30 de julho de 2018

Capítulo 28

LIMEROS

Magnus esperava que o pai ficasse furioso com seu fracasso em Paelsia. Estava pronto para encarar seu destino depois de esperar por mais de uma semana. Ele estava ao lado do grosso corrimão de ferro quando o rei Gaius entrou no vestíbulo do andar de baixo, logo após regressar de Auranos. O rei foi direto ao ponto enquanto tirava as luvas de montaria e uma criada o ajudava a se livrar do manto coberto de lama.
— Onde está a princesa Cleiona?
Magnus olhou para ele sem hesitar.
— Imagino que esteja em Auranos.
— Você não cumpriu o que eu lhe pedi? — o rei urrou.
— Caímos em uma emboscada. Meus guardas foram mortos. Eu tive que matar o guarda que acompanhava a princesa para escapar com vida.
O rosto do rei ficou vermelho de fúria e ele foi para cima de Magnus, levantando a mão para acertá-lo. Magnus segurou seu pulso.
— Não faça isso — ele disse em um tom de voz baixo e ameaçador. — Se ousar bater em mim de novo, eu o mato também.
— Eu pedi que você fizesse uma coisa simples e você fracassou.
— E quase não voltei para casa vivo. Sim, falhei na tarefa de trazer a filha do rei Corvin para o senhor. Mas já foi. Terá que encontrar outra forma de conseguir o que quer. Talvez sua própria filha seja o auxílio de que precisa. — Ele ficou tenso. — Mesmo não sendo sua filha de sangue.
Os olhos do rei se abriram um pouco mais — único sinal de surpresa ao ouvir as palavras de Magnus.
— Como ficou sabendo disso?
— Sua amante me contou antes de Lucia transformá-la em cinzas. Depois confirmei com minha mãe. — Ele torceu os lábios. — O que tem a dizer sobre isso?
O rei Gaius ficou mais um instante com o pulso preso por Magnus e depois puxou o braço.
— Eu ia lhe contar quando voltasse.
— Desculpe, mas acho difícil acreditar.
— Acredite no que quiser, Magnus. O que Sabina e sua mãe disseram é verdade, mas isso não muda nada. E eu acredito em destino. Teremos que entrar nessa guerra sem nenhuma garantia.
Não houve pedido de desculpas por uma vida inteira de mentiras, mas Magnus não esperava que o pai se desculpasse. Portanto, não se desculparia pelo fracasso em Paelsia.
— Existiria alguma garantia se a princesa Cleiona estivesse em nosso poder?
— Não. Apenas uma especulação. — Ele analisou o rosto do filho. — Você aprendeu com esse fracasso e com as verdades que ouviu dos lábios de mulheres falsas. Tudo isso lhe deixou mais forte. — Fez outro sinal positivo com a cabeça e abriu um sorriso. — Está tudo bem. O destino sorri para nós, Magnus. Espere e verá. Auranos é nossa.
Magnus manteve a expressão dura e impassível.
— Sinto a necessidade repentina de esmagar os outros com os meus pés.
Aquilo só fez o sorriso do rei aumentar.
— Pegou gosto pelo sangue, não foi? Pela sensação da espada perfurando a carne?
— Talvez sim.
— Excelente. Poderá experimentar muito mais disso em breve. Prometo.
No dia seguinte, quando foi interrompido por ordem de seu pai no meio da aula de esgrima, Magnus não demorou para ir até ele. Andreas e outros rapazes tentaram disfarçar o aborrecimento ao ver o príncipe sair.
— Se me derem licença — Magnus disse, jogando no chão a espada que havia usado para quebrar o braço de dois dos garotos na semana anterior. Eles tinham sorte de não praticar com aço afiado, ou ele teria arrancado o membro inteiro. — Tenho assuntos reais para tratar.
Tudo parecia muito mais simples de seu novo ponto de vista. Ele era filho do Rei Sanguinário e faria por merecer o título em todos os aspectos possíveis.
Seu pai esperava na entrada da torre leste, onde eram mantidos prisioneiros de interesse especial do rei.
— Venha comigo — Gaius ordenou antes de conduzir Magnus pela estreita escadaria em espiral. As paredes de pedra na parte alta estavam cobertas de gelo. Não havia lareiras nas torres para gerar nenhum tipo de calor.
Magnus não sabia ao certo o que esperar quando chegaram ao topo. Talvez um prisioneiro prestes a perder a cabeça nas mãos deles. Ele podia ter sido chamado para fazer o julgamento final de um assassino ou ladrão. Mas quando viu quem era o prisioneiro, seus passos vacilaram.
