossa graça — Anya respondeu enquanto gentilmente passava uma escova pelo cabelo longo e emaranhado de Cleo.
— Nem ontem à noite?
— Receio que não. Ele deve estar aproveitando o festival como todo mundo.
— Duvido muito — ela murmurou. — Ele está metido em alguma coisa.
— Talvez tenha saído para lhe comprar um presente.
— Talvez — Cleo reconheceu, embora tivesse certeza de que não era o caso. Se Magnus estava com Taran e Ashur, ela duvidava que estivesse fazendo algo fútil. Seria bom se tivesse sido informada de seus planos.
Ele está tentando proteger você, ela pensou.
— Não sou uma criança ingênua que precisa ser mantida longe de penhascos — ela murmurou.
Anya tossiu com nervosismo, mantendo o sorriso fixo em seu belo rosto.
— É claro que não, princesa.
Como Cleo gostaria de ter a companhia de Nerissa de novo. Ela precisava da orientação da amiga, de seu jeito objetivo de enxergar o mundo, principalmente quando ele parecia desmoronar.
Nerissa tinha lhe dito que faria uma viagem importante com Felix e que retornaria assim que pudesse. Quando Cleo a pressionara por mais informações, ela apenas tinha balançado a cabeça. “Por favor, confie que estou fazendo apenas o necessário”, ela dissera.
Cleo confiava em Nerissa; ela tinha mais que conquistado sua confiança no passado. Ainda assim, parecia que todos a haviam deixado sozinha, imersa em seus pensamentos, suas preocupações e seus temores.
— Ouvi uma canção linda ontem à noite no A Fera — Anya comentou enquanto prendia metade do cabelo de Cleo. A princesa havia pedido que deixasse solto o restante para esconder as linhas. A Fera era uma taverna popular na cidade, frequentada tanto por nobres quanto por criados.
— É mesmo? — ela perguntou distraída. — Era sobre o quê?
— Era sobre a última luta da deusa Cleiona contra Valoria — Anya explicou. — E como não tinha sido por vingança nem raiva, mas por uma dolorosa necessidade. Que, no fundo, elas se amavam como irmãs.
— Que canção trágica — Cleo disse. — E fantasiosa. Nunca li nada sobre elas que me levasse a acreditar que a batalha não fosse entre duas inimigas que finalmente declararam guerra uma contra a outra.
— Talvez. Mas era muito bonita.
— Muito bonita. Exatamente como você, minha querida. Que belo veículo… Dá para entender por que está lutando tanto para mantê-lo.
Cleo perdeu o fôlego enquanto olhava para seu reflexo. Anya estava ocupada com seu cabelo.
Quem tinha dito aquilo?
Você deve ceder às ondas — A voz continuou. Cleo não conseguia discernir se a voz era feminina ou masculina; podia facilmente ser qualquer uma das duas. — Deixe que a puxem para baixo. Não resista. Resistir é o que provoca mais dor.
A Tétrade da água.
Cleo levou a ponta dos dedos ao pescoço, até as linhas que tinham subido ainda mais no dia anterior.
— Me deixe sozinha — ela disse de repente para Anya, de uma forma muito mais grosseira do que pretendia.
Anya não discutiu, não disse que ainda não tinha terminado o penteado de Cleo, apenas abaixou a cabeça e saiu do quarto sem falar nada.
— Preciso que saia também — Cleo disse, encarando intensamente os próprios olhos refletidos. — Agora.
Isso não vai acontecer — a voz respondeu. — Eu escolhi você, vou ficar com você. Simples assim.
— Não tem nada simples nisso.
— O fato de eu conseguir me comunicar com você agora significa que estou perto de assumir o controle totalmente. Nunca assumi uma forma mortal antes. Acho que será maravilhoso finalmente viver nesse plano de existência. Ver tudo o que esse mundo tem a oferecer, saboreá-lo, cheirá-lo, tocá-lo. É algo que me foi negado por tempo demais. Não vai me ajudar?
— Ajudar você? — Cleo balançou a cabeça. Seu coração estava acelerado. — Ajudar você a me matar?
A vida de um mortal é fugaz. Setenta, oitenta anos, se tiver muita sorte. Eu serei eterna. — Enquanto Cleo observava seu reflexo, seus olhos começaram a brilhar com uma luz azul sobrenatural. — Você deve procurar Kyan. Ele vai ajudá-la a fazer a transição da forma menos dolorosa possível. Meu irmão não tem muita paciência, pode ser irascível e imprevisível, então você estaria fazendo um grande favor a si mesma ao seguir meus conselhos, e a muitos outros que podem se prejudicar.
