11 de setembro de 2018

9 - Jejum e fome

Quando nos rematerializamos no que eu passara a ver como o nosso tempo, Anamika afastou-se de mim tão violentamente que tropeçou e quase caiu. Cerrei o cenho. Com certeza eu não a tinha machucado. O peito dela arfava, seus olhos estavam brilhantes e ela me fitava como se eu fosse um estranho — um estranho que a tinha traído.
— Quem era ela? — perguntou Anamika. — Me diga, Kishan. Você sabia desse... desse relacionamento?
— Eu... Não. Eu não sabia que Sunil e Nilima estavam se apaixonando.
— Nilima? — Ela cuspiu o nome. — Quem é essa garota?
Erguendo a mão e mantendo a calma, eu disse:
— Você ia gostar dela, Ana. Ela é minha... minha irmã, de certa forma. Nilima é tatatatatataraneta de Kadam. Não tenho muita certeza de quantas gerações há entre nós, mas ela conhece nosso segredo. Eu confio nela. Você também deveria.
— E como posso confiar? — disse ela, os lábios tremendo. — Você nunca a mencionou. Kadam tampouco.
— Desculpe. Acho que nenhum de nós pensou que vocês teriam a oportunidade de se encontrar.
— Ela ao menos gosta dele?
— Deve gostar. Nilima não é namoradeira. Ela não deixa os homens se aproximarem. Obviamente, isso não se aplica a Sunil. Eu os observei na recepção. Eles dançaram juntos como um planeta e sua lua. — Fechei os olhos e suspirei. — Você não conhece os planetas — murmurei, e então continuei, explicando: — Eles correm atrás um do outro como pássaros na primavera.
Ela cruzou os braços diante do peito e zombou:
— Sunil nunca se comportou como um pássaro na primavera e ele se recusa a dançar.
— Agora ele dança — repliquei. — É isso que o amor faz. Ele turva o pensamento do homem.
— Então o que ele faz com as mulheres?
— A mesma coisa.
— Bem, eu jamais me rebaixaria a tal exibição.
— Você pode não se importar tanto. Se for com a pessoa certa, é claro.
Meus ombros tensionaram por um momento quando imaginei que tipo de homem capturaria o interesse de Ana. Eu teria de me certificar de que ele fosse digno de uma garota assim. Ela era crédula e inocente demais para que eu permitisse que tomasse esse tipo de decisão sozinha.
Vasculhei a mente, tentando me lembrar de alguma história de Durga que aludisse a um companheiro, mas eu não era um erudito como Kadam. Além disso, não tinha muita certeza de que Anamika, a garota, e a Durga das histórias fossem iguais. Ana era uma garota de carne e osso muito real. Era tão diferente das histórias que eu ouvira quando criança...
A garota de carne e osso muito real interrompeu meus pensamentos:
— Então, supostamente, esses beijos indicam a afeição que um sente pelo outro?
— Em geral, é assim que funciona — respondi com uma leve risada.
— Não tenho tanta certeza quanto você a respeito disso.
Eu podia ouvir a mágoa ecoando em sua voz. Ela estava trêmula, ali parada. Eu não sabia o que fazer. Isso a estava afetando muito mais do que eu achava que deveria. A despeito de minhas reservas, resolvi usar minha conexão com ela para descobrir o que havia de errado. Gentilmente, abri minha mente para a dela a fim de mostrar minhas lembranças de Nilima, pensando que, se ela visse Nilima e a compreendesse, talvez aprendesse a aceitar o apreço de Sunil pela garota.
Em vez da pacífica camaradagem que tipicamente partilhávamos, fui bombardeado no momento em que fiz a conexão. O caos das emoções de Ana quase me fez cambalear. Nunca soubera que a deusa podia se mostrar tão descontrolada. No limite. Sua mente estava tempestuosa, com pensamentos e emoções sombrios, assustadores. Que ela não os estivesse escondendo de mim era prova de como ver o irmão a afetara.
Comecei com as mais fáceis, imaginando lidar com as mais profundas depois. Na superfície, Ana odiava ter se separado de Sunil. Disso eu já sabia. Ela ansiava por saber o que ele estava fazendo ou se estava feliz. Mais do que qualquer coisa, queria ter o irmão a seu lado. Ele a reconfortava de um jeito que eu não parecia capaz de fazer. Aproximar-me dela era problemático, não que eu tivesse me esforçado muito. Encolhi-me quando me dei conta de como ela precisava de alguém em quem confiar.
Ela acabou por perceber o que eu estava fazendo e bloqueou seus pensamentos, mas ainda ousou examinar os meus, em busca de Nilima. Mostrei-lhe quão corajosa e forte era Nilima. Como havia cuidado de todos nós e administrado uma empresa praticamente sozinha. Mostrei-lhe uma ocasião em que Nilima me fizera um sermão por eu estar sentindo pena de mim mesmo e me dissera que, se eu não levantasse meu eu tigre do chão e saísse, ela ia me pendurar pelo rabo e me bater como se eu fosse um tapete. Concentrei-me nas horas e mais horas que Nilima havia passado a meu lado, pacientemente me ensinando sobre o mundo moderno.
