20 de junho de 2018

Capítulo 2

— Sou eu — disse Gansey.
Ele se virou de frente para o carro. O capô laranja-vivo do Camaro estava levantado, mais como um símbolo de derrota do que para servir a algum uso prático. Adam, amigo de todos os carros, talvez conseguisse determinar o que havia de errado dessa vez, mas Gansey certamente não. Ele havia conseguido rolar até o acostamento, a pouco mais de um metro da interestadual, e agora os pneus largos jaziam sobre tufos altos de capim. Um caminhão passou zunindo, e o Camaro estremeceu em seu rastro.
Do outro lado do telefone, Ronan Lynch, seu colega de quarto, respondeu:
— Você perdeu a aula de história geral. Achei que você estivesse morto em uma vala.
Gansey girou o pulso para examinar o relógio. Ele havia perdido bem mais do que a aula de história geral. Eram onze horas, e o frio da noite passada parecia improvável. Um mosquito estava grudado na pele, próximo da pulseira do relógio. Ele se livrou do inseto com um piparote. Certa vez, quando era mais jovem, ele e o pai haviam acampado. Havia barracas, sacos de dormir e uma Range Rover ociosa estacionada próxima para quando ele e o pai perdessem o interesse. Como experiência, não havia sido nada como a noite passada.
Ele perguntou:
— Você anotou a matéria para mim?
— Não — respondeu Ronan. — Achei que você estivesse morto em uma vala.
Gansey cuspiu fora a areia da boca e recolocou o telefone no ouvido. Ele teria anotado a matéria para Ronan.
— O Pig parou. Vem me buscar.
Um sedã diminuiu a velocidade quando passou por ele, com os ocupantes olhando para fora da janela. Gansey não era um garoto de aparência desagradável e o Camaro não era uma visão tão dura assim também, mas aquela atenção tinha menos a ver com beleza e mais com a surpresa de ver um garoto da Aglionby em um carro descaradamente laranja quebrado na beira da estrada. Gansey sabia que não havia nada que a pequena Henrietta, Virgínia, gostasse mais do que ver coisas humilhantes acontecerem com garotos da Aglionby, a não ser que fossem coisas humilhantes acontecerem com suas famílias.
Ronan disse:
— Tá zoando, cara.
— Até parece que você vai para a aula. E depois é hora do almoço de qualquer jeito. — Então ele acrescentou, como quem cumpre uma obrigação: — Por favor.
Ronan ficou em silêncio por um longo tempo. Ele era bom nisso; sabia que deixava as pessoas desconfortáveis. Mas Gansey era imune, pois já conhecia aquela tática. Inclinou-se para dentro do carro para ver se havia comida no porta-luvas, enquanto esperava que Ronan falasse. Ao lado de um autoinjetor de adrenalina, havia um pacote de carne desidratada, mas o prazo de validade havia expirado dois anos atrás. Talvez já estivesse ali quando ele comprara o carro.
— Onde você está? — perguntou Ronan finalmente.
— Perto da placa de Henrietta, na 64. Traga um hambúrguer. E alguns litros de gasolina. — O carro não ficara sem gasolina, mas mal não podia fazer.
A voz de Ronan era ácida.
— Gansey.
— Traga o Adam também.
Ronan desligou. Gansey tirou o blusão e o jogou na parte traseira do Camaro. O espaço ínfimo ali atrás era um casamento desordenado de objetos cotidianos — um livro de química, um caderno manchado de frappuccino, um porta-CDs meio aberto, com discos soltos se espalhando pelo banco — e as provisões que ele adquirira durante seus dezoito meses em Henrietta. Mapas amarrotados, folhas impressas, o diário sempre presente, uma lanterna e a vara de radiestesia. Quando Gansey tirou um gravador digital da bagunça, um recibo de pizza (grande, meia calabresa, meia abacate) esvoaçou até o banco, juntando-se a meia dúzia de recibos idênticos, exceto pela data.
