13 de agosto de 2018

Capítulo 11


MAGNUS
AURANOS

O palácio estava em alvoroço havia horas, desde que a carruagem retornara de Pico do Falcão sem a princesa Cleiona. Ela havia sido levada de uma sala privada no estabelecimento do estilista, e um bilhete havia sido deixado em seu lugar, endereçado ao próprio rei, enfiado nas dobras do vestido de noiva que ela estava lá para provar.

Estou com a princesa. Se quer que ela retorne ilesa, interromperá imediatamente a construção de sua estrada e libertará todos aqueles que escravizou para trabalhar na obra.

— Você fará o que os rebeldes exigem? — Magnus perguntou ao rei. Ele e o pai estavam nos aposentos de Lucia, cada um de um lado da cama, com a princesa adormecida entre os dois.
— Não, preciso que minha estrada fique pronta, e logo. Não pretendo parar por nada, muito menos por exigência de um rebelde.
Magnus olhou para o rei.
— Então ele vai matá-la.
O rei fez que sim com a cabeça.
— É provável.
Mesmo para o rei, aquela profunda falta de emoção era surpreendente, pelo menos até Magnus se dar conta de que aquilo seria ótimo para os planos de seu pai. Se Cleo tivesse esse fim, ele se tornaria merecedor da compaixão dos cidadãos auranianos. E os rebeldes seriam pintados como vilões abomináveis capazes de fazer mal a uma jovem inocente amada por milhares de súditos.
Ainda assim, aquilo o perturbava.
— Não havia necessidade de uma viagem até outra cidade para uma coisa tão trivial — ele disse. — A prova do vestido deveria ter acontecido aqui.
— Sim, deveria.
Magnus franziu a testa.
— Você sabia que isso iria acontecer?
O rei ficou pensativo.
— Achei que havia uma possibilidade de os rebeldes atacarem.
— Então a colocou em perigo sabendo que poderia haver um ataque? — A raiva, ainda controlada, efervescia sob sua pele só de pensar naquilo. — Minha mãe também estava nessa viagem!
— E sua mãe está bem, apenas um pouco abalada. Magnus, acha que eu seria tão frio a ponto de colocar minha esposa e a princesa em risco sem nem pensar na segurança delas?
Magnus conseguiu conter a língua.
— E agora? Esperamos a próxima carta listando mais exigências que não serão cumpridas?
— Não. Já mandei uma equipe de busca. Há rumores de que um grupo de rebeldes paelsianos montou acampamento nas Terras Selvagens, a poucas horas de viagem daqui. Se eles a encontrarem, seu casamento será um grande evento que continuará a distrair as massas. Mas se não conseguirem… — Ele se abaixou para tirar distraidamente um cacho do cabelo escuro de Lucia de sua testa pálida. — Então é o destino. Os rebeldes serão vistos como assassinos da princesa dourada de Auranos. Serão párias odiados por todos neste reino e fora dele. De qualquer modo, nós ganhamos. Eles perdem.
Magnus olhou rapidamente para a criada, Mira, do lado oposto do quarto. Ela limpava a grade do terraço, passando um pano ao longo de sua extensão. Seu vestido simples e cinzento, traje inócuo de uma empregada, permitia que circulasse em cômodos pouco iluminados sem ser notada, escondida nas sombras, disponível quando necessária mas, caso contrário, invisível.
Mas Magnus não conseguiu deixar de notar que o rosto da menina mostrava ao mesmo tempo preocupação e ultraje. Ela sabia do sequestro de Cleo. Seu irmão, Magnus lembrou, havia ido junto com a carruagem como proteção adicional.
Bela proteção. Magnus teria aproveitado pessoalmente a oportunidade de punir Nic por tamanho fracasso se o rapaz já não estivesse totalmente arrasado quando voltou com os outros guardas.
— Mate-me agora — Nic havia dito para ele, com a voz falhando. — Eu mereço por ter deixado isso acontecer.
— E acabar com seu sofrimento? — Magnus havia analisado sua expressão torturada por um instante e virado as costas. — Hoje não.
Magnus não admitiria a ninguém, mas a ideia de rebeldes capturando a princesa o perturbava demais. Ele não queria se preocupar com os horrores pelos quais ela estaria passando naquele exato momento. Além disso, a morte da princesa colocaria um fim naquele noivado ridículo em que seu pai insistia. Seria melhor assim.
