22 de julho de 2018

Divulgação: A zumbi que não devorava cérebros


Sinopse:
O comum jovem Tyler se vê em uma missão para tentar trazer uma mulher zumbi de volta a vida praticamente, e terá que se desviar de todos para conseguir terminar sua missão.

Categorias: ficção, fantasia, conto, história original
Autor: Geovanne José

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Capítulo único

I was walking dead, stuck inside my head
I couldn't get out, turn the lights down
The voices inside were so loud
(Trecho retirado da musica Loved me back to life da cantora Sia)

    Era terrível olhar para aquelas fotos, diante de mim, aparecendo no meu monitor, eram verdadeiramente chocantes para qualquer um que olhasse. De que fotos estou falando? Umas horrendas em preto e branco de uma mulher com uma aparência completamente assustadora. Olhei a foto e logo rolei o mouse para baixo para poder conferir o que as pessoas estavam comentando sobre as benditas, a curiosidade era grande.
  Todos com a mesma reação, chocados e ao mesmo tempo, como eu, não estavam entendendo nada, então voltei para cima, cliquei no link da matéria e, imediatamente, a mulher horrorosa tinha ganhado o nome de mulher zumbi. Li a reportagem do grande blog “pen drive notícia” (sim, Pen drive é o nome da minha cidade, eu sei, bizarro existir uma cidade com esse nome, mas no meu continente Dalls Talls, qualquer nome de cidade ou estado é bizarro até demais. Ou seja, o nome da minha cidade, por aqui deve ser o mais normal) e me deparei com as seguintes informações: A mulher era uma desconhecida, que andava atormentando a vida das pessoas que passavam por ela na rua que vai parar na faculdade Klendon, com uma aparência horrenda. Ela não sabia falar, só ficava murmurando e, às vezes, batendo com seu cabelo curto e sujo no muro de alguma casa próxima. Os moradores já tentaram retirá-la de várias maneiras, mas nunca conseguiram, já que a própria assustava a todos.
    Depois de ler e ver toda a movimentação na internet, desliguei meu notebook e retomei minha vida normal. Eu sou Tyler, um menino de 15 anos que vive a vida adoidado. É isso que meus familiares me dizem. Adoro andar de bicicleta, aliás, existe coisa melhor do que praticar esportes vulgo bicicleta? Creio que não. Sou fruto do amor de Marina e Carlos, meus pais perfeitos que nunca erraram na vida. Na minha casa também vive a minha tia doida Laura, que minha mãe aproveitou para colocar lá para fazer as coisas de casa. E, em coisas de casa, também está listado ela bater forte na porta do meu quarto para eu acordar. Foi isso que ela fez hoje, bateu várias vezes, mas eu já estava acordado, então somente abri a porta e vi a tia Laura ali parada, estava usando seu pijama rosa com pantufas da mesma cor.
— Oi tia, bom dia — disse eu, enquanto ela adentrava em meu quarto sem ao menos pedir.
— Viu o que está rolando na nossa cidade? O caso da tal mulher zumbi? Sinistro, não? — disse ela, enquanto prendia seu cabelo longo e vermelho em um rabo de cavalo.
— Não acredito que você vai de preto para a escola, novamente!
— Aff tia.
— Aff nada, você vai todos os dias assim, está me ouvindo? Todos os dias para a escola com essa calça, sapato e acessórios pretos. Não enjoa, não?
Bom, eu me perdi, enquanto minha tia reclamava pela décima vez das minhas vestimentas.
— Tchau tia! Preciso mesmo ir — disse eu, saindo do meu quarto e descendo as escadas. Corri enquanto minha tia gritava para que eu voltasse. Apenas abri a porta de casa e fui direto pegar minha bicicleta personalizada da cor que eu amo: preto.
— Olha quem está de volta! — disse minha vizinha Bruna, digamos que ela seja minha melhor amiga.
— Mas eu nunca fui, como posso voltar? — questionei em tom alto, esperando que desse para ouvir do outro lado da rua, onde ela estava.
— Hum, já que você nunca aceita minhas caronas, já vou, nos vemos na escola? – Ela perguntou enquanto o pai, visualmente obeso, buzinava fortemente para que Bruna se despachasse e entrasse no carro.
— Eu acho melhor você entrar no carro, Bruna — Eu disse, enquanto ela bufava um okay e entrava no veículo, onde seu pai a esperava, zangado.
     Eu amava andar de bicicleta, por dois simples motivos: liberdade e ter o privilégio de passar pelas ruas coloridas da minha cidade, observando o ar futurístico que as flores artificiais implantadas pelo governo conseguiam refletir, isso eram lindo de se ver.
