5 de julho de 2018

Capítulo 51

Adam Parrish estava desperto.
O oposto de desperto deveria ser dormindo, mas Adam tinha passado grande parte dos últimos dois anos de sua vida sendo ambos ao mesmo tempo, ou nenhum. Em retrospecto, Adam não tinha certeza se sabia como era estar desperto realmente até agora.
Ele estava sentado no banco de trás do Camaro, com Ronan e Blue, observando as luzes das ruas de Washington passarem, sentindo o pulso da linha ley diminuir quanto mais eles se afastavam de Henrietta. Uma semana havia se passado desde que eles tinham emergido do vale dos ossos, e as coisas estavam voltando ao normal.
Não, não normal.
Não havia normal.
Maura estava de volta à Rua Fox, 300, mas Persephone não. Os garotos estavam de volta à escola, mas Greenmantle não. A morte de Jesse Dittley dominou os jornais. Um dos artigos noticiara que o vale estava começando a parecer um lugar perigoso para se morar: Niall Lynch, Joseph Kavinsky, Jesse Dittley, Persephone Poldma.
Todos ficaram surpresos quando descobriram que Persephone tinha sobrenome.
— Foi tudo que você esperava? — Gansey perguntou a Malory.
Malory e o Cão desviaram o olhar de seus cartões de embarque.
— Mais. Muito mais. Demais. Sem querer ofender você e a sua companhia, Gansey, mas ficarei muito aliviado em voltar para a minha linha ley sonolenta por um tempo.
Adam arrancou uma casquinha da mão — o menor dos arranhões que ele tinha feito ao escorregar para dentro do poço de corvos e então escalar de volta para fora. O ferimento mais duradouro era invisível, mas persistente: a consciência da morte de Persephone zunia constantemente através de Adam, como o pulso da linha ley.
Ela lhe dissera que havia três adormecidos. Um para ser despertado, um para não ser despertado. Um entre os dois. Os outros achavam que Gwenllian era o adormecido entre os dois, mas isso não fazia sentido realmente, pois ela nunca estivera dormindo.
Então Adam não sabia se era verdade ou não, mas meio que gostava de acreditar que o terceiro adormecido fora ele.
— Você precisa vir me visitar — disse Malory. — Pode ver a tapeçaria. Podemos passear pelos velhos caminhos e recordar os bons tempos. O Cão ia gostar se a Jane viesse também.
— Eu gostaria muito — disse Gansey educadamente. Como se fosse, mas ele não iria. Malory provavelmente não conseguia ouvir isso, mas Adam sim. Ele ficaria ali, procurando por Glendower e seu favor.
Na noite anterior, Adam começara incansavelmente um de seus velhos truques para conseguir dormir: ensaiar os vários fraseados do favor, tentando encontrar a maneira certa de pedir, aquela que não desperdiçaria a oportunidade, aquela que consertaria tudo que estava errado. Só que ele descobriu que não conseguia realmente se concentrar no jogo. Adam não se importava tanto em pedir por sucesso; ele sobreviveria a Aglionby, pensou, e acreditava que era bastante provável que conseguisse uma bolsa de estudos para pelo menos um lugar ao qual quisesse ir. Ele costumava pensar que precisaria usar o pedido para se ver livre de Cabeswater, mas agora isso parecia algo estranho para se pedir. Seria como pedir para se ver livre de Gansey ou Ronan.
Então Adam se deu conta de que a única coisa para a qual ele precisava do favor era salvar a vida de Gansey.
— Aqui estamos — disse Malory, os olhos no terminal do aeroporto. O Cão abanou o rabo pela primeira vez. — Deseje boa sorte à sua mãe na eleição. Política norte-americana! Mais perigosa que a linha ley.
— Direi a ela — disse Gansey.
— Não entre para a política — disse Malory severamente quando eles encostaram no meio-fio.
— Improvável.
Gansey ainda soava ansioso para Adam, embora não houvesse nada inerentemente ansioso a respeito da conversa. Era chegado o momento de encontrar Glendower. Todos eles sabiam.
Gansey pisou no freio e disse:
— Assim que eu embarcar o professor, um de vocês pode vir para frente. Adam? A não ser que ele esteja dormindo.
— Não — disse Adam. — Estou acordado.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!