13 de agosto de 2018

Capítulo 4

LUCIA
O SANTUÁRIO

Lucia se lembrava da explosão — dos gritos, do choro. Os corpos ensanguentados e dilacerados ao seu redor. Olhos sem vida em cabeças deitadas sobre poças de sangue. Depois a escuridão durou tanto tempo que ela achou que estava morta e não tinha ido para o tranquilo além, mas para as terras sombrias, lugar para onde iam as pessoas más quando morriam — um lugar de tormento infinito e desespero.
Às vezes ela achava que tinha acordado, mas em seguida era empurrada de volta para as profundezas infinitas do sono. Sua mente estava enevoada e confusa.
Ela havia rezado desesperadamente para a deusa Valoria perdoá-la… para salvá-la… mas suas preces à deusa limeriana não haviam sido atendidas.
Mas então, finalmente, a alvorada. Raios de sol aqueceram sua pele com o calor de um dia de verão. E muito, muito devagar, ela abriu os olhos, piscando para clarear a visão. As cores eram tão vivas e radiantes que ela precisou proteger os olhos até se acostumar com aquela intensidade inesperada.
Lucia percebeu que usava seda branca esvoaçante, um lindo vestido com bordado dourado no corpete, o mais belo que a melhor das costureiras poderia criar. Um prado exuberante estendia-se por quilômetros à sua volta. Acima, um magnífico céu azul. O perfume de flores silvestres enchia o ar quente. Havia um aglomerado de árvores perfumadas, carregadas de frutas e flores à sua direita. Ela sentiu a grama e o musgo suaves sob a palma das mãos ao se levantar para absorver o entorno, cada vez mais chocada.
À primeira vista, o prado parecia igual a qualquer outro, mas não era. Várias árvores que pareciam salgueiros cintilavam como se fossem feitas de cristais, com galhos que tocavam o chão como delicadas penas de vidro. Outras árvores pareciam dar frutos dourados em galhos adornados com folhas que lembravam joias. A grama não era apenas verde-esmeralda, mas salpicada de prateado e dourado, como se cada lâmina tivesse sido mergulhada em metais preciosos. Ao longe, à esquerda, havia colinas verdejantes — atrás das quais era possível ver uma cidade que parecia totalmente feita de cristal e luz. Mais perto do prado havia duas belas rodas esculpidas em pedra, afundadas na terra, uma de frente para a outra, cada uma da altura de três homens adultos, brilhando à luz do dia como se fossem recobertas de diamantes.
Era tudo tão estranho e belo que, por um longo momento, ela ficou sem fôlego e hipnotizada.
— Onde estou? — ela sussurrou.
— Bem-vinda ao Santuário, princesa.
Sua cabeça se virou rapidamente na direção das árvores, e ela viu um jovem se aproximando. Ela se esforçou para se levantar o mais rápido possível, afastando-se alguns passos dele.
— Não se aproxime! — Ele a havia assustado, e o coração dela batia como uma criatura selvagem aprisionada no peito. — Não chegue mais perto.
— Não vou lhe fazer mal.
Por que acreditaria nele? Ela cerrou o punho e invocou a magia do fogo. Sua mão irrompeu em chamas.
— Eu não conheço você. Pare aí mesmo ou juro que vou me defender!
Ele fez como ela pediu e se manteve a cinco passos de distância. Ele inclinou a cabeça e observou a mão dela, fascinado.
— A magia do fogo é a parte mais imprevisível dos elementia. Deve ter cautela ao utilizá-la.
— E você deveria ter cautela ao se aproximar de alguém sem avisar, se não quiser ser queimado.
Ela tentou parecer calma, mas havia sido pega de surpresa. Agora, tudo o que podia fazer era olhar fixamente para o garoto mais bonito que já tinha visto na vida. Alto e esguio, pele dourada, cabelos sedosos cor de bronze, olhos cor de prata escura. Ele usava uma camisa branca e larga, calças brancas e estava descalço sobre a grama macia e cintilante.
— Eu vi o que você fez com a bruxa quando seus poderes despertaram totalmente — ele disse, como se estivessem tendo uma conversa trivial. — A amante do rei tentou forçá-la a usar seus elementia na presença dela. Você a reduziu a cinzas.
Ela sentiu uma onda de enjoo com a menção da morte terrível de Sabina. O cheiro da carne queimando ainda a assombrava.
