2 de junho de 2018

Capítulo trinta e um

Maven

NÃO TENHO NEM O LUXO DE UMA JANELA. Ao menos isso dei a Mare quando era minha prisioneira. Claro, foi uma tortura como todo o resto. Deixar que visse o mundo passar, as estações mudarem, de trás das grades de sua prisão luxuosa. Não creio que seja uma afronta pessoal. Está claro que eles não querem assumir nenhum risco comigo. Meus braceletes foram tirados de mim, provavelmente destruídos. Há Pedra Silenciosa no chão, enfraquecendo qualquer habilidade que ainda me reste. Sou vigiado dia e noite por nada menos do que doze guardas, todos alertas e preparados do outro lado das grades.
Sou a única pessoa confinada aqui. Ninguém fala comigo, nem mesmo os guardas.
Apenas minha mãe ainda murmura para mim, e suas palavras são sempre fugazes, mais e mais fracas. Me deixando a sós com meus pensamentos. É a única vantagem da Pedra Silenciosa. Ao mesmo tempo que me enfraquece, enfraquece a voz dela.
Eu sentia o mesmo no meu antigo trono. Era um escudo e uma âncora, me causando dor, mas também me mantendo protegido de sua influência, tanto por dentro como por fora. Todas as escolhas que fiz naquele trono foram apenas minhas.
Como aqui.
Na maior parte do tempo, escolho dormir.
Nem a Pedra me permite sonhar. Não pode desfazer o que minha mãe fez comigo. Ela me tirou essa habilidade há muito tempo, e nunca poderei recuperá-la. Às vezes, fico olhando para as paredes. São frias ao toque, e desconfio que estejamos embaixo da terra. Eu estava vendado quando me trouxeram para a cidade e quando me levaram para falar diante daquele estranho conselho. Devo passar horas traçando as linhas de argamassa e cimento que unem as placas, sentindo as texturas ásperas e lisas. Normalmente falaria sozinho, mas os guardas estão sempre à escuta. Seria mais do que idiotice entregar a eles qualquer vislumbre, ainda que pequeno, da minha mente.
Cal está sozinho, isolado de seus aliados mais fortes. Ele foi o responsável por isso, em sua tolice. Iris e sua mãe não vão perder tempo. Não vão lhe dar a oportunidade de tentar estabilizar seu reino. Ele tem a coroa que tanto queria, mas não vai continuar com ela por muito tempo.
Sorrio ao pensar no meu irmão perfeito arruinando as coisas para si mesmo. Tudo o que ele tinha que fazer era dizer não. Entregar o trono. Teria os exércitos; teria uma chance; teria Mare. Mas nem ela foi suficiente para ele.
Acho que isso eu entendo.
Mare tampouco foi suficiente para mim. O suficiente para me fazer mudar, para me impedir de me tornar quem eu estava me tornando de livre e espontânea vontade.
Me pergunto se Thomas teria sido suficiente.
A dor de cabeça latejante vem, como acontece sempre que penso no nome dele, me lembro de seu rosto ou sinto seu toque em minhas mãos. Volto a me deitar no colchão, esfregando os olhos. Tentando aliviar a pressão da memória e deste lugar. Sei menos do que deveria saber a respeito de Montfort, menos ainda de sua capital, Ascendant. Planejar fugir daqui seria uma perda do meu tempo e da minha energia limitada. Vou tentar fazer isso em Archeon, claro. Me perder deles nos túneis depois de colocar outro exército contra meu irmão. A última vingança de Maven Calore, antes de desaparecer. Para onde, não sei. É outra perda de tempo tentar planejar algo para depois de Archeon. Vou pensar nisso quando chegar a hora.
Sem dúvida Mare vai desconfiar. Ela me conhece bem demais a essa altura. Talvez eu tenha que matá-la quando isso acabar.
A vida dela ou a minha.
Será difícil, mas vou escolher a mim mesmo.
Sempre faço isso.
— Precisamos saber por onde entrar nos túneis.
A princípio, penso que estou sonhando. Que esse vestígio da minha mãe foi finalmente tirado de mim.
Mas é impossível.
Abro os olhos e encontro Mare do outro lado das grades, mantendo-se fora do meu alcance. Os guardas saíram, ou pelo menos estão longe de vista. Provavelmente agrupados em cada ponta do corredor, prontos para agir se necessário.
