30 de julho de 2018

Capítulo 32

AURANOS

Emilia estava tão doente que até mesmo levantar a cabeça lhe causava dor e terríveis sangramentos no nariz. Cleo havia ficado no lugar de Mira para ler para sua irmã e tirar da cabeça a batalha que corria fora das muralhas do palácio. O castelo parecia sombrio, cinzento e lúgubre. Cleo tentava encontrar um raio de esperança no qual se apegar, mas a cada hora que se passava desde o início do cerco, tudo parecia ficar mais triste.
— Por favor, não chore. — A voz de Emilia falhou. — Eu disse que você precisa ser forte.
Cleo secou as lágrimas do rosto e tentou se concentrar no pequeno e surrado livro de poesia, um dos preferidos de Emilia.
— Uma pessoa forte não pode chorar?
— Você não deve desperdiçar mais lágrimas comigo. Sei que já derramou muitas por Theon.
Cleo estava tentando ficar em paz com o que acontecera, mas sentia que a dor ainda estava sufocada. Tudo era muito recente e difícil de processar. Perder alguém que estava começando a amar era ruim o bastante, mas pensar em perder Emilia também…
Ela segurou com cuidado a frágil mão da irmã.
— O que posso fazer para ajudá-la?
Emilia recostou em seu monte de travesseiros coloridos. Na mesa de cabeceira havia um grande buquê de flores que Cleo havia colhido no pátio do palácio, o mais próximo que podia chegar do lado de fora. Ficava bem no centro do castelo, uma grande área verde murada, com macieiras e pessegueiros e um jardim de flores muito bem cuidado. As duas irmãs gostavam de assistir às aulas ali quando os tutores concordavam.
— Seja forte, só isso — Emilia disse. — E tente passar mais tempo com seus amigos nesse momento estranho e confuso, não apenas comigo. Eu não me importo em ficar sozinha hoje à noite.
Mesmo na situação em que se encontrava, a futura rainha de Auranos mantinha o autocontrole, exatamente como havia sido treinada. Era quase divertido ver como as irmãs eram distintas, apesar de terem menos de três anos de diferença: Emilia era tão madura, enquanto Cleo era o oposto.
Cleo enrolou uma mecha de cabelo no dedo.
— Estou tentando evitá-los. Aron agora está espreitando. Nunca sei quando ele vai surgir perto de mim.
Aquilo fez Emilia rir.
— Quer dizer que ele não está lá fora empunhando uma espada e tentando proteger sua futura esposa?
Cleo lançou a ela um olhar aborrecido.
— Nem brinque com uma coisa dessas.
— Desculpe. Sei que não acha graça nenhuma nessa situação.
— Não mesmo. — Cleo suspirou. — Mas chega de falar de Aron. Minha principal preocupação é o seu bem-estar, minha irmã. E assim que essa batalha terminar, e espero que seja logo, enviarei um guarda a Paelsia como prometi.
— Para procurar essa vigilante com sementes mágicas que podem salvar minha vida.
— Sim, e não diga isso com tanto ceticismo. Foi você mesma quem me deu essa ideia. Antes disso, eu nem acreditava em magia.
— E agora acredita?
— Acredito. Do fundo do coração.
Emilia sacudiu a cabeça.
— Nenhuma magia pode me salvar agora, Cleo. Seria melhor você tentar aceitar o que vai acontecer.
Cleo ficou tensa.
— Nunca.
Emilia riu de novo, embora fosse um som fraco vindo de seu peito.
— Então você acredita que pode brigar com o destino e vencer.
— Sem dúvida. — Enquanto Emilia respirasse, haveria a esperança de encontrar uma forma de curá-la.
Emilia apertou as mãos da irmã.
— Vá, encontre Mira e Nic.
— Quer que Mira venha ficar com você depois?
— Não. Deixe ela tirar uma noite de folga. Com certeza está preocupada com o cerco ao castelo.
— Pelo menos é um cerco silencioso. Acho que pode ser um bom sinal. — Se ela já não soubesse que uma coisa terrível estava acontecendo do lado de fora, nunca teria adivinhado. Os sons da batalha não penetravam as paredes grossas do castelo.
