30 de julho de 2018

Capítulo 34

AURANOS

Depois da explosão que arrebentou as portas do castelo, o caos tomou conta. Cleo não podia ceder ao luto, não podia cair de joelhos e chorar a morte da irmã. Tinha que se mexer. Os inimigos haviam invadido o castelo.
Gritos de medo e o retinir de espadas chegavam a seus ouvidos enquanto ela e Nic corriam pelos corredores. Ela se agarrou no braço dele.
— O que podemos fazer?
Havia suor na testa do rapaz, que mantinha a atenção no caminho.
— Tenho que encontrar Mira. Precisamos… eu não sei. Quero ajudar. Quero lutar, mas sei que seu pai gostaria que eu mantivesse você e minha irmã em segurança.
— Como? Como podemos ficar em segurança agora?
Nic sacudiu a cabeça e ficou sério.
— Teremos que nos esconder. Depois tentar fugir quando pudermos.
— Preciso encontrar meu pai.
Ele concordou, depois praguejou em voz baixa. Correndo na direção deles pela passagem escura estava Aron. Ele agarrou a camisa de Nic.
— Eles estão por toda a parte — Aron gritou. — Que a deusa nos ajude. Eles conseguiram explodir a entrada!
— Você está bem? — Cleo perguntou apesar de seu estado. O garoto sangrava de um corte sob o olho esquerdo.
— Alguém me agarrou. Eu lutei e escapei. Usei isso para me proteger. — Ele tinha uma adaga ensanguentada na mão direita. Um vislumbre do assassinato de Tomas Agallon passou pela cabeça de Cleo e um nó se formou em sua garganta. Ela se esforçou para afastar aquela lembrança.
Quando Aron se aproximou, ela pôde sentir o cheiro de vinho em seu hálito.
— Você está bêbado!
Ele deu de ombros.
— Talvez um pouco.
Ela fez uma expressão de desgosto.
— O dia mal amanheceu e você já está bêbado.
Ele a ignorou.
— E o que devemos fazer agora?
— Nic quer encontrar Mira para depois nos escondermos.
— Acho que é uma ideia excelente. E sua irmã?
— Emilia? Ela… ela morreu. — Sua garganta ficou apertada e Nic a puxou para mais perto.
O rosto vago de Aron ficou pálido de choque.
— Cleo, não. Não posso acreditar.
Cleo respirou fundo.
— Não temos tempo. Não fale mais nada sobre isso. Ela se foi e não posso fazer nada para ajudá-la agora. Precisamos sobreviver. E eu preciso encontrar o meu pai. — Ela olhou para Nic. — Vá buscar Mira. Encontre-nos no corredor perto da escadaria do andar de cima em quinze minutos. Se não estivermos lá, continue andando e esconda-se onde puder. Há muitos quartos lá em cima. Encontre um e fique o mais quieto possível. Este castelo é muito grande e o cerco não pode durar para sempre.
— Você vai ficar bem? — Nic apontou para Aron. — Com ele como seu único protetor?
— Terei que ficar.
Nic concordou.
— Vejo vocês em breve. Cuide-se, Cleo. — Ele beijou o rosto dela rapidamente, virou as costas e saiu correndo.
— Talvez devêssemos ir com ele — Aron sugeriu. — É mais seguro ficarmos em maior número.
— Melhor não. Muita gente pode chamar mais atenção.
Cleo tentou afastar o medo e a dor para encontrar uma resposta. Ela só tinha uma. Encontrar o rei e depois todos se esconderem até tudo acabar. Se Auranos não havia conseguido combater o inimigo, eles teriam que encontrar um modo de fugir do palácio e se exilar até consertarem as coisas. Ela esperava que seu pai tivesse um plano melhor em mente. Por enquanto, sobreviver era o único objetivo.
Aron não discutiu mais e correu ao lado dela no maior silêncio possível pelos corredores labirínticos. Quando viraram, Cleo parou de repente.