Faz dois dias que fui convocado ao conselho do primeiro-ministro, e ela não parece ter dormido nada. A garota elétrica está exausta, com sombras embaixo dos olhos e nas bochechas. Ainda assim, está melhor do que quando foi minha prisioneira, apesar dos vestidos e joias que eu lhe dava. Seus olhos cintilam. Ela não está drenada, dolorida até os ossos. Conheço aquela sensação intimamente. Eu a sinto aqui agora e a sentia quando era rei, blindado por um trono silencioso.
Devagar, me apoio nos cotovelos, olhando para Mare por cima das pontas dos meus sapatos.
— Dois dias para concordar com meus termos — digo, contando nos dedos. — Deve ter sido uma briga e tanto.
— Cuidado, Maven. — Ela solta em alerta, incisiva. — Qualquer dificuldade e vou ter o maior prazer de chamar Tyton aqui embaixo.
O sanguenovo que tem a mesma habilidade dela, com seu cabelo branco e olhar inescrutável. Mare disse no conselho que ele era ainda mais forte. Já vi a força da garota elétrica. Os raios dele provavelmente iam me despedaçar, nervo por nervo.
Não que isso fosse ajudá-los. Consigo aguentar a tortura. Sei como manter a boca fechada, mesmo que signifique morrer.
No entanto, não quero ser transformado numa lâmpada logo de manhã.
— Prefiro que não chame — respondo. — Gosto muito do nosso tempo a sós.
Seus olhos se estreitam, me perscrutando. Mesmo de longe, consigo ouvi-la puxar o ar com dificuldade. Sorrio de leve, satisfeito por ainda provocar essa reação dela. Ainda que originada pelo medo. Já é alguma coisa, pelo menos. Melhor do que apatia. Melhor do que nada.
— Suponho que esteja no fim — continuo, levantando. Sinto o metal frio contra minha testa quando me abraço às grades. — Lá se foram os murmúrios entre nós.
Ela bufa, e me preparo para o cuspe inevitável. Que não vem.
— Cansei de tentar entender você — Mare sussurra, furiosa, ainda fora do meu alcance. Mas não estremece quando a olho de cima a baixo. Não recua quando ergo a mão, esticando os dedos a centímetros do seu rosto.
Porque não sou eu quem ela teme, não de verdade.
Seus olhos vacilam, baixando para o piso da minha cela. Para a Pedra incrustada perfeitamente no cimento.
Dou risada, do fundo da garganta. O som ecoa pelas paredes.
— Realmente parti algo dentro de você, não?
Mare se encolhe como se eu tivesse batido nela. Quase consigo ver o hematoma se formando em seu coração. A garota cerra o maxilar, endireitando a coluna.
— Nada que eu não possa consertar — ela diz, entre os dentes.
Consigo sentir o sorriso em meu rosto ficar mais amargurado, amarelo, ser corrompido.
— Gostaria de poder dizer o mesmo.
Minhas palavras ecoam, mitigam e morrem.
Mare cruza os braços e baixa os olhos. Eu a observo com atenção, tentando gravar todos os pedacinhos dela na memória.
— Os túneis, Maven.
— Você ouviu meus termos — respondo. — Vou com vocês, para guiar seus exércitos…
Ela ergue a cabeça abruptamente. Se não fosse pela Pedra sob meus pés, acho que sentiria o zumbido da estática.
— Não é o suficiente — ela diz.
Hora de pagar para ver.
— Então me eletrocute. Chame seu torturador e ponha sua guerra em risco pelas palavras tiradas com meu sangue. Confie que são a verdade. Está disposta a fazer isso?
Mare ergue as mãos, exasperada. Como se eu fosse uma criança, e não um rei. Isso me irrita, como uma lixa na pele.
— Precisamos de uma concessão, pelo menos. Onde os túneis começam?
Ergo uma sobrancelha com frieza.
— E onde terminam?
— Essa é a parte do quebra-cabeça que você pode guardar. Até precisarmos dela.
— Humm — entoo, batendo o dedo no queixo. Começo a andar de um lado para o outro, fazendo um espetáculo grandioso para meu público extasiado. Seus olhos acompanham meus movimentos, me lembrando da pantera que a mãe de Evangeline mantinha por perto. — Suponho que você vá junto?
Mare mal bufa. Sua boca se curva numa careta deliciosa.
— Não combina com você fazer perguntas idiotas.
