5 de julho de 2018

Capítulo 28

Ela se contorceu trêmula enquanto eles davam um salto para trás, e então caiu com estrondo no chão, mãos e pernas ainda amarradas. Ela caiu bem junto aos pés de Ronan e mordeu seus dedos com um riso selvagem.
Ele e Motosserra bateram asas para trás.
Blue trocou um olhar febril com Adam.
E agora a mulher estava cantando:

Rainhas e reis
Reis e rainhas
Lírio azul, azul lírio
Coroas e pássaros
Espadas e coisas
Lírio azul, azul lírio.

Ela interrompeu a canção com uma risada histérica que casava perfeitamente com aquela que havia saído de Motosserra anteriormente. Rolando sobre as costas, a fim de olhar direto para os traços enojados de Ronan, ela arrulhou:
— Me solte, príncipe corvo.
— Meu Deus — ele disse —, o que você é?
Ela riu novamente.
— Ah! Meu salvador veio cavalgando em um corcel branco como leite e disse: bela dama, posso lhe trazer o que você quiser...
Ronan tinha uma expressão quase idêntica à que demonstrara quando eles buscaram Malory.
— Ela é louca.
Gansey disse, muito calmamente:
— Não toque nela.
Antes, quando eles acharam que fosse Glendower, Gansey parecera muito abalado, mas agora recuperara o autocontrole. O coração de Blue ainda batia forte por causa do susto que ela levara ao ver a tampa do caixão caindo e a mulher resvalando para fora. Não que ela quisesse que Gansey a comandasse, mas estava aliviada que ele comandasse pelo menos aquele momento, enquanto ela convencia seu pulso a baixar.
Ele deu a volta em torno do caixão, para onde a mulher estava deitada. Agora que ela estava com o rosto virado para cima, Blue podia ver que ela era jovem, uns vinte anos, talvez. O cabelo era enorme, preto e selvagem como um corvo, a pele pálida como a dos mortos. O manto era possivelmente a coisa mais incrível a respeito dela, porque ele era real. Não parecia uma fantasia medieval. Parecia uma peça de roupa real, porque era uma peça de roupa real.
Gansey se inclinou sobre ela e perguntou, com seu jeito educado e poderoso:
— Quem é você?
— Um não era suficiente! — ela guinchou. — Eles mandaram outro! Quantos jovens há em minha câmara? Por favor, digam que são três, o número do divino. Você vai me desamarrar? É uma grosseria deixar uma mulher amarrada por mais que duas ou três ou sete gerações.
A voz de Gansey estava mais calma ainda, ou talvez estivesse inalterada, e parecia mais calma em comparação à sua cadência crescente.
— Foi você que possuiu o corvo do meu amigo?
Ela sorriu para ele e cantou:
— Todas as donzelas jovens e lindas, ouçam seus pais...
— Foi o que pensei — disse Gansey, endireitando-se e olhando de relance para os outros. — Não acho que seja uma boa ideia desamarrá-la.
— Ah! Você está com medo? — ela escarneceu. — Você ouviu que sou uma bruxa? Eu tenho três seios! E um rabo, e chifres! Sou uma gigante lá embaixo. Ah, eu também teria medo de mim, jovem cavaleiro. Eu poderia engravidá-lo! Corra! Corra!
— Vamos deixar ela aí — disse Ronan.
— Se abandonássemos pessoas em cavernas porque elas estão loucas, você ainda estaria lá em Cabeswater. Me passa a faca.
— Eu perdi — disse Ronan.
— Como você... Não importa.
— Eu tenho uma — disse Blue, se sentindo convencida e útil. Ela sacou seu canivete rosa enquanto os olhos pardos da mulher giravam para cima para segui-la. Blue estava com um pouco de medo que a mulher cantasse para ela, mas ela apenas sorriu, um sorriso largo e compreensivo.
— Achei que esses canivetes fossem proibidos — disse Gansey, ajoelhando-se ao lado da mulher. Ele parecia muito pouco perturbado agora, como se estivesse lidando calmamente com um animal selvagem.
