2 de junho de 2018

Capítulo vinte e oito

Iris

A CIDADELA DOS LAGOS É O LUGAR mais seguro em que eu poderia estar e, no entanto, continuo ansiosa, nervosa, olhando constantemente por cima do ombro.
Vejo apenas guardas conhecidos em seus uniformes azuis, quase camuflados na névoa da manhã chuvosa de verão. Jidansa está conosco, seguindo-nos enquanto eu e minha mãe caminhamos pelas passarelas arqueadas sobre os enormes campos de treinamento. A velha telec tem uma presença relaxante, assim como minha mãe, e tento ficar calma com elas por perto. Lá embaixo, os regimentos do Exército de Lakeland se preparam para a guerra. Aqueles que já lutaram, as legiões cedidas a Maven quando éramos aliados, têm seu muito merecido descanso. Os soldados aqui estão prontos para lutar. Ansiosos para vencer uma guerra pela glória de Lakeland. Pelos montes, rios e praias de Norta. Por suas formidáveis cidades de técnicos, cheias de eletricidade e com grande valor econômico. É uma mina de ouro apenas esperando para ser conquistada.
Milhares de soldados treinam sob a chuva, sem se incomodar. O mesmo vale para todo o reino. Da Cidadela das Neves à Cidadela dos Rios, o chamado foi feito. Estamos mobilizando todos que conseguimos, prateados e vermelhos. O Exército de Lakeland está reunido e pronto para atacar. Temos os números. Temos as habilidades. Nosso inimigo já está enfraquecido. Precisamos apenas eliminá-lo.
Então por que sinto essa inquietação no fundo do peito?
Revistar as tropas não exige trajes elegantes da realeza, e eu e minha mãe estamos vestidas como os soldados que apoiamos, de uniformes azuis com detalhes em prata e ouro. Ela até parou de usar suas roupas pretas de luto. Mas não nos esquecemos do meu pai ou da nossa vingança. Ela pesa sobre nós como uma pedra. Eu a sinto a cada passo.
Cruzamos a última ponte, subindo em uma das muitas sacadas que cercam a estrutura central da cidadela. As janelas brilham, convidativas. Apesar do efeito relaxante da chuva, estou ansiosa para entrar. Minha mãe se move rápido, definindo nosso ritmo, nos guiando para dentro. Ficamos de almoçar com Tiora, mas quando chegamos à sala preparada para a refeição, ela não está lá.
É atípico da minha irmã se atrasar.
Olho para minha mãe à espera de algum tipo de explicação, mas ela apenas assume seu lugar à cabeceira da mesa. Se a rainha Cenra não está incomodada com a ausência de Tiora, não vejo por que ficar.
Também assumo meu lugar. Os guardas param à porta, mas Jidansa senta conosco. Ela é uma nobre da linhagem Merin, uma família tradicional de Lakeland, e nos serve há muitos anos. Enquanto a rainha se serve de pão, avalio o vasto conjunto de talheres. Garfos, colheres e especialmente as facas. Por força do hábito, conto as possíveis armas sobre a mesa, com o cuidado de incluir os copos d’água. Mais mortais do que qualquer lâmina nas minhas mãos.
Foco na água, deixando que preencha minha percepção do mesmo modo que preenche cada copo. A sensação é tão familiar quanto meu próprio rosto, mas de alguma forma diferente, depois do que ajudei minha mãe a fazer.
Faz dias que realizamos a troca, mas não consigo parar de pensar nela. No som em especial. Em como o lorde Iral engasgou em seus últimos suspiros, sem conseguir revidar. Jacos, o tio cantor do rei Calore, eliminou toda a resistência do homem antes de nos entregá-lo. Se tivesse resistido, talvez eu não me sentisse tão estranha. Ele merecia morrer. Merecia punições piores do que a nossa. Mas a lembrança ainda me enche de uma sensação estranha e peculiar de culpa. Como se tivesse traído os deuses de alguma forma. Agido contra a vontade e a natureza deles.
