16 de setembro de 2018

Capítulo 14

JONAS
PAELSIA

Rei Gaius Damora. O Rei Sanguinário. Assassino. Sádico, torturador, escravocrata, traidor. Inimigo. Alvo.
E, naquele momento, estava na mesma sala que Jonas.
Muitas surpresas tinham acontecido naquela noite. Primeiro um encontro com Laelia Basilius, de quem Jonas tinha sido — por pouco tempo e com relutância — noivo. Mas essas surpresas desapareceram de sua mente assim que o rei entrou na sala.
Gaius observou o grupo e parou o olhar sobre Jonas.
— Jonas Agallon. Não vejo você há muito tempo. Acho que a última vez foi no casamento de meu filho.
Jonas percebeu que não conseguia fazer nada além de olhar para o homem que tinha matado e destruído tantos.
— Magnus… — Cleo disse do outro lado da sala.
— Ah, sim — Magnus disse, sem qualquer sinal de indignação pelas calúnias ditas contra a irmã. — Esqueci de dizer que estou viajando com meu pai?
— Esqueceu — Jonas respondeu, tenso.
— Sim — o rei concordou. — E é muito bom que meu filho traga seus novos amigos aqui sem avisar.
Jonas se esforçou para manter a compostura, para não mostrar como estava indignado.
— Não são tão novos quanto você pensa.
A pele do rei Gaius estava pálida, o rosto tinha hematomas como se tivesse sido espancado. Ele inclinou para a frente, como se agisse com normalidade, e se apoiou na parede ao lado da escada, mas algo ficou evidente na posição.
Uma fraqueza e uma fragilidade que o rebelde nunca tinha notado no homem.
— Volte para o quarto — Magnus disse.
— Não acato ordens suas. — O rei sorriu, sem achar graça. — Magnus, seus amigos sabem que estamos todos do mesmo lado agora?
Só de pensar em uma aliança com Gaius, Jonas perdeu totalmente a fala. Os outros — Nic e Olivia — também permaneceram em silêncio, tensos.
— É mesmo? — Foi o rosnado ríspido de Felix, como o alerta de uma fera enjaulada, que quebrou o silêncio. — Você decidiu isso antes ou depois de permitir que Amara me deixasse levar a culpa por matar a família dela?
O rei levantou uma sobrancelha escura e observou Felix.
— Nunca permiti que Amara fizesse nada. Ela toma as próprias decisões. Quando soube o que tinha acontecido, já era tarde demais para intervir. Soube que você já estava morto. Caso contrário, teria feito o possível para libertar você.
Felix manteve o olhar fixo no rei, e em seu único olho não se via nada além de frieza e malícia.
— Claro que teria. Por que eu duvidaria de sua palavra, vossa alteza?
Suspirando, o rei abatido e aparentemente debilitado se virou para Jonas.
— Você tem todos os motivos para me odiar. Mas precisa me ouvir agora e perceber que juntos somos fortes. Temos um inimigo comum: Amara Cortas.
— Sua esposa — Jonas afirmou.
— Por conveniência e circunstância apenas. Não tenho dúvidas de que ela já está conspirando para me matar, em especial agora que assumiu o controle de Mítica e sabe que seus soldados são muito mais numerosos que os meus. Tenho me dedicado a consertar alguns de meus erros mais recentes, começando por tirar Amara deste reino.
— Me parece um bom começo — Jonas disse.
O rei caminhou devagar, fazendo careta ao sentir uma dor repentina com o movimento, e estendeu a mão.
— Peço que deixemos nossas diferenças de lado até esse objetivo ser alcançado. O que me diz?
Se não estivesse tão surpreso, Jonas teria gargalhado. O Rei Sanguinário tinha acabado de propor a ele — a mesma pessoa que o acusara de assassinar a Rainha Althea — uma aliança.
Jonas observou os outros ao redor, e em silêncio todos olhavam chocados para ele e o rei. Nic e Cleo estavam pálidos, e Felix entortava a boca de ódio. Olivia manteve o olhar desprovido de emoção e inescrutável, como sempre. Enzo, o guarda de Cleo, estava parado empunhando a espada. Em contraste, Magnus tinha sentado e recostado na cadeira, os braços cruzados à frente do peito, a cabeça inclinada.
Finalmente, Jonas estendeu a mão direita para o rei e aceitou o acordo, encarando diretamente seus olhos.
— O que posso dizer, vossa alteza? — Com a mão esquerda, ele cravou uma adaga decorada no coração do monstro. — Vá para as terras sombrias, filho da puta mentiroso.
