15 de julho de 2018

Capítulo 46

Não era nem um pouco impossível para Blue acreditar que um demônio havia matado a mãe de Ronan e estava matando Cabeswater também. Quando eles voltaram do almoço na escola dos Gansey — tendo recebido dezenas de chamadas tanto do celular de Ronan quanto da Rua Fox, 300 —, parecia o fim do mundo. Nós de nuvens emaranhavam-se sobre a cidade e dentro da casa, onde o Homem Cinzento colocava em uma mala os poucos pertences que ele havia deixado para ali.
— Matem o demônio — ele disse a todas elas. — Vou fazer o meu melhor para cuidar do resto. Será que um dia eu vou voltar?
Maura simplesmente colocou a mão no rosto dele.
O Homem Cinzento a beijou, abraçou Blue, e não estava mais ali.
Jimi e Orla, surpreendentemente, não estavam mais ali também. Elas não mereciam estar na linha de fogo, disse Maura, e haviam partido para ficar com velhas amigas na Virgínia Ocidental até que tivessem certeza do que aconteceria a Henrietta e às médiuns na cidade.
Todas as consultas haviam sido canceladas, então não havia clientes, e a linha especial de atendimento estava configurada para mandar todas as pessoas que ligassem direto para o correio de voz.
Apenas Maura, Calla e Gwenllian permaneceram ali.
Parecia o fim de tudo.
— Onde o Ronan está? — Blue perguntou a Adam.
Adam tirou Blue e Gansey da Rua Fox para o dia frio, movendo-se cuidadosamente para evitar derrubar Motosserra, que havia se empoleirado de cabeça baixa em seu ombro. O carro de Ronan estava estacionado junto ao meio-fio, a algumas casas dali.
Ronan estava sentado imóvel atrás da direção do BMW, os olhos fixos em algum ponto mais adiante na estrada atrás deles. Parecia haver um truque de luz no assento do passageiro — não, não era um truque. Noah estava sentado ali, quase ausente, também imóvel. Ele já estava se encurvando, mas, quando viu os pontos de Blue, se encurvou ainda mais.
Blue e Gansey caminharam até o lado do motorista e esperaram. Ronan não baixou a janela nem olhou para eles, então Gansey tentou a porta, encontrou-a destrancada e a abriu.
— Ronan — ele disse. A maneira carinhosa como ele o disse quase fez Blue chorar.
Ronan não virou a cabeça. Seus pés repousavam sobre os pedais; suas mãos repousavam sobre a parte de baixo da direção. Seu rosto parecia bastante contido. Quão miserável era imaginar que ele era o último Lynch que restava na cidade.
Ao lado de Blue, Adam estremeceu violentamente. Blue o enlaçou com um braço. Era terrível imaginar que, enquanto Gansey e ela almoçavam, Ronan e Adam perambulavam juntos através de uma paisagem infernal. Os mágicos galantes de Gansey, ambos derrubados pelo horror.
Adam tremeu novamente.
— Ronan — disse Gansey de novo.
Em uma voz muito baixa, Ronan respondeu:
— Estou esperando que você me diga o que fazer, Gansey. Para onde eu devo ir.
— Não podemos desfazer isso — disse Gansey. — Não consigo desfazer.
Isso não fez a menor diferença na expressão de Ronan. Era terrível vê-lo sem fogo ou ácido nos olhos.
— Vem para a minha casa — disse Blue.
Ronan pareceu não tê-la ouvido.
— Eu sei que não posso desfazer. Não sou burro. Eu quero matá-lo.
Um carro passou zunindo por eles, tomando cuidado para passar ao largo de onde eles estavam parados, ao lado da porta aberta de Ronan. O bairro parecia próximo, atento e presente. Dentro do carro, Noah se inclinou para frente para olhá-los nos olhos. Seu rosto parecia miserável; ele tocou a própria sobrancelha, onde a de Blue estava esfolada.
Não foi sua culpa, Blue lhe dirigiu o pensamento. Não estou brava com você. Por favor, pare de se esconder de mim.