— É o que ela provavelmente está fazendo com Sunil agora — eu disse. — Ela é uma boa professora. Muito paciente conosco, criaturas deslocadas.
O belo rosto de Ana ficou mortificado e ela baixou a cabeça, lágrimas escorrendo pelas faces. Suas emoções dispararam novamente e eu interrompi o desfile das lembranças de Nilima. Quase sem pensar, dei um passo em sua direção e toquei com a ponta dos dedos o rosto molhado de lágrimas. Nossa conexão era mais forte quando nos tocávamos.
Tentei acessar sua mente outra vez, para compreender o que ela estava passando. Havia uma escuridão em seus pensamentos, um lugar esvaziado. Inclinando a cabeça, forcei a barra e então pisquei, atordoado, quando Ana pressionou a mão sobre a minha.
— Não — disse ela, me fitando no fundo dos olhos. — É longe demais.
Seus cílios escuros estavam molhados de lágrimas.
— O que é que você está escondendo? — perguntei.
— É pessoal, Kishan. Não me peça que lhe mostre aquelas lembranças.
— Tem a ver com aquele homem? O que você tentou enfrentar? O que ele fez, Ana?
Eu podia imaginar, mas me agarrava a uma tênue esperança de que estivesse errado. Então fiz uma pausa e ponderei. Estava claro para mim que, qualquer que fosse a razão da tristeza que ela estava escondendo, ela fora acionada pelo que vira entre Sunil e Nilima. Eu queria respostas. Queria ajudar. Mas também queria que ela confiasse em mim. Quando eu precisara de espaço, traçara uma linha e ela recuara. Oferecer a ela a mesma gentileza era o mínimo que eu podia fazer.
— Muito bem — falei. — Mas me diga uma coisa: você não quer que Sunil encontre a felicidade?
Ela suspirou e afastou-se de mim. Então virou-se de costas, rompendo nossa conexão mental e se fechando.
— É claro que quero que ele seja feliz — retrucou suavemente.
Estrelas ardiam gélidas no alto, perfurando o veludo da noite e tocando os ombros nus de Ana, de onde meu paletó havia escorregado. Ele pendia embolado em torno de seus braços. Ela estremeceu delicadamente e eu ergui o paletó, ajeitando-o em seus ombros de novo. Anamika puxou as beiradas do paletó, fechando-o na frente do corpo, e sentou-se na borda da fonte que jorrava, alheia ao fato de que a água estava deixando manchas molhadas em seu vestido de seda.
Os insetos que zumbiam no jardim soavam melancólicos, quase como se ecoassem o humor da deusa.
— Por que você foi até lá? — indagou ela. — Você perguntou se eu queria que Sunil estivesse feliz. Eu pergunto o mesmo a você em relação a Kelsey e Ren.
Não respondi de imediato e sentei-me a seus pés. Tocando a bainha de seu vestido, senti a magia do Lenço Divino zumbindo ao longo dos dedos.
— Por favor, transforme minhas roupas e minha aparência, fazendo com que voltem ao normal — pedi.
Quando o sussurro dos fios cessou, alonguei as costas, girei o pescoço de um lado para outro e corri a mão pelos cabelos. Era bom me sentir eu mesmo outra vez.
— Você queria se magoar indo vê-los? — insistiu ela. — Se queria causar dor a si mesmo, tenho armas à disposição.
Dei uma rápida olhada para ela e flagrei um breve sorriso. Ela estava me provocando, mas, ao mesmo tempo, me oferecia algo de que eu precisava. Perguntei-me se teria sido nossa conexão que lhe dera essa ideia ou se ela simplesmente intuíra. Resmungando, eu disse:
— Talvez treinarmos juntos possa ser uma boa distração. Vamos começar amanhã, se estiver de acordo.
Treinar com ela ajudaria a pôr para fora parte de minha energia incansável. Eu não havia treinado com ninguém desde Kelsey e, apesar de suas habilidades, Kelsey estava basicamente no nível iniciante, muito abaixo de mim para oferecer qualquer tipo de desafio.
A dificuldade com Kelsey estava em manter minha mente e minhas mãos concentradas na tarefa e não em beijá-la ou abraçá-la. Não havia qualquer surpresa com Kells, pois fora eu quem lhe ensinara tudo que ela sabia. Descobri que estava curioso para testar as forças e fraquezas de Ana e, na verdade, estava ansioso para confrontar nossos talentos.
Ana assentiu.
— Agradeço sua ajuda em manter minhas habilidades de luta afiadas. Mas você está se esquivando da minha pergunta.
Em lugar de responder, fiz uma pergunta a ela:
— Você o amou? É a Ren que me refiro.
— Conheço muito pouco do amor — disse ela. — Eu me sentia à vontade com Ren. Ele era... cortês comigo.
— Cortês?