— Como você pode ter testemunhado uma coisa dessas?
— Ficaria surpresa com o que sei a seu respeito, princesa. — A voz dele era como ouro líquido, fazendo um arrepio percorrer o corpo dela. — Meu nome é Ioannes. Sou um daqueles que os mortais conhecem como vigilantes. Eu… a vigio desde que era criança.
— Vigilante. — A palavra parou em sua garganta, e ela olhou-o nos olhos. — Você é um vigilante?
— Sou.
Ela sacudiu a cabeça.
— Não acredito nessas histórias.
— Não são histórias. — Ele franziu a testa. — Bem, são histórias, mas isso não significa que não sejam verdadeiras. Acredite em mim, princesa, eu sou bem real. Tão real quanto você.
Impossível. Ele era irreal demais, tanto quanto aquele prado. Ela nunca tinha visto nada parecido com ele antes.
Ela manteve o punho cerrado e em chamas.
— E este lugar? Você disse que é o Santuário?
Ele deu uma olhada ao redor antes de fixar os olhos nela novamente.
— Isto é apenas uma cópia do meu lar. Estou visitando você em seus sonhos. Eu precisava vê-la, precisava me apresentar e dizer que posso ajudá-la. Quis fazer isso por muito tempo, e finalmente estou muito feliz em conhecê-la pessoalmente.
Então ele sorriu — um sorriso tão sincero, aberto e belo —, e o coração de Lucia deu um salto.
Não. Ela não podia se distrair com essas coisas. Sua cabeça estava inundada com o que ele havia dito até então, e sua mera presença a desequilibrava.
Em Limeros, apenas livros que continham fatos e verdades sólidas eram permitidos pelo rei no palácio para educar seus filhos. Mas Lucia havia nascido com uma sede de conhecimentos de todos os tipos, que iam além do que lhe era permitido. Conseguira pôr as mãos em livros proibidos de histórias infantis, através dos quais descobriu as lendas dos vigilantes e do Santuário. Havia lido histórias sobre a capacidade que eles tinham de entrar nos sonhos dos mortais. Mas eram apenas isso — histórias.
Aquilo não podia ser real. Podia?
— Se me vigia há tanto tempo quanto diz… — Parecia totalmente impossível que fosse verdade. Ele não parecia muito mais velho do que ela. — Então por que só se apresentou agora?
— Antes não era o momento certo. — Seus lábios se contorceram. — Mas, acredite, não sou o mais paciente entre meus semelhantes. Foi difícil esperar, mas estou me apresentando agora. Eu posso ajudá-la, princesa. E você pode me ajudar.
Ele estava falando bobagem. Se realmente era um vigilante, um ser imortal que vivia em um mundo diferente daquele dos mortais, por que precisaria da ajuda de uma garota de dezesseis anos?
Mas então ela se deu conta de que não era uma garota de dezesseis anos qualquer, como havia ficado claro ao deixar o punho em chamas com o poder do pensamento.
— Não acredito em nada que está dizendo. — Ela colocou o máximo de convicção que conseguiu em suas palavras, mesmo sentindo um desejo repentino de descobrir tudo o que pudesse sobre Ioannes. — Vigilantes não passam de lendas, e isto… isto não passa de um sonho bobo. Estou sonhando com você, só isso. Você não passa de um produto da minha imaginação.
Ela nunca tinha se dado conta de que sua imaginação era tão incrível.
Ioannes cruzou os braços, analisando-a com interesse e uma ponta de frustração, mas não tentou chegar mais perto. Olhou novamente para o punho dela, que continuava queimando como uma tocha. Não causava nenhum desconforto nela, apenas uma leve sensação de calor.
— Pensei que seria mais fácil.
Ela riu daquilo, e o som saiu áspero de sua garganta.
— Não tem nada de fácil nisso, Ioannes. Quero acordar. Quero sair deste sonho.
Mas como um sonho podia parecer tão real? Ela conseguia sentir o cheiro das flores, sentia o chão sob seus pés descalços, a porosidade úmida do musgo, as cócegas provocadas pela grama. Nenhum sonho jamais fora tão real. E o que era aquela cidade de cristal sobre a colina? Não havia nada como aquilo no mundo mortal — nem como o prado estranho e mágico. Ela teria ouvido falar de algo tão surpreendente. Mesmo nos livros que descreviam as lendas dos vigilantes, ela nunca tinha visto uma ilustração ou descrição daquela cidade.