— Não vou deixar que ele pegue o Matthew — disse Ronan, inspirando pela boca e expirando pelas narinas, de maneira lenta e intencional. Tudo era lento e intencional, nivelado para um estado de tênue controle. — Eu podia senti-lo no sonho. Eu podia sentir o que ele queria. Ele está desfazendo tudo que eu já sonhei. Não vou deixar que isso aconteça. Não vou perder mais ninguém. Você sabe como matar essa coisa.
— Não sei como encontrar Glendower — disse Gansey.
— Você sabe, Gansey — respondeu Ronan, a voz instável pela primeira vez. — Eu sei que você sabe. E, quando você estiver pronto para pegá-lo, vou estar bem aqui, esperando para ir aonde você me disser.
Ah, Ronan.
Os olhos de Ronan ainda estavam focados na estrada à frente deles. Uma lágrima correu por seu nariz e se prendeu ao queixo, mas ele não chegou nem a piscar. Quando Gansey não disse mais nada, Ronan estendeu a mão para a maçaneta da porta sem olhar, o gesto impensado da familiaridade. Ele livrou a porta da mão de Gansey. Ela se fechou com uma batida menor do que Blue achava que Ronan era capaz.
Eles ficaram ali, parados do lado de fora do carro do amigo, sem dizer uma palavra ou se mover.
A brisa embaralhava folhas secas pela rua na direção da linha de visão de Ronan. Em alguma parte lá fora, havia um monstro comendo o seu coração. Blue não conseguia se concentrar nas árvores de Cabeswater sendo atacadas, ou se sentia agitada demais para ficar parada.
— Aquilo ali no banco de trás é a caixa quebra-cabeça de línguas? Vou precisar dela. Vou falar com Artemus.
— Ele não está em uma árvore? — perguntou Adam.
— Sim — disse Blue. — Mas já faz um tempo que conversamos com árvores.


Alguns minutos mais tarde, Blue abria caminho pelas raízes expostas da faia até o seu tronco. Gansey e Adam haviam se juntado a ela, mas haviam recebido ordens estritas para ficarem no pátio do lado de fora da porta dos fundos e não se aproximarem. Isso dizia respeito a ela, seu pai e a sua árvore.
Assim Blue esperava.
Ela não sabia dizer quantas vezes havia se sentado debaixo daquela faia. Onde outros tinham um blusão favorito, uma canção favorita, uma cadeira favorita ou uma comida favorita, Blue sempre tivera a faia no quintal. Não era apenas essa árvore, é claro — ela adorava todas as árvores —, mas essa árvore fora uma constante durante toda a sua vida. Ela conhecia as cavidades da sua casca, quanto ela crescia a cada ano e até o cheiro particular das suas folhas quando elas começavam a florescer nos primeiros dias de primavera. Blue a conhecia tão bem quanto qualquer pessoa na Rua Fox, 300.
Agora ela estava sentada de pernas cruzadas em meio às raízes arrancadas da árvore com a caixa quebra-cabeça repousando sobre as panturrilhas e um notebook repousando sobre a caixa. O chão remexido estava úmido e frio contra suas coxas; provavelmente, se ela estivesse sendo realmente prática, ela teria trazido algo para se sentar.
Ou talvez fosse melhor sentir o mesmo chão que a árvore.
— Artemus — ela disse —, você consegue me ouvir? É a Blue. Sua filha. — Assim que disse isso, ela achou que talvez tivesse sido um engano. Talvez fosse melhor não lembrá-lo desse fato. Ela corrigiu. — A filha da Maura. Peço desculpas pela minha pronúncia, mas eles realmente não dão livros para isso.
Ela começara a ter a ideia de usar a caixa quebra-cabeça do Ronan pela primeira vez mais cedo naquele dia enquanto conversava com Henry. Ele havia lhe explicado como a abelha traduzia os seus pensamentos mais puramente do que as palavras, como a abelha era mais essencialmente Henry do que qualquer coisa que realmente saía de sua boca. Isso a fez pensar como as árvores de Cabeswater haviam sempre lutado para se comunicar com os seres humanos, primeiro em latim, então em inglês, e como elas tinham outra língua que elas pareciam usar para conversar umas com as outras — a língua de sonhos trazida nessa caixa de tradução de Ronan. Artemus não parecia remotamente capaz de se expressar. Talvez isso ajudasse. Pelo menos poderia parecer que Blue estava se esforçando.