Cortou as tiras em torno dos joelhos da mulher, mas deixou suas mãos amarradas.
— E são — Blue respondeu, sem desviar o olhar dos olhos da mulher, que ainda estava sorrindo, como se estivesse esperando que Blue não suportasse e desviasse o olhar. Mas Blue tinha experiência nisso, graças a Ronan. Então ela apenas fechou a cara de volta. Ela queria perguntar à mulher como ela falava inglês, quem ela era, se estava bem após permanecer em um caixão por tanto tempo, mas a mulher não parecia realmente do tipo que respondia a perguntas.
— Vou te ajudar a se levantar — Gansey disse à mulher —, mas, se você me morder, eu te coloco de volta naquele caixão, entendeu?
— Ah, seu galinho — disse a mulher. — Você me lembra o meu pai. O que é péssimo.
Ronan ainda estava encarando a mulher, horrorizado, então Blue correu para ajudar Gansey. A mulher era ao mesmo tempo mais quente e mais real do que Blue imaginara. Ela era muito alta; provavelmente havia comido o seu feijão. Enquanto Blue a levantava por um cotovelo, seu ninho enormemente vertical de cabelo negro fez cócegas no rosto de Blue, cheirando a terra e metal. Ela cantou uma pequena canção sobre presentes e reis e órgãos internos.
— Tudo bem, Gansey — disse Adam cautelosamente —, qual é o seu plano agora?
— Tirar ela daqui, obviamente — disse Gansey, virando-se para a mulher. — A não ser que prefira ficar.
Ela rolou a cabeça para trás e seu cabelo se comprimiu sobre o ombro de Gansey, o rosto a centímetros do dele.
— O sol ainda existe? — perguntou a mulher.
Gansey usou o cabelo dela para afastar a cabeça da mulher de seu ombro.
— Como algumas horas atrás.
— Então me leve! Me leve!
Adam apenas balançava a cabeça.
— Mal posso esperar — disse Ronan — para ouvir você explicar isso para o Malory.


As nuvens haviam desaparecido quando eles emergiram, substituídas por um céu tão brilhante, azul e crestado pelo vento que todos tiveram de baixar a cabeça contra os grãos de areia lançados no ar. O vento era tão feroz que lançou as mechas de cabelo de Blue dolorosamente contra suas faces. Um bando de gralhas ou corvos voava alto, jogados e catapultados de um lado para o outro. Ronan segurava Motosserra contra o peito como se ela ainda fosse um corvo jovem, protegendo-a do vento.
Enquanto caminhavam de volta para a casa de Dittley, inclinando-se contra as rajadas, a chuva os salpicava intermitentemente do céu sem nuvens. Adam levou a mão ao rosto para secar a face, e Blue disse:
— Adam, o seu rosto...
Ele afastou o dedo; a ponta estava vermelha. Blue estendeu a mão para coletar outra gota perdida. Vermelha.
— Sangue — disse Ronan, soando firme em vez de preocupado.
Blue estremeceu.
— De quem?
Gansey analisou um pingo vermelho sobre o ombro de sua jaqueta, os lábios entreabertos de espanto.
— Gansey — chamou Adam, apontando. — Olha.
Eles pararam no meio da grama castigada para observar o céu brilhante do dia. No horizonte, algo reluzia furiosamente, como o sol refletido em um avião distante. Blue protegeu os olhos e viu que o objeto tinha um rabo flamejante. Ela não conseguia imaginar bem o que poderia ser, algo tão visível àquela hora clara do dia.
— Um acidente de avião? — perguntou.
— Um cometa — disse Ronan com certeza.
— Um cometa? — ecoou Adam.
Blue estava com mais medo agora do que quando eles haviam corrido perigo de verdade na caverna. O que eles estavam fazendo?
— Começou! — a mulher gritou. — Começou de novo! Girando e girando e girando!
Ela rodava no campo, as mãos ainda amarradas atrás das costas. À luz do sol, a beleza régia da mulher era mais evidente. Ela tinha o nariz relativamente grande com um formato adorável, faces e testa pronunciadas, sobrancelhas escuras esquisitas e, é claro, aquele cabelo impossivelmente avolumado se enredando acima de seu corpo esguio. O manto roxo-avermelhado era como uma mancha de tinta no campo.