— Sim. Ele não quis me cortejar, como outros homens. Já falei isso antes.
— Ah, sim, você gostou de ele não ter ficado bajulando você ou exigindo um relacionamento físico. — Fiquei paralisado quando um pensamento me veio à mente. — Outros homens a pressionaram, então? — perguntei.
Isso não deveria me espantar. Anamika era muito bonita. Era natural que homens a tivessem desejado. No futuro eu teria de ser mais vigilante quanto a isso. Talvez homens até a estivessem assediando enquanto eu me martirizava na selva durante todos aqueles meses. Eu teria de agir melhor daqui para a frente por causa dela.
— Alguns tentaram. Nenhum teve sucesso — disse ela.
— Ótimo. — Deixei escapar um suspiro e ela ergueu uns olhos perspicazes para mim. Dobrei os joelhos e os abracei. — Você nunca se apaixonou, então, Ana?
— Não. Não vejo nenhum propósito nisso.
— Seus pais se amavam?
— Meus pais cuidavam um do outro — admitiu. — Foi uma união arranjada e eles pareciam não concordar em nada, mas, com o passar do tempo, respeito e afeto se desenvolveram entre eles.
— Entendo. O motivo de minha pergunta — expliquei — é que meus pais foram muito felizes juntos. É algo que desejo para mim.
— E você queria isso com Kelsey.
— Sim.
— Ren também deseja esse relacionamento? — perguntou ela.
— Sim.
— Então você os estava observando para determinar se o sentimento de um pelo outro é genuíno? Você acha que pode ter sido um erro ficar aqui como tigre e deixar Ren partir.
Meu queixo caiu. Ela acertara em cheio.
— De certa forma — repliquei.
Ana mordeu o lábio inferior enquanto pensava. Ela não estava tentando prender minha atenção ao fazê-lo e, no entanto, eu me vi atraído assim mesmo.
— Muito bem — disse ela por fim. — Antes de continuarmos a cumprir a lista de Kadam, vamos determinar se aqueles que amamos estão felizes em seus relacionamentos.
— E se concluirmos que não estão?
— Então discutiremos o plano de ação a seguir. — Ela virou-se para me fitar. — Mas vamos fazer isso juntos, Kishan.
— Estou de acordo — assenti.
Se ela iria me seguir por aí de qualquer jeito, então era melhor que eu a orientasse em suas futuras escolhas de roupa.
Estávamos prestes a discutir o que faríamos primeiro quando um soldado apareceu na entrada do jardim.
— Deusa! — O homem correu em nossa direção e se ajoelhou aos pés dela. — Que bom que finalmente a encontrei.
— O que foi, Bhavin?
— Um mensageiro veio até aqui com uma necessidade urgente. Há uma aldeia na base de uma montanha perto do encontro de dois rios. Eles estão sitiados pelo senhor das terras e pedem a sua ajuda.
— Onde está esse homem? — perguntei.
— Ele... ele morreu. Estava gravemente ferido, Deusa.
— Damon? — chamou ela, dirigindo-se a mim formalmente. — Há trabalho a fazer. Suponho que o tempo para o treino já passou. Em vez disso, vamos afiar nossas habilidades desafiando os inimigos.
Assentindo, pus o amuleto em seu pescoço, levantando-lhe os cabelos com cuidado para que o cordão não embolasse neles, e então me transformei em um tigre negro. Bhavin era um guarda de confiança e servia a Anamika desde antes da batalha com Lokesh. Ele nos conhecia como nós mesmos assim como sob a identidade da deusa e de seu tigre. Enquanto eu observava, Anamika transformou-se na deusa Durga com todos os seus oito braços. Sua armadura de batalha surgiu ao mesmo tempo que a minha. Placas douradas cobriram-me as patas e o peito e uma sela materializou-se em minhas costas.
As armas de Durga irromperam pela porta aberta, uma perigosa massa de projéteis afiados que voaram para seus braços estendidos. Ela os pegou com facilidade, agarrando cada um no ar, embora tenham chegado simultaneamente, a maior parte com a lâmina para cima. O Fruto Dourado disparou em nossa direção também e ela o enfiou em uma bolsa de couro na lateral de minha sela. Em seguida veio o kamandal, que ela amarrou em torno de meu pescoço. Anamika prendeu algumas das armas e manteve outras seguras em uma de suas muitas mãos.
Seus cabelos, soltos, caíam-lhe pelas costas e seu olhar de guerreira era feroz. Mantínhamos o amuleto conosco o tempo todo e, como tínhamos acabado de viajar, também estávamos com a Corda de Fogo, que Anamika havia usado como cinto, e o Lenço Divino. A última coisa de que precisávamos bateu no pé descalço dela. Abaixando-se, Anamika disse:
— Aí está você.
Quando a deusa estendeu um braço, a cobra dourada enroscou-se e acomodou-se nele. Fanindra nunca se mantinha como joia quando a deusa executava seu trabalho, parecendo preferir ficar em sua forma de cobra. Anamika não se incomodava em ter uma cobra viva no braço, como acontecia com Kelsey.