Ela não conseguia falar. Apenas encarava aquela figura familiar que estava diante deles segurando uma espada.
— Ora, ora — disse o príncipe Magnus. — Justamente a princesa que eu estava procurando.
Uma muralha de medo se ergueu em frente a Cleo. Tudo o que ela via era Magnus atravessando a espada no peito de Theon.
— Quem é você? — Aron indagou.
— Eu? — Magnus inclinou a cabeça. — Eu sou Magnus Lukas Damora, príncipe coroado e herdeiro do trono de Limeros. E você, quem é?
Aron piscou, surpreso por estar diante de um membro tão alto da realeza, mesmo sendo o inimigo.
— Eu sou o lorde Aron Lagaris.
Aquilo tirou um sorriso fino do príncipe.
— Sim, já ouvi falar. É bastante famoso, lorde Aron. Matou o filho do vendedor de vinho e deu início a toda essa avalanche, não é?
— Foi legítima defesa — Aron argumentou com nervosismo.
— É claro que foi. Não tenho dúvida. — O sorriso desagradável de Magnus se abriu mais. — E você também, se não me engano, está comprometido com a princesa Cleiona. Certo?
Aron endireitou as costas.
— De fato.
— Que romântico. — Ele olhou para Cleo, que fez de tudo para não recuar. — Como podem ver, nós chegamos. E não vamos a lugar nenhum. Rendam-se.
— A você? — Cleo disparou, sem pensar. — Nunca.
Magnus ficou tenso.
— Ah, o que é isso? Sei que coisas desagradáveis aconteceram entre nós em um passado não muito distante, mas não é motivo para você não ser boazinha.
— Sou capaz de pensar em um milhão de motivos para nunca ser boazinha com você.
— Princesa, não deve ser rude com aqueles que neste momento são convidados em sua terra. Ofereço minha mão em amizade agora mesmo.
O rosto dela queimava.
— Você ousa invadir minha casa e agora me trata como uma criança ignorante?
— Minhas sinceras desculpas se entendeu assim. Meu pai ficará satisfeito em finalmente conhecê-la. Não torne isso mais difícil do que precisa ser. Eu já falhei em levá-la uma vez. Não pretendo falhar novamente.
Cleo agarrou o braço de Aron, esperando que ele fizesse alguma coisa, dissesse alguma coisa. Mostrasse que por baixo daquele exterior embriagado e egoísta ele era um herói que poderia ser perdoado por todas as coisas horríveis que fizera.
— O príncipe está certo — Aron respondeu com o rosto sério. — Se quisermos viver, precisamos fazer o que ele diz. Precisamos nos render.
A princesa olhou para ele com frieza e fúria.
— Você é tão patético que me dá vontade de vomitar.
— Oh, não me diga que existem problemas entre você e seu amado mesmo antes do casamento. — As palavras secas de Magnus tinham uma ponta de ironia. — Não me façam desistir de meus ideais românticos de amor verdadeiro.
Cleo se virou para aquele monstro.
— Não, na verdade você matou o rapaz que eu amava bem na minha frente.
Magnus olhou para ela confuso, depois a compreensão passou por seus olhos escuros. Então suas sobrancelhas se uniram.
— Eu falei para ele se afastar.
— Ele estava me protegendo. — O lábio inferior dela tremia. — E você o matou.
O pequeno franzido na testa que contradizia sua expressão geralmente fria aumentou um pouco.
— Esperem — Aron disse. — De quem estamos falando?
Ela o ignorou e se esforçou para manter a expressão neutra.
— Príncipe Magnus…
— Pois não, princesa Cleiona?
— Quero que mande a seu pai um recado meu.
— Você poderá entregar pessoalmente, mas tudo bem. O que é?
— Diga a ele que seu filho fracassou mais uma vez.
