20 de junho de 2018

Capítulo 31

Pela primeira vez na vida, Adam não estava feliz por ter um dia de folga em Aglionby. Sendo a sexta-feira um dia programado para o expediente dos professores, Gansey fora relutantemente para a casa de seus pais, para o aniversário atrasado de sua mãe; Ronan, grosseiro como sempre, estava bebendo em seu quarto; e Adam estava estudando na mesa de Gansey na Indústria Monmouth, na ausência dele. A escola pública estava tendo aulas normalmente, mas ele sempre podia ter a esperança de que Blue aparecesse mais tarde.
O apartamento passava uma sensação opressiva sem ninguém mais na sala principal. Parte de Adam queria atrair Ronan para fora do quarto para ter companhia, mas a maior parte dele percebia que Ronan estava, à sua maneira desagradável e muda, de luto por Noah. Então Adam permaneceu na mesa de Gansey, rabiscando uma tarefa de latim, consciente de que a luz que entrava pelas janelas não parecia iluminar as tábuas do chão tão bem como de costume. As sombras se deslocavam e então se demoravam. Adam sentiu o cheiro do vaso de hortelã na mesa de Gansey, mas também sentiu o cheiro de Noah — aquela combinação de desodorante, sabonete e suor.
— Noah — Adam disse para o apartamento vazio. — Você está aqui? Ou está assombrando o Gansey?
Não houve resposta.
Ele olhou para baixo, para o papel. Os verbos em latim pareciam sem sentido, uma linguagem fabricada.
— Podemos consertar isso, Noah? O que quer que tenha deixado você assim, em vez do jeito que era antes?
Adam deu um salto com o barulho de uma batida ao lado da mesa. Ele levou um momento para perceber que o vaso de hortelã de Gansey havia sido varrido para o chão. Um único triângulo do pote de cerâmica havia se quebrado e pousava ao lado de um monte de terra.
— Isso não vai ajudar — disse Adam calmamente, mas ele estava perturbado.
Entretanto, ele não tinha certeza do que ajudaria. Depois de terem descoberto os ossos de Noah, Gansey havia chamado a polícia para aprofundar a investigação, mas eles não tinham descoberto muito mais, apenas que Noah tinha desaparecido havia sete anos. Como sempre, Adam havia insistido que fossem reservados, e dessa vez Gansey tinha ouvido, não contando sobre a descoberta do Mustang para a polícia. O carro os levaria a Cabeswater, e isso era complicado demais, público demais.
Ao ouvir uma batida na porta, Adam não respondeu logo em seguida, pensando que fosse Noah novamente. Mas então bateram de novo e surgiu a voz de Declan:
— Gansey!
Com um suspiro, Adam ficou de pé, recolocando o vaso de hortelã no lugar antes de ir abrir a porta. Declan estava parado na soleira, sem o uniforme de Aglionby nem o terno de estagiário. Ele parecia uma pessoa diferente de jeans, mesmo que eles fossem impecavelmente escuros e caros. Parecia mais jovem do que Adam normalmente o via.
— Oi, Declan.
— Onde está o Gansey? — Declan demandou.
— Não está aqui.
— Ah, fala sério.
Adam não gostava de ser acusado de mentir. Normalmente ele tinha meios melhores de conseguir o que queria.
— Ele foi para casa, para o aniversário da mãe dele.
— Onde está o meu irmão?
— Não está aqui.
— Agora você está mentindo.
Adam deu de ombros.
— Sim, estou.
Declan avançou para passar por ele, mas Adam estendeu o braço, bloqueando a porta.
— Agora não é uma boa hora. E o Gansey disse que não era uma boa ideia vocês dois conversarem sem ele por perto. E acho que ele está certo.
Declan não recuou. O peito dele pressionava o braço de Adam. Adam sabia apenas isto: não havia a menor possibilidade de que Declan pudesse falar com Ronan naquele momento. Não se Ronan estivesse bebendo, não se Declan já estivesse irado. Sem Gansey ali, certamente haveria uma briga. Essa era a única coisa que importava.
— Você não vai brigar comigo, vai? — perguntou Adam, como se não estivesse nervoso. — Achei que isso era coisa do Ronan, não sua.