O rei gemeu sem força, e pelo som, a dor parecia extremamente forte. Jonas girou a faca ainda mais fundo, até Gaius tombar para trás.
Jonas ouviu Nic comemorar assim que Enzo o acertou e o derrubou no chão. Felix chegou em um instante, puxando Enzo para longe. Outro dos guardas do rei apareceu e puxou os braços de Jonas para trás. Cabelos loiros apareceram na confusão — era Cleo tentando tirar o segundo guarda do rei de cima de Jonas. Magnus estava de pé com o olhar sério fixo no rei. Olivia estava dentro do campo de visão periférica de Jonas, esperando. Ela só interviria se ele corresse perigo de morte.
A raiva que sentia, o ódio que tinha pelo rei, zuniam dentro de Jonas, renovados, e o rebelde tremia.
Enquanto observava o rei moribundo, não sentiu nem um pouco de arrependimento. Finalmente tinha tido uma oportunidade. E a aproveitado.
— Viu? — ele disse, olhando para Magnus. — Cumpro minhas promessas.
— Sim, estou vendo — Magnus disse, prestando atenção no pai, como se estivesse curioso, e não grato pela atitude. — Só é uma pena que você não tenha feito isso antes.
— O que quer dizer com isso? — Jonas olhou para o príncipe, sem entender por que ele parecia decepcionado com a situação. Jonas tinha feito exatamente o que Magnus queria, tinha cumprido a tarefa que o tinha levado a Kraeshia.
— Milo, deixe Jonas levantar. — Cleo segurava o guarda desconhecido pelo braço.
— Ele assassinou o rei — Milo disse.
— Não — Magnus disse. — A morte decidiu demorar no que diz respeito ao meu pai.
— Jonas, olhe para ele — Felix pediu.
Gaius não estava mais deitado no chão, cheio de sangue. Milagrosamente, estava ajoelhado, sangrando muito sobre a madeira desgastada, o cabo da adaga no peito.
A expressão agonizante do rei estava fixa em Jonas.
— Ele não está morto — Nic murmurou, balançando a cabeça, incrédulo. — Por que não está morto?
Num movimento repentino e forçado, o rei Gaius segurou o cabo decorado da adaga. Ainda encarando Jonas com os olhos semicerrados, ele arrancou a lâmina, com um grito. A adaga caiu no chão, e ele levou as mãos à ferida.
— Isso é magia — Jonas conseguiu dizer em meio ao choque.
— Muito observador de sua parte. Impressionante — Magnus disse com seriedade.
— Explique o que está acontecendo!
Magnus meneou a cabeça para Milo.
— Solte o rebelde. Não posso conversar com alguém preso como um besouro pregado a uma placa de cortiça.
Milo parou de segurar o braço de Jonas, que imediatamente ficou de pé e lançou um olhar acusatório para Magnus, que encarou Cleo de um jeito pouco sutil e sério. Cleo rangeu os dentes, e Magnus revirou os olhos.
— Muito bem — o príncipe concordou. — Vou tentar ser breve em minha explicação. O que está acontecendo é o resultado de uma poção que o rei tomou muitos anos atrás, uma poção que permitiu que, não importa o golpe final e fatal que o destino desferir, ainda tem algum tempo para… resistir depois de ser morto.
— Não sei bem se é assim que funciona — Cleo disse pacientemente.
Magnus suspirou e fez um gesto para o pai.
— Mais ou menos isso?
— Acredito que sim. Minha nossa, Jonas, essa é a adaga de Aron? — Cleo perguntou, chocada. — Você realmente guardou essa coisa horrível por todo esse tempo?
— Responda à minha pergunta — ele disse, mais incisivo do que pretendia ao se dirigir à princesa.
Finalmente Jonas tinha feito o que queria fazer havia muito tempo, mas mais uma vez o destino não permitia seu sucesso. Nem mesmo depois de um golpe fatal.
— Você não matou o rei — Cleo respondeu tensa — porque o rei já encontrou a morte dias atrás.
Enquanto Jonas tentava desesperadamente processar aquela afirmação incrível, uma mulher desceu a escada. Ela era mais velha, com rugas ao redor dos olhos, e usava um manto cinza-escuro que combinava com seu cabelo.
Entrou na sala de convivência, observando todos os presentes com firmeza, até finalmente fixar o olhar em Gaius.
A mulher o observou por um momento muito breve e, em seguida, lançou um olhar intenso na direção de Jonas.
— Você fez isso com meu filho?
