23 de setembro de 2018

Capítulo 1

JONAS
PAELSIA

“Você não pode fugir do seu destino.”
Jonas levantou tão rápido do chão de madeira que se sentiu tonto. Desorientado, mas com a adaga em punho, ele analisou o pequeno cômodo para localizar exatamente o que o havia acordado de seu sono profundo.
Mas não havia nada além de uma linda princesa com longo cabelo preto dormindo no pequeno chalé. Uma bebezinha estava ao lado dela, enrolada em um pedaço de tecido rasgado do manto de Jonas na noite anterior.
Os olhos da recém-nascida estavam bem abertos e fixos em Jonas. Olhos violeta. Brilhantes… como joias resplandecentes.
Ele recuperou o fôlego. O quê…?
Lucia gemeu baixo enquanto dormia, fazendo-o desviar a atenção da bebê por um instante. Quando Jonas voltou a observá-la, os olhos dela estavam azul-celeste como os da mãe, e não mais violeta.
Jonas balançou a cabeça para organizar as ideias.
Lucia soltou outro gemido durante o sono.
— Pesadelos, princesa? — Jonas murmurou. — Não posso dizer que estou surpreso, depois do que passamos ontem à noite.
A viagem deles para ir até o pai e o irmão de Lucia tinha sido interrompida quando a princesa deu à luz durante uma tempestade. Jonas logo encontrou um quarto em uma hospedaria paelsiana para que Lucia pudesse se recuperar antes que seguissem viagem.
Ela se mexeu sob as cobertas, franzindo a testa.
— Não… — ela sussurrou. — Por favor, não… não…
A vulnerabilidade inesperada na voz dela o afligiu.
— Princesa… acorde — disse Jonas, dessa vez mais alto.
— Você… não pode… Não… Eu… eu não vou deixar…
Sem pensar, ele se sentou na beira da cama.
— Lucia, acorde.
Quando ela não respondeu, Jonas a segurou pelos ombros e a balançou com cuidado.
No instante seguinte, Jonas já não estava mais no pequeno quarto. Estava parado no meio de um vilarejo, e o mundo estava em chamas.
As labaredas eram altas como as Montanhas Proibidas, e seu calor, instantâneo e abrasador junto à pele de Jonas. As dolorosas chamas não crepitavam como as de uma fogueira, mas guinchavam como uma fera odiosa dos lugares mais obscuros das Terras Selvagens. Através da destruição, Jonas observava aturdido enquanto casas e propriedades rurais pegavam fogo — pessoas pediam ajuda e clemência antes que as chamas as devorassem por inteiro, não deixando nada além de cinzas escuras no lugar.
Jonas ficou paralisado. Ele não podia gritar nem fugir da dor ardente. Só podia observar, em choque, o fogo destruidor começar a formar algo reconhecível: um homem gigantesco, monstruoso. A criatura de fogo observava outra figura, uma garota com um manto, parada diante dele como se o desafiasse.
— Finalmente está vendo a verdade, pequena feiticeira? — a criatura resmungou, cada palavra como o golpe de um chicote de fogo. — Esse mundo é imperfeito e indigno, assim como todos os mortais. Vou acabar com toda essa fraqueza!
— Não! — O capuz do manto da garota caiu, revelando seu cabelo escuro e esvoaçante. Era Lucia. — Não vou deixar você fazer isso. Vou impedi-lo!
— Você vai me impedir? — A criatura começou a rir e abriu os braços flamejantes. — Mas foi você que tornou tudo isso possível! Se não tivesse me despertado depois de todos esses séculos, nada disso estaria acontecendo.
— Eu não despertei você — ela disse, com o tom um pouco incerto. — O ritual com Ioannes… sim, eu despertei os outros. Mas você… você é diferente. É como se tivesse despertado a si mesmo.
— Você subestima o alcance de sua magia, de sua própria existência. Melenia sabia disso. Por isso ela a invejava, assim como invejava Eva. Talvez por isso a quisesse morta depois que você servisse a seu propósito. Assim como sua mãe a queria morta.
