23 de setembro de 2018

Capítulo 15

MAGNUS
AURANOS

Magnus sabia que eles deveriam ter voltado ao palácio horas antes.
Mas não voltaram.
Em vez disso, os dois assistiram ao sol se pôr no horizonte, pintando o céu com tons de roxo, rosa e laranja.
— Gostei daqui — ele disse, passando os dedos pelo longo cabelo dourado de Cleo. — É oficialmente meu lugar preferido em Auranos. E essa rocha atrás de mim… é minha rocha preferida em toda Mítica.
Cleo concordou, se aproximando dele.
— É uma boa rocha.
Magnus segurou a mão esquerda dela, passando os dedos pelas linhas azuis que se espalhavam a partir do símbolo da magia da água sobre a palma.
— Não gosto disso.
— Nem eu.
— Mas você disse que não estava em perigo.
— Eu disse. É verdade. Mas…
— Mas o quê?
— Mas… — ela começou a dizer. — É um problema.
— Mais que um problema, sem dúvida.
— Quero entender como usar a magia da água, mas não consigo. Não funciona assim. Pelo menos, não que eu saiba.
Magnus se lembrou de cambalear pela floresta naquela noite escura e encontrar a fogueira do deus do fogo.
— Vi Kyan — ele revelou.
Cleo ficou boquiaberta e se afastou para poder encará-lo nos olhos.
— Quando?
— Depois… do túmulo. — Ele já havia contado um pouco do que tinha passado, evitando se demorar demais nos piores momentos. Cleo sabia que seu pai havia lhe dado a pedra sanguínea e que, sem aquilo, Magnus não passaria de uma lembrança naquele momento. — Ele me fez acreditar por um tempo que ainda era Nic, como se brincasse comigo. E me pediu para avisar você que, quando ele chegasse, precisaria se juntar a ele. Eu quis matá-lo ali mesmo, mas se parecia tanto com Nic…
— Ele é o Nic — Cleo disse, aflita. — Por um instante, logo antes de acontecer, quase o apunhalei no coração, mesmo sabendo que mataria Nic. Eu não estava raciocinando direito. Ainda bem que Ashur me impediu.
Parecia algo que o príncipe kraeshiano faria.
— É claro que impediu.
— Nunca vou me juntar a Kyan — ela disse, balançando a cabeça. — Por nenhum motivo.
O peito de Magnus ficou apertado ao pensar em perdê-la.
— Ele ia me marcar de alguma forma, me transformar em seu escravo com magia, para que eu fizesse as vontades dele. Ele tentou encostar em mim e… parou. Algo o impediu, e isso me deu a chance de escapar.
— O quê? — ela perguntou, sem fôlego.
Ele tentou se lembrar daquela noite escura cheia de dor e confusão.
— Não sei. Achei que tivesse sido Ashur, que ele tivesse encontrado alguma magia para lutar contra a Tétrade. Mas não foi ele. De qualquer forma, algo me ajudou a escapar.
— Poderia ter sido o próprio Nic? Lutando contra Kyan de alguma forma?
— É possível — ele admitiu. Mas quanto mais pensava nisso, mais se perguntava se não teria algo a ver com a pedra sanguínea. Lucia tinha sido repelida pela magia do anel. Talvez o mesmo tivesse acontecido com Kyan.
Ainda assim, Cleo, com a magia da água em seu interior, parecia não se importar em estar perto dele com aquele tipo de magia — magia negra, como Lucia tinha dito — no dedo.
Cleo balançou a cabeça.
— E pensar que nossos problemas costumavam se resumir a uma guerra pelo trono. Agora isso parece tão irrelevante.
— Bem, eu não diria que é totalmente irrelevante — ele respondeu. — Será bom quando qualquer rastro de Amara Cortas deixar esse reino.
— Esqueci completamente dela por um momento.
