14 de agosto de 2018

Capítulo 33

LYSANDRA
AURANOS

Lysandra tropeçou quando um guarda a empurrou para dentro de uma cela escura e lotada, e desabou no chão de terra. As paredes de pedra eram úmidas e cheiravam a mofo e morte. No topo da parede alta havia uma pequena janela, não maior do que sua mão, apenas grande o bastante para deixar entrar um raio de sol, que zombava dela com a liberdade que por fim lhe havia sido roubada.
Apenas cinco deles chegaram ao destino com vida. Phineas havia protestado durante a viagem ao calabouço auraniano, discutindo com um guarda, e teve a garganta imediatamente cortada e o corpo atirado da ponte.
Os demais ficaram em silêncio depois disso. Lysandra segurou a mão suada de Tarus com força durante a maior parte do caminho. O garoto estava aterrorizado, mas tentou ser valente. Por ela. Ela não sabia o que tinha acontecido com Jonas, mas se recusava a acreditar que ele estivesse morto. Por quê? Tantos deles haviam morrido.
Mas talvez Jonas fosse um dos poucos que conseguiram escapar. Talvez estivesse, agora mesmo, organizando uma tentativa de resgate.
Não. Ela não se permitiria pensar em tais coisas, que só levariam à decepção. Se quisesse escapar, teria que fazer isso sozinha.
De alguma forma.
Ela olhou, desanimada, para a janela lá em cima. Não havia saída e ela sabia disso. Uma lágrima escorreu por seu rosto.
— Pequena Lys, não chore — a voz familiar surgiu na escuridão.
Ela virou rapidamente na direção do garoto sentado num canto.
— Gregor? — ela não conseguia acreditar nos próprios olhos. Correu para o seu irmão, sentando-se ao lado dele. Ela segurou suas mãos sujas para ter certeza de que era real. — Você está aqui. Está vivo!
— Por pouco — ele tentou sorrir. — É tão bom vê-la, irmã.
— Pensei que estivesse morto! Procurei você nos campos de trabalho da estrada, mas não consegui encontrá-lo em lugar nenhum!
— Escapei e fui para Limeros, mas fui capturado algumas semanas atrás. Trouxeram-me até aqui por ordem do próprio príncipe. Estou aqui desde então. Mas não por muito mais tempo. Acho que finalmente terminaram de me interrogar. Nunca parecem contentes com minhas respostas. Apenas minha morte irá satisfazê-los agora.
— Não fale assim. Era disso que eu precisava, Gregor. — O coração dela estava leve como não ficava havia dias. Havia semanas! — É o sinal de que eu precisava de que tudo ficará bem. Estamos vivos, estamos juntos novamente e sairemos desta situação.
O olhar dele parecia distante.
— Foi o que ela me disse, também. Sempre disse para eu ter esperança. Gostaria de vê-la de novo, mas ela não me visita há semanas.
Lysandra perscrutou a cela pequena e fedorenta, examinando os outros prisioneiros. Alguns deles dormiam.
— Ver quem?
— A garota feita de ouro e prata.
— O quê?
— Ela falou que seu nome era Phaedra. Ela me visitou em meus sonhos, me disse para ser paciente. Que encontraria uma nova esperança. Imagino que estava falando sobre você. Colocaram você na minha cela, Lys. Na minha. Em um lugar grande como este… Isso deve significar alguma coisa, certo?
— Quem é ela? O que quer dizer com ela ter visitado os seus sonhos?
Ele desviou o olhar, seu rosto mostrando ansiedade.
— Ela é uma vigilante, pequena Lys. Disse para eu não me desesperar. Disse que eu ainda poderia fazer a diferença… e que havia outros como eu que poderiam ajudar. Achei que estivesse louca.
— Uma vigilante o visitou em seus sonhos — Lysandra disse, incrédula. — Talvez a louca não fosse ela.
O irmão riu. Sua risada era seca e fria.
— Pode ser que esteja certa.
— O que mais essa vigilante disse?
Gregor franziu a sobrancelha e afagou as mãos de Lysandra.
— Ela disse que quando o sangue da feiticeira for derramado e o sacrifício for feito, eles finalmente serão libertados. — Os olhos assombrados de seu irmão encontraram os dela. — E o mundo queimará. Foi o que ela disse, pequena Lys.
O mundo queimará.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!