A colocação funcionou melhor do que Adam imaginara; Declan imediatamente deu um passo para trás. Do bolso de trás da calça, tirou um envelope dobrado. Adam reconheceu o timbre da Aglionby no endereço do remetente.
— Ele está sendo expulso — disse Declan, enfiando o envelope na direção de Adam. — Gansey tinha me prometido que ia melhorar as notas dele. E isso não aconteceu. Eu confiei no Gansey e ele me decepcionou. Quando ele voltar, diga que ele conseguiu fazer meu irmão ser expulso.
Aquilo era mais do que Adam podia suportar.
— Ah, não — disse ele, esperando que Ronan estivesse ouvindo. — O Ronan fez tudo isso sozinho. Eu não sei quando vocês dois vão perceber que só o Ronan pode resolver essa situação. Algum dia ele vai ter que se virar sozinho. Até esse dia chegar, vocês dois estão perdendo tempo.
Não importava quanto fosse verdadeiro, não havia argumento que Adam Parrish pudesse apresentar, com seu sotaque de Henrietta, que demovesse alguém como Declan.
Adam redobrou o envelope. Gansey ficaria doente com aquilo. Por um brevíssimo momento, Adam considerou não repassar a carta até que fosse tarde demais, mas ele sabia que seu caráter não lhe permitiria fazer isso.
— Fique tranquilo que a carta vai chegar às mãos dele.
— Ele vai embora daqui — disse Declan. — Lembre o Gansey disso. Sem Aglionby, nada de Monmouth.
Então você matou o seu irmão, pensou Adam, porque não podia imaginar Ronan vivendo sob o mesmo teto que Declan. Ele não podia imaginar Ronan vivendo sem Gansey, ponto-final. Mas tudo o que disse foi:
— Vou dizer a ele.
Declan desceu as escadas, e, um momento mais tarde, Adam ouviu o carro dele deixando o estacionamento.
Adam abriu o envelope e lentamente leu a carta que havia dentro. Com um suspiro, retornou à mesa, pegou o telefone que se encontrava ao lado do vaso de hortelã quebrado e digitou o número de memória.
— Gansey?


A várias horas de distância, Gansey estava começando a perder o interesse no aniversário da mãe. A ligação de Adam eliminou o pouco de leveza que ainda havia em seu humor, e não demorou muito para que Helen e a mãe de Gansey se envolvessem em uma conversa educadamente queixosa que elas fingiam não ser sobre o prato que não era de vidro presenteada por Helen. Durante um diálogo particularmente tenso, Gansey colocou as mãos nos bolsos e saiu para a garagem do pai.
Geralmente, sua casa — uma enorme mansão de pedra nas proximidades de Washington, D.C. — representava uma espécie de conforto nostálgico, mas, naquele dia, Gansey estava sem paciência para ela. Ele só conseguia pensar no esqueleto de Noah, nas notas terríveis de Ronan e nas árvores que falavam latim.
E em Glendower.
Glendower, deitado em sua bela armadura, mal iluminado na escuridão de sua tumba. Na visão de Gansey na árvore, ele parecera tão real. Gansey havia tocado a superfície coberta de pó da armadura, corrido os dedos sobre a ponta da lança que repousava ao lado dele, assoprado o pó da taça envolvida na manopla que cobria a mão direita de Glendower. Quando chegou ao capacete, havia deixado que suas mãos pairassem sobre ele, sem que o tocassem. Aquele era o momento pelo qual estivera esperando, a descoberta, o despertar.
E foi então que sua visão terminou.
Gansey sempre sentira como se existissem dois dele: o Gansey que estava no controle, capaz de lidar com qualquer situação, capaz de falar com qualquer pessoa, e o outro, o Gansey mais frágil, ansioso e inseguro, embaraçosamente sério, movido por uma aspiração ingênua. Esse segundo Gansey se manifestava dentro dele agora, mais do que nunca, e ele não gostava disso.
Ele apertou o código-chave (o aniversário de Helen) no painel perto da porta da garagem. Esta, tão grande quanto a casa, era toda de pedra, madeira e tetos em arco, um estábulo que abrigava milhares de cavalos cobertos com capas.
