3 de setembro de 2018

Capítulo 19

FELIX
KRAESHIA

Felix acordou com a consciência de que algo estava errado. Mas não fazia ideia do que era.
Tentou ignorar a sensação, entretanto, porque a vida nunca tinha sido tão boa para ele. Tinha reconquistado a confiança do rei Gaius. Viajado para além da costa de Mítica pela primeira vez, até o belo Império Kraeshiano. E uma linda princesa o havia convidado para compartilhar sua cama não apenas por uma, mas por sete noites.
SeteConsecutivas.
Se a vida de Felix tinha se tornado tão iluminada e alegre, por que de repente tudo parecia tão sombrio?
Ele saiu em silêncio da enorme cama de plumas da princesa Amara, coberta de sedas verdes e véus dourados transparentes, e se vestiu às pressas. Seu estômago roncou. Talvez pudesse atribuir a sensação à fome — desde que chegara em Kraeshia, tinha comido muitas frutas e legumes, mas nada perto de carne vermelha.
— Felix, minha bela fera... — ela disse, sonolenta. Amara enroscou os braços no quadril dele quando ele sentou na beirada da cama para vestir as botas. — Saindo tão cedo?
— O dever me chama.
Ela levou as mãos até o peito nu dele.
— Mas ainda não quero que vá.
— O rei vai discordar disso.
— Deixe que discorde — Amara puxou o rosto dele para perto e o beijou. — Quem se importa com o que o rei pensa, afinal?
— Bem, eu, para começar. Trabalho para ele. E ele é muito rigoroso.
— Deixe-o e trabalhe para mim.
— Para ser o quê? Um de seus míseros criados? — Ele se surpreendeu com o veneno na própria voz. De onde tinha vindo aquilo?
Ele sabia que o relacionamento dos dois não tinha potencial nem futuro. Amara era uma princesa com grande apetite e com baixa atenção — quase tão baixa quanto a dele. Mas, é claro, não estava reclamando. Amara era linda. Disposta. Entusiasmada. Tinha articulações flexíveis.
Então o que havia de errado com ele naquele dia para não estar agradecendo à deusa por sua situação invejável?
Ele lançou um olhar cauteloso para Amara enquanto se levantava, e as mãos dela soltaram seu corpo.
— Minha nossa — ela disse. — Minha bela fera está mal-humorada hoje.
Felix não tinha certeza se gostava do apelido, mas sabia que era melhor não discordar.
— Você sabe que não faço o tipo mal-humorado.
Amara recostou nos travesseiros e o observou vestir a camisa e o casaco do dia anterior.
— Diga — ela disse, com um tom menos brincalhão —, o que vai acontecer se meu pai recusar a oferta do rei?
Eles não tinham trocado nenhuma palavra sequer sobre política na semana inteira, o que, para Felix, não era nenhum problema. Ele não era conselheiro nem confidente do rei, e também não tinha interesse em ser nada além de músculos e força.
— Não sei — ele disse. — Acha que ele vai recusar?
Amara levantou uma sobrancelha.
— Se acho que meu pai vai recusar entregar metade de seu império por uma bugiganga brilhante e por uma ameaça envolvendo magia?
Quando viu o rei Gaius balançar o cristal do ar no nariz do imperador, Felix teve certeza de que o Mar Prateado tinha subido e uma onda havia quebrado sobre ele, bem ali, no banquete. Foi preciso toda sua força para manter uma expressão neutra.
— Parece uma grande loucura, não?
Felix não sabia muita coisa sobre o cristal, mas sabia o bastante para ter certeza de que não devia estar nas mãos de um imperador que o usaria para conquistar o mundo.
Amara soltou o longo cabelo escuro sobre o ombro e ficou enrolando distraidamente uma mecha no dedo, como se estivesse perdida em pensamentos.
— É verdade que o rei Gaius está com os quatro cristais?
— Ele diz que sim, então deve estar — Felix mentiu. — Mas vi apenas a selenita.
— Queria que o rei a tivesse oferecido para mim — Amara sorriu, conspirando. — Então talvez nós dois pudéssemos governar o mundo juntos.
— Nós dois, é?
— Consegue imaginar como seria incrível?