Fanindra com frequência ficava para trás, no quarto de Ana, mesmo quando partíamos para ajudar alguém. Era quase como se soubesse que não seria necessária. Na maior parte do tempo a encontrávamos enroscada e dormindo à luz do sol na janela de Ana. Raramente ela nos honrava com sua presença. Anamika acariciou a cabeça de seu bichinho de estimação e a cobra se acomodou, a língua projetando-se para fora enquanto ela me olhava com seus olhos de joias.
Ana então parou a meu lado, pousou a mão em meu pescoço e canalizou o poder da deusa. Dezenas de imagens passaram em grande velocidade diante de nós. Gritos e preces, morte e destruição assaltaram nossos sentidos. Ambos cambaleamos com o impacto. A princípio, tentamos examinar rapidamente os pedidos para ver qual precisava ser atendido primeiro, mas aprendemos que as súplicas mais altas nem sempre são as que precisam de ajuda mais urgente.
Logo depois que ela aceitara o papel de deusa, tínhamos descoberto que o poder que Kelsey e Ren haviam exercido, o poder antes partilhado entre um par de deusas e tigres, recaíra sobre nós completamente. Recebemos todo ele. Como resultado, cada prece proferida em cada templo, independentemente da década, inundava nossos sentidos. Era preciso um esforço monumental para desligar o poder, mas descobrimos que conseguíamos fazer isso juntos. Tornar a ligá-lo era como romper uma represa. Sintonizamos o poder novamente de modo a somente os mais necessitados, as súplicas mais frequentes, chegarem à superfície.
— Temos sido relapsos com nossos deveres ultimamente, Damon.
Temos, repliquei em minha mente.
Erguendo a Corda de Fogo, Anamika girou-a em um círculo e um portal abriu-se diante de nós. Quando ele se estabilizou, ela subiu em minhas costas e eu corri adiante, saltando pela abertura.
Aterrissamos com um baque pesado em uma trilha batida e disparei em direção à cidade. A fumaça se encapelava acima de nossas cabeças à medida que soldados ateavam fogo aos telhados de palha. Ana usou o lenço para chamar os ventos. O lenço se enfunou atrás de nós, tremulando e sacudindo-se, ficando tão grande quanto um daqueles balões de ar quente que eu vira na televisão. Ana não precisou nem mesmo segurá-lo à medida que o ar se precipitava em direção à bolsa que se formara, enchendo-a até quase explodir. Então, com um desembaraço maior do que eu ou Kelsey demonstramos antes, Ana fez um movimento com a mão e disparou terríveis rajadas, que apagaram os incêndios.
Com grandes saltos, desviei-me de soldados caídos cobertos pelo vermelho-ferrugem do sangue seco. Tínhamos adentrado a batalha quando o clamor das preces já era um cheiro queimado na brisa e o dia se tingia com as primeiras cores da noite púrpura, que se espalhavam pelo céu como contusões sob a pele. A fumaça que pairava sobre o chão como uma névoa fina fazia arder meus olhos e narinas.
Quando enfim alcançamos as pedras irregulares e as construções arruinadas que pareciam dentes quebrados, eu soube que tínhamos chegado tarde demais. Sangue fresco salpicava o chão como tinta. Encontramos soldados em pleno ato de violência gratuita. Crianças e bebês haviam sido chacinados, assim como os velhos e os enfermos.
Pressenti alguns sobreviventes escondendo-se nas sombras das casas ainda não devastadas, mas a aldeia estava cercada. Não haveria como fugir. Minhas patas deslizaram no lodo da morte e cravei as garras e rugi. Isso fez com que toda atividade fosse completamente suspensa.
Só levou um momento para que os sussurros de reconhecimento se transformassem em puro horror. Muitos soldados largaram suas armas e fugiram em disparada para dentro da noite que caía. Correram como os ratos de um ninho descoberto, precipitando-se todos na direção do buraco mais próximo — uma agitação de botas, couro estalando e cascos. No entanto, muitos ficaram. Eles lamberam os lábios e voltaram uns olhos febris para a linda deusa. Rosnei, rangendo os dentes e abocanhando o ar.
Durga ergueu-se de minhas costas e elevou-se ao céu. Pairando acima de mim, seu corpo era mantido ereto por um colchão de ar. Relâmpagos crepitavam na ponta de seus dedos. Sua sombra dançava na fumaça dos incêndios que haviam consumido casa após casa da aldeia. Em seus olhos vi a fúria crua e brasas ardentes. Com um grito, ela evocou o poder do raio uma vez manejado por Kelsey e atacou, neutralizando a primeira leva. Um trovão sacudiu o chão e muitos caíram, mas outros correram, avançando para a batalha.
Com habilidade, ela aterrissou de pé a meu lado e demos início à nossa dança mortal, derrubando um soldado após outro. Os mercenários contratados a enfrentaram espada contra espada e espada contra tridente, mas ela era excessivamente letal, espetacular demais para que alguém levasse vantagem. Aqueles que chegavam perto logo aprendiam que Fanindra era por si só uma força. A cobra dava botes e picadas mortais.
