15 de julho de 2018

Capítulo 31

O mundo não tinha palavras para mensurar o ódio. Havia toneladas, jardas, anos. Volts, nós, watts.
Ronan podia explicar o quão rápido o seu carro ia. Podia explicar exatamente o calor que fazia no dia. Podia transmitir especificamente o seu ritmo cardíaco. Mas não havia como contar a ninguém mais como exatamente ele odiava a Academia Aglionby.
Qualquer unidade de medida teria de incluir tanto o volume quanto o peso do ódio. E teria também de incluir um componente de tempo. Os dias passados na sala de aula, desperdiçados, inúteis, habilidades de aprendizado para uma vida que ele não queria. Não havia uma única palavra, provavelmente, para conter o conceito. Todo, talvez. Ele tinha todo o ódio pela Academia Aglionby.
Ladra? Aglionby era a ladra. A vida de Ronan era o sonho, pilhado.
Ele havia dito a si mesmo que se permitiria abandonar a escola: esse era o seu presente de aniversário de dezoito anos para si mesmo.
E, no entanto, ali estava ele.
Abandonar. Simplesmente abandonar. Ele acreditava que podia fazê-lo ou não. Ronan podia ouvir a voz de Gansey: aguente só até a formatura; só faltam mais alguns meses. Certamente você consegue isso.
Então agora ele tentava.
O dia na escola era como um travesseiro sobre sua cabeça. Ele sufocaria antes da sineta final. O único oxigênio era a faixa pálida de pele no punho de Adam onde seu relógio estivera e o olhar de relance para o céu entre as aulas.
Quatro meses mais.
Declan não parava de enviar mensagens. Quando você tiver um minuto, mande um alô. Ronan simplesmente não mandava alôs para as pessoas. Ei, eu sei que você está na escola, mas, quem sabe entre as aulas, me dê um toque. Isso era uma mentira, o superpoder de Declan. Ele presumia que Ronan não estivesse na escola. Ei, estou na cidade, preciso falar com você.
Isso chamou a atenção de Ronan. Agora que Declan tinha se formado, ele estava em segurança a duas horas dali, em Washington, D.C., uma distância que havia, na estimativa de Ronan, melhorado a relação deles de todas as maneiras possíveis. Ele vinha somente para a missa de domingo, uma extravagante viagem de ida e volta de quatro horas, que Matthew dava como certa sem questionamentos, e que Ronan só compreendia parcialmente. Certamente Declan tinha coisas melhores para fazer na D.eclan C.ity do que passar metade do dia em uma cidade que ele odiava, com uma família da qual nunca quisera fazer parte.
Ronan não se importava com nada disso. Isso lhe provocava uma sensação de que não conquistara nada no verão. De volta a Aglionby, com seus sonhos-coisas-temerosas, ele tentava evitar Declan.
Três horas mais para passar.
— Lynch — disse Jiang, passando por ele no refeitório. — Achei que você tinha morrido.
Ronan o encarou friamente. Ele não queria ver o rosto de Jiang a não ser que fosse atrás da direção de um carro.
Duas horas mais para passar.
Declan ligou durante a apresentação de um convidado. O telefone, no modo silencioso, zumbiu sozinho. O céu na rua tinha um tom azul rasgado por nuvens; Ronan desejava ardentemente estar lá fora. Sua espécie havia morrido no cativeiro.
Uma hora mais.
— Achei que eu estava tendo uma alucinação — disse Adam, junto aos armários, um anúncio transmitido em voz metálica, nos alto-falantes do corredor. — Ronan Lynch, na entrada da Aglionby.
Ronan bateu a porta do armário. Ele não tinha colocado nada dentro dele e não havia nenhum motivo para abri-lo ou fechá-lo, mas ele gostava do ruído da batida do metal no corredor, a maneira como abafava as chamadas. E o fez de novo para não deixar dúvidas.
— Essa conversa é real, Parrish?
Adam não perdeu tempo respondendo. Ele simplesmente trocou três livros por seu blusão de ginástica. Ronan soltou o nó da gravata.
— Você vai trabalhar depois da escola?
— Com um sonhador.
Ele manteve o olhar de Ronan sobre a porta do seu armário.
A escola havia melhorado.
Adam fechou seu armário suavemente.
— Vou estar pronto às quatro e meia. Se você quiser discutir umas ideias sobre como reparar a sua floresta de sonhos... a não ser que tenha lição para fazer.
— Imbecil — disse Ronan.
Adam sorriu alegremente. Ronan começaria guerras e queimaria cidades por aquele sorriso verdadeiro, franco e amigável.