Durante toda a noite, ele ficara sentado do lado de fora da monstruosamente moderna Igreja do Sagrado Redentor, com o gravador rodando e os ouvidos atentos, esperando por... algo. A atmosfera não era nada mágica. Possivelmente não era o melhor lugar para tentar fazer contato com os futuros mortos, mas Gansey alimentava grande esperança no poder da véspera do Dia de São Marcos.
Não era que ele esperasse ver os mortos. Todas as fontes diziam que os observadores de igrejas tinham de possuir “a segunda visão”, e Gansey mal possuía a primeira antes de colocar suas lentes de contato. Ele apenas esperava por...
Algo. E foi isso que conseguiu. Ele só não estava absolutamente certo do que seria aquele algo.
Com o gravador digital nas mãos, ele se sentou encostado contra o pneu traseiro para esperar, deixando que o carro o protegesse do deslocamento de vento dos veículos que passavam. Do outro lado da barreira de proteção, um campo verde se estendia em declive até as árvores. Mais adiante, elevava-se o cimo azul misterioso das montanhas.
Na ponta empoeirada do sapato, Gansey desenhou a forma em arco da suposta linha de energia sobrenatural que o levara até ali. À medida que a brisa da montanha corria em seus ouvidos, ela soava como um grito abafado — não um sussurro, mas um grito alto de um lugar quase distante demais para ser ouvido.
A questão era que Henrietta parecia um lugar onde a magia podia acontecer. O vale parecia sussurrar segredos. Era mais fácil acreditar que eles não se revelariam para Gansey do que que não existiam.
Por favor, apenas me digam onde vocês estão.
Seu coração doía de anseio por eles, um anseio não menos doloroso por ser difícil de explicar.
O BMW “nariz de tubarão” de Ronan Lynch parou atrás do Camaro, a pintura, normalmente de um carvão lustroso, empoeirada do verde do pólen. Gansey sentiu o baixo do estéreo nos pés um momento antes de reconhecer qual era a música.
No banco do passageiro estava Adam Parrish, o terceiro membro do quarteto que constituía os amigos mais próximos de Gansey. O nó da gravata de Adam estava arrumado acima da gola do blusão. A mão delgada pressionava firmemente o celular fino de Ronan contra o ouvido.
Pela porta aberta do carro, Adam e Gansey trocaram um breve olhar. As sobrancelhas franzidas de Adam perguntaram: Encontrou algo?, e os olhos arregalados de Gansey responderam: Você que me diz.
Com a expressão fechada, Adam baixou o volume no estéreo e disse algo ao telefone.
Ronan bateu a porta do carro — ele batia tudo — antes de se dirigir para o porta-malas. Então disse:
— O idiota do meu irmão quer que a gente encontre com ele no Nino’s hoje à noite. E com a Ashley.
— É ele no telefone? — perguntou Gansey. — O que é Ashley?
Ronan retirou uma lata de gasolina do porta-malas, fazendo pouco esforço para evitar que o recipiente oleoso encostasse em sua roupa. Assim como Gansey, ele usava o uniforme da Aglionby, mas, como sempre, conseguia fazê-lo parecer o mais reles possível. A gravata fora amarrada segundo um método mais bem descrito como desdém, e a barra da camisa aparecia, amarfanhada, por baixo do blusão. O sorriso era fino e incisivo. Se seu BMW lembrava um tubarão, havia aprendido com o dono.
— A nova do Declan. A gente tem que ficar bonitinho para ela.
Gansey se incomodava com ter de agradar o irmão mais velho de Ronan, aluno do último ano da Aglionby, mas ele compreendia por que eles precisavam fazer isso. A liberdade na família Lynch era uma coisa complicada e, no momento, Declan tinha as chaves dela.
Ronan trocou a lata de combustível pelo gravador.
— Ele quer fazer isso hoje à noite porque sabe que eu tenho aula.
A tampa do tanque de combustível do Camaro estava localizada atrás da placa do carro, acionada por uma mola, e Ronan observou em silêncio enquanto Gansey lutava, ao mesmo tempo, com a tampa, a lata de gasolina e a placa.
— Você devia ter feito isso — Gansey lhe disse. — Já que não se importa de sujar a camisa.