Respondo com um dar de ombros.
— Desde que mantenha você aqui…
Ela não tem resposta para isso. Tudo o que quer dizer morre em seus lábios. Se ao menos eu pudesse encostar neles. Sentir a pele sob meus dedos, suave e cheia e pulsante de sangue quente e vermelho. Parte de mim se pergunta por que Mare ainda me hipnotiza, mesmo sendo minha inimiga. Eu poderia matá-la, e o contrário também é verdadeiro. Mais um mistério da minha mente que nunca será desvendado.
Mare se mantém firme, me deixando olhar. Nunca vacila sob meus olhos. Me deixa ver através da máscara que a ajudei a criar. Há exaustão, esperança e tristeza, claro. Sofrimento por tantas coisas.
Inclusive meu irmão.
— Ele partiu seu coração, não?
Mare apenas suspira, seu peito murchando.
— Que tolo — sussurro, expondo em voz alta o que em geral só penso.
Ela não se deixa abater. Joga a cabeça para trás, afastando o cabelo castanho e cinza de cima do ombro. Revelando a pele nua por baixo, a marca ainda clara como o dia. M de Maven. M de minha. M de monstro. M de Mare.
— Você também partiu.
Um gosto amargo enche minha boca. Fico à espera de que estremeça, mas sou eu quem vacila.
— Pelo menos tive um bom motivo — murmuro.
O riso dela é abrupto e áspero, um único grito que estala como um chicote.
— Ele partiu seu coração pela coroa — sussurro, furioso.
Mare me encara, mas não move os pés em momento algum. Nunca chega perto o bastante para tocar.
— E você não, Maven?
— Fiz pela minha mãe, claro. — Tento falar com a voz distanciada, prática. O Maven frio, destroçado, condenado. — E pelo que ela me transformou.
— Você vive culpando sua mãe. Deve ser fácil. — Meu coração salta no peito quando os pés dela se movem lateralmente. Não para perto, não para longe. É a vez de Mare me espreitar. — Acha que o pai de Cal não o transformou em algo também? Não acha que somos todos feitos ou desfeitos por outra pessoa? — Embora ela só esteja andando, parece uma dança. Imito seus movimentos, acompanhando-a. Mare é muito mais graciosa do que eu, uma ladra ágil graças a muitos anos e a muitas reviravoltas do destino. — Mas todos temos a capacidade de escolher, no final. E você escolheu sujar suas mãos de sangue.
Meu punho se fecha, e anseio por uma centelha. Por uma chama. Por algo para queimar. Mare sabe o que quero, e sorri consigo mesma. Do outro lado das grades, seus dedos estalam no ar, iluminados de roxo e branco. A energia elétrica é só uma provocação. Além do meu alcance, além da esfera da Pedra Silenciosa. Desejo minha habilidade assim como desejo Mare, como desejo Thomas, como desejo ser quem eu deveria ser.
— Pelo menos admito quando estou errada — ela continua. — Quando cometo um erro. Quando as coisas horríveis que fiz e vou fazer são culpa minha. — As faíscas se refletem em seus olhos. Tremulam entre marrom e roxo, conferindo a Mare um ar sobrenatural, como se seu olhar pudesse me cortar. Parte de mim deseja que o faça. — Acho que você me ensinou isso.
Sorrio de novo.
— Então você deveria me agradecer direito.
Ela responde na mesma moeda, cuspindo aos meus pés. Pelo menos algumas coisas neste mundo ainda são previsíveis.
— Você nunca desaponta — sussurro com raiva, raspando o sapato no chão de cimento.
Mare não vacila.
— Os túneis.
Respiro fundo e finjo me dar por vencido. Eu a faço esperar, deixando que o silêncio se estenda por longos e cruéis momentos. Demoro para olhá-la. Para ver Mare Barrow como é agora. Não como me lembro. Não como gostaria que ela fosse.
Minha.
Mas Mare não pertence a ninguém, nem mesmo ao meu irmão. Me consolo com isso. Estamos sozinhos juntos, eu e ela. Nossos caminhos podem ser terríveis, mas nós mesmos os fazemos.
O brilho dourado de sua pele é quente mesmo aqui, iluminado pela luz forte das lâmpadas. Ela continua obstinadamente viva, ainda queimando como uma vela que luta contra a chuva.
— Está bem.
Dou a Mare o que ela quer.
Acho que é o que eu quero também.


