29 de setembro de 2018

Divulgação: Onde está Poseidon?


 Sinopse:
" Você reduziu o meu sofrimento, agora é a minha vez..."
Leona, vive em uma cidade feita do turismo, a renda do seus pais vem desse turismo, que sempre retorna com força nas festas de carnaval. Depois de um período de crise, ela fica triste e recebe o apoio do seu novo amigo, Poseidon, que a ajuda a mudar tudo e trazer de volta o espirito festivo a cidade. Mas, depois de alguns dias, Pose para de ir a escola e a responder as mensagens  que seus amigos o enviam, ou seja, a literalmente sumir. Então agora será a vez de Leona tentar ajudar descobrir o que o seu melhor amigo tem e como ajudá-lo.

Categorias: romance, mistério, oneshot, história original
Autor: Geovanne José
__________________________________


Trecho da música que originou este conto:
I know you care
I know it's always been there
But there is trouble ahead, I can feel it
You are just saving yourself when you hide it

                                                        I know you care:  Ellie Goulding

    Oi, meu nome é Leona Andrews Carter, filha de Colin e Sarah Andrews Carter. Tenho 15 anos e vivo em uma cidadezinha no interior chamada Pedra Roxa, uma cidade que vive do turismo, que é forte na época de carnaval. Esse turismo sustenta minha família, que vive de vender fantasias na época do carnaval. Mas algo aconteceu durante dois anos tudo começou a diminuir, o turismo, a força de vontade dos moradores para realizar festas de carnaval, tudo foi diminuindo e terrivelmente, acabando cada vez mais com o negócio da minha família.
    Tudo estava perdido, minha família não conseguia mais se sustentar fazendo e vendendo fantasias, que há alguns anos atrás vendiam rapidamente, em questões de segundos. Agora a gente vendia pouca fantasia, e exportava um numero muito menor ainda. Novamente repito tudo estava perdido. Eu entrei em uma fase triste, não sabia o que fazer, ninguém sabia, as pessoas se reuniam para culpar a crise em que nosso país e continente, Dalls Talls, estava vivendo e até mesmo os celulares. Todo mundo, inclusive eu, reclamava de tudo, mas ninguém tomava alguma iniciativa.
    Meu namorado Guilherme e minha melhor amiga, Helena, me viram mudar de a garota extrovertida para a garota reprimida e triste. Um dia, levantei da minha cama e ouvi barulho de carros de mudança. Fui para o banheiro, escovei meus dentes, vesti minha farda e desci as escadas. A primeira coisa que vi foi meu pai e minha mãe olhando as contas do mês, claramente abalados com o valor. Dei bom dia, bebi meu café e fui diretamente para minha escola até que eu o vi... Poseidon, um garoto de pele negra, cabelo crespo, um moletom que obtinha a cor branca, e usava uma calça jeans preta e calçava um tênis branco. Na primeira hora ele já veio puxar assunto comigo e com um oi, vizinha que surgiu nossa grande amizade.
     O tempo foi passando e nós fomos virando melhores amigos, e passei de uma garota deprimida para uma garota feliz e deprimida às vezes, somente às vezes. Ele começou a ser o meu refugiu. Quando eu estava com ele e com meus amigos tudo passava mais rápido, mas quando voltava para casa, era sempre a mesma solidão, a mesma tristeza. Foi quando um dia não aguentei mais e tive que desabafar com o Poseidon, marquei na casa dele que era do lado da minha, e lá estava eu desabafando para ele, falando tudo o que me entristecia. Mas parece que isso foi muito bom, Poseidon teve uma ideia inocente, mas que poderia resolver alguma coisa. Marcar uma festa a fantasia no centro da cidade e fazer uma divulgação intensa. Eu ri na hora, ele riu, mas nós fizemos isso.