Emilia não sorriu. Ela só parecia cansada e triste.
— Espero que sim.
— Amanhã será um dia melhor. — Cleo se abaixou e beijou a testa fria da irmã. — Amo você, minha irmã.
— Também amo você.
Cleo deixou os aposentos de Emilia e caminhou pelo corredor. Havia um silêncio sombrio no castelo. Todas as janelas haviam sido bloqueadas com tábuas.
Ficar presa lhe dava muito tempo para pensar em Theon. Ela sentia falta dele por perto, seguindo-a pelo castelo, olhando feio quando ela fazia ou dizia algo malcriado. O alívio no rosto dele quando a encontrou ilesa em Paelsia. O calor em seu olhar quando ele admitiu que gostava dela.
E depois, a dor repentina quando o príncipe limeriano o golpeou com a espada e tirou sua vida.
Ela lutava contra as lágrimas enquanto percorria os mesmos corredores por onde caminhavam juntos. Aquela perda era um peso constante em seu coração, e só aumentava a cada dia.
Ela estava tão cansada que se recolheu a seus aposentos em vez de procurar Mira e Nic.
Mas depois de um tempo percebeu que estava apenas olhando para o teto, sem conseguir dormir.
Se ela tivesse encontrado a vigilante exilada, tudo seria diferente. Ela muito possivelmente teria a chance de devolver a saúde e a vitalidade a Emilia.
Talvez fosse apenas uma lenda. Era doloroso até mesmo considerar essa possibilidade. O que mantinha seu otimismo e sua crença vivos eram as histórias de Eirene. Elas eram tão vivas, tão reais. Eirene havia dado esperança a Cleo.
Ela havia esquecido a velha senhora nos últimos dias. O envelope com o nome do dono da taverna por meio de quem Cleo pretendia enviar um presente a Eirene ainda estava intocado.
“A magia encontra aqueles que têm coração puro, mesmo quando tudo parece perdido.”
Aquelas haviam sido as palavras de despedida de Eirene. E tudo parecia perdido naquele momento para Cleo. Presa em um castelo, sem saber quando poderia voltar a sair em segurança e com a irmã esmorecendo diante de seus olhos.
Cleo levantou da cama determinada a encontrar o envelope. Mesmo não podendo enviar nada naquele momento, ela poderia reunir o que precisava no tempo livre. Ultimamente, tinha tempo livre de sobra.
O pequeno envelope estava sobre sua penteadeira, debaixo de uma pilha de livros não lidos. Ela o pegou e rompeu o lacre.
Em vez de um endereço, ficou surpresa ao encontrar um bilhete e dois carocinhos dentro.
O bilhete dizia:

Princesa, por favor, aceite minhas desculpas por não poder lhe dizer a verdade sobre mim. É um segredo que guardo por muitos anos e ninguém sabe, além da lenda; nem mesmo minha neta. Um coração puro vale mais do que ouro para mim. O seu é um deles. Use essas preciosas sementes para curar sua irmã, de modo que ela possa ajudar a conduzir Auranos a um futuro próspero.
Eirene

Cleo leu o bilhete três vezes antes de tudo começar a fazer sentido para ela. Quando entendeu, o papel caiu de suas mãos.
Eirene havia visto além das mentiras que ela e Nic contaram sobre serem de Limeros. Ela sabia que Cleo era a princesa de Auranos.
E mais do que isso: Eirene era a própria vigilante exilada. Enquanto eles procuravam por ela, ela os havia encontrado.
Cleo não fazia ideia.
Ela olhou para os carocinhos e seus olhos se arregalaram. Aquelas eram as sementes de uva inoculadas com magia da terra. Estavam em seu poder o tempo todo.
Duas sementes que eram capazes de curar alguém à beira da morte.
Se ela soubesse, poderia ter salvo a vida de Theon com uma delas.
