1 de setembro de 2018

Capítulo 10

CLEO
AURANOS

Cleo saiu de seu encontro secreto com Jonas cheia de determinação, o que tinha muito pouco a ver com o beijo roubado pelo rebelde.
O que não queria dizer que o beijo não tivesse sido uma forma intrigante de encerrar a conversa.
Ela podia não ser uma guerreira, empunhando uma espada pela causa rebelde, mas tinha olhos e ouvidos. Informação era poder, e o rei havia se tornado um pouco mais preguiçoso com as conversas particulares que tinha nos corredores e em cantos escuros.
Cleo ainda conhecia uma certa alcova no centro do palácio onde era possível ouvir muitos segredos interessantes. Ela costumava usar esse esconderijo com frequência para espionar a irmã e suas amigas, até Emilia flagrar Cleo xeretando e contar ao pai delas, que lhe passou um sermão dizendo para não se meter na vida dos outros.
Mas cuidar apenas da própria vida não era tão interessante. E nem útil.
Um dia depois de encontrar Jonas, Cleo se deparou com Magnus e o rei conversando nessa mesma alcova. Rapidamente se escondeu em uma abertura entre duas colunas, de onde podia espiar sem ser vista e ter uma visão clara da área em frente à sala do trono. Pendurada na parede de mármore branco, atrás de onde pai e filho estavam, havia uma tapeçaria gigantesca retratando a insígnia de Limeros — uma naja diante de um par de espadas cruzadas.
Ela pressionou as mãos contra o mármore frio e ouviu com atenção.
— Gregor, o garoto rebelde, sabe de alguma coisa — o rei disse. — Ele negou várias vezes o que contou a você em Limeros, mas sei que está mentindo.
— Não tenha tanta certeza disso — Magnus respondeu. — Ele me atacou diante de dezenas de guardas enquanto devaneava sobre os vigilantes. Pode muito bem ser apenas maluco.
Cleo prendeu a respiração. Imediatamente soube de quem estavam falando — o momento havia ficado gravado em sua memória. Gregor era o garoto que os atacara durante a excursão de casamento, alegando que um vigilante o instruíra em sonho.
Ele quase a matou — e talvez tivesse conseguido se Magnus não a tivesse empurrado, tirando-a do caminho.
Mas em vez de ordenar a execução dele ali mesmo, Magnus preferiu mandá-lo para o calabouço do palácio.
Parecia que ainda estava vivo.
Interessante.
— Ele não pode estar louco — o rei disse. — Preciso que esteja são. Ele tem uma pista, uma conexão com o Santuário. Já mandei avisar Xanthus que preciso de mais informações, mas não obtive nenhuma resposta.
— Não existe nenhuma maneira de entrar em contato diretamente com Melenia? — Magnus perguntou.
— Não acha que eu já teria feito isso se soubesse como? — Havia uma certa dureza na resposta do rei. — Fiz tudo o que ela me pediu. A estrada está terminada. Ainda assim… nada. Um silêncio prolongado, sem informações, sem orientação. Nada além de um garoto com ligações com o mundo de Melenia. E ele vai me dar respostas, juro pelo coração de Valoria que vai.
— É claro que sim, pai.
— Vou interrogar Gregor de novo mais tarde, uma última vez, e quero você ao meu lado. — O rei apertou o ombro de Magnus e olhou para ele com intensidade. — A Tétrade será minha.
A Tétrade.
Então o que o príncipe Ashur contou a Nic era verdade, Cleo pensou. O rei estava atrás da mesma magia que ela.
Com o peito apertado, Cleo quis sair correndo, mas assim que se virou, se interrompeu.
Cronus estava alguns metros atrás dela, uma montanha com os braços cruzados diante do peito largo. Ela não conseguiu abrir a boca, não conseguiu recorrer à habilidade de dizer algo espirituoso ou amável.
Cronus a pegou pelo braço e a arrastou pelo corredor, apertando-a com força. Já haviam percorrido uma boa distância quando ela finalmente recuperou a voz.