Cleo se virou e começou a correr o mais rápido possível. Ela conhecia os corredores do castelo melhor do que ninguém. O rugido de raiva do príncipe ecoou pelas paredes de pedra quando ele a perdeu de vista.
Fosse outra época e outro lugar, ela poderia ter sorrido com aquela pequena vitória. E ao mesmo tempo que sentia uma ponta de arrependimento por deixar Aron para trás, não passava de uma ponta. Se ele queria se render aos limerianos, ainda teria a chance de fazê-lo, mas sem ela ao seu lado.
Ouviam-se gritos de raiva e o retinir das espadas à frente. Ela ficou paralisada, encostada na parede.
“Não posso ir naquela direção”, pensou. Ela teria que encontrar outro caminho. Não poderia desistir de encontrar seu pai.
Ao virar no outro corredor, alguém a agarrou pelos cabelos, puxando com tanta força que ela pensou que os fios seriam arrancados pela raiz. Ela gritou e tentou chutar e arranhar quem quer que fosse. Um soldado limeriano olhava para ela com curiosidade.
— O que temos aqui? — ele perguntou. Ela olhou para a espada dele, pingando sangue no piso de mármore. — Que coisinha bonita você é.
— Me solte — ela bufou. — Ou está morto.
Ele riu.
— Você tem coragem. Eu gosto disso. Não vai durar muito, mas eu gosto.
Depois, de forma espantosa, ele a soltou e cambaleou para a frente. De canto de olho, Cleo viu o companheiro dele cair no chão ao mesmo tempo que seu agressor. Ambos ficaram sangrando no chão.
O rei Corvin estava lá, com uma máscara de fúria no rosto, a espada coberta de sangue até o cabo.
— Pai! — ela disse quase sem fôlego.
— Não é seguro ficar aqui. — Ele agarrou-a pelo braço e arrastou-a pelo corredor.
— Eu estava procurando você. Aqueles homens…
— Eu sei. Isso não devia ter acontecido. — Ele praguejou em voz baixa. — Não sei como eles passaram pelas portas.
— Disseram que elas eram protegidas pelo feitiço de uma bruxa. É verdade?
Ele olhou para ela. O coração de Cleo vacilou ao ver que ele estava ferido. Havia um corte feio em sua têmpora e o sangue escorria sem parar pelo rosto.
— Sim, é verdade.
Durante a vida toda, Cleo nunca havia percebido que seu pai acreditava em bruxas ou em magia. Ele havia virado as costas para a deusa depois da morte de sua mãe, então ela nunca perguntara nada. Mas queria ter sabido a verdade. Ele a puxou para um pequeno cômodo no fim do corredor, fechou a porta e pressionou as costas contra ela. Uma pequena janela deixava entrar um pouco de luz, suficiente apenas para enxergar.
— Graças à deusa encontrei você — ela afirmou, finalmente se permitindo sentir algum alívio. — Precisamos encontrar Nic e Mira. Precisamos ficar escondidos até termos a chance de fugir.
— Não posso ir, Cleo. — Ele sacudiu a cabeça. — E não podemos deixar Emilia aqui sozinha.
De uma hora para outra, as lágrimas que não haviam sido derramadas desde que ela deixara o quarto da irmã começaram a escorrer como um rio infinito.
— Ela se foi. Emilia se foi. Eu a vi mais cedo em seus aposentos. — Cleo lutava para respirar enquanto soluçava. Seu peito estava apertado. — Ela… ela está morta.
O sofrimento tomou conta do rosto do rei, assim como algo mais obscuro e lúgubre.
— Eu estava errado, Cleo. Sinto muito. Devia ter mandando meus homens para encontrar a vigilante de Paelsia sobre a qual me contou. Devia ter acreditado no que você disse que era possível. Eu podia ter ajudado a salvar a vida dela.
Ela não tinha resposta para aquilo. Ela também gostaria que tivesse sido assim. Tanto.
— É tarde demais agora.
