9 de junho de 2018

Capítulo 5

É QUINTA-FEIRA, DIA do personagem, o dia pelo qual eu mais esperava na semana. Peter e eu passamos horas repassando isso. Insisti muito para irmos de Alexander Hamilton e Elisa Schuyler, mas tive que desistir quando me dei conta de quanto seria caro alugar roupas coloniais tão em cima da hora. Acho que fantasias de casal talvez sejam minha parte favorita de ter namorado. Fora os beijos, as caronas e o próprio Peter.
Ele queria ir de Homem-Aranha e que eu colocasse uma peruca ruiva e fosse Mary Jane Watson, mais porque ele já tinha a fantasia… e, como ele está em ótima forma por causa do lacrosse, por que não dar às pessoas o que elas querem? Palavras dele, não minhas.
No final, decidimos ir de Tyler Durden e Marla Singer de Clube da Luta. Na verdade, foi ideia da minha melhor amiga, Chris. Ela, Kitty e eu estávamos assistindo a esse filme na minha casa e Chris disse: “Você e Kavinsky podiam ir como esses malucos.” Ela falou que iria chocar bastante as pessoas, ao menos no meu caso. A princípio, eu rejeitei a ideia, porque Marla não é oriental e prefiro usar fantasias de personagens orientais, mas a mãe de Peter arrumou uma jaqueta vermelha de couro em uma venda de garagem e tudo começou a se encaminhar nessa direção. Quanto à minha fantasia, a sra. Rothschild vai me emprestar coisas dela, porque ela era jovem nos anos 1990.
Hoje de manhã, a sra. Rothschild vem para cá antes do trabalho para me ajudar a me arrumar. Estou sentada à mesa da cozinha com o vestido preto dela, um casaco de pele falso e uma peruca, que Kitty está adorando bagunçar para deixar com aquele visual maluco de quem acabou de acordar. Fico batendo em suas mãos, cheias de mousse, e ela fica dizendo:
— Mas é o visual.
— Você tem sorte de eu ter mania de guardar as coisas — diz a sra. Rothschild, tomando café no copo térmico. Ela enfia a mão na bolsa e joga para mim um par de sapatos de plataforma bem altos. — Quando eu tinha vinte e poucos anos, o Halloween era minha festa favorita. Eu era a rainha da fantasia. É sua vez de carregar a coroa agora, Lara Jean.
— Você ainda pode ser a rainha.
— Não, usar fantasias é coisa de gente jovem. Se eu usasse uma fantasia sexy de Sherlock Holmes agora, ficaria com cara de desesperada. — Ela ajeita minha peruca. — Mas tudo bem. Minha época passou. — Para Kitty, ela diz: — O que você acha? Mais sombra metálica?
— Não vamos exagerar — digo. — Ainda é a escola.
— O sentido de se fantasiar é exagerar — diz a sra. Rothschild com animação. — Tire muitas fotos quando chegar à escola. Me mande algumas para eu poder mostrar para os meus amigos do trabalho. Eles vão se divertir com… Nossa, falando em trabalho, que horas são?
A sra. Rothschild está sempre atrasada, uma coisa que deixa papai louco, porque ele está sempre dez minutos adiantado. E ela não muda!
Quando Peter vai me buscar, eu corro para fora de casa, abro a porta do carona e dou um berro quando o vejo. Ele está louro!
— Ah, meu Deus! — grito, tocando no cabelo dele. — Você descoloriu?
Ele dá um sorriso satisfeito consigo mesmo.
— É spray. Minha mãe que encontrou. Posso usar de novo quando fizermos Romeu e Julieta no Halloween. — Ele está olhando minha roupa. — Gostei dos sapatos. São sexy.
Posso sentir minhas bochechas ficando quentes.
— Para com isso.
Quando ele dá ré no carro, olha para mim de novo e diz:
— Mas é verdade.
Dou um empurrão nele.
— Só espero que as pessoas saibam quem eu sou.
— Pode deixar comigo — garante ele.
E ele cuida mesmo disso. Quando entramos no corredor dos formandos, Peter coloca alto no celular a música “Where Is My Mind?”, do Pixies, e as pessoas chegam a bater palmas para nós. Ninguém pergunta se sou um personagem de mangá.

