9 de junho de 2018

Capítulo 6

DE MANHÃ, PAPAI me leva para a escola, para eu pegar o ônibus fretado.
— Me ligue assim que estiver acomodada no quarto — diz ele enquanto estamos parados no sinal de trânsito perto da escola.
— Pode deixar.
— Você pegou os vinte dólares de emergência?
— Peguei.
Ontem à noite, papai me deu uma nota de vinte dólares para guardar no bolso secreto do casaco, só por precaução. Também estou com o cartão de crédito dele para gastar um pouco. A sra. Rothschild me emprestou um guarda-chuva pequenininho e um carregador portátil do celular.
Papai me olha de soslaio e suspira.
— Está tudo acontecendo tão rápido agora. Primeiro, seu passeio de último ano, depois o baile, depois a formatura. É só uma questão de tempo até você também sair de casa.
— Você ainda vai ter Kitty. Embora a gente saiba que ela não é um raio de sol. — Ele ri. — Se eu passar para a UVA, vou para casa toda hora, então “don’t you worry about a thing”. — Eu canto como ele cantou, imitando a voz de Stevie Wonder.

* * *

No ônibus, me sento ao lado de Peter, e Chris, com Lucas. Achei que seria difícil convencê-la a vir no passeio, e teria sido mesmo se a Disney houvesse ganhado. Mas ela também nunca foi a Nova York, então acabou sendo fácil.
Estamos na estrada há uma hora quando Peter faz todo mundo jogar Eu Nunca, e finjo estar dormindo. Nunca fiz muita coisa em relação a drogas e sexo, e é só disso que as pessoas querem falar. Por sorte, o jogo não dura muito, acho que porque é bem menos empolgante quando não tem bebida no meio. Quando estou abrindo os olhos, esticando os braços e “acordando”, Gabe sugere verdade ou consequência, e meu estômago despenca.
Desde o escândalo do meu vídeo com Peter no ofurô, ano passado, tenho certa vergonha do que as pessoas pensam que nós estamos fazendo ou deixando de fazer. Em termos de sexo, claro. E verdade ou consequência é muito pior do que Eu Nunca! Com quantas pessoas você já transou? Você já participou de um ménage? Quantas vezes por dia você se masturba? Esses são os tipos de pergunta que costumam fazer, e se alguém perguntasse para mim, eu teria que dizer que sou virgem, e, de várias formas, isso é mais bizarro do que qualquer outra resposta.
Normalmente, vou para a cozinha ou algum outro lugar quando começam a brincar disso nas festas. Mas não tenho para onde ir hoje, estamos em um ônibus e estou encurralada. Peter me olha achando graça. Ele sabe o que está passando pela minha cabeça. Diz que não liga para o que as pessoas pensam, mas sei que não é verdade. É só olhar para o passado dele para ver que Peter se importa muito com o que pensam dele.
— Verdade ou consequência? — pergunta Gabe para Lucas.
Lucas toma um gole de Vitaminwater.
— Verdade.
— Você já transou com um cara?
Meu corpo todo fica tenso. Lucas é gay, já saiu do armário, mas não tanto assim. Ele não quer ter que se explicar para as pessoas o tempo todo, e por que deveria fazer isso? Não é da conta de ninguém.
Há um momento de hesitação, e Lucas diz:
— Não. Isso é uma proposta?
Todo mundo ri e Lucas está com um sorrisinho no rosto quando toma outro gole, mas consigo ver a tensão no pescoço dele, nos ombros. Deve ser desgastante ter que ficar sempre a postos para esse tipo de pergunta, pronto para mudar de assunto, sorrir, rir e levar na brincadeira.
Comparado a isso, perguntarem sobre minha virgindade não parece ser tão importante. Mas eu ainda não quero ter que responder.