Amia estava acorrentada na pequena cela de pedra, com os braços sobre a cabeça. Dois guardas a vigiavam passivamente. O rosto da garota estava ensanguentado, e ela arregalou os olhos ao ver Magnus. Depois, mordeu o lábio inferior e ficou olhando para o chão.
— Esta — o rei disse — é uma de nossas criadas da cozinha. Ela foi pega ouvindo minhas conversas do lado de fora da sala de reunião. Você sabe o que eu penso a respeito de espiões.
— Não sou espiã — ela sussurrou.
O rei atravessou a cela. Agarrou o queixo dela e a forçou a olhar para ele.
— Qualquer pessoa que escute conversas escondido é um espião. A única dúvida é: para quem espiona, Amia?
A bile subiu pela garganta de Magnus. A garota espionava para ele. Amia tornara-se um trunfo ao longo do tempo. Já lhe havia passado muitas informações interessantes.
Como ela não respondeu, o rei lhe golpeou com as costas da mão. O sangue borbulhava de sua boca enquanto ela chorava.
O coração de Magnus disparava no peito.
— Parece que ela não quer dizer.
— Pode estar protegendo alguém. Ou pode apenas ser estúpida. A questão é – e foi por isso que eu trouxe você até aqui – o que acha que devo fazer para resolver esse problema? Espiões são torturados até falar. Como ela ainda não foi muito prestativa, algumas horas de tortura podem soltar a língua da jovem Amia.
— Eu… eu só escuto porque sou curiosa. — A voz dela falhou. — Não pretendo causar nenhum mal.
— Mas eu pretendo — retrucou o rei. — Pretendo causar muito mal a garotas estúpidas que são curiosas demais. Agora, vejamos. Uma pessoa escuta conversas particulares com as orelhas. Então talvez eu deva cortar as suas e pendurá-las em seu pescoço, como um colar, para que sirva de exemplo para os outros. — Ele estendeu a mão para um guarda, que lhe entregou uma adaga. Amia gemeu quando ele arrastou a borda da lâmina na lateral de seu rosto. — Mas você vê com os olhos. Posso tirá-los também. Arrancá-los da sua cara agora mesmo. Sou muito bom nisso. Você quase não sentiria dor. Descobri que aqueles que ganham buracos no rosto tendem a aprender com seus erros.
— Diga a ele — Magnus exigiu, forçando as palavras. — Diga para quem espiona.
“Diga que é para mim”, pensou.
O fôlego da criada ficou curto e ela olhou para o príncipe. As lágrimas escorriam por seu rosto.
— Ninguém. Eu não espiono para ninguém. Sou apenas uma garota estúpida que ouve a conversa dos outros por pura diversão.
O peito de Magnus ficou apertado.
Ele não subestimava seu pai. O rei tinha muito prazer em brincar com prisioneiros, homens ou mulheres. Tinha um gosto insaciável por sangue, algo que havia nascido com ele. O avô de Magnus, que morreu quando o neto era apenas uma criança, ficara desapontado por seu filho e herdeiro ter tamanha tendência sádica. O rei anterior de Limeros era conhecido por ser bom e gentil. Mas até o mais bondoso e gentil rei tinha uma câmara de tortura no calabouço do palácio.
— Estou entediado. — Magnus obrigou-se a dizer. — Não entendi por que me fez sair da aula de esgrima para uma coisa tão sem importância. A garota é uma tola, claro. É ingênua, mas inofensiva. Se é sua primeira falta, isso deve ser suficiente para assustá-la. Se for pega novamente, eu mesmo arranco seus olhos fora.
O rei olhou para ele com um sorriso se formando no canto da boca.
— Você faria isso? E eu poderia assistir?
— Eu faria questão de que assistisse.
O rei pegou o rosto da garota entre os dedos, apertando o bastante para machucar.
— Tem muita sorte por eu concordar com meu filho. Trate de se comportar. Se sair da linha uma vez, apenas uma vez, seja ouvindo conversas ou até mesmo quebrando um prato, prometo que voltará para cá. E os olhos serão as últimas coisas que perderá. Entendeu?
A respiração dela era ofegante.
— Sim, vossa majestade.
Ele deu um tapinha no rosto dela.
— Boa menina. — Depois olhou para os guardas. — Antes de deixarem-na voltar ao trabalho, deem vinte chicotadas para garantir que ela não esqueça.
Magnus deixou a torre com seu pai e se forçou a não olhar para trás. Os soluços de Amia ecoavam pelas paredes de pedra até chegar ao térreo.
— Meu filho. — O rei passou o braço em volta dos ombros de Magnus. — Sempre um cavalheiro. Até mesmo com a mais baixa vadia da cozinha.