— Sabe, princesa, não precisa dizer esse tipo de coisa para mim. Não precisa fazer nenhuma promessa. Estou perfeitamente feliz com nosso acordo, do jeito que é, pelo tempo que precisar de mim. Entretanto, com todo o respeito, minha vida pertence ao rei.
Sem dar a ela chance de convencê-lo, Felix saiu do quarto. Do lado de fora, encostou na parede do corredor e soltou um suspiro pesado.
— É um suspiro de tristeza ou de alívio?
Felix levantou a cabeça e viu Mikah, um guarda do palácio que tinha conhecido quando chegou.
— Veja só, você parado aqui no corredor — Felix comentou, aborrecido. — Não estava ouvindo atrás porta, estava?
Mikah levantou os olhos.
— Por quê? Se estivesse, teria ouvido algo além de suspiros? Estou mais do que acostumado com os encontros casuais da princesa.
— Fico feliz em saber que vocês dois são próximos — Felix disse, estreitando o olhar, enquanto saía dali. — Agora, se me der licença... — Mikah segurou o braço de Felix, apertando o suficiente para machucar. — Solte — Felix bradou. Mikah não sorriu nem recuou.
— Diga-me — ele disse. — Já se apaixonou por ela?
Felix piscou.
— O quê?
— Responda.
— Ah, entendi. Você é um encontro casual antigo, não é? Ciumento? Não se preocupe, não há nada permanente entre nós. Vou partir em breve, e você vai poder continuar a sofrer por ela. Agora, me solte, ou vamos ter problemas.
Mikah o analisou com atenção por mais um longo momento, e então o soltou bruscamente.
— Ótimo. Não gostaria de vê-lo se machucar.
— Posso cuidar de mim mesmo, mas fico muito grato por sua preocupação.


— O rei quer que você verifique o navio — Milo disse para Felix mais tarde, naquele mesmo dia. — Certifique-se de que esteja pronto para partir a qualquer momento.
— E ele mandou você me dar essa ordem? — Felix o encarou desconfiado.
Milo deu de ombros.
— Só estou transmitindo a informação. O rei está ocupado.
— Sua majestade quer uma fuga rápida, é isso? — ele perguntou em voz alta.
Milo assentiu, parecendo aflito.
— Quanto antes melhor, ao que parece.
Os dois não tinham falado sobre a proposta do rei — ou melhor, o ultimato — ao imperador, mas tinham trocado olhares de preocupação durante o banquete. Afinal, eram os responsáveis por salvar o pescoço do rei, mesmo quando ele o oferecesse voluntariamente à lâmina de um conhecido inimigo.
Felix baixou o tom de voz.
— O rei Gaius acha mesmo que o imperador vai simplesmente nos deixar partir?
Um músculo da bochecha esquerda de Milo se contorceu.
— Não faço ideia do que o rei pensa...
— Nem eu.
— Mas se fizesse... — Milo continuou, a expressão mais séria que Felix já tinha visto desde que se conheceram, saindo de Auranos — Começaria a me preparar para sair daqui bem depressa.
O que o rei esperava que seus guardas pessoais fizessem se o imperador resolvesse responder com violência, e não com um acordo? Assassinar o mais poderoso líder do mundo em seu próprio lar e ter a esperança de fugir impunes?
Por fim, ele assentiu.
— Vou verificar o navio imediatamente.
Parecia que Felix tinha se convencido a sentir apenas cheiro de rosas depois de se reconciliar com o rei, mas na verdade ele estava na maior e mais nojenta pilha de estrume em que já tinha se metido.
Depois de verificar o navio limeriano, enquanto andava pela doca principal sob o calor intenso do sol do meio-dia, uma imagem surgiu em sua mente. Jonas, preso ao chão por uma adaga. O rebelde tinha levantado os olhos para ele, com dor e acusação, enquanto Felix guardava o cristal do ar no bolso.
— É, bem, ele mereceu — Felix resmungou para si mesmo.
Tinha merecido mesmo? Jonas realmente merecera ser tão humilhado por alguém em quem confiava? Jonas, que não tinha feito nada além de continuar tentando fazer o bem e o que era certo, apesar de sempre fracassar?
Talvez pudessem ter feito as pazes se Felix não fosse um idiota impaciente e raivoso que resolvia todos os problemas com força física.