Torço para Lucas me escolher, porque sei que ele vai pegar leve comigo. Mas ele não deve reparar nos meus olhares de súplica, porque, em vez de me escolher, ele escolhe Genevieve, sentada algumas fileiras atrás, olhando para o celular. Ela está namorando um cara de outra escola que conheceu na igreja, então ninguém a vê muito agora. Eu soube por Chris que os pais de Genevieve se separaram e que o pai foi morar em um apartamento de luxo com a namorada. Chris disse que a mãe de Genevieve teve um colapso nervoso e precisou ser hospitalizada por alguns dias, mas as coisas estão melhores agora, o que me deixa feliz. Peter enviou narcisos para a mãe dela quando ela voltou para casa e ficamos pensando no que escrever no cartão. Acabamos decidindo por Melhoras, Wendy. Com amor, Peter. As flores foram ideia minha e ajudei a pagar por elas, mas claro que não assinei meu nome no cartão. Só fiz isso porque sempre gostei de Wendy; ela sempre foi legal comigo, desde que eu era pequena. Ainda sinto um nó de nervoso na barriga quando vejo Genevieve, mas não está tão ruim quanto era antes. Sei que nunca mais vamos ser amigas e já aceitei isso.
— Verdade ou consequência, Gen — diz Lucas.
Ela ergue o rosto e na mesma hora responde:
— Consequência.
Claro que Genevieve escolhe consequência. Ela é muitas coisas, mas não é covarde. Eu prefiro fazer qualquer coisa a responder uma pergunta sobre sexo, então é provável que escolha consequência também.
Lucas desafia Genevieve a se sentar ao lado do sr. Jain e apoiar a cabeça no ombro dele.
— Mas tem que parecer real — afirma Lucas.
Todo mundo morre de rir. Dá para ver que ela não quer fazer isso, mas Gen não é covarde.
Nós todos ficamos olhando enquanto ela anda pelo corredor e para na fila do sr. Jain. Ele é o novo professor de biologia, começou este ano. É jovem e bonito. Usa calça jeans skinny e camisas de botão para o trabalho. Genevieve se senta ao lado dele, e só consigo ver a parte de trás da cabeça dela enquanto conversam. Ele está sorrindo. Ela chega mais perto e apoia a cabeça no ombro dele, e ele pula como um gato assustado. Todo mundo ri, e o sr. Jain se vira e balança a cabeça para nós, aliviado por ser uma brincadeira.
Genevieve retorna, triunfante. Senta-se em seu lugar e olha ao redor. Nossos olhares se cruzam por um momento, e meu estômago despenca. Mas ela afasta o olhar.
— Verdade ou consequência, Chrissy.
— Esse jogo é tão bobo — reclama Chris. Gen só fica olhando para ela, as sobrancelhas erguidas em desafio, e, por fim, Chris revira os olhos. — Tanto faz. Verdade.
Quando elas se enfrentam assim, é impossível não perceber que são parentes: primas de primeiro grau pelo lado materno.
Genevieve leva um tempo pensando na pergunta, mas logo dá o golpe de misericórdia.
— Você brincou ou não brincou de médico com nosso primo Alex quando estávamos no fundamental? Não minta.
Todo mundo está batendo palmas e gritando, e o rosto de Chris fica bem vermelho. Lanço um olhar solidário a ela. Sei a resposta para essa pergunta.
— Verdade — murmura ela, e todo mundo grita.
Para a minha sorte, é nessa hora que o sr. Jain se levanta e coloca um DVD no aparelho, então o jogo acaba e minha vez não chega. Chris se vira e me diz em voz baixa:
— Você se safou.
— Sei bem disso — sussurro de volta, e Peter ri.
Ele pode rir quanto quiser, mas tenho certeza de que também está um pouco aliviado. Peter nunca disse nada, mas duvido que queira que todo o último ano saiba que ele e a namorada de um ano (ou mais, se contarmos nosso relacionamento falso) nunca transaram.

