3 de setembro de 2018

Capítulo 15

AMARA
KRAESHIA

O imperador Cortas deixou o rei esperando dois dias inteiros até concordar em recebê-lo. Pensar em como o rei Gaius devia estar se sentindo afrontado por aquele desdém era uma grande diversão para Amara.
A avó de Amara havia lhe dito que os homens estavam reunidos para uma refeição privada no salão de banquetes. A princesa não tinha sido convidada, mas isso não a impediu de ir.
Quando Amara entrou na sala, de cabeça erguida, sentiu o olhar de reprovação de Dastan. Por se parecer muito com Ashur, Amara estava evitando seu irmão mais velho desde que ele retornara do mar, e Dastan também não se esforçava muito para encontrá-la.
Elan, como sempre, estava ao lado do imperador, como se fosse um tumor grudado ao pai.
Ao ver Amara, o imperador apertou os olhos claros diante da presença indesejada. Mas, antes que pudesse falar alguma coisa, o rei Gaius entrou na sala acompanhado de seus guardas pessoais, ambos vestidos de forma tão elegante quanto qualquer membro da nobreza.
Um sorriso dividiu os lábios do imperador, e seu refinado manto de seda farfalhava ao se aproximar do rei.
— Ah, Gaius Damora. Finalmente conseguimos nos encontrar.
O rei pressionou a mão direita sobre o coração e fez uma pequena reverência — a saudação tradicional kraeshiana. Amara ficou levemente impressionada que ele tivesse aprendido aquele costume.
— Imperador Cortas, é um prazer indescritível. Sua Joia é isso mesmo... um precioso tesouro diferente de tudo o que já vi antes. Impressionante. Dá para entender por que tem a reputação de ser o lugar mais belo do mundo conhecido.
— Espero que não seja muita vaidade de minha parte concordar com você.
O imperador havia preparado uma mesa cheia de iguarias kraeshianas. Frutas de cores vibrantes e legumes cultivados em Joia, servidos com ervas kintha frescas e saborosos óleos de açafra. A dieta kraeshiana se abstinha do consumo de todas as carnes, exceto peixe e frutos do mar, e naquele dia parecia que todas as espécies estavam representadas: salmus defumado, camarões vermelhos, lagostrus sem casca, entre tantos outros. Uma mesa repleta de doces foi montada à parte, incluindo tortas de amora-anil e bolos açucarados com desenhos e detalhes complexos, quase belos demais para comer.
Amara observava o rei com atenção e curiosidade. Cada gesto, cada palavra, cada olhadela. Era preciso admitir que aquela pequena encenação era muito convincente. Se já não soubesse que ele era uma cobra calculista, acreditaria que estava mesmo desfrutando da companhia dos que o cercavam. As palavras dele eram suaves, sua conduta, charmosa e educada, e ele era bonito e carismático.
Muito diferente do que se esperaria de um homem com o título de Rei Sanguinário.
Amara se aproximou, fingindo admirar a mesa de jantar para poder ouvir a conversa com seu pai.
— Estes são meus filhos — o imperador apresentou, apoiando a mão sobre o ombro de Dastan. — Dastan, meu primogênito, nunca foi derrotado em nenhuma batalha que liderou...
— Sim, é claro. Conversamos sobre a grande reputação deste jovem em Mítica. Parabéns pela recente conquista de Castoria — disse o rei.
Dastan pressionou a mão sobre o coração e se curvou.
— Obrigado. E já que está ciente de minhas vitórias, suponho que seja uma felicidade nos encontrarmos em terreno amistoso, não, vossa graça?
O rei Gaius sorriu.
— Não há verdade maior.
— E este é Elan — disse o imperador, dando tapinhas nas costas do rapaz e impelindo-o a fazer a saudação kraeshiana. — Gosto de pensar nele como o vizir em que mais confio, alguém cuja opinião é sempre inestimável para mim. Em todos seus vinte e três anos, acredito que nunca contou uma mentira sequer. Certo, meu garoto de ouro?
— Certo — Elan concordou. Ele se manteve parado como se estivesse costurado à manga do pai, como uma criança com medo de se perder.
Elan era mesmo muito doce, sem nenhuma malícia, e Amara sempre desejou que um dia os dois se aproximassem. Mas, apesar de sua natureza gentil, ele ainda era um kraeshiano, criado para não demonstrar o mínimo de respeito ou estima pela irmã nem por qualquer outra mulher.
