20 de junho de 2018

Capítulo 42

Gansey acordou no meio da noite e se deparou com a lua inteira sobre seu rosto.
Então, quando abriu os olhos de novo, despertando de verdade, percebeu que não era a lua — as poucas luzes de Henrietta refletiam um roxo fosco por causa de uma faixa de nuvens baixa, e as janelas estavam salpicadas com gotas de chuva.
Não havia lua, mas algo como uma luz o havia acordado. Ele achou que tinha ouvido a voz de Noah ao longe. Os pelos dos braços se arrepiaram devagar.
— Não consigo te entender — ele sussurrou. — Desculpe. Você pode falar mais alto, Noah?
Os pelos da nuca também se arrepiaram. Uma nuvem de respiração perdurou na frente da boca, no ar subitamente frio.
A voz de Noah disse:
— Adam.
Gansey pulou da cama, mas era tarde demais. Adam não estava no antigo quarto de Noah. Suas coisas estavam espalhadas. Ele havia feito as malas, havia partido. Mas não — suas roupas tinham ficado para trás. Adam não pensara em partir para sempre.
— Ronan, levante — disse Gansey, escancarando a porta do quarto dele. Sem esperar por resposta, foi até a escada e, da plataforma, olhou pela janela quebrada que dava para o estacionamento. A chuva caía como uma garoa, um spray fino que fazia halos em torno das luzes de casas distantes. De certa maneira, Gansey já sabia o que encontraria, mas mesmo assim a realidade foi um choque. O Camaro não estava no estacionamento. Era mais fácil para Adam fazer uma ligação direta no Camaro do que no BMW de Ronan. Provavelmente o que acordara Gansey fora o ronco do motor, a luz do luar meramente uma memória.
— Gansey, cara, o que foi? — perguntou Ronan, parado no vão da porta, coçando a parte de trás da cabeça.
Gansey não queria dizer. Ele tinha medo de que, se dissesse em voz alta, aquilo se tornasse real, palpável, verdadeiro. Não teria sido um problema se fosse Ronan; esse era o tipo de coisa que ele esperaria de Ronan. Mas era Adam. Adam.
Eu disse para ele, não disse? Eu disse que a gente devia esperar. Ele me entendeu muito bem.
Gansey tentou várias formas de pensar na situação, mas não havia nada que a retratasse de uma maneira que doesse menos. Algo continuava se dilacerando dentro dele.
— O que está acontecendo? — O tom da voz de Ronan havia mudado. Não havia mais nada a fazer a não ser dizê-lo.
— O Adam foi despertar a linha ley.

2 comentários:

  1. Não basta ser surdo do ouvido esquerdo, o menino quer terminar o serviço que o pai começou

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  2. Isto provavelmente era bem necessário para a história, mas sério Adam? Aceitar a ajuda de um amigo é assim tão insuportável?

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Boa leitura, E SEM SPOILER!