Vou rezar mais um pouco esta noite e torcer para encontrar uma resposta em sua sabedoria.
— Coma antes que esfrie — minha mãe diz, apontando para os pratos diante de nós. — Tiora não deve tardar.
Faço que sim e me movo mecanicamente para me servir. Precauções tiveram de ser tomadas. Enquanto discutimos o caminho à nossa frente, não admitimos criados vermelhos. A Guarda Escarlate tem olhos e ouvidos em toda parte. Precisamos ficar atentas.
Quase todos os pratos são de peixe. Truta frita na manteiga com limão-siciliano. Perca com crosta de sal e pimenta. Um ensopado de lampreia, cujas cabeças são exibidas com orgulho no centro da mesa. Suas fileiras de dentes espiralados brilham sob a luz da sala de jantar. De resto, espigas de milho, verduras condimentadas e pães trançados — a fartura habitual das lavouras de Lakeland. Nossas fazendas são vastas e prósperas, capazes de alimentar duas vezes nosso país. Nunca falta comida para nossos habitantes, nem mesmo os vermelhos mais humildes.
Eu me sirvo de um pouco de tudo, com o cuidado de deixar lampreia para Tiora. O sabor é peculiar, sem mencionar que é o prato favorito dela.
Mais um minuto se passa em silêncio, marcado apenas pelo tique-taque brando de um relógio na parede. Lá fora, a chuva fica mais forte, açoitando as janelas sem piedade.
— É melhor o Exército descansar até a chuva passar — murmuro. — Não há por que deixar nossos soldados adoecerem, em uma epidemia de resfriados.
— Tem razão — minha mãe responde entre uma mordida e outra. Ela aponta para Jidansa, que levanta rapidamente.
A mulher faz uma reverência breve.
— Vou tomar as providências, majestade — diz antes de sair para transmitir a ordem.
— O resto de vocês, aguardem do lado de fora — minha mãe ordena, olhando para cada um dos guardas. Eles não hesitam, quase correndo para obedecer.
Observo a sala esvaziar, com os nervos à flor da pele. O que quer que minha mãe tenha a dizer não deve ser ouvido pelos outros. Quando as portas se fecham novamente, deixando-nos a sós, ela cruza as mãos e se debruça sobre a mesa.
— Não é a chuva que te incomoda, monamora.
Por um segundo, considero negar. Abrir um sorriso e forçar uma risada. Mas não gosto de usar máscaras com a minha mãe. É desonesto. Além do mais, ela sempre enxerga a verdade.
Suspiro, deixando o garfo de lado.
— Não paro de ver o rosto dele.
Ela se suaviza, passando de rainha a mãe.
— Também sinto saudades do seu pai.
— Não. — A palavra sai rápido demais, assustando minha mãe. Seus olhos se arregalam um pouco, mais escuros do que o normal sob a luz fraca. — Penso nele o tempo todo, claro, mas… — Procuro a melhor maneira de dizer o que quero, e acabo me expressando de maneira bastante direta. — Estou falando do homem que o matou.
— E que depois nós matamos — minha mãe diz, com a voz firme. Não é uma acusação, apenas uma declaração dos fatos. — Sob sua sugestão.
Mais uma vez sinto uma rara vergonha. Um rubor toma conta do meu rosto.
Sim, foi ideia minha aceitar a oferta da rainha Anabel. Trocar Maven pelo homem que matou meu pai. E, depois, pelo homem para quem o matou. Mas essa parte do acordo ainda está pendente.
— Eu faria de novo — murmuro, brincando com a comida para me distrair. Me sinto exposta sob o olhar atento da minha mãe. — Ele merecia morrer cem vezes, mas…
Ela se contrai, como se sentisse dor.
— Você já matou antes. Em autodefesa. — Abro a boca para tentar explicar, mas minha mãe continua: — Só que não dessa forma. — Ela pousa a mão sobre a minha. Seus olhos brilham, compreensivos.
— Não — admito, triste e desapontada comigo mesma. Foi uma morte justa, o troco pelo assassinato do meu pai. Eu não deveria me sentir assim.
