23 de setembro de 2018

Capítulo 14


CLEO
AURANOS

Se Lucia não podia — nem queria — ajudá-la, ela teria que ajudar a si mesma.
Cleo resolveu explorar a biblioteca em busca de mais livros sobre a magia da Tétrade e qualquer registro sobre a deusa Valoria. A deusa tivera magia da água dentro de si. Tinha sido considerada a personificação dessa magia. Cleo tinha aprendido que Valoria fora uma Vigilante gananciosa, e que tinha roubado as esferas de cristal do Santuário. Ao tocá-las, tinha sido corrompida por elas.
Corrompida, Cleo pensou ao analisar as linhas retorcidas na palma da mão esquerda. Que palavra estranha para se referir a alguém possuído por um deus elementar.
Valoria e Cleiona eram inimigas e, em um último confronto pelo poder supremo, tinham se destruído. Pelo menos era o que dizia a lenda.
Ela analisou uma ilustração da deusa feita pelo escriba do primeiro livro sobre Valoria encontrado na biblioteca.
Tinha os símbolos da magia da terra e da água na palma das mãos. Tinha cabelo escuro e longo, um belo rosto em forma de coração e uma coroa brilhante na cabeça. O vestido que usava na imagem era decotado na frente, revelando metade da marca em espiral em seu peito. Não era a mesma espiral que Taran tinha e o ligava à Tétrade do ar. Era diferente, uma forma mais complexa. Cleo agora sabia que aquilo marcava Valoria como Vigilante, antes de se tornar deusa.
Enquanto virava as páginas, ela olhou para o cálice de sidra de pêssego trazido por Nerissa.
— Eu congelei o guarda, posso fazer chover e posso cobrir paredes de gelo — Cleo sussurrou para si mesma. — Com certeza posso fazer algo com essa sidra. Magia simples. Algo que me mostre que tenho uma chance de controlar isso.
Com o coração acelerado, ela segurou o cálice e se concentrou no líquido. Queria congelá-lo dentro do recipiente.
Cleo se concentrou até começar a transpirar, mas nada aconteceu.
Por fim, ela bateu o cálice sobre a mesa e soltou um pequeno grito de frustração quando o conteúdo espirrou pelas laterais. Mas seu grito foi interrompido por uma sensação que já havia se tornado familiar.
A de uma onda de água passando sobre seu corpo, cobrindo seus olhos, seu nariz, sua boca.
Ela estava se afogando.
— Não… — Ela cambaleou para trás até sentir a parede fria de pedra nas costas. A pressionou com as mãos enquanto se forçava a respirar devagar e com calma.
Aquilo não era real. Ela estava bem, não estava se afogando, não estava morrendo.
Cleo olhou para a mão e viu que o símbolo da magia da água brilhava com uma luz azul, e mais linhas parecidas com veias saíam das que já estavam lá. A marca agora envolvia sua mão e seu antebraço inteiros.
Um arrepio de temor passou por ela ao ver aquilo, e a princesa teve uma constatação repentina e dolorosa do que poderia ser.
A deusa da água, abrindo caminho aos poucos até assumir o controle de sua consciência. Lutando com ela pelo controle de seu próprio corpo.
Cleo saiu correndo dali, sentindo necessidade de estar em outro lugar, qualquer lugar. Ela caminhou pelos corredores do palácio com tanta pressa que quase se perdeu tentando encontrar a saída para o pátio.
Quando finalmente estava do lado de fora, conseguiu respirar direito o ar fresco e doce.
Algo se mexeu além das árvores, e ela ouviu som de metal batendo. Alarmada, chegou mais perto para ver o que era.
E soltou um suspiro de alívio.
Jonas e Felix estavam praticando esgrima sob a sombra de uma pavilhão arqueado no centro do pátio.
— Você está ficando enferrujado — Felix comentou. Ele estava sem camisa, e seus músculos se contraíam ao mover a espada. — Faz muito tempo que não luta?