— Eu também. — Magnus deu um beijo na testa dela, passando os dedos por seu cabelo sedoso e aquecido pelo sol. — Vamos encontrar um jeito de salvar Nic, eu prometo. Você, Nic, Olivia e até mesmo Taran. — Ele fez uma careta. — Se for preciso.
Cleo riu nervosa, encostando o rosto no peito de Magnus.
— Taran tem tentado ser forte, mas está aterrorizado ao pensar em perder a vida desse jeito.
— Não tenho dúvida disso. — Magnus sabia que sentiria exatamente a mesma coisa.
Ele observou o sol afundar ainda mais atrás da água. Restava pouca luz do dia. Os dois logo precisariam voltar a encarar a realidade.
— É melhor colocar o vestido antes que Agallon volte para procurar você e acabe vendo mais do que deve da minha linda esposa. — Magnus pegou a própria camisa. — Eu não gostaria de partir ainda mais o coração dele ao ver você assim comigo. Se bem que, pensando bem, eu não me importaria. Seria o último prego no caixão, com o perdão da expressão.
— Jonas é uma boa pessoa — Cleo disse com firmeza enquanto se vestia.
Ele a observou com grande apreciação. Cada movimento, cada gesto.
— Incrível. Claro que é.
— Ele se preocupa muito com Lucia.
Magnus fez uma careta.
— Não insinue que eles possam ser um casal perto de mim. Já tenho pesadelos demais.
Magnus se levantou e segurou o rosto de Cleo com as duas mãos para beijá-la mais uma vez. Ele sabia que nunca se cansaria do sabor dos lábios dela — uma mistura quase mágica de morango, água salgada e do gosto singular e inebriante da própria Cleiona Bellos. Muito mais deliciosa que a melhor e mais doce safra de vinho paelsiano.
Ela levantou o braço e afastou o cabelo escuro da testa dele, depois passou a ponta dos dedos devagar por sua cicatriz, até chegar aos lábios.
— Case comigo, Magnus.
Ele arregalou os olhos.
— Já somos casados.
— Eu sei.
— Não é possível que tenha esquecido aquele dia no templo. O terremoto? Os gritos, o sangue e a morte? Os votos forçados, sob ameaça de tortura e dor?
Cleo pareceu assustada, e ele se arrependeu de tê-la feito lembrar daquele dia horrível.
— Aquele não foi um casamento adequado — ela disse, balançando a cabeça.
— Concordo. — Um sorriso apareceu nos lábios dele. — Na verdade, era uma de minhas fantasias enquanto estava dentro daquele caixão odioso: casar com você sob o céu azul de Auranos, em um campo cheio de flores.
Ela soltou uma gargalhada.
— Um campo cheio de flores? Com certeza você estava alucinando.
— Com certeza. — Magnus a puxou para mais perto, agora com mais suavidade, como se estivesse com medo de quebrá-la. — Vamos sobreviver a isso, minha princesa. A tudo isso. E depois, sim, vou me casar com você do jeito certo.
— Promete? — Cleo perguntou com a voz trêmula.
— Prometo — ele respondeu com firmeza. — E até lá, acredito que minha irmã vai deter Kyan e encontrar uma solução para essa magia odiosa dentro de você.
Magnus e Cleo voltaram ao palácio um pouco desgrenhados, mas determinados a encontrar uma solução para a longa lista de problemas que os atormentava.
Depois de ouvir a frase “Achei que estivesse morto” pela vigésima vez, Magnus preferiu se recolher a seus aposentos com sua bela esposa.
E lá os dois discutiram tudo o que tinham passado desde a última vez em que se viram.
Cleo passou os dedos pelo anel dourado na mão esquerda de Magnus.
— Odeio seu pai. Sempre vou odiar — ela disse, pouco antes de adormecer nos braços do príncipe. — Mas serei eternamente grata a ele por isso.
Sim. A pedra sanguínea sem dúvida complicava os sentimentos já complicados que ele nutria pelo homem que tornara sua vida mais dolorosa do que deveria ter sido.