Gansey observou o corpo celestial queimar um rastro lento através do azul do céu. Ele disse:
— Sinais e presságios. Um cometa foi visto em 1402, quando Glendower estava começando sua ascensão.
— Ha! — gritou a mulher. — Ascensão, ascensão, ascensão! Haverá sangue suficiente para beber então, sangue suficiente para ser bebido por todos!
A última parte se tornara uma canção mais uma vez.
Adam agarrou o ombro da mulher, parando-a de girar. Ela afastou o corpo como uma dançarina bêbada e depois o mirou com um olhar selvagem.
— Você — ela disse — é de quem eu menos gosto. Você me lembra um homem e um cão de que eu nunca gostei.
— Registrado — ele respondeu. — Temos direito a um favor? Por termos te despertado?
É claro, pensou Blue estupidamente. É claro que devíamos ter pensado em perguntar isso imediatamente. Todos os adormecidos supostamente concediam um favor nas lendas, não apenas Glendower. Parecia impossível que isso não tivesse ocorrido a nenhum deles, mas tudo que parecia óbvio na teoria era confuso, ruidoso e assustador na prática.
A mulher guinchou como os corvos acima, e então guinchou de novo, e então Blue percebeu que era uma risada.
— Um favor! Por me despertarem? Pequeno vira-lata, eu nunca dormi.
Adam a encarou friamente, sem se mexer. Ele deixara uma única palavra — vira-lata — abrir caminho, cortando até a espinha.
Gansey se intrometeu, temivelmente educado.
— Nós fomos absolutamente generosos com você. O nome dele é Adam Parrish, e é assim que você deve chamá-lo.
Ela fez uma mesura exagerada para Gansey, tropeçando até se ajoelhar com as mãos ainda amarradas.
— Perdoe-me — ela zombou —, meu amo.
Ele apertou os lábios, desconsiderando o gesto.
— Como assim, você não dormiu?
— Vá dormir, minha filhinha — disse a mulher docemente. — Sonhe com a guerra. Só que eu não dormi. Não consegui. Sempre fui agitada! — Ela fez uma pose dramática, as pernas abertas para se equilibrar. Uma gota de sangue lhe salpicara a face como uma lágrima. Em uma voz aguda, ela gritou: — Me ajudem! Me ajudem! Não estou dormindo! Voltem! Voltem! — E mais baixo: — Vocês ouviram algo? Apenas o som do meu sangue latejando em minha coragem! Vamos embora!
O lábio de Ronan se crispou.
Blue tinha certeza de que ouvira aquele som nos corredores de sua escola. Ela perguntou:
— Você quer dizer que passou seiscentos anos acordada?
— Uns duzentos a mais ou a menos — ela cantarolou.
— Não é à toa que ela é maluca feito uma vaca — disse Ronan.
— Ronan — começou Gansey, mas não conseguiu pensar em uma boa reprimenda. — Vamos embora.
Dentro da casa, Jesse Dittley espiou a mulher. Ela era quase tão alta quanto ele.
— O QUE É ISSO?
— A sua maldição — respondeu Gansey.
Jesse pareceu hesitante e perguntou a ela:
— AGORA ME DIGA UMA COISA: VOCÊ JÁ FEZ AS MINHAS PAREDES CHORAREM?
— Apenas três ou cinco vezes — ela disse. — Será que foi o sangue do seu pai que me sufocou, calando a minha voz?
— VOCÊ MATOU O GATO DA MINHA ESPOSA?
— Aquilo — ela cantou — foi um acidente. Era o sangue do seu avô antes disso?
— TIREM ESSA MULHER DA MINHA CASA — disse Jesse. — POR FAVOR.
Enquanto os garotos carregavam a mulher para fora pelo outro lado da casa, Malory e o Cão correndo atrás dela, Blue ficou para trás. Ela ficou ao lado de Jesse enquanto ele abria uma cortina surrada para observar os garotos persuadindo a mulher a entrar no Suburban. Blue viu de relance quando ela deu uma mordida no Cão.