      No intervalo entre as três primeiras aulas, eu e Bruna fomos correndo sentar no nosso lugarzinho sagrado: debaixo de uma árvore, perto das plantações que a escola obtinha para uma espécie de estudos matinais. Obviamente, começamos a conversar sobre o assunto do momento, a tal mulher zumbi. Enquanto eu apoiava minha cabeça em seu colo, ela não parava de falar que odiava ver as pessoas xingando e declarando ódio pela mulher sem saberem das condições em que ela estava. Concordei com tudo o que a minha amiga comentou, nunca se sabe o que se passa na cabeça de uma pessoa normal, muito menos o que se passa na cabeça de alguém que parece um zumbi. Devia estar de cabeça perdida e a sofrer, coitada!
     Voltei para casa e encontrei meus pais jogando um tipo de jogo de dança, mas fui logo para o quarto. Minha mãe gritou que eu precisava comer alguma coisa antes que ela e o papai fossem para o trabalho.
Resolvi descer, para não ter de ouvi-la mais, e sentei-me à mesa redonda, onde meu pai já se encontrava, enquanto minha tia preparava o lanche e minha mãe arrumava seus papéis em uma estante.
— Como foi seu dia na escola, campeão? — Meu pai perguntou, olhando para mim.
— Só sei que o meu dia foi péssimo… — Minha mãe disse, preocupada, ainda arrumando papéis que tirava da sua bolsa e colocava na estante cheia de papéis de casos ainda não resolvidos. Eu sei disso, pois perguntara uma vez a ela, o que colocava naquela mesma estante.
A minha mãe sempre falava que o dia tinha sido péssimo, pois passava o dia inteiro tentando resolver casos de pessoas que, na maioria das vezes, eram culpadas pelos seus atos. — Minha cabeça quase explodiu com alguns casos que li hoje. É de arrepiar os cabelos!
— Bom, o meu dia se resume em uma palavra: mulher zumbi. — Eu dizia, desabando minha cabeça na mesa.
— Legal! — disse Laura, não muito convencida — Passou umas cinco vezes essa mulher na televisão hoje, não aguento mais. — Ela pousou o lanche sobre a mesa. Era um arroz misturado com leite, culinária do nordeste do país e do continente.
— É incrível como as pessoas adoram ver outras se ferrando. — Meu pai disse, antes de quase perder o fôlego, comendo rapidamente o arroz.
— Com toda a certeza! — Minha mãe jogou seu cabelo preto em cima do ombro e sentou-se à mesa.
Mesmo a comida estando ótima, eu só pensava em como queria subir para meu quarto e usar minhas redes sociais (para tentar pelo menos colocar em dia todas as minhas conversas) no meu notebook.
— Preciso me retirar — disse eu quando terminei de comer.
    Subi para o meu quarto o mais rápido possível, e sem deixar ninguém reagir com a minha saída repentina.
    Meu quarto era tipo minha fortaleza, o lugar em que eu podia pensar em assuntos variados, o lugar em que eu podia mostrar minha versão mais sincera do mundo. Um lugar sagrado. Mas nem mesmo o seu sossego, eu tive. Minha família começou a gritar para eu entrar na internet o mais rápido possível, pareciam exaltados. Que confusão que eles faziam ao entrar no meu quarto. Tudo por causa de um vídeo mega depressivo de um cara pedindo ajuda para sua família. Esse cara, afinal, era o marido da mulher zumbi, notava-se o desânimo em sua voz, ele estava a sofrer com a situação em que ela estava, alheada do mundo, como só ela existisse.
— Venho aqui, triste, revelar que a mulher que vocês tanto repudiam é a minha mulher! Eu a amo e quero-a de volta. Espero que deixem de a zoar. Vocês não sabem o que ela tem passado! A dor e o sofrimento de todos nós, vendo-a neste estado infeliz em que ela se encontra. — Ele pegou em uma espécie de manta e continuou o discurso — Este bebezinho que está em meus braços é fruto do nosso amor. Nossa vida sempre foi perfeita, mesmo com altos e baixos. Ela era diretora de departamento de marketing da nossa cidade, Vila Branca. O que aconteceu foi que, quando nós tivemos nossa filha, Lisa, a minha mulher, Clara, sofreu de algo inexplicável e, como não conseguimos tratar a tempo, agravou-se. A minha amada esposa… — Ele parou para deixar as lágrimas rolarem pelo seu rosto triste e cansado, cheio de olheiras. — Um dia, ela sumiu da nossa casa sem qualquer explicação, me deixando fora de mim, por não saber o seu destino. Dias depois, a encontramos aqui, mas mesmo com a ajuda da policia, não estamos conseguindo tirá-la da rua. — Ele limpou mais lágrimas do rosto. — Por isso, precisamos da vossa ajuda. Se toda a população nos ajudasse, conseguiríamos trazer minha mulher de volta à vida. De volta a mim e a nossa filha, que precisa tanto da mãe. Por favor, nos ajudem! Meu nome é Marlon, e espero por vocês na rua em que ela está. Obrigado por me ouvirem até o fim.