Mas, ainda assim… o perturbava.
Irrelevante.
Havia apenas uma bela garota com que ele se preocupava, e ela estava deitada naquela cama.
— Conhece alguém chamado Ioannes? — O rei perguntou depois que o silêncio recaiu sobre eles por um tempo.
— Não. Quem é esse?
— Vim visitar Lucia ontem por uns instantes depois que sua mãe saiu. Ela murmurou esse nome enquanto dormia.
Os ombros de Magnus se enrijeceram. Lucia havia falado enquanto dormia?
— Ela disse mais alguma coisa?
— Não, apenas o nome.
Ele vasculhou a mente, mas não conseguiu lembrar de nada.
— Não conheço ninguém chamado Ioannes.
— Talvez seja um garoto por quem ela havia se apaixonado em Limeros.
— Talvez. — A boca dele de repente ficou seca. Alcançou o jarro quase vazio na mesa de cabeceira e se serviu do que restava de água. Ele nunca tinha ouvido falar de nenhum Ioannes. E agora esse garoto habitava os sonhos de Lucia? Uma onda de ciúmes se retorceu dentro dele.
— Ela vai acordar logo — o rei afirmou.
— Como pode ter tanta certeza?
— Porque o destino dela é me ajudar a conquistar o meu destino.
Havia algo estranho na maneira como o rei havia dito isso, uma confiança absoluta que ressoava como um eco em um desfiladeiro.
— Quem falou isso?
O olhar sombrio do rei se voltou para Magnus, observando-o dos pés à cabeça como se analisasse o valor de seu filho.
— O nome dela é Melenia.
— Deixe-me adivinhar. Sua nova conselheira misteriosa.
— Isso mesmo.
— Diga-me, pai, algum dia vou conhecer essa Melenia?
— Talvez um dia. Por enquanto, é impossível.
— Por quê?
O rei hesitou mais uma vez antes de responder.
— Porque eu só a vejo em meus sonhos.
Magnus piscou, confuso. Certamente havia escutado mal.
— Não estou entendendo.
— Melenia é uma vigilante com grande conhecimento sobre a Tétrade e sobre como encontrá-la. Ela tem mais de quatro mil anos, mas foi agraciada com a juventude eterna e uma beleza incrível.
— Sua nova conselheira é uma bela vigilante de quatro mil anos de idade que o visita em seus sonhos. — As palavras pesavam em sua boca.
— Sim. — O rei sorriu, como se reconhecesse o absurdo do que estava afirmando. — Melenia me confirmou que Lucia é a chave para encontrar a Tétrade e controlar o seu poder. Disse que, antes disso, antes de ela existir, era simplesmente impossível encontrar a Tétrade. Por isso ninguém nunca teve sucesso na busca.
Era um daqueles momentos que Magnus havia aprendido a reconhecer. Um teste. O rei estava lhe dando um teste. A resposta que ele desse a algo tão fantástico estabeleceria o tom de seu futuro imediato.
Ele diria que o pai estava louco por fazer tais afirmações? Por acreditar em tais coisas? Ele seria incapaz de conter o riso?
Antes teria feito isso, e receberia a fúria do rei e talvez outra cicatriz.
Não mais.
Durante toda sua vida, ele havia negado a existência da magia, mas Lucia havia provado a ele que era verdade. Era real. Os elementia, segundo os livros que havia lido recentemente na biblioteca do palácio auraniano, remetiam aos vigilantes imortais. E os vigilantes, segundo a lenda, às vezes podiam visitar mortais em seus sonhos.
Magnus sabia que o pai era perigoso, vingativo e desumano. No entanto, havia uma coisa que o rei não era.
Ele não era tolo o suficiente para acreditar em fantasias que não serviam a nenhum propósito real.
Se seu pai havia dito aquilo, se havia admitido uma coisa daquelas em voz alta, tinha que ser verdade. E Magnus precisava saber mais.
— Como Lucia é a chave? — ele perguntou calmamente.
— Isso eu ainda não sei. — As sobrancelhas do rei se uniram um pouco. — A única certeza que tenho é de que ela vai acordar.
— Então eu acredito em você.
Os olhos do rei se iluminaram em aprovação, e ele estendeu o braço sobre a cama para afagar o rosto de Magnus onde havia a cicatriz.
— Muito bem, meu filho. Muito bem. Juntos encontraremos a Tétrade.