Lucia cambaleou para trás, afastando-se dele, como se as palavras fossem golpes físicos.
— Minha mãe temia minha magia. — Ela desviou seu rosto do monstro por tempo suficiente para Jonas ver as lágrimas escorrendo. — Eu devia tê-la deixado me matar!
— Sua vida mortal é a única que ainda valorizo, pequena feiticeira. Assuma seu lugar de direito ao meu lado, e juntos vamos dominar o universo.
Lucia encarou o deus do fogo por um instante, em silêncio.
— Eu não quero isso.
O deus do fogo riu.
— Está mentindo, pequena feiticeira, principalmente para si mesma. O poder supremo é tudo o que qualquer mortal deseja. Você permitiria que sua família, seus amigos e até mesmo sua própria filha fossem destruídos se isso significasse que obteria o poder. Aceite, pequena feiticeira. Pequena deusa.
Trêmula, Lucia cerrou os punhos ao lado do corpo e gritou:
— NUNCA!
O som ensurdecedor paralisou o deus do fogo. No instante seguinte, ele explodiu em um milhão de cacos azuis que, ao cair, revelaram o quarto da hospedaria. E a garota dormindo na pequena cama.
Os cílios escuros de Lucia tremulavam. Ela abriu os olhos e encarou Jonas.
— Que… que droga eu acabei de ver? — Jonas perguntou com a voz grossa. — Foi apenas um sonho? Ou foi uma visão do futuro?
— Você estava dentro da minha cabeça — ela sussurrou. — Como isso é possível?
— Eu… não sei.
Ela arregalou os olhos.
— Como você ousa invadir minha privacidade desse jeito?
— O quê?
De repente Jonas se viu no ar, como se uma grande mão invisível o tivesse jogado para longe da cama. Ele se chocou contra a parede com força e caiu no chão com um gemido.
A bebê começou a chorar.
Lucia pegou a criança nos braços, os olhos brilhantes repletos de indignação.
— Fique longe de mim!
Ele passou a mão na nuca dolorida enquanto se levantava e fez uma careta para ela.
— Você acha que fiz de propósito? Só estava tentando acordar você de um pesadelo. Eu não sabia o que ia acontecer!
— Estou começando a me perguntar quanta magia existe dentro de você.
— É, eu também. — Ele se obrigou a ser paciente. — Eu não sabia que podia entrar em seus sonhos… como… como…
— Como Timotheus — ela sibilou.
Um Vigilante. Um imortal vivo havia milênios. Timotheus vivia no Santuário, um mundo à parte, e Jonas não confiava nele, assim como não confiava no deus do fogo que tinha visto no sonho de Lucia.
— Isso é coisa do Timotheus — Jonas refletiu. — Só pode ser.
— Saia! — ela gritou.
— Ouça, sei que você teve uma noite difícil. Nós dois tivemos. Mas agora você está sendo completamente irracional.
Lucia moveu a mão na direção da porta. Ao seu comando, ela se abriu e bateu contra a parede. Seu rosto estava vermelho e molhado pelas lágrimas.
— Me deixe em paz com a minha filha!
O choro da criança não a interrompeu nem por um instante.
Ele deveria simplesmente ignorar o que tinha visto no sonho de Lucia só porque ela tinha acordado de mau humor?
— Eu estava tentando ajudar!
— Quando você me levar até meu pai e Magnus, não vou mais precisar de sua ajuda, rebelde. — Ela apontou para a porta. — Ficou surdo? Eu disse para você sair!
Antes que se desse conta, Jonas foi empurrado para o corredor por uma rajada de magia do ar. A porta se fechou em sua cara.
Então esse era o agradecimento que ele ia receber por desafiar sua própria profecia e salvar a vida dela na noite anterior, quase perdendo a vida: uma porta batida magicamente em sua cara na manhã seguinte.
— Não importa — ele disse em voz alta entredentes. — Está quase acabando. Não vejo a hora.