O bom humor de Ronan durou apenas a distância do corredor e o lance de escada ao final dele, pois, na rua, o Volvo polido de Declan estava estacionado no meio-fio. O próprio Declan estava parado ao lado dele, conversando com Gansey. Gansey tinha sujeira nos cotovelos da camisa de seu uniforme — como ele havia conseguido sujá-la tanto durante o curso do dia na escola era algo que Ronan não sabia explicar. Declan trajava um terno, mas nunca parecia uma ocasião especial quando o fazia. Ele usava um terno do jeito que outras pessoas usavam calças de pijama.
Não havia palavras para mensurar o ódio de Ronan por seu irmão mais velho, ou vice-versa. Não havia uma unidade de medida para uma emoção que era igualmente ódio e traição, julgamento e costume.
Ronan cerrou as mãos em punhos.
Uma das janelas do banco de trás baixou, revelando os anéis dourados de Matthew e seu sorriso patologicamente ensolarado. Ele acenou contente uma única vez para Ronan.
Haviam se passado meses desde a última vez que os três haviam estado juntos no mesmo lugar, do lado de fora de uma igreja.
— Ronan — disse Declan. A palavra era carregada com um significado adicional: vejo que você acabou de sair da escola e seu uniforme já está um horror; nada que me choque aqui. Ele gesticulou para o Volvo. — Vamos conversar em meu escritório.
Ronan não queria conversar com ele em seu escritório. Ele queria parar de se sentir como se tivesse bebido ácido de bateria.
— O que você precisa conversar com o Ronan? — perguntou Gansey. O seu “Ronan” era carregado com um significado adicional também: isso foi planejado, me diga o que está acontecendo e... você precisa da minha intervenção?
— Apenas um papo de família — disse Declan.
Ronan olhou para Gansey de maneira suplicante.
— Um papo de família que poderia acontecer a caminho da Rua Fox? — perguntou Gansey, poderosa e educadamente. — Porque nós dois estamos indo para lá.
Normalmente, Declan teria se esquivado ao perceber a menor pressão de Gansey, mas ele disse:
— Ah, posso deixar meu irmão lá depois que terminarmos. Só vou levar uns minutos.
— Ronan! — Matthew estendeu a mão para fora da janela na direção de Ronan. Seu “Ronan” entusiasmado era outra versão de por favor.
Preso em uma armadilha.
— Miseria fortes viros, Ronan — disse Adam.
Quando ele disse “Ronan”, ele queria dizer: Ronan.
— Imbecil — disse Ronan de novo, se sentindo um pouco melhor. E entrou no carro.