Cleo se inclinou para a frente, analisando o próprio olhar, agora estranho e irreconhecível. Era como olhar para outra pessoa.
— Nunca! — ela gritou. — Vou lutar contra você até meu último suspiro!
Ela pegou a escova de cabelo de cabo prateado que Anya tinha deixado ali e a arremessou no espelho, estilhaçando o vidro.
A Tétrade da água não disse mais nada.
Cleo saiu correndo de seus aposentos, sabendo que, se ficasse mais um minuto sozinha ali, enlouqueceria.
Ela se chocou contra algo sólido e quente. E muito alto.
— Cleo… — Magnus a segurou pelo ombros com gentileza. — O que aconteceu? Outro episódio de afogamento?
— Não — ela respondeu, sem fôlego. Ele ficaria preocupado demais se ela contasse o que tinha acontecido. Ela não estava pronta para isso. Ainda não. — Eu… eu só queria sair. Queria encontrar você. Por onde andou? Estava com Ashur e Taran?
Ele assentiu, com um sorriso amargo.
— Quero que venha comigo.
O pânico apertou seu coração. Será que alguma coisa terrível tinha acontecido com Taran? Será que ele tinha sido dominado completamente pelo deus do ar?
— O que foi?
— Quero que conheça uma pessoa.
Magnus a pegou pela mão e a levou para fora do quarto, pelos corredores do palácio, até a sala do trono.
— Quem?
— Alguém que, espero, tenha poder para ajudar você.
A luz da tarde entrava na sala do trono pelas janelas de vitral e se refletia nos veios dourados das colunas de mármore, fazendo-as cintilar.
Ashur esperava ali com Taran.
A “pessoa” que Magnus tinha mencionado estava entre eles. Uma bela mulher que usava tintura de frutas silvestres nos lábios e nas maçãs do rosto, mesmo não precisando se embelezar. Cleo se perguntou por que se dava ao trabalho.
— Princesa Cleiona Aurora Bellos — Magnus disse com formalidade —, essa é… Valia.
— Apenas Valia? — Cleo perguntou.
— Sim — Valia disse simplesmente, olhos verdes focados em Cleo como se estimasse seu valor. — Então essa é a garota com o nome de deusa?
Cleo não respondeu.
— Soube que talvez você consiga nos ajudar — ela disse.
Valia arqueou uma sobrancelha.
— Posso fazer uma pergunta por mera curiosidade, vossa graça?
— Claro.
— Não tem o sobrenome de seu marido. Por quê? — Ao ver o olhar surpreso de Cleo, Valia concluiu sua pergunta com um sorriso. — Achei interessante.
Não era a primeira vez que Cleo ouvia aquela pergunta em suas viagens por Mítica. Normalmente, era feita por nobres que a encaravam por sobre cálices ou pratos de jantar.
— Sou a última da linhagem da família Bellos — Cleo disse apenas. — Por respeito àqueles que vieram antes de mim, achei melhor não deixar o nome desaparecer.
— Que curioso. — Valia olhou para Magnus. — E você permitiu isso?
Magnus continuou olhando para Cleo e colocou a mão em suas costas.
— Cleo faz suas próprias escolhas. Sempre fez.
Uma excelente resposta, Cleo pensou.
— É um bom nome, Bellos — Valia disse. — Conheci bem o seu pai.
Cleo a encarou, em choque.
— Conheceu?
Valia assentiu, depois se virou e foi até a plataforma de mármore.
— Eu o encontrei bem aqui, neste exato lugar, em várias ocasiões.
Cleo estava ávida por uma resposta àquela informação inesperada.
— Por qual motivo?
— Ele tinha sonhado que este palácio estava sendo atacado. Não acreditava em magia, não como sua mãe, mas, depois da morte da rainha Elena, passou a considerar algumas opções que fortaleceriam seu reinado, e estava disposto a se abrir para mais possibilidades que pudessem ajudá-lo. — Ela subiu os degraus até o alto da plataforma e apoiou a mão no encosto do trono dourado, olhando para ele como se o rei Corvin estivesse sentado ali durante a conversa. — Ele me convenceu a ajudá-lo. Usei minha magia para colocar uma proteção nos portões deste palácio, para manter todos em segurança. Acho que fez aquilo principalmente para proteger você e sua irmã, vossa graça.
Cleo se lembrava da proteção mágica nos portões. Era uma magia que Lucia tinha derrubado com seus elementia, causando uma explosão perto do fim da batalha sangrenta que custara centenas de vidas.
— Impossível — Magnus disse, balançando a cabeça. — Meu pai encontrou a bruxa que lançou aquele feitiço. Quando viu que ela não lhe seria útil, ele… — O príncipe hesitou. — Ele a dispensou.