* * *

Depois da aula, Peter e eu estamos deitados no sofá, seus pés sobrando na ponta. Ele ainda está de fantasia, mas eu coloquei roupas comuns.
— Você sempre usa as meias mais fofas — diz ele, levantando meu pé direito. As de agora são cinza com bolinhas brancas e carinhas amarelas de urso.
— Minha tia-avó manda da Coreia — digo com orgulho. — Eles têm as coisas mais fofas lá, sabe.
— Você pode pedir para ela me mandar algumas? Não de ursinhos, mas talvez de tigres. Tigres são másculos.
— Seus pés são grandes demais para meias fofas assim. Seus dedos iriam abrir um buraco na frente. Quer saber, aposto que consigo arrumar meias que cabem em você no… hum, no zoológico. — Peter se senta e começa a fazer cócegas em mim. Eu digo: — Aposto que os… pandas ou gorilas têm que… ficar com os pés quentinhos… no inverno. Talvez também exista algum tipo de meia com tecnologia desodorante. — Eu caio na gargalhada. — Pare… pare de fazer cócegas!
— Então pare de falar mal dos meus pés!
Estou com a mão enfiada embaixo do braço dele, desesperadamente tentando fazer cócegas. Mas, ao fazer isso, fiquei vulnerável a mais ataques.
— Tudo bem, tudo bem, trégua! — grito.
Ele para, e eu finjo parar, mas faço cócegas debaixo de seu braço de novo, e ele solta um gritinho agudo que não soa como Peter.
— Você pediu trégua! — acusa ele. Nós dois assentimos e nos deitamos, sem fôlego. — Você acha mesmo que meus pés fedem?
Eu não acho. Adoro seu cheiro depois de um jogo de lacrosse, de suor e grama e de Peter. Mas também adoro implicar com ele, ver a expressão insegura e irritada em seu rosto só por um momento.
— Bom, quer dizer, nos dias de jogo… — falo.
Peter me ataca de novo e começamos a lutar, rindo. Nessa hora, Kitty entra na sala segurando uma bandeja com um sanduíche de queijo e um copo de suco de laranja.
— Vão lá para cima — diz ela, se sentando no chão. — Isso aqui é uma área pública.
Eu me desenrosco de Peter e olho de cara feia para ela.
— Nós não estamos fazendo nada de mais, Katherine.
— Sua irmã disse que eu tenho chulé — diz Peter, apontando para Kitty com o pé. — Ela está mentindo, não está?
Ela o empurra com o cotovelo.
— Não vou cheirar seu pé. — Ela estremece. — Vocês são uns pervertidos.
Eu dou um gritinho e jogo uma almofada nela.
Ela arfa.
— Você tem sorte de não ter derrubado meu suco! Papai vai matar você se estragar o tapete de novo. — Enfaticamente, ela diz: — Lembra o incidente com o removedor de esmalte?
Peter bagunça meu cabelo.
— Lara Jean, a desastrada.
Eu o empurro para longe.
— Eu não sou desastrada. Foi você que tropeçou nos próprios pés tentando alcançar a pizza outro dia na casa de Gabe.
Kitty começa a rir, e Peter joga uma almofada nela.
— Vocês precisam parar de fazer complô contra mim! — grita ele.
— Você vai ficar para o jantar? — pergunta ela quando as risadas passam.
— Não posso. Minha mãe vai fazer bife à milanesa.
Os olhos de Kitty se arregalam.
— Que sorte. Lara Jean, o que vamos comer?
— Botei alguns peitos de frango para descongelar — falo. Ela faz uma careta, e acrescento: — Se você não gosta, pode aprender a cozinhar. Não vou estar aqui para preparar o jantar quando for para a faculdade, sabe.
— Duvido. Acho que você vai vir aqui todas as noites. — Ela se vira para Peter. — Posso ir jantar na sua casa?
— Claro. Vocês duas podem ir.
Kitty começa a comemorar, mas eu a mando parar.
— Nós não podemos, porque aí papai teria que comer sozinho. A sra. Rothschild tem aula de SoulCycle hoje.
Ela dá uma mordida no sanduíche de queijo.
— Vou fazer outro sanduíche, então. Não quero comer frango velho com gosto de geladeira.
Eu me sento de repente.
— Kitty, eu preparo outra coisa se você fizer uma trança no meu cabelo amanhã de manhã. Quero alguma coisa especial para ir a Nova York. — Eu nunca fui a Nova York. Nas nossas últimas férias de família, fizemos uma votação e eu escolhi Nova York, mas fui vencida pelo México. Kitty queria comer tacos de peixe e nadar no mar e Margot queria ver ruínas maias e aproveitar para melhorar o espanhol. No final, fiquei feliz de ter perdido a votação. Foi a primeira vez que Kitty e eu saímos do país. Eu nunca tinha visto água tão azul.
— Faço uma trança no seu cabelo só se sobrar tempo depois de eu fazer a minha — diz Kitty, e é o melhor que posso esperar, acho. Ela é boa demais com penteados.
— Quem vai fazer tranças no meu cabelo quando eu estiver na faculdade?
— Eu — diz Peter, pura confiança.
— Você não sabe — debocho.
— Ela me ensina. Não ensina, garota?
— Por um preço — responde Kitty.
Eles negociam até decidirem que Peter vai levar Kitty e as amigas ao cinema no sábado à tarde. E é assim que eu acabo sentada no chão de pernas cruzadas, com Peter e Kitty sentados no sofá atrás, ela demonstrando como se faz uma trança embutida e Peter gravando no celular.
— Agora você — diz ela.
Ele perde mechas toda hora e fica frustrado.
— Você tem muito cabelo, Lara Jean.
— Se você não consegue a embutida, vou ensinar uma mais básica — diz Kitty, e é impossível não notar o desdém na voz dela.
Peter também percebe.
— Não, eu vou aprender. Só me dá um segundo. Se Lara Jean gosta dos meus beijos, vai gostar também das minhas tranças. — Ele pisca para mim.
Kitty e eu gritamos com ele por causa disso.
— Não fale assim na frente da minha irmã! — grito, empurrando o peito dele.
— Eu estava brincando!
— Além do mais, você não beija tão bem. — Mas ele beija, sim.
Peter me olha com cara de Quem você está querendo enganar?, e eu dou de ombros, porque quem eu quero enganar?