Anamika lutou contra seis, sete homens de uma vez, abaixando-se, desviando-se e movendo os braços e o corpo de tal forma que tudo que eu queria fazer era me sentar no campo de batalha sangrento e observá-la, mas eu tinha meus oponentes para enfrentar. A pilha de corpos em torno dela foi crescendo, alguns esquartejados, outros picados, outros apunhalados.
Quando os corpos começaram a atrapalhá-la, ela elevou-se no ar e levitou até uma nova posição, permanecendo sempre perto de mim. Eu deveria me sentir fragilizado, sabendo que ela estava me protegendo tanto quanto eu a protegia, mas também me sentia orgulhoso por ser o companheiro de uma guerreira tão formidável.
Um homem afastou-se de mim rodopiando, seu peito vertendo sangue. Outro agarrou as próprias entranhas que se derramavam depois que o rasguei com minhas garras, enquanto um terceiro gritou quando abocanhei seu pescoço. Seus gritos foram interrompidos por um gorgolejo quando quebrei sua espinha. Saltando no ar, caí sobre mais um homem, esmagando-o com meu peso, então fiz a volta e fui até Anamika para investir contra as pernas de dois sujeitos que a atacavam.
Pude ver o momento em que suas naturezas violentas se voltaram para dentro deles. O medo que haviam infligido arreganhou os dentes para os dois e os mordeu, amolecendo sua determinação e seus joelhos. Mordi o braço de um que tentava escapar e sua arma caiu no chão, inútil. Então Ana atingiu-lhe o braço com a espada, decepando-o. Ele gritou e agarrou o coto de onde o osso exposto se projetava.
Apesar de nossos esforços, parecia haver uma fonte inesgotável de oponentes buscando a própria morte. Nós os derrotamos, um a um, mal sofrendo um ferimento, salvo um dos braços de Ana, que, de alguma forma, foi atingido através da armadura. Seu sangue jorrava livremente de um corte que alguém, em um golpe de sorte, conseguira lhe infligir.
A ideia de que um soldado havia passado por minhas defesas me enfureceu, e investi com ímpeto renovado. Ataquei repetidamente com o poder em estado bruto, abatendo homens com dentes e garras. Eu era uma perfeita arma letal envolta em pelo. Lutamos juntos, nossos movimentos uma dança fluida. Minha única tristeza era que eu queria poder lutar ao lado dela como homem. Embora me agradasse lutar como tigre, gostaria de encarar meus inimigos como fizera tanto tempo atrás. Me imaginei junto a Ana, minhas costas contra as dela enquanto derrotávamos todos os nossos oponentes.
Finalmente, a batalha terminou. Ana ficou ali parada, arfando. Nem mesmo a sujeira e o sangue em seu rosto comprometiam a beleza de suas feições. Alguns poucos foram inteligentes o bastante para escapar, mas não valia a pena persegui-los. Tínhamos matado o líder, o que começara o problema. Um homem ganancioso.
Tínhamos descoberto que os aldeões extraíam minério da montanha. Era uma renda escassa para eles e, no entanto, o senhor das terras não estava feliz com seus ganhos. Ele decidiu punir a aldeia para servir de exemplo às outras sob seu domínio. Não fosse pelo grito dos crentes, não teríamos nem sabido aonde ir. O mensageiro poderia estar falando de qualquer montanha, qualquer aldeia. Foi sorte termos encontrado o lugar certo.
Durga reuniu os sobreviventes e ergueu os braços para o céu, a fim de fazer cair a chuva confortadora. Gotas doces e robustas atingiram a terra flagelada pela guerra. Quando os incêndios foram afinal contidos, avaliamos o dano. De uma comunidade de centenas, restavam apenas dezenas. A maior parte, mulheres. O fogo havia arruinado a aldeia e destruído quase todas as construções. O muro protetor que antes cercava as casas estava despedaçado e queimado.
Ficamos tempo suficiente para cuidar dos mortos, cremando-os com a ajuda do pedaço de fogo do amuleto, e usamos o kamandal para curar os feridos. Ana acessou o poder do Fruto Dourado para fornecer alimento que duraria vários anos e, quando ela o apoiou no chão e o ligou ao amuleto, novas lavouras cresceram onde as antigas haviam sido queimadas.
Quando ficamos satisfeitos por termos feito o melhor que podíamos por aquelas pessoas, nós as deixamos e saltamos pelo anel de fogo mais uma vez, buscando o próximo lugar que precisava de nossa ajuda, e depois mais outro. Levamos quase três dias até chegar ao último local.
Tendo sido chamados a uma terra a leste da Índia, pisei em um solo tão seco que a poeira se ergueu à nossa volta, cobrindo tanto a pele dela quanto a minha pelagem. Embora eu houvesse passado a maior parte da vida em uma selva sufocante, o sol que nos castigava era impiedoso e mais quente do que qualquer coisa que eu já tivesse experimentado antes. Não tinha muita certeza de quanto tempo poderíamos ficar ali.