Assim que entregasse a princesa limeriana para sua odiosa família, a associação dele com os Damora chegaria oficialmente ao fim.
Com um humor pior do que conseguia se lembrar já ter tido, ele desceu as escadas da hospedaria.
E se concentrou em encontrar alguma coisa para encher seu estômago vazio. Um café da manhã tradicional paelsiano, com ovos moles e pão velho, seria perfeito, Jonas pensou. Ele não esperava encontrar as frutas exóticas e os legumes que agraciavam as mesas de jantar dos auranianos radiantes e mimados ou dos austeros limerianos. Tão perto das terras áridas do oeste, ele teria sorte se encontrasse um pedaço de repolho murcho ou um tomate apodrecendo para acompanhar a refeição.
E não precisava de mais nada.
— Jonas.
Ele ficou paralisado por um instante ao ouvir a saudação inesperada na taverna escura e quase vazia. Instintivamente, levou a mão à adaga que trazia presa ao cinto. Mas quando seus olhos recaíram sobre um rosto conhecido, a carranca foi substituída por um sorriso.
— Tarus? — ele perguntou, surpreso. — Estou vendo um fantasma ou é você mesmo?
O jovem de cabelo vermelho despenteado e rosto memorável e sardento abriu um sorriso alegre.
— Sou eu mesmo!
Sem hesitar, Jonas deu um abraço apertado no amigo. O rosto acolhedor de seu passado funcionou como um bálsamo para sua alma ferida.
— É tão bom ver você de novo!
Tarus Vasco tinha dado tudo de si pela causa rebelde depois que seu irmão mais novo tinha sido morto na batalha do rei Gaius para tomar o controle de Auranos. Mais tarde, depois de um motim fracassado em que inúmeros rebeldes foram massacrados, Tarus e Lysandra tinham sido capturados e quase perderam a cabeça em uma execução pública.
Lysandra. A perda da garota que tinha passado a significar muito mais para Jonas do que apenas uma companheira rebelde era recente e dolorida. Lembrar-se dela fazia o coração do rebelde doer de pesar e arrependimento por não ter sido capaz de salvá-la.
Muitas lembranças vinham junto com o rosto de Tarus — boas e ruins. Tudo o que Jonas queria ao acompanhar o garoto de volta ao vilarejo onde morava era que Tarus ficasse em segurança, mas não havia mais segurança em Mítica.
Tarus apertou os braços dele com firmeza.
— Eu fiz o que você me pediu. Aprendi a lutar bem como um soldado. Você ficaria orgulhoso de mim.
— Não tenho dúvida disso.
— Estou aliviado por você ter conseguido escapar.
Jonas franziu a testa.
— Escapar?
Tarus abaixou a voz.
— A feiticeira está dormindo? Foi assim que conseguiu se libertar do controle dela?
Jonas de repente se deu conta de que a taverna estava completamente vazia, à exceção de três homens em silêncio atrás de Tarus, como sombras enormes.
— Vocês estavam me esperando aqui embaixo? — Jonas perguntou devagar e com cuidado. Tarus assentiu.
— Assim que o dono da hospedaria avisou ontem à noite que você tinha chegado com a feiticeira, viemos o mais rápido possível.
— Vocês são rebeldes — Jonas falou em voz baixa, mas enxergando a verdade bem à sua frente.
— É claro que somos. Soubemos o que aconteceu durante o pronunciamento da imperatriz Amara. A feiticeira conseguiu atingir você com sua magia negra. Mas não vai durar muito tempo. Minha avó disse que a magia de uma feiticeira morre junto com ela.
Aquilo quase fez Jonas gargalhar. Tarus sempre tinha histórias da avó para ajudar a explicar o desconhecido. Jonas sempre considerara as histórias de magia divertidas, mas extremamente inúteis. Tanta coisa tinha mudado desde então.
— Prometo que vamos ajudar você a se libertar do domínio maligno dela — Tarus disse com seriedade. — Sei que você não estaria com Lucia Damora por livre e espontânea vontade.