Talvez no dia seguinte o discurso do rei marcasse o início de um novo capítulo na vida dos dois como pai e filho.
Magnus sabia que ele próprio tinha mudado muito no decorrer do último ano. Mudanças podiam acontecer — se as pessoas quisessem.
Talvez houvesse espaço para esperança.


Na manhã seguinte, o casal se demorou no quarto por mais tempo e tomou o café da manhã lá, em vez de se juntar ao rei Gaius e a Lucia.
E Lyssa.
Magnus ainda não conseguia acreditar que a irmã tinha uma filha, mas sabia que poderia aceitar isso. Ele já amava Lyssa e sabia que faria tudo para proteger a sobrinha recém-nascida.
Deitado na cama, Magnus se apoiou no cotovelo e ficou observando Cleo vestir a anágua e se ocupar com os cordões, esperando-a pedir ajuda a qualquer momento.
Mas então ela ficou paralisada.
E olhou fixamente para a parede à sua frente, a boca contorcida de dor.
Magnus deu um salto e a segurou pelos ombros.
— O que está acontecendo?
— A-afogando — ela conseguiu dizer. — E-eu sinto que estou… me afogando.
O olhar dele foi parar na mão esquerda de Cleo, no emaranhado de linhas que saía do símbolo da água. Diante de seus olhos, as linhas subiam pela pele, envolvendo o braço dela.
— Não — ele disse enquanto o pânico tomava conta de seu peito. — Você não está se afogando. Está aqui comigo, e está tudo bem. Não se deixe dominar.
— Estou… estou tentando.
— E você, deusa da água — Magnus encarou sério os olhos verde-azulados dela —, se puder me ouvir, precisa libertar Cleo de seu controle, se está mesmo tentando controlá-la. Vou destruí-la. Vou destruir todos vocês. Eu juro.
Cleo sucumbiu nos braços dele, recuperando o fôlego como se tivesse acabado de sair das profundezas do oceano.
— Já passou — ela disse um momento depois. — Estou bem.
— Você não está bem. Isso não está bem — ele rosnou. A dor de não ser capaz de salvá-la era quase insuportável. — É o mais distante de bem que consigo imaginar!
Cleo endireitou o corpo, afastando-se dele e colocando rapidamente o vestido azul-escuro escolhido.
— Precisamos ir. O discurso do seu pai… Ele precisa de você lá.
— Vou chamar Nerissa para ajudá-la. Você não precisa ficar na plataforma conosco.
— Eu quero estar lá. — Cleo encarou seus olhos, e Magnus só enxergou força em seu olhar, junto com a frustração. — Ao seu lado. Para que todos nos vejam juntos.
— Mas…
— Eu insisto, Magnus. Por favor.
O príncipe concordou meio a contragosto e apoiou a mão nas costas dela, conduzindo-a para fora do quarto para se juntarem a seu pai e Lucia na sala do trono.
— Que bom que se juntaram a nós — o rei disse sem sinceridade.
— Estávamos… ocupados — Magnus respondeu.
— Sim, com certeza estavam. — Ele olhou para Cleo. — Você parece bem.
Cleo encarou os olhos dele.
— Estou bem.
— Ótimo.
— Desejo toda sorte com seu discurso — ela disse com um sorriso firme no rosto. — Sei como o povo de Auranos ama um bom discurso de seu amado rei. As… decisões recentes que tomou com Amara não vão ser esquecidas, tenho certeza disso.
Magnus trocou um olhar irônico com Lucia, que o fez lembrar muito dos olhares trocados durante anos, sempre que viam o rei dizer algo desagradável a um convidado. Mas ele sempre conseguia dizer de um modo que quase parecia um elogio.
Quase.
— De fato — o rei respondeu.
Parecia que o rei e Cleo tinham muito mais em comum do que Magnus jamais poderia imaginar.
