31 de agosto de 2018

Opala


Estas eram as regras. Alguns visitantes podiam vê-la, se Ronan dissesse que estava tudo bem, e alguns não, se Ronan quisesse que ficasse fora de vista, e nenhum deles poderia ver seus cascos.
Ela não deveria comer nada que estivesse dentro da casa a menos que lhe fosse dado , mesmo que fosse algo que parecesse bom mastigar, como caixas de papelão ou utensílios de plástico, e em particular não era para ela comer qualquer coisa do quarto de Adam ou de Aurora, e se ela o fizesse, seria punida. Ela não deveria chamar Ronan de Kerah porque ele tinha um nome e ela era perfeitamente capaz de pronunciar qualquer palavra que quisesse, ao contrário de Motosserra, que só tinha um bico. Ela tinha autorização para subir em quase qualquer coisa exceto nos carros, porque os cascos não eram bons para o metal e além disso, suas mãos estavam sempre muito sujas. Ela não precisava tomar banho ou lavar-se a menos que quisesse entrar na casa, e ela não podia mentir sobre ter se lavado se quisesse permissão para sentar no sofá porque Deus, Opala, suas pernas fedem a cachorro molhado. Ela não tinha permissão para roubar. Esconder objetos de outras pessoas contava como roubo, a menos que os objetos fossem presentes que você escondesse, mas que depois risse sobre. Coisas mortas não deveriam ser comidas na varanda, o que era uma regra dura, porque as vivas também não podiam ser comidas ali. Ela não deveria correr na estrada ou tentar voltar para a linha ley sem alguém acompanhando, o que era uma regra boba, porque a linha ley parecia com um sonho e sob nenhuma circunstância ela voltaria de bom grado para um lugar desses. Ela só deveria dizer a verdade porque Ronan sempre dizia verdade, mas ela sentia que essa era a regra mais injusta de todas, porque Ronan podia sonhar uma nova verdade se quisesse, e ela tinha que ficar com a que vivia atualmente. Ela deveria lembrar que ela era um segredo.
Mas estava tudo bem, e Opala podia fazer o que quisesse na Barns. Sua única punição recente foi por causa de um entregador. Ela fora autorizada a correr para cumprimentá-lo, desde que se lembrasse de fingir que era minha priminha de Siracusa e também nunca se esquecesse de usar as botas estranhas e altas que Ronan havia feito para ela. O entregador tinha dentes muito brilhantes e pelos que cresciam em torno do rosto, quase na boca, pelos que eram mais longos do que aqueles na cabeça de Ronan e quase tão compridos quanto os que nasciam nas pernas de Opala. Ela havia lhe perguntado uma vez o que deveria fazer para ter pelos como os dele crescendo no rosto, ao que ele respondera “apenas continue tentando”, e ela achou o pensamento muito gentil e encorajador. Ainda gostava muito dele, mas já não tinha permissão para cumprimentá-lo desde que entrou na cabine de seu caminhão para pegar a caixa de biscoitos de cachorro sob o banco do passageiro e a foto da esposa colada no câmbio. Ela comera o primeiro em sua totalidade e mordera os olhos do segundo.
— Bem, que merda! — disse Ronan, descobrindo a fotografia depois que o entregador foi embora. — Não é como se pudéssemos devolver a ele. Ela se foi completamente feroz.
  — Ela nunca foi domada — respondeu Adam. — Só assustada.
Adam não morava na Barns, para grande decepção de Opala. Ele era sempre gentil com ela e às vezes mostrava como as coisas funcionavam, e ela também gostava de se sentar no quarto escuro e assisti-lo dormir.
Mas em vez disso ele ia e vinha sem uma agenda que ela pudesse discernir. Quando ele dormia na Barns, muitas vezes era durante o dia, quando ela  tinha certeza de que seria pega espionando. Ela tinha que se contentar em roubar vislumbres através de portas entreabertas, estreitas visões de alguns centímetros de edredom e lençóis empilhados como nuvens de chuva, com Adam e às vezes Ronan descansando entre eles.
Desde que o tempo esquentou, o carro de Adam ficava na entrada da garagem. Ao contrário do carro de Ronan, ele se apoiava em blocos ao invés de rodas, e ele passava bastante tempo embaixo dele ou curvado sob o capô. Opala veio a entender que o carro de Adam deveria ser mais parecido com o de Ronan, mas havia algo errado com o que ele chamava de lata-velha. Ronan continava se oferecendo para sonhar um conserto para a lata-velha, mas Adam estava decidido a consertá-lo “da maneira certa”. Este parecia ser um longo processo, então o carro de Ronan ficava ausente muitas vezes, enquanto Adam o usava em suas misteriosas idas e vindas. Às vezes Ronan saía com Adam, e eles não contavam a Opala quando voltariam porque eles não sabiam, eles estariam de volta quando estivessem de volta, só iam rodar pela cidade, não toque em nada no celeiro comprido e tente, pelo amor de Deus, não cavar mais buracos no quintal da frente.
O celeiro comprido não era o celeiro mais comprido nos campos secretos que se estendiam em torno da antiga fazenda, mas era o mais longa em relação à sua largura. Era cercado por grama tão grossa quanto o pelo que cobria as pernas de Opala, e também por vacas que estavam sempre deitadas mas nunca mortas. (Às vezes ela subia em suas costas largas e quentes e fingia que estava indo para a batalha, mas elas eram tão divertidas quanto as rochas que pontilhavam os campos mais perto dos bosques.) Era onde Ronan mantinha todo o seu trabalho atual – que era o que ele chamava dormir quando ninguém estava autorizado a estar perto dele. Ronan estava sempre dizendo a Opala para não mexer com o conteúdo do celeiro maior, mas não havia perigo de ela fazer isso. Ela podia dizer que o celeiro comprido estava cheio de sonhos, e tinha medo disso.
Coisas de sonho sempre soavam como um sonho, que soava como a linha ley, que soava um pouco como o sopro elétrico que você escuta sob grandes linhas de energia, que soava como quando você entra em um quarto e a televisão foi deixada ligada, mas o som foi desligado. Também era um pouco como o barulho dentro dela que ela podia sentir quando estava deitada quietinha na grama sem dormindo. Coisas de sonho poderiam ser objetos, como aqueles deixados nas dependências pelo pai de Ronan, mas também poderiam ser algo vivo, como o cervo que Ronan sonhara, ou como a própria Opala.
Ronan também soava um pouco como um sonho, mas não era exatamente o mesmo que as criaturas dos sonhos. Ele tinha uma aura animal, como Adam e o entregador e as senhoras que vieram e comeram pão na sala de jantar enquanto abriam cartas de tarô em círculos e o homem que uma vez dirigiu no meio da calçada enquanto Adam e Ronan foram embora, mas depois recuou e foi embora. Ronan era a única pessoa que Opala conhecera que tinha tanto a aura animal como o soar de uma coisa de sonho. No começo, ela pensava que era só porque ela não conhecia muitas pessoas, mas depois percebeu que era parte da razão pela qual Ronan também era um pouco secreto. Opala teria pensado que o som de seus sonhos teria derrubado as pessoas, mas ninguém, exceto Opala e Adam, parecia conseguir ouvi-lo. Adam era todo aura animal, nada de sonho, mas ele parecia, no entanto, sintonizado.
— Eu ainda posso sentir a linha ley — Adam explicou para as senhoras com o pão quando eles vieram uma noite. Opala estava jogando um jogo chamado esconda-seus-cascos e estava ganhando por estar em uma panela de farinha vazia que foi posicionada na porta da cozinha. — Não pensei que eu seria capaz disso, agora que não estou mais ligado à linha.
— Eu nunca fui ligada a ela — respondeu uma das senhoras — e sempre a senti.
— Mas você é uma médium.
— Exatamente.
Adam tinha colocado suas palavras com tanto cuidado quanto elas colocaram suas cartas na mesa.
— Eu sou?
— É claro — uma das outras senhoras respondeu. — Você achou que tinha perdido tudo quando Cabeswater morreu?
— Sim — Adam sussurrou, e Opala sentiu uma onda de amor por ele. Ela o amava mais quando ele estava muito triste ou muito sério ou muito feliz. Algo sobre sua voz quebrando a enchia de sentimento e algo sobre a sua expressão vaga quando ele pensava muito dava a impressão de estar olhando para um sonho sem nada de ruim nele, e algo sobre quando Ronan o fez rir tanto que ele não pôde parar, a fez amar tão forte que ela se sentiu triste porque um dia ele envelheceria e morreria porque isso era o que as coisas com aura animal faziam.
