30 de julho de 2018

Capítulo 35

PAELSIA

Ioannes observava a velha mulher enquanto ela pendurava a roupa para secar em uma corda esticada entre duas árvores mortas, perto de uma humilde casinha de pedra. Seu rosto era carrancudo e ela olhava para o alto, em sua direção, a cada minuto.
— Xô — ela disse rudemente.
Ele não se moveu do poleiro.
— Sei quem você é. Sei que já esteve aqui muitas vezes. — Ela pôs as mãos na cintura. — É você, não é, meu irmão? Nenhum dos outros se preocuparia comigo agora.
Sua irmã, Eirene, havia deixado o Santuário há mais de cinquenta anos mortais. Na época ela era bela, jovem e cheia de vida e poderia ter ficado assim para sempre. Mas agora, para além do véu, tinha ficado enrugada, corcunda e grisalha pela idade e pelo trabalho duro.
Ela havia feito sua escolha. Deixando o Santuário, nunca mais se pode voltar.
— Está ciente da guerra que está sendo travada neste exato momento? — ela perguntou. Ioannes não sabia se ela realmente acreditava que ele fosse seu irmão ou se estava meio maluca; uma mulher que falava com pássaros. — Vai terminar em sangue e morte, como todas as guerras. O Rei Sanguinário procura a mesma coisa que você, eu sei. Acha que vai encontrar antes dele?
Ele não podia responder a ela, então nem se preocupou em tentar.
— A menina nasceu. Ela está viva, meu irmão. Vi nas estrelas anos atrás – mas você já deve saber. Ela pode encontrar a Tétrade. Os anciãos ficarão felizes quando tudo voltar ao normal.
A expressão de Eirene azedou.
— Sem os cristais, o Santuário vai desaparecer. Vejo por esta terra. Está tudo conectado. Tudo é conectado, meu irmão, até mais do que eu imaginava. — Ela riu, mas sem alegria. — Talvez seja melhor assim. Se eu vou morrer como mortal, por que todos não devem ter o mesmo destino, independente do quanto viveram ou da importância que pensam que têm? Todas as coisas devem chegar ao fim mais cedo ou mais tarde.
Eirene havia deixado o Santuário porque se apaixonara por um mortal. Virou as costas para a imortalidade pela chance de amar. Acreditava que alguns anos de paixão e vida eram melhores do que uma existência eterna e monótona. Ioannes ficara enojado com a fraqueza da irmã na época. Para um vigilante, cinquenta anos eram apenas um sopro de tempo.
— Tome cuidado com uma coisa, meu irmão. — Ela se virou e olhou para ele quando estava prestes a entrar em casa. — Não superestime sua capacidade de lidar com mortais, mesmo os mais belos. Depois de dois mil anos, isso pode significar sua morte.
Ele ainda não tinha contado a Danaus, a Timotheus e nem a Phaedra sobre a magia da bela princesa de cabelos escuros. Ela era importante demais, e Ioannes estava começando a confiar cada vez menos em seus pares. Ele tinha que continuar vigiando a garota. Tinha que encontrar a hora certa de se comunicar com ela.
E, muito em breve, teria que encontrar uma forma de matá-la.

3 comentários:

  1. MATÁ-LA!?!!!
    COMO ASIM!!!!
    NAO!!!
    VOCE NAO PODE FAZER ISSO
    NAO PODE ENTENDEU
    PODE TIRAR ESSA IDEIS MALUCAS DA CABEÇA

    ASS:JANIELLI
    OBS:SE ELE FAZER ALGUMA COISA COM A LUCIA EU ENTRO NO LIVRO E ACABO COM ELE

    ResponderExcluir
  2. É engraçado como nesse livro todo mundo quer matar todo mundo... kkkkkk

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim. Pois é. Todo mundo quer matar todo mundo. Essa autora não tem pena de acabar com os personagens. Em quase todo capítulo morre alguém

      Excluir

Se você não tem conta no Google e quiser comentar, utilize a opção Nome/URL e preencha seu nome/apelido/nick; o URL pode deixar em branco.

Boa leitura, E SEM SPOILER!