    O vídeo era bem convincente, por isso bombou logo nas redes sociais, e todas as pessoas estavam prontas para ajudar, certo? Não foi bem assim. As pessoas deixavam suas curtidas e compartilhamentos, comentários positivos, mas no final das contas ninguém fez nada. Passaram-se os dias e a mulher zumbi ainda estava lá, na mesma rua, fazendo as mesmas coisas. Entre elas, comer o que Marlon deixava lá, quase morrendo de tanto chorar. Ele não saía de perto dela, a apoiando constantemente, mesmo sem a poder tocar, por ela não deixar. Era de dar pena, um casal tão jovem e já com imensos problemas, sem ninguém a querer ajudar, só brincando com aquela situação tão ruim. Eu gostaria de fazer algo, mas, e tempo para isso?
    No outro dia era prova, e eu só teria tempo para estudar no dia anterior.
— Estudando o dia inteiro? — perguntou meu pai, admirado, enquanto eu fazia que sim com a cabeça.
Depois de algumas horas, minha mãe chegou acompanhada de minha tia e começou a reclamar que eu deixava tudo para a última hora. Decidi dormir e deixei-as sozinhas, mas antes de me deitar, visualizei a live que estavam fazendo da rua em que a mulher zumbi estava, aliás, Clara. Agora eu sabia o nome dela.
    Deparei-me com a pior cena da minha vida. O Marlon estava lá, junto da polícia e alguns médicos, tentando recuperar Clara. Mas, na hora em que o médico segurou em Clara, ela mordeu seu braço, quase arrancando uma metade da sua pele, o que fez com que todos se encostassem para trás. Para evitar o pior, Marlon foi lá o mais rápido que pôde, e jogou comida para ela, que correu como um animal, para alcançá-la, àquela distância não dava para ver bem o que era, só que Clara parecia um animal selvagem. É compreensível, devia estar esfomeada. Aquela cena que passava naquele momento não estava a ser bem aceite pelos espetadores.
    Assustei-me com os comentários da aba da live, eram maldosos, extremamente horríveis. A chamavam de demônio, de boa atriz, chifruda, entre outras coisas. Mesmo depois de Marlon falar na depressão, as pessoas continuavam a ser más, infelizmente.
   Fui deitar super incomodado, pensando estritamente no que vi e li. Mas não consegui adormecer, meu celular começou a vibrar muito, concluí que Bruna tivesse me enviado várias mensagens comentando o ocorrido, mas não quis ler, não precisava saber mais nada sobre aquele assunto.
    Depois de algum tempo pensando no ocorrido, consegui cair no sono.
Quando acordei, fiz a mesma rotina de sempre e fui para a escola.
Bruna ficou me atentando como sempre, até começar a aula. O professor colocou um filme sobre ajudar o próximo, e até que foi interessante. Bruna sentou com as outras amigas, me deixando sozinho numa mesa. Então, fui obrigado a assistir o filme, sem estar perto dela. E foi muito bom. No decorrer do mesmo, comecei a refletir bastante sobre tudo o que estava acontecendo e cheguei a um resultado: precisava ajudar Clara. Mas eu não sabia como fazer isso.
   Pensei durante um longo tempo, mas nada vinha à cabeça, até que o filme terminou e o professor insuportável passou dez páginas de atividade. Aquilo só me fez ter a certeza de uma coisa: eu tinha mesmo que ajudar a trazer Clara de volta à vida.
    Decidi agir rapidamente, mas como? Usando o meio mais fácil, a internet. Então, eu fui lá e fiz um grupo nas redes sociais chamando todo mundo para participar do evento, “Ajudar a mulher zumbi”. Porém, todo mundo que entrava no grupo, começava a me zoar. Diziam que eu não iria conseguir, que eu era uma bicha arco-íris, por ter sentimentos, que era tudo armado, entre outras coisas. Não liguei muito aos comentários, eu precisava ajudar e só pensava nisso. E não tinha coragem de falar com meus pais e tia a respeito desse assunto.