Às vezes Adam vinha com ela quando ela estava explorando os celeiros e galpões, e juntos eles ordenariam ancinhos de jardim enferrujados, motores usados e sacos velhos de ração para vacas. Opala procurava por tesouros que eram bons para comer ou para olhar, mas Adam procurava por coisas de sonho.
Opala ficou imediatamente fascinada e aterrorizada com essas caçadas. Ela não conseguia parar de buscar por pilhas de lixo, sabendo que poderia encontrar algo sonhado por acidente. Quando o fez, ela recuou com uma emoção deliciosa de medo em seu coração. Não que essas coisas fossem perigosas, embora às vezes fossem – ela havia encontrado uma pequena fogueira sempre fumegante sob um trator velho em um dos celeiros, e tinha descoberto do modo mais difícil que era quente o suficiente para queimar se você se aproximasse demais. Era que aquele zumbido de sonho estava certo demais. Muito parecido com ela, de alguma forma, muito sincero, muito grande. Isso a lembrava dos sonhos de onde viera e dos pesadelos que quase mataram Ronan. Lembrava-a de ser quase desfeita, desfazer negro vindo de suas orelhas.
Mas aquilo chamava por ela. As coisas no celeiro comprido, especialmente, onde Ronan fazia suas novas coisas de sonho. O zumbido daqueles projetos a chamava mais persuasivamente do que qualquer uma das coisas que o pai dele tinha sonhado. Ela não se importava com esse medo-desejo de dois gumes. A maior parte dela não queria nada com sonhos, e ela se ressentia dessa outra parte muito menor dela, a parte que se lembrava de onde vinha e parecia ter tudo a ver com sonhos.
Ronan contara a ela no que estava trabalhando no celeiro comprido. Estava fazendo um novo local de sonhos como Cabeswater, como o lugar de onde viera, ela lembrava? Sim, ela se lembrava das árvores, das árvores assustadoras, e lembrava-se dos horrores noturnos, e lembrava do chão negro.
  — Não como era no final — ele disse, como se tivesse sido melhor antes de seus momentos finais. Ele sempre esteve morrendo em seus sonhos, ou arrumando pequenos cortes ou enfrentando homens armados sem rosto. Bombas nucleares explodiam em suas mãos e peixes atravessaram as janelas para arruinar sofás e miríades de cadáveres apareciam em mirantes de entrada. Nem todos os sonhos eram terríveis, mas isso os tornava coletivamente piores, não melhores. Opala nunca estava preparada para quando as coisas dariam errado. Ela só tinha que ter medo o tempo todo.
— Ah, não faça essa cara, pequena — Ronan disse. — Eu não vou fazê-la morar lá. De qualquer forma, você pode gostar.
Ela não gostaria. Ela não iria para lá. Ronan e Adam passavam mais tempo do que ela gostaria discutindo esta nova Cabeswater. Era difícil ser um sonhador sem isso, parecia, porque a velha Cabeswater concentrava os sonhos de Ronan e melhorava o controle e poder da linha ley, certificando-se de que ele sonhasse com o que ele quisesse sonhar ao invés de algo que ele chamava de noite sem sentido encarando o próprio umbigo. A linha ley era a parte em que Adam estava mais interessado, fazendo com que ele usasse palavras como conduítes e eficiência e análogos. Ronan estava mais interessado em fazer chover. Ele estava muito preocupado com o conceito de ter uma área na nova Cabeswater onde sempre haveria aquele tipo de chuva que faz você se sentir feliz e triste ao mesmo tempo e também queria ter um lugar que não fosse uma droga. Ele parecia considerar esse como seu trabalho principal. Apesar de Opala pensar que Ronan fosse bom em sonhar – afinal, ele a tinha sonhado, e ela era excelente – ele reclamava muito disso.
— Eu não consigo manter tudo em mente ao mesmo tempo — ele disse uma vez. — O que eu quero que seja. Eu não posso fazer um novo sem o antigo para me ajudar a focar. Qual é a expressão para isso?
— Autodestrutivo — Adam respondeu.
— Vá se foder. Paradoxo. Era isso o que eu queria dizer.
— Você sonhou a primeira Cabeswater sem uma Cabeswater.
— Eu só preciso não estragar tudo.
— Sinto que há parâmetros mais úteis. Como a quantidade de concentração que o sonho cobra de você versus a quantidade de atenção que atrai.
— Bom pensamento, Parrish. Precisamos sonhar um carro novo para você, afinal de contas.
Opala, bisbilhotando, não havia capturado a essência da conversa – ela ainda era melhor na antiga linguagem dos sonhos que o Ronan desperto nunca falava – mas ela podia dizer que Adam gostava quando Ronan falava assim. Às vezes eles paravam de falar e começavam a se beijar, e Opala escutava isso também. Sua capacidade de voyeurismo era ilimitada e incorrigível. Eles estavam sempre se unindo em momentos surpreendentes, indo de descontraídos para urgente no espaço de algumas respirações. Ela os assistiu se beijarem no bagunçado carro, na calçada, viu-os enredar-se na lavanderia e assistiu Adam desafivelar o cinto de Ronan e deslizar a mão contra a pele. Com curiosidade intelectual, ela observou as costelas e quadris e braços e pernas e colunas. Ela não tinha luxúria, porque Ronan não sonhara isso para ela, mas também não tinha vergonha, porque Ronan não sonhara nada disso também.
A única coisa que já a fizera piscar foi quando Adam encontrou Ronan no corredor do segundo andar. Ronan estivera do lado de fora do antigo quarto de seus pais, uma mão segurando uma fita cassete e a outra com o punho cerrado, e esteve ali por alguns minutos no momento em que Adam subiu as escadas. Adam pegou a cassete da mão dele, abrindo os dedos de Ronan e colocando seus próprios dedos entre eles. Por um momento, Opala, escondida, achou que eles iriam se beijar. Mas, em vez disso, Ronan pressionou o rosto contra o pescoço de Adam e este silenciosamente apoiou a cabeça sobre a de Ronan, e eles não se moveram por um longo tempo. Algo sobre isso fez Opala queimar tão furiosamente que ela não podia aguentar olhar um segundo a mais. Ela os deixou lá com um barulho para que eles soubessem que ela estava assistindo. Então saiu para remexer na floresta.
Ela vinha fazendo isso cada vez mais desde que fora tirada dos sonhos. Pensava nesses dias vagueando como dias animais. Dias animais em um mundo animal. Ao contrário de um sonho, o mundo animal era estrito. Ela gostava disso. O mundo animal tinha regras estreitas, e uma vez que você aprendia essas regras, era muito menos surpreendente do que um sonho, que podia mudar a qualquer momento. No mundo animal, as pessoas não podiam voar de repente. Rostos não se moviam para a parte de trás dos crânios sem aviso prévio. Os campos ao redor da Barns não se transformavam em uma pradaria desconhecida ou shopping center antes que você pudesse chegar à entrada de automóveis. Carros nunca se transformavam em bicicletas. Arco-íris nunca caíam de caixas de cereais e lava nunca se derramava de torneiras de água. Coisas mortas nunca se tornavam vivas. O tempo corria em uma entediante linha reta agradável.
 Estas eram as regras que mantinham o mundo animal pequeno e manejável. Isso deveria tornar o mundo animal mais entediante, mas, ao contrário, ela se sentia mais corajosa por dentro. Ela se distanciava cada vez mais da casa da fazenda a cada semana. Nem sempre voltava quando o sol se punha. Em vez disso ela cavava buracos em campos e se deitava neles, ou fazia ninhos de almofadas roubadas de móveis de jardim. Desta forma, ela expandia continuamente seu território sem perder o seu caminho, às vezes chegando à borda mais distante da floresta onde havia um lugar que cheirava a gasolina. Ela gostava muito desse lugar. Gostava de ver o que as pessoas faziam quando não pensavam que estavam sendo observadas. Às vezes, eles apertavam o botão 93 Premium e assistiram os 93 números de contagem Premium em uma tela. Às vezes eles enxugavam seus para-brisas com um líquido perfumado que ela queria beber. Às vezes eles se sentavam em seus carros e choravam baixinho. Ela gostou disso mais do que tudo, porque era raro e ela descobriu que gostava mais de coisas raras.
Às vezes tarde da noite, quando ela arriscava roubar uma bebida das caixas de lavagem de para-brisa , alguém chegaria à porta do prédio e gritaria “O que, o que é isso?” e ​​ela teria que correr para trás o prédio, rastejando e cambaleando em torno das latas de lixo. Em noites como esta, ela corria todo o caminho de volta para a Barns com seu batimento cardíaco descontrolado dentro dela porque ela deveria ser segredo e ela era um pouco menos secreta do que fora apenas um pouco antes.