Jonas lançou um olhar receoso aos outros homens. Os três não o observavam com preocupação como Tarus. A tocha na parede refletia olhares frios e obscuros. Estavam desconfiados.
— Sei que vocês vão ter dificuldades para acreditar nisso — Jonas disse —, mas a princesa Lucia não é o que estão pensando. Tem uma outra coisa por aí… outra pessoa. A maior ameaça que já foi liberada neste mundo. É ela que precisamos deter.
— Do que está falando? — Tarus perguntou em voz baixa.
Jonas passou a língua pelos lábios ressecados. Qual seria a melhor forma de explicar o inexplicável?
— Imagino que você conheça bem a lenda da Tétrade.
Tarus assentiu.
— Um tesouro mágico que muitos procuraram, achando que pode transformá-los em deuses.
— Certo. Mas a questão é que a magia da Tétrade não é uma magia que alguém pode usar para si mesmo. Na verdade, eles já são deuses do ar, da água, da terra… e do fogo. Aprisionados em quatro esferas de cristal. E o deus do fogo foi libertado. — O sonho terrível de Lucia piscou em sua mente, e Jonas contraiu os músculos involuntariamente ao se lembrar dele. — Ele quer destruir o mundo. A princesa Lucia é a única que detém a magia para impedi-lo.
Com o peito apertado, ele esperou uma reação, mas durante um longo momento houve apenas silêncio.
Então um dos homens parrudos zombou:
— Quanta bobagem.
— Ele com certeza está sob influência da feiticeira — disse o outro. — Demos a chance de você falar com ele, Tarus. Mas nosso tempo está se acabando. O que vamos fazer agora?
Jonas franziu a testa. Tarus era o líder deles? Aqueles homens eram comandados por um garoto de apenas quinze anos?
Tarus encarou Jonas nos olhos.
— Eu quero acreditar em você.
— Você precisa acreditar em mim — Jonas disse apenas, mas sua voz soava tensa. Ele sabia que aquela era a história mais absurda que já havia contado. Se não tivesse visto grande parte dela com os próprios olhos, ele próprio seria o primeiro a negar tamanha insanidade. — Você sempre acreditou na possibilidade da magia, Tarus, e precisa acreditar no que estou dizendo. O destino do nosso mundo depende disso.
— Talvez — Tarus reconheceu. — Ou o domínio da feiticeira sobre você é mais forte do que eu imaginava. — Ele franziu as sobrancelhas, seu olhar distante. — Eu a vi, sabia? A princesa Lucia Damora entrou com um amigo no meio da carnificina em um vilarejo que os dois tinham acabado de destruir como se não passasse de uma fogueira para aquecer seu coração gelado. Lembro que ela sorriu ao passar pelo corpo carbonizado da minha mãe. — A voz dele falhou. — Vi meus pais morrerem queimados bem diante de meus olhos e não pude fazer nada para salvá-los. Estávamos visitando minha tia por uns dias. E… eles se foram.
Jonas não conseguia respirar, não conseguia encontrar palavras para falar. Para explicar que o tal amigo era Kyan, o deus do fogo. Não era desculpa para o comportamento de Lucia nem para as escolhas feitas quando estava aliada a ele. Como poderia explicar algo tão terrível assim?
— Sinto muito. — Foi tudo o que ele conseguiu dizer.
— A filha do Rei Sanguinário pertence às terras sombrias — resmungou um dos rebeldes. — E estamos aqui para mandá-la para lá. Ela e sua cria.
Jonas sentiu o estômago pesar.
— Vocês sabem sobre a criança? E querem machucar uma inocente?
O rebelde pegou uma tocha na parede.
— O dono da hospedaria nos contou. É um demônio nascido de um demônio, e não uma criança inocente nascida de uma mulher.
Jonas observou receoso quando Tarus também pegou uma tocha.
— Você acha que Lucia é má. E talvez ela tenha sido… por um tempo. Talvez todos nós tenhamos feito coisas imperdoáveis na vida. Eu sei que fiz. Mas você não pode ajudá-los a fazer isso.
