30 de julho de 2018

Capítulo 39

AURANOS

O rei Gaius estava no terraço do castelo, olhando para baixo, para aqueles reunidos a fim de ouvi-lo falar de sua vitória em Auranos. Uma multidão de mais de mil pessoas. Elas estavam aterrorizadas tanto com ele quanto com o exército que os cercava, procurando qualquer sinal de confusão. Cleo puxou o capuz largo de seu manto para mais perto do rosto, enquanto escutava aquele homem odioso dizer suas mentiras e falsas promessas com um sorriso no rosto.
Ela estava exausta. Passara o dia e a noite toda escondida nas sombras da cidade murada do palácio, agora inundada de guardas limerianos. Mas ninguém prestou muita atenção em uma mera garota.
Sempre que começava a perder a fé, tocava o anel que seu pai havia lhe dado para ganhar força — o anel de sua mãe. O anel da feiticeira Eva.
O reino de Cleo havia sido tirado dela. Sua família estava morta. Ela estava sozinha. Mas não estava pronta para fugir ainda. Nic e Mira não haviam conseguido sair do castelo a tempo. O rei Gaius obviamente havia estendido sua — generosa — hospitalidade a eles. Também estavam no terraço com ele como representantes auranianos, pálidos e atormentados, mas com a maior coragem possível.
Ter uma prova de que estavam vivos deu a Cleo alguma esperança de que poderia libertá-los. Ela precisava ter os amigos a seu lado se fosse bolar um plano para endireitar o que havia dado tão terrivelmente errado. Foi o último pedido de seu pai.
Cleo se recusava a pensar que fracassaria.
De repente, ela sentiu o olhar quente de alguém na lateral do rosto. Quando olhou para a esquerda, ficou sem ar. Jonas Agallon, também de manto, estava a poucos passos dela. Ela temia que ele estivesse prestes a fazer alarde, quando o viu pousar o dedo indicador diante dos lábios.
O rapaz que a havia sequestrado, aprisionado e contado ao príncipe Magnus onde ela estava para que ele a levasse como prisioneira de guerra estava dizendo para ela ficar quieta. Para ficar calma.
Cleo ficou paralisada e deslizou em meio à multidão, aproximando-se até ele ficar bem atrás dela.
— Eu não quero lhe fazer mal — ele sussurrou.
Ela se virou lentamente para ele.
— Eu gostaria de poder dizer o mesmo. — Ela pressionou a ponta afiada de sua adaga contra o abdômen dele.
Em vez de ficar assustado, ele teve a pachorra de dar um sorrisinho.
— Muito bem!
— Você não dirá isso quando estiver sangrando até a morte.
— Não. Acho que não. Você não deveria estar aqui, vossa alteza. Precisa partir o quanto antes.
Ela olhou feio para ele e pressionou a adaga com mais força para provar que não estava brincando.
— Quem disse? Um paelsiano selvagem que jurou fidelidade ao homem que roubou meu reino e destruiu minha família?
Ele rangeu os dentes.
— Não. Um rebelde que quer dar fim ao Rei Sanguinário. — Ignorando o perigo que a adaga representava, ele se aproximou mais dela e levou os lábios ao seu ouvido. — Um dia, muito em breve, esteja preparada.
Cleo olhou para Jonas, confusa, enquanto ele se afastava. Ela escondeu a adaga imediatamente sob o manto para ninguém ver. Quando voltou a olhar, ele estava perdido na multidão.
— Então vejam — o rei Gaius falou em alto e bom som de seu posto real —, o futuro pertence a Limeros. E se vocês se juntarem a mim, pertencerá a vocês também.
A multidão murmurava com desagrado, mas o sorriso do rei apenas aumentava.
— Sei que estão preocupados com a segurança da princesa Cleiona. Há rumores de que ela foi morta. Garanto que não é o caso. Ela está segura e bem, e logo será minha convidada no palácio. Considerem isso como um ato de generosidade para mostrar que sou benevolente em relação a todos os auranianos durante essa transição.
Cleo franziu a testa. Como ele podia dizer aquelas coisas? Ela não era convidada dele.
— Precisamos parar de nos encontrar desse jeito — disse uma voz familiar e odiosa. Ela olhou assustada para a direita e viu que o príncipe Magnus estava ao seu lado.
Antes de conseguir pegar a adaga de volta, dois guardas agarraram seus braços e a seguraram com firmeza. O príncipe Magnus se aproximou e passou a mão sob o manto para localizar a arma. Ele a olhou com desinteresse.
— Tirem as mãos de mim — ela exigiu.
— Não ouviu meu pai? — Magnus perguntou olhando para o terraço e depois para Cleo. — Você foi cordialmente convidada para ser nossa hóspede. Meu pai não lida bem com decepções, então eu a aconselho a aceitar da forma mais elegante possível. — As sobrancelhas escuras dele se uniram, e ele a analisou. — Sei que deve estar sendo um momento muito difícil para você.
Ela cuspiu nele.
— Eu o verei morto.
Ele limpou o cuspe e agarrou o queixo dela. Seu olhar se transformou em gelo.
— E eu, princesa, verei você na hora do jantar. — Magnus fez sinal para os guardas. — Levem-na.
Segurando seus braços com força, os guardas levaram Cleo para o palácio. Por mais que quisesse lutar e gritar, Cleo manteve a cabeça erguida, com orgulho. Ela seria forte. Aquela sentença até lhe poderia ser útil. Dentro do palácio, estaria reunida com Nic e Mira. Juntos, eles encontrariam um jeito de fugir. Eles descobririam como usar o anel de sua mãe para localizar a Tétrade. Com ela, teria poder mais do que suficiente para recuperar Auranos e vencer seus inimigos para sempre.
Jonas havia dito para ela se preparar, mas para quê? Ela não confiava nele. Algumas palavras sussurradas em tom conspiratório não mudavam nada. Até onde ela sabia, ele devia ter avisado Magnus sobre sua presença no meio da multidão.
De qualquer forma, sua luta ainda não havia terminado — nem estava perto de terminar.
Havia apenas começado. E sim, Cleo seria forte. Exatamente como seu pai e Emilia haviam pedido.
Ela seria forte.
Ela reclamaria seu trono de direito.
Ela seria rainha.

5 comentários:

  1. 😭😢😓😶😶😶

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  2. Caraca!!!! O segundo livro vai pegar fogo!!! Essa Cleo promete!!!

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  3. ACABOU?
    SERIO?
    JA?
    NOSSAA LI RAPIDO ESSE LIVRO EM
    ASS:JANIELLI
    OBS:SERIO EU NAO ACHEI QUE JA TIVESSE ACABADO PULE PARA O PROXIMO CAPITULO E VOLTOU NA SINPSE E NOS CAPITULOS AI FUI OLHAR ERA SÓ ESSE 39 CAPITULOS

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  4. A história promete ������ #partiuprosegundolivro

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  5. Gostei do livro. Mas sei lá ainda tem alguma coisa que me incomoda. Ele é um pouco corrido, tipo muita coisa acontecendo rápido. Talvez esteja acostumada com o enchimento de linguiça que é nornal em alguns livros. Também acho algumas coisas meios soltas, ele não está tão arramado. Creio o segundo livro me ajude a entender algumas coisas.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!