Ser vista de tal maneira também lembrava a ela que ela quebrava as regras deste mundo animal. Fora de um sonho, não havia meninas com pernas peludas e cascos (embora ela achasse que deveria ter havido, já que ambos eram muito práticos na vegetação rasteira). Por causa disso, ela era secreta e sempre tinha que ser secreta.
Ela ficou de mau humor com isso. Rasgou uma pilha de revistas de carros antigos na sala de estar e sentou-se nas ruínas deles e quando Ronan chegou em casa e perguntou o que diabos está errado com você, você parece séria, ela disse a ele que estava entediada de ser secreto.
Ele disse:
— Não estamos todos!
Então a fez limpar toda a umidade, papel engomado, e então a fez esfregar o chão porque em alguns lugares a impressão tinha se transferido para a madeira por causa da sua umidade, e então ele a fez tirar todo o lixo mais o lixo da cozinha, sem sequer deixá-la fuçar através dele primeiro. Quando ela finalmente fez tudo isso e estava irritada em vez de entediada, ele disse:
— Eu sei que você está entediada. Quando eu sonhar a nova Cabeswater, será um lugar maior e mais legal para você ir. Não será como apenas ficar por aqui.
O coração de Opala subiu pela garganta e escapou para o corredor. Ela balançou a cabeça e depois sacudiu mais um pouco e depois, porque ele não disse nada, sacudiu-a um pouco mais.
— Você pode mudar de ideia — disse Ronan.
Ela balançou a cabeça ainda mais.
— Sabe, a sua cabeça vai cair e vai ser apenas culpa sua.
Isso fez o coração de Opala correr ainda mais antes de ela se lembrar. Nas regras do mundo animal, sua cabeça não podia cair do pescoço.
— Só vai ficar mais chato. Nem sempre estaremos por perto, especialmente até o final do ano — acrescentou Ronan. — Não olhe para mim assim. Sabe o que mais, saia e vá cavar um buraco ou algo assim. E fique fora do celeiro comprido.
Ela não iria para o celeiro comprido. E não mudaria de ideia. E nem sempre era chato na Barns. Na verdade, houve um dia em que não foi muito chato. Ronan e Adam estavam ambos no carro de Ronan, e uma dama que Opala não vira antes veio para a casa. Ela tinha cabelos escuros e pele clara com furiosos olhos azuis claros que Opala a princípio pensou serem brancos por inteiro, exceto pelas pupilas. Ronan não estava lá para dizer a Opala que estava tudo bem para esta visitante vê-la, então Opala escondeu-se e observou a dama espreitar através da névoa para a porta dos fundos. Ela tentou a maçaneta e a maçaneta balançou a cabeça, mas depois ela abriu a bolsa e fez outra coisa na maçaneta e a porta disse sim e abriu para ela.
A dama entrou e Opala correu para segui-la. Ela não podia ir tão rápido quanto gostaria porque os cascos eram barulhentos no chão de madeira, então se abaixou apoiada nas mãos e joelhos e a seguiu. Para sua surpresa, uma vez que ela estava perto, pôde sentir que esta moça tinha algo de sonho nela. Ela não era de sonho de todo – na verdade, parecia ser bem pouco. Ela era principalmente animal. Esta era a primeira pessoa que Opala conhecia além de Ronan que compartilhava ambos.
A dama levou seu tempo viajando pelos corredores, olhando para fotografias nas paredes e abrindo gavetas. Ela ficou no computador onde Ronan fizera muito do seu trabalho nos dias em que não estava dirigindo seu carro em grandes círculos enlameados no campo dos fundos. A moça clicou no mouse várias vezes e, em seguida, folheou o caderno preenchido com sua caligrafia que ele usava como um mousepad. Opala não sabia o que dizia porque não tinha aprendido a ler e não estava interessada, mas a moça parecia muito interessada. Ela levou seu tempo com ele antes de passar para o próximo cômodo.
Opala estava cheia da ansiedade e começou a sentir que deveria impedir a dama de olhar, mas também com a ansiedade de que não deveria ser vista. Ela queria que Ronan e Adam voltassem, mas eles não voltaram. A moça foi para o quarto de Aurora, onde Opala não tinha permissão de comer qualquer coisa, e abriu todas as gavetas e olhou em todas as caixas. Para alívio de Opala, a dama não comeu nada, mas sentou-se na borda da cama e olhou para o retrato emoldurado do pai e e da mãe de Ronan por um longo tempo. Seu rosto não parecia ter uma expressão, mas eventualmente, ela disse ao retrato: “Maldito seja.” Esse era um xingamento que Opala também não deveria dizer (mas às vezes dizia, repetidamente, para as vacas adormecidas em um sussurro, para ver se o choque as acordaria). Então a dama saiu da fazenda e começou a explorar a garagem e as outras dependências.
Ao aproximar-se do celeiro comprido, a ansiedade de Opala ficou maior e maior. Ronan não estava em casa para impedir esta dama de tocar ou tomar ou comer o que ele tinha feito no celeiro, e mesmo que Opala fosse forte o suficiente para impedi-la, Opala deveria ser secreta. A moça andou a passos largos na grama úmida do campo para o celeiro comprido, cantarolando com seu próprio sonho, e Opala puxou a grama do chão, guerreando consigo mesma. Ela sussurrou para Ronan ou Adam retornar, mas também não aconteceu.
Pela primeira vez, Opala ficou furiosa por estar no mundo animal em vez de no mundo dos sonhos. Nos sonhos, Ronan estava sempre se metendo em problemas, e embora muitas vezes ele morresse, igualmente Opala o salvou porque ela era uma excelente e um psicopomp (que é o nome para um excelente sonhador). Como um psicopomp, às vezes ela podia fazer o sonhor virar outra coisa, ou convencer Cabeswater a intervir em nome de Ronan. Mesmo que o pesadelo fosse intenso demais para que Opala o mudasse, ela podia muitas vezes resgatar Ronan do mal, fazendo coisas nos sonhos que eles não teriam pensado em fazer por conta própria. Ela poderia transformar uma pedra em uma cobra e jogá-la em um monstro ou poderia fazer uma espada de um montinho de terra ou poderia moldar a tristeza de Ronan em uma jangada quando ele estava se afogando em areia movediça. Não havia regras nos sonhos, então você poderia tentar qualquer coisa.
Mas o mundo animal era cheio de regras, e todas elas eram regras que tornavam as coisas menores e mais esperadas. Opala não tinha poder aqui. A moça tentou convencer a maçaneta do celeiro comprido a abrir para ela, mas a maçaneta não concordava tão facilmente quanto a porta da casa. Ronan tinha projetado um objeto de sonho do outro lado para fazer a porta não abrir para outras pessoas, não importa o que eles tivessem em sua bolsa. Mas esta moça era tanto sonho e animal, assim como ele, e Opala não sabia se isso significava que ela poderia entrar eventualmente. Se isso apenas fosse um sonho, ela poderia puxar a borda do campo e agitá-lo como um cobertor. Ela poderia deixar a dama cega. Poderia bater palmas até que um buraco aparecesse para ela cair dentro.
Mas regras.
Mas espere. Com inspiração repentina, Opala percebeu que tinha uma maneira de mudar os sonhos de Ronan neste mundo animal. Ela correu para a floresta e pegou todos os veados e texugos e raposas feitos por Ronan, todos eles cantarolando e cantando como a linha ley para os ouvidos de Opala, e então se juntou a eles através dos campos. Eles galoparam e saltaram e correram para o celeiro comprido. Eles não eram fáceis de controlar. Quando perderam seu caminho, Opala teve que morder os calcanhares dos animais maiores e chutar as raposas e os coelhos. Eles todos fizeram uma terrível comoção. A dama olhou para cima a tempo de ver que ela estava para ser morta – Opala não queria matá-la, é claro, embora no momento em que percebeu essa possibilidade, ela já tivesse decidido onde enterrá-la para que as flores silvestres pudessem cobrir o buraco.
Com uma corrida rígida e sem prática, a dama voltou para a entrada da garagem e bateu a porta do carro atrás dela apenas a tempo de os animais menores poderem se arremessar sobre sua cobertura e se dispersar.
Opala sentiu-se ofegante quando sua ansiedade desapareceu, lentamente substituída pela sensação da vitória. Ela tinha feito isso. Realmente conseguira. Mas então, terrivelmente, a senhora olhou para trás do volante do carro. Este não foi um dia de sonho. Foi um dia de animal. Isso significava que ninguém acordava quando a vitória era alcançada. O sonho não desapareceu, o cenário não mudou, a cortina não caiu. A moça ainda estava lá, e as criaturas ainda estavam lá, e Opala ainda estava lá, e assim quando a dama olhou para cima, teve tempo de travar os olhos com Opala, onde ela estava entre o rebanho que pastava. Começou a chover, o tipo de chuva que a faz feliz e triste ao mesmo tempo, todas as gotas enevoadas, luz em movimento prateado.