    Comunicamos a prefeitura da cidade que nos disponibilizou uma verba para o evento, decoramos a festa, divulgamos em grupos de redes sociais, escrevemos para o jornal, fizemos uma divulgação pesadíssima, e não é que deu certo? Em três semanas, as fantasias começaram a vender novamente como água, e não parou de vender até o dia do evento, que alias foi um sucesso, gente de todas as cidades do nosso estado, foram, tudo parecia um carnaval fora de época, digamos. E na festa ocorreu algo, eu depois de anos, abri um sorriso com tudo aquilo, e fui de feliz e deprimida, para felicidade total. Helena, que possuía traços indígenas, estava linda com uma fantasia de mulher-maravilha, já Pose estava de lobo-mau, e o mais lindo da festa, meu namorado, que se parece muito com o ator Dave Franco, estava de zumbi. E eu? De cachinhos dourados, risos. Alias a festa inteira foi uma diversão, e agradou tanto a prefeitura que eles já começaram a marcar outros eventos, e com isso, trazendo de volta a energia da cidade, que foi tomada ou por conta do sedentarismo que os celulares trouxeram ou por conta da crise econômica.
    Mas eu não esperava por aquilo. No outro dia eu acordei e vive o dia normal até a escola. Bom, eu já tinha percebido que o Pose não tinha ido para a escola já que ele não tinha aparecido na porta de casa, mas mesmo assim, depois de dias ele continuou não indo à escola, eu, como uma boa amiga, estava lá, mandando todos os dias mensagens, mas ele nunca respondia.
    Estava cada vez mais próximo da festa de aniversário da cidade, e ele nada. Eu poderia e pensei várias vezes em ir até a casa dele, mas, não sei, eu não tinha coragem de fazer isso, uma coisa tão fácil, mas, que eu tinha muita dificuldade de fazer, já que eu não conhecia os pais dele, só de vista. Durante os dias que foram se passando e nada dele voltar para a escola, eu perguntou pras diretoras da escola e ninguém sabia me dizer onde ele estava. Numa quinta, à noite, eu, Guilherme e Helena nós reunimos para mandar várias mensagens e até mesmo ligar para ele, mas nada acontecia.
    Os dias foram se passando, e cada vez mais eu me sentia envergonhada de não ir para a casa dele por causa da minha timidez. Minha timidez me deixava para baixo, eu não conseguia ir saber do meu melhor amigo por causa da minha timidez. Até que eu me olhei no espelho, suspirei, e disse: É agora!
    Vesti meu moletom verde escuro preferido, vesti uma calça jeans preta, coloquei meus brincos em formato de cruz, prendi meu cabelo loiro cacheado, calcei meu sapato azul e fui em direção a casa dele.
   Era uma casa comum como qualquer outra, com um portão vermelho alto, paredes de cor vermelho claro, janelas pretas e o numero da casa, trezentos e trinta e três. Fiquei em frente ao portão, suspirei, pensei se eu tinha mesmo coragem de entrar ali, e depois de segundos apertei a campainha. Pensei, será que eu estou atrapalhando a vida deles? Será que na verdade, o Poseidon está com raiva de mim?  E se os pais dele me derem uma bronca? Depois de um minuto de pensamentos negativos, abriram a porta e saiu o pai dele. Andou até o portão com um sorriso enorme no rosto e abriu o portão.
— Você é a Leona, certo? — perguntou ele para mim. Ele estava usando um macacão masculino jeans e calçava uma sandália, que eu não consegui ver a cor, e não queria, já que minha mente gelou na hora.
— S-s-s-i-i-im — eu respondi tremendo.
— Veio ver meu filho? Ele está lá em cima, em seu quarto, entre, por favor – disse ele enquanto, eu, ainda tremendo entrava na casa de Pose – Pode subir a escada, e vira à direita e entre no quarto dele, pode entrar sem bater, ele quase nunca tranca a porta.
      Eu subi as escadas e fui em direção ao quarto do Pose, com o coração na mão de tão tímida que eu estava, mas, precisava fazer aquilo, ele faria aquilo por mim. Cheguei à porta branca e entrei sem bater no quarto. Estava com medo de não ser mesmo aquele quarto, mas era, era aquele o quarto do Pose. Suas paredes azuis ocupadas com pôsteres de filmes antigos, um computador no canto do quarto, e uma cama de solteiro que obtinha um lençol amarelo em cima do colchão, e em cima do lençol, estavam ele. O mesmo Pose que eu sempre conheci, ali estava o meu melhor amigo, lendo em silêncio a coluna do jornalista amarelo sobre uma aparição surpresa de uma mulher-zumbi em alguma cidade, ao qual não lembro o nome.