   O caso ganhou mais repercussão, quando a coluna do jornalista amarelo, conhecida por inventar fofocas, foi inteiramente escrita com o assunto da Clara. Mesmo assim, ninguém fazia nada, ninguém agia, o que era frustrante.
    No outro dia fiz o mesmo de sempre, ir para a escola. Quando entrei na propriedade pública, todos olharam e começaram a sussurrar algo sobre mim, davam para perceber, eles nem tentavam disfarçar. Não entendi o porquê. Como, querer ajudar uma pessoa debilitada, poderia ser algo tão humilhante para as pessoas?
     Passei as primeiras horas sendo alvo de olhares e comentários maldosos a meu respeito, tentava não ligar, mas no fundo, aquilo me afetava, e muito.
No intervalo de almoço, Bruna veio conversar comigo, e logo em seguida, um garoto estúpido chamado Gabriel, de estatura média, um pouco acima do peso, e com o cabelo raspado, veio até à mesa onde eu e minha amiga costumavamos estar, no refeitório, e gritou, apontando para mim.
— Bicha! Bicha! — Todos riram. Mais uma vez eu estava ser chamado de “bicha” por ter sentimentos, por ter coração. — Senhoras e senhores, conheçam a incrível bicha da escola!
— Para, babaca! — gritou Bruna, mas sem sucesso, Gabriel continuou a me humilhar.
— Querido senhor Tyler, vai ser bicha longe de mim, por favor! — Enquanto todos estavam rindo e Bruna pedindo para eu não ligar, me acalmei e levantei da mesa devagar para sair dali. — Olha! A bicha foi humilhada! — Quando ouvi o insulto de Gabriel, me virei e lancei um olhar de “estou nem aí para você”.
— Eu sou gay? Não. E não estou nem aí para o que vocês acham. Só sei que vocês são um bando de pessoas hipócritas que, ao invés de tentarem socorrer aquela mulher indefesa, ficam aí, rindo de mim, que só estou a tentar ajudá-la. Só espero que não precisem passar pelo mesmo que Clara e Marlon. — No final da fala todo mundo ficou quieto me olhando. — Sabe, parabéns jovens de Dalls Talls, vocês são um núcleo de bosta. Tchauzinho! — disse e saí correndo da escola, sem olhar para trás.
Aproveitei que o segurança tinha ido ao banheiro e peguei minha bicicleta, com destino à rua assombrada. “Será que vamos conseguir que Clara saia do mundo que criou quando quis fugir da realidade?, era a pergunta que vinha à minha cabeça.
   Enquanto pedalava, pensei em o que fazer para salvar a mulher zumbi. Quando vi, já estava na rua assombrada. Olhei em volta e, para minha surpresa, não tinha ninguém lá.
Dei um suspiro de alívio e pensei em meus pais, iriam brigar comigo por ter fugido da escola em período de aula. Então, virei minha bicicleta no sentido contrário, e só vi um vulto vindo em minha direção. Era ela, só podia! Possuía traços femininos. Era Clara, a mulher zumbi.
   Eu tentei sair do caminho, mas ela bateu com tudo em mim, fazendo com que caíssemos nos pedregulhos da rua. A dor foi tão forte que, assim que eu caí, logo fechei meus olhos e só consegui ouvir vozes de pessoas e uma sirene de uma ambulância. Foi aí que abri os olhos e vi aquela cena, o marido tinha conseguido pegar a sua amada. Eu não conseguia levantar do chão, pois queria prestar atenção naquela cena, assim como todos que estavam na rua. Nem sei de onde haviam aparecido tantas pessoas. Antes do acidente, a rua se encontrava vazia. Marlon estava agarrando fortemente Clara enquanto a própria começava a gritar e a se desesperar.
— Volta para mim, por favor! — dizia o marido com os olhos marejados, olhando para Clara. Mas, obviamente, não iria acontecer nada, ela ficava fazendo as mesmas coisas, ou seja, gritar e espernear. — Volta! Nossa família precisa de você. Nossa filha, Lisa, precisa de você, meu amor.
    Foi ai que algo começou a mudar, a mulher zumbi começou aos poucos parar de gritar ou espernear, aos poucos todos percebiam que tudo mudava, sua expressão de desespero começou a desaparecer e uma expressão de duvida começou a surgir em seu rosto. Sua boca que antes gritava, agora estava parando aos poucos de murmurar e seu corpo não mais relutava ao abraço forte do marido. Foi quando ela virou seu rosto aos poucos para o marido que se encontrava com seus olhos fechados enquanto lagrimas desciam do seu rosto.