— Para onde está me levando? — ela disse, lutando em vão para se soltar.
— Fique quieta.
— Como ousa? Tire as mãos de mim agora mesmo. — Ela tentou com todas as forças parecer autoritária, um membro da realeza. Alguém que um guarda, até mesmo um capitão, deveria obedecer.
Mas sabia que não podia enganá-lo.
Em um silêncio sepulcral, Cronus não conversou com ela nem fez ameaças. Foi até uma porta, abriu-a e a jogou lá dentro. Bateu a porta com força, deixando-a na escuridão.
Aos oito anos, Cleo havia tido uma babá muito cruel que, quando ela não se comportava tão bem quanto Emilia, a trancava em quartos escuros e dizia que os demônios das terras sombrias viriam castigá-la. Quando seu pai ficou sabendo, dispensou a mulher e a expulsou do palácio, proibindo-a de voltar. O próprio rei a tirou da escuridão e a pegou nos braços, prometendo que estava segura, que nenhum demônio jamais a machucaria.
Cleo tinha medo do escuro desde então.
— Coragem — ela sussurrou para si mesma, andando de um lado para o outro naquele pequeno espaço. — Seja forte.
Depois do que pareceram horas, ela secou as lágrimas que escorriam pelo rosto e ficou em silêncio, esperando pelo que o destino reservava.
Finalmente, a porta se abriu. Ela levantou o queixo, cerrou as mãos em punhos e tentou ficar calma diante da ira do rei.
Mas não era o rei que estava na porta. Era Magnus. Com Cronus bem atrás.
O príncipe olhou para dentro do cômodo.
— Está muito escuro aqui.
Cronus abriu uma pequena janela, deixando entrar um pouco da luz do sol, e usou uma tocha para acender três lamparinas presas às paredes.
— Deixe-nos a sós — Magnus disse.
— Sim, alteza.
A porta se fechou assim que o guarda saiu.
Cleo não sabia por que estava tão surpresa em não ver o rei. Afinal, por que Gaius lidaria com ela pessoalmente? É claro que mandaria seu herdeiro, seu discípulo mais leal.
O marido dela.
Ela não conseguia respirar.
— Ouviu alguma conversa interessante ultimamente? — Magnus perguntou.
— Não sei do que está falando. — Ela tentou parecer arrogante, embora não se sentisse nem um pouco superior. — Aquele brutamontes me arrastou até aqui e me trancou como uma prisioneira qualquer. Exijo que seja punido!
— Exige, é? — Magnus cruzou os braços e encostou na parede perto da porta, com o rosto meio encoberto pelas sombras. — Você deveria agradecer Cronus por ter me alertado, e não ao meu pai, sobre sua indiscrição.
Ela nunca admitiria que estava espionando. Fazer isso seria equivalente a assinar a própria sentença de morte.
— Não fiz nada de errado.
— Tenho certeza de que não acredita nisso de verdade.
Infelizmente, Cleo sabia que Magnus não a considerava uma princesa jovem e tola, incapaz de qualquer mal, como a maioria dos demais.
— Não escutei nada interessante.
— Não importa o que você pode ou não ter escutado. Se meu pai soubesse que estava espionando nossa conversa, daria um jeito de garantir que suas lindas orelhas nunca mais ouvissem nada.
O estômago dela ficou embrulhado. Não duvidava de que o rei impiedoso ordenasse essa punição e não acreditava valer muito aos olhos dele, principalmente agora que a excursão de casamento havia chegado ao fim.
— E o que você prefere? Um simples espancamento, talvez?
— Você é tão prestativa em dar sugestões.
Cleo precisava sair do quarto escuro do desespero de qualquer maneira. Uma pessoa bloqueava sua passagem para a liberdade — para a esperança e as possibilidades — e a analisava com mais curiosidade do que acusação. Talvez ela pudesse tentar usar essa curiosidade para sair dali ilesa.