O rei estendeu a mão e apertou o braço da filha com tanta força que ela soltou um gemido de dor. Foi tão eficiente quanto um tapa para ela acordar e parar de chorar.
— Você precisa ser forte, Cleo. — A voz dele falhou. — Agora é a herdeira do meu trono.
O estômago dela revirou. Ainda não havia parado para pensar naquilo.
— Estou tentando, pai!
— Não há outra escolha, minha querida menina. Você precisa ser forte. Por mim, por Auranos, por tudo o que estima.
O pânico comprimiu o peito dela.
— Precisamos ir agora mesmo.
Havia uma dor profunda no rosto do rei. Seus olhos brilhavam com as lágrimas.
— Isso não está certo. Eu fui um tolo. Um tolo cego. Podia ter evitado isso, mas agora é tarde demais.
— Não, não é tarde demais. Não diga isso!
Ele sacudiu a cabeça.
— Eles vão ganhar, Cleo. Eles vão tomar tudo. Mas você precisa encontrar um jeito de recuperar isso.
Cleo olhou para ele, confusa.
— Do que está falando?
O suor escorria da testa do rei. Ele passou a mão no pescoço, puxando uma corrente de ouro que estava sob a camisa. Puxou-a para quebrar. Na ponta havia um anel de ouro com uma pedra roxa que ele depositou na mão dela.
— Pegue isto.
— O que é?
— Pertenceu à sua mãe. Ela sempre acreditou que tinha o poder de ajudar a encontrar a Tétrade.
— A Tétrade. — Cleo respirou fundo. Ela se lembrou das palavras de Eirene. Quatro cristais que continham a essência dos elementia. Era o que havia sido roubado pelas duas deusas e dividido entre elas. Fogo e ar, terra e água. — Mas por que minha mãe teria algo assim?
— Foi passado de geração em geração na família dela, de um homem que supostamente se envolveu com uma feiticeira. Faz tantos anos que virou lenda. Sua mãe ainda acreditava que era verdade. Eu ia dar para Emilia no dia do casamento dela. — Sua voz falhou. — Mas como ele nunca se realizou, fiquei com o anel. Você deve ficar com ele. Se puder encontrar a Tétrade, será poderosa o bastante para retomar esse reino daqueles que querem nos destruir.
Ela olhou para o pai, apertando o anel com força.
— Nunca soube que você acreditava em magia.
— Eu acredito, Cleo. E mesmo quando não acreditava, acreditei na fé que sua mãe tinha nela. — Ele deu um sorriso doloroso. — Mas por favor, tenha cuidado. Seja qual for a arma que o rei Gaius usou para quebrar o feitiço de proteção, deve ser algo poderoso e perigoso.
— Vamos, precisamos ir — Cleo insistiu. — Encontraremos a Tétrade juntos. Retomaremos o reino juntos.
Ele pôs a mão no rosto dela, com uma expressão de tristeza e dor.
— Gostaria que fosse possível.
— Do que está… — As palavras de Cleo foram interrompidas. Havia algo no modo como ele estava parado, encostado na parede. Sua outra mão estava apertada contra a lateral do corpo. Ela olhou para o chão, onde viu a poça de sangue que havia se formado.
Cleo voltou a olhar para o rosto do pai.
— Não!
— Eu matei o homem que fez isso comigo. — Ele sacudiu a cabeça. — Pelo menos é um consolo.
— Você precisa de ajuda. Precisa de um médico. Um curandeiro!
— É tarde demais para isso.
Cleo pôs a mão trêmula na lateral do corpo do pai e ela ficou cheia de sangue. A dor recaiu sobre ela.
— Não, pai, por favor. Não pode me deixar assim. Não desse jeito.
Ele escorregou mais alguns centímetros e ela o segurou para ajudá-lo a ficar de pé.
— Sei que você será uma rainha maravilhosa.