— A...mor? A...mo...r? — Dizia ela aos poucos, retornando a sua consciência. O marido começou a chorar ainda mais agora com seus olhos abertos olhando para sua amada. Duas policiais vieram me ajudar a levantar do chão, mas eu só sabia prestar atenção naquela cena, naquele momento dos dois.
— Você está bem? — perguntou uma delas.
— Sim, mas o que está acontecendo? — questionei, enquanto vários jornalistas me fotografavam.
— Por causa do baque entre você e a senhorita Clara, o senhor Marlon, seu marido, conseguiu capturar a sua esposa e milagrosamente Clara está começando a recuperar sua consciência.
— O que... está acon...tecendo? — Disse Clara, agarrada em Marlon, enquanto os paramédicos viam na direção dela e do marido.  
— Amor, antes de tudo só saiba que eu te amo! Te amo muito!
— Por favor, o que está acontecendo? Minha cabeça não para de latejar — Disse Clara, enquanto Marlon a soltava de seus braços enquanto os paramédicos viam conversar com ela para levá-la para o hospital para uma série de exames.
    Enquanto a confusão tomava conta de mim, Marlon veio me abraçar. Ele não conseguiu suster as lágrimas, que começaram a rolar pelo seu rosto cansado.
— Obrigado, obrigado — sussurrou no meu ouvido. Eu não entendia nada do que estava a acontecer, até ver uma pessoa de terno amarelo, com um microfone na mão. Raciocinei e, só então, percebi que era o grande jornalista amarelo.
— Jovem, você ajudou a, digamos, capturar a mulher zumbi ” o que você tem a dizer de tudo isso?
— É… — Eu me sentia atordoado. Não conseguia pensar direito. Necessitava de descanso. — Eu estou muito chocado com tudo. Nem sei bem o que fiz para falar a verdade — Enquanto eu dizia, meus olhos foram de encontro com Clara sendo levada cuidadosamente pelo Marlon ao encontro da ambulância e foi quando ela se virou para trás e me olhou. Seu olhar era um olhar doce, não mais um olhar de uma pessoa morta viva. Foi ai que eu percebi que o olhar era na verdade um olhar de agradecimento, com toda a certeza alguém já teria contado nesse curto tempo o que tinha acontecido.
— Obrigada — Eu li nos seus olhos, então ela se virou para frente e entrou na ambulância.
— Okay, ele está muito chocado com tudo, seguidores. — A minha família surgiu gritando meu nome. Do lado deles, vinha Bruna, junto com sua amiga, Amanda.
— Filho, filho, você está bem? — perguntou meu pai, aos prantos.
— Sim… — Foi a única palavra que consegui dizer, enquanto abraçava um por um, da minha família e amigos.
— E é assim, comunidade de Dalls Talls, que esta grande história termina. A tão conhecida mulher zumbi era na verdade uma mulher com uma doença inexplicável e que conseguiu fugir de casa, passando a morar na rua, longe da sua família. Um beijo e até a próxima! – disse o jornalista amarelo, enquanto seu câmera-man desligava a câmera.
    Depois de alguns dias, a notícia se espalhou e eu era agora o herói da cidade. As pessoas que me zoaram, agora estavam me admirando cada vez mais. Minha família e principalmente meus pais se enchiam de orgulho para falar sobre mim para qualquer pessoa que perguntavam sobre mim.
   Depois de exatamente um ano e dois meses depois, em um fim de quarta-feira, Bruna e eu ficamos assistindo á umas séries sobre investigações e depois lemos a coluna do jornalista amarelo sobre um menino que foi espancado até a morte por ser gay, depois descemos as escadas da minha casa e fomos comer algo. Neste momento a campainha toca. Eu me levanto da mesa e fui atender e quase tomo um susto.
    Era ela, diferente mais era ela, a mulher zumbi. Linda, agora com um cabelo longo loiro, uma maquiagem pesada, um vestido azul longo com babados em seu contorno e estava calçada com uma bota marrom.
— Então você é a pessoa que fez eu cair fortemente no chão? Sabia que minha bunda doeu por vários dias por causa disso? Da próxima vez tenta não ficar na minha frente! — Ela disse rindo enquanto eu ficava ali congelado sem saber o que fazer — Bom eu só vim aqui dizer obrigado — Disse abrindo um grande sorriso.

— De nada, você gostaria de entrar? — Disse eu gaguejando sem saber se aquilo era uma ilusão ou verdade  Minha tia fez um bolo gostoso.

— Gostaria sim! — Respondeu Clara enquanto adentrava em minha casa.
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