Assim como Dick Gansey III, Dick Gansey II também adorava carros velhos, mas, diferentemente de Dick Gansey III, todos os carros do velho Gansey haviam sido restaurados perfeita e elegantemente por especialistas familiarizados com termos como rotisserie e Barrett-Jackson. A maioria havia sido importada da Europa e muitos tinham a direção do lado direito ou vieram com o manual do proprietário em uma língua estrangeira. E, mais importante, os carros do seu pai eram todos famosos de alguma maneira: tinham sido de uma celebridade, parte da cena de um filme ou se envolvido num acidente de alguém famoso.
Gansey se ajeitou em um Peugeot da cor de um sorvete de creme que provavelmente havia sido de Lindbergh, Hitler ou Marilyn Monroe. Recostando-se no assento, com os pés pousados sobre os pedais, Gansey percorreu os cartões de visita na carteira com o dedão e por fim ligou para o orientador educacional da escola, sr. Pinter. Enquanto o telefone tocava, Gansey invocou aquela versão controlada de si mesmo que ele sabia que espreitava dentro dele.
— Sr. Pinter? Desculpe ligar para o senhor fora do expediente — disse Gansey, passando a pilha de cartões de crédito e de visita sobre a direção. Todo o interior do carro lhe lembrava bastante a batedeira de sua mãe. O câmbio, pelo jeito, poderia fazer um merengue razoável, quando não estivesse movendo o carro da primeira marcha para a segunda. — Aqui é Richard Gansey.
— Sr. Gansey — disse Pinter, levando um tempo muito longo para dizer as sílabas, durante o qual Gansey o imaginou lutando para colocar um rosto em um nome. Pinter era um homem motivado e metódico que Gansey chamava de “muito tradicional” e que Ronan considerava “uma fábula moral”.
— Estou ligando em nome de Ronan Lynch.
— Ah. — Pinter não precisou de tempo para associar um rosto ao nome. — Bem, eu não posso realmente discutir os detalhes da expulsão iminente do sr. Lynch...
— Com todo respeito, sr. Pinter — interrompeu Gansey, absolutamente consciente de que não estava concedendo respeito algum a ele ao fazer isso. — Não sei ao certo se o senhor sabe da nossa situação específica.
Ele coçou a nuca com um cartão de crédito enquanto explicava o estado emocional frágil de Ronan, as provações agonizantes do sonambulismo, as alegrias reconfortantes da Indústria Monmouth e os avanços que eles haviam alcançado desde que Ronan passara a viver com eles. Gansey concluiu com um resumo de tese sobre sua certeza de quanto sucesso Ronan Lynch teria uma vez que ele encontrasse uma maneira de tapar o buraco, em forma de Niall Lynch, que sangrava em seu coração.
— Eu não estou inteiramente convencido de que o sucesso futuro do sr. Lynch seja do tipo que a Aglionby acalenta — disse Pinter.
— Sr. Pinter — protestou Gansey, apesar de estar inclinado a concordar com ele nesse ponto. E girou a manivela da janela. — A Aglionby tem um corpo discente variado e complexo. Esse é um dos motivos por que meus pais a escolheram para mim.
Na verdade, haviam sido quatro horas de Google e um telefonema persuasivo com seu pai, mas Pinter não precisava saber disso.
— Sr. Gansey, eu estimo sua preocupação com seu ami...
— Irmão — interrompeu Gansey. — Eu passei a ver o Ronan realmente como um irmão. E para os meus pais ele é um filho. Em todos os sentidos da palavra. Emocionalmente, praticamente, fiscalmente.
Pinter não disse nada.
— Da última vez que o meu pai visitou a biblioteca da Aglionby, ele achou que ela parecia um pouco desfalcada no departamento de história náutica — disse Gansey, enfiando o cartão de crédito nas saídas de ar para ver até onde ele iria antes de encontrar alguma resistência. Gansey teve de segurar o cartão antes que ele desaparecesse nas entranhas do carro. — Ele percebeu que a biblioteca parecia um... buraco de trinta mil dólares no orçamento.