Ele tinha passado oito anos no clã. Oito anos como assassino até tentar seguir um caminho diferente. Não passava de um garoto inocente quando tinha sido recrutado. Um garoto inocente escolhido e abduzido pelo rei, que não lhe dera escolha a não ser se tornar um assassino.
Ele parou no galpão que ficava no final da doca e deu um soco na parede de pedra brilhante. Sempre achou que a dor física ajudava a clarear as ideias e espantar lembranças desagradáveis.
Coisas ruins aconteciam quando ele pensava demais no passado.
— Pare com isso — ele disse, rangendo os dentes. — A vida é boa. O futuro é brilhante. E vou...
Felix cambaleou quando alguém agarrou seu braço e o empurrou. Ele se chocou contra a parede do galpão, e sua visão ficou turva.
Ele piscou e recuperou o foco bem a tempo de ver um punho vindo na direção de seu queixo. Ele o segurou e o girou para trás, fazendo o golpe acertar o rosto de seu agressor.
— Não me teste hoje — Felix resmungou. — Não estou com ânimo para ser complacente.
— Engraçado. Nem eu — disse o agressor de Felix, esfregando o queixo e mostrando os dentes. O jovem tinha cabelo castanho na altura do ombro, amarrado na nuca. — Manobra impressionante. Foram seus amigos do Naja que ensinaram?
Então o agressor sabia exatamente quem era ele. Aquilo não era bom.
Ele espiou ao redor e reparou que o enorme edifício impedia que os passantes que estavam nas movimentadas docas os vissem. Apenas o cheiro das algas do mar e o grasnar das aves marinhas ocupavam aquele trecho isolado da costa.
— Sim, foram eles que me ensinaram. Isto aqui também. — Ele desferiu um soco, mas o agressor se esquivou, e depois acertou Felix na barriga. Ele se inclinou, dando ao agressor a oportunidade perfeita para dar um golpe direto em seu queixo. Felix, com dificuldade de respirar, caiu no chão como um saco de batatas.
— Foi muito bom — o jovem de cabelo comprido disse. — Fazia tempo que estava ansioso por uma briga.
Enquanto se sentava no chão, ofegante, Felix ouviu mais alguém se aproximando pelo outro lado do galpão
— Já basta por hoje — disse uma voz que Felix reconheceu.
Felix levantou a cabeça e viu Mikah parado ao lado do brutamontes, parecendo calmo como sempre.
— Está me seguindo? — Felix perguntou. — Até receberia como um elogio, mas você não faz mesmo o meu tipo.
— Levante — Mikah ordenou.
— Não recebo ordens de você.
— Muito bem, então fique aí. Não me importa. Não vai demorar muito, de qualquer forma.
— Está aqui para me matar? Ou tentar?
Mikah se curvou até ficar na altura dos olhos de Felix.
— Você tem uma atração pela morte, posso ver em seus olhos. Sinto dizer que não vou ajudá-lo com isso hoje.
— Ah, nossa. Pode ler mentes também? — Felix levantou.
Com certeza aqueles dois achavam que os novos ferimentos faziam dele um alvo fácil. Mas era exatamente o que queria que pensassem. Tudo fazia parte do jogo que havia aprendido com o clã: deixe o alvo conjeturar; deixe que acerte alguns golpes e, quando ele achar que venceu, ataque para matar.
Felix sabia que daria conta daquela dupla se fosse preciso. Mas primeiro precisava saber o que queriam.
— Está aqui para me atormentar por causa da princesa Amara de novo? — Felix revirou os olhos. — O ciúme não lhe cai bem, meu amigo.
— Isso não tem relação com a princesa.
— Ótimo. Você odiaria me ter como rival romântico. Agora diga o que quer.
— Não gosto desse aí — o jovem de cabelo comprido disse, os braços cruzados sobre o largo tórax.
— Não precisa gostar — Mikah respondeu.
— Confia nele?
— É claro que não. É um limeriano.
— Vocês notaram que estou parado bem aqui e posso ouvi-los em alto e bom som? — Felix relembrou. — Agora, vou perguntar mais uma vez: o que um guarda kraeshiano e seu subordinado querem comigo, um simples assassino que trabalha para o rei de Mítica?