Também sem camisa e de costas para Cleo, Jonas conseguiu bloquear o movimento com um gemido.
— Não com espada.
— Está contando com a magia extravagante de sua nova namorada para salvar sua pele. Está ficando mole.
— A princesa Lucia não é minha namorada — Jonas resmungou.
Felix sorriu para ele.
— Não se preocupe, não vou desafiá-lo por ela. Estou farto de mulheres complicadas e com muito poder. Ela é toda sua.
— Eu não a quero.
— Se está dizendo… — Felix riu. — Acho que já chega por hoje. É melhor você vestir a camisa antes que alguém veja seu segredo.
— É verdade. — Jonas pegou uma camisa branca no chão e a passou pelos braços. Quando virou, Cleo entendeu exatamente do que Felix estava falando.
O segredo de Jonas era uma marca no peito.
A marca em espiral de um Vigilante.
Por um instante, ela não conseguiu se mexer, não conseguiu pensar. Mas então Cleo os seguiu quando saíram do pátio e voltaram ao palácio, ainda fora de vista.
Os dois se separaram em uma bifurcação no corredor.
Ela seguiu Jonas, correndo para acompanhar seus passos largos. Cleo saiu do palácio atrás dele e entrou na Cidade de Ouro.
Para onde estava indo?
Enquanto o seguia pelas ruas sinuosas, ela vasculhou a mente, tentando lembrar se já tinha visto aquela marca antes — ou se já o tinha visto sem camisa.
Tinha — nas Terras Selvagens, quando ele a sequestrara em uma conspiração rebelde para forçar o rei Gaius a parar de construir a Estrada Imperial. Em vez disso, o rei tinha mandado os soldados procurarem a princesa prometida a seu filho, na esperança de integrar a família Damora aos novos cidadãos auranianos.
Jonas fora ferido por uma flecha. E precisara da ajuda de Cleo para fazer um curativo. Não havia marca em seu peito.
O rebelde saiu da cidade murada com um arco e uma aljava de flechas no ombro. Cleo vestiu o capuz do manto, mantendo certa distância para não ser notada. Ele pegou um caminho na direção da enseada pela qual o navio os trouxera a Auranos, rumo ao cais do palácio. Como se soubesse exatamente aonde estava indo. Como se tivesse estado lá antes.
Era um vale pequeno e isolado que Cleo e a irmã visitavam sempre em outros tempos, protegido por um penhasco íngreme. Da pequena praia, elas costumavam ver os navios passando, indo e voltando do cais do palácio.
Ondas arrebentavam na margem do amplo canal, tão largo que Cleo mal conseguia enxergar o outro lado. Aves marinhas vagavam pelas águas rasas da orla, procurando comida.
Percorrendo com cuidado a trilha que descia para a orla, ela viu Jonas parar, apontar o arco e flecha, e disparar. Jonas praguejou em voz baixa quando um coelho gordo fugiu.
Ele era convidado do rei Gaius, com um banquete a postos do amanhecer até o anoitecer… e estava caçando coelhos.
— Olhe onde pisa, princesa — Jonas disse sem olhar para ela.
Cleo ficou paralisada.
— Sim, eu sei que você está me seguindo desde que saí do palácio — ele disse.
Sentindo-se estranhamente exposta, Cleo foi até Jonas na pequena praia com a cabeça erguida.
— Por que está caçando coelhos?
— Porque caçar coelhos faz eu me sentir normal — ele respondeu. — Não seria ótimo? Nos sentirmos normais de novo?
— Talvez. — Ela coçou o braço esquerdo, com as linhas azuladas e sinuosas como veias. — Por favor, não mate nada. Não hoje. Não há necessidade.
Jonas fez um pausa, lançando um olhar para a princesa.
— Preciso explicar de onde vem a carne que aparece em seu prato?
Cleo respirou fundo e soltou o ar devagar.