Indiferente, Ronan coçou uma casca de ferida antiga, amarronzada, por baixo das cinco pulseiras de couro entrelaçadas em torno do punho. Na semana anterior, ele e Adam haviam se revezado arrastando um ao outro em um carrinho atrás do BMW, e ambos ainda tinham as marcas para provar.
— Me pergunte se eu achei alguma coisa — disse Gansey.
Suspirando, Ronan virou o gravador na direção dele.
— Você achou alguma coisa?
Ele não parecia muito interessado, mas isso fazia parte da marca registrada de Ronan Lynch. Era impossível dizer quão profundo seu desinteresse realmente era.
O combustível estava vazando lentamente sobre a calça cara de algodão de Gansey, a segunda que ele arruinara em um mês. Não é que ele fizesse questão de ser descuidado — como Adam havia lhe dito repetidas vezes: “As coisas custam dinheiro, Gansey” —, apenas nunca parecia se dar conta das consequências de seus atos até que fosse tarde demais.
— Eu gravei mais ou menos quatro horas de áudio e achei... algo. Mas não sei o que quer dizer. — Ele gesticulou na direção do gravador. — Toca aí.
Ronan se virou para contemplar a interestadual e apertou o play. Por um momento houve um mero silêncio, quebrado apenas pelo ruído agudo e indiferente de grilos. Então a voz de Gansey: “Gansey”.
Uma longa pausa. Gansey passou um dedo lentamente pelo cromo marcado do para-choque do Camaro. Ainda era estranho ouvir a si mesmo na gravação, sem se lembrar de ter dito aquelas palavras.
Então, como se de uma grande distância, uma voz feminina, as palavras difíceis de compreender: “Isso é tudo?”
Ronan disparou um olhar desconfiado na direção de Gansey, que levantou o dedo: Espere. Vozes murmuradas, mais baixas que antes, sibilaram do gravador, nada claro a respeito delas, exceto a cadência: perguntas e respostas. E então sua voz desencarnada falou do gravador novamente: “É só isso”.
Ronan lançou um olhar de volta para Gansey ao lado do carro, fazendo o que este chamava de respiração de fumante: longa inspiração pelas narinas distendidas, lenta expiração por lábios separados.
Mas Ronan não fumava. Seu hábito era com ressacas.
Ele parou o gravador e disse:
— Ô esperto, você está deixando pingar gasolina na calça.
— Você não vai me perguntar o que estava acontecendo quando eu gravei isso?
Ronan não perguntou. Apenas continuou olhando para Gansey, o que era a mesma coisa.
— Não estava acontecendo nada. É isso. Eu estava olhando para um estacionamento cheio de insetos que não deveriam estar vivos quando está frio desse jeito à noite, e não havia nada.
Gansey não tinha certeza se captaria alguma coisa no estacionamento, mesmo se estivesse no lugar certo. De acordo com os caçadores de linhas ley com quem ele havia conversado, a linha às vezes transmitia vozes ao longo de seu comprimento, lançando sons a centenas de quilômetros e dezenas de anos de quando eles haviam sido ouvidos pela primeira vez. Uma espécie de assombração de áudio, uma transmissão de rádio imprevisível em que quase qualquer coisa na linha ley poderia ser um receptor: um gravador, um estéreo, um par de ouvidos humanos bem sintonizados. Carecendo de qualquer habilidade paranormal, Gansey havia levado o gravador, uma vez que os ruídos frequentemente eram audíveis apenas quando reproduzidos depois. O estranho em tudo isso não eram as outras vozes no gravador. O estranho era a voz de Gansey, pois ele estava bastante convencido de que não era um espírito.
— Eu não disse nada, Ronan. Durante a noite inteira, eu não disse nada. Então o que a minha voz está fazendo nessa gravação?
— Como você sabia que ela tinha sido gravada?
— Eu estava ouvindo o que gravei enquanto dirigia de volta. Nada, nada, nada, e de repente: minha voz. Daí o Pig parou.
— Coincidência? — perguntou Ronan. — Acho que não.