— Você a defende mesmo depois de ela ter matado Lys. — Quando Jonas se encolheu como se o nome da garota fosse um tapa, a expressão de Tarus ficou mais dura. — Sim, as notícias correm.
— O deus do fogo a matou, não Lucia. A princesa deu o nome de Lyssa a sua filha para demonstrar seu remorso pelo que aconteceu com Lysandra.
— Aquela feiticeira não merece dizer o nome dela — Tarus praguejou. — Se não fosse por ela, Lys ainda estaria viva. E inúmeros paelsianos ainda estariam vivos também!
Era exatamente o que Kyan tinha afirmado no sonho de Lucia. Que tudo era culpa dela.
— Não é tão simples assim — Jonas disse entredentes.
Uma decepção dolorosa surgiu no rosto de Tarus.
— Você é paelsiano. Você é rebelde. Sabe que aquela feiticeira de coração sombrio representa tudo contra o que lutamos! Por que gasta saliva para defendê-la?
Tarus estava certo. Totalmente certo.
A magia de Lucia havia libertado o deus do fogo de sua prisão de cristal. Ela tinha ficado ao lado de Kyan durante meses enquanto ele devastava metade de Mítica, matando inúmeros inocentes.
Mesmo antes disso, ela tinha sido criada pelo rei Gaius, um monstro que Jonas queria morto mais do qualquer pessoa.
Até…
Até o quê?, ele pensou com desgosto. Até você se tornar um aliado dos Damora? Até o próprio Rei Sanguinário enviar você para encontrar sua filha e levá-la de volta sã e salva para o seu lado para que ele pudesse utilizar a magia dela e retomar seu poder sádico?
Jonas não sabia o que dizer, sua mente estava agitada. Cada escolha, cada decisão, cada pensamento que tinha tido no decorrer do último — e sofrido — ano o tinha levado a esse momento.
— Seu lugar é ao nosso lado, Jonas. — A voz de Tarus tinha ficado baixa de novo. O garoto estava tão próximo que Jonas podia sentir no rosto o calor da tocha que ele segurava. — Se esse deus do fogo for real, vamos cuidar dele. Primeiro vamos libertar você da magia negra da feiticeira para que possa nos ajudar.
Seu coração parecia um peso de chumbo dentro do peito quando Jonas puxou a adaga cravejada de joias da bainha de couro em seu cinto. Era a mesma adaga que tinha matado seu irmão pelas mãos de um lorde rico e mimado. Jonas podia tê-la vendido por uma pequena fortuna em diversas ocasiões, mas a manteve como um símbolo daquilo por que lutava. Justiça. O triunfo do bem contra o mal. Um mundo onde tudo fazia sentido e as linhas que separavam amigos de inimigos eram claramente traçadas.
Algum dia tinha existido um mundo assim?
— Não posso deixar vocês matarem a princesa — Jonas disse com firmeza. — Vocês vão me deixar sair desta hospedaria, deste vilarejo, com ela e a bebê, ilesos.
Tarus viu a adaga e arregalou os olhos.
— Impossível.
— Você estaria morto se eu não o tivesse salvado do machado do carrasco — Jonas afirmou. — Você me deve isso.
— Eu só lhe devia o que você me pediu: que eu crescesse e ficasse forte. Fiz isso. Agora sou forte. Forte o bastante para fazer a coisa certa. — Tarus então se dirigiu a seus homens, em tom solene, porém firme: — Queimem a hospedaria. Se Jonas ficar no caminho… — Ele suspirou. — Matem-no também. Ele fez a escolha dele.
Os rebeldes não perderam tempo. Foram na direção das escadas com as tochas em punho. Jonas empurrou um deles e cravou a adaga no outro. Rapidamente, os homens conseguiram imobilizá-lo e desarmá-lo.
Jonas ainda estava fraco por causa da noite anterior. Depois de ter deixado Lucia pegar sua misteriosa magia interior para sobreviver ao parto de Lyssa.