Opala tinha perdido uma de suas botas na corrida, e apesar de suas pernas peludas estarem principalmente escondidos pela grama e pela bota restante, ela estava, no entanto, atingida pela sensação de que esta moça olhava para ela e via o sonho dentro dela também. Isso foi tão contra a regra, a regra de ser segredo, que ela descobriu que não podia se mover, apenas ranger os dentes para a dama.
A dama foi embora.
Opala nunca contou a Ronan ou Adam sobre ela. Ela estava humilhada demais para admitir que foi vista. Fazia muitos dias desde que tinha sido punida.


Opala supersticiosamente começou a vaguear nos dias em que Ronan e Adam estavam fora. Se ela não estivesse em casa para ver, pensou, nenhuma mulher estranha voltaria, e ela não teria que decidir se deveria ou não intervir. Assim que as portas do carro fechavam e o som do motor sumia, ela saía para explorar. Às vezes passeava mesmo que Ronan estivesse em casa, se ele estivesse trancado no celeiro comprido onde ela não podia vê-lo.
Ela foi no primeiro dia para o lugar com cheiro de gasolina, mas depois de um tempo, descobriu que o apelo desaparecia depois que aprendia as regras. Tudo era mesmice, tornava-se chato e então ela explorava mais ao longo da fronteira do bosque. Lá ela encontrou uma nova coisa favorita para assistir, que era um banco perto de um riacho. Era um bom riacho, com margem recortada e águas negras e agitadas, com grama e musgo crescendo até o leito e às vezes um peixe ou um saco de plástico flutuando, e o banco tinha sido colocado em uma curva onde a água às vezes se tornava branca e espumosa.
O banco era ocupado por pessoas diferentes em diferentes momentos e eles estavam todos bem. Mas o favorito dela era uma pessoa que voltava de novo e de novo, sempre na mesma hora do dia, exceto se estivesse chovendo. Era uma senhora fofa com cabelo macio em forma de nuvem, cor de nuvem, e ela sempre vinha para o banco com um livro e comida. O livro nunca era o mesmo. Eles eram gordos e em forma de tijolo e as capas sempre traziam imagens de homens que não pareciam vestir nenhuma camisa ou outra roupa. Às vezes todos eles pareciam ter um homem ou às vezes uma mulher ou às vezes ambos, e eles se seguraram firmemente. A comida também nunca era a mesma comida. Às vezes eram coisas que faziam sons crocantes, curtos e rápidos, e às vezes eram coisas que faziam sons suaves e, às vezes, eram coisas que não emitiam som nenhum, exceto o “ahh” satisfeito da mulher da nuvem depois que ela terminava.
Opala gostava de assistir os alimentos e os livros e o cabelo-nuvem da senhora. Parecia um sonho, de maneira que a felicidade era tão grande que o sentimento fazia todo o caminho através do riacho para onde Opala se escondia. Era agradável. Era uma cena que ela gostava de voltar a ver. Além disso, o banco estava perto o suficiente para que ela pudesse voltar a Barns a cada noite sem ter que fazer um ninho, o que era conveniente, pois estava chovendo quase todas as noites.
Em uma de suas viagens de volta de assistir a mulher nuvem, Opala encontrou Adam. Chocante e brilhante, ele parecia estar chegando a Barns a pé. As pessoas não iam a Barns a pé. Iam de carro, que a esmagavam se batessem nela e não se sentiriam mal com isso, então fique fora do seu caminho, de acordo com Ronan. Mas aqui estava Adam apenas com as pernas, lentamente aparecendo à vista através da névoa serpenteante do túnel de árvores até a estrada. Opala sentiu prazer em descobri-lo viajando da mesma maneira que ela. Ela o encontrou no meio do caminho da rodovia e pulou em torno dele enquanto ele colocava um pé na frente do outro, enquanto o último raio de luz do fim da tarde se lançava sobre os dois. Ele não disse nada quando ela segurou a mão dele e depois dançou ao redor para pegar sua outra mão.
Ronan ficou menos entusiasmado ao descobrir o jeito inventivo de viajar de Adam.
— Que diabos, Parrish? Eu estava prestes a sair para buscá-lo. Quem te trouxe?
— Eu andei.
  — Ha ha. — A verdadeira risada de Ronan não soava como ha ha, mas essa não era a verdadeira risada de Ronan. Quando Adam não explicou a piada, ele disse: — Andei.
— De onde?
— Do trabalho. — Adam tinha deixado de gracejar e em vez disso tirou os sapatos e depois as meias antes de se sentar à mesa redonda da cozinha.
— Trabalho. O que. No. Inferno. Eu lhe disse que ia buscá-lo.
— Eu precisava andar. — Adam colocou a cabeça sobre a mesa.
Enquanto Ronan pegava água da torneira em um copo e o colocava na mesa, como se pudesse ser capaz de abrir um buraco através da madeira com ele, Opala desceu por baixo da mesa para cutucar os pés descalços de Adam. As pernas que terminavam em pés eram estranhas e interessantes para ela. Os pés de Adam eram longos, sem pelos e de aparência vulnerável. Seu tornozelo se projetava como os seus ossos do pulso, como se seus pés fossem mãos muito estranhas. Ele tinha pequenos pedaços pretos de algodão das meias presos em sua pele, que saíram quando Opala os esfregou.
  — Não é o único lugar em que você se inscreveu — disse Ronan, continuando uma conversa anterior.
— Mas era o que eu mais queria. Opala, pare.
Ronan baixou a cabeça para baixo da mesa e chamou sua atenção.
— Pelo amor de Deus. Pegue uma jarra e vá para fora e pegue vinte vaga-lumes. Não volte até que tenha pegado vinte vaga-lumes.
Ela foi para fora. Havia um monte de vaga-lumes na luz minguante, mas ela não era boa em mantê-los na jarra enquanto pegava novos, então demorou um bom tempo. Ela não voltou para dentro quando terminou, porque desta vez Adam e Ronan vieram para fora – Adam primeiro, de cabeça baixa, andando rápido, mãos enfiadas nos bolsos, pés ainda nus, sem olhar para trás e então Ronan, parando para arrancar sua jaqueta antes de seguir Adam. Ronan chamou o nome de Adam duas vezes, mas Adam não se virou ou respondeu, mesmo quando Ronan se aproximou dele.
Os dois caminharam em silêncio pela estrada de terra até um dos celeiros nos campos superiores, pouco visíveis contra o escuro. As árvores que cercavam o vale eram mais negras que a escuridão.
  — Eu posso não entrar em nenhuma delas — disse Adam. — Pode ter sido por nada.
  — Tanto faz. Então você faz uma nova lista.
  — Você não entende. Eu perderia um semestre a menos que fosse nas admissões, o que estragaria completamente a ajuda financeira. Olha, eu não espero que você se preocupe com isso. — Logo depois de dizer isso, Adam disse, em uma voz diferente: — Estou sendo idiota.
— Você é. E é uma merda. Onde estão seus sapatos?
— Ainda debaixo da mesa.
— Opala, você poderia pegá-los para ele?
Opala não podia, porque era muito chato voltar para casa quando eles estavam aqui sendo excitantes no escuro. O que ela poderia conseguir era
aquela jarra de vinte vagalumes, que ela soltou no rosto de Adam enquanto
passava por ele. Ele recuou enquanto Ronan apreciava a visão.
— Ela é tão útil — disse Adam.
Opala se aprumou.
— Eu sei. Espere.
Ronan fez uma pausa para tirar seus próprios sapatos e enfiar as meias neles. Deixando-os no canto, ele continuou ao lado de Adam com os pés descalços combinando. Todas as suas criaturas dos sonhos lentamente começaram a aparecer nos campos, mais perceptíveis pelo som do que pela visão na escuridão. Opala achava cada vez mais que esses animais eram estúpidos. Eles eram criaturas simples, não tão excelentes quanto ela. Mas Ronan parecia gostar deles de qualquer maneira. Opala estava um pouco preocupada que contassem a Ronan sobre a dama que eles perseguiram, mas então ela lembrou que as coisas não funcionavam assim no mundo animal. Em todo caso, quando as criaturas viram que Ronan não tinha nenhum balde na mão e que Opala estava perto, eles permaneceram à distância, pastando ou se revirando na sujeira.
Adam e Ronan só pararam de andar quando chegaram ao final
do gramado. Adam nunca esteve ali quando Ronan saía para dirigir seu carro em círculos e pareceu surpreso ao ver o que Ronan tinha feito com a campina.