— Com Lucia.
— Sim. — Ele assentiu. — Com Lucia.
Quatro cristais com a essência dos elementia. Magnus enxergava o valor deles assim como seu pai. Poder e força incríveis e infinitos. Se os possuísse, ou pelo menos a um deles, seria igual a Lucia de mais maneiras do que era agora. Ele seria mais do que apenas um príncipe, mais do que apenas um irmão. Eles teriam a magia em comum, e ela veria e apreciaria isso. Ela o apreciaria. E tamanha força mostraria ao rei que Magnus não era mais um menino, ele era um homem que ia atrás do que mais desejava, não importava o que custasse.
Era tudo o que ele sempre quis.
Mira havia se aproximado para encher o jarro de água, sem fazer contato visual com Magnus nem com o rei. Ela se movimentou em silêncio, como se quisesse manter-se imperceptível.
— Qual é mesmo o seu nome? — o rei perguntou a ela com a voz suave.
Os ombros de Mira se enrijeceram quando ela endireitou as costas, e seu olhar passou do chão próximo à cama diretamente para o rei.
— Mira, vossa majestade.
— Você por acaso não estava escutando nada do que meu filho e eu discutíamos, não é, Mira?
— Não, vossa majestade — ela respondeu imediatamente. Suas sobrancelhas se uniram, como se estivesse surpresa com a pergunta. — Eu me concentro no quarto. Limpo, arrumo e cuido da princesa. Só isso. Eu não escuto.
O rei fez um gesto de aprovação com a cabeça.
— Fico muito feliz em ouvir isso. Com os rebeldes tão ativos agora, precisamos tomar muito cuidado com o que dizemos e para quem dizemos. Pode haver espiões em qualquer lugar, não é?
— É claro, entendo completamente. — Ela relaxou os ombros, embora apenas um pouco. — Precisa de mais alguma coisa, vossa majestade?
O rei coçou o queixo, como se refletisse.
— Estou curioso para saber se meu filho acredita em você.
Magnus ficou tenso.
Seu pai usava com facilidade a máscara da indiferença com que Magnus atualmente lutava.
— Sei que está acostumado com criadas que desenvolvem o péssimo hábito de escutar informações por acidente — o rei continuou —, então gostaria de sua opinião sobre essa questão.
Magnus se lembrou das paredes frias da torre em que Amia havia sido presa, espancada e interrogada sobre o crime de espionagem — que havia cometido sob suas ordens. Ele havia mandado a menina embora para que tivesse a chance de uma vida melhor — ou de simplesmente ter uma vida —, mas seu pai a havia perseguido e matado mesmo assim. Magnus escolheu as palavras com muito cuidado.
— Estávamos falando baixo, e a garota estava do outro lado do quarto. Acredito que não tenha ouvido nada que possa causar problemas. Além disso, mesmo que tenha ouvido alguma coisa, não dirá nada se souber o que é bom para ela. Estou certo, Mira?
A menina olhou para ele, sem acreditar que ele poderia dizer alguma coisa em sua defesa.
— Sim, vossa graça.
O rei soltou um longo suspiro.
— É claro que está certo. Escute. Eu me tornei um velho convencido de que os inimigos estão escondidos em todas as sombras. — Ele riu enquanto se movimentava para o outro lado da cama para poder acariciar afetuosamente o rosto dela, assim como havia feito com Magnus. — Mira, minha cara, por favor aceite minhas sinceras desculpas por assustá-la.
Um leve sorriso apareceu no belo rosto dela.
— Não é preciso se desculpar, vossa majestade.
O rei continuou olhando para ela.
— No entanto, eu acredito em tomar certas precauções.
Com uma rapidez inesperada, ele agarrou a cabeça dela com as duas mãos e a torceu com severidade. O pescoço da menina se quebrou com um estalo. Ela caiu no chão, com os grandes olhos agora vazios, vidrados e sem vida.
Tudo aconteceu em um instante.
Magnus ficou olhando para o pai, sem conseguir esconder que estava chocado e horrorizado.
— Você não precisava ter feito isso!
O rei limpou as mãos na frente da túnica preta.
— Criados insignificantes podem ser substituídos. Ela não era nada especial. Encontrarei outra para cuidar de sua irmã.
Nada especial. Apenas amiga da princesa Cleo. Apenas irmã de Nicolo Cassian. Apenas mais uma que teve a vida destruída pelo rei enquanto Magnus ficava parado sem fazer nada.
