26 de junho de 2018

Capítulo 23

O Homem Cinzento levou vários dias para perceber que havia perdido a carteira.
Ele teria notado antes, se não tivesse sucumbido aos dias cinzentos — dias em que a manhã parecia esvaída de cor e se levantar não tinha importância. Muitas vezes o Homem Cinzento não comia nesses dias; ele certamente não olhava o relógio.
Ele estava dormindo e desperto ao mesmo tempo, não havia diferença entre as duas coisas, sem sonhar, indiferente. E então uma manhã ele abriria os olhos e descobriria que o céu havia se tomado azul de novo.
Ele tivera vários dias cinzentos no porão da Pousada Vale Aprazível, e, após ter se levantado no amanhecer e comido trêmulo algo, colocou a mão no bolso de trás da calça e o encontrou vazio. A carteira de identidade falsa e os cartões de crédito inúteis — o Homem Cinzento pagava tudo em dinheiro — não estavam mais ali. Deviam estar na Rua Fox, 300.
Ele tentaria dar uma passada lá mais tarde. Conferiu o telefone para ver se havia mensagens de Greenmantle, deixou os olhos pularem sem dar atenção à chamada perdida de seu irmão uns dias antes e finalmente consultou suas anotações codificadas para si mesmo.
Ele olhou de relance pela janela. O céu tinha um tom irreal de azul. Ele sempre se sentia muito vivo naquele primeiro dia. Cantarolando um pouco, o Homem Cinzento colocou as chaves no bolso. Próxima parada: Indústria Monmouth.


Gansey não estava se sentindo bem com o desaparecimento de Cabeswater. Ele tentara se reconciliar com a ideia. Era mais um revés, e ele sabia que precisava tratá-lo como todos os outros reveses: formular um plano novo, encontrar outra pista, jogar todos os recursos em uma nova direção. Mas a situação não parecia um revés qualquer.
Ele havia passado quarenta e oito horas mais ou menos desperto e angustiado, e então, no terceiro dia, comprara um sonar de varredura lateral, dois aparelhos de ar-condicionado, um sofá de couro e uma mesa de sinuca.
— Agora está se sentindo melhor? — perguntara Adam secamente.
Gansey respondera:
— Não faço ideia do que você está falando.
— Ei, cara — disse Ronan —, gostei da mesa de sinuca.
A situação inteira deixava Blue maluca.
— Tem crianças passando fome nas ruas de Chicago — ela disse, o cabelo se eriçando de indignação. — Três espécies são extintas a cada hora porque não existem recursos que as proteja. E você ainda está usando esses mocassins idiotas e, de todas as coisas que você comprou, ainda não trocou esses sapatos!
Perplexo, Gansey observou os pés. O movimento dos dedos era praticamente imperceptível por fora dos mocassins. Realmente, diante dos últimos acontecimentos, aqueles sapatos eram a única coisa certa no mundo.
— Eu gosto desses sapatos.
— Às vezes eu odeio você — disse Blue. — E a Orla, ainda por cima!
Isso foi porque Gansey também tinha alugado um barco, um trailer e uma picape para rebocá-los, e então pedira à prima mais velha de Blue, Orla, para acompanhá-los em sua última viagem. A picape alugada exigia um motorista com mais de vinte e um anos, e a missão, de acordo com Gansey, exigia uma médium. Orla se encaixava nos dois quesitos e estava mais que disposta a ir junto. Ela tinha chegado a Monmouth vestida para trabalhar: calça boca de sino, sandália plataforma e um top de biquíni laranja. Sua barriga nua era tão claramente um convite à admiração que Gansey podia ouvir a voz carregada de menosprezo do pai em seu ouvido. As garotas hoje em dia... Mas Gansey tinha visto fotos de garotas na época de seu pai, e elas não lhe pareciam muito diferentes.
Ele trocou um olhar com Adam, porque isso tinha de ser feito, e é claro que Blue o interceptou. Os olhos dela se estreitaram. Ela vestia duas camisetas regatas rasgadas e calça cargo descolorida. Em algum universo paralelo, havia um Gansey que poderia dizer a Blue que achava vinte centímetros de suas panturrilhas nuas muito mais perturbadores que os dois metros quadrados de pele nua que Orla exibia. Mas, neste universo, esse trabalho era de Adam.
Gansey estava com um humor péssimo.
Em algum lugar em Henrietta, algo estourou explosivamente. Ou era um transformador vitimado pelos caprichos da linha ley ou Joseph Kavinsky estava se divertindo prematuramente com um de seus infames explosivos para o Quatro de Julho.
De qualquer maneira, era um bom dia para sair da cidade.
— A gente devia começar a se mexer — ordenou Gansey. — Vai esquentar.