Ele olhou para a grama achatada e faixas de pneus lamacentos por um bom tempo sem dizer nada. Possivelmente estava se sentindo excluído. Opala tinha andado com Ronan uma vez quando ele dirigiu no campo, não porque queria andar em seu carro, mas porque ela não gostava de ficar de fora. A experiência tinha sido estranha e barulhenta. O carro reclamou o tempo todo, e o aparelho de som cantou junto com chips eletrônicos. Ronan falou que ela não tinha mais permissão para andar com ele depois que enjoou atrás do banco do passageiro, mas ela descobriu que não se importava. Ela preferiria ser excluída.
— Você vai entrar em uma das outras — Ronan falou para Adam depois de um tempo. — Não terá que fazer outra lista. Não será o que você imaginou, mas será tão boa quanto.
— Lembre-me disso mais tarde.
— Conte com isso.
Adam parecia um pouco menos chateado. Ele cutucou um pedaço de lama com um dos seus dedos dos pés descalços.
— A nova Cabeswater terá um lugar para fazer isso?
Adam não estava olhando para Ronan, então não viu a expressão complicada que atravessou o rosto de Ronan, mas Opala viu.
— Será uma experiência de compra de uma parada só — disse Ronan. — Estou vivendo o sonho.
Isso fez Adam rir e então soltar um suspiro profundo. Ele pareceu muito menos chateado agora. Eles deram as mãos e tudo ficou menos excitante. Opala esperou para ver se haveria mais vozes erguidas ou discussão sobre ela ser inútil, mas eles permaneceram em silêncio até voltarem para dentro da casa. Então a única coisa que eles falaram foi como seus pés estavam doloridos e sujos, o que não teria sido um problema se eles tivessem cascos.


O verão chegou. O verão tornava as coisas quentes, e Adam e Ronan cheiravam mais no verão, embora não parecessem notar ou se importar. Ronan acidentalmente começou um incêndio em uma das dependências menores, e embora este começou nervoso, acabou selvagem e alegre, com Adam e Ronan arremessando coisas enquanto a música galopava em segundo plano. O carro de Adam teve os blocos tirados e quase imediatamente foi devolvido a eles. Haviam muitos camundongos , que Opala gostava de pegar e ocasionalmente comer. A senhora da nuvem continuou trazendo livros e alimentos para o banco no riacho e também começou a trazer uma mala com tubos que entrou em seu nariz, que foi interessante e fez Opala enfiar as coisas no nariz por alguns dias depois de vê-lo pela primeira vez.
Adam pegou uma das antigas escavadeiras da família Lynch e fez funcionar novamente e cavou um buraco estrategicamente colocado em um dos campos. Uma nascente natural lentamente começou a enchê-lo e uma mangueira não natural terminou o trabalho; os garotos se despiam e saltavam para o corpo de água resultante nos dias mais quentes. Opala não queria nadar, mas Adam ensinou-a até que ela era destemida e, em seguida, Ronan jogou objetos flutuantes para ela ir buscar até se cansar de estar na praia.
Ele tinha sonhado um par de asas negras e esfarrapadas que não segurava ele e ele usou-os agora como uma prancha de mergulho temporária, deixando-os levantar ele meia dúzia de pés sobre a água antes de deixá-lo cair com um respingo de lama. Opala flutuou de costas e chutou as pernas como Adam havia mostrado para ela fazer enquanto os meninos se abraçavam na água e depois se separavam.
O calor no ar fazia tudo cheirar e parecer mais com ele mesmo. Tudo foi muito bom. O verão tinha animal nele, no entanto, assim como um ser humano, e por isso também eventualmente teve que morrer.
O final do verão foi bom e ruim. Bom: Adam inventou um jogo de bola que usava wickets de críquete, mas que era melhor do que o críquete, e Ronan jogou com ela, por vezes, enquanto a fumaça da grelha passava por eles e fez as roupas de Ronan ficarem deliciosas. Ruim: Ronan e Adam tiveram mais e mais conversas sobre se encontrariam ou não a cura para o caixa-de-merda antes de Adam ir embora para o outono e se Adam deveria ou não apenas tomar o carro de Ronan. Apesar de Opala ter se afastado bastante, ela não gostou da ideia de Adam indo a algum lugar porque ele pode envelhecer e morrer sem
voltar. Bom: Ronan passou menos tempo no celeiro longo fazendo coisas-de-sonho
e em vez disso passou tempo consertando outras dependências e limpando a casa e digitando no computador que a moça tinha olhado, o que significava que Opala muitas vezes tem dias inteiros dele, só ter que compartilhar com Motosserra, que Opala ressentia-se imensamente e às vezes sonhava em comer. Ruim: Duas vezes Ronan deu um telefonema de seu amigo Gansey, e as duas vezes ele não disse nada para o telefone, apenas ouviu o efervescente tamborilar do outro lado e fez sons grunhidos em resposta. Ambas as vezes depois que este Ronan foi e se deitou, uma vez em seu próprio quarto e uma vez no quarto de Aurora; a primeira vez, ele ficou muito quieto por um longo tempo, e a segunda vez que ele segurou a foto de seus pais e chorou um pouco sem fazer nenhum som.
No final do verão, Opala não conseguia se lembrar da última vez que Ronan foi para o longo celeiro. O som dos sonhos nele estava se tornando diferente, um arranhado, que ela tinha ouvido há muito tempo, quando ela ainda estava em um Sonho . Uma vez Adam perguntou: — Você vai fazer isso antes de eu ir?— E Ronan respondeu: — Não, se eu não posso pegar chuva.— Adam começou a dizer alguma coisa, então em vez disso, disse apenas — Assim seja— e deixou-o ir. Eles foram em unidades mais longas e Adam ficou nos Barns mais do que nunca, mas Opala sabia que isso era apenas porque ele estava prestes a ir embora por um longo, longo tempo. Ela se enfureceu em torno e roubou tudo dos armários da cozinha e enterrou tudo isso no campo superior, onde ela tinha a intenção de colocar o corpo da dama do sonho se ela voltasse. Quando Ronan e Adam voltaram e disseram que isso era inaceitável , ela mordeu Adam e fugiu.
Ela estava cheia de tanto mal que ela não sabia o que fazer com ela mesma. Ela queria fazer Ronan e Adam se sentirem tão mal quanto ela. Ela queria quebrar as regras. Ela queria quebrar qualquer coisa .
O longo celeiro apareceu à sua frente, escuro e volumoso à noite. Como ela fez para contorná-lo, ela era, como sempre, atraída e repelida pelo que ele continha. Todas as noites antes desta, a repulsa havia vencido. Hoje à noite, porém, ela pensou sobre a regra de não entrar no longo celeiro e ela pensou sobre como era uma regra muito grande e antiga, e seria muito barulhento e satisfatório para quebrar.
Ela tinha meio pensamento de que poderia esmagar tudo o que encontrasse lá dentro. A longa porta do celeiro não diria sim a ela, mas uma pequena janela que não caberia um ser humano, então ela deslizou para dentro. Ela esperava que fosse escuro aqui e cantarolando com energia dos sonhos, mas deslumbrou-se com pequenas surpresas de luz enfiadas nos cantos e pairando perto do teto, e qualquer zumbido de energia dos sonhos foi abafado pelos foles de seus pulmões ansiosos e os cascos de seu coração ansioso.
O chão estava sujo. As mesas estavam cheias de papéis e copos e instrumentos musicais . Uma obra de arte que ela não gostava encostada na parede. Uma porta no meio do chão se abriu para revelar outra porta. Um alçapão pendurado aberto no ar, e do outro lado era céu azul. Metade de um laptop foi empilhado em um telefone do tamanho de um bloco de concreto. Opala não tocou em nada. Agora que seu batimento cardíaco estava um pouco mais quieto, o zumbido das coisas do sonho subiu para tomar o seu lugar. O medo vacilou dentro dela quando ela rastejou ao redor e olhou, ela colocu as mãos atrás das costas, os cascos arrastando a terra. Isso era muito parecido com estar na cabeça de Ronan novamente. Cru e sem forma e sem regras. Andando por aqui. O dreamthings era como andar em uma memória, lembrando o país conturbado onde ela havia crescido.
Ela sabia que Ronan não sonhava há muito tempo. Tudo desses objetos tinham semanas e semanas de idade. Nada tinha persistido,o alto zumbido do recém-sonhado. Houve principalmente apenas o silêncio sem graça de um velho celeiro, e no fundo, um tamborilar aquoso. Chamou-a mais do que tudo o mais, e então ela silenciosamente abriu caminho através das coisas até ela e encontrou sua fonte.