Assim que ambos entraram, Declan não dirigiu longe, apenas para o outro lado do estacionamento, fora do caminho dos carros e ônibus que partiam. Ele se reclinou em seu assento, os olhos em Aglionby, não lembrando em nada sua mãe, apenas um pouco como seu pai. Seus olhos tinham bolsas de cansaço.
Matthew tinha voltado a jogar em seu celular, a boca curvada em um sorriso desatento.
— Precisamos conversar sobre o seu futuro — começou Declan.
— Não — disse Ronan. — Não, não precisamos.
Ele já tinha metade do corpo fora do carro, as folhas estalando secas debaixo de seus sapatos.
— Ronan, espere!
Ronan não esperou.
— Ronan! Antes de ele morrer, quando nós dois estávamos juntos, o pai me contou uma história sobre você.
Era perversamente injusto.
Era perversamente injusto porque nada mais teria impedido Ronan de ir embora. Era perversamente injusto porque Declan sabia disso, e, caso Ronan tentasse ir embora, ele teria a frase pronta, uma refeição rara de uma despensa vazia.
Os pés de Ronan queimaram no asfalto. A eletricidade na atmosfera crepitou debaixo de sua pele. Ele não sabia se estava mais furioso com seu irmão, por saber precisamente como passar a corda em torno do seu pescoço, ou consigo mesmo, por sua incapacidade de se esquivar do nó.
— Sobre mim — ecoou Ronan finalmente, com a voz tão indiferente quanto conseguia emitir.
Declan não respondeu. Apenas esperou.
Ronan entrou de volta no carro e bateu a porta com força. Depois a abriu e bateu com força de novo. Ele a abriu uma terceira vez e a bateu com força mais uma vez antes de lançar a base do crânio contra o apoio de cabeça e mirar as nuvens turbulentas através do para-brisa.
— Terminou? — perguntou Declan. Ele olhou de relance para Matthew, mas o Lynch mais novo ainda estava jogando alegremente no celular.
— Eu terminei meses atrás — respondeu Ronan. — Se for mentira...
— Eu estava bravo demais para contar para você antes. — Em um tom inteiramente diferente, Declan acrescentou: — Você vai ficar quieto?
Esse também era um golpe baixo, pois era o que o pai deles costumava dizer quando ia lhes contar uma história. Ronan já ia ouvir; isso o fez recostar a cabeça contra a janela e fechar os olhos. Declan era diferente do pai de muitas maneiras, mas, assim como Niall Lynch, ele sabia contar uma história. Uma história, afinal de contas, é muito como uma mentira, e Declan era um excelente mentiroso. Ele começou:
— Era uma vez um antigo herói irlandês, muito tempo atrás, quando a Irlanda não era tanto um lugar de homens e cidades, e mais uma ilha de magia. O herói tinha um nome, mas só vou contar no fim. Ele era um deus-herói, aterrorizante, sábio e impetuoso. Ele ganhou uma lança, a história é sobre essa lança, que era sedenta por sangue e nada mais. Quem quer que tivesse essa lança dominava o campo de batalha, pois não havia nada que pudesse enfrentar a sua mágica mortal. Ela era tão vorazmente sedenta de sangue que tinha que ser coberta e esconder os olhos para parar com a matança. Só sossegava quando a cobriam.
Então Declan fez uma pausa, como se o peso da história fosse algo tangível e ele precisasse de um momento para recuperar a força. Era verdade que a memória do ritual era pesada. Ronan se sentia todo enredado em imagens mal formadas de seu pai sentado na ponta da cama de Matthew, os irmãos amontoados na cabeceira, sua mãe empoleirada naquela cadeira de escrivaninha andrajosa que ninguém mais usava. Ela também adorava essas histórias, especialmente as que fossem sobre ela.
Um ruído de unhas tamborilando soou no teto do carro, e, um segundo mais tarde, um floco de folhas secas escorregou pelo para-brisa. Elas lembravam as garras dos horrores noturnos para Ronan, e ele se perguntou se eles já haviam voltado para a Barns. Declan seguiu em frente:
— Quando a lança fosse descoberta, não importava se o verdadeiro amor do herói ou se sua família estivesse no aposento, a lança os mataria de qualquer maneira. Matar era o que ela fazia bem, e matar era o que ela fazia.
No banco de trás, Matthew inspirou dramaticamente para aliviar a tensão. Assim como Motosserra, ele não podia ver Ronan nervoso.
— Era uma bela arma, talhada para lutar e nada mais — disse Declan. — O herói, defensor da ilha, tentou usar a lança para o bem. Mas ela cortava inimigos e amigos, vilãos e amantes, e o herói viu que a lança com seu único propósito devia ficar isolada.
Ronan remexeu irritadamente suas pulseiras de couro. Ele se lembrou precisamente do sonho que tivera havia poucos dias.
— Achei que você tinha dito que a história era sobre mim.