A voz de Pinter soou um pouco mais grave quando ele disse:
— Creio que o senhor não compreende por que a permanência do sr. Lynch em Aglionby está sendo ameaçada. Ele não faz nenhum caso dos regulamentos da escola e não parece ter nada além de desprezo pelos estudos. Nós demos um desconto para ele considerando suas circunstâncias pessoais extremamente difíceis, mas ele parece esquecer que estudar na Academia Aglionby é um privilégio, e não um fardo. A expulsão dele deverá ser efetivada a partir de segunda-feira.
Gansey se inclinou para frente e descansou a cabeça na direção. Ronan, Ronan, por quê...
Ele disse:
— Eu sei que ele está estragando tudo. Sei que ele devia ter sido mandado embora faz tempo. Apenas me dê um tempo, até terminarem as aulas. Eu consigo fazer o Ronan passar nos exames finais.
— Ele não tem ido a nenhuma aula, sr. Gansey.
— Eu consigo fazer o Ronan passar nos exames finais.
Por um longo momento houve silêncio. Gansey ouviu o ruído de uma televisão ligada ao fundo.
Finalmente, Pinter disse:
— Ele tem de conseguir B em todos os exames finais. E andar na linha até lá, ou estará fora da Aglionby. É a última chance dele.
Endireitando-se, Gansey soltou o ar.
— Obrigado, senhor.
— E não esqueça o interesse do seu pai na nossa seção de história náutica. Estarei atento.
E Ronan achava que não tinha nada a aprender com Pinter. Gansey sorriu penosamente para o painel, embora estivesse tão longe de se sentir feliz como jamais estivera.
— Os barcos sempre foram parte importante da nossa vida. Obrigado por me atender fora do expediente.
— Aproveite o fim de semana, sr. Gansey — respondeu Pinter.
Gansey encerrou a chamada e jogou o telefone no painel. Fechou os olhos e suspirou um palavrão. Gansey havia arrastado Ronan pelos exames semestrais. Certamente poderia fazer isso de novo. Ele tinha de fazer isso de novo.
O Peugeot balançou quando alguém sentou no banco do passageiro. Por um momento ofegante, Gansey pensou: Noah?
Mas então seu pai disse:
— Você está sendo seduzido por essa belezinha francesa? Esse Peugeot faz aquele seu carro parecer bem grosseiro, não?
Gansey abriu os olhos. Ao lado dele, seu pai correu uma palma sobre o painel do carro e então verificou se havia pó. Ele encarou Gansey com os olhos semicerrados, como se pudesse determinar o estado das capacidades mentais e físicas do filho meramente olhando para ele.
— Ele é bacana — disse Gansey. — Mas não faz realmente meu tipo.
— Estou surpreso que a sua lata-velha tenha trazido você até aqui — disse o pai. — Por que você não pega o Suburban para voltar?
— O Camaro está bom.
— Ele cheira a gasolina.
Agora Gansey conseguia imaginar seu pai pondo defeitos no Camaro estacionado na frente da garagem, com as mãos para trás enquanto cheirava se havia vazamentos de óleo e observava os arranhões na pintura.
— Ele está bom, pai. Está impecável.
— Duvido — disse o seu pai, em tom amigável. Richard Gansey II raramente se apresentava de outro modo. “Um homem adorável, seu pai”, as pessoas diziam a Gansey. “Sempre sorrindo. Nada o tira do sério. Que figura.” Essa última parte era porque ele colecionava coisas antigas estranhas, espiava por buracos nas paredes e mantinha um diário de coisas que haviam acontecido no dia 14 de abril de todos os anos desde o começo da história. — Você sabe por que a sua irmã comprou aquele prato de bronze horroroso por três mil dólares? Ela está brava com a sua mãe? Ou é uma brincadeira?
— Ela achou que a mamãe ia gostar.
— Não é vidro.
Gansey deu de ombros.
— Eu tentei falar para ela.
Por um momento eles ficaram ali. Seu pai perguntou:
— Você gostaria de dar partida nele?
Gansey não se importava, mas encontrou a chave na ignição e a virou. O motor girou no ato, despertando para a vida obediente, nada como o Camaro.