Ela se sentiu um pouco mais aliviada agora que não estava mais parada bem ao lado da mulher, embora não conseguisse parar de ver o bico de Motosserra sinistramente aberto em uma canção falsa, ou esquecer o salto que deu seu coração quando o corpo se moveu pela primeira vez dentro do caixão. Esse encanto tortuoso não parecia em nada com a magia orgânica de Cabeswater.
— ELA NÃO É TUDO QUE TEM ALI.
— Ela ficou acordada por centenas de anos. De alguma forma, quando um Dittley morreu na caverna, isso a deve ter calado por algum tempo. Mas nós estamos com ela agora. Ela era a maldição. Você não precisa mais entrar na caverna e morrer — disse Blue.
Jesse deixou a cortina cair de volta no lugar.
— VOCÊ ACREDITA QUE DÁ PARA SE LIVRAR DE UMA MALDIÇÃO TÃO FÁCIL ASSIM?
— Talvez. É bem capaz! Ela ficou ali por muito tempo — disse Blue. — Por tanto tempo quanto os Dittleys que moraram aqui. Você ouviu ela dizer que fez aquelas coisas.
— MAS O QUE VOCÊS VÃO FAZER COM ELA?
— Não sei. Alguma coisa. — Ela deu um tapinha no braço dele. — Você devia ligar para sua esposa, ou seu cão.
Jesse coçou o peito.
— VOCÊ REALMENTE É UMA FORMIGA DE UM TIPO MUITO BOM.
Eles deram um aperto de mãos.
Blue o viu olhando para fora da janela quando eles partiram.


Eles levaram a mulher para a Rua Fox, 300, é claro, onde encontraram uma Calla extremamente pouco impressionada, e uma Jimi bastante alarmada, e uma Orla fascinada. Persephone deu uma olhada na mulher, anuiu firmemente, e então desapareceu escada acima. Malory bebia seu chá forte na sala de leitura. Adam e Ronan se deixavam ficar furtivamente no corredor, ouvindo a conversa, covardes demais para enfrentar a ira de Calla.
E Calla estava realmente em grande forma. Ela latiu:
— Lembra que eu disse que havia três adormecidos, e o trabalho da Maura era não despertar um deles, e o seu era despertar um dos outros? Lembra que eu não disse nada sobre o outro? Eu não quis dizer que era para trazê-la para a minha cozinha.
Blue sentiu ao mesmo tempo alívio e incômodo. No primeiro caso, porque estivera preocupada que a mulher pudesse ser a adormecida que não deveria ser desperta. No segundo, porque eles estavam encrencados.
— Para onde mais a gente ia levar essa mulher? Minha mãe teria dito para trazê-la aqui — Blue argumentou.
— A sua mãe não tem bom senso! Não somos um albergue. — Calla foi até a mulher, que olhava em torno da cozinha com um misto de espanto e insanidade régia. — Qual é o seu nome?
— Meu nome é o de todas as mulheres — respondeu a mulher. — Tristeza.
Uma das sobrancelhas de Calla considerou momentaneamente socar a mulher. Ela disse:
— Por que vocês simplesmente não a deixaram lá?
Do corredor, Ronan lançou um olhar superior para Gansey.
— Escuta, eu compreendo que ela não possa ficar aqui — disse Gansey. — Mas está claro que ela é mais parecida com você do que...
A expressão de Calla se tornou vulcânica.
— Do que o quê, senhor? Do que com você, Richard Gansey? Era isso que você ia dizer? Você acha que ela vai lançar a maluquice dela sobre vocês, mas nós somos imunes? Bom, você vai se surpreender, mocinho.
Gansey piscou rapidamente.
Um sorriso lento se espalhou no rosto da mulher.
— Ele não está errado, bruxa.
Lava se derramou das pálpebras de Calla.
— Do que você acabou de me chamar?
A mulher riu e cantou:
— Lírio azul, azul lírio, você e eu.