Mikah, desconfiado, olhou para ele por um longo momento, enquanto seu amigo continuou parado com os punhos cerrados.
— Eu uso este uniforme, mas, na verdade, não sou um guarda. E, apesar de você estar vestindo roupas elegantes que escondem a marca dos Naja que tem no braço, não acredito nem por um instante que seja empregado do rei ou um simples assassino — Mikah abriu um sorriso malicioso, o que apenas atiçou mais a curiosidade de Felix. Mikah prosseguiu: — Estou aqui, com este uniforme, porque sou um revolucionário. Conquistei essa posição no palácio para obter informações sobre a família real. — Ele indicou o amigo com a cabeça. — Este é Taran. Ele não é de Kraeshia, mas se juntou à nossa honrada luta para libertar o império de Cortas.
Por essa ele não esperava. Parecia que não ia conseguir se livrar de todos os rebeldes do mundo.
— Bem, isso... parece um objetivo muito nobre. Desejo muita sorte a vocês. Mas o que tem a ver comigo?
— Queremos que nos ajude.
Felix não conseguiu conter o riso.
— E por que eu os ajudaria?
Taran deu um passo para a frente, com a postura muito mais relaxada, mas os olhos castanhos ainda cheios de raiva.
— Se visse o que de fato acontece aqui em Kraeshia; se soubesse o que o imperador faz com qualquer coisa e qualquer pessoa que não esteja dentro de seus padrões... não hesitaria em se juntar a nós. — A expressão de Taran se tornou sombria. — Aquele homem é um monstro. Ele envia exércitos para invadir e conquistar todo tipo de território, escolhendo aleatoriamente quais deseja manter, descartando e destruindo o resto; e, sim, isso inclui tanto cidadãos quanto propriedades e bens.
— Vocês vivem em um país em guerra constante. Pessoas morrem em guerras — Felix argumentou. — E muitas vezes são pessoas que não merecem morrer.
Mikah parecia indignado.
— É uma ideologia que nunca vou aceitar. Força bruta, ganância extrema... isso não está certo, e vou fazer o que estiver ao meu alcance para impedir.
— E são só vocês dois? E estão procurando novos recrutas?
Mikah abriu um sorriso forçado.
— Existem milhares de nós, todos organizados em facções e posicionados pelo império. Estamos nos preparando para nos rebelar e lutar.
— Há milhares de vocês... — Felix arregalou os olhos. — Bem, não parece mais intimidador do que a dupla que vejo diante de mim. Além disso, o exército de vocês é muito pequeno em comparação ao que o imperador tem para protegê-lo.
— É por isso que queremos sua ajuda.
Felix riu.
— Ouvi o que disse para a princesa pela manhã.
— Sabia que você era depravado.
— Cale a boca e escute. A princesa Amara mencionou a Tétrade, e disse que seu rei tem acesso a uma das esferas. Que seus poderes são reais. Se tudo isso for verdade, então precisamos pegar aquele cristal do rei.
Felix quase gargalhou.
— Ah, é só isso? Então por que não pedir para o próprio rei? Tenho certeza de que ele ficaria feliz em ajudar.
Sem aviso, Taran deu um soco no rosto de Felix.
Praguejando, Felix colocou a mão sobre o nariz, que jorrava sangue.
— Você quebrou meu nariz. Parabéns. Acabou de me dar minha sexta fratura no nariz, e agora é um homem morto.
— Tente. Eu o desafio. — Taran puxou o manto e revelou a lâmina brilhante de uma adaga. — Ou, em vez disso, poderia calar a boca e nos levar a sério. Porque estamos falando muito sério.
— Peço desculpas, Felix — Mikah disse, olhando feio para Taran. — Meu amigo aqui é um pouco... precipitado. Provavelmente por ter ascendência auraniana.
Auraniano? Felix sabia que não tinha gostado de Taran logo de cara por algum motivo.
— E você é o líder dessa revolução, Mikah?
— Aqui em Joia, sim. Estou há dez anos no palácio, me preparando para essa revolução, seguindo os passos de meu pai.
— Dez anos?
Mikah assentiu.
— Nossa batalha será longa, e a preparação envolveu duas gerações. Mas vamos lutar para acabar com o domínio do imperador e libertar nosso povo de sua crueldade e ganância, não importa quanto tempo leve.