Um arrepio subiu por seus braços e seus ombros, e desceu pela coluna ao perceber a raiva controlada nas palavras dela.
Filho?
— Tudo bem — o rei disse assustado, segurando a manga da blusa da mulher que se apressou para ficar ao lado dele.
— Não está nada bem. Não mesmo. — Ela voltou a encarar Jonas, e com o olhar dela, veio a sensação de que ele estava sendo congelado. — Você ousaria tentar matar seu rei?
— Ele não é meu rei — Jonas respondeu irritado, recusando-se a demonstrar fraqueza ou dúvida. — Ele matou meus amigos em sua guerra doentia, executou aqueles que se recusaram a se submeter, e escravizou meu povo para construir sua preciosa Estrada Imperial. Nenhuma pessoa nesta sala diria que ele não merece morrer por seus crimes.
Ela cerrou o punho.
— Eu diria.
— Não, mãe — Gaius disse depressa. — Deixe-o em paz. Precisamos dele. Acredito que precisaremos de todos eles para reaver o que Amara pegou.
Devagar, o rei levantou, e Jonas só conseguiu dar um passo incerto para se afastar. O único sinal de que uma adaga tinha atravessado seu coração alguns momentos antes era a camisa rasgada e o sangue no chão.
— Só a magia mais sombria poderia tornar algo assim possível — uma nova voz disse.
Jonas virou de repente e viu que Ashur Cortas estava atrás deles na entrada da hospedaria.
— Ashur! — Cleo se surpreendeu. — Você está vivo! Mas… como?
Ashur arqueou as sobrancelhas escuras.
— Mais magia negra, receio.
Ela virou para Nic, cuja expressão era neutra.
— Você sabia disso?
Ele assentiu.
— Eu sei, é um choque.
— Um choque? Ele estava morto, Nic! Por que não me contou?
— Eu ia contar. Achei melhor esperar você lidar com a questão do Taran primeiro.
— Ah, obrigada — ela disse, a voz tensa. — Você é muito solícito mesmo.
— Não sei por quê, mas acho que você não está falando sério.
Jonas se virou para Magnus e viu que ele estava sério.
— Estou ficando muito cansado de magia — o príncipe murmurou. — E de absolutamente tudo sobre o que não tenho controle.
— Também é ótimo revê-lo, príncipe Magnus — Ashur disse com um meneio de cabeça.
— Muita gentileza sua nos encontrar, vossa graça — Nic se dirigiu a Ashur, a voz desprovida de qualquer respeito. — Pensei que tivesse criado guelras e cauda e começado a nadar de volta a Kraeshia.
— Hoje não, infelizmente — Ashur respondeu com rispidez.
— Talvez amanhã.
— Talvez.
— Contamos a todos sobre sua ressurreição de fênix agora ou mais tarde? — Nic perguntou.
A expressão de Ashur ficou tensa ao notar o tom ácido de Nic.
— Parece, Nicolo, que há assuntos mais urgente a tratar. Estou certo, não estou, rei Gaius?
O grupo voltou a atenção ao rei, que estava encolhido ao lado da mãe.
— Está, sim, príncipe Ashur.
— Uma aliança contra minha irmã.
— É um problema para você?
— Não. Contanto que não a matem, não vejo nenhum problema.
— Espere — Felix disse de onde estava, ao lado da lareira. — Você sabe que eu pretendia matá-la! Vai mesmo tirar isso de mim?
Ashur lançou um olhar severo para Felix.
— Tudo bem. É um assunto para outro dia — Felix respondeu.
— Príncipe Ashur, você é o herdeiro legítimo de seu pai — o rei explicou. — Tire o título de Amara e tudo isso pode acabar.
— E agora você é o marido dela, pelo que soube. Por que não está a seu lado, orientando suas decisões?
— Não é mais tão simples assim.
— Nada importante é simples, certo?
— O Rei Sanguinário quer que trabalhemos em equipe — Jonas disse, balançando a cabeça. — É a coisa mais ridícula que já ouvi. Não é o que quero.
Gaius bufou, frustrado.
— Sei muito bem o que você quer, rebelde. Você quer que eu morra. Bem, devo dizer que vou morrer em breve.
— Gaius… — a mãe sibilou. — Não vou permitir que fale assim. Não vou permitir!
Ele a silenciou com um aceno.
— Minha primeira prioridade é retomar o controle de meu reino. Mítica não pertence, nem pertencerá, ao Império Kraeshiano.
— Não fosse pela magia que dizem que está adormecida aqui — Ashur disse —, posso garantir que nem Amara nem meu pai dariam tanta importância a essa ilhazinha.