O pensamento desesperador quase arrancou seu coração do peito. Ela soltou um grito alto de dor, depois cedeu ao sofrimento e foi ao chão, apertando os joelhos junto ao corpo.
Mesmo tomada pelos soluços de choro, ela sabia que não tinha tempo para lágrimas ou arrependimentos.
Ela precisava ir até Emilia.
Cleo levantou-se e saiu correndo pelo corredor, quando trombou em alguém. Nic cambaleou um pouco para trás e esfregou o peito com cuidado.
— Ai. Desse jeito você me machuca, Cleo. — Ele observou os olhos vermelhos e inchados dela com preocupação. — Ouvi um grito vindo do seu quarto. Achei que estivesse com algum problema.
O coração dela palpitava tão rápido quanto as asas de um beija-flor.
— Eu estava. Eu estou. Eu… eu estou com as sementes. Eirene… ela era a vigilante.
Ele ficou olhando para ela sem expressão.
— Quanto vinho você tomou? Acho que deve estar até mais bêbada do que Aron.
— Não estou bêbada. É verdade. — O coração dela ficou mais leve. — Venha. Precisamos ir aos aposentos de Emilia imediatamente.
— Você acredita mesmo em magia? — ele perguntou.
— Acredito!
Ele concordou e um sorriso surgiu em seu rosto.
— Então vamos salvar sua irmã.
Eles se apressaram pelos corredores na direção do quarto de Emilia, passando por um trecho em que Cleo ouviu uma conversa entre dois guardas.
— As forças deles são impiedosas — um deles afirmou. — E as muralhas do palácio não são impenetráveis.
— Eles romperam as muralhas? — Nic perguntou, sério, fazendo Cleo parar de repente.
Os guardas ficaram reticentes, como se não esperassem ser ouvidos.
— Receio que sim — disse um deles. — Mas eles não vão entrar no castelo.
— Como pode estar tão confiante? — Cleo quis saber, contorcendo-se de preocupação.
Eles trocaram um olhar. Ela podia ter apenas dezesseis anos, mas por ser princesa, eram obrigados a responder suas perguntas.
— As portas do castelo são reforçadas pelo feitiço de uma bruxa.
Ela olhou para ele sem acreditar.
— Meu pai nunca me contou isso.
— O feitiço é renovado a cada ano pela mesma bruxa para mantê-lo forte. Mas ela não poderá nos ajudar mais.
— Fique quieto — o amigo sussurrou.
— Por quê? — Nic perguntou. — Onde está essa bruxa agora?
O maxilar do primeiro guarda ficou tenso e seus olhos se alternavam entre o amigo, Nic e Cleo.
— O rei Gaius mandou a cabeça dela para o rei em uma caixa há três dias. Mas não importa. Não importa o que o rei cretino tente fazer agora, o feitiço ainda vai aguentar. Ele vai fracassar.
Cleo sabia que o rei de Limeros tinha um filho terrível e sedento por sangue, mas talvez pudesse ser ainda pior — como ameaçavam os rumores que ela tinha ouvido sobre ele.
— Por que meu pai não me contou nada disso?
— O rei quer protegê-la das coisas ruins que estão acontecendo.
— Então por que você está nos contando? — Nic perguntou.
— Porque vocês têm o direito de saber que estamos correndo perigo aqui. — A expressão dele endureceu. — O rei arriscou a vida de todos nós ao não se render.
Cleo respirou fundo.
— Você acha que ele deveria?
— Impediria muitas mortes no campo de batalha. Ele acha que podemos ficar dentro deste castelo para sempre, com ou sem feitiço mantendo as portas lacradas? Parecemos um coelho encurralado esperando o lobo destroçar sua garganta.
Cleo olhou com ar superior para aquele covarde chorão.
— Como ousa falar mal do meu pai? Ele está fazendo a melhor escolha para manter Auranos forte. Ainda assim, vocês preferiam se render ao Rei Sanguinário? Acha que o mundo seria melhor assim? Acha que aqueles que já perderam a vida seriam poupados?
— E o que você sabe? — o guarda perguntou de forma sinistra. — Não passa de uma garota.