Com certeza parecia uma luta digna. Praticamente condenada ao fracasso, mas digna.
— Vocês vão falhar, e vão morrer — Felix afirmou. — Devem saber disso, não?
Ele estava esperando Taran fazer outra tentativa de acertá-lo, mas os dois revolucionários apenas ficaram encarando-o com seriedade.
— Talvez — Mikah respondeu.
— Então por que passar por tudo isso?
— Porque se não decidirmos lutar contra as coisas erradas que existem do mundo, passamos a ser essas coisas erradas.
Esse sujeito tinha dedicado a vida inteira à rebelião, que ainda nem tinha começado. Uma rebelião que sabia que provavelmente seria vencida.
Mas, ainda assim, queria tentar.
Aquele pedaço doentio de escuridão que havia se alojado dentro de Felix desde que tinha deixado Jonas e Lysandra e se aliado ao Rei Sanguinário se tornava mais obscuro. Como ele poderia ser um rebelde? Não passava de um assassino.
Antes daquele dia, Felix não acreditava que de fato tinha alguma escolha.
— Talvez eu tenha uma ideia que possa ajudar — Felix finalmente disse.
Mikah olhou para ele.
— Qual é?
— Preciso mandar uma mensagem para o príncipe Magnus Damora.
— O quê? O filhinho do Rei Sanguinário? — Taran esbravejou, encarando Felix com desgosto e preocupação, como se questionasse sua sanidade.
— Ele mesmo. O mesmo filhinho que, dizem, matou um guarda do palácio para salvar uma inimiga de seu pai. E, agora, na ausência do rei Gaius, controla o trono de Limeros.
— Rumores não são fatos — Taran o ridicularizou.
— Não. Mas, desculpe dizer, ainda são umas mil vezes mais úteis do que tudo o que me contaram hoje.
Mikah o observou com atenção, refletindo, com a testa franzida.
— Se os rumores se provarem verdadeiros, parece que o príncipe Magnus pode estar tramando sua própria rebelião.
— Tenho certeza de que é mais complexo do que isso. Mas, se pai e filho estiverem em conflito, o príncipe vai querer saber os planos do rei, incluindo o fato de o rei ter um cristal reluzente nas mãos, e talvez possa se tornar um aliado.
— Talvez — Taran repetiu. — Mas não com certeza. Não me parece um plano muito bom. Na verdade, parece completamente precipitado.
— Seria um risco, claro. Mas sou eu que estou arriscando o pescoço.
— E por que faria isso? — Mikah perguntou, desconfiado. — Por que nos ajudaria? Poucos minutos atrás estava ameaçando nos matar.
— Ei, foram vocês que vieram pedir a minha ajuda, lembra? Uma ajuda pela qual estavam tão desesperados que estou com o nariz quebrado para provar. E agora está reclamando porque estou disposto a colaborar?
— Isso não responde minha pergunta. Diga por que mudou de ideia.
Felix ficou em silêncio por um instante enquanto organizava seus pensamentos confusos.
— Talvez eu finalmente tenha resolvido, de uma vez por todas, lutar pelas coisas certas. — Ele coçou o braço sem perceber. Tinha começado a sentir um comichão na tatuagem do clã, como se ela protestasse contra sua decisão.
Mikah sorriu.
— Bem-vindo à revolução, Felix.
— Estou feliz por estar aqui.
Taran manteve a expressão rígida e encarou Felix.
— Oficialmente, você ainda faz parte do Clã da Naja — Taran afirmou. — Mikah pode acreditar que você transferiu sua lealdade à nossa causa, mas como vai convencer alguém como o príncipe?
Bom, era uma excelente pergunta. O que ele poderia escrever naquela mensagem, enviada por alguém em seu atual posto de guarda pessoal do rei, que pudesse ganhar a confiança do príncipe?
Felix coçou o braço de novo, depois arregaçou a manga e olhou para a tatuagem de cobra. A evidência física de seu juramento ao Clã da Naja e ao Rei Sanguinário, gravada na pele.
— Acho que conheço um jeito — ele disse.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Se você não tem conta no Google e quiser comentar, utilize a opção Nome/URL e preencha seu nome/apelido/nick; o URL pode deixar em branco.

Boa leitura, E SEM SPOILER!