Quando ele riu, Magnus tratou de se juntar a ele.
No dia seguinte, quando seu pai saiu em uma caçada, Magnus encontrou Amia na cozinha amassando o detestável kaana para o jantar, enquanto a cozinheira destrinchava meia dúzia de frangos. O rosto da garota estava com hematomas pretos e roxos, e o olho direito estava fechado de tanto inchaço.
Ela ficou tensa quando notou Magnus ali parado.
— Eu não disse nada — ela sussurrou. — Não tem o direito de ficar bravo comigo.
— Foi estupidez sua ser pega.
Ela voltou ao trabalho. Seus ombros balançavam com os soluços de choro. Ele sinceramente não sabia como aquela garota havia sobrevivido tanto tempo no castelo limeriano. Não havia nada forte dentro dela. Nenhuma frieza. Nenhuma dureza. Ele ficou surpreso por uma surra tão violenta e vinte chicotadas não terem matado uma menina tão fraca e delicada. Era impressionante que ela ainda conseguisse ficar de pé.
— Não esperava que se manifestasse a meu favor — ela disse em voz baixa.
— Ótimo. Mesmo se ele tivesse enfiado aquela faca nos seus olhos, eu não teria tentado impedi-lo. Ninguém diz ao meu pai o que ele pode ou não pode fazer. Ele faz o que quer. E quem fica no caminho é pisoteado.
Amia não olhava para ele.
— Tenho muito o que fazer para o jantar. Por favor, me deixe voltar ao trabalho, vossa alteza.
— Não. Você já terminou tudo aqui. Para sempre.
Magnus agarrou o pulso dela e a puxou com rudeza para fora da cozinha e pelos corredores do castelo. Ele ouvia o choro dela. Provavelmente estava pensando que o príncipe a levaria para a torre para mais uma surra — dessa vez por suas mãos. Ainda assim, ela não resistiu.
Quando saíram no ar frio de fim de tarde, ele a soltou. Ela cambaleou para trás e olhou em volta, sem entender. Seu olhar recaiu sobre uma carroça que esperava ao lado.
— Você vai embora — ele disse. — Instruí o cocheiro a levá-la para o leste. Há uma vila bem povoada a oitenta quilômetros daqui que será um bom lar para você.
Ela ficou boquiaberta.
— Não entendo.
Magnus pôs um saco de ouro nas mãos dela.
— Isso deve ser suficiente para sustentá-la por alguns anos.
— Está me mandando embora?
— Estou salvando sua vida, Amia. Meu pai vai matar você. Ele logo vai encontrar um motivo, seja grande ou pequeno, e eu terei que participar. Ver você morrer não me interessa. Então quero que vá e não volte nunca mais.
Ela ficou olhando para o pesado saco com uma expressão de dúvida. Por fim, entendeu e olhou nos olhos de Magnus.
— Venha comigo, meu príncipe.
Magnus tinha que admitir que aquela resposta quase o fizera sorrir.
— Impossível.
— Sei que odeia esse lugar. Sei que despreza seu pai. Ele é um homem mau, cruel e sem coração. — O queixo dela se elevou como se estivesse dizendo algo de que se orgulhava: — Você não é como ele. Nunca será como ele. Você tenta esconder, mas tem um coração bom e gentil. Venha comigo e poderemos começar uma nova vida juntos. Eu poderia fazê-lo feliz.
Ele segurou o braço dela e a levou até a carroça, pegou-a pela cintura e a deixou lá em cima.
— Seja feliz o bastante por nós dois — ele pediu a ela.
Depois virou as costas e voltou para o castelo.


A rainha de Limeros estava sorrindo. Muito estranho. Lucia a olhou com cautela quando se encontraram no corredor.
— Mãe — ela disse, embora soubesse que a palavra não era a mais apropriada. Sua ansiedade inicial havia sido substituída por indignação por um fato tão importante ter sido escondido dela a vida toda.
— Lucia, querida. Como está?
Ela bufou, um som nada educado que fez a rainha erguer as sobrancelhas.
— Desculpe, mas eu não me lembro da última vez que perguntou como eu estava.
A rainha recuou.
— Eu tenho sido tão negligente assim com você?
Lucia deu de ombros.
— Agora sei por quê. A senhora não é minha mãe de verdade. Por que se importaria?
A rainha olhou para o corredor para se certificar de que estavam sozinhas. Ela arrastou Lucia alguns passos adiante, até uma alcova isolada. A filha esperava que a expressão da mãe fosse endurecer, mas aconteceu o contrário.
— Deveriam ter contado a você há muito tempo. Eu mesma queria contar.