Ele queria desesperadamente não se importar com isso — não se importar com nada além de encontrar a Tétrade para si e para Lucia —, ser tão frio e cruel como seu pai era com tanta facilidade.
Se ao menos fosse possível.
Depois que o rei deixou os aposentos de Lucia, Cronus entrou. Sem dizer uma palavra, o guarda grande e bruto pegou o corpo sem vida de Mira nos braços e saiu do quarto.
Um raio de luz do sol entrou pela janela do terraço, iluminando uma pequena área do chão. Para além disso, o quarto estava nas sombras. Algumas velas perto da cama emprestavam sua luz tremeluzente ao rosto tranquilo da princesa.
Magnus segurou a ponta dos lençóis de seda, apertando com força e tentando se concentrar apenas na sensação suave do tecido. Seu coração ainda estava acelerado pelo que havia acontecido. A garota não pretendia prejudicá-los, ele tinha certeza disso.
Ainda assim, estava morta.
Suas pernas fraquejaram, e ele caiu de joelhos ao lado de Lucia. Ele fechou bem os olhos e pressionou a testa no canto da cama.
Então ouviu alguma coisa. Um leve gemido. Depois uma respiração profunda.
Ele abriu os olhos. As pálpebras de Lucia se moviam, como se estivesse tendo outro sonho — talvez sobre Ioannes. Quem quer que ele fosse.
Então ele vislumbrou seus olhos muito azuis sob os grossos cílios pretos.
Lentamente, Lucia virou a cabeça para ele.
— Magnus? — ela sussurrou com a voz rouca.
Ele perdeu o ar. Certamente era ele quem estava sonhando agora.
— Lucia… é verdade? Você está mesmo acordada?
Ela apertou os olhos para ele, como se a quantidade mínima de luz do quarto fosse demais para suportar.
— Quanto tempo eu dormi?
— Tempo demais — ele conseguiu responder.
Ela franziu a testa.
— E Hana? Hana está bem?
Ele demorou alguns segundos para entender o que ela queria dizer. Hana era a coelha de estimação de Lucia, um presente que Magnus havia levado para ela no castelo limeriano depois de uma caçada.
— Hana está bem. Na verdade, nossa mãe a trouxe para você quando veio para cá ficar conosco. Ela chegou alguns dias depois que tomamos o palácio.
A preocupação que havia nos olhos dela diminuiu.
— Que bom.
— Isso é incrível. — Ele se levantou, querendo se beliscar para provar que não estava dormindo. — Pensei que você nunca mais fosse abrir os olhos, mas está aqui. Está de volta!
Lucia tentou levantar a cabeça do travesseiro, mas não conseguiu. Seu olhar percorreu o quarto como se procurasse alguma coisa. Alguém.
— Você não me respondeu antes — ela disse. — Quanto tempo eu fiquei dormindo?
— Uma eternidade. Foi o que pareceu para mim. Faz quase um mês e meio desde o cerco ao castelo. — A alegria que o momento deveria trazer foi abalada quando Magnus se lembrou da garota que havia acabado de perder a vida e de como ela cuidara de Lucia respeitosamente durante grande parte de seu coma. Lucia nunca a conheceria, nunca poderia agradecê-la.
Os olhos de Lucia se arregalaram.
— Todo esse tempo?
— Nosso pai insiste em permanecer aqui em Auranos como um lembrete concreto a todos de que reivindicou este reino e o trono. Toda a Mítica é dele depois… depois que sua aliança com o chefe paelsiano fracassou. — Na verdade o rei havia assassinado o chefe Basilius durante o jantar de comemoração. Tudo parte do plano do rei Gaius.
Magnus sentou na beirada da cama e olhou nos olhos de Lucia. Ele queria puxá-la para si e abraçá-la com força, mas resistiu ao ímpeto. Dada a tensão entre os dois desde que ele a beijara, sabia que não seria uma atitude sábia. Ele não acreditava que seu coração se recuperaria daquela rejeição, mas lá estava ele, e seu coração batia forte e rápido agora que ela finalmente estava de volta. Mais uma chance de provar seu valor a ela. Ele não agiria de maneira tão impulsiva novamente.
— Você está acordada agora, e tudo está bem — ele disse. — Como está se sentindo?
— Fraca. E… horrível. — Ela respirou fundo, trêmula. — Eu matei gente com minha magia, Magnus.