— Não — Cleo disse com firmeza. — Eu sou uma princesa de Auranos. E apoio todas as decisões do meu pai. E a menos que vocês também queiram que suas cabeças parem em uma caixa, é melhor respeitarem o seu rei.
Agora havia um olhar intimidado na expressão do guarda e ele abaixou a cabeça em reverência a ela.
— Peço desculpas, vossa alteza.
Cleo apertou as sementes com tanta força na mão que elas beliscaram sua pele.
— Voltem ao trabalho — ela ordenou friamente antes de prosseguir pelo corredor.
— Foi brilhante, Cleo — afirmou Nic. — Você o derrotou com palavras.
Ela olhou de canto de olho para ele, quase satisfeita. Mas a preocupação tomava conta de seu rosto.
— As coisas não estão nada boas lá fora, não é?
Nic fez que não com a cabeça, perdendo o bom humor.
— Não. Não estão.
— Acha que vamos perder?
— O rei Gaius e o chefe Basilius têm muitos homens preparados e dispostos a morrer por sua causa. Independente de quanto demorar.
— Meu pai não se renderá nunca.
— Se ele sentir que não tem escolha, terá que se render.
Cleo se lembrou da frieza nos olhos do príncipe Magnus quando ele assassinou Theon. Ela não conseguiria suportar vê-lo de novo.
— Não, ele não fará isso.
— Ah, não?
Ela forçou um sorriso confiante, afastando as lembranças obscuras.
— Não percebe? Não podemos nem pensar em perder, porque não perderemos. Sairemos vitoriosos e mandaremos aqueles porcos gananciosos de volta para sua terra. Depois, quando tudo se acalmar, poderemos nos concentrar em ajudar os paelsianos que mereçam nossa ajuda, e não aqueles que querem roubar toda a nossa terra.
— Falando assim, quase acredito que você esteja certa.
— Eu estou certa. — Cleo mostrou as sementes na palma da mão. — Isto vai fazer toda a diferença. Quando Emilia se curar, o mundo será um lugar melhor, cheio de possibilidades.
Ele concordou.
— Então mostre o caminho, princesa.
Quando eles chegaram à porta de Emilia, Cleo não se preocupou em bater; apenas entrou. Nic ficou do lado de fora, em respeito à irmã dela, que estava na cama. Cleo correu para o lado de Emilia, sem conseguir conter um sorriso. Emilia estava virada para a janela, fraca demais para girar a cabeça e ver a irmã entrar no quarto.
Cleo mal podia controlar a empolgação.
— Emilia! Você não vai acreditar no que eu tenho aqui. As sementes! Não me pergunte como é possível, mas é. Isso vai curar sua doença, sei que vai. — Emilia não respondeu, mas Cleo continuou. — Os vigilantes são reais; eu conheci uma, mesmo não tendo percebido na hora. Ela não parecia diferente de mim ou de você. E quis ajudar.
Cleo olhou para trás, na direção de Nic, que havia dado um passo hesitante para dentro do quarto. Ele parecia aflito, com as sobrancelhas unidas.
— Cleo… — ele começou a falar.
— Sei que está sendo duro — Cleo continuou, sentando-se sobre a cama. — Primeiro você perdeu o seu amor. Temos isso em comum agora, então sei como se sente. Mas devemos superar isso e encarar o que vem pela frente juntas. Não vai ser fácil, mas eu serei forte, como você me pediu que eu fosse.
Nic pôs a mão no ombro dela.
— Sinto muito.
Cleo se livrou da mão do amigo erguendo os ombros.
— Não, ela vai acordar. Ela vai ficar bem. Melhor do que nunca. — Ela acariciou os longos cabelos cor de mel da irmã, espalhados sobre o travesseiro de seda. — Emilia, acorde. Por favor.
— Ela se foi, Cleo — Nic disse suavemente.
— Não diga isso. — Cleo começou a tremer. — Por favor, não diga isso.
— Sinto muito. Sinto muito.