A intenção era que isso soasse sarcástico. Gansey havia dito tantas vezes “Eu não acredito em coincidências” que ele não precisava mais repetir.
Gansey perguntou:
— Bem, o que você acha?
— O Santo Graal, finalmente — respondeu Ronan, irônico demais para que fosse levado a sério.
Mas o fato era que Gansey havia passado os últimos quatro anos trabalhando com os fragmentos de evidências mais ínfimos possíveis, e a voz que mal se ouvia era todo o incentivo de que ele precisava. Seus dezoito meses em Henrietta lhe renderam alguns vestígios imprecisos em busca de uma linha ley — um caminho de energia sobrenatural, perfeitamente reto, que conecta lugares espirituais — e da tumba furtiva que ele esperava que existisse ao longo desse caminho. Esse era apenas um risco de procurar por uma linha de energia invisível. Ela era... bem, invisível.
E possivelmente hipotética, mas Gansey se recusou a levar essa ideia em consideração. Em dezessete anos de vida, ele já achara dezenas de coisas que as pessoas não sabiam que podiam ser achadas, e realmente tencionava acrescentar a linha ley, a tumba e o ocupante real da tumba a essa lista de itens.
O curador de um museu no Novo México certa vez dissera a Gansey: “Filho, você tem um jeito extraordinário para descobrir esquisitices”. Um historiador romano impressionado comentara: “Você é esperto, olha debaixo de pedras que ninguém mais pensa em levantar”. E um professor inglês muito velho declarara: “Garoto, o mundo mostra para você o que tem nos bolsos”. Gansey descobrira que a chave era acreditar que essas coisas existiam; você tinha de se dar conta de que elas eram parte de algo maior. Alguns segredos se mostravam apenas para aqueles que se provavam merecedores.
A maneira como Gansey via a questão era a seguinte: se você tinha uma habilidade especial para encontrar coisas, isso significava que você devia ao mundo procurá-las.
— Olha, não é o Whelk? — perguntou Ronan.
Um carro diminuiu bastante a velocidade quando passou por eles, permitindo que vissem de relance o motorista excessivamente curioso. Gansey tinha de concordar que o motorista parecia bastante com seu ressentido professor de latim, um ex-aluno de Aglionby com o infeliz nome de Barrington Whelk. Gansey, graças a seu título oficial de Richard “Dick” Campbell Gansey III, era ligeiramente imune a nomes pomposos, mas mesmo ele tinha de admitir que não havia muito a perdoar a respeito de Barrington Whelk.
— Não precisa parar para ajudar nem nada — disparou Ronan, após o carro passar. — Ei, nanico. O que rolou com o Declan?
Essa última parte era dirigida a Adam quando ele saiu do BMW com o celular de Ronan ainda nas mãos. Ele tentou devolver, mas Ronan balançou a cabeça com desdém. Ronan desprezava todos os telefones, inclusive o seu. Adam disse:
— Ele vai aparecer às cinco horas hoje à tarde.
Diferentemente de Ronan, o blusão da Aglionby de Adam era de segunda mão, mas ele zelava para mantê-lo impecável. O rapaz era alto e magro, tinha o cabelo acinzentado mal aparado e o rosto bem formado e bronzeado. Adam era uma fotografia em sépia.
— Que bom — respondeu Gansey. — Você vai, né?
— Eu fui convidado? — Adam às vezes era peculiarmente educado. Quando ele não tinha certeza a respeito de algo, seu sotaque sulista sempre aparecia, e agora estava em evidência.
Adam nunca precisou de convite. Ele e Ronan deviam ter brigado. Como sempre. Ronan brigava com qualquer um, bastava ter carteira de identidade.
— Não seja burro — respondeu Gansey, e gentilmente aceitou o saco manchado de gordura do lanche que Adam lhe oferecia. — Obrigado.
— Foi o Ronan que comprou — disse Adam. Em questões de dinheiro, ele era rápido em designar o crédito ou a culpa.