Era uma grande caixa de plástico. Ela poderia dizer que a caixa em si não era sonho . Seu conteúdo era. Mesmo do lado de fora, o conteúdo parecia feliz e triste, enorme e pequeno, cheio e vazio. Foi como a sensação de felicidade da senhora da nuvem no banco, mas multiplicado muitas vezes, e ela sabia que os sentimentos em si eram sonhos . Opala tinha esquecido a intensidade do sonho . Ela tinha lembrado que eles não se importavam sobre regras animais. Mas ela havia esquecido o quanto.
Ela não tinha certeza porque levantou a tampa. Ela teria pensado que ela estava com muito medo. Depois, ela pensou que talvez tivesse feito isso porque ela estava com muito medo. Às vezes, as ideias ruins eram tão ruins que circulavam ao redor até se tornarem boas ideias. Seus dedos tremeram quando ela colocou a tampa de lado. Dentro do lixo, estava chovendo.
O farfalhar que ouvira era o som da chuva que nublava o interior repetidamente , colecionando grandes gotas nos lados de plástico da caixa. De vez em quando o trovão ressoava baixo e distante. A felicidade e tristeza que Ronan tinha sonhado com a chuva, ela começou a chorar apesar de si mesma. Esta foi a chuva para a nova Cabeswater, e esteve aqui por muito tempo, tempo
o suficiente para a tampa ter poeira. Ele possuía o tempo todo e nunca foi
a coisa o impediu de sonhar com sua nova Cabeswater. Alguma coisa
mais deve ter lhe impedido. Este conhecimento tornou-a ainda mais feliz
e mais triste. Os sentimentos cresceram e cresceram nela, a tristeza lentamente
deixou apenas felicidade.
Foi talvez isso, junto com o zumbido das coisas dos sonhos, que fizeram
seu sussurro, “Ori! Si ori!" Ela não havia falado a linguagem dos sonhos e esperava uma resposta para um há muito tempo. Mas o sonho na caixa respondeu. O trovão resmungou e a chuva sibilou, e a chuva inteira se levantou da caixa. Choveu na caixa de um pé acima dele, depois dois, depois quatro. Então Opala levantou as mãos e não disse mais nada na linguagem dos sonhos, apenas aproveitou a chuva e enrolou porque achava que funcionaria.
Aconteceu; a chuva se acumulou como se estivesse pegajosa, coletando-se em uma moita escura que parecia um trovão. Ela riu e jogou no ar e pegou. Quando a moita saltou contra o teto, arrotou uma explosão de relâmpago que nunca deixou a nuvem. Ela pegou com um pequeno solavanco de felicidade e tristeza, e então ela deixou cair de volta na caixa. Depois de uma pausa, ela arrancou um pouquinho do maço de penas e enfiou-a no suéter. Foi bom roubar um pouco ela pensou, porque a maior parte ainda restava, e ninguém saberia por que ela não ia contar a ninguém que tinha quebrado a regra de entrar aqui.
            Ela não ia destruir as coisas aqui. Ela ia deixar como ela achou.
— Seja chuva, ok? Ela sussurrou para ele. A nuvem se dissolveu de volta
A triste e feliz chuva de Ronan, e ela bateu a tampa de volta. Tinha sido assim
muito tempo desde que ela brincou com qualquer coisa de sonho.
Opala bateu palmas e girou, os cascos arrastando a terra e então ela chamou as outras coisas de sonho no celeiro longo.
O papel bateu para ela como pássaros e ela beliscou suas asas até que elas pegaram fogo e depois beliscou o fogo até virar papel novamente. Ela acertou lâmpadas no chão e varreu os fragmentos em pães e então ela abriu os pães e tirou as lâmpadas inteiras do meio . Ela flutuou em livros e cantou até os objetos-sonhados cantarem de volta para ela. Ela tocou e brincou com todos esses sonhos , sabendo como fazer com que todos façam coisas estranhas, porque ela era uma excelente sonhadora ela mesma , e ela tinha esquecido como um sonho maravilhoso com nada de ruim nele era.
Mais tarde, Adam a encontrou sentada na beira da floresta. Acima deles o  sol havia escorregado atrás das árvores e deixado atrás das nuvens cor-de-rosa. Ele sentou ao lado dela e juntos olhavam para os Barns. Os campos foram pontilhados com o gado adormecido do pai de Ronan e os acordados de Ronan. Os telhados de metal brilhavam com novidade, todos substituídos pela nova indústria de Ronan.
— Você acha que está pronto para me dizer onde estão todos os pratos agora? Perguntou .
Ela tinha um punhado de grama em cada palmeira, mas não importava o que ela fizesse com eles , eles ficavam na grama. Era isso que significava estar no mundo animal. Regras eram regras. Ela se sentia muito vacilante, quando todo o medo que ela não sentia no longo celeiro, enquanto ela brincava, a alcançou.  
— Estou voltando, disse ele.
Ela arrancou mais grama, mas se sentiu um pouco menos vacilante ao o ouvir dizer isso.
—Eu não quero ir, mas eu vou isso faz sentido? Ele perguntou a ela. Isto fez , especialmente se ela pensasse sobre como alguns de seus sonhos são felizes, ela poderia ter se esfregado nele porque eles estavam sentados tão perto. — Está, só que finalmente está começando. Você sabe. Vida.
Ela se inclinou contra ele e ele se inclinou contra ela, e ele disse: — Deus, o que é um ano. Ele disse com tal sentimento humano que o amor de Opala por ele sobrecarregou ela, e então ela finalmente cedeu e levou-o para onde ela tinha enterrado todos os pratos.
— Este é um grande buraco, disse ele, enquanto olhavam para ele. Isso foi. Isso foi grande o suficiente para enterrar um invasor ou um conjunto de louça para doze. —Você sabe, eu ousei a pensar que ia ficar maior. Mas eu acho que você é adulto, não é você ? É assim que você é.
— Sim, disse Opala em inglês.
— Às vezes o jeito que você é é uma dor real, acrescentou ele, mas ela poderia dizer que ele disse com carinho. Parecia que tudo ia ficar bem.
Mas não estava bem.
A primeira coisa que deu errado foi a dama da nuvem. Opala não tinha ido ao banco em vários dias porque Adam e Ronan tinham estado ambos em casa e ela não queria perder nenhum minuto quando eles estavam em casa. Mas então Adam foi para Eu não posso acreditar que ele não pode simplesmente fazer o trabalho ele mesmo bem eu vou estar de volta e Ronan começou a trabalhar no computador de uma maneira chata , então Opala foi em explorar. Era a hora errada do dia para a dama da nuvem, tarde demais, mas Opala foi de qualquer maneira, porque ela sentia falta de vê-la. No momento em que ela olhou através das árvores para o banco, o ar estava escuro e o riacho era todo preto, não branco , e soou mais alto do que durante o dia. A grama tudo parecia cinza e preto e o musgo também parecia cinza e preto e o banco também parecia cinza e preto. A única coisa que não era cinza e preta era ao lado do banco no chão. Era branco e nublado.
Quando Opala percebeu que era a dama da nuvem, ela gritou na linguagem de sonho antes que ela pudesse se lembrar. Foi só que a imagem na frente de ela estava tão errada que parecia um pesadelo. Mas não foi um pesadelo, foi o mundo animal. Opala hesitou do outro lado do banco por vários longos minutos, esperando para ver se a senhora da nuvem deixaria de ser uma bolha branca ao lado do banco , lembrando-se de que ela era um segredo e tinha que permanecer em segredo.
Mas a dama da nuvem permaneceu uma mancha branca. Opala bateu os cascos e então rosnou um pouco e finalmente saltou sobre o riacho. Ela se arrastou lentamente para o lado senhora da nuvem , mas ela soube imediatamente que ela não tem que se preocupar em ser silenciosa. Não havia mais animalidade para a dama da nuvem. Havia apenas um pouco de mau cheiro e uma caixa de bolachas desmoronou ao lado dela. Opala verificou por biscoitos, mas todos tinham sido comidos, embora ela não soubesse se a dama da nuvem os tinha comido ou os esquilos tinham comido.
Ela tocou o cabelo da dama da nuvem, que ela sempre quis fazer, e então ela tocou os tubos em seu nariz, e então ela tocou no corpo da nuvem . Não era tão suave quanto parecia à distância. Foi lindamente sólido . Bem real.
Opala começou a chorar. Ela balançou para frente e para trás ao lado da senhora do corpo da nuvem, e ela agarrou seu próprio boné e puxou-o para baixo sobre suas orelhas e olhos, e ela soltou os gritos estridentes e estridentes que Ronan havia lhe dito para não fazer agora que ela estava fora de um sonho. Adam uma vez disse que eles eram tão altos que eles poderiam acordar os mortos, mas não, quando colocados em teste. Isso foi no mundo animal, e as coisas mortas não poderiam estar vivendo novamente aqui. Não foi como quando Ronan foi morto de novo e de novo em seus sonhos. A senhora da nuvem não seria revivida  e reapareceria no banco novamente na próxima vez que Opala viesse.