O plano sempre foi me matar. Depois que eu não tivesse mais utilidade. Não estou surpreso. Faria isso também. Ainda assim, quando tiram o saco da minha cabeça, revelando as montanhas ao nosso redor, não consigo deixar de temer. Se me permitiram ver este lugar, ver Montfort e sua capital, sou um homem morto. É só uma questão de tempo.
O ar é gelado, cortante contra meu rosto exposto. Meus calafrios são mais do que justificáveis. Ergo os olhos para o céu roxo, obscurecido antes do amanhecer, riscado pela luz de uma aurora distante que se ergue nos picos das montanhas. A neve continua nos cumes, mesmo no verão. Tento me orientar rapidamente.
A cidade de Ascendant chega até o vale lá embaixo, cobrindo as encostas de um lago alpino. Não se assemelha a nenhuma outra que eu já tenha visto, nem em Norta e nem mesmo em Lakeland. É um lugar novo, mas de certa forma parece antigo. Criado entre as árvores e as rochas, ao mesmo tempo parte desse terreno estranho e construído pela mão do homem. Mas a cidade em si não importa.
Nunca vou voltar aqui. Nem se fugir ou se me executarem. Voltar a Montfort está fora de cogitação.
Estamos perto de uma pista de pouso entre duas montanhas. O cheiro de combustível é forte em meio ao ar fresco. Vários jatos estão alinhados no pavimento, prontos para levantar voo. Estreito os olhos por cima dos guardas à minha volta, vislumbrando um palácio branco ao longe, no alto da capital. Deve ter sido para onde me levaram antes, quando me arrastaram diante daquele estranho conselho de vermelhos, prateados e sanguenovos.
Os rostos à minha volta são desconhecidos, seus uniformes igualmente divididos entre o verde de Montfort e o vermelho infernal da Guarda Escarlate. Fico preso aqui, sem conseguir fazer muita coisa além de me erguer na ponta dos pés para espiar a multidão.
E é definitivamente uma multidão. Dezenas de soldados e seus comandantes, organizados em fileiras perfeitas, esperam pacientemente pelos jatos. Mas em número muito menor do que eu esperava. Acham mesmo que isso é suficiente para atacar Archeon? Mesmo tendo os sanguenovos com suas habilidades estranhas e terríveis, seria burrice. Suicídio. Como fui perder para idiotas tão desvairados?
Alguém ri baixo perto de mim, e sou tomado pela sensação familiar de que sou o alvo das risadas. Viro abruptamente, encontrando o primeiro-ministro de Montfort em pessoa olhando por entre os ombros dos meus guardas.
Com um gesto dele, os dois soldados abrem espaço para que se aproxime. Para minha surpresa, ele está vestido como um soldado, sem nada de especial em seu uniforme verde-escuro. Sem medalhas ou honrarias no peito, nada que o marque como líder de todo um país. Não é de admirar que ele e Cal tenham se dado tão bem. Os dois são idiotas o bastante para lutar nas linhas de frente.
— Alguma coisa engraçada? — zombo, erguendo os olhos para ele.
O primeiro-ministro só faz que não. Assim como no conselho, mantém o rosto imóvel e quase inexpressivo, demonstrando emoções suficientes apenas para que o público faça suas próprias suposições.
Eu poderia parabenizá-lo pelo talento se me sentisse inclinado a isso.
Assim como eu, Davidson é um ator habilidoso. Mas sua performance é mal aproveitada. Eu enxergo a verdade.
— O que acontece quando isso acabar e os espólios tiverem que ser divididos? — Sorrio, o ar congelante contra meus dentes. — Quem vai pegar a coroa do meu irmão, Davidson?
O homem não hesita, aparentemente impassível, mas noto a contração minúscula de seus olhos.
— Olhe ao redor, Calore. Ninguém usa coroa no meu reino.
— Muito esperto — reflito. — Nem todas as coroas podem ser vistas.
Ele sorri, se recusando a morder a isca. Ou sua calma é extraordinária ou, de alguma forma, realmente não tem nenhuma sede de poder. Sei que é a primeira opção. Ninguém ignora a atração de um trono.
— Cumpra sua parte do acordo e vai ser rápido — ele diz, recuando. — Embarquem-no — acrescenta então, sua voz mais dura ao dar o comando.
Os guardas bem treinados se movem em harmonia. Se fechar os olhos, consigo fingir que são sentinelas. Meus próprios protetores prateados, que juraram me manter seguro, em vez desses ratos e traidores de seu sangue decididos a me manter acorrentado.
Pelo menos não se incomodam com algemas. Meus punhos permanecem livres. Sem braceletes, sem chama.
Sem faísca com a qual eu possa criar.
Por sorte, estamos viajando com uma garota elétrica.
Consigo encontrá-la enquanto sou guiado à frente, sobre a pista até o jato que espera mais adiante. Ela está reunida com a amiga, a tal de Farley, que foi facilmente enganada um ano atrás, assim como o outro eletricon, o homem de fios brancos. Cabelos estranhos devem ser moda em Montfort, porque há ainda uma mulher de cachos azuis e um homem com os fios verdes bem curtos.
Mare abre um sorriso sincero para eles. Quando se move, percebo que seu cabelo também está diferente. As pontas grisalhas se foram, substituídas por um lindo roxo que conheço bem. Ficou lindo.
Sinto um aperto no fundo do peito. Ela sobe no jato. Provavelmente para ficar de olho em mim. Para permitir que seu amigo torturador fique na minha cola durante todo o voo. Não tem problema. Posso suportar.
Algumas horas de medo valem o pouco tempo que ainda nos resta.
Nosso jato tem asas verde-escuras, um símbolo da frota de Montfort. Sou levado para dentro do avião militar, com bancos em volta e um compartimento inferior que acompanha toda a fuselagem. Para mais passageiros ou armas. Talvez ambos.
Sinto um gosto acre na boca quando me dou conta de que este jato foi construído por Montfort. Certamente não é o único. O estranho país montanhoso é mais bem equipado do que imaginávamos, mesmo depois de Corvium e de Harbor Bay. E está se mobilizando.
Enquanto sou amarrado no assento, com os cintos afivelados um milímetro apertados demais, entendo por que Davidson estava rindo.
Os jatos na pista, os soldados reunidos lá fora… É apenas o começo.
— Quantos milhares vocês estão levando para Archeon? — pergunto, mais alto que a movimentação do compartimento cada vez mais cheio.
Sou ignorado, e isso é resposta suficiente.
Do outro lado do jato, Mare assume seu assento, com Farley ao seu lado. A dupla me olha de soslaio, seus olhos duros como pedras, igualmente capazes de criar faíscas. Resisto ao impulso de provocá-las.
Então um corpo cruza minha visão, bloqueando as duas.
Solto um suspiro e ergo os olhos devagar.
Tão previsível.
— Vai tentar alguma coisa? — o eletricon de cabelo branco pergunta.
Fecho os olhos e me recosto.
— Não — respondo, fazendo o possível para esconder como é difícil respirar com o cinto infernal.
Ele não se move, nem quando o jato levanta voo.
Mantenho os olhos fechados e repasso meu plano precário.
De novo, e de novo, e de novo.