— Acredito que você esteja ciente de que Amara envenenou seu pai e seus irmãos — o rei afirmou. — Ela não sente remorso quando vai em busca do que quer.
A risada sombria de Nic interrompeu a tensão na sala.
— Que engraçado… “Não sente remorso”, ele disse, como se considerasse isso um defeito. O mesmo homem que quebrou o pescoço da minha irmã por estar no lugar errado na hora errada. — Ele parou de rir de repente. — Sua aparência está péssima, vossa majestade. Espero muito que esteja sofrendo neste momento.
— Não fale com o rei desse jeito, Cassian — Milo, o guarda, se manifestou.
Nic lançou um olhar para ele do outro lado da sala.
— O que vai fazer se eu falar? Vai pedir para seu amigo ajudá-lo a me bater?
Milo sorriu e estralou os dedos.
— Posso fazer isso sozinho sem problema.
— Pensei que você estivesse apodrecendo na masmorra.
O sorriso do guarda ficou tenso.
— Preciso lhe agradecer por isso, não?
— Precisa. — Nic semicerrou os olhos. — O que vai fazer em relação a isso, Milo?
— Muitas coisas. Só preciso de tempo.
— Milo, não é? Ouça bem o que vou dizer. — A voz de Ashur estava baixa, como o rosnado de uma fera enjaulada. — Se tentar machucar Nicolo, juro que eu mesmo vou arrancar sua pele.
Jonas virou para Milo. Viu que a única reação dele à ameaça foi piscar, surpreso.
Cleo falou com o rei, depois de lançar um olhar preocupado a Nic e ao guarda.
— Você deu Mítica a Amara — ela disse, deixando claro seu tom de insatisfação. — Não pode apenas pegá-la de volta?
— Você não entende — o rei disse. — Nenhum de vocês entende. O imperador Cortas teria tomado Mítica à força se eu não tivesse agido dessa forma. Dezenas… não, centenas de milhares teriam morrido na guerra se eu não tivesse feito minha proposta a ele.
— Ah, sim — Magnus disse. — Meu pai, o salvador de todos nós. Deveríamos construir estátuas em homenagem a ele. Uma pena já haver dezenas delas em Limeros. — Magnus arregalou os olhos. — É muita vaidade, pensando bem. A deusa Valoria não aprovaria.
— Para o inferno com a deusa e com todos os Vigilantes! — o rei rebateu. — Não precisamos da ajuda deles para nos livrarmos de Amara.
— Não esqueça Kyan — Jonas acrescentou.
O rei virou para ele.
— Quem é Kyan?
Jonas não conseguiu conter o riso.
— Adoraria ficar aqui para elaborarmos uma estratégia juntos, vossa alteza, mas cansei dessa farsa. Não vou trabalhar com você hoje, nem amanhã, nem nunca.
— Diga, vossa alteza — Felix disse devagar —, ainda está com o cristal do ar?
Gaius lançou um olhar sério.
— O cristal do ar! — a mãe dele exclamou. — Você está com ele? E não me contou?
— Estou, sim — ele respondeu.
— Onde?
— Em um lugar seguro.
Jonas tentou encarar Cleo nos olhos, mas ela parecia ocupada com uma conversa silenciosa com o príncipe. Quando se entreolhavam, o sorriso de Magnus desapareceu.
— Se for verdade, e quando eu tiver força suficiente para encontrar minha neta — a mulher anunciou —, a vitória será nossa.
Mais uma vez, Jonas riu com frieza.
— Então é esse o segredo para seu grande plano? A princesa Lucia? Acredito que ficará decepcionada quando vir a serpente fria, má e sanguinária que ela se tornou. Mas ela é uma Damora, então talvez você não se surpreenda nem se desaponte.
A senhora o observou.
— Jonas, não é?
— É o meu nome.
— Meu nome é Selia. — Ela se aproximou sem raiva no olhar ao pegar as mãos dele. — Fique conosco e ouça mais sobre nossos planos. Concordo com meu filho que, apesar de nossas diferenças, ainda podemos trabalhar juntos. Tente ver isso de modo lógico. Juntos, somos mais fortes.
Ela estaria certa?
— Não sei…
— Fique — Cleo pediu. — Por favor, pense bem, pelo menos. Por mim.
Jonas encarou seus olhos sinceros e azuis.
— Talvez.
Magnus levantou.
— Está sugerindo que os rebeldes fiquem aqui? — ele perguntou em tom acusatório para a avó. — Nesta hospedaria? É a pior ideia que já ouvi.