— Baia quatro, aberta — disse o pai, e a porta da garagem diante deles começou a se abrir automaticamente. Quando ele viu o olhar de Gansey, explicou: — Eu instalei comandos de voz. O único problema é que, se você gritar muito alto na rua, a porta mais próxima de você vai abrir. Obviamente, isso é ruim para a segurança. Estou trabalhando nisso. Nós tivemos uma tentativa de arrombamento algumas semanas atrás. Eles só conseguiram chegar até o portão da frente. Instalei um sistema com pesos ali.
A porta da garagem se abriu para o Camaro, estacionado bem na frente deles, bloqueando a saída. O Pig era baixo, desafiador e nada sofisticado, em comparação ao Peugeot reservado, contido e sempre sorrindo. Gansey sentiu um súbito e irrepreensível amor por seu carro. Comprá-lo fora a melhor decisão de sua vida.
— Nunca me acostumei com essa coisa — disse o pai de Gansey, olhando para o Pig sem rancor.
Uma vez Gansey ouvira seu pai dizendo: “Por que diabos ele preferiu aquele carro?”, e sua mãe respondendo: “Ah, eu sei por quê”. Um dia ele teria aquela conversa com ela, pois queria saber por que ela achava que ele o havia comprado. Analisar o que o motivara a suportar o Camaro fazia Gansey se sentir perturbado, mas ele sabia que tinha algo a ver com a maneira como dirigir aquele Peugeot perfeitamente restaurado o fazia se sentir. Um carro era um envoltório para o seu conteúdo, ele achava, e, se ele parecesse por dentro como qualquer um dos carros naquela garagem parecia por fora, não poderia viver consigo mesmo. Por fora, ele sabia que parecia bastante com seu pai. Por dentro, Gansey gostaria de parecer mais com o Camaro. O que significava dizer: mais com Adam.
Seu pai perguntou:
— Como está indo na escola?
— Muito bem.
— Qual é sua aula favorita?
— História geral.
— O professor é bom?
— Perfeitamente adequado.
— Como está indo o seu amigo bolsista? Achando as aulas mais difíceis do que na escola pública?
Gansey virou o espelho do lado do motorista, que refletiu o teto.
— O Adam está indo bem.
— Ele deve ser muito inteligente.
— Ele é um gênio — disse Gansey, sem hesitar.
— E o irlandês?
Gansey não conseguiu encontrar forças para elaborar uma mentira envolvendo Ronan. Não logo após ter conversado com Pinter. Só então ele sentiu o peso considerável de ser Gansey, o Jovem. E respondeu:
— O Ronan é o Ronan. É difícil para ele sem o pai.
Gansey Sênior não perguntou sobre Noah, e Gansey não conseguiu se lembrar de seu pai ter feito isso um dia. Na realidade, ele não conseguia se lembrar de algum dia ter se referido a Noah para sua família. Ele se perguntou se a polícia ligaria para seus pais a respeito de ele ter achado o corpo. Se ainda não havia ligado, parecia improvável que o fizessem. Eles haviam dado a Gansey e a Blue cartões com o número de um advogado, mas Gansey achava que provavelmente eles precisavam de um outro tipo de ajuda.
— Como está a caçada à linha ley?
Gansey considerou quanto deveria dizer.
— Na verdade fiz alguns avanços que não estavam no programa. Henrietta parece promissora.
— Então as coisas não estão indo mal? Sua irmã disse que você parecia um pouco melancólico.
— Melancólico? A Helen é uma idiota.
Seu pai estalou a língua.
— Dick, você não quis dizer isso. Uma questão de escolha de palavras?
Gansey desligou o motor e trocou um olhar com o pai.
— Ela comprou um prato de bronze de aniversário para a mamãe.
Gansey Sênior fez um pequeno ruído que queria dizer que o filho tinha razão.
— Desde que você esteja feliz e se mantendo ocupado... — disse o pai.
— Ah — disse Gansey, pegando o telefone do painel. Sua mente já estava revolvendo como enfiar três meses de estudo no cérebro de Ronan, como devolver Noah à antiga forma, como convencer Adam a deixar a casa dos pais mesmo que Henrietta não parecesse mais um tamanho caso perdido, que esperteza diria para Blue quando a visse de novo. — Estou me mantendo ocupado.

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