— Por que você tem a marca dos Vigilantes no peito?
Ele não disse nada por um instante, mas deixou o arco e flecha sobre a areia e observou as águas calmas.
— Você viu — ele disse.
Cleo confirmou.
— Vi você e Felix no pátio.
— Certo. E agora tem perguntas — disse Jonas, virando-se para ela.
— Só essa — ela admitiu.
Jonas passou a mão sobre o peito distraidamente.
— Não sou um Vigilante, se é o que está pensando. Mas parece que tenho essa fonte de magia dentro de mim, e não consigo acessá-la com facilidade, não importa o quanto tente.
— Sei mais ou menos como é isso.
— Sim, com certeza sabe. — Jonas virou para a água cristalina. — Uma imortal chamada Phaedra deu a vida para salvar a minha há um tempo, logo depois que me curou e me salvou da morte por pouco. Disseram que eu… absorvi a magia dela. Não compreendo. Não sei o motivo, só sei que aconteceu. E depois Olivia me curou também, e… — Ele sacudiu a cabeça. — E aquela magia original foi como uma esponja, absorvendo cada vez mais. Logo depois disso, a marca apareceu.
— Ah — Cleo disse. — Até que faz sentido.
Ele riu.
— Talvez faça para você.
— Mas você está dizendo que não consegue usar a magia.
— Não. — Jonas olhou para as marcas no braço dela. — Qual é o plano, princesa?
Cleo o encarou, surpresa.
— Plano?
— O plano para consertar tudo isso.
— Sinceramente não sei. — Ela o observou por um momento, em silêncio. — Mostre sua marca.
Ele hesitou a princípio, mas desabotoou a frente da camisa devagar. Ela chegou mais perto, encostando a mão sobre sua pele e sentindo seus batimentos cardíacos.
— Minha marca brilha às vezes — ela disse.
Jonas observou a mão dela e a encarou nos olhos.
— Sorte a sua.
Ela esboçou um sorriso. Jonas sempre conseguia fazê-la sorrir.
— Ah, sim, é muita sorte.
— Não tenho mais ilusões sobre seus sentimentos por mim, princesa — ele comentou. — Sei que o amava e que está de luto por ele. E sinto muito por sua perda. Vai demorar muito para essa dor desaparecer.
A garganta de Cleo ficou tão apertada que foi impossível responder com qualquer outra coisa além de um meneio de cabeça.
Jonas tentou pegar na mão dela, hesitante. Quando viu que ela não a afastou, a apertou.
— Pode contar comigo, princesa. Hoje e sempre. Você precisa dar um jeito de controlar sua magia, de qualquer maneira possível.
— Eu sei — ela respondeu. — Pedi para Lucia me ajudar.
Jonas voltou a encará-la.
— E o que ela disse?
— Que ia tentar.
Ele franziu a testa.
— É melhor eu checar como ela está. Ainda não a vi hoje.
— É estranho pensar que vocês ficaram amigos.
— Muito estranho — Jonas concordou. Seu olhar tinha uma intensidade, e, por um instante, Cleo teve certeza de que ele ia lhe dizer mais alguma coisa. Ele levou a mão à bainha que trazia na cintura, e ela viu o cabo dourado de uma adaga.
— Você ainda carrega aquela adaga horrível de Aron? — ela perguntou. — Depois de todo esse tempo?
Jonas afastou a mão da arma.
— Preciso voltar para o palácio agora. Você vem?
Cleo virou para o canal e viu um navio passando ao longe, saindo do palácio em direção ao Mar Prateado.
— Agora não. Vou daqui a pouco. Vá e veja como está Lucia. Mas me prometa uma coisa.
— O quê?
— Não mate nenhum coelho.
— Prometo — ele disse com seriedade. — Nenhum mal será feito aos coelhos auranianos hoje.
Olhando mais uma vez para a princesa, Jonas deixou Cleo na orla.