— Oi — eu disse enquanto ele se virava para o meu canto do quarto, perto da lixeira preta e da entrada da porta. Incrivelmente minha timidez tinha ido embora  no instante em que eu vi Pose ali lendo o jornal.
— Você não deveria ter vindo — sussurrou ele.
— Mas eu vim. E então você está bem?
— Se eu estou bem ou não, não é da sua conta e, por favor, você não entenderia, então faz o favor e saia do meu quarto! — gritou ele olhando diretamente nos meus olhos.
— Não, eu não vou sair até falar por que você faltou todas estas quatro semanas! Quatro semanas que eu não te vejo e quando até que enfim consigo te ver e tomo coragem de vim aqui, você me maltrata! Eu quero saber agora por que o senhor não tem ido e nem respondido minhas mensagens!
— sinceramente eu nunca te pedi para se preocupar comigo e eu já te disse me deixe quieto! Não estou matando, nem roubando, nem fazendo nada de errado, só quero paz!
— Eu não vou te dar paz! Sacrifiquei-me vindo até aqui e agora você quê paz? Velho, só saiu daqui na hora que você me falar o que eu não vou entender! — exclamei bem alto, sem medo de nada.
— Cara, meus pais, lindamente ESTÃO SE DIVORCIANDO! — confessou começando a chorar muito — então, por favor, me deixe quieto.
— Eu não sabia — eu revelei, chocada com o que tinha acabado de ouvir.
— Mas agora sabe, sai da minha frente, por favor — implorou ele, e com toda a certeza, eu não poderia negar o seu pedido.
— Pelo menos, você vai à festa de aniversário da cidade? —perguntei calmamente e ainda assustada, enquanto a onda de timidez me invadia novamente.
— Não — pronunciou as três letras de modo friamente. Eu me virei e deixei o quarto dele. Fui andando rapidamente para fora da casa, com o intuito de não encontrar nem o pai ou a mãe dele. Ainda bem que o portão já estava aberto e então eu sai da casa e fui em direção a minha.
    Os dias foram se passando e novamente nenhum sinal do Pose, e eu tinha novamente passado de garota felicidade total, para garota deprimida. Meu melhor amigo estava se afundando em uma fase triste e eu, não poderia fazer nada. Pesquisei todas as informações sobre divorcio e filhos que já sofreram com isso na internet, mas, não encontrava nada, somente palavras de conforto.
     Era o grande dia, todas as fantasias já tinham sido esgotadas, a felicidade estampada no rosto de todos, minha mãe, que estava fantasiada de Arlequina, me ajudava no penteado para combinar com minha fantasia de cinderela.
— Há dias eu te vejo triste, sei que o Pose está passando por algo difícil, mas também sei que ele iria adorar vê-lá dançando alegremente na festa — comentou minha mãe.
— Eu só queria ser útil para ele nesse momento.
— Um conselho, faltam muitas horas pro evento começar, que tal você dar uma passadinha na casa dele, e o deixar desabafar com você, não é isso que vocês jovens amam fazer?
— Como? Fantasiada de Cinderela? Tenho vergonha de ir vestida com minhas roupas, imagina assim, toda fantasiada.
— Todo mundo hoje está fantasiada e outra, às vezes precisamos sacrificar coisas para o bem de quem amamos — falou terminando o meu penteado e beijando meu pescoço. Fiquei me olhando no espelho e vi que era hora de agir, talvez o Pose só precise de um ombro amigo, e é isso que irei oferecê-lo.
   Corri fantasiada de Cinderela pela rua e fui para o outro lado, onde ficava a casa dele. Suspirei, pedi forças a Deus e toquei a campainha. Dessa vez foi à mãe dele quem veio atender. Loira, usava um óculos estilo anos 90 e usava um vestido verde claro e obvio, não estava fantasiada. A expressão no rosto dela era de felicidade, como se eu fosse à salvação.