— Infelizmente, Ashur, meu filho mais novo, não está aqui para recebê-lo. Mas estou certo de que teve muito tempo para conhecê-lo durante o período que passou em seu pequeno reino.
Cada músculo do peito de Amara ficou apertado ao som do nome do irmão morto. Para se acalmar e evitar um desmaio, ela tomou um gole de vinho espumante.
— Tive, de fato — Gaius respondeu. — Ashur é um rapaz encantador, deve ter muito orgulho dele.
Em vez de concordar orgulhoso, como fez ao apresentar Dastan e Elan, o imperador se retraiu um pouco e torceu a boca.
— Ashur me lembra a mãe dele, de muitas formas. Sempre vagando pelo mundo, procurando tesouros.
— E ele tem sucesso nessas buscas?
— Não com frequência suficiente para justificar o tempo e os fundos necessários para custear essas pequenas excursões.
Ao dizer aquilo, o imperador sinalizou para os convidados ocuparem os lugares na mesa e se servirem do banquete. Amara observou os dois guardas de Gaius enchendo os pratos com montes de comida e, quando Felix notou que estava olhando, sorriu e piscou para ela.
A princesa não considerou aquela ousadia algo ofensivo, mas uma prova de que ele não tinha participado de muitos banquetes formais antes.
Enquanto os convidados se deleitavam com a refeição, o imperador conduzia a conversa, informando Gaius sobre a nova estrutura que estava sendo construída em Joia, um auditório que receberia apresentações de poetas, cantores e companhias de teatro.
— Nossa, parece maravilhoso. A cultura é muito importante para a vitalidade de nações civilizadas — o rei comentou.
— Estou surpresa por pensar assim — Amara disse, aproveitando a oportunidade para se manifestar. — Principalmente porque as atividades artísticas são desencorajadas em Limeros.
Gaius levantou o cálice e balançou a sidra, pensativo.
— É verdade, princesa. Nossa radiante deusa não aprova futilidades nem demonstrações extravagantes, e se há algo que se pode dizer dos limerianos é que somos leais às leis de nossa amada deusa. No entanto, tendo passado tanto tempo em Auranos recentemente, percebi que as artes têm a capacidade de elevar o espírito dos cidadãos em tempos difíceis. A arte lhes dá esperança. E sem esperança, qual o motivo para viver?
— Bem colocado, Gaius — disse o imperador, espetando um pedaço de peixe frito e o mergulhando em um molho shanut picante. — E, por favor, perdoe a ousadia de minha filha. Eu não estava ciente de que ela se juntaria a nós hoje. Mas, sim, a esperança é uma coisa bela... e eu adoro coisas belas!
Os convidados conversaram e comeram felizes até a hora da sobremesa. Quando os criados retiraram todos os pratos, o imperador recostou na cadeira e bateu de leve na barriga enorme.
— Agora, Gaius, meu amigo, diga. Por que está aqui?
O rei levantou minimamente a sobrancelha.
— Estou aqui, vossa senhoria, para conhecê-lo melhor. Para compreender suas intenções. Sei que planeja conquistar Mítica em breve.
Amara conteve a surpresa diante da inesperada franqueza do rei e olhou para o salão para ver a reação dos demais no momento de silêncio total que se seguiu. Embora os dois guardas do rei tenham permanecidos serenos em seu papel de sentinela, ela notou que Felix arregalou os olhos por um instante.
O imperador admitiu aquilo com um meneio de cabeça.
— Devo confessar que, dado seu tamanho, Mítica não tem sido uma grande prioridade para mim. Sua nação seria apenas uma pequena mancha de sujeira no meu mapa. Mas, sim, o grande interesse de Ashur por sua história e suas lendas chamou minha atenção. Suas praias estão a um pulo de minha Joia, então o custo e o esforço para conquistar a terra seriam mínimos. E também há os vinhedos, que têm a fama de produzir o melhor vinho do mundo. Acredito que seria uma bela adição ao meu império.
— Entendo. E quando você e seus filhos planejam visitar minha adorável mancha de sujeira?
O imperador riu.
— Não vamos falar de estratégia, Gaius. Hoje estamos sentados à mesa como amigos, não inimigos.
— Sendo um líder como você, admiro como está confiante de que Mítica seria conquistada com tanta facilidade.