— Discordo — disse o rei. — Minha mãe tem razão. Podemos chegar a um acordo. Temporário. Temos o mesmo inimigo agora.
Sem saber ao certo se estava prestes a concordar ou discordar dos Damora, Jonas abriu a boca para falar mas foi interrompido por um rosnado furioso vindo da sala de convivência.
Passos foram ouvidos descendo a escada, e Taran entrou com tudo no ambiente. Em um instante, voltou o olhar furioso para Magnus.
A adaga de Jonas — aquela que o rei tinha tirado do peito — estava no chão. Jonas a viu, mas Taran também, recuperando-a num piscar de olhos e percorrendo a distância entre ele e o príncipe. Taran apontou a adaga para Magnus, mas o príncipe segurou o braço de Taran antes que ele pudesse encostar. Cleo soltou um grito estridente.
— Você está morto — Taran gritou.
Magnus se esforçou para não deixar a lâmina feri-lo, mas Taran o pegou de surpresa e a ira da vingança parecia duplicar sua força.
Então, Felix apareceu atrás de Taran, passando o braço por seu pescoço e puxando-o para trás.
— Não me faça acertar você de novo. Perdi meu pedaço de pau.
Jonas se aproximou e arrancou a adaga da mão de Taran.
— Vou matar você — Taran gritou para o príncipe enquanto Felix o arrastava para trás. — Você merece morrer pelo que fez!
Magnus não revidou. Só ficou observando o rapaz, com uma expressão séria.
— Acho que todos merecemos morrer por algo que fizemos — Jonas disse, aliviando um pouco da tensão que crescia entre o príncipe e o rebelde. — Ou por algo que deixamos de fazer.
O príncipe desfez a expressão séria e olhou incrédulo para Jonas.
— É minha imaginação ou você acabou de ajudar a salvar minha vida?
Jonas fez uma careta ao ouvir a pergunta.
— Parece que sim, não? — Ele olhou para Cleo, cuja expressão era de alívio. Com certeza, a princesa não queria ver mais sangue sendo derramado naquela noite, ele pensou. Nem mesmo o de Magnus. — Pode ser que eu esteja prestes a cometer um erro horroroso do qual me arrependerei pelo resto da vida, mas decidi aceitar essa aliança. Mas uma aliança temporária, até Amara ser tirada daqui.
Ele esperou a resposta de Ashur. A expressão do príncipe kraeshiano se manteve séria, mas ele assentiu.
— Concordo. Amara precisa perceber o que fez. Ainda que ache que estava certa, tomou o caminho errado. Farei o que puder para ajudar.
— Ótimo. — Jonas apontou para Taran, que Felix ainda segurava. — Compreendo seu luto e sua ira, mas seu desejo por vingança não tem espaço aqui.
Taran lançou um olhar feio para Jonas, segurando o braço de Felix, que apertava sua garganta como uma barra de ferro.
— Você conhecia meus motivos para vir para cá antes de sairmos de Kraeshia.
— Conhecia, mas isso não quer dizer que concordava com eles. Agora tomei minha decisão. Você não vai tentar matar o príncipe Magnus de novo. Não enquanto mantivermos essa aliança.
— Você ouviu bem com essas orelhas gastas? — Felix perguntou a Taran, a voz áspera enquanto aplicava mais força no braço. — Ou preciso repetir mais devagar?
— Abandonei uma rebelião para vir até aqui vingar meu irmão.
— Uma rebelião fadada ao fracasso antes mesmo de começar — Ashur acrescentou.
— Você não sabe.
— Sei. Não me alegra saber, mas sei. Talvez um dia o império que meu pai construiu seja destruído, mas não será logo.
— Veremos.
— Sim, veremos.
Taran lançou mais um olhar raivoso para Jonas.
— Você se uniria a eles por vontade própria?
— Sim — Jonas confirmou. — E peço que considere fazer o mesmo. Podemos precisar de sua ajuda. — Ele fez uma pausa. — Mas não me leve a mal, Taran; se tentar acabar com a vida do príncipe Magnus de novo, vou acabar com a sua.

3 comentários:

  1. Essa é a aliança mais bizarra de todas. Principalmente porque vários membros estão querendo matar um ao outro. Nic e Taran querem Magnus morto, que junto com Jonas e Cleo quer o rei sanguinário morto, que junto com todo o resto quer Amara longe de Mística e entre tudo isso o que os mantém unidos mesmo é o fato de que Nic, Magnus e Jonas amam Cleo. Genial, tudo pra dar certo, isso aí.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!