* * *

Quase ninguém da nossa turma esteve antes em Nova York, então estamos um pouco impressionados com tudo o que vemos. Acho que nunca estive em um lugar tão movimentado. É uma cidade com vida própria. Não consigo acreditar na quantidade de pessoas que vivem aqui, no quanto é lotada, no quanto todo mundo parece sofisticado. Todo mundo parece… gente da cidade. Exceto os turistas, claro. Chris tenta fazer cara de tédio, de quem não está nem aí pra nada, mas, ao chegarmos ao metrô para ir ao Empire State Building, ela não se segura no apoio e quase cai quando paramos de repente.
— É diferente de Washington — murmura ela.
Sem dúvida. Washington é a cidade grande mais próxima de Charlottesville, mas ainda é uma cidade pequena e pacata em comparação com Nova York. Tem tanta coisa para ver, tantas lojas que gostaria de visitar. Todo mundo está com pressa; todos têm planos e lugares onde estar. Uma senhora grita com Peter por andar enquanto digita no celular, o que faz todo mundo rir, e, pela primeira vez, Peter fica envergonhado. É tudo tão impressionante.
Quando chegamos ao Empire State, faço Peter tirar uma selfie comigo no elevador. No topo, me sinto meio tonta por causa da altura. A sra. Davenport manda eu me sentar com a cabeça entre os joelhos por uns minutos, e isso ajuda. Quando a náusea passa, eu me levanto e vou procurar Peter, que desapareceu durante meu momento de necessidade.
Quando dobro a esquina, escuto Peter gritando:
— Espere! Espere! Senhor!
Ele está indo atrás de um segurança, que se aproxima de uma mochila vermelha no chão.
O segurança se inclina e pega a mochila.
— Essa mochila é sua? — pergunta ele.
— Hã, é…
— Por que você a deixou no chão?
O homem abre o zíper, puxa um urso de pelúcia. Peter olha ao redor.
— Você pode colocar isso de volta na mochila? É meu convite de baile para a minha namorada. É para ser uma surpresa.
O segurança está balançando a cabeça. Ele resmunga alguma coisa e começa a olhar a mochila de novo.
— Senhor, por favor, aperte o urso.
— Eu não vou apertar o urso — retruca o segurança.
Peter estica a mão e aperta o urso, que diz: “Quer ir ao baile comigo, Lara Jean?” Eu coloco as mãos na boca, louca de alegria.
Com severidade, o segurança diz:
— Você está em Nova York, garoto. Não pode deixar uma mochila no chão para fazer um pedido.
— Não é um pedido, é um convite — corrige Peter, e o segurança olha de cara feia. — Desculpa. Posso pegar o urso de volta? — Ele me vê nessa hora. — Conte para ele que Sintonia de Amor é seu filme favorito, Lara Jean!
Eu corro até lá.
— Senhor, é meu filme favorito. Por favor, não o expulse.
O segurança está tentando não sorrir.
— Eu não ia expulsar ninguém — diz ele para mim. Para Peter, diz: — Mas preste mais atenção na próxima vez. Em Nova York, fique sempre alerta. Se vemos alguma coisa, nós dizemos, sacou? Isto aqui não é a cidadezinha de onde vocês vieram. Aqui é Nova York. Nós não estamos de brincadeira.
Peter e eu assentimos, e o segurança vai embora. Assim que se afasta, Peter e eu nos olhamos e caímos na gargalhada.
— Alguém avisou aos seguranças sobre minha mochila! Merda, ferrou meu convite.
Pego o ursinho na mochila e o abraço contra o peito. Estou tão feliz que nem digo para ele não falar palavrão.
— Eu adorei.
— Você ia dobrar a esquina e ver a mochila perto dos telescópios. Ia pegar o urso, apertar e…
— Como eu ia saber que tinha que apertar?
Peter tira um pedaço de papel amassado da mochila. Está escrito Me aperte.
— Caiu quando o segurança estava mexendo na mochila. Está vendo? Eu pensei em tudo.
Em tudo, menos nas consequências de deixar uma bolsa largada em um lugar público em Nova York, mas o que vale é a intenção! E a intenção foi muito fofa. Eu aperto o urso, e de novo ele diz: “Quer ir ao baile comigo, Lara Jean?”
— Quero sim, Howard.
Howard é o nome do ursinho de Sintonia de Amor, é claro.
— Por que você está dizendo sim para ele e não para mim? — pergunta Peter.
— Porque foi ele quem me perguntou. — E ergo as sobrancelhas para ele, esperando.
Revirando os olhos, Peter murmura:
— Lara Jean, quer ir ao baile comigo? Caramba, você é muito exigente.
Eu estico o urso para ele.
— Eu quero, mas primeiro beije Howard.
— Covey. Não. Merda, não.
— Por favor! — Olho para ele suplicante. — Como no filme, Peter.
Resmungando, ele beija, na frente de todo mundo, e é assim que sei que Peter é inteira e totalmente meu.

