30 de julho de 2018

Capítulo 23

LIMEROS

Magnus precisava de respostas. E precisava delas logo.
Esperava que seu pai esbravejasse pela morte da bruxa depois de arrastar Lucia para fora de seu quarto. Em vez disso, tudo parecia misteriosamente calmo. O corpo queimado de Sabina havia sido levado e descartado em silêncio. Nenhum funeral estava planejado. Ninguém, nem os criados, parecia comentar o caso.
Era como se a amante do rei nunca tivesse existido.
Mas Magnus não dava a mínima para Sabina Mallius, viva ou morta. Só para o que ela havia dito sobre as origens de Lucia. Ele precisava saber se era verdade.
Na manhã seguinte, procurou o pai para exigir respostas, mas ficou sabendo que o rei já havia partido em uma viagem a Auranos com o chefe Basilius. Sua volta era esperada em duas semanas.
As palavras de Sabina ecoavam na cabeça de Magnus, mas ele não sabia no que acreditar. A bruxa sempre fora fingida e manipuladora — o que ficou provado na noite de sua morte. Ao assistir à mulher queimando, ele não havia sentido um pingo de pena. Ela merecia o que recebeu.
Mas agora restavam tantas dúvidas.
O rei já havia arranjado uma tutora especial para ajudar Lucia com seus elementia assim que despertassem. Era uma mulher velha e enrugada que conhecia muito sobre lendas e sobre a profecia. A irmã dele agora passava quase todo o tempo com essa mulher, por ordens diretas do rei.
A irmã dele.
O que mais o corroía era a dúvida sobre o que Sabina havia dito — o fato de Lucia ter nascido em outra família e sido levada ao castelo quando bebê, para ser criada como uma Damora. Como ele ainda não tinha completado dois anos de idade quando a rainha supostamente dera à luz Lucia, não se lembrava de nada.
No segundo dia depois da morte de Sabina, Magnus não conseguia mais esperar. Precisava de respostas. Na noite anterior, encarar a irmã durante o jantar havia se provado uma tarefa muito difícil. Com a ausência do pai, apenas uma pessoa no castelo poderia lhe dizer a verdade.
— Magnus. — A rainha Althea o cumprimentou do lado de fora do castelo, depois da aula de tiro com arco e flecha.
Com a iminência da guerra, as aulas do príncipe haviam aumentado em número e intensidade a pedido do rei, e ele estava conseguindo acompanhar o ritmo. Estava pronto para uma luta — e para derramamento de sangue, se fosse necessário.
Sua mãe apreciava fazer caminhadas vespertinas em volta do palácio e pelos jardins gelados ao lado dos penhascos. Quando ele era menino, ela ficava olhando para o aparentemente infinito Mar Prateado e lhe contava histórias sobre o que havia do outro lado — reinos cheios de pessoas estranhas e criaturas fantásticas.
Fazia tempo que sua mãe havia parado de contar histórias divertidas. Assim como o clima de Limeros, a personalidade dela foi esfriando com o passar dos anos. Os momentos mais calorosos agora eram raros.
— Mãe — ele disse, olhando de relance para a água agitada, coberta de branco, batendo nas pedras ao longe.
— Eu já ia procurá-lo. Chegou uma mensagem do seu pai para você hoje cedo, trazida por um falcão. — Seus cabelos longos e grisalhos estavam soltos e voavam para trás com o vento gélido, revelando suas feições envelhecidas. Ela usava um manto comprido, e o rosto pálido estava agora corado pelo frio.
Ele foi direto ao ponto.
— Sabina Mallius roubou Lucia de seu berço em Paelsia e a trouxe até aqui para ser criada pela senhora como filha? — ele perguntou.
Ela se virou rapidamente para o filho.
— O quê?
— Isso mesmo que a senhora ouviu.
A rainha abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu durante alguns instantes.
— Por que pensaria uma coisa dessas?
— Porque a própria Sabina me contou antes de Lucia incendiá-la. — Ele tentou emendar as próximas palavras para que não houvesse nenhum mal-entendido. — Lucia não é minha irmã de sangue. Isso é verdade?
— Magnus, meu querido…
— Não venha me chamar de querido. A verdade é tudo o que quero da senhora hoje, mãe. Se for possível. E a resposta é simples: sim ou não. Lucia é minha irmã?
A rainha foi tomada pela ansiedade.