— Queria? — Lucia lhe lançou um olhar de total descrença.
— Sim, é claro. Algo tão importante não deveria ser revelado de forma tão brusca. Eu peço desculpas.
— Pede?
— Sim. De verdade. Mesmo sendo rainha, ainda devo fazer o que o rei manda. Ele não queria que você soubesse. Tinha medo de que você ficasse chateada se soubesse a verdade antes da hora certa.
— Mas eu estou chateada! Onde está a minha mãe verdadeira? Como posso encontrá-la?
A rainha olhou outra vez para o corredor, como se temesse que alguém estivesse escutando. Aquilo era segredo, afinal. Pelo amor da deusa, ninguém podia saber que a princesa limeriana havia nascido em Paelsia.
— Ela está morta.
Lucia ficou sem ar.
— Como ela morreu?
A rainha apertou os lábios.
— Sabina a matou.
— Por que ela faria uma coisa tão terrível? — A náusea percorria seu corpo.
— Porque Sabina Mallius era uma megera vil e cruel que mereceu o destino que teve.
Lucia se esforçava para respirar normalmente, sem saber em que acreditar. Seu mundo nunca voltaria ao normal.
— Por que o meu pai manteve Sabina por perto durante tanto tempo depois que ela fez isso?
A expressão da rainha azedou.
— Além do charme evidente de Sabina, ele também a via como uma sábia conselheira. Alguém que poderia ajudá-lo a conseguir o que mais quer na vida. Poder.
— Por isso eu fui levada às custas da vida de minha mãe verdadeira? — A garganta dela se fechou. — Porque ele achou que eu poderia ajudá-lo a se tornar mais poderoso?
— Seu nascimento foi anunciado nas estrelas. De algum modo, Sabina descobriu onde você estava. Na época, eu estava tentando ter outro filho e não conseguia. Meu corpo havia sido arruinado por abortos espontâneos. Então, quando me apresentaram uma adorável garotinha que eu poderia criar como minha filha sem que ninguém soubesse a diferença… bem, nem quis saber detalhes. Apenas aceitei tudo.
Lucia sentiu tontura, mas se obrigou a parecer o mais forte possível.
— Se ficou tão feliz em ter a oportunidade de me criar, por que mal consegue olhar para mim? Por que nunca me disse uma palavra carinhosa?
— É claro que disse. — Mas logo suas sobrancelhas se juntaram como se ela duvidasse das próprias palavras. — Eu não sei. Nunca me dei conta de que estava magoando você. Minha mãe era uma mulher cruel e… fria. Talvez eu tenha ficado mais parecida com ela do que pude perceber. Mas não foi de propósito, Lucia. Eu amo você e seu irmão.
— Ele não é meu irmão — Lucia disse em voz baixa. Ela estava tentando não pensar no que acontecera nos aposentos de Magnus. A sensação da boca dele sobre a dela, exigindo o que ela não podia dar em troca. O olhar abalado em seu rosto quando foi empurrado…
— Família é a coisa mais importante do mundo — a rainha afirmou. — É o que sobra quando todo o resto desmorona. E você tem uma família. Seu pai está muito orgulhoso de você.
— Não sei como ele pode estar orgulhoso de mim. Eu matei Sabina. — O olhar dela voltou-se para a rainha. — É por isso que está tão boazinha comigo hoje? Tem medo do que eu posso fazer?
Os olhos azuis acinzentados da rainha se arregalaram.
— Eu nunca poderia temer você, filha. Eu a admiro. Vejo a mulher forte e bela que está se tornando. E fico admirada com o que é capaz de fazer agora.
O estômago de Lucia se revirou.
— Eu a matei, mãe. Eu a esmaguei contra a parede e depois botei fogo nela.
Algo passou por trás do olhar da rainha. Algo frio e obscuro.
— Fico feliz por ela estar morta. E fico feliz por ter sofrido. Eu celebro a morte de Sabina.
As palavras da rainha provocaram arrepios em Lucia.
— A morte não é algo para se celebrar.
A rainha Althea desviou os olhos e mudou de assunto.
— Seu pai quer vê-la agora mesmo. Estava a caminho de seus aposentos para chamá-la. Ele tem algo muito importante para discutir com você. Vá falar com ele. Agora.
A rainha deixou a alcova e seguiu pelo corredor sem olhar para trás. Lucia a observou indo embora.
Depois ela foi para a sala de reunião do pai, onde ultimamente ele passava a maior parte do tempo.