* * *

— O que você acha? — sussurra Peter para mim no ônibus a caminho do hotel em Nova Jersey. — Devemos sair escondidos depois da contagem e vir para a cidade?
Ele está brincando — sabe que não sou do tipo que sai escondida em um passeio da escola —, por isso arregala os olhos quando eu respondo:
— E como a gente ia chegar à cidade? Os táxis vão de Nova Jersey para Nova York? — Não consigo nem acreditar que estou avaliando a possibilidade. É tão incomum para mim. Na mesma hora, acrescento: — Não, não, deixa pra lá. Nós não podemos. Nós íamos nos perder, ser roubados e depois mandados para casa, e eu ficaria morrendo de raiva por não ter conhecido o Central Park e todo o resto.
Peter me olha em dúvida.
— Você acha mesmo que Jain e Davenport nos mandariam para casa?
— Talvez não, mas eles nos fariam ficar no hotel o dia todo como punição, o que é ainda pior. Não podemos correr esse risco. — Depois: — O que faríamos? — Estou brincando de fingir agora, não planejando nada, mas Peter me acompanha.
— Poderíamos ouvir música ao vivo ou ir a um show de comédia. Às vezes, comediantes famosos fazem apresentações surpresa.
— Eu queria que a gente pudesse ver Hamilton.
Quando passamos pela Times Square, Lucas e eu inclinamos a cabeça para tentar vislumbrar a marquise com o cartaz de Hamilton, mas não conseguimos ver nada.
— Amanhã quero comer um bagel de Nova York e ver se é tão bom quanto o bagel do Bodo’s. — Bodo’s Bagels é um lugar famoso em Charlottesville e temos muito orgulho dos bagels de lá.
Coloco a cabeça no ombro dele e bocejo.
— Queria que a gente pudesse ir à Levain Bakery, para eu poder experimentar os cookies de lá. Dizem que são melhores que qualquer outro cookie com gotas de chocolate que você já tenha comido. Eu também quero ir à loja de chocolate de Jacques Torres. O cookie com gotas de chocolate dele é incrível, sabe? É realmente lendário…
Meus olhos se fecham, e Peter acaricia meu cabelo. Estou começando a adormecer quando percebo que ele está desfazendo as tranças estilo tiara que Kitty fez na minha cabeça. Abro os olhos.
— Peter!
— Shh, volte a dormir. Quero treinar.
— Você nunca vai deixar do jeito que ela fez.
— Só quero tentar — diz ele, juntando grampos na palma da mão.
Quando chegamos ao hotel em Nova Jersey, apesar dos esforços dele, minhas tranças estão irregulares, frouxas e não ficam no lugar.
— Vou mandar uma foto para Kitty ver que péssimo aluno você é — digo enquanto reúno minhas coisas.
— Não faça isso — diz Peter na mesma hora, o que me faz sorrir.