Sozinha na praia, ela caminhou na direção da água, que bateu em suas sandálias douradas. A princesa concentrou toda a sua atenção no mar, tentando sentir algum tipo de afinidade com ele, já que era feito da magia que havia dentro de seu corpo.
Mas não sentiu nada. Nenhuma sensação de afogamento. Nenhum desejo de entrar na água salgada até ficar coberta da cabeça aos pés.
Hesitante, ela observou a marca em sua mão e as linhas azuis que se ramificavam a partir dela.
Cleo não queria ser insegura ou temerosa. Queria ser forte.
Ele gostaria que ela fosse forte.
Sinto tanta falta dele, pensou quando seus olhos começaram a arder. Por favor, por favor, me deixe pensar nele e permita que essa lembrança me fortaleça.
Cleo não sabia mais ao certo para quem rezava, mas ainda rezava.
— Ora, essa é uma vista bem romântica, não é? O rebelde e a princesa, juntos de novo e se admirando mutuamente.
— E agora estou imaginando a voz dele — ela sussurrou.
Sua voz ciumenta e zangada.
— Vou deixar a escolha para você, princesa. Devo matá-lo devagar ou rápido?
Dessa vez Cleo franziu a testa.
A voz parecia tão real — muito mais real do que qualquer fantasia.
Cleo virou devagar e viu o produto de sua imaginação, alto, de ombros largos, parado a menos de três passos de distância dela. Fazendo uma careta.
— Sei que deveria estar preocupado com sua situação. — Magnus apontou para ela. — Minha esposa, a deusa da água. E antes mesmo de saber o que havia acontecido, fiquei desesperado para voltar para você, pensando que podia ter sido aprisionada por Kurtis.
Ela ficou boquiaberta.
— Magnus?
— E estou profunda e dolorosamente preocupado, não pense que não. Mas depois que a segui do palácio até aqui e a vi com Jonas Agallon — ele resmungou. — Não gostei nada daquilo.
Ela mal conseguiu raciocinar, quanto menos falar.
— Não aconteceu nada.
— Não foi o que pareceu.
Lágrimas escorreram pelo rosto dela.
— Você está vivo.
O restante da fúria desapareceu de seus olhos castanhos.
— Estou.
— E está bem aqui, na minha frente.
— Sim. — Os olhos de Magnus foram parar na mão esquerda dela e nas marcas deixadas pela batalha interna com a Tétrade de água. — Ah, Cleo…
Com um soluço de choro, ela se jogou nos braços dele. Magnus a levantou do chão e a apertou forte junto ao peito.
— Achei que estivesse morto — Cleo disse, chorando. — Lucia… ela viu. Ela fez um feitiço de localização e sentiu que você estava morto, e eu… — Ela apoiou a cabeça de novo no ombro dele. — Ah, Magnus, eu amo você. E senti tanto a sua falta que pensei que fosse morrer. Mas você está aqui.
— Eu também amo você — ele sussurrou. — Amo muito você.
— Eu sei.
— Que bom.
Então ele apertou os lábios contra os dela, beijando-a com firmeza, roubando-lhe o fôlego e lhe dando vida ao mesmo tempo.
— Sabia que você ficaria bem, de algum jeito — Magnus disse a ela quando seus lábios se afastaram. — Você é a garota mais corajosa e forte que já conheci.
Cleo passou as mãos pelo rosto dele, o queixo, o pescoço, querendo provar para si mesma que aquilo era real, e não apenas um sonho.
— Sinto muito, Magnus.
Ele finalmente a deixou de volta no chão, encarando-a com intensidade.
— Por quê?
— Parece que estou me desculpando bastante hoje, mas é necessário. Sinto muito por ter mentido para você. Sinto muito por ter culpado você por tudo de horrível que aconteceu. Sinto muito por não enxergar o quanto amava você desde o início. — Ela secou os olhos cheios de lágrimas. — Bem… não tão do início.