O imperador sorriu, bebeu todo o vinho em sua taça e fez um sinal para um criado enchê-la.
— Dastan? Acredito que você seja o perito nesse assunto.
— Temos um grande motivo para estar confiantes — Dastan disse, assumindo o lugar do pai. — Atualmente, seu exército está espalhado por toda Mítica, e sua defesa costeira é risível na melhor das hipóteses. São cem de nós para cada um de vocês.
O rei Gaius concordou, cordialmente.
— Você está certo, claro. Com essas estatísticas a seu favor, Kraeshia conquistaria Mítica com facilidade.
— Muito bem, então! — o imperador exclamou. — Estamos todos cientes da situação entre nossas terras, e parece que não temos mais negócios a discutir. — Ele levantou da mesa e apoiou as mãos na cintura. — Agora, se está aqui para se render pessoalmente em nome de sua nação, poupará muito dinheiro e a vida de muitos de seu povo.
O rei franziu a testa.
— Render? Acho que me entendeu mal. Não vim aqui para lhe servir Mítica em uma bandeja de ouro.
— Então explique mais uma vez — Dastan disse. — O que, exatamente, veio fazer aqui?
— Vim para dar um aviso. Amigável, por ora. E também para fazer uma oferta.
A expressão jovial do imperador se desfez, embora ele parecesse tão pomposo quanto de costume. Amara mordeu o lábio, fascinada para saber o que aconteceria em seguida.
O pai dela voltou a se sentar.
— Um aviso, você disse.
— Sim.
— Você, o rei de uma terra minúscula como Mítica, tem um aviso para mim, um líder que conquistou tantos reinos?
Gaius sorriu com calma e permitiu um momento de silêncio antes de prosseguir.
— Devo presumir que o príncipe Ashur compartilhou algumas de suas lendas favoritas sobre Mítica com você, não? Antes de partir?
Elan confirmou, obviamente ávido para contribuir.
— Havia duas lendas que ele adorava. Aquela da magia dos elementos aprisionada em pedras. E outra sobre falcões imortais que viajam para outros mundos. Pedras e falcões.
— Está correto, Elan — disse o rei Gaius, assentindo, satisfeito consigo mesmo. — Você está falando da Tétrade e dos Vigilantes, duas das figuras mais importantes de duas de nossas lendas mais fascinantes sobre a magia ilimitada que pode ser encontrada em meu reino.
— Está tentando nos dizer que essas lendas são verdadeiras? — Dastan perguntou com tranquilidade.
— Não estou tentando. Estou afirmando.
— Se é assim — o imperador disparou —, então só está confirmando que Mítica vale o esforço, uma confirmação que Ashur foi incapaz de me dar.
— Há uma profecia vinculada às lendas, vossa senhoria — o rei Gaius continuou, destemido. — Ela conta a história de uma garota mortal capaz de controlar os elementia de uma feiticeira e iluminar o caminho até a Tétrade, os cristais elementares perdidos. — Ele fez uma pausa e observou devagar em volta da mesa de ricos kraeshianos. — Minha filha, Lucia, é essa feiticeira.
A revelação de Gaius foi recebida com silêncio absoluto, rompido apenas quando o imperador soltou uma gargalhada.
— Sua filha é a feiticeira da profecia? Que conveniente para você.
— Ela é minha filha, mas não de sangue. Eu a encontrei quando era criança e a levei dos pais verdadeiros com a ajuda de bruxas e da magia do sangue. Esperei dezesseis anos para que ela manifestasse seus poderes, mas a espera valeu a pena. Foi a magia dela que permitiu que eu derrubasse o rei auraniano e o conquistasse em menos de dois dias. E foi a magia dela que me guiou até a Tétrade.
— Ah, vocês de Mítica gostam mesmo de compartilhar suas fábulas interessantes! Mas palavras não são nada além de palavras, e só provas são provas. Duvido que haja alguém em seu reino ou no meu que tenha visto alguma evidência real de que a princesa é uma feiticeira.
— Na verdade, eu tenho — Amara disse. Todos os olhares se voltaram para ela, que sorriu. — Fiquei amiga de Lucia quando estive em Mítica e testemunhei sua magia. Prometi manter segredo, mas, para mim, essa parece uma situação que requer que quebre minha promessa. Tudo o que o rei está dizendo é verdade.