— A lança, o pai me contou, era ele. — Declan olhou para Ronan. — Ele disse para eu me certificar que Ronan fosse o nome do herói, e não o nome de apenas outra lança.
Então deixou que as palavras surtissem efeito.
Da rua, os três irmãos Lynch pareciam extraordinariamente diferentes: Declan, um político vaselina; Ronan, um touro em um mundo de porcelanas; Matthew, um garoto ensolarado. Por dentro, os irmãos Lynch eram extraordinariamente parecidos: todos amavam carros, a si mesmos e uns aos outros.
— Eu sei que você é um sonhador como ele — disse Declan com a voz baixa. — Eu sei que você é bom nisso. Sei que não faz sentido pedir que você pare. Mas o pai não queria que você fosse solitário como ele foi. Como ele escolheu ser.
Ronan puxou as faixas de couro cada vez mais apertadas.
— Ah, entendi — disse Matthew por fim, rindo suavemente de si mesmo. — Dã.
— Por que você está me contando isso agora? — perguntou Ronan, finalmente.
— Fiquei sabendo que algo de grandes proporções está prestes a acontecer aqui em Henrietta — disse Declan.
— Quem?
— Quem o quê?
— De onde veio essa informação?
Declan o encarou intensamente.
— Como eles saberiam de ligar para você?
Declan respondeu:
— Você realmente acreditava que o pai tocava esse negócio sozinho?
Ronan acreditava, mas não disse nada.
— Você faz ideia por que eu fui para Washington?
Ronan achava que Declan estava lá para entrar para a política, mas essa hipótese era tão obviamente a resposta errada que ele manteve a boca fechada.
— Matthew, coloque seus fones de ouvido — disse Declan.
— Não estou com eles aqui.
— Finja que está com fones de ouvido — disse Ronan, e ligou o rádio para fazer um pouco de ruído de fundo.
— Quero que você me responda sem rodeios — disse Declan. — Você pensa em ir para a faculdade?
— Não.
Era algo que causava satisfação e também terrível de dizer em voz alta, um gatilho puxado, uma explosão de um segundo. Ronan olhou à sua volta em busca de corpos.
Declan balançou; a bala havia raspado o seu corpo, próximo de um órgão vital. Com esforço, ele controlou o fluxo arterial.
— Sim. Foi o que pensei. Então o objetivo é fazer disso uma carreira para você, não é?
Isso não era, na realidade, o que Ronan queria. Embora ele quisesse ser livre para sonhar e para viver na Barns, ele não queria sonhar para poder viver na Barns. Ele queria ficar sozinho para consertar todas as construções, acordar o gado do seu pai de seu sono sobrenatural, popular os campos com novos animais para abate e transformar o terreno mais ao fundo em uma enorme pista circular de lama, própria para dirigir carros. Para Ronan, isso representava um ideal romântico que ele faria muito para alcançar. Mas ele não sabia bem como contar isso ao irmão de uma maneira persuasiva e não embaraçosa, então ele disse, de forma hostil:
— Na verdade eu estava pensando em virar fazendeiro.
— Vá se foder, Ronan — disse Declan. — Será que poderíamos conversar a sério uma vez que fosse?
Ronan exibiu o dedo médio para ele com uma proficiência exemplar.
— Como quiser — disse Declan. — Pode parecer que Henrietta não está quente agora, mas a situação só está calma porque estou trabalhando duro para manter vocês distantes da cidade. Estou cuidando das vendas do pai já faz um tempo, então eu disse a todos que estaria atuando a partir de Washington.
— Se o pai não estava sonhando coisas novas para você, o que você estava vendendo?
— Você já viu a Barns. É só uma questão de parcelar as coisas antigas de maneira lenta o suficiente para que pareça que eu as estou conseguindo de outras fontes em vez de apenas as buscando no meu quintal. É por isso que o pai viajava o tempo inteiro, para fazer de conta que elas vinham de toda parte.
— Se o pai não estava sonhando coisas novas para você, por que você continuou vendendo?
Declan correu a mão sobre a direção.
— O pai cavou um túmulo para todos nós. Ele prometeu às pessoas coisas que ele não havia sonhado ainda. Ele fez negócios com pessoas que não se preocupavam sempre em pagar e que sabiam onde nós vivíamos. Ele mentia que tinha encontrado esse objeto, o Greywaren, que possibilitava que as pessoas tirassem coisas dos sonhos. Soa familiar? Quando as pessoas vinham até ele para comprá-lo, ele empurrava outro objeto para elas em vez disso. Isso se tornou lendário. Então, é claro que ele teve de jogar uns contra os outros e brincar com aquele psicopata do Greenmantle e terminar morto. E agora aqui estamos nós.