— Onde estamos? — perguntou ela.
Não havia ninguém nas proximidades e eu não conseguia avistar aldeia alguma. O calor era insuportável, então Ana fez desaparecer nossas armaduras e usou o amuleto para que a chuva caísse sobre nós de tempos em tempos e nos refrescasse. Até mesmo Fanindra estremeceu e mudou para sua forma de metal. Era como se ela já tivesse cumprido seu dever de proteger sua senhora e soubesse que agora ficaríamos bem por nossa conta. Vi isso como um bom sinal.
Em seu estado inanimado, Fanindra não necessitava de comida nem de água. Eu não havia me dado conta de que ela sentia sede ou fome. Não até ela passar grande parte do tempo como uma cobra de verdade, vivendo entre nós. Murmurei um agradecimento silencioso à cobra por ter nos protegido. Pode ter sido minha imaginação, mas pensei ter visto seus olhos cintilarem, como se ela tivesse me ouvido. Eu passara a apreciar Fanindra de verdade, em especial depois de ver como ela havia salvado tanto Kelsey quanto Anamika incontáveis vezes. Não fosse por ela, nunca teríamos sobrevivido, quanto mais derrotado Lokesh.
As poucas árvores por que passamos estavam atrofiadas e secas. As folhas que teimosamente se agarravam aos galhos haviam se encrespado e balançavam ao vento quente como fitas marrons. Lembravam-me um pouco as árvores de pedidos nos festivais japoneses, só que essas pertenciam a um festival no inferno. Logo alcançamos sulcos abertos em longas fileiras na terra, mas nada crescia ali, nem mesmo ervas daninhas.
Finalmente encontramos uma aldeia abandonada. Pedaços de lixo e palha espalhavam-se pelo chão. Ergui o focinho no ar. Estava tão seco que mal consegui detectar um cheiro, mas percorri o vilarejo, enfiando o nariz em cada construção escura até chegar a um pequeno templo com uma pilha de oferendas ressecadas.
Foi aqui que rezaram para você, afirmei.
— Você consegue encontrá-los? — perguntou ela.
Vou tentar.
Quase duas horas se passaram antes que eu encontrasse um grupo de aldeões famintos. Eles estavam sentados perto de um rio seco, a pelo menos meia hora da aldeia. Dava para ver que o rio fora largo e cheio no passado. As margens estendiam-se à distância e sua calha era funda. As pedras no leito do rio estavam cobertas por ossos de peixes. Aquilo não era natural.
Estremeci. Do que eu podia depreender, os peixes haviam morrido rapidamente. Era como se alguém houvesse envenenado a água. Nas margens, havíamos passado pelos restos secos de centenas de animais que tinham vindo ao rio e ali ficado na esperança de que haveria água logo. Um rio daquele tamanho jamais deveria ter secado. As montanhas à distância o alimentariam o ano todo.
Como tigre, eu havia migrado, por instinto, para cursos d’água permanentes nos verões. A cachoeira onde eu conhecera Kelsey havia secado uma vez em trezentos anos, e isso fora apenas por cerca de um mês. O lago havia baixado consideravelmente naquele verão e muitos animais iam beber na margem, mas, quando as chuvas vieram, ele logo foi reabastecido.
Eu nunca havia me preocupado muito com água, mas aqueles dias tinham sido difíceis. Não podia imaginar o que esses animais e os aldeões haviam passado. Mesmo agora, as pessoas mal conseguiam se levantar e saudar nossa chegada. As mulheres choraram, mas as lágrimas secaram na mesma hora, com o calor. Os homens riram, mas sua felicidade logo se transformou em acessos de tosse.
Uma criança sentou-se. Eu nem mesmo a tinha visto em meio à massa de corpos. Seus pobres lábios estavam rachados e sangrando e as pernas eram tão magras que me surpreendia que pudessem sustentar seu peso. Outras crianças espiavam debaixo de tendas construídas às pressas e de lençóis pendurados entre árvores para oferecer refúgio do sol escaldante.
— O que aconteceu aqui? — perguntou Anamika. Sua voz foi captada pelo vento e amplificada de modo que todos pudessem ouvi-la.
— Seca — respondeu uma mulher. — A terra está amaldiçoada. Um homem maligno lançou seu poder contra nós. Metade da aldeia está morta e a outra está morrendo.
— Quem é o homem que fez isso com vocês? — perguntou Anamika.
— Não importa. Ele já se foi.
— Vou encontrá-lo — prometeu Ana. — Ele será punido pelo que fez.
A mulher riu.
— Você nunca vai encontrar Lokesh.
Fiquei paralisado e Ana estremeceu na sela. Depois de dizer o nome dele, a mulher cuspiu na terra. Percebi que não surgiu nenhuma marca molhada no chão. Se eu estivesse na forma humana, também teria cuspido, só para demonstrar meu apoio.