Ele acompanhou o olhar dela.
— É lá onde moramos.
Lucia voltou a encará-lo e respirou fundo.
— Então por que não estou lá? Por que estou nesse prado?
Ioannes percorreu a área rapidamente com os olhos.
— Foi aqui que eu peguei no sono para poder encontrá-la em meus sonhos. Aqui é reservado e silencioso. Poucos sabem que gosto de vir aqui.
Lucia começou a andar de um lado para o outro, em linhas curtas e rápidas, as saias brancas arrastando no chão, tão longas que quase a faziam tropeçar. Ela estava totalmente atenta a Ioannes, meio esperando que ele avançasse e a atacasse a qualquer momento. Que ele arrancasse o lindo rosto e revelasse algo terrível e feio por baixo. Talvez ele fosse um demônio que a estivesse mantendo adormecida e aprisionada em pesadelos — ela já havia lido sobre algo assim, embora também tivesse sido em um livro de histórias infantis, que devorou rapidamente antes de esconder embaixo da cama para ninguém ver.
Certo. Se estava presa ali, precisava conversar. Precisava de respostas para as perguntas que borbulhavam em sua garganta — sobre o estranho e encantador Ioannes, sobre tudo.
— Quantos anos você tem?
Ele ergueu as sobrancelhas como se não esperasse essa pergunta.
— Sou velho.
— Você não parece velho.
— Nenhum de nós parece. — A expressão de divertimento no rosto dele tinha começado a irritá-la. Não havia nada de divertido. — Pode apagar o fogo, princesa. Não pretendo lhe fazer mal hoje, posso garantir.
Sua mão continuava a queimar. Concentrando-se, fez as chamas aumentarem e brilharem mais. Ela não aceitaria ordens de ninguém, principalmente de um garoto imaginário de seus sonhos.
Aquilo só fez o sorriso de Ioannes aumentar.
— Muito bem, faça como quiser. Talvez se vir por si mesma o que eu sou, ainda que nos confins deste sonho, talvez comece a acreditar. Este é apenas nosso primeiro encontro. Haverá outros.
Um tremor espontâneo de antecipação percorreu seu corpo.
— Não se eu puder fazer algo a respeito. Logo vou acordar, e você terá desaparecido.
— Talvez. Mas mortais precisam dormir todos os dias, não precisam? Não vai conseguir escapar de mim tão fácil, princesa.
Lucia olhou feio para ele, mas teve de admitir que era um bom argumento.
— Observe. — Ele deu um passo para trás e ergueu as mãos ao lado do corpo.
Um redemoinho o envolveu, borrando sua imagem por um instante, o ar se transformando, brilhando, girando.
No momento seguinte, seus braços eram asas, sua pele estava coberta de penas douradas que cintilavam sob a luz do sol. Com um bater de asas, ele levantou voo.
Era um falcão, que planava no alto do nítido céu azul. Impressionada, Lucia protegeu os olhos da luz brilhante, incapaz de desviar o olhar — e notou que seu fogo havia se extinguido sem que se desse conta.
Finalmente, ele pousou no galho de uma árvore próxima, carregada de maçãs douradas. Ao mesmo tempo hesitante e fascinada, ela se aproximou e ficou olhando para ele, surpresa por seus olhos terem mantido o mesmo tom prateado-escuro.
— Isso não prova nada — ela disse ao falcão, mas seu coração batia forte e rápido. — Qualquer coisa pode acontecer em um sonho. Isso não o torna real.
Ele soltou as garras afiadas do galho, mas, antes de tocar o chão, transformou-se em homem de novo. Ele olhou para si mesmo.
— Normalmente, quando mudamos de forma, não permanecemos vestidos. Penas se transformam em pele, pele se transforma em penas. É a única diferença que notaria se estivesse acordada.
O calor tomou conta de seu rosto diante da mera sugestão de que ele estaria completamente nu se ela estivesse acordada.
— Então suponho que devo ser grata por não passar de um sonho.
— Você sabe que isso é real porque sabe quem você é, o que você é. Seu destino está ligado ao Santuário, princesa. Está ligado aos vigilantes, à Tétrade. — Ele ousou se aproximar, com o olhar mais intenso. — Seu destino está ligado a mim, e sempre esteve.