— Ele está lá em cima, você já deve saber onde é — eu fiz que sim com a cabeça, e tremendo outra vez, entrei na casa e fui direto para o quarto. Entrei sem bater, e vi que o quarto não tinha modificado nada nesses três dias que eu não tinha ido ali.
— Eu não vim aqui para te julgar e te dizer baboseiras, estou aqui para te ouvir — Falei enquanto ele, que estava na janela observando as pessoas felizes indo para a festa, se virou e com um sorriso disse:
— Tá pra ver que você me ama mesmo, já veio aqui em casa duas vezes, mesmo morrendo de timidez.
— Saiba que eu nunca fui às casas dos meus amigos, somente na do Guilherme que foi uma batalha pra eu conseguir me acostumar com meus sogros — relatei terminando com um sorrissinho no rosto. Foi quando ele veio correndo, com os olhos lagrimejando, para cima de mim.
— Eu preciso tanto compartilhar essa dor minha com alguém. — E foi ai que ele compartilhou sua dor comigo. Resumindo toda a história, os pais dele estavam se divorciando e mesmo assim estava temporariamente morando na mesma casa, mas que depois de algum tempo, sua mãe os deixariam. Ele chorou durante todo o relato, revelou que não tinha mais forças para fazer absolutamente nada. Foi ai que, com o coração na mão, o convidei para irmos à festa da cidade. No primeiro momento, negou varias vezes, mas na hora que eu parei de insistir, ele disse que adoraria ir. Então ele se fantasiou da mesma fantasia da outra festa, a de lobo mau, e tentando colocar um sorriso no rosto, fomos para a festa. E chegando lá, tudo mudou. Foi sinceramente a melhor festa da minha vida, e creio que também da dele. Dançamos, comemos amendoins (Sua comida preferida), bebemos, e claro, nos divertimos muito, alias, todo mundo ali estava se divertindo, meus pais, o Guilherme, a Helena, eu e obvio o Pose. Foi uma noite e tanto!
     No outro dia fui para a escola, e notei que Pose não tinha ido, novamente. Era uma sensação destruidora ver a cadeira dele vazia lá do meu lado da sala. Foi ai que eu o vi, na porta da sala, entrando, atrasado para a aula. Ele me olhou e me deu um sorriso, aquilo foi sensacional.
— Professora, me desculpe por ter chegado atrasado, mas, eu posso dizer algumas palavrinhas para a turma? — ele perguntou para a professora Shirley.
— Se você quiser, ainda temos algum tempo até a aula começar de verdade.
— Obrigado. É oi pessoas, meus colegas, meu nome é Poseidon, e isso vocês já sabem, eu sempre fui muito extrovertido, sempre conversei com todos, sempre dei apoio a todos. Mas, sempre quando eu ajudava alguém, nunca pensava que um dia eu teria que ser ajudado, e, esse dia chegou. Enquanto eu, egoísta, me isolava de tudo quando descobri que meus pais estavam se divorciando, tinha uma coisa que eu não sabia, eu precisava de ajuda e não da solidão. Foi ai que minha rainha chegou, sacrificando os seus próprios medos para me salvar, e adivinha? com muita persistência ela conseguiu. Então, eu só gostaria de dizer diante a todos que, eu te amo Leona – ele parou de falar e olhou para mim, enquanto todos da turma fizeram a mesma coisa, incluindo a professora Shirley — Obrigado por tudo, por tudo mesmo.
— Pose, eu preciso dar minha aula — interrompeu a professora, enquanto ele acenava que sim com a cabeça e vinha em direção a sua cadeira. Foi ai que eu me virei para ele e disse.
— Bem vindo de volta, Poseidon, agora estamos quites, você reduziu meu sofrimento e eu reduzi o seu — declarei, enquanto a professora chamava nossa atenção e ele começava a rir.
_________________________________

Deixe a sua opinião nos comentários!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Se você não tem conta no Google e quiser comentar, utilize a opção Nome/URL e preencha seu nome/apelido/nick; o URL pode deixar em branco.

Boa leitura, E SEM SPOILER!