Um dos homens arrastou Jonas pelo chão da taverna, pressionando a adaga em seu pescoço, enquanto os outros jogavam as tochas no piso de madeira. Levou apenas um instante para o material seco pegar fogo, deixando as paredes em chamas.
— Lucia! — Jonas gritou.
O rebelde levou a adaga cravejada de joias na direção do peito de Jonas para silenciá-lo para sempre, mas a arma ficou paralisada pouco antes de encostar nele. O rebelde franziu a testa quando a adaga escapou de sua mão e ficou pairando no ar.
Jonas olhou para a escadaria. As chamas estavam cada vez mais altas, mas agora havia um caminho livre entre eles.
Lucia se aproximou com Lyssa nos braços, com uma expressão furiosa.
— Acharam que poderiam me matar com um pouco de fogo? — ela disse, levantando a mão direita. — Como estavam errados!
Os três rebeldes e Tarus foram lançados para trás, chocando-se com força contra a parede da taverna. Seus olhos ficaram arregalados de surpresa, e eles gemeram com o esforço de tentar se libertar da magia do ar de Lucia que os imobilizava.
A adaga se moveu pelo ar até chegar a Tarus.
— Vá em frente, feiticeira — Tarus gritou. — Mostre a todos nós a assassina de sangue frio que você é.
— Já que você insiste — Lucia respondeu.
— Não! — Jonas se levantou e ficou entre Lucia e os rebeldes. — Ninguém vai morrer aqui hoje.
Lucia olhou para ele, sem acreditar.
— Eles queriam me matar. Eles queriam matar você.
— E não conseguiram.
— Acha que vão parar de tentar?
— Não me interessa o que vão fazer — Jonas respondeu. — Nós estamos indo embora daqui.
— Nós? — Ela franziu a testa. — Mesmo depois de eu ter sido tão cruel lá em cima, você ainda quer me ajudar?
— Deixe esses homens viverem e vamos sair daqui juntos. Tarus me perguntou de que lado estou, então acho que fiz minha escolha. Estou com você, princesa. Você não é o monstro que eles queriam matar aqui. Você é melhor do que isso. — Jonas não tinha acreditado completamente naquelas palavras até dizê-las em voz alta, mas foram sinceras, como ele sempre tinha sido com ela. Ou consigo mesmo.
Lucia o encarou nos olhos por mais um instante e depois moveu o punho. A adaga voou para longe de Tarus e foi cravada na parede oposta.
— Tudo bem — ela disse. — Então vamos.
Jonas assentiu, aliviado por nenhum sangue ter sido derramado. Ele olhou para a adaga.
Lucia tocou o braço dele.
— Deixe-a. Aquela coisa horrorosa faz parte do seu passado.
Ele hesitou por um instante.
— Você tem razão — ele finalmente disse.
Sem olhar para trás, para Tarus, para os rebeldes ou para a adaga que havia tirado a vida de seu irmão e de seu melhor amigo, Jonas saiu da hospedaria com Lucia e a bebê.

5 comentários:

  1. Vocês conseguem shipar esse casal? Eu não consigo, mesmo se a Lucia se redimir por todas as atrocidades que fez, continuo achando o Jonas muito pra ela, ela não merece...

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    Respostas
    1. Não acho Jonas tudo isso também não, porém concordo, não consigo shippar os dois

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  2. O casal mais nada haver!
    Queria muito que Lucia tivesse morrido

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  3. A..... EU COM CERTEZA CONSIGO SHIPPAR ELES
    NA VERDADE ACHO QUE COMECEI A SHIPPAR ELES NAO LIVRO ANTERIOR .BEM.... NAO SHIPPAR EXATAMENTE
    MAS.... TINHA ESPERANÇA DE FAZER UM SHIPPE COM ELES
    AGORA SE REALIZOU

    PALMINHAS!!!
    ASS;janielli

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Boa leitura, E SEM SPOILER!