— Não posso fazer nada se seu pai opta por conversar em um lugar aberto — ela disse. — Eu não estava agachada dentro de um armário em um cômodo privado. Vocês estavam no corredor. Eu estava passando e sabia que, se aparecesse enquanto estavam no meio de uma discussão tão intensa, o rei ficaria zangado.
— É claro. O que mais você poderia fazer além de ficar escondida nas sombras e escutar?
Cleo não podia ceder ao medo. Não era uma garota comum de dezesseis anos. Era uma princesa. Uma rebelde. E podia assumir o controle dessa situação. Nem tudo estava perdido.
Precisava desestabilizar Magnus. E acreditava saber o que dizer para fazê-lo perder aquele equilíbrio cuidadoso.
— Eu não sabia que você acreditava em magia — ela disse.
Magnus piscou, surpreso.
— O que a faz pensar isso?
— Conversas sobre lendas não costumam acontecer entre quem se considera muito civilizado para assuntos tão triviais.
Magnus suspirou e se apoiou na parede, talvez para parecer entediado e inabalado.
— Você tem talento para falar em códigos. Prefiro palavras mais diretas.
— Então precisa encontrar a princesa Amara. Ela se orgulha da falta de delicadeza.
— Nossos visitantes kraeshianos são irrelevantes para esta discussão. — Ele inclinou a cabeça e intensificou o olhar, como se aquilo fosse ajudá-lo a desvendar os mistérios de Cleo. — O que sabe sobre a Tétrade, princesa?
Aquela palavra sempre fazia seu coração parar por um segundo.
— Nada.
— Nossa, você respondeu rápido. Rápido até demais. O que me faz pensar que, na verdade, sabe muita coisa. Principalmente se considerarmos os livros que tem lido nos últimos tempos. Livros sobre magia, bruxas e vigilantes.
— E feiticeiras — ela acrescentou, observando com cuidado a reação dele e vendo apenas um leve piscar de olhos escuros.
— Permita-me um conselho, princesa — Magnus começou a dizer. — Independentemente de qual seja o interesse de meu pai, é melhor se afastar. Ele está obcecado com lendas e buscas por tesouros que podem ou não existir. E não gosta de compartilhar.
A confirmação fez um arrepio percorrer o corpo de Cleo.
— Nunca achei que gostasse.
— Ótimo.
E, com isso, a expressão dele ficou vazia. Ela sabia que não conseguiria arrancar mais informações dele naquele momento. Mas era o suficiente por enquanto.
— Posso ir agora? — ela perguntou em voz baixa.
— Ainda não. — Magnus a analisou por um instante desconfortável antes de voltar a falar. — Tenho mais uma pergunta.
— Pois não? — disse, temendo o que viria em seguida.
— Por que está tentando ficar amiga de minha irmã?
— Porque gosto dela — Cleo disse sem pensar, pega de surpresa pela pergunta.
— Você está mentindo.
A raiva emergiu de dentro dela.
— Não estou mentindo.
— Não acredito que você possa gostar de Lucia. Ela é uma Damora e, consequentemente, sua inimiga.
— Ela é diferente.
Magnus passou os olhos por Cleo como se a revistasse e esperasse encontrar outra adaga nupcial kraeshiana escondida atrás dela.
— Você me odeia, odeia meu pai, odeia tudo o que tem a ver com Limeros. Lucia é parte disso. Acha que acredito que é como outra garota qualquer, querendo fazer amigos, frequentar banquetes e rir com as amigas? Talvez tenha sido um dia, pouco tempo atrás, mas não mais. Tudo o que faz, tudo o que diz, contribui para seu objetivo de nos destruir.
O marido era muito mais observador do que ela gostaria. E a estava fazendo perder a compostura, a sensação de controle. Emoções conflitantes brotavam em seu peito rápido demais para contê-las.
— Você não sabe nada ao meu respeito.