Os dedos da mão dela apertam os meus.
— É claro que a sensação é outra. Parece errado de alguma forma.
Sinto um nó na garganta enquanto olho para nossas mãos unidas.
— Vai passar? — murmuro, me obrigando a erguer os olhos para ela.
Mas minha mãe não está olhando para mim. Ela olha pela janela, para a chuva. Seus olhos refletem a água açoitando lá fora. Quantas pessoas já matou?, me pergunto. Não tenho como saber.
— Às vezes — ela responde finalmente. — Às vezes não.
Antes que eu a pressione para descobrir o que exatamente quer dizer com isso, Tiora entra na sala. Seus guardas devem ter ficado no corredor, junto com os nossos. Quando minha mãe foi a Norta brevemente, contrariando as tradições de Lakeland, Tiora ficou para trás para proteger as fronteiras. E preparar nossos exércitos para o próximo passo. Ela é perfeita para a função, que parece animá-la, mesmo agora que passamos de uma guerra a outra.
A herdeira do trono de Lakeland está vestida como qualquer outro soldado, com um uniforme amassado sem nenhuma libré, nenhuma insígnia. Poderia ser uma simples mensageira, não fosse pela aparência nobre característica da família Cygnet.
Ela senta com a elegância de nosso pai, encaixando os membros longos na cadeira em frente à minha.
— Que delícia, estou faminta — diz, usando as duas mãos para beliscar.
Empurro o ensopado para ela, assim como as cabeças decorativas de lampreia. Quando pequenas, nós as jogávamos uma na outra. Tiora se lembra disso, e abre um sorrisinho em resposta.
Então vai direto ao assunto, encarando nossa mãe com a gravidade de um general.
— Temos notícias de Neves, Montes, Árvores, Rios e Planícies — diz, enumerando as outras cidadelas que pontuam a vasta extensão de Lakeland. — Todas estão prontas.
A rainha assente, satisfeita com a notícia.
— Como deveriam estar. A hora de atacar se aproxima.
A hora de atacar. Não falamos de outra coisa desde que voltei para minha terra natal. Nem tive tempo de aproveitar minha liberdade longe do reino de Maven e de nosso casamento. Minha mãe me faz participar de reuniões e revistas infinitas. Afinal, sou a única que enfrentou Tiberias e seu contingente de soldados vermelhos anônimos, sem mencionar seus aliados de Rift.
Temos Bracken e Piedmont ao nosso lado, mas será ele um aliado melhor do que Maven era? Um escudo mais apropriado contra o irmão Calore que está no trono agora? De nada adianta ruminar sobre isso. Nossa decisão foi tomada faz tempo. Maven é uma carta fora do baralho.
Tiora continua.
— E o mais importante: parece que o reino recém-criado de Tiberias Calore já está se fragmentando.
Eu a encaro, esquecendo a comida no prato.
— Como?
— Os vermelhos não estão mais com ele — Tiora explica. Estremeço de surpresa. — Segundo nossos relatórios de espionagem, a Guarda Escarlate, aquela sanguenova esquisita e os exércitos de Montfort desapareceram. Voltaram para as montanhas, acho. Ou estão escondidos.
À cabeceira da mesa, minha mãe suspira alto. Ela ergue a mão, massageando a testa.
— Quando alguém vai aprender que jovens reis são tolos?
Tiora sorri, achando graça na demonstração de frustração.
Estou mais interessada nas implicações da deserção vermelha. Sem Montfort, os sanguenovos, os espiões da Guarda Escarlate e Mare Barrow, as circunstâncias definitivamente se voltam contra Tiberias Calore. E não é difícil entender por quê.
— Os vermelhos não vão apoiá-lo no trono — digo. Não conheci bem Mare, mas sei o suficiente para concluir isso. Ela lutou contra Maven em todos os momentos, até mesmo como sua prisioneira. Não aguentaria outro rei. — Eles deviam ter um acordo para reconquistar e reconstruir o país. Tiberias se recusou a fazer sua parte. Os prateados ainda governam em Norta.