Mais de duzentas pessoas haviam morrido na explosão ou em decorrência dela, mas ele preferiu não compartilhar números tão perturbadores com ela.
— Ninguém culpa você por nada do que aconteceu. Tinha que ser feito. E se não tivesse acontecido, não teríamos vencido. Nós é que teríamos morrido. Não é sua culpa.
— Foi o que ele me disse também… que não era minha culpa.
Ele olhou para ela, sério.
— Quem disse?
Ela apertou os lábios e desviou o olhar.
— Ninguém.
— Quem é Ioannes, Lucia?
Seus olhos, agora arregalados, voltaram a encarar os dele.
— Onde escutou esse nome?
— Disseram que você sussurrou enquanto dormia. — Algo obscuro e extremamente desagradável se retorcia dentro dele.
— Ioannes, ele é… — Lucia sacudiu a cabeça. — Ninguém. Só um sonho. Nada além disso.
Antes que Magnus pudesse fazer outra pergunta, a porta se abriu, e a rainha entrou, sozinha.
Ela cumprimentou Magnus com um sorriso.
— Eu quis dar uma passada, ver se Lucia… — Ela quase perdeu o fôlego e atravessou a distância até a cama em alguns poucos passos. — Lucia, minha querida! Você voltou para nós. Graças à deusa!
A expressão aflita de Lucia ficou paralisada.
— Minha nossa. Que recepção. Eu devia estar à beira da morte para despertar tamanha devoção da sua parte.
A rainha hesitou.
— Acho que mereço isso.
O rosto de Lucia empalideceu.
— Peço desculpas, mãe. Eu… eu não pretendia dizer palavras tão duras. Sinto muito. É como se eu não conseguisse contê-las.
— Nem deveria, minha querida. Sempre deve dar voz aos seus sentimentos. Não guarde tudo. — A rainha rapidamente se recompôs e se sentou no canto da cama. — Você se lembra da última vez que levantou de seu repouso? Já aconteceu antes.
Magnus rapidamente olhou para ela.
— Já?
Ela confirmou.
— Duas vezes quando eu estava aqui. Infelizmente, nunca dura mais do que alguns minutos, e ela cai no sono novamente.
Ele cerrou os punhos ao lado do corpo.
— Por que não me contou?
Sua mãe virou a cabeça e encarou seu tom severo e irritado com paciência.
— Porque eu sabia que só serviria para desapontá-lo. Sei como ama profundamente sua irmã.
Havia algo no modo como ela falava. Será que a rainha sabia o segredo obscuro de Magnus, assim como Lucia?
Ele desejava poder apagar tudo. Voltar para quando tudo era mais simples entre eles. Começar de novo.
Impossível.
— Não me lembro de ter acordado antes — Lucia disse, confusa, enquanto tentava se sentar.
— Ainda assim você deveria ter me contado, mãe — Magnus resmungou. — E ao meu pai também.
— E arriscar um dos ataques de fúria dele quando ela caísse no sono novamente? Não, meu filho. Certamente foi melhor não dizer. Vamos ver o que acontece, se ela fica conosco desta vez, antes de dizermos alguma palavra sobre isso a ele.
— Eu vou ficar acordada — Lucia insistiu.
— Agora vá — a rainha disse, levantando-se e apertando as mãos de Magnus. — Vou cuidar da minha filha.
— Mas, mãe…
— Vá — ela disse com a voz firme. — E não diga nada ao rei até eu mandar.
A raiva que havia crescido dentro dele ao pensar que sua mãe escondia segredos assim ainda não havia diminuído, mas ele entendia os motivos. Afinal, teria feito exatamente o mesmo para proteger Lucia.
— Está bem — Magnus disse entredentes. — Mas vou voltar.
— É claro que vai. Você nunca conseguiu ficar muito tempo longe dela. É a única pessoa com quem você realmente já se importou, não é?
Um músculo no lado do rosto em que ele tinha a cicatriz se contraiu.
— Está errada, mãe. Eu me importava com você. E poderia me importar de novo, se me deixasse.
Aquelas palavras conseguiram colocar um brilho nos olhos da rainha, mas sua  única resposta foi um leve aceno de cabeça. Ele voltou a olhar para Lucia.
— Eu volto logo. Prometo. Por favor… não caia no sono de novo.
Então ele as deixou a sós exatamente como a rainha havia ordenado.

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