Blue e Calla fizeram cara feia diante das palavras sinistramente familiares. Aquela mulher devia ter possuído Noah, do mesmo jeito que fez com Motosserra. Blue desejou que aquela habilidade não se estendesse além de pássaros de sonho e garotos mortos.
— Não é tarde demais para levar a mulher de volta — disse Ronan.
— VOCÊS DOIS — rugiu Calla, e tanto Adam quanto Ronan se encolheram. — Vão até o mercado e peguem provisões para ela.
Adam e Ronan trocaram um olhar espantado. O olhar de Adam dizia: O que isso quer dizer? E o de Ronan dizia: Não importa, vamos cair fora daqui antes que ela mude de ideia. Gansey franziu o cenho às suas costas enquanto eles saíam apressados pela porta da frente.
Então Persephone reapareceu, segurando o blusão com mangas que não combinavam. Ela analisou a mulher, e teria parecido rude se não tivesse sido Persephone. A mulher a analisou de volta, com bem mais partes brancas dos olhos à mostra.
Finalmente, Persephone parecia satisfeita. Ela ofereceu o blusão:
— Fiz isso para você. Experimente... Ah! Por que ainda não a desamarraram?
— Nós achamos que ela poderia ser... perigosa? — respondeu Gansey sem jeito.
Persephone inclinou a cabeça para ele.
— E você achou que amarrar as mãos dela mudaria alguma coisa?
— Eu... — Ele se virou para Blue em busca de ajuda.
— Ela não é uma testemunha que gosta de cooperar — sugeriu Blue.
— Não é assim que tratamos os convidados — disse Persephone, ralhando ligeiramente.
— Eu não fazia ideia de que ela era uma convidada — retrucou Calla.
— Bem, eu a estava esperando — disse Persephone. E fez uma pausa. — Eu acho. Vamos ver se o blusão serve.
— Você deveria me desamarrar, pequeno lírio — disse a mulher para Blue. — Com a sua faquinha de lírio. Seria muito adequado e circular.
— Por que seria adequado e circular? — perguntou Blue cautelosamente.
— Porque foi o seu pai que me amarrou da primeira vez. Ah, homens.
Blue estava abruptamente desperta. Ela estivera desperta antes, mas agora estava tanto mais do que quando estivera um segundo antes, quando sentia como se estivesse dormindo.
Seu pai.
A mulher estava subitamente em seu rosto, as mãos ainda amarradas atrás das costas.
— Ah, sim. Punição adequada, ele disse. Artemusssssssss. — Ela riu diante dos rostos chocados na sala. — Ah, as coisas que eu sei! Vejam a maneira como ela brilha, dentro de um círculo d’água, dentro de um fosso, sobre um lago, tudo em um círculo d’água!
Mais para o começo daquele ano, quando Blue encontrara os garotos pela primeira vez, houvera um momento em que se sentira subitamente alarmada com a maneira como estava sendo atraída para a vida confusa deles. Agora ela havia se dado conta de que nunca havia sido atraída para isso. Ela sempre estivera ali, com aquela mulher e com todas as outras mulheres na Rua Fox, talvez até com Malory e seu Cão. Eles não estavam criando confusão. Apenas iluminavam a forma dela.
Com o cenho franzido, Blue sacou o canivete. Com cuidado para não se cortar ou ferir a pele branca e pálida da mulher, partiu as faixas gastas em seus punhos.
— Tudo bem, comece a falar.
A mulher estendeu os braços para cima e para fora, o rosto extasiado. Ela girou e girou, derrubando copos da mesa e acertando as mãos na complicada luminária pendurada sobre a mesa da cozinha. Tropeçou sobre sapatos e continuou em frente, rindo cada vez mais, cada vez mais histérica. Quando parou, seus olhos pareciam elétricos e perturbados.
— Meu nome — ela disse — é Gwenllian.
— Ah — disse Gansey, baixinho.
— Sim, pequeno cavaleiro, achei que você sabia.
— Sabia o quê? — perguntou Calla, desconfiada.
Gansey tinha uma expressão perturbada.
— Você é a filha de Owen Glendower.

Um comentário:

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Boa leitura, E SEM SPOILER!