* * *

O dia seguinte parece de primavera, apesar de estarmos em março. O sol está brilhando e as flores começam a desabrochar. Parece que estou em Mensagem para Você, quando Kathleen Kelly vai encontrar Joe Fox no Riverside Park. Eu adoraria ver o jardim onde eles se beijam no final do filme, mas nosso guia nos leva até o Central Park. Chris e eu estamos tirando fotos do mosaico de Imagine em Strawberry Fields quando percebo que Peter não está por perto.
Pergunto a Gabe e Darrell, mas os dois não o viram. Mando uma mensagem, mas ele não responde. Estamos prestes a ir para Sheep Meadow fazer um piquenique e começo a entrar em pânico: e se o sr. Jain ou a sra. Davenport repararem que Peter não está aqui? Ele chega correndo na hora que estamos saindo. Não está nem um pouco sem fôlego e nem um pouco preocupado de quase ter sido deixado para trás.
— Onde você estava? — pergunto. — Nós quase fomos embora!
Com expressão triunfante, ele mostra um saco de papel pardo.
— Abra e veja.
Eu pego o saco da mão dele e olho dentro. É um cookie com gotas de chocolate da Levain, ainda quente.
— Ah, meu Deus, Peter! Você é tão atencioso. — Eu fico nas pontas dos pés e o abraço, depois me viro para Chris. — Ele é muito atencioso, não é, Chris?
Peter é fofo, mas nunca tão fofo. São duas coisas românticas seguidas, então acho que devo elogiá-lo, porque ele reage muito bem a reforço positivo.
Ela já está com a mão dentro do saco e enfia um pedaço de cookie na boca.
— Muito atencioso. — Chris tenta pegar outro pedaço, mas Peter tira o saco de perto dela.
— Caramba, Chris! Deixe a Covey comer antes de você devorar o troço inteiro.
— Então por que você só comprou um?
— Porque é gigante! E custou uns cinco dólares.
— Não consigo acreditar que você saiu para comprar isso só para mim — digo. — Você não teve medo de se perder?
— Não — afirma ele, todo orgulhoso. — Eu olhei no Google Maps e saí sem ninguém perceber. Fiquei um pouco perdido quando voltei para o parque, mas me ajudaram a encontrar este lugar. Os nova-iorquinos são muito simpáticos. Aquele papo todo de eles serem grosseiros deve ser mentira.
— É verdade. Todo mundo que nós conhecemos foi gentil. Menos aquela senhora que gritou com você por andar digitando no celular — diz Chris, rindo de Peter, que faz cara feia para ela.
Dou uma mordida grande no biscoito. O cookie Levain está mais para um scone, denso e massudo. Pesado também. Não é de forma nenhuma parecido com nenhum cookie com gotas de chocolate que eu já tenha provado.
— E aí? — pergunta Peter. — Qual é o veredito?
— É único. Não há nada igual. — Estou dando outra mordida quando a sra. Davenport se aproxima e nos apressa, olhando o cookie na minha mão.
Nosso guia está carregando uma imitação da tocha da Estátua da Liberdade para nos guiar pelo parque. É bem constrangedor, e queria que pudéssemos ir cada um para o seu lado explorar a cidade, mas não. Ele usa rabo de cavalo e um colete cáqui, e o acho meio brega, mas a sra. Davenport parece gostar dele. Depois do Central Park, pegamos o metrô para o centro e atravessamos a ponte do Brooklyn. Enquanto todo mundo está na fila para tomar sorvete no Brooklyn Ice Cream Factory, Peter e eu corremos até a loja de chocolates Jacques Torres. Foi ideia de Peter. Claro que peço permissão à sra. Davenport. Ela está ocupada falando com o guia, então nos dispensa. Eu me sinto tão crescida andando pelas ruas de Nova York sem estar acompanhada por um adulto.
Quando chegamos à loja, estou tão empolgada que chego a tremer. Finalmente vou experimentar o famoso cookie com gotas de chocolate do Jacques. Dou uma mordida. O biscoito é fino, massudo, denso. O chocolate se acumulou em cima e endureceu! A manteiga e o açúcar estão quase caramelizados. É o paraíso.
— O seu é melhor — diz Peter, a boca grosseiramente cheia, e eu o mando ficar quieto e olho em volta para ver se a garota na caixa registradora ouviu.
— Pare de mentir.
— Não estou mentindo!
Ele está.
— Só não sei por que os meus não são como os dele.
— Devem ser os fornos industriais.
Parece que vou ter que aceitar meu cookie com gotas de chocolate não tão perfeito e ficar contente com isso.
Quando saímos porta afora, reparo em uma confeitaria do outro lado da rua chamada Almondine e em outra na esquina seguinte chamada One Girl Cookies. Nova York é mesmo uma cidade que ama confeitaria.
Peter e eu voltamos para a sorveteria de mãos dadas. Todos estão no píer, sentados em bancos, tomando sorvete, tirando selfies com os prédios de Manhattan atrás. Nova York continua a me surpreender com sua beleza.
Peter deve estar pensando a mesma coisa, porque aperta minha mão e diz:
— Esta cidade é incrível.
— É mesmo.