Então ela girou a roda para traduzir as coisas que ela queria dizer para a língua de sonhos, e anotou as palavras que apareciam. Leu as frases escritas em voz alta, lentamente e com convicção. Ela tinha consciência da presença de Adam e Gansey, mas isso era reconfortante, não embaraçoso. Ela já fizera rituais mais ridículos na frente deles. Em voz alta, as frases soavam um pouco como latim. Na cabeça de Blue, elas queriam dizer:
— A minha mãe sempre me disse que você se interessava pelo mundo, pela natureza, e pela maneira como as pessoas interagiam com ela, igual a mim. Achei que poderíamos conversar sobre isso, na sua língua.
Ela queria perguntar sobre o demônio direto, mas vira como isso dera errado com Gwenllian. Então simplesmente esperou. O quintal parecia o mesmo de sempre. Suas mãos estavam frias e úmidas. Ela não tinha inteiramente certeza do que esperava que acontecesse.
Lentamente, moveu o disco sobre a caixa quebra-cabeça para traduzir outra frase do inglês.
Tocando a casca suave da faia, perguntou em voz alta:
— Por favor, você poderia ao menos dizer se está me ouvindo?
Não se ouvia nem um farfalhar das folhas secas restantes.
Quando Blue era bem mais nova, ela passara horas montando versões elaboradas dos rituais mediúnicos que vira sua família realizar. Ela lera incontáveis livros sobre tarô; observara vídeos na internet sobre quiromancia; estudara folhas de chá; conduzira sessões espíritas no banheiro no meio da noite. Enquanto suas primas conversavam sem esforço algum com os mortos e sua mãe via o futuro, Blue lutava por ao menos um indício do sobrenatural. Ela passava horas forçando os ouvidos para uma voz de outro mundo. Tentando prever qual carta de tarô estava prestes a abrir. Esperando para sentir algo morto tocar sua mão.
O momento era exatamente isso.
A única coisa que era ligeiramente diferente era que Blue havia começado esse processo de certa forma otimista. Já se passara um longo tempo desde que ela se enganara em pensar que tinha alguma conexão com o outro mundo. Se ela não estava sendo amarga a respeito disso, era porque ela não acreditava que isso tivesse algo a ver com o outro mundo.
— Eu adoro essa árvore — disse Blue por fim, em inglês. — Você não tem nenhum direito em relação a ela. Se alguém tinha o direito de viver dentro dela, essa pessoa deveria ser eu. Eu a amei há muito mais tempo do que você.
Com um suspiro, ela se pôs de pé, limpando o lodo da parte de trás de suas pernas. Em seguida lançou um olhar pesaroso para Gansey e Adam.
— Espere.
Blue congelou. Gansey e Adam olharam bruscamente atrás dela.
— Diga o que você acabou de dizer.
A voz de Artemus emanava da árvore. Não como a voz de Deus, mas como uma voz que vinha de algum ponto logo atrás do tronco.
— O quê? — perguntou Blue.
— Diga o que você acabou de dizer.
— Que eu adorava essa árvore?
Artemus saiu da árvore. Exatamente como quando Aurora saíra da rocha em Cabeswater. Havia uma árvore, então um homem-e-árvore, e por fim só um homem. Ele se deixou cair no chão com a caixa no colo, dobrando as longas pernas e braços em torno dela, virando os discos lentamente e olhando para ambos os lados. Observando seu longo rosto, a boca cansada e os ombros caídos, Blue ficou impressionada em quão diferentemente Artemus e Gwenllian portavam a sua idade. Gwenllian havia ficado jovem e irada com seiscentos anos de marcação. Artemus parecia derrotado. Ela se perguntava se isso se devia pelos seiscentos anos no total, ou apenas pelos últimos dezessete.
— Você parece cansado — ela disse simplesmente.
Ele a espiou, os olhos pequenos brilhantes em seu longo rosto, as rugas profundas em torno deles.
— Estou cansado.
Blue se sentou de frente para ele. Ela não disse nada enquanto ele continuava testando a caixa. Era estranho identificar a origem de suas mãos nas mãos dele, embora seus dedos fossem mais longos e nodosos.