Gansey olhou para Ronan, que se recostara no Camaro, mordendo de maneira ausente uma das pulseiras de couro no punho. Gansey disse:
— Não vai me dizer que tem molho nesse hambúrguer.
Largando a pulseira dos dentes, Ronan zombou:
— Por favor.
— E nem picles — disse Adam, agachando-se atrás do carro. Ele levara não só dois pequenos vidros de aditivo para combustível, como também um pano para colocar entre a lata de gasolina e a calça, fazendo o processo inteiro parecer banal.
Adam tentava esconder suas raízes com tamanho esforço, mas elas apareciam nos menores gestos.
Gansey abriu um largo sorriso, o calor da descoberta começando a se espalhar por seu corpo.
— Então, vamos ao teste, sr. Parrish. Três coisas que aparecem nas proximidades de linhas ley.
— Cães pretos — disse Adam indulgentemente. — Presenças demoníacas.
— Camaros — acrescentou Ronan.
Gansey continuou como se ele não tivesse falado.
— E fantasmas. Ronan, volte à prova, por favor.
Os três continuaram ali, no sol do fim da manhã, enquanto Adam fechava a tampa do tanque de combustível e Ronan acessava a gravação. Longe dali, sobre as montanhas, um gavião de cauda vermelha guinchava fracamente. Ronan apertou o play novamente e eles ouviram Gansey dizer seu nome para o nada.
Adam franziu o cenho ao escutar aquilo, o dia quente lhe avermelhando a face.
Aquela poderia ser qualquer manhã do último ano e meio. Ronan e Adam fariam as pazes no fim do dia, os professores perdoariam Gansey por faltar à aula, e então ele, Adam, Ronan e Noah sairiam para comer pizza, quatro contra Declan.
Adam disse:
— Tente ligar o carro, Gansey.
Gansey deixou a porta do carro aberta e desabou no banco do motorista. Ao fundo, Ronan tocava a gravação novamente. Por alguma razão, daquela distância, o som das vozes fez os pelos de seus braços se arrepiarem lentamente. Algo dentro dele dizia que aquele seu discurso inconsciente significava o começo de algo diferente, embora ele não soubesse ainda o quê.
— Vamos lá, Pig! — rosnou Ronan.
Alguém buzinou ao passar em alta velocidade pela autoestrada.
Gansey girou a chave. O motor fez um barulho, parou por um instante e então rugiu ensurdecedor de volta à vida. O Camaro vivia para lutar mais um dia. Até o rádio estava funcionando, tocando a canção de Stevie Nicks que sempre soava para Gansey como se fosse sobre uma pomba com apenas uma asa. Ele experimentou as batatas fritas que os amigos lhe haviam trazido. Estavam frias.
Adam colocou a cabeça para dentro do carro e disse:
— Vamos seguir você até a escola. O carro funcionou, mas ainda tem algo errado com ele.
— Ótimo — respondeu Gansey, gritando para ser ouvido com todo aquele barulho do motor.
Ao fundo, o BMW pulsava numa linha de graves, quase inaudível, enquanto Ronan dissolvia o que sobrara de seu coração em loops eletrônicos.
— E aí, sugestões?
Adam colocou a mão no bolso e lhe estendeu um pedaço de papel.
— O que é isso? — perguntou Gansey, estudando a caligrafia errática de Adam. Suas letras pareciam fugir de algo. — O número de uma médium?
— Se você não tivesse encontrado nada na noite passada, esse seria o próximo passo. Agora você tem algo para perguntar a elas.
Gansey considerou o assunto. Paranormais tendiam a lhe dizer que havia dinheiro vindo ao seu encontro e que ele estava destinado a grandes coisas. A primeira previsão ele sabia que era sempre verdadeira, e a segunda, temia que pudesse vir a ser. Mas talvez com aquela nova pista, com uma nova médium, ela teria algo diferente a dizer.
— Tudo bem — ele concordou. — Então, o que eu vou perguntar?
Adam lhe passou o gravador digital. Bateu no teto do Camaro uma, duas vezes, pensativo.
— O óbvio — ele respondeu. — Vamos descobrir com quem você estava falando.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!