— Ela é sua irmã de todas as maneiras, exceto pelo sangue. E ela é minha filha.
Ele teve sua resposta. E foi como se o mundo tremesse sob seus pés.
— Mas não veio do seu ventre.
Ela não respondeu.
O coração de Magnus começou a bater forte.
— Por que você nunca me contou?
— Porque não é importante. E seu pai queria que fosse assim. Talvez ele pretendesse dizer a verdade algum dia, mas não cabia a mim.
Ele soltou uma risada afiada como uma espada.
— Não, é claro que não. Se ele disse para a senhora criá-la como sua própria filha, era preciso obedecer. Às vezes eu me pergunto, mãe, se a senhora também teme a ira do rei. Ou se foi uma das poucas pessoas que conseguiram escapar dela.
— Como rei, seu pai só faz o que deve.
Magnus já havia amado a mãe, mas quando ela ficou de braços cruzados e permitiu que o rei o maltratasse — tanto física quanto verbalmente —, o amor começou a desaparecer.
— Você não pode contar a ela. Ainda não. — A voz da rainha tinha o peso da preocupação. — Lucia é uma garota sensível. Ela não entenderia.
— Pensar isso de Lucia é apenas mais uma prova de como a conhece pouco. Não, a menina criada como minha irmã pode não ter o meu sangue, mas é uma Damora. Com esse rótulo, qualquer sensibilidade deve ser eliminada o quanto antes se a pessoa deseja sobreviver. E agora Lucia tem capacidade para eliminar muitas coisas, se quiser.
— Eu só fiz o que era preciso fazer.
— É claro. — Magnus deu as costas para ela e saiu andando, deixando-a sozinha na beira do penhasco. Ela tinha a resposta que ele procurava. Não havia motivo para estender a conversa. — Como todos devemos fazer.
Ele entrou no castelo para ver a mensagem enviada pelo rei. Fora escrita à mão por seu próprio pai, o que significava que era sigilosa demais para confiar a um criado. Magnus leu a mensagem inteira duas vezes.
A princesa Cleiona de Auranos havia sido capturada enquanto viajava por Paelsia e estava presa lá. O rei instruiu Magnus a levar dois homens consigo para buscar a princesa e levá-la para Limeros. Ele enfatizou que se tratava de uma missão importante, uma missão que poderia virar as negociações com o rei Corvin a favor de Limeros.
Embora não estivesse escrito, estava claro para Magnus que seu pai pretendia ameaçar a vida da menina para atingir seus próprios objetivos. Não se poderia esperar menos do Rei Sanguinário. A possibilidade não lhe incomodava. Na verdade, ele estava surpreso que o rei Gaius não tivesse mandado homens diretamente a Auranos para sequestrar a menina, se isso tornasse mais fácil conquistar a terra do rei Corvin e ganhar mais poder para o seu reino.
Sua primeira reação foi deixar aquilo de lado e fazer cara feia, esperando a volta de seu pai para que pudessem conversar sobre algumas verdades não ditas.
Mas aquele era um teste que ele não podia ignorar.
Magnus, independente de qualquer coisa, não queria perder o direito ao trono, mesmo com a chance remota de que o rei reconhecesse outro bastardo como seu filho legítimo. A possibilidade de que o rei Gaius fizesse isso com Tobias nunca fora discutida entre eles, mas ficava no ar como o cheiro fétido de uma fossa.
A viagem de ida e volta a Paelsia, até o local anotado no final da mensagem, levaria quatro dias. Quatro dias para provar seu valor ao pai dissimulado e manipulador.
Diferente da pergunta que fizera à rainha, essa questão não tinha duas respostas possíveis.
Apenas uma.

5 comentários:

  1. Nossa esse livro e trevoso, cheio de entrigas maldades egoismos, e mesmo assim nao consigo parar se ler

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  2. seria loco se a Cléo gostasse do Magnus tbm,mas um boy p ela

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    1. Hahaha eu bem que shipparia a Cleo e o Magnus. Ela bem que precisa de uma amante mais sombrio de bom coração. (pq o vejo assim)

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  3. Theon? Jonas? Ou Magnus? kkkkk <3

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    1. nao se esqueça do nic né
      pelo amorr
      ASS:JANIELLI

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Boa leitura, E SEM SPOILER!