— Eu sou uma das tir e e’lintes — disse Artemus por fim. — Essa é a minha língua.
Ele virou os discos do lado da língua desconhecida para soletrar tir e e’lintes. A tradução apareceu no lado inglês, que ele mostrou para Blue.
— Luzes de árvores — ela leu. — Por que você consegue se esconder em árvores?
— Elas são nossas... — Ele gaguejou. Então girou os discos e lhe mostrou a caixa novamente.
Casa-pele.
— Você vive em árvores?
— Em? Com. — Artemus considerou a questão. — Eu era uma árvore quando a Maura e as outras duas mulheres me tiraram dela muitos anos atrás.
— Não compreendo — disse Blue, carinhosamente. Ela não se sentia desconfortável por causa da verdade dele. Ela se sentia desconfortável porque a verdade dele sugeria uma verdade nela. — Você era uma árvore ou estava em uma árvore?
Ele olhou para ela, melancólico, cansado, estranho, então abriu sua mão para ela. Com os dedos da outra mão, traçou as linhas na própria palma.
— Elas lembram as minhas raízes.
Artemus pegou a mão de Blue e a colocou aberta sobre a superfície da faia. Seus dedos longos e nodosos eclipsaram inteiramente a pequena mão de Blue.
— Minhas raízes são as suas raízes também. Você sente saudades de casa?
Ela fechou os olhos. Podia sentir a casca fria familiar por baixo de sua pele, e sentiu mais uma vez o conforto de estar debaixo dos seus galhos, sobre as suas raízes, pressionada contra o seu tronco.
— Você amava essa árvore — disse Artemus. — Você já me disse isso.
Blue abriu os olhos e anuiu.
— Às vezes nós, tir e e’lintes, usamos isso — ele continuou, deixando cair a mão de Blue para que pudesse gesticular para si mesmo. Então ele tocou a árvore novamente. — Às vezes nós usamos isso.
— Eu gostaria — disse Blue, então parou. Ela não precisava terminar a frase.
Ele anuiu uma vez, então disse:
— Foi assim que a história começou.
Ele contou exatamente como uma árvore cresce, começando com uma semente. Então cavoucou as raízes finas para dar suporte a ela enquanto o tronco principal começava a se desenvolver para cima.
— Quando o País de Gales era jovem — contou Artemus para Blue —, havia árvores. O país não é mais tomado somente por árvores, ou não era quando eu parti. Em um primeiro momento, não havia problemas. Havia mais árvores do que tir e e’lintes. Algumas árvores não podem conter uma tir e e’lintes. Você conhece essas árvores; até o homem mais ignorante conhece essas árvores. Elas são... — Ele olhou de relance à sua volta. Seus olhos encontraram as alfarrobeiras de crescimento rápido como ervas daninhas do outro lado da cerca, assim como a ameixeira decorativa no jardim do vizinho. — Elas não têm alma própria, e não são feitas para conter a alma de ninguém mais.
Blue correu os dedos sobre uma raiz exposta da faia próxima da sua perna. Sim, ela sabia.
Artemus espalhou mais raízes para a sua história:
— Havia árvores suficientes para nos alojar no País de Gales. Mas, à medida que os anos se passavam, o País de Gales se transformou de um lugar de florestas em um lugar de fogos, arados, barcos e casas; ele se tornou um lugar para todas as coisas que as árvores poderiam ser, exceto vivas.
As raízes foram cavoucadas, e ele começou a trabalhar o tronco.
— Os amae vias estavam falhando. As tir e e’lintes só podem existir nas árvores próximas a elas, mas nós alimentamos os amae vias também. Nós somos oce iteres. Como o céu e a água. Espelhos.
Apesar do calor, Blue colocou os braços em torno de si, tão gelada quanto estaria com a presença de Noah.
Artemus olhou pensativamente para a faia, ou para algo além dela, algo mais velho.
— Uma floresta de tir e e’lintes é algo, realmente, espelhos apontados para espelhos apontados para espelhos, os amae vias se revolvendo abaixo de nós, sonhos guardados entre nós.
— E que tal um deles? O que é um deles? — perguntou Blue.
Ele analisou suas mãos pesarosamente.
— Cansado. — Então analisou as mãos de Blue. — Outra coisa.