No início daquele ano, esse tipo de declaração teria sido suficiente para provocar uma briga, mas agora a dor amarga na voz de Declan se sobrepujava à raiva. Ronan podia dar um passo atrás para ponderar essas declarações contra o que ele sabia a respeito de seu pai. Ele poderia ponderá-las contra o que ele sabia a respeito de Declan.
Ele não gostava delas. Ele acreditava nelas, mas não gostava. Fora mais fácil simplesmente brigar com Declan.
— Por que você não me contou isso antes? — ele perguntou.
Declan fechou os olhos.
— Eu tentei.
— O diabo que você tentou.
— Eu tentei te contar que ele não era a pessoa que você acreditava que fosse.
Mas isso não era totalmente verdadeiro. Niall Lynch era exatamente o que Ronan acreditara, mas era também aquilo que Declan conhecera.
— Quer dizer, por que você não me contou que estava enfrentando todas essas pessoas?
Declan abriu os olhos. Eles eram brilhantemente azuis, como os de todos os irmãos Lynch.
— Eu estava tentando te proteger, seu bastardinho.
— Bom, seria muito mais fácil se eu soubesse mais — disparou Ronan. — Em vez disso, o Adam e eu tivemos que chutar o Greenmantle para fora da cidade sozinhos, enquanto você brincava de capa e espada.
Seu irmão o olhou de maneira aprovadora.
— Foi você? Como... ah!
Ronan gozou de um minuto inteiro do apreço de seu irmão.
— O Parrish sempre foi um filho da puta espertinho — observou Declan, soando um pouco como seu pai, a despeito de sua vontade. — Olha, o que rolou foi isso. Essa compradora me ligou esta manhã e me disse que alguém estava vendendo algo importante aqui, como eu disse. As pessoas vão vir de toda parte para conferir, o que quer que isso seja. Não vai ser preciso muito esforço para encontrar você, Matthew, a Barns e a floresta aqui.
— Quem é que está vendendo algo?
—Não sei. Não quero saber. Pouco importa. Você não compreende? Mesmo depois que esse negócio for fechado, eles vão aparecer porque Henrietta é esse farol sobrenatural gigantesco. E porque vai saber quais negócios do pai eu não resolvi ainda. Além do mais, se eles descobrirem que você pode sonhar... Deus te proteja, porque isso será o fim. Eu só... — Declan parou de falar e fechou os olhos; quando o fez, Ronan pôde ver o irmão com quem havia crescido junto e não o irmão de quem havia se tornado distante. — Estou cansado, Ronan.
O carro ficou em absoluto silêncio.
— Por favor... — começou Declan. — Apenas venha comigo, tudo bem? Você pode abandonar a Aglionby e o Matthew pode se transferir para uma escola em Washington. Eu vou jogar gasolina sobre tudo o que o pai construiu e podemos simplesmente deixar a Barns para trás. Vamos.
Aquilo não era nem de perto o que Ronan havia esperado que ele dissesse, e ele se viu sem resposta. Largar Aglionby; deixar Henrietta; largar Adam; deixar Gansey.
Uma vez, quando Ronan era bem novo, novo o suficiente para ir às aulas de domingo na igreja, ele havia acordado segurando uma espada de verdade em chamas. Seu pijama, que estava de acordo com rigorosos códigos de segurança que até então haviam parecido teoricamente interessantes, haviam-no fundido e salvo, mas seus cobertores e a maior parte de suas cortinas haviam sido inteiramente destruídos em um pequeno inferno. Fora Declan que arrastara Ronan do seu quarto e despertara seus pais; ele jamais dissera nada a respeito disso e Ronan jamais lhe agradecera.
Àquela altura, não havia outra opção. Se fosse preciso, os Lynch sempre salvariam a vida uns dos outros.
— Leva o Matthew — disse Ronan.
— O quê?
— Leva o Matthew para Washington e o mantenha seguro — repetiu Ronan.
— Mesmo? E você?
Eles se encararam, imagens refletidas distorcidas um do outro.
— A minha casa é aqui — disse Ronan.

4 comentários:

  1. "eles vão aparecer porque Henrietta é esse farol sobrenatural gigantesco"

    ou seja, Gravity Falls kkkkk

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  2. e o texto aqui tb ta "cortado" (tb em um monte de capítulos pra trás)

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    1. Oi Mih! Se for nos trechos "O bom humor de Ronan durou apenas a distância do corredor" e "Assim que ambos entraram", é assim mesmo, o espaçamento é uma pausa, troca de narrador ou algo assim. Se não for nada disso e houver cortes mesmo, você pode me indicar por favor onde está? Aí eu corrijo ^^

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  3. "Adam sorriu alegremente. Ronan começaria guerras e queimaria cidades por aquele sorriso verdadeiro, franco e amigável."

    eles podiam acelerar as coisas e só se pegar mesmo, poupava tempo.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!