— Errado. Sei tudo ao seu respeito. Seu ódio alimenta você, fornece determinação. Posso ver em seus olhos neste exato momento. — Ele ficou em silêncio por um instante. — Não me leve a mal, entendo por que me odeia tanto.
A última coisa sobre a qual queria falar era isso, de novo, com ele, mas ainda assim as palavras se adiantaram; a dor infinita em seu coração precisava ir para algum lugar porque mantê-la dentro do peito a estava destruindo.
— Você matou Theon.
A expressão dele se modificou.
— Não tenho como mudar isso.
— Também estava presente quando o rei, seu pai, matou Mira. Ela era inocente. Inofensiva. Você podia ter impedido. — Dessa vez ela o fez recuar. Estava envergonhado. Dava para ver em seus olhos.
— Quer citar mais alguém, princesa? Vamos lá. É saudável descarregar a dor em quem a causou. Eu aguento.
— Você matou Aron. Mais uma prova de que destrói todos que estão no seu caminho, sejam merecedores ou não. — As palavras eram contidas, mas cheias de ódio.
— O que disse? — A voz dele estava igualmente calma, mas agora havia perigo no tom.
Cleo de repente se deu conta daquele erro.
Ninguém além de Jonas poderia ter contado sobre a morte de Aron, e Magnus não podia saber que ela o vira ou falara com ele. Ela precisava se recompor. Escutar uma conversa era uma coisa, mas se encontrar em segredo com um rebelde era outra bem diferente.
— Bem… pode muito bem ter matado. Aron era inexperiente. Você sabia muito bem disso. O rei o colocou em uma posição importante. Ele era vaidoso e idiota e não se deu conta de que não tinha nenhuma chance no campo de batalha. Não estou dizendo que o tenha matado pessoalmente
Magnus chegou mais perto, pressionando-a contra a parede e encarando-a com um olhar tão penetrante que bastava para prendê-la ali. Ele chegou tão perto que Cleo pôde sentir o cheiro do vinho doce em seu hálito. Até onde sabia, Magnus nunca tinha bebido. Não havia tomado nem um gole durante toda a excursão de casamento. Mas, desde o retorno da batalha nas montanhas, seus hábitos pareciam ter mudado.
— Não, princesa — ele falou. — É exatamente isso que está dizendo.
— Você é paranoico.
— Acha que matei Aron? É uma acusação e tanto. Por que eu perderia meu tempo matando um pavãozinho pomposo como seu ex-noivo? Para mim, ele não passava de sujeira sob minhas unhas.
— Aron era insignificante — ela concordou.
— Totalmente. Era um auranianozinho miserável, não que eu tenha qualquer auraniano em alta estima. Mas suponho que a maioria não caia de joelhos para lamber as botas de seu conquistador. Pelo menos não tão rápido quanto aquele ex-vassalo. Obedecendo todas as ordens, sempre com um sorriso presunçoso no rosto. Sempre em frente, independente de quem fosse ferido ou morto.
Um músculo se contraiu no rosto de Magnus, que desviou o olhar de Cleo, mas não antes que ela visse um raio de dor em seus olhos.
Eram momentos como aquele que a deixavam mais confusa em relação ao príncipe. Era tão inesperado ver dor em um rapaz tão frio, responsável por todas as façanhas monstruosas que a faziam odiá-lo. Mas um verdadeiro monstro não deveria ser capaz de sentir dor dessa forma.
E também havia a questão de Aron. Segundo Jonas, ele havia matado a rainha. Mas por que teria feito algo tão inesperado e detestável?
Poderia… ter sido por ordem do rei?
A ideia a deixou sem ar. Mas por que o rei desejaria que sua esposa, sua rainha, fosse assassinada?
Não fazia sentido. Não mesmo. Ainda assim, de certa forma, essa peça parecia se encaixar naquele quebra-cabeça terrivelmente confuso.