A poucas dezenas de metros dali, o Homem Cinzento estava sentado na Monstruosidade Champanhe, na Avenida Monmouth, folheando um livro de história e ouvindo o disco Muswell Hillbillies, enquanto o ar-condicionado brincava em sua pele.
Realmente, ele deveria estar estudando a história galesa — sua pesquisa superficial sobre os irmãos Lynch revelara que um dos garotos com quem eles andavam era obcecado por isso —, mas, em vez disso, se divertia tentando uma nova tradução de “Bede’s Death Song”. Era como um quebra-cabeça arcaico. Quando o texto dizia Fore dcem nedfere ncenig wioròe, seria mais próximo da intenção original do escritor traduzi-lo como “Antes da jornada fatídica para lá” ou “Diante do caminho para a Morte”?
Provações prazerosas!
O Homem Cinzento olhou para cima quando um garoto emergiu da Indústria Monmouth. O pátio com a grama alta já estava uma bagunça de adolescentes, veículos e barcos alugados; era evidente que eles estavam se aprontando para ir a algum lugar. O garoto que saíra havia pouco era o careta, exibido, que parecia pronto para cair no Senado — Richard Gansey. O terceiro. Isso significava que em algum lugar havia pelo menos dois outros Richard Gansey. Ele não notou o carro alugado do Homem Cinzento estacionado em paralelo nas sombras. Tampouco notou o Mitsubishi branco estacionado mais adiante na estrada. O Homem Cinzento não era o único esperando que o prédio da Indústria Monmouth ficasse vazio.
Um colega acadêmico perguntara certa vez ao Homem Cinzento: “Por que história anglo-saxônica?” Na época, a pergunta pareceu boba e irrespondível para o Homem Cinzento. As coisas que o atraíam para aquele período no tempo eram certamente inconscientes e multifacetadas, difundidas em seu sangue por uma vida inteira de influências. Alguém poderia simplesmente lhe perguntar por que ele preferia usar cinza, por que ele não gostava de nenhum tipo de molho, por que adorava os anos 70, por que era tão fascinado por irmãos quando ele mesmo não parecia conseguir ser um. Ele havia dito ao acadêmico que as armas haviam tornado a história chata, o que ele sabia ser mentira mesmo enquanto a dizia, e então se retirara da conversa. É claro que depois ele pensou na resposta verdadeira, mas então já era tarde demais.
Era isto: Alfredo, o Grande. Alfredo se tornou rei durante um dos períodos difíceis da história inglesa. Não havia Inglaterra, na realidade, não na época. Apenas pequenos reinos com dentes ruins e pavio curto. A vida era, como dizia o velho ditado, dura, bruta, curta. Quando os vikings desembarcaram rasgando na ilha, os reinos não tiveram nenhuma chance. Mas Alfredo tomou a iniciativa de uni-los. Fez deles uma irmandade e expulsou os vikings. Promoveu a alfabetização e a tradução de livros importantes. Encorajou poetas, artistas e escritores. Propiciou uma renascença antes mesmo de os italianos considerarem o conceito.
Ele era apenas um homem, mas havia mudado a Inglaterra anglo-saxônica para sempre. Impôs ordem e honra, e, sob esse princípio opressor de relva, a flor da poesia e da civilidade conseguiu abrir caminho.
Que herói, pensou o Homem Cinzento. Outro Artur.
Sua atenção se aguçou quando Ronan Lynch saiu da velha fábrica. Ele era muito parecido com Declan: mesmo nariz, mesmas sobrancelhas escuras, mesmos dentes fenomenais. Mas havia um senso de perigo cuidadosamente cultivado nesse irmão Lynch.
Esse não era uma cascavel escondida na relva, mas uma cobra coral raiada com cores de advertência. Tudo a respeito dele era uma advertência: se essa cobra o mordesse, você não tinha ninguém para culpar a não ser a si mesmo.
Ronan abriu a porta lateral do motorista do BMW carvão com tanta força que o carro sacudiu, então se jogou para dentro com tanta força que o carro continuou sacudindo, e então bateu a porta com tanta força que o carro sacudiu ainda mais. E aí partiu com tanta velocidade que fez os pneus cantarem.
— Hum — disse o Homem Cinzento, já preferindo esse irmão Lynch ao último.
A picape alugada arrancou com bem mais cuidado que o BMW e seguiu pela rua na mesma direção. Então, embora o estacionamento estivesse vazio, o Homem Cinzento esperou. Como esperado, o Mitsubishi branco que ele tinha visto antes apareceu, o baixo do estéreo liquefazendo lentamente o pavimento abaixo dele.
Um garoto saiu do carro, carregando uma sacola plástica pequena cheia de algo que pareciam cartões de visita.
Ele era do tipo que o Homem Cinzento preferia manter distância; cantarolava com uma energia ansiