26 de junho de 2018

Capítulo 38

Após a festa ter se reduzido a nada, Gansey se esgueirou pela escada dos fundos, evitando a sua família. Ele não sabia onde estava Adam — ele ia ficar no antigo quarto de Gansey, uma vez que os convidados de sua mãe ocupariam todos os outros — e não saiu à sua procura. Gansey ia dormir no sofá, mas não haveria sono para ele aquela noite. Então ele saiu silenciosamente para o jardim dos fundos.
Com um suspiro, ele se sentou na beira da fonte de concreto. As nuances e maravilhas do jardim inglês eram muitas, mas a maioria se perdia após o cair da noite. O ar estava denso com a fragrância de buxo, gardênias e comida chinesa. As únicas flores que ele conseguia ver eram brancas e modorrentas.
Ele sentia a alma escoriada e machucada dentro de si.
O que ele precisava era dormir, para que aquele dia terminasse e ele pudesse começar um novo. O que ele precisava era desligar suas recordações, para parar de repassar a briga com Adam.
Ele me odeia.
O que Gansey queria era estar em casa, e sua casa não era ali.
Ele estava fragilizado demais para considerar o que era sensato e o que não era.
Ele ligou para Blue.
— Alô?
Ele apertou os olhos fechados. Só o som da voz dela, o sossego de Henrietta nela, o fez se sentir desestabilizado e aos pedaços.
— Alô? — ela ecoou.
— Acordei você?
— Ah, Gansey! Não, não acordou. Eu fui trabalhar no Nino’s hoje. Você terminou o que tinha para fazer aí?
Gansey se deitou, a face encostada contra o concreto ainda quente do banco da fonte, e olhou para fora, para o jardim à meia-noite no paraíso de vapor de sódio que era Washington. Ele segurou o telefone no outro ouvido. As saudades de casa o devoravam.
— Por enquanto.
— Desculpa pelo barulho — disse Blue. — Está um zoológico aqui, como sempre. E estou comendo um pouco de... hã... iogurte, e estou, é isso. Então, o que você quer?
Ele respirou fundo.
O que eu quero?
Ele viu o rosto de Adam novamente. Gansey repassou as próprias respostas. Ele não sabia quais delas estavam erradas.
— Você acha... — ele começou — que pode me contar o que está acontecendo na sua casa agora?
— O quê? Tipo, o que a minha mãe está fazendo?
Um grande inseto passou zunindo junto à sua orelha, vindo como um jato de passageiros. Ele seguiu em frente, embora o voo rasante tenha sido próximo o suficiente para fazer cócegas em sua pele.
— Ou a Persephone. Ou a Calla. Ou qualquer outra pessoa. Só descreva para mim.
— Ah — disse ela. Sua voz tinha mudado um pouco. Ele ouviu uma cadeira rangendo do lado do telefone. — Tá, tudo bem.
E ela contou. Às vezes Blue falava com a boca cheia, e às vezes tinha que fazer uma pausa para responder para outra pessoa, mas contou sem pressa a história e pintou para cada uma das mulheres na casa um quadro completo. Gansey piscou, mais lento. O cheiro de comida de delivery havia desaparecido, e tudo que sobrara era o aroma pesado e agradável de coisas crescendo. Isso e a voz de Blue do outro lado da linha.
— Assim está bom? — ela perguntou por fim.
— Sim — disse Gansey. — Obrigado.

3 comentários:

  1. Sem palavras, apenas sentimentos <3 <3 <3 <3 <3 <3 <3 QUE AMOR!

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  2. Acho ela fofa com o Adam, mas a química dela com o Gansey...o quanto um gosta do outro...é inegável!

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Boa leitura, E SEM SPOILER!