* * *

Mais tarde, estou acompanhando Peter até o carro quando ele para na frente da porta do carona e pergunta:
— Quantos caras você beijou?
— Só três. Você, John Ambrose McClaren… — falo o nome dele rápido, como quem tira um Band-Aid, mas Peter ainda tem tempo de fazer cara feia. — E o primo de Allie Feldman.
— O garoto estrábico?
— É. O nome dele era Ross. Eu achava ele fofo. Foi em uma festa do pijama na casa da Allie. Eu o beijei por causa de um jogo de verdade ou consequência. Mas eu queria.
Ele me olha, pensativo.
— Então eu, John e o primo da Allie.
— Aham.
— Você está esquecendo uma pessoa, Covey.
— Quem?
— Sanderson!
Eu balanço a mão.
— Ah, isso não conta.
— O primo de Allie Feldman que você beijou por causa de um jogo de verdade ou consequência conta, mas Josh não, com quem você tecnicamente me traiu? — Peter balança o dedo para mim. — Hã-hã. Discordo.
Eu o empurro.
— Nós não estávamos juntos na época e você sabe disso!
— Isso é só um detalhe, mas tudo bem. — Ele me olha de soslaio. — Seu número é maior do que o meu. Eu só beijei Gen, Jamila e você.
— E a garota que você conheceu em Myrtle Beach com seus primos? Angelina?
Uma expressão estranha surge no rosto dele.
— Ah, é. Como você soube disso?
— Você se gabou para todo mundo! — Foi no verão antes do sétimo ano. Eu lembro que Genevieve ficou louca porque outra garota beijou Peter antes dela. Nós tentamos encontrar Angelina na internet, mas não tínhamos muitas informações. Só o nome dela. — Então você beijou quatro garotas, e fez bem mais coisas com elas do que beijar, Peter.
— Tá, deixa pra lá.
Agora eu estava empolgada.
— Você é o único garoto que eu beijei pra valer. E foi o primeiro. Primeiro beijo, primeiro namorado, primeiro tudo! Você é o primeiro em tantas coisas para mim, mas não sou nada disso para você.
— Na verdade, não é bem assim — diz ele timidamente.
Eu estreito os olhos.
— O que você quer dizer?
— Não existiu garota nenhuma na praia. Eu inventei a história.
— Não existiu nenhuma Angelina peituda?
— Eu nunca disse que ela era peituda!
— Disse, sim. Disse para Trevor.
— Tá, tudo bem! Caramba. Aliás, você não está entendendo o que eu quero dizer.
— O que você quer dizer, Peter?
Ele pigarreia.
— Naquele dia, no porão de McClaren. Meu primeiro beijo também foi com você.
De repente, eu paro de rir.
— Foi?
— Foi.
Fico olhando para ele.
— Por que você nunca me contou?
— Sei lá. Acho que esqueci. E é constrangedor eu ter inventado uma garota. Não conta pra ninguém!
Sou tomada por um sentimento de assombro que parece se espalhar pelo meu corpo. Então o primeiro beijo de Peter Kavinsky foi comigo. Que perfeito! Que maravilhoso!
Eu jogo os braços em volta dele e levanto o queixo com expectativa, esperando meu beijo de boa-noite. Ele esfrega o rosto no meu e fico feliz por ele ter bochechas lisas e quase não precisar se barbear. Fecho os olhos, inspiro o aroma dele e espero meu beijo. E ele dá um beijinho casto na minha testa.
— Boa noite, Covey.
Meus olhos se abrem.
— Só isso?
Com arrogância, ele diz:
— Você disse antes que eu não beijo bem, lembra?
— Eu estava brincando!
Ele pisca para mim e entra no carro. Eu o vejo ir embora. Mesmo depois de um ano inteiro juntos, tudo ainda parece tão novo. Amar um garoto, ser amada por ele. Parece um pouco como um milagre.
Não entro em casa imediatamente. Só para o caso de ele voltar. Com as mãos nos quadris, espero vinte segundos até me virar, e é nessa hora que o carro volta pela rua e para na frente da minha casa. Peter coloca a cabeça para fora da janela.
— Tudo bem, vai — grita ele. — Vamos treinar.
Eu corro até o carro, puxo-o pela camiseta e viro o rosto para ele, mas então o empurro de volta e corro de costas, rindo e com o cabelo voando na cara.
— Covey!
— É isso que você ganha! — grito com alegria. — Vejo você no ônibus amanhã!