Opala odiava esse pequeno mundo animal e todas as suas pequenas regras limitadoras. Ela gemeu e gemeu até ouvir ruídos na floresta, vozes se elevando, outros humanos, ainda cheios de animalidade . Ela recuou através do riacho para seu esconderijo . Ela queria esperar para ver o que aconteceria com o corpo da dama da nuvem, mas ela sabia que seria mais difícil escapar quando os outros estivessem perto . E não era como se houvesse muitas opções para o que se seguiria.
Eles podem comer a dama da nuvem ou eles podem levá-la embora, mas eles não fariam a coisa que Opala queria, que era fazer a dama da nuvem um animal novamente.
Então ela deslizou de volta através das árvores, chorando e chorando em sua própria cabeça, até que ela estava de volta aos Barns. Vaga-lumes piscaram por ela enquanto ela atravessava a grama, mas ela não teve coragem de pegar nenhuma. Em vez disso, ela tropeçou direto até a varanda dos fundos, e para sua surpresa, ela encontrou Ronan lá.
Ele não tinha ligado a luz da varanda de trás e por isso ele era apenas outro pilar segurando o telhado até que ela se aproximou dele. O sonho nele era desagradavelmente esfarrapado, a mesma estática que vinha fazendo há semanas, e seu rosto foi lançado em luz cinzenta à noite e ela não gostou de como ele não parecia exatamente como ele, mas ela não se importou o suficiente para não andar até ele e abraçar sua perna.
Ronan a deixou se agarrar a ele por um minuto, a mão na cabeça dela, e então ele disse em voz baixa: - Opala, você poderia chamar Adam? Ele está trabalhando em seu carro.
Quando ela não se moveu porque o carro de Adam estava apenas na frente da casa e por isso Ronan poderia ir lá sozinho, repetiu-se em Latim. Isso era estranho porque ele parecia um tipo antigo de si mesmo, o tipo dele que ela teria falado em um sonho, onde havia coisas que podem matar os dois. Mas isso não foi um sonho; foi o verdadeiro alpendre de pintura lascada da quinta real.
Adam foi buscado. Quando ele virou a esquina do quintal, ele gritou para Ronan, — Opala tem uma abelha no chapéu, ou seja o que quer que você diga. Ela não quis ir. Você realmente a mandou?
— Parrish—, disse Ronan. — Há ...— Ele ergueu os dedos para revelar que eles estavam manchados de preto, como tinta preta. Não, não é como tinta preta. Como o oposto de tinta branca.
— O que ... disse Adam.
Opala pegou o barulho das coisas um segundo depois que ela viu. Foi um som isso não era um som, um som que sugava o som preciso da linha ley e cancelava. Foi nada e desfazer, e ela se lembrou disso do pesadelo do outono anterior. Foi a coisa que quase destruiu ela e Ronan, um monstro sem nome real. O medo começou espalhar-se de seus cascos para suas bochechas, toda ela com frio e calafrios.
Adam perguntou: — Você sonhou?
Ronan sacudiu a cabeça e, ao fazê-lo, um fino gotejamento daquele mesmo preto escapou de uma de suas narinas. Estava saindo dele. A última vez que isso aconteceu, saiu dele e saiu e saiu enquanto ele se contorcia em um carro, e tinha saído de Opala enquanto ela estava amontoada no mesmo carro. Isso estava matando ele, impossivelmente e terrivelmente, como em um sonho, só que ele estava acordado. O sem fundamento de que combinado na mente de Opala com o cheiro do corpo da senhora da nuvem. Isso foi demais, e desligou todo pensamento razoável dentro dela.
Opala começou a gritar, alta e berrando. Motosserra bateu suas asas e começou a gritar também. Suas vozes se misturavam, inseparáveis ​​e idênticas, e a verdade lamentou também, que ambos eram sonhadores, não importa o quão animalidade eles se sentissem, ambos eram coisas-de-sonho de Ronan , e mais do que os fez diferentes foi apenas detalhes, e mais do que os fez eles iriam morrer se Ronan morresse. Isso foi horripilante e grande demais para se pensar, sempre tinha sido, e assim ela não conseguia parar de gritar. Seu grito e seu medo eram tão altos que ela não conseguia ver no mesmo tempo, e assim foi com a confusão que ela se viu do lado de fora sozinha.
Foi só depois que ela retroativamente considerou a memória que ela lembrava-se de Adam pegando bruscamente Ronan pelo braço e fechando a porta entre ela e eles. A Motosserra também havia sido exilada, e ela ainda estava choramingando e batendo lamentavelmente . Opala deu um chute nela (Motosserra assobiou de volta) e depois tentou a maçaneta .
Ela não estava trancada, mas não sabia se queria entrar. Ela não sabia se ela estava com mais medo por ele ou dele. Depois de uma discussão consigo mesma, ela rastejou para dentro da casa. Ela fez do jeito que ela tinha feito quando invadiu, sobre suas mãos e joelhos, sem fazer som , se esgueirando pelo corredor. Se ela estivesse em um sonho, ela teria feito ela mesma meio invisível. Ela poderia fazer isso às vezes. Não havia razão porque a escuridão que sai de Ronan se importaria se ela fosse visível ou não, mas parecia mais seguro ser o mais secreto possível. Motosserra afundou depois de Opala, não amante , mas preferindo-a à solidão e à incerteza. Opala ouviu a suas vozes até que ela descobriu que eles estavam na cozinha, e então ela e Motosserra agachada do lado de fora da porta, seus dedos enganchados em nós no assoalho de madeira velho. Ela podia ouvir claramente a estática no tom sonoro de Ronan.
— Eu não vou se não parar, disse Adam, e o coração de Opala explodiu com alegria. Ela imaginou um outono onde o carro de Adam ficava em blocos e nada mudava nunca.
— Foda-se, respondeu Ronan. — Você está indo.
— Você deve realmente pensar que eu sou um monstro.
— Nem comece. Merda. Você poderia-
— Deus.
— Deus não vai me pegar uma toalha.
Adam bateu em Opala e Motosserra sem parecer notar os dois se amontoaram perto da porta, e então ele bateu de volta no exato mesmo caminho. O sonho de Ronan engatou. Motosserra rapidamente bateu seu bico abriu e fechou e Opala apontou um punho para ela para acalmá-la. — Por que isso está acontecendo? Adam perguntou.
— Eu estava esperando que você me dissesse. O sonho de Ronan esfiapou e queimou em Opala.
— Como eu saberia?
— Você sabe tudo.
— Eu não - talvez eu deva ligar para a Fox Way. Mas Adam soou duvidoso.
—Porque isso funcionou tão bem da última vez.
Felicidade e tristeza aumentavam em Opala, ambas ao mesmo tempo. Agora que ela não estava gritando, ela sabia o que estava causando o reaparecimento da escuridão. Porque mesmo que ela agora tivesse preferido ser propriamente carinhosa, ela ainda era feita de sonhos . Além disso, ela não era apenas coisas-de-sonho , ela foi excelente coisa-de-sonho , um psicopomp , projetado para salvar Ronan de novo e de novo, desde que ele era um garotinho. Ela sabia o que ela soava como um sonho , e ela sabia o que a linha ley parecia como uma fonte-de-sonhos , e ela sabia o que Ronan deveria soar como um sonhador . Ela sabia disso da maneira que ela sabia o tempo todo que ela era um pedaço dele, uma manifestação de uma parte dele. Foi essa terrível verdade que a atraiu para outras coisas como ela ao mesmo tempo em que a afastou. Então ela poderia salvá-lo agora.
Mas se ela parasse o presente escuro, ela teria um futuro sem Adam. Ele acabara de dizer: se não parasse, ele não iria embora. Ronan abruptamente passou por ela e Motosserra, cheio de tanta energia e propósito que tanto ela como Motosserra recuaram. Mas ele não parou; somente abriu a porta da frente e saiu. Adam, Opala e Motosserra todos correram para segui-lo.
Os três estavam na luz fraca e amistosa da varanda e assistiram Ronan. Ele não estava na varanda. Ele estava ao lado de seu carro, que estava em suas rodas ao lado do carro de Adam, que estava em seus blocos, e ele tinha todas as portas abertas. A pequena luz interior parecia o único olho brilhante de algum tipo de criatura, e piscava às vezes quando Ronan se movia para frente e para trás dela. Ele estava tirando o lixo de seu carro, o que ele faz muito raramente - mais frequentemente Opala teria que fazer isso como uma punição - e colocando os papéis e invólucros em um saco. Opala não entendeu por que ele estava fazendo  tal coisa com tal importância furiosa. Ele nunca comeu o lixo.