Depois de uma mordida na lampreia, Tiora balança a cabeça.
— Não completamente. Houve proclamações. Mais direitos para os vermelhos de Norta. Salários melhores. Fim do trabalho forçado. Também acabaram com o recrutamento obrigatório.
Meus olhos se arregalam. Por choque, mas também por apreensão. Se os vermelhos do outro lado da fronteira receberem tantos benefícios, o que vai acontecer com os vermelhos em Lakeland? Vai haver um êxodo em massa, uma fuga desenfreada.
— Precisamos fechar nossas fronteiras — digo rápido. — Impedir que os vermelhos fujam para Norta.
Minha mãe suspira de novo.
— Ele é mesmo um tolo — murmura. — Claro, vamos duplicar nossa vigilância na fronteira com Norta. Esses Calore sabem nos causar dores de cabeça.
Tiora concorda com um ruído grave.
— Tiberias está causando dores de cabeça a si mesmo também. As cidades de técnicos estão se exaurindo. Imagino que todas as economias do país vão seguir pelo mesmo caminho.
Nossa mãe quase dá risada ao ouvir isso. Fico impressionada com a tolice formidável de Tiberias Calore. Ele acabou de reconquistar o trono, e agora tenta privar seu país de suas maiores riquezas? Por quem? Meia dúzia de vermelhos sem poder? Pelo mito da igualdade, da justiça, da honra ou de qualquer outro ideal inocente? Escarneço em silêncio. Me pergunto se, deixado sozinho, o rei Calore vai simplesmente se afundar sob o peso de sua coroa. Ou ser devorado pelo rei de Rift, que trama para tirar tudo o que puder da suposta Chama do Norte.
Volo Samos não vai ser o único prateado nos territórios de Norta a se irritar com as proclamações. Sinto um sorriso se formar em meus lábios, erguendo os cantos da minha boca.
— Duvido que os prateados de Norta vão gostar disso — digo, apontando para meu copo d’água. O líquido gira com meus movimentos.
Minha mãe olha para mim, tentando acompanhar minha linha de raciocínio.
— Tem razão.
— Eu poderia entrar em contato com alguns deles — continuo, o plano se formando enquanto falo. — Oferecer condolências. Ou incentivos.
— Se alguns puderem ser convencidos, em regiões-chave… — minha mãe diz, mais animada.
Concordo com a cabeça.
— Essa guerra será vencida em uma única batalha. Se Archeon cai, leva Norta junto.
À minha frente, Tiora empurra seu querido ensopado de lado.
— E os vermelhos?
Gesticulo com a mão aberta.
— Você mesma disse: eles se esconderam. Bateram em retirada. Deixaram Norta vulnerável. — Sorrindo, alterno o olhar entre minha mãe e minha irmã. Todos os pensamentos no lorde Iral e em sua morte parecem evaporar. Temos coisas mais importantes com que nos preocupar. — Precisamos conquistá-la.
— Pelos deuses — Tiora suspira, batendo o punho de leve na mesa.
Contenho o impulso de corrigi-la, e abaixo a cabeça para minha irmã mais velha.
— Pela nossa própria proteção.
Ela parece confusa.
— Nossa proteção?
— Estamos sentadas aqui, servindo nosso próprio almoço, por medo da Guarda Escarlate. Os vermelhos nos cercam, dentro e fora desta nação. Se a rebelião continuar se espalhando como um câncer, onde isso vai nos deixar? — Aponto para os pratos e taças, depois gesticulo para a sala vazia e as janelas. A chuva diminuiu, se transformando numa garoa. Ao longe, a oeste, o sol corta as nuvens cinza em pequenos salpicos de luz. — E Montfort? Todo um país de vermelhos e aqueles sanguenovos estranhos contra nós? Precisamos nos defender. Nos tornar grandes e fortes demais para ser desafiados.