A proximidade dele a perturbou e, por um momento, tornou-se impossível se concentrar ou falar.
Ela percebeu que havia substância e verdade no que ele dizia. O corpo dela podia estar inconsciente em uma cama, mas sua mente, seu espírito… estavam ali.
— Você me vigiou por causa da profecia — ela disse.
Ele franziu a testa enquanto olhava atentamente para ela, como se memorizasse seus traços.
— Sim. Você é a feiticeira que eu espero há um milênio.
— Que você espera?
Ioannes assentiu.
— Muitos não acreditavam, mas eu, sim. E esperei até você descobrir sua magia para me aproximar. Para guiá-la. Para ajudá-la. — Ele ficou em silêncio até que ela, novamente, olhou para a frente e encontrou diretamente seus olhos prateados. — Sua magia é poderosa demais para você nesse momento, e está ficando mais forte a cada dia. Você nem se deu conta disso ainda.
— Ah, pode acreditar — ela disse em voz baixa. — Estou bem ciente do quanto é poderosa.
Seu pai, o rei Gaius, obrigou-a a usar sua recém-descoberta magia para romper a proteção da entrada do castelo auraniano, após uma batalha sangrenta do lado de fora das muralhas da Cidade de Ouro. O feitiço de proteção se elevou como um dragão feroz diante dela, e a combinação dele com seus próprios elementia havia causado a explosão que matou tanta gente.
— Algum dia vou acordar? — ela sussurrou. — Ou vou morrer dormindo como punição pelo que fiz?
— Você não vai morrer dormindo. Disso eu tenho certeza.
Ela ficou aliviada com essas palavras.
— Como você sabe?
— Porque precisamos de você. Sua magia fará a diferença para nós, para o Santuário.
— Como?
Ioannes desviou o olhar e se virou para o prado, e sua expressão ficou mais tensa.
— A magia elementar que existe aqui, que foi aprisionada no meu mundo como areia em uma ampulheta, tem escapado desde que a Tétrade foi roubada de nós e perdida. Desde que a última feiticeira deixou de existir. A feiticeira que tinha exatamente a mesma magia que você. Seu nome era Eva, e ela também era uma vigilante imortal.
— Eva é meu segundo nome — Lucia disse, surpresa.
— Sim, é. E foi ela que lançou a profecia como suas últimas palavras antes de morrer, dizendo que a próxima feiticeira nasceria em mil anos. Uma mortal que deteria o poder dos elementia como ela. Você. O rei Gaius sabia da profecia o tempo todo. Ele sabia no que você se transformaria. Foi por isso que a criou como sua própria filha.
A cabeça de Lucia se esforçou para acompanhar o que ele dizia.
— O que aconteceu com Eva? Como uma vigilante imortal pode morrer?
— Ela cometeu um erro que lhe custou a vida.
— Qual?
Um sorriso triste apareceu no canto da boca dele.
— Ela se apaixonou pelo rapaz errado; um caçador mortal que a desviou do caminho e a afastou daqueles que a protegiam. Ele a destruiu.
Lucia percebeu que havia se aproximado ainda mais de Ioannes sem se dar conta — estava tão perto que, quando ele se virou para ela novamente, sua manga roçou no braço dela. Apesar de estar em um sonho, ela podia jurar que sentiu o calor da pele dele na sua.
Ela deu um passo trêmulo para trás.
Lucia sempre absorveu livros e informações; sua mente era ávida por mais do que os tutores queriam ensinar. E ninguém parecia saber muito sobre os elementia, uma vez que a magia era considerada uma lenda pela maioria, exceto por algumas pessoas acusadas de bruxaria. Até mesmo Sabina, que se autoproclamava bruxa, não havia mostrado nenhum sinal real de magia a Lucia — pelo menos não o suficiente para se defender quando Lucia protegeu Magnus e a si mesma daquela mulher diabólica.
Você não precisava matá-la, uma vozinha disse dentro dela. A mesma voz que a torturava desde o ocorrido. A lembrança do corpo sem vida e carbonizado de Sabina no chão invadiu sua mente mais uma vez.
— Conte mais, Ioannes — Lucia sussurrou. — Conte tudo.
Ele passou a mão pelos cabelos cor de bronze, com a expressão cada vez mais incerta.
— Faz muito tempo que Eva viveu. Lembranças sobre ela foram ficando incertas, até mesmo para mim.
— Mas faz mil anos que ela fez da profecia suas últimas palavras. Você não disse isso?