* * *

Naquela noite, quando estamos no banheiro escovando os dentes, eu pergunto a Kitty:
— Em uma escala de um a dez, quanto você vai sentir a minha falta quando eu for para a faculdade? Seja sincera.
— É cedo demais para esse tipo de conversa — diz ela, passando água na escova de dentes.
— Responda.
— Quatro.
— Quatro! Você disse seis e meio para Margot quando ela foi embora!
Kitty balança a cabeça para mim.
— Lara Jean, por que você tem que se lembrar de cada coisinha? Não é saudável.
— O mínimo que você pode fazer é fingir que vai sentir a minha falta! — explodo. — É a coisa gentil a se fazer.
— Margot estava indo para o outro lado do mundo. Você vai para quinze minutos daqui, então não vou nem ter oportunidade de sentir sua falta.
— Mesmo assim.
Ela coloca as mãos no peito.
— Tá. Que tal isto? Vou sentir tanto a sua falta que vou chorar todas as noites!
Eu abro um sorriso.
— Assim está melhor.
— Vou sentir tanto a sua falta que vou querer cortar os pulsos! — Ela ri como uma louca.
— Katherine. Não fale assim!
— Então pare de tentar arrancar elogios — diz ela, e vai para a cama enquanto arrumo minha nécessaire para a viagem a Nova York amanhã.
Se eu entrar na UVA, acho que vou deixar algumas maquiagens, cremes e pentes em casa, para não ter que ficar carregando tudo de um lado para outro. Margot teve que pensar bem no que levaria para Saint Andrews, porque a Escócia é muito longe e ela não pode vir para casa com frequência. Acho que vou só levar as coisas para o outono e para o inverno e deixar as roupas de verão em casa, depois troco conforme as estações mudarem.

18 comentários:

  1. POOOXXXAAA pq eu n tenho um Peter tbm caramba

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    1. aaaaah por que eu tambem não tenho, eu queria um Peter ou um Josh, até o Jonh kkkkkkkkkkkkkkkk Lara Jean é muito sortuda, e muito meiga, ela merece
      ass SLS

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  2. Peter e Lara Jean
    FOFOS
    ASS: Janielli

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  3. Só amanhã. Tipo assim fbsdggdgAw cadê meu Peter para mim fazer isso???!!!!_:-1°

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  4. Só eu que amo ela com o Peter mas quero que eles terminem pra ela ficar com o John?

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    1. Exatamente! John é tãooo amorzinho <3

      -A. Nanda

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    2. AAAAA EU TAMBÉM

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    3. AHHHHHH JOHN TA NO MEU CORAÇÃO GUARDADO EM UM POTINHO ❤

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  5. A Kitty é tao madura, tão esperta, tão maravilhosa!!
    Queria ter uma irmã como ela. *-*

    Ownttt o primeiro beijo dele também foi com ela! (Vomitando arco- íris) ❤
    A.D.R

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  6. eu amo quando o Peter chama ela de Covey, ele é tao fofo aaaaa

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  7. O primeiro beijo dele tbm foi com ela💙💕

    #Drii 😻

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  8. Eu quero um Peter pra mim !

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  9. Ai adoro ler esse tipo de livro só pra sofrer sabendo que algo do tipo não vai acontecer CMG na vida real

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  10. Espero que o Josh apareça um pouco mais nesse filme, sdds dele e do John também

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  11. Espero que o Josh apareça um pouco mais nesse livro, sdds dele e do John também

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Boa leitura, E SEM SPOILER!