* * *

Estou dormindo profundamente quando ouço uma batida na porta. Acordo assustada. Ainda está escuro lá fora. Na cama do lado oposto do quarto, Chris nem se mexe.
Ouço a voz de Peter do outro lado da porta.
— Ei, Covey, sou eu. Quer ir ver o nascer do sol no telhado comigo?
Eu saio da cama e abro a porta, e ali está Peter, com um moletom da UVA, segurando um copo de isopor com café e outro com um saquinho de chá pendurado pela lateral.
— Que horas são?
— Cinco e meia. Vamos logo, pegue o casaco.
— Certo, preciso de uns minutos — sussurro. Corro até o banheiro, escovo os dentes e procuro o casaco na escuridão. — Não consigo achar meu casaco!
— Pode botar meu moletom — oferece Peter da porta.
De debaixo do cobertor, Chris resmunga:
— Se vocês não calarem a boca, eu juro por Deus…
— Desculpa. Quer ver o nascer do sol com a gente?
Peter me lança um olhar emburrado, mas a cabeça de Chris ainda está debaixo do cobertor, então ela não vê.
— Não. Vai logo!
— Desculpa, desculpa. — E saio correndo pela porta.
Pegamos o elevador até o alto, e ainda está escuro lá fora, mas já começa a clarear. A cidade está acordando. Na mesma hora, Peter tira o moletom, eu levanto os braços e ele o veste em mim. Está quente e tem cheiro do sabão em pó que a mãe dele usa.
Peter se inclina no parapeito e olha para a cidade do outro lado do rio.
— Você consegue nos imaginar morando aqui depois da faculdade? A gente podia morar em um arranha-céu. Com porteiro. E academia.
— Eu não quero morar em um arranha-céu. Quero morar em uma casinha de tijolos marrons em West Village. Perto de uma livraria.
— A gente dá um jeito — diz ele.
Eu também me inclino no parapeito. Jamais teria me imaginado morando em Nova York.
Antes de vir para cá, parecia um lugar tão intimidante, para pessoas fortes que não têm medo de se meter em uma briga com alguém no metrô, ou para homens de terno que trabalham em Wall Street, ou para artistas que moram em estúdios no SoHo. Mas agora que estou aqui, não dá tanto medo, não com Peter ao meu lado. Dou uma espiada nele. É assim que acontece? Você se apaixona e nada mais parece assustador, e a vida é apenas uma grande possibilidade?

17 comentários:

  1. Asuhauahauah segurança estraga prazer 😂😂😂🌚 Q SONHO morar em NY🚕🚕🚖

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  2. Que estranho, eu podia jurar que eles tinham transado no final do segundo livro

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  3. Ainda bem q ela se presa mas com o Peter vale né hrhehecwvv

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  4. Own...Lara Jean é muito romântica!
    Lindos😝❤❤❤😍

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  5. O Peter realmente quer aprender a fazer trança, qe fofo 😊 Queria qe minha namorada aprendesse tbm pra fazer em mim, mas ela se recusa. Vou mostrar pra ela, pra se inspirar no Peter haha

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  6. Que capítulo perfeito, Peter empenhado em fazer trança,indo atrás de cookis, levando Lara pra ver o nascer do sol, ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh isso tudo é muito lindo ❤️

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  7. Peter é fofo gente , não tem como não amar ❤️

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  8. Aaaain gente...o Peter não existe😍
    Amo demais esses dois.
    Essa trilogia já entrou pra minha lista de preferidas😌👌💕

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  9. Linnnnnnndo, meu Deus, que história mais encantadora, apaixonada 😍😍

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  10. Só eu que li Brooklyn e lembrei de Clary e Jace?

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  11. Aí gente não sei se amo mais o casal peter e para jean ou clary e jace. Amo os dois do mesmo jeito❤❤❤

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  12. Tá dando tudo muito certo... Acho que vem merda por aí...

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Boa leitura, E SEM SPOILER!