— E o demônio?
Isso era pular à frente. Artemus balançou a cabeça e recuou.
— Owain não era como os homens comuns — ele disse. — Ele podia conversar com os pássaros. Ele podia conversar conosco. Ele queria que o seu país fosse um lugar selvagem de mágica, um lugar de sonhos e canções, cruzado por amae vias poderosos. Então nós lutamos por ele. Todos nós perdemos tudo. Ele perdeu tudo.
— Toda a família dele morreu — disse Blue. — Fiquei sabendo.
Artemus anuiu.
— É perigoso derramar sangue em um ama via. Mesmo um pouco pode semear coisas sombrias.
Blue arregalou os olhos.
— Um demônio.
As sobrancelhas de Artemus inclinaram-se bem mais na direção do lado triste das coisas. Seu rosto era um retrato chamado preocupação.
— O País de Gales foi desfeito. Nós fomos desfeitos. As tir e e’lintes que sobraram deveriam esconder Owain Glyndŵr até o momento em que ele pudesse ascender novamente. Nós deveríamos escondê-lo por um tempo. Torná-lo lento como somos lentos nas árvores. Mas não restavam lugares suficientes de poder nos amae vias galeses após o trabalho do demônio. Então fugimos para cá; nós morremos aqui. É uma dura jornada.
— Como você encontrou a minha mãe?
— Ela foi até o caminho dos espíritos com a intenção de se comunicar com as árvores, e foi isso que ela fez.
Blue se sobressaltou, então parou, para se sobressaltar de novo.
— Eu sou humana?
— A Maura é humana. — Ele não disse e eu também. Ele não era um mago, um ser humano que podia estar em árvores. Ele era algo mais.
— Me diga uma coisa — sussurrou Artemus. — Quando você sonha, você sonha com as estrelas?
Era demais: o demônio, o luto de Ronan, o episódio das árvores. Para sua surpresa, uma lágrima brotou em seu olho e escapou; outra estava na fila atrás dela.
Artemus a acompanhou cair de seu queixo, e então disse:
— Todas as tir e e’lintes são cheias de potencial, sempre se movendo, sempre agitadas, sempre procurando por possibilidades para se lançar e estar em outra parte, ser algo mais. Essa árvore, aquela árvore, essa floresta, aquela floresta. Porém, mais do que qualquer outra coisa, nós adoramos as estrelas. — Ele focou os olhos para cima, como se as pudesse ver durante o dia. — Se pudéssemos alcançá-las, talvez pudéssemos sê-las. Qualquer uma delas poderia ser a nossa casa-pele.
Blue suspirou.
Artemus olhou para as próprias mãos de novo; elas sempre o faziam parecer ansioso.
— Essa não é a forma mais fácil para nós. Eu gostaria... eu só quero voltar para uma floresta no caminho dos espíritos. Mas o demônio a desfaz.
— Como nos livramos dele?
Muito relutantemente, Artemus disse:
— Alguém deve morrer voluntariamente no caminho dos corpos.
A escuridão caiu tão rapidamente nos pensamentos de Blue que ela estendeu um braço para se equilibrar na faia. Então, em sua mente, viu o espírito de Gansey caminhando na linha ley. E se lembrou abruptamente que Adam e Gansey estavam ao alcance da voz deles; ela havia esquecido completamente que não eram somente Artemus e ela.
— Existe outra maneira? — perguntou Blue.
A voz de Artemus ficou mais baixa ainda.
— A morte voluntária para pagar pela morte involuntária. Esse é o caminho.
Houve silêncio, então mais silêncio, e finalmente Gansey perguntou, sua voz elevada de um local próximo da casa.
— E quanto a despertar Glendower e usar esse favor?
Mas Artemus não respondeu. Blue tinha perdido o momento de sua partida: ele estava na árvore e a caixa quebra-cabeça de lado nas raízes. Blue foi deixada com essa verdade terrível e nada mais, nem mesmo uma sobra de heroísmo.
— Por favor, volte! — ela disse.
Mas havia apenas a agitação de folhas secas acima de sua cabeça.
— Bem — disse Adam, com a voz tão cansada quanto a de Artemus. — Isso é tudo.

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