— Ele é como um lobo no meio da noite — acrescentou ela. — Nem mesmo uma deusa pode arrancá-lo de seu covil.
Será possível? Ele pode estar aqui?, perguntou-me Ana, uma ponta de pânico em suas palavras.
Não. Lokesh está morto, afirmei com certeza.
Então como? Como ele fez isto?
Refleti por um momento e disse: Devemos ter vindo parar em uma época em que ele era um rapaz à procura dos pedaços do amuleto. Você percebeu as diferenças nos lugares em que estivemos? Atravessamos terras, mas também viajamos pelo tempo. O nó em seu estômago lhe diz isso. Quanto maior a pressão na barriga, mais distante viajamos.
Tem certeza disso?, perguntou ela.
Eu me contorci e abocanhei um espinho que incomodava em minha pata. Faz sentido. Até Lokesh tinha ouvido rumores sobre a deusa Durga. Essas pessoas, por mais distantes que estejam da Índia, devem ter ouvido sua história também. Talvez sejam exatamente essas as pessoas que falaram de você a ele. Lokesh não sabia que se tornaria o demônio que Durga destruiu na batalha. Nós ouvimos as súplicas, as preces delas. Agora precisamos consertar o que ele fez com elas.
Mas, se ele está aqui, vamos destruí-lo aqui, agora, enquanto está fraco.
Kadam tentou fazer isso. Ele disse que a única maneira de derrotar Lokesh era como fizemos, com você. Disse que era o nosso destino. Ele morreu por essa convicção, Ana.
Eu entendia o fato de ela querer matá-lo. Pensara muitas vezes em voltar e destruí-lo antes de ele matar Yesubai. Não porque eu ainda estivesse apaixonado por ela, mas porque ninguém merecia morrer pelas mãos do próprio pai. Kadam fora insistente ao afirmar que a maldição precisava acontecer e que Durga e seu tigre precisavam surgir. Ver o trabalho que estávamos fazendo consolidava essa ideia em mim, ao menos um pouco.
Era o futuro que eu imaginara para mim quando era um príncipe vivendo no reino de meu pai? Não. Mas eu tinha desejado deixar minha marca no mundo. Mudei ligeiramente de posição e olhei para minhas pegadas. As curvas profundas onde as almofadas das patas afundavam a areia e os sulcos deixados pelas garras certamente eram uma marca. Talvez essa impressão não durasse, mas eu sabia com certeza que a história de Durga e seu tigre permaneceria.
Vamos falar mais sobre isso depois que ajudarmos essas pessoas, Kishan, disse Anamika.
Ana ergueu os braços no ar e canalizou o poder do pedaço de água do amuleto. Lá no alto, o límpido céu azul tremulando com o calor começou a mudar. A princípio, foram apenas fiapos de nuvens brancas se reunindo no horizonte. Até que elas foram se juntando, tornando-se maiores e mais escuras. O vento levantou nuvens de poeira seca, trazendo com ele o cheiro de chuva. Quando as gotas começaram a cair, os aldeões olharam para cima, deixando a chuva fresca escorrer por seus rostos, refrescando-os. Ana tinha uma espécie de instinto natural para combinar os poderes de nossas várias armas, e os usou de maneira criativa para reconstruir o que havia sido destruído. Não só ela reabasteceu o rio como usou o Fruto Dourado combinado com o kamandal para curar a terra e trazer a vida de volta ao rio.
Árvores cresceram ao longo das margens e abriram-se em amplas copas. Ana mergulhou o tridente no rio e agitou as águas, que sibilaram e borbulharam, e peixes de todos os tipos irromperam do tridente e nadaram em todas as direções. Ela encontrou uma casca de ovo quebrada e, quando soprou nela, um pássaro surgiu, voou para uma árvore e, em seguida, centenas de pássaros levantaram voo dali.
Pegando um osso e um pouco de lama do rio, ela os tocou com a ponta de uma flecha, criando um alce. Então arrastou a flecha em um longo sulco e o chão abriu-se, permitindo que dezenas, não, centenas e centenas de criaturas saltassem da brecha. Por fim, pegou a gada e bateu em um monte de terra. A colina derreteu-se em insetos de todo tipo e do centro levantaram-se répteis de várias espécies.
Deixei-me cair sentado, perplexo com o que ela havia feito. Mesmo com todos os poderes de Durga à nossa disposição, Ren, Kelsey e eu não tínhamos nem mesmo tentado fazer o que ela havia realizado. Nós não sabíamos que tudo aquilo era possível. Desviei-me quando uma cobra particularmente letal passou por mim, afastando-se das pessoas.
Você tinha de criar mosquitos irritantes e répteis peçonhentos?, perguntei.
Todas as criaturas merecem um lugar no mundo, replicou ela.
Quando tudo estava resolvido, ela se aproximou de mim. Seus olhos estavam cansados, e os ombros, vergados.
Como?, perguntei-lhe. Como sabe fazer essas coisas?