Emilia olhava pela janela sem ver o céu guarnecido de estrelas. Sua pele estava fria ao toque. Ela já podia ter falecido há horas — desde que Cleo a havia deixado, mais cedo.
Quando Cleo tentou levantar da cama, suas pernas adormeceram. Nic a pegou antes que tombasse no chão. As sementes caíram de sua mão. A poça de lágrimas escorreu — aquela que Cleo queria continuar segurando. Ela começou a chorar, batendo os punhos no peito de Nic. Era muita tristeza para suportar. Ela morreria com aquilo. Ela queria morrer.
A resposta para salvar a vida de Emilia estava nas mãos de Cleo. Mas era tarde demais. Ela havia fracassado.
Emilia estava morta.
— Sinto muito — Nic murmurou, levando os golpes sem reclamar. Ele tentou trazer a amiga para perto para confortá-la, mas ela continuava lutando.
— As sementes! — Cleo gritou e se jogou no chão, procurando as sementes que havia derrubado. Finalmente as encontrou e se segurou na lateral da cama para se levantar.
O rosto de Emilia estava branco como o de um fantasma. Até seus olhos pareciam mais pálidos, de um cinza descolorido. Cleo tocou o rosto da irmã com os dedos trêmulos, abrindo seus lábios sem sangue e empurrando as duas sementes para dentro. Quando tocaram a língua de Emilia, brilharam com uma luz branca e depois desapareceram.
Como magia.
— Por favor. — As palavras saíram como um choro suave. — Por favor, funcione.
Ela esperou o que pareceu uma eternidade, mas nada aconteceu. Nada.
Era tarde demais.
Cleo virou-se e encarou Nic. Os olhos dele estavam cheios de lágrimas ao ver o sofrimento no rosto da amiga. Uma frieza tomou conta dela lentamente.
— Minha irmã está morta. — Ela mal reconhecia a própria voz. — Morreu sozinha, olhando para as estrelas. Emilia e Simon tinham contado estrelas na noite romântica que passaram juntos. Ele disse a ela que se tornariam estrelas quando morressem e tomariam conta daqueles que amavam. Era por isso que o rosto de Emilia estava virado para a janela. Ela estava procurando por ele.
Nic ficou por perto, mas em silêncio. Cleo não esperava que ele dissesse nada. Não havia nada que ele pudesse dizer para melhorar as coisas.
— Eu cheguei tarde demais — ela lamentou. — Cheguei tarde demais. Poderia ter salvado a vida dela, mas cheguei tarde demais.
Ela pegou as mãos frias da irmã e se sentou na cama ao lado de Emilia por tanto tempo que o sol começou a nascer. Nic ficou com ela o tempo todo, sentado no chão perto da janela, com as pernas cruzadas.
— Devíamos fechar os olhos dela agora — ele disse.
Cleo não conseguia falar. Só conseguiu assentir.
Nic se aproximou de Emilia, fechando seus olhos de tal modo que Cleo quase poderia se enganar outra vez. Poderia pensar que a irmã estava apenas dormindo.
— Precisamos contar a seu pai — ele lembrou. — Eu faço isso. Não se preocupe. Não se preocupe com nada. Tudo ficará bem.
— Nada ficará bem. Nunca mais.
— Eu sei que não será fácil para você ouvir isso agora, mas precisa ser forte. Pode fazer isso? — Ele segurou o rosto dela entre as mãos. — Pode ser forte?
Em sua última conversa com Emilia, ela havia pedido a Cleo que fosse forte. Era tudo o que ela queria. E Cleo disse que o faria.
— Posso tentar — ela sussurrou.
Nic acenou positivamente.
— Vamos.
Ele passou o braço em volta dela e seguiram para a porta. Cleo olhou mais uma vez para a irmã. Ela parecia tão em paz em sua cama, como se fosse acordar a qualquer momento de um sonho agradável, pronta para o desjejum.
Eles começaram a caminhar pelo corredor na direção dos aposentos de seu pai. A mão de Nic estava nas costas de Cleo para apoiá-la caso suas pernas falhassem de novo.
Um instante depois, uma explosão sacudiu o castelo todo.

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