15 de julho de 2018

Capítulo 54

Havia uma abertura de caverna debaixo da casa. Não uma abertura grande, acima do nível do chão, como a caverna onde eles haviam entrado em Cabeswater. E não a entrada protegida como um buraco no chão que eles haviam usado para entrar na caverna onde Gwenllian havia sido enterrada. Essa era uma abertura voraz, úmida, com rampas desmoronadas de terra espalhadas sobre ossos de concreto e pedaços de móveis, o chão abrindo-se e parte de um porão caindo dentro do poço resultante. O frescor dela fez com que Gansey suspeitasse desconfiadamente de que ela tivesse sido aberta como resultado de seu comando para Motosserra, lá na Rua Fox.
Ele havia pedido para ver o rei corvo. Estavam lhe mostrando o caminho até ele, não importa quanto céu e terra precisassem ser movidos para que isso acontecesse.
— Ela realmente está meio caída mesmo — disse Henry, porque alguém precisava dizer isso. — Acho que deveriam fazer uma reforma nesse porão se quiserem conseguir um bom preço de venda. Assoalhos com madeira de lei, trocar as maçanetas, talvez colocar a parede de volta.
Gansey se juntou a ele na beirada da fenda e espiou para dentro. Os dois focaram as lanternas dos telefones no poço. Diferentemente do ferimento fresco da abertura, a caverna abaixo parecia usada, seca e empoeirada, como se sempre tivesse existido debaixo da casa. Era meramente essa entrada que havia sido inventada em resposta ao seu pedido.
Gansey olhou para fora, para o Fisker estacionado na frente, mentalmente se alinhando com a autoestrada, com Henrietta, com a linha ley. É claro, ele já sabia que essa casa estava sobre a linha ley. Não havia sido dito bem no início que ele somente sobrevivera à sua morte sobre a linha ley porque outra pessoa estava morrendo em outra parte nela?
Ele se perguntou se já existira um dia uma maneira mais fácil de chegar a essa caverna. Haveria outra abertura natural em outra parte ao longo da linha, ou ela estivera esperando por sua ordem esse tempo todo para que ela se revelasse?
— Bem — disse Gansey por fim. — Vou entrar.
Henry riu, e então percebeu que ele estava falando sério.
— Você não deveria ter um capacete e um acompanhante para expedições desse tipo?
— Provavelmente. Mas acho que não tenho tempo de voltar à Henrietta e buscar meu equipamento. Terei de ir devagar.
Ele não pediu para Henry ir junto, pois não queria que Henry passasse pelo constrangimento de dizer que não iria acompanhá-lo. Ele não queria que Henry tivesse a impressão de que Gansey sempre esperara que ele o acompanhasse em uma jornada dessas, entrando em um buraco no chão quando a única coisa que Henry realmente temia eram buracos no chão.
Gansey tirou o relógio e o colocou no bolso para que ele não se prendesse em nada se ele tivesse de escalar. Então enfiou as calças nas meias e avaliou a entrada mais uma vez. Não era uma queda tão terrível assim, mas ele queria se certificar de que conseguiria sair dela se retornasse e não houvesse mais ninguém para ajudá-lo. Franzindo o cenho, Gansey buscou uma das cadeiras que não havia sido destruída no desmoronamento. Ele a baixou na escuridão; assim que ele a endireitasse, ela lhe proporcionaria os poucos centímetros a mais de que precisaria para escalar para fora do buraco.
Henry observou tudo e então disse:
— Espere. Você vai estragar o seu belo casaco, homem branco. Pegue isso.
Ele pegou o seu blusão da Aglionby que carregava nos ombros e o ofereceu.
— Então você está literalmente me dando a sua própria camisa — disse Gansey, passando-lhe em troca o seu casaco. Ele se sentiu agradecido. Gansey ergueu o olhar para Henry.
— Vejo você do outro lado. Excelsior.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!