9 comentários:

  1. Respostas
    1. Né!!! Mas tem horas que o psicopata toma conta mesmo da cabeça quebrada dele... aí dá um nojinho de leve... Mas em outras ele é só mais um moleque apaixonado...

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    2. Pois é... Ainda mais agora, que podemos entender as coisas di ponto de vista dele, fia difícil, quase impossível, odia-lo...

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  2. Por mais canalha que o Maven tenha sido boa parte do tempo, eu ainda gosto dele, talvez mais que do Cal u.u

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  3. "Mare abre um sorriso sincero para eles. Quando se move, percebo que seu cabelo também está diferente. As pontas grisalhas se foram, substituídas por um lindo roxo que conheço bem. Ficou lindo."
    Sempre soube que ela ia pintar!!
    Sempre quis que ela pintasse o cabelo de roxo.
    Desde vários capítulos atrás eu fico tipo: "ela tem que pintar, pelo menos essas pontinhas cinzas do cabelo... Ela tem!! É tradição eletricon... Ela teeeem!!!"

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  4. As vezes me vem a cabeça que Marven é uma versão menos ruim de Sebastian/Jonathan Morgenstern. Porque vamos ser honestos, não existe vilão que chegue aos pés de Sebastian.

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  5. as vezes gosto mais do Maven do que do Cal, Maven apesar de ser um psicopata tem atitude, já o Cal nao sabe tomar as proprias decisões

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  6. Eu quero pegar o Maven, deitar ele no meu colo e fazer carinho.
    Quero por ele em um potinho e guarda-lo para sempre ♡♡

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