— Não — ele admitiu com um tremor. — Com certeza não.
— O passado já está esquecido. — Ela colocou as mãos no peito dele, feliz em senti-lo sólido e vivo. E presente. — Saiba apenas disto: amo você de todo o coração e do fundo da alma. — A voz dela falhou ao ouvir a verdade bruta de suas palavras. — Perder você me destruiu, e eu nunca, jamais, quero voltar a me sentir assim.
Magnus ficou encarando a princesa como se estivesse chocado com a intensidade daquelas palavras.
— Cleo…
Cleo puxou o rosto dele para baixo, para que os lábios dele pudessem encontrar os seus novamente. E foi como se o peso de quinhentos quilos preso ao seu tornozelo fazia mais de uma semana, puxando-a para as profundezas do oceano, fazendo-a se afogar de maneira lenta e dolorosa, finalmente se soltasse.
O beijo dele era tudo. Profundo, verdadeiro e perfeito.
Magnus a levantou de novo. Seus braços fortes suportavam o peso dela com facilidade enquanto se afastavam da beirada da água.
— Senti tanto a sua falta — Magnus sussurrou nos lábios dela enquanto a pressionava contra a lateral do penhasco para fazê-la sentir cada linha, cada contorno de seu corpo no dela. — Juro que vou me redimir com você por todas as coisas horríveis que disse e que fiz. Minha bela Cleiona… Diga de novo o que acabou de dizer.
Ela quase sorriu.
— Acho que você me ouviu.
— Não me provoque — ele resmungou com um olhar intenso. — Diga de novo.
— Eu amo você, Magnus. Verdadeira e intensamente. Para todo o sempre — ela sussurrou, ávida por beijá-lo de novo. Desesperada por um beijo. — E preciso de você… Aqui. Agora.
Ela já tinha começado a desfazer as amarras da camisa, desesperada para sentir a pele nua dele, ficar sem barreiras entre os dois.
A boca de Magnus estava junto à dela de novo, desesperada e ávida. Magnus soltou um gemido do fundo da garganta quando Cleo passou as unhas em seu peito, tirando a camisa de seus ombros. Ele deslizou as mãos por baixo da barra de sua saia bordada, mas logo ficou paralisado, afastando os lábios dela.
Uma linha profunda franziu sua testa.
— Droga.
— O que foi? — ela perguntou.
— Não podemos fazer isso — ele sussurrou.
Cleo perdeu o fôlego.
— Por que não?
— A maldição.
Por um instante, Cleo não entendeu do que ele estava falando. Mas então se lembrou, e um pequeno sorriso surgiu em seu rosto.
— Nunca existiu maldição nenhuma.
— O quê?
— Sua avó inventou aquela história para enganar seu pai, para explicar por que minha mãe tinha morrido no parto. Mas não era verdade. Não tenho nenhuma maldição. Era tudo mentira.
Sem se mexer, Magnus a observou por vários minutos enquanto a abraçava, encostada na lateral do penhasco, encarando seus olhos.
— Não tem maldição — ele sussurrou, e seus lábios se curvaram formando um sorriso.
— Nenhuma.
— E a magia da Tétrade dentro de você…
— É um grande problema, mas não nesse exato momento.
— Então podemos lidar com isso depois.
Ela assentiu.
— Sim, depois.
— Tem certeza?
— Certeza absoluta.
— Ótimo.
Dessa vez, quando a beijou, Magnus não se conteve. Não precisou parar nem esperar, não houve dúvida nem medo. Houve apenas aquele momento perfeito que Cleo queria que durasse para sempre, finalmente reunida com seu príncipe sombrio.

Um comentário:

  1. A cara como eu queria que ela ficasse com o Jonas , detesto o Magnus , e pelo que deu para entender o Jonas vai acabar se apaixonando pela louca da Lucia 😠😠😠esses livros uma hr me da um infarto kkkk

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Boa leitura, E SEM SPOILER!