Ela deu de ombros, a exaustão evidente em cada um de seus braços.
— Meu professor — respondeu ela.
Kadam?, perguntei, incrédulo, absolutamente confuso com a ideia de que ele havia ensinado a ela. Qu... quando?
Phet veio a mim quando você esteve na selva durante todos aqueles meses. Eu não sabia então que ele era o seu Kadam.
Em voz alta, Ana disse aos aldeões:
— Podem nos levar ao seu poço?
Alguns tentaram se levantar e atender ao pedido, mas logo ficou óbvio que precisavam se alimentar primeiro. Ela deu um passo para trás e encheu o espaço diante deles com comida e jarros de caldos nutritivos, inclusive o suco da fruta do fogo à qual Kelsey a apresentara, então esperou pacientemente que eles comessem e bebessem até se fartarem e observou com atenção para ver se precisavam de mais alguma coisa. Exausta, sentou-se, descansando a cabeça em minhas costas, e adormeceu.
Enquanto ela dormia, refleti sobre o que havia me revelado. Eu ficara me lamentando na floresta enquanto ela aperfeiçoava suas habilidades, praticando. Eram ridículas as coisas que eu não sabia. Tinha me sentido todo superior, como se estivesse em vantagem no que se referia às armas ou ao amuleto. No fim das contas, estava redondamente enganado. Que belo companheiro eu estava me saindo.
Eu detestava acordá-la, mas sabia que ela descansaria melhor em casa. Os aldeões estavam prontos para nos mostrar onde ficava o poço, então, mentalmente, a chamei. Ana. Ana, acorde.
— Não, Sohan. Me deixe dormir — murmurou ela, virando-se de lado, acomodando a cabeça em um de seus muitos braços.
Sohan? Eu não achava que tivesse lhe dito meu nome completo. Apenas minha mãe me chamava de Sohan. Todas as outras pessoas usavam Kishan. Até mesmo Kadam. Fiquei surpreso, mas descobri que não me importava que ela me chamasse por esse nome.
Acorde, Ana. As pessoas precisam de você.
Ela abriu os olhos na mesma hora. O que era incomum para Anamika, que gostava de dormir e ficava bastante irritada quando era acordada. Mas, quando era Durga e as pessoas dependiam dela, respondia rapidamente. Voltamos à aldeia e, com sua magia, Ana encheu o poço até a borda com água doce. Fiquei feliz em beber do balde que uma garotinha pôs à minha frente enquanto Ana reconstruía a aldeia, tornando-a um lugarzinho animado cheio de árvores e de suas flores típicas.
A vegetação espalhou-se à nossa volta em um amplo arco e cobriu todo o caminho até a montanha e além. Ao dar-se por satisfeita com seu trabalho, ela desabou apoiada em meu flanco e levou uma concha cheia de água aos lábios. Após nos despedirmos, deixamos a aldeia e, quando estávamos a uma boa distância, ela usou o lenço para voltar ao habitual vestido de caça verde.
Inclinando minha cabeça de tigre, eu a imitei e mudei para a forma humana. Ela segurou a Corda de Fogo em uma das mãos e o lenço na outra. O lenço transformou-se em uma bolsa não muito diferente da velha mochila de Kelsey. Ela guardou todas as armas ali dentro, com exceção do arco, que pendurou atravessado nas costas. Peguei a bolsa de sua mão e disse:
— Não vamos para casa?
Ela sacudiu a cabeça.
— Ainda não. Tem mais uma pessoa que precisa da nossa ajuda.
Soltei um gemido.
— Será que não pode esperar até amanhã? Estou exausto e sei que você também está.
— Esse chamado não nos demandará muito fisicamente. Trata-se de uma mulher do seu tempo. Ela está jejuando.
— Muitas mulheres fazem isso. Qual é a emergência?
Eu tivera de ensinar a ela essa palavra, que se tornara uma de suas favoritas. Ela gostava de me perguntar Você tem uma emergência, Kishan? todas as vezes que eu não conseguia encontrar um garfo ou quando estava com pressa.
Ana me dirigiu um sorriso cansado quando usei a palavra.
— A emergência é que a mulher que precisa falar comigo é a sua Nilima.

6 comentários:

  1. Medo
    Nervoso
    Apreensão
    Cagaço
    São apenas algumas palavras para tentar definir oq eu sinto. Fico esperando dar merda a todo momento

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  2. Respostas
    1. Eu tbm faço isso kkkk Na onde eu vou e não dá para levar meu livro, eu leio por aqui! Amo ler por aqui é tão bom e parece mais rápido.

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  3. Uoooouuuuuu. Manp eu pensei que seria quando nilima jejua a a Kelsey

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  4. "Não só ela reabasteceu o rio como usou o Fruto Dourado combinado com o kamandal para curar a terra e trazer a vida de volta ao rio."..
    Eu achei que só o Colar de pérolas produzisse água

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  5. Gente ele está caidinho por ela e nem se deu conta...

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Boa leitura, E SEM SPOILER!