Embora centenas de perguntas queimassem em sua língua, Cleo se manteve em silêncio. Não era tola o bastante para transformar suspeitas tão perigosas em palavras. Não naquele momento. Não ali. E não com o príncipe imprevisível e intimidador que estava diante dela.
Agir como uma vítima encurralada não lhe faria justiça. Não estremeceria diante dele, nunca. Não imploraria. Havia se tornado uma rebelde no dia em que Gaius roubara seu reino e matara seu pai. Cada pensamento, cada objetivo, cada necessidade gritava por rebelião.
— Basta — ela resmungou. — Você já disse tudo o que tinha para dizer e me intimidou o quanto quis. Conte ao rei sobre meu suposto crime ou me solte agora mesmo.
Magnus a analisou com calma, com uma expressão dura e indecifrável, apesar da tempestade que enfurecia seus olhos escuros.
— Muito bem, princesa. Mas me permita fazer um alerta. Se for pega espionando de novo, Cronus a levará direto para o rei. E deixarei que faça isso. Com prazer.
Ele saiu do cômodo e fechou a porta, deixando-a sozinha. Com o coração na garganta, Cleo esperou Cronus voltar para lhe dar mais algum castigo.
Mas ele não veio.
Finalmente, tentou abrir a porta e viu que não estava trancada. Saiu pelos corredores até encontrar uma criada, a quem pediu para procurar Nerissa e mandá-la aos seus aposentos.
Pouco depois, Cleo chegou em segurança ao seu quarto, e Nerissa apareceu.
— Vossa alteza queria falar comigo?
Cleo levantou e ficou olhando para a garota que usava um vestido simples e cinzento de criada, parada perto da porta. Da última vez que vira Nerissa, seus cabelos estavam longos e viçosos. Agora estavam bem curtos e ásperos, deixando-a totalmente diferente, muito mais simples do que a costureira que a levara direto para a armadilha de Jonas. Ainda assim, não dava para negar o quanto era bonita. Seus traços carregavam uma beleza exótica que revelavam suas origens de uma terra distante.
O rosto de Nerissa não expressava medo, mas ficou tenso quando Cleo se aproximou. A princesa se perguntava se Jonas conhecia bem aquela garota e o quanto ficaria grato a alguém disposta a colocar a própria vida em perigo para ajudá-lo.
Ela esperava sentir ciúmes, mas, em vez disso, sentiu apenas curiosidade sobre como seria viver como Nerissa, assumindo o papel de criada apenas para honrar a aliança à causa rebelde.
Mas não havia mais tempo para refletir sobre a garota.
— Foi você quem colocou a mensagem de Jonas no meu caderno de desenho.
— Sim, alteza. — Nerissa não parecia nada surpresa em ser confrontada.
— E me disseram que você pode enviar mensagens a ele. É verdade?
— É sim, alteza. — Ela olhou direto nos olhos de Cleo.
Cleo analisou o rosto da menina, procurando qualquer sinal de fingimento.
— O que está disposta a fazer para ajudar a rebelião? Para derrubar o rei?
— Qualquer coisa. — Nerissa não hesitou. — E vossa alteza?
— Também. — Ela nunca havia dito uma palavra tão verdadeira em toda sua vida. Parecia a coisa certa a dizer, em especial a alguém que logo passou a considerar uma aliada de confiança.
— Sempre que precisar de mim, como mensageira ou qualquer outra coisa, saiba que estarei aqui. — Nerissa estendeu o braço e apertou as mãos de Cleo, abrindo um sorriso inesperado. — Terá o seu trono de volta muito em breve, vossa alteza. Juro pela deusa que terá.
Então ela se foi. Cleo se aproximou da janela e olhou para fora, na direção das muralhas da cidade e das terras verdejantes que se estendiam além.
Seu adorado lar, roubado por seus inimigos.
Ela jurou que logo o teria de volta.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Se você não tem conta no Google e quiser comentar, utilize a opção Nome/URL e preencha seu nome/apelido/nick; o URL pode deixar em branco.

Boa leitura, E SEM SPOILER!