Ao sair da sala do trono, acompanhados por guardas, os quatro subiram por uma escadaria sinuosa atrás da plataforma até chegar ao terceiro andar e à ampla sacada que dava para a praça do palácio.
Da última vez que presenciaram um discurso do rei naquela mesma sacada, Magnus e Cleo ficaram noivos, para surpresa e pavor de ambos.
O belo rosto de Lucia estava tomado de sofrimento, e seus olhos azuis transmitiam uma seriedade que Magnus jamais tinha visto.
— Algo errado? — Magnus perguntou para a irmã quando saíram na sacada e ouviram a vibração dos milhares de pessoas reunidos.
— O que não está errado? — ela respondeu em voz baixa. — Preciso fazer uma lista, com Kyan em primeiro lugar?
— Não é necessário.
— Fiquem quietos, vocês dois — o rei sussurrou antes de se agarrar ao parapeito de mármore e se dirigir aos auranianos que se amontoavam na praça do palácio, observando-o com uma mistura de interesse e ceticismo.
Então Gaius começou a falar com uma voz forte e poderosa que viajava com facilidade.
— Em Limeros, nossa doutrina é “força, fé e sabedoria” — ele começou. — Três valores que acreditamos serem capazes de combater qualquer adversidade. Mas hoje quero falar sobre a verdade. Passei a acreditar que é o tesouro mais valioso do mundo.
Magnus observava o pai, sem saber o que esperar daquele discurso. Seria incomum o rei falar a verdade em uma aparição pública. Normalmente, ele projetava a ilusão de um rei que se importava mais com seu povo do que com poder. Não eram todos os que conheciam os verdadeiros motivos por trás de seu apelido, Rei Sanguinário.
O feitiço lançado sobre Gaius Damora pela mãe, dezessete anos antes, o tinha ajudado a se concentrar na busca pelo poder, com a brutalidade e o ardil necessários para manter sua coroa e, depois de um tempo, ludibriar o chefe Basilius e acabar com o rei Corvin em um único dia.
Aquele era o único pai que Magnus conhecia.
— Hoje também peço que todos olhem para o futuro — o rei continuou. — Pois acredito que será mais brilhante do que o passado. Acredito nisso por causa dos jovens que estão aqui comigo nesta sacada. Eles são o futuro, assim como os filhos e as filhas de vocês. São nossa verdade.
O rei olhou para Magnus.
Um futuro brilhante, Magnus pensou. Ele está falando sério?
O rei Gaius virou de novo para a multidão.
— Talvez vocês sintam que não possam confiar em mim. Talvez me odeiem e odeiem tudo o que representei no passado. Não os culpo, nenhum de vocês, por se sentirem assim. Eu havia chegado a uma encruzilhada inevitável quando optei me aliar a Kraeshia, o que levou à ocupação de Mítica nos últimos meses. Se não tivesse tomado essa difícil decisão, uma guerra teria acontecido. Morte. E, no final, muitas perdas.
Magnus concordava, até certo ponto. Ainda assim, acreditava que seu pai tinha sido imperdoavelmente precipitado na decisão de se aliar ao imperador de Kraeshia e sua filha enganadora.
Mas também tivera um tempo, não muito distante, em que seu pai tinha sugerido que Magnus se casasse com Amara para ajudar a forjar uma aliança entre Mítica e o império. Pelo que se lembrava, Magnus tinha rido na frente do rei com aquela ideia.
— Meu arrependimento seria ter permitido que isso continuasse um dia a mais do que o necessário — o rei disse. — Alguns acreditam que Amara Cortas representa o futuro de Mítica. Mas estão errados. Ela preferiu deixar Mítica e voltar para casa, onde estará a salvo dos efeitos adversos de suas escolhas mesquinhas. Mais da metade de seu exército foi junto, sem aviso, sem promessas para o futuro. A verdade sobre Amara Cortas é que ela não dá a mínima para o futuro de Mítica ou de seu povo. Mas eu, sim.