A sala foi tomada por um silêncio cheio de terror, que nem mesmo o próprio imperador seria capaz de causar.
— Você sabia disso? — ele perguntou, esmurrando a mesa. — Por que não me contou?
Ela se permitiu, por um momento, aproveitar a satisfação pelo fato de a informação tê-lo surpreendido.
— Você não perguntou.
O rei assentiu.
— Princesa Amara, talvez também esteja ciente de que, graças à minha filha, agora estou de posse de todos os cristais da Tétrade.
Amara teve que tomar um gole de vinho para evitar responder a ele com uma gargalhada.
— Todos? — ela disse assim que se recompôs. — Isso é um tanto quanto incrível.
E uma enorme mentira, ela pensou. Afinal, ela estava com o cristal da água, não aquele rei mentiroso, e os outros três podiam estar em qualquer lugar.
O imperador olhou para ela como se sua paciência estivesse acabando.
— Que humilde de sua parte, então, viajar para cá de navio em vez de vir voando.
— Isso é absurdo, pai — Dastan cortou. — Essas histórias de criança são um desperdício de nosso valioso tempo.
— Talvez. Mas Amara afirma que o rei diz a verdade. Minha filha pode não aprovar a vida que tracei para ela em meu império, mas nunca mentiu para mim.
Amara permitiu-se rir por dentro. Para um homem tão astuto e poderoso, seu pai era mesmo muito estúpido quando o assunto eram as mulheres.
O imperador analisou Gaius.
— Prove sua alegação.
— Muito bem. — O rei Gaius se levantou, enfiou a mão dentro do casaco e tirou uma pequena esfera esbranquiçada. Dançando dentro dela, havia uma sombra pálida e esfumaçada.
Amara suspirou.
— O cristal do ar.
O rei lançou um olhar penetrante.
— Estou certa? Ashur me deu alguns livros sobre suas lendas. — Amara disse, tentando projetar alguma incerteza na voz. — Dizem que o cristal do ar é uma esfera de selenita. É ela mesmo?
— É.
O imperador levantou, foi rapidamente até Gaius e examinou o cristal com cuidado.
— Que interessante.
— Vim aqui para avisar — Gaius anunciou, trazendo o cristal para perto do corpo e para longe do imperador — que, se tentar conquistar Mítica, minha filha vai contra-atacar com o poder de uma feiticeira capaz de afundar frotas inteiras de navios. Capaz de congelar o Mar Prateado com um único pensamento. Capaz de incinerar seus soldados e transformá-los em pilhas de cinzas e poeira. Capaz de tirar o ar de qualquer inimigo que ousar cruzar seu caminho com um movimento do dedo. Nenhum exército, não importa o tamanho, pode competir com a força de seus elementia.
Os lábios do imperador estavam apertados, seu olhar, ameaçador.
— E sua oferta?
— Ofereço uma parte de meu tesouro. Isto — ele disse, apontando para a esfera — será seu. Assim que eu revelar o segredo para liberar o poder que está dentro deste cristal, ele lhe dará o dom da magia do ar. Em troca, você vai concordar em acolher Mítica não como uma conquista, mas como uma parceira, e vai dividir seu império comigo em partes iguais.
Então foi por isso que o rei tinha vindo a Kraeshia. Amara ficou ao mesmo tempo surpresa e impressionada com a audácia.
A tensão que pairava no ar naquele momento era quase tão visível quanto fumaça.
— Metade do meu império em troca de uma pedra polida? — Apesar do sarcasmo, havia um lampejo de preocupação na expressão do imperador, o que levou Amara a acreditar que ele não estava mais achando graça em nada daquilo.
— Exato — Gaius disse, olhando calmamente para o cristal.
Aquele banquete estava sendo muito mais empolgante do que Amara esperava. Embora soubesse que o rei havia mentido e blefado para se aproveitar da situação, ele tinha posse de pelo menos um cristal. E Lucia era a feiticeira da profecia.
Seria sábio da parte de seu pai levá-lo muito a sério.
— Você diz que sabe como liberar a magia de dentro do cristal — disse Amara. — Pode compartilhar conosco como descobriu esse segredo?
Gaius segurou firme a esfera de selenita e examinou Amara por um instante.
— Conheço esse segredo porque minha mãe me contou. Ela era bruxa e tinha um vasto conhecimento sobre o mundo dos imortais. Ela sabia que um dia eu seria quem encontraria a Tétrade, então é claro que me contou o que fazer assim que invocasse meu destino.