As lágrimas que corriam pelo rosto de Cleo eram tantas que ela mal podia ver.
— Não, por favor. Por favor, não me deixe.
— Eu amo você. — A voz do rei começou a ficar tremida, como se fosse necessário muito esforço para falar. — Sempre amarei. Seja mais esperta do que eu. Seja uma líder melhor do que eu. Ajude a recuperar a glória de Auranos. E acredite em magia… sempre. Sei que ela está por aí esperando você encontrá-la.
— Não, por favor, não — ela sussurrou. — Não vá. Eu preciso de você.
Ele deslizou até o chão. Apertou a mão da filha dolorosamente, depois largou-a.
Seu pai estava morto.
Cleo teve que fechar bem a boca com a mão para não gritar. Ela desabou no chão e agarrou os joelhos junto ao corpo, balançando para frente e para trás. Um grito de angústia ficou preso em sua garganta, ameaçando sufocá-la. Então ela abraçou o pai, não querendo que ele se fosse mesmo sabendo que já se fora.
— Eu amo você. Amo tanto.
Ele não tinha se rendido aos limerianos. Se tivesse, tudo poderia ter sido evitado.
Mas mesmo ao pensar isso, sabia que não era verdade. O rei de Limeros, o rei Gaius, era um tirano. Um ditador. Um homem cruel que mataria qualquer um que entrasse em seu caminho. Se seu pai tivesse cedido para evitar a violência e o derramamento de sangue, ela tinha certeza de que ele seria morto de qualquer forma, para não representar ameaça no futuro.
Cleo ficou com a cabeça encostada no ombro do pai, como fazia quando era criança e precisava de consolo por alguma bobagem — alguma tristeza ou um joelho esfolado. Ele sempre a puxava para perto e dizia que tudo ficaria bem. A dor passaria. Seria curada.
Mas nunca se curaria daquilo. Havia sofrido tantas perdas que parecia que uma parte de seu coração tinha sido arrancada do peito, deixando uma ferida no lugar. Ela ficaria ali e deixaria o príncipe Magnus encontrá-la. Deixaria que a espada dele a atravessasse também; assim ela encontraria paz e sossego depois de tanto caos e dor.
O pensamento desesperado durou apenas alguns minutos, até ela se lembrar da voz da irmã, insistindo para que ela fosse forte. Mas como poderia ser forte quando tudo havia sido tirado dela?
Ela olhou para o anel. Estava derrubado no chão. A grande ametista brilhava na luz escassa do quarto.
Ela era uma descendente do caçador — o homem de Paelsia que havia amado a feiticeira Eva. Que havia escondido a Tétrade depois que as deusas se destruíram por ganância e vingança. Se o que seu pai lhe contou fosse verdade, aquele havia sido o anel de Eva, o anel que permitiria a ela tocar a Tétrade sem que sua magia infinita a corrompesse.
Cleo pegou o anel e o pôs no dedo do meio da mão esquerda.
Serviu perfeitamente.
Se o anel tinha o poder de ajudá-la a encontrar a Tétrade, também lhe dava o poder de deter a magia sem ser corrompida por ela. Ela poderia usar esse poder para retomar o reino daqueles que o haviam roubado. A ideia serviu para secar suas lágrimas e lhe dar objetividade. Ela não iria se render. Nem naquele dia, nem nunca.
Cleo olhou para o rosto do pai uma última vez. Depois se abaixou e o beijou.
— Eu serei forte — ela sussurrou. — Serei forte por você. Por Emilia. Por Theon. Por Auranos. Eu juro, farei com que paguem pelo que fizeram.

2 comentários:

  1. Gosto assim...vai fundo Cleo.

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  2. Coitada da Cleo, perdeu toda a família.. Queria que ela sofresse um pouco pela morte do Tomas, mas não era pra tanto :/ Acho que ela e o Magnus ainda vai dar match !! Esse livro tá f*daaaa!!

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