Murmúrios de descrença se ouviram na multidão. Magnus olhou para Cleo, que mantinha um sorriso agradável e cortês nos lábios desde o início do discurso, como se acreditasse em todas as palavras ditas pelo rei e as endossasse.
Um talento invejável, de fato.
— Mítica não é apenas meu reino — o rei Gaius disse. — É meu lar. É minha responsabilidade. E não consegui cumprir minhas promessas, viver à altura de minha posição como seu líder, desde que assumi o trono de Limeros. Minhas escolhas por mais de duas décadas foram alimentadas por minha própria ganância e meu desejo de poder. Mas hoje começa uma nova era nesse reino, uma era de verdades.
Cleo apertou a mão de Magnus. Ele se deu conta de que estava prendendo a respiração. As palavras do pai eram inesperadas e pontuadas com uma sinceridade que ele nunca havia testemunhado antes.
O rei Gaius continuou.
— Minha filha Lucia está aqui comigo hoje. Existem rumores de que ela é uma bruxa, uma das poucas que permiti viver durante meu reinado. Alguns dizem que isso faz de mim um hipócrita, já que ela é perigosa, muito mais perigosa do que qualquer bruxa comum da história.
Magnus tentou olhar para Lucia, mas a expressão da irmã estava vazia. Sua atenção se concentrava em algo distante, além dos muros dourados da cidade. Ela não compartilhava o talento de Cleo de estar presente e controlada em situações como aquela. Lucia nunca gostou de ser analisada de perto. Ela e Magnus podiam não ter o mesmo sangue, mas compartilhavam essa característica.
— Minha filha detém uma magia grandiosa e, sim, muito provavelmente é perigosa. Para aqueles que quiserem nos fazer mal.
Pelo jeito, o segredo de Lucia não era mais um segredo.
Magnus se perguntou como a irmã se sentia com aquela revelação.
— Alguns não vão acreditar em mim. Outros vão pensar que sou um homem amargo, cuja nova esposa virou as costas para ele e voltou para sua terra natal. Esses também estão errados. — O rei tirou um pedaço de pergaminho do bolso do sobretudo, segurando-o para que todos pudessem ver. — Esse é meu acordo com o imperador Cortas, antes de sua morte, para tornar Mítica parte do Império Kraeshiano. Está assinado com sangue. Com o meu sangue. Foi assinado antes do meu casamento com Amara.
O rei rasgou o contrato e deixou os pedaços de pergaminho caírem da sacada.
A multidão ficou surpresa.
Magnus não sabia ao certo quanto peso aquele gesto tinha. Era, afinal, apenas um pedaço de papel.
Mas a multidão parecia devorar cada palavra, cada gesto.
— Hoje vou começar a corrigir o que deu terrivelmente errado durante meu reinado — o rei prometeu. — A imperatriz não é bem-vinda em meu reino, nem seu exército. De hoje em diante, vamos ficar juntos, unidos contra…
O rei ficou em silêncio.
Do canto da sacada, Magnus esperou que ele continuasse, certo de que tudo não passava de um sonho. Um discurso repleto de união, esperança e determinação — e uma boa dose de sentimento anti-Amara, o que Magnus com certeza aprovava.
Mas então Cleo começou a apertar a mão de Magnus com tanta força que chegou a doer.
Ouviu-se um único grito na multidão, depois outro. Logo, muitos estavam gritando, berrando e apontando para a sacada.
— Pai! — Lucia gritou.
Magnus soltou a mão de Cleo e correu para o lado do pai.
Havia uma flecha no peito do rei. Ele olhou para a arma e franziu a testa. Então, com toda sua força, arrancou-a com um gemido alto de dor.
Mas logo outra flecha o atingiu.
E depois outra.
E mais uma.

2 comentários:

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Boa leitura, E SEM SPOILER!