— Na verdade, o rei Gaius a matou — Valia o corrigiu. — Ou, pelo menos, matou a mulher que achou ter sido responsável. E depois mandou sua cabeça para o rei Corvin em uma caixa. Mas seu pai estava errado. A vítima dele com certeza era uma bruxa, mas não a correta.
Os pensamentos de Cleo giravam enquanto ela ouvia tudo aquilo.
— Se tudo isso for verdade, por que não ajudou meu pai quando ele mais precisou? Se é tão poderosa a ponto de lançar um feitiço de proteção como aquele, por que não o ajudou quando o palácio foi atacado, quando ele estava morrendo em meus braços?
Valia não disse nada por um momento. Cleo procurou resquícios de arrependimento ou dúvida em seus olhos, mas não encontrou nada além de severidade.
— Porque era o destino dele — Valia respondeu finalmente e depois olhou para a mão marcada de Cleo. — Talvez o seu destino também já esteja traçado.
Cleo queria resistir. Queria bater o pé e exigir que aquela bruxa fosse expulsa do palácio para sempre, mas se acalmou.
Sempre que pensava na voz da Tétrade da água em sua cabeça — felizmente em silêncio no momento —, um arrepio mortal se espalhava por sua pele.
Ela não ficaria com medo por algo que ainda não tinha acontecido. Ainda estava no controle. E lutaria até o fim.
— Muito bem — Cleo disse de cabeça erguida. — O passado já aconteceu e não pode ser mudado. O que você pode fazer por nós agora, neste exato momento?
— É uma excelente pergunta, vossa graça. Deixe-me ver suas marcas de perto.
Valia desceu da plataforma e pegou na mão de Cleo. Ela permitiu, só porque não queria recuar demais diante de alguém que talvez tivesse poder para ajudar.
Valia inspecionou as linhas que saíam do símbolo da água e se espalhavam, depois afastou o cabelo do pescoço de Cleo para ver onde terminavam.
— Está cobrindo seu braço inteiro? — ela perguntou.
Cleo assentiu.
— As marcas de Taran se espalharam muito mais.
Taran se manteve em silêncio, parado com as costas eretas e os ombros firmes como um soldado treinado.
Ashur observava Cleo e Valia, atento a todas as palavras da bruxa.
— Qual é o veredicto? — Ashur perguntou. — Pode ajudá-los?
Valia enfiou a mão nas dobras do manto preto e tirou uma adaga preta e brilhante que parecia ter sido esculpida do mesmo material que a esfera da Tétrade da terra. Obsidiana.
— O que pretende fazer com isso? — Magnus perguntou.
— Preciso de sangue — Valia disse.
— Você não vai cortar Cleo com essa arma — ele gritou.
— Mas é necessário — Valia respondeu. — O sangue da princesa vai me dizer mais sobre como posso ajudá-la.
— Precisamos de Lucia — Cleo disse para Magnus.
— Concordo — ele disse, tenso. — Mas Lucia não está aqui, e não temos como saber se, nem quando, ela vai voltar.
— Lucia — Valia repetiu. — Princesa Lucia Damora, a feiticeira profetizada. Sim, ela seria muito útil, não é? Eu gostaria de conhecê-la pessoalmente. As histórias que ouvi, em especial sobre suas viagens nos últimos meses, são muito interessantes.
Cleo não gostava daquela mulher. Não gostava da aparência dela, do jeito, do modo de falar. Não gostava do fato de Valia ter conhecido seu pai e virado as costas para ele quando podia ter ajudado durante aquela batalha fatídica e, ainda por cima, parecia não ter nenhum senso de responsabilidade ou remorso pela morte dele.
O comportamento de Valia tinha um quê de arrogância, uma confiança falsa que Cleo achava repulsiva.
Mas Magnus estava certo. Lucia não estava ali. Então teria que engolir o orgulho e torcer para que aquela bruxa pudesse ajudá-los.
— Eu vou primeiro — Taran disse, dando um passo à frente e ficando entre Cleo e a bruxa. Ele puxou a manga da camisa e ofereceu o braço marcado. — Corte-me se for necessário.
— Onde está a esfera de selenita? — Valia perguntou. — Acho que seria de grande ajuda.
Magnus e Cleo trocaram um olhar preocupado. Aquela bruxa sabia muito sobre a Tétrade, muito mais do que a maioria das pessoas.
— Não está comigo — Taran disse. — Entreguei à Lucia quando a princesa pediu. Só ela sabe onde está.
— Entendo. — Valia olhou para Cleo. — E a água-marinha?
— A mesma coisa — Cleo mentiu. — Lucia está com os quatro cristais.