Amara refletiu sobre aquelas palavras.
— Sua história é encantadora, mas me faz questionar por que tantas mulheres acusadas de bruxaria foram executadas em Limeros sob ordens suas ao longo dos anos se sua própria mãe era uma delas. Estou certa de que há uma explicação fascinante que não tem nenhuma relação com as leis de sua deusa.
Desta vez, quando os olhares se cruzaram, os olhos do rei estavam escuros, frios e abismais.
— Você não faz ideia, princesa.
O imperador deu um passo à frente, interrompendo a conversa entre Amara e o rei.
— O que me impede de tomar este cristal e matá-lo agora mesmo, Gaius? — Felix e Milo se levantaram de imediato, e o imperador gesticulou para dispensá-los. — A não ser que os dois sejam feiticeiros, não têm como protegê-lo de mim.
— Você pode me matar e tomar este cristal — o rei reconheceu. — Mas ele será inútil se não souber como liberar sua magia.
O imperador bufou.
— Posso torturá-lo e arrancar o segredo de você em minutos.
O rei não recuou. Na verdade, seu olhar tornou-se mais duro e inflexível.
— Faria isso por sua própria conta e risco. Ademais, tal segredo não lhe traria bem algum aqui em Kraeshia. E se chegar em Mítica sem mim, minha filha estará esperando para destruir até o último homem de seu povo. — Ele guardou a esfera no bolso. — Já disse o que tinha para dizer e fiz minha oferta. Com certeza vai querer um tempo para pensar a respeito. Esta reunião está encerrada. — Ele meneou a cabeça para seus guardas.
Felix deu de ombros para Amara e abriu mais um pequeno sorriso malicioso enquanto acompanhava o rei para fora da sala.
— Pai? — Dastan chamou em voz baixa quando todos ficaram em silêncio no salão.
— Parece que tenho muito no que pensar — o imperador respondeu.
Sim, Amara pensou. Com certeza tem.


Mais tarde naquela noite, Amara vagava pelos corredores, sentindo-se muito cheia de energia para se recolher a seus aposentos e dormir. Ela não conseguia parar de pensar na maneira como o rei tinha assumido total controle daquela reunião. Ela havia se perguntado por que ele tinha sido tolo o bastante para ir até lá, pensando que qualquer um estaria cometendo um erro ao tentar confrontar seu pai.
Ela tinha se esquecido da reputação do rei Gaius.
O Rei Sanguinário era implacável, sedento por poder, e agora alegava que sua mãe tinha sido uma bruxa.
Fascinante.
Seus devaneios foram interrompidos quando esbarrou em Felix.
— Pare — ela disse.
— Estou parado — ele respondeu, e depois apontou para a porta atrás de si. — Por sorte, este é mesmo meu quarto.
— Sei que não cresceu em um palácio, mas deveria ao menos saber que não é muito esperto nem educado piscar para uma princesa, especialmente durante um evento formal — ela disse.
— Bem, nunca fui acusado de ser esperto nem educado antes.
Amara o observou por um instante em silêncio. Era alto, e ela gostava da largura de seus ombros. E, apesar de não parar de puxar a gola da camisa, ela também gostava de como a roupa elegante e feita sob medida ficava nele.
— Seu nariz é torto — ela disse.
Ele o tocou e então franziu a testa.
— Já foi quebrado algumas vezes. Na verdade, tenho sorte de ainda ter um nariz.
— É bem feio.
— Hum...
— Eu gosto dele.
— Obrigado? — Ele limpou a garganta. — Há algo que posso fazer por você, princesa?
— Na verdade, sim.
— E o que seria?
— Pode me levar para sua cama.
Felix piscou.
— Não tenho certeza se entendi o que disse.
— Você me entendeu muito bem. Depois de passar um dia sendo ignorada enquanto dois homens poderosos e implacáveis discutiam política e magia, preciso de um pouco de atenção. — Ela deslizou as mãos pelo peito e pela nuca dele, depois o puxou para perto e o beijou.
Felix não resistiu.
Ela sorriu com os lábios colados nos dele.
— Uma noite. É tudo o que quero de você.
Ele abriu a porta do quarto com o cotovelo e mostrou um sorriso malicioso.
— Será um prazer, princesa.

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