Certamente ele não podia realmente acreditar que a colheita de lixo iria ajudá-lo com o desfazer . Mas ele continuou a rasgar grandes punhados de papel de suas raízes antes de enfiar em uma bolsa Food Lion.
— Vamos lá, Lynch, disse Adam.
Ronan recuperou um recibo enquanto dançava e girava pela calçada. Eles eram deliciosos, mas às vezes as bordas davam a Opala um corte  no cantos de seus lábios se ela os colocasse na boca do jeito errado. Ele encheu a bolsa. — Às vezes nem sei se sou uma coisa real. Porque não tem mais alguém como eu?
— Seu pai. Kavinsky .
— Eu quis dizer pessoas vivas. A menos que a saída é que todos nós somos apenas realmente bons em estar morto.
— Ronan. O que diabos você está fazendo?
Ronan colocou uma garrafa de refrigerante na bolsa. — Com o que se parece? Limpar o carro antes de você pegar. Eu só quero que você vá esta noite.
Adam riu, mas foi uma risada que soou como ar perfurando. — É como você quer isso. É como se alguma parte de você sempre quisesse. Ronan remexeu no porta-malas, que era uma parte do carro que Opala tinha sido proibido de pegar qualquer coisa. Ela tentou adivinhar o que poderia estar lá, empolgando- se com a mais terrível e terrível das opções (sua favorita foi que havia outra Opala lá). Ela não podia ver o que estava nele agora , mas estava fazendo um som metálico e vibrante. — Isso não é verdade.
— É como se você não se importasse se isso acontecesse, então. É como se você nunca tivesse medo. O barulho no porta-malas parou. Ronan disse:— Você já sabia que parte de mim ficou fodido há muito tempo atrás, Parrish, e não está mudando a qualquer hora em breve .
Adam cruzou os braços. Ele estava ficando muito chateado, e o coração de Opala estava explodindo de amor por ele, e quando ela se segurou nele, ele não a empurrou para longe. — Bem, isso não é bom para mim.
— Felizmente para você, parece que isso não vai importar. Ronan jogou suas chaves do carro na direção da varanda da frente. Eles bateram e bateram contra a escada mais alta, onde eles permaneceram. Ronan estava perdendo suas chaves do carro , colocando-os em lugares estúpidos, e Opala pensou sobre como isso era apenas outro lugar estúpido porque ninguém pensaria em olhar na frente escada da varanda para as chaves.
Adam se virou e apenas olhou para a porta da frente como se fosse a coisa mais interessante do mundo. Não era, então Opala se voltou para Ronan, que afundou no assento do passageiro do carro e deixou sua bolsa de lixo descansar no chão. O preto escorria das orelhas e encharcava o colarinho, e entre as seus lábios entreabertos, seus dentes estavam cobertos por ele.
Os dois cheiravam com muito medo, mas nenhum deles disse mais nada. O carro estava tocando a primeira nota de uma música, mas nunca conseguindo mais . Ela não podia suportar isso. Ela gritou: " Kerah Kerah Kerah !" Ela correu para ele, seus cascos levantando o cascalho. Ronan virou a sua cara para fora, mas ela já tinha visto todo o desfazer que ele estava tentando esconder dela.
— Agora não—, Ronan disse a ela. —Por favor.
Mas só havia agora. Este não era um sonho onde Ronan iria reiniciar e sonhar de novo, não importa o que acontecesse. Este era o mundo animal, onde a dama da nuvem morreu e ficou morta. E Adam, que poderia resolver muitas coisas com soluções animais, mas nunca consertariam isso. Foi um problema de sonho. O que significava que tinha que ser ela.
— Sonho, ela disse a ele. Ela não gostava de olhar para ele do jeito que ele parecia agora , com o preto nos dentes e saindo dos olhos e ouvidos, mas ela tinha o visto pior em um sonho antes. Ela sentou-se na calçada em frente a ele. Ele não olhou para ela ainda.
— Sonho, ela disse novamente.
Quando ele não respondeu, ela enfiou a mão no suéter. Ela não gostou para fazer isso, porque ela não queria ser punida. Ela seria punida por entrar no celeiro longo quando ela não deveria, mas se ela tivesse que escolher - e ela estava sendo forçada a escolher - ela preferiria ser punida do que ter Ronan morto para o bem dela e depois morrer sozinha.
Ela tirou um pouquinho da nuvem de chuva peluda da qual ela havia roubado do longo celeiro. Ela apertou-o algumas vezes até que ele se transformou em chuva, e então ela segurou a palma da mão na frente dele para que as gotas deslizassem sobre sua pele. Felicidade e tristeza tomaram conta deles enquanto o trovão tomou seus ouvidos.
As escadas rangeram quando Adam se juntou a eles. Ele se agachou ao lado de Opala. — Eu pensei que você disse que não poderia fazer a chuva. Eu pensei que era por isso que você não tinha feito isso ainda.
Ronan respondeu sombriamente: — Eu podia.
— Eu não entendo, então.
— Sonho, disse Opala com urgência. Ela estava chateada que eles não estavam aceitando instantaneamente sua solução. Ronan limpou o rosto em seu ombro. Isso só fez com que as duas manchassem. — Eu não posso torná-lo tão bom quanto o antigo.
Opala estava tão brava que pegou seu saco de lixo e atirou longe dele. Metade do seu conteúdo de bom grado escapou e voou pelo quintal antes de ser pego na grama. Ele nunca tentou manter conversas enquanto morria em seus sonhos. — Sonhe!
— É por isso que você parou? Então Adam parecia colocar as coisas juntas, da maneira que ele sempre parecia saber quando algo era uma coisa de sonho, e ele se virou para Opala. — É por isso que isso está acontecendo, não é?
 Vos pot - ela começou, e então recomeçou. — Você não pode parar de sonhar. Sonhadores sonham. Ou isto acontece.
— Não—, disse Ronan. — Não, eu parei antes.
Adam perguntou:  — Por tanto tempo? De propósito? Não sonhou nada acidentalmente? Tem sido todo o verão, não é? Quando foi a última vez que você sonhou alguma coisa ?
Era muito complicado pensar em inglês, mas Opala pensou para si mesma como não importava quanto tempo tinha sido, de qualquer maneira. O Tempo-de-sonho não funcionava da mesma maneira que a hora dos animais, ela descobrira, e então, ao contrário do tempo dos animais, com suas regras absolutas e marcha de soldado adiante, O tempo do sonho poderia acabar de repente porque parecia que deveria.
— Tudo isso é porque você estava tentando fazer o novo Cabeswater perfeito ? Adam perguntou.
Ronan recostou-se no console central e pegou o banco do motorista. Ele fechou a porta e o barulho do carro finalmente parou. —Qual é o ponto em contrário?
— Você se lembra do que você me disse ao lado do seu pântano ? Eu te disse para me lembrar. Não vai ser o que você imaginou, mas vai ser tão bom quanto — Ronan suspirou. Ele fechou os olhos. — Eu gostei mais quando eu disse isso.
— Aposto.
— Eu deveria sonhar alguma coisa agora?
Opala ficou feliz em ver que ele estava lentamente virando o navio em direção à costa de soluções . Ela pegou a mão dele e agitou-a. — Sim.
Não abrindo os olhos, Ronan perguntou: — O que estou sonhando?
O alívio de Adam choveu da nuvem de sua voz. — Sonhe comigo uma reforma  para o caixa-de-merda então eu posso ir e voltar quando quiser. E então sonhe um novo Cabeswater . Não precisa ser como o outro. Desde que seja tão  bom quanto você pode fazer isso.
A felicidade e tristeza surgiram em Opala, embora ela tivesse extraviado o pouquinho de chuva-de-sonho que ela tinha roubado. Pode ter sido apenas sua própria felicidade e tristeza, sobre as coisas indo bem e mal ao mesmo tempo , sobre Adam indo embora e Ronan sendo salvo e Adam voltando novamente . Foi engraçado como um sonho realmente continha as melhores e melhores piores partes absolutas do mundo animal. Ela tinha tanto medo do absoluto pior que ela tenha esquecido como ela perdeu o melhor absoluto. Ela não tinha mais medo da promessa de um novo Cabeswater . Ela era sempre muito mais excelente quando ela estava em um sonho.
— Sim, disse Opala. — Porque eu quero ir para casa.


Tradução: Felipe

3 comentários:

  1. como faço para você divulgar a minha fanfic, Karina?

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    1. Envie o primeiro capítulo, sinopse, capa e link de onde posta para livroson-line@hotmail.com

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Boa leitura, E SEM SPOILER!