— Sim. A mesma época em que a Tétrade se perdeu de nós.
Ela respirou fundo.
— Você tem lembranças incertas de uma feiticeira que viveu há mil anos. Quantos anos você tem?
— Eu já disse, princesa. Sou velho.
— Certo, mas exatamente quão velho?
Ele hesitou, mas apenas por um instante.
— Dois mil anos.
Ela ficou olhando para ele em choque.
— Você não é velho. Você é uma relíquia da antiguidade.
Ele ergueu uma sobrancelha, formando um sorriso nos lábios.
— E você tem dezesseis anos mortais. Apenas uma criança.
— Não sou criança!
— É, sim.
Lucia resmungou de frustração. Aquela discussão não a estava levando a lugar nenhum, assim como as tentativas de entender como um vigilante de dois mil anos podia ter uma aparência tão jovem e atraente — mais do que qualquer outro garoto que já havia conhecido. Ela precisava se concentrar em obter mais conhecimento, mais informações que pudessem ajudá-la. Ela apontou para a cidade.
— Quero ir até lá. Quero falar com alguém, alguém que não tenha lembranças tão incertas sobre o que aconteceu exatamente com a última feiticeira, quem era ela, o que fez… qualquer coisa!
— É impossível, princesa. Isto é um sonho e, como eu disse, apenas uma cópia do que é real. E mesmo que não fosse, mortais não entram no Santuário, assim como vigilantes não saem, a menos que assumam a forma de falcão.
Aquela podia ser uma conversa real, mas ainda assim se passava nos confins de um sonho. O que ela via diante de si tinha tanto peso na realidade quanto uma pintura ou um esboço. Ela pensou na forma de falcão de Ioannes e em como ele costumava viajar ao mundo mortal para espioná-la. Era desconcertante pensar que ele a vigiava desde que era apenas um bebê.
— É um dom tão maravilhoso poder assumir a forma de algo que voa — ela finalmente disse.
— Um dom — ele disse calmamente, e algo agudo e doloroso em sua voz chegou ao coração dela. — Ou uma maldição. Acho que depende totalmente do ponto de vista.
Ela franziu a testa, sem saber ao certo o motivo dessa mudança de tom.
— Você me arrastou para esse sonho porque diz que pode me ajudar. Como? Ou isso também está incerto para você?
Ela não pretendia parecer tão petulante, mas não pôde evitar. Ele não lhe dissera nada de útil, apenas fragmentos interessantes de informação que não tinham utilidade prática. O rosto de Ioannes se virou para a esquerda, e ele franziu muito a testa.
— Tem alguém aqui.
Ela olhou em volta. Eles estavam sozinhos.
— Quem?
Finalmente sua expressão relaxou.
— É minha amiga, Phaedra. Ela não nos fará mal. Provavelmente quis saber para onde eu havia desaparecido.
— Outra vigilante?
— Sim, claro. Ela está ajudando com a busca de informações, parte do que temos que fazer para…
Em seguida, ele desapareceu. Em um instante estava lá, no outro tinha ido embora.
Lucia olhou à sua volta, alarmada.
— Ioannes?
E então o prado e o Santuário sumiram, se desfazendo como vidro quebrado, desaparecendo e deixando apenas a escuridão para trás.

4 comentários:

  1. — Não acredito em nada que está dizendo. — Ela colocou o máximo de convicção que conseguiu em suas palavras, mesmo sentindo um desejo repentino de descobrir tudo o que pudesse sobre Ioannes. — Vigilantes não passam de lendas, e isto… isto não passa de um sonho bobo. Estou sonhando com você, só isso. Você não passa de um produto da minha imaginação.
    Ela nunca tinha se dado conta de que sua imaginação era tão incrível.


    Já estou apaixonada por ele
    (suspiros).

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  2. Eu apoio ioancia, luannes, luces, sei lá. Só sei que apoio hehehehe

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  3. Mas a intenção dele ainda é de matar Lucia

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  4. Mas ele gosta dela so que sabe que tem que mata-la mas provavelmente não vai pelo menos acho que ele vai abandonar o santuário para ficar com ela

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Boa leitura, E SEM SPOILER!