— Entre, Lucia — seu pai a chamou quando ela abriu as grandes portas. Ela entrou e viu que seu pai não estava sozinho. Magnus estava com ele. O coração dela ficou apertado ao vê-lo. Ele não estava olhando para ela. Ficou perto da parede, olhando fixo para o rei. Magnus estava passando muito tempo com o pai desde que o rei voltara de Auranos. Ela não tinha ideia de como o rei Gaius havia reagido ao fracasso de seu irmão durante a viagem, que levara à morte de dois guardas. Gostaria de saber de toda a história. Magnus estava tão chateado quando voltou.
— Sei que tudo isso está sendo muito difícil para você. Especialmente o que Magnus contou a respeito de seu nascimento.
Ela tentou não olhar para o irmão. No entanto, agora sentia a frieza do olhar dele.
— Estou tentando aceitar tudo da melhor forma possível.
— Saiba de uma coisa: você é minha filha. Eu a amo mais do que qualquer outra filha que eu tivesse. Você faz parte de minha família hoje, amanhã e sempre. Em todos os sentidos. Acredita em mim?
As palavras dele pareciam sólidas e verdadeiras. Ela finalmente relaxou a tensão que sentia.
— Eu acredito no senhor.
O rei se sentou em uma cadeira de encosto alto. Lucia lançou um olhar para Magnus, mas ele desviou os olhos. Ele ignorava a presença dela. Estava agindo daquela forma desde a noite em que ela entrara no quarto dele e tentara confortar sua dor, mais de uma semana antes. Em todas as refeições desde então, ele a havia ignorado. Quando ela cruzava seu caminho, Magnus a evitava. Ela havia se tornado uma sombra para ele.
Ela o havia magoado demais, mas não teve escolha. Ela não poderia dar a Magnus o que ele queria.
— Sabe quais são meus planos referentes a Auranos? — o rei perguntou a Lucia.
Ela fez que sim.
— O senhor pretende conquistá-la junto com o chefe de Paelsia.
— Muito bem. E acha que é um plano sensato?
Lucia apertou as mãos sobre o colo.
— Parece muito perigoso.
— Sim, será perigoso. Mas é assim mesmo — ele explicou. — Magnus estará ao meu lado. Juntos, poderemos ter que dar nossa vida nesse cerco para assegurar a futura força e prosperidade de Limeros.
Ela olhou apavorada para o rei.
— Por favor, não diga isso.
— Você se preocupa conosco, não é, Lucia? Mesmo agora que conhece suas verdadeiras origens.
Ela era uma órfã que havia sido acolhida por aquela família, não importa o que tivesse acontecido. Sem sua família adotiva, ela não tinha nada. Sem o sobrenome Damora, ela era uma camponesa paelsiana.
— Sim.
O rei assentiu.
— Quero que venha conosco. Sua magia foi prevista como algo mais poderoso do que tudo o que o mundo já presenciou em um milênio. Sua magia é a chave para o nosso sucesso. Sem você, não posso garantir que sobreviveremos.
Ela engoliu em seco.
— Quer que eu use minha magia para ajudá-lo a conquistar Auranos?
— Só se for extremamente necessário. Mas vamos informá-los de que temos uma arma muito poderosa à disposição. Talvez então eles recuem sem luta.
— Não acho que seja muito sensato — Magnus disse. — A profecia ainda pode estar errada. Talvez Lucia não passe de uma bruxa comum.
A voz de Magnus era tão fria, distante, que Lucia sentiu um arrepio descer por sua espinha. Ele dissera aquilo como um insulto. Os olhos dele voltaram-se para os dela por um segundo e desviaram.
Agora ele a odiava.
— Você está errado. Mas, é claro, a escolha final cabe a Lucia — afirmou o rei. — Acredito de todo o coração que ela é a chave para nosso sucesso ou fracasso. Para nossa vida ou morte.
O amor de Lucia por Magnus nunca morreria, não importa o quanto ele tentasse parecer frio. Ela faria de tudo para mantê-lo em segurança, mesmo que ele agisse de forma cruel. Mesmo que ele a odiasse até o dia de sua morte.
— Eu vou com vocês — ela aceitou com firmeza depois de um longo silêncio. — E farei tudo o que estiver em meu poder para ajudá-los a derrotar Auranos.

2 comentários:

  1. A NAO A NAO NAO NAO
    FUDEU TUDO AGORA
    MERDA MERDA
    AAAAAAAAA
    SOCORRO TÔ COM MEDO POR AURANOS
    AAAAAA MANO COMO ASSIM?
    ASS:JANIELLI

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  2. Essa Lucia tá muita chata, sem personalidade própria. Muito pau mandada pra ser a escolhida para recuperar a Trédade. Pelo menos até agora né

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Boa leitura, E SEM SPOILER!