Sua esfera de cristal estava no lugar de sempre: no bolso de seu vestido, dentro de uma bolsinha de veludo para que Cleo não precisasse tocá-la diretamente.
— Muito bem. Vamos tentar sem elas. — Valia meneou a cabeça e, com Cleo, Magnus e Ashur observando, passou a ponta da lâmina pela pele marcada de Taran. Não foi um corte reto; ela girou e virou a lâmina, como se desenhasse símbolos específicos nele.
Taran não recuou quando seu sangue começou a verter.
Valia passou a mão pelo braço dele e olhou para o sangue na palma.
— Você fez algumas escolhas na vida que lhe causaram muita dor — ela disse. — O que fez com sua mãe o assombra até hoje.
— O que é isso? — Taran resmungou. — Não estou aqui para ler minha sorte.
— Seu sangue é a essência de quem você é. Ele contém seu passado, presente e futuro. Não se trata de uma simples adivinhação, meu jovem. — Valia voltou os olhos para o sangue espesso de Taran na própria mão. — Posso ver o ciúme que tinha de seu irmão: o bem-comportado, o que seguia todas as regras. Quando soube de seu assassinato, sua necessidade de vingança não veio apenas do amor fraternal, mas de sua culpa por virar as costas para ele para buscar seu destino bem longe. Verdade?
O rosto de Taran estava pálido, destacando ainda mais suas olheiras escuras.
— Verdade.
Magnus pigarreou.
— Podemos prosseguir? Não é necessário se ater ao passado.
— Ouve a voz dentro de você? — Valia perguntou a Taran, ignorando o príncipe. — A que lhe diz para abrir mão do controle?
Um arrepio subiu pela espinha de Cleo.
— Sim — Taran disse, assentindo. — Estou ouvindo agora mesmo. Ela quer que eu procure Kyan. Diz que vai me levar até ele se eu permitir. Mas não quero. Prefiro morrer a deixar esse demônio tomar conta do meu corpo e da minha vida. Eu quero…
Ele começou a tremer e levou as mãos à garganta enquanto tentava respirar.
— Ele está sufocando — Ashur disse. — Pare com isso, Valia! O que quer que esteja fazendo, pare agora!
— Não estou fazendo nada — Valia disse, balançando a cabeça. — Agora vejo que não posso fazer nada. É tarde demais para ele. Tarde demais para todos eles.
— Saia! — Magnus gritou. — Você já foi longe demais. Apenas vá embora e não volte mais.
— Acredito que ainda posso ajudar de outras formas — Valia respondeu calmamente.
— Não queremos sua ajuda! Vá agora!
Cleo segurou o rosto de Taran, que estava sendo tomado por um tom azul assustador. Linhas brancas e brilhantes agora se espalhavam por seu queixo e subiam pelo rosto.
— Olhe para mim — ela disse, desesperada. — Por favor, olhe para mim! Está tudo bem. Apenas tente respirar.
Taran a encarou com os olhos castanhos cheios de pânico e medo pouco antes de revirá-los e escorregar das mãos de Cleo. Ashur estava lá para segurá-lo antes que atingisse o chão de mármore.
Ele pousou dois dedos sobre o pescoço de Taran para sentir seu pulso e, depois, colocou a mão sob o nariz dele.
— Está inconsciente, mas ainda está respirando — Ashur disse.
— Aquela bruxa fez isso — Magnus disse em tom ameaçador.
Cleo observou ao redor e viu que Valia tinha desaparecido da sala do trono. Era um alívio ver que tinha ido embora. E era um alívio ainda maior saber que Taran ainda estava vivo.
Então ela se concentrou em Magnus.
— Você devia ter me dito aonde estavam indo ontem à noite — ela disse. — Tudo isso poderia ter sido evitado.
Ele apertou os lábios.
— Eu estava tentando proteger você.
— Acha que pode me proteger disso? — Ela afastou os cabelos que cobriam o lado com linhas marcadas em seu pescoço. — Não pode. Como Valia acabou de dizer, é tarde demais.
— Não é tarde demais. Eu me recuso a acreditar nisso.
Cleo não queria brigar com ele, não queria dizer nada de que fosse se arrepender depois.
— Ashur, por favor, cuide de Taran. Eu… eu preciso sair daqui, esfriar a cabeça. Vou levar Enzo para minha proteção.
— Aonde está indo? — Magnus perguntou enquanto ela se aproximava da saída.
Ela não sabia ao certo.
Qualquer lugar que não fosse aquele. Um lugar que a fizesse lembrar de tempos mais felizes, tempos passados, praticamente esquecidos.
Um lugar onde pudesse tentar recobrar as forças e o foco.
— Para o festival — ela respondeu.

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