Nenhuma de vocês esteve lá. Não viram a cidade no alto das montanhas. Vermelhos, prateados e sanguenovos unidos. E mais fortes por isso. Foi fácil entrar escondida em Ascendant para resgatar os filhos de Bracken, mas não consigo imaginar um exército fazendo o mesmo. Qualquer guerra com Montfort seria sangrenta, para ambos os lados. Ela deve ser evitada, impossibilitada, antes mesmo de começar.
Falo mais firme:
— Não podemos dar a eles a chance de se revoltar ou se colocar contra nós.
Minha mãe responde rápido:
— Concordo.
— Concordo — Tiora responde na mesma velocidade. Ela até ergue a bebida, o líquido translúcido girando na taça facetada.
Lá fora a chuva se desfaz em nada, e eu me sinto um pouco mais calma. Ainda ansiosa pelo que está por vir, mas satisfeita com o plano que toma forma. Se as Casas de Maven se tornarem leais a nós, Tiberias será fortemente prejudicado. Perdendo aliados a torto e a direito. Ninguém deve ficar sozinho no trono.
Maven também governava sozinho, por mais conselheiros e nobres que o cercassem. Por sorte, ele nunca me obrigou a passar suas horas livres com ele, ao menos não mais do que o necessário. Maven me dava medo. Era imprevisível. Eu nunca sabia o que ele ia dizer ou fazer, me deixando num estado constante de nervos à flor da pele. Só agora estou conseguindo compensar todo o sono perdido no palácio, quando estava perto demais do rei monstruoso para ter paz.
— É uma surpresa não terem executado Maven Calore publicamente — penso em voz alta. — Como será que o mataram?
Eu o vejo na minha cabeça, se debatendo inutilmente contra nossos guardas. Não estava nem um pouco preparado para aquilo. Porque eu também sou imprevisível.
Minha irmã mergulha a colher no ensopado de lampreia, empurrando o líquido de um lado para o outro. Ele ondula, preenchendo o silêncio.
— Qual é o problema, Tiora? — minha mãe pergunta, vendo através do disfarce dela.
Minha irmã hesita, mas não por muito tempo.
— Há muita especulação a esse respeito — diz. — Não se tem notícia dele desde que foi levado para o palácio em Harbor Bay.
Encolho os ombros.
— Porque morreu.
Tiora não olha para mim. Porque não consegue.
— Nossos espiões acham que não.
Apesar do calor da sala e da comida, sinto um arrepio súbito no fundo do peito. Engulo em seco, tentando entender — e ignorar o medo que ameaça voltar. Não seja covarde. Ele está longe. Encarcerado, se não morto. Não é mais problema seu.
Penso a respeito, então falo, ao menos para esconder meu mal-estar.
— Talvez o irmão mais velho não tenha conseguido matá-lo. Ele parece ter o coração mole.
Deve ter, para se deixar manipular por uma vermelha.
Tiora tenta ser o mais cuidadosa possível ao se explicar.
— Há boatos de que Maven não está mais lá.
A rainha de Lakeland fica pálida.
— Mas onde ele poderia estar?
Há algumas opções, e eu as considero rapidamente. Uma é mais provável que as outras. E terrível para a garota elétrica. Consegui escapar de Maven Calore, mas ela não parece capaz disso.
— Desconfio de Montfort — digo. — Maven está com os sanguenovos e a Guarda Escarlate. Com Mare Barrow.
Tiora concorda com a cabeça, pensando.
— Então, quando os vermelhos foram embora…
— Ele é um refém valioso — digo a ela. — Se ainda estiver vivo, deixa Tiberias vulnerável. Os nobres ainda podem ser leais ao irmão dele.
Minha mãe me olha como se eu fosse uma conselheira, e não sua filha. Isso me emociona. Sinto minha coluna se endireitar e apoio as costas no encosto da cadeira.
— Acha possível? — ela pergunta.
Considero a resposta por um momento, ponderando o que sei sobre Norta e seus prateados.
— Acredito que as Casas só querem um motivo para não apoiar Tiberias. Para manter o país como sempre foi. — Tanto minha mãe como Tiora, uma rainha e uma futura rainha, me observam em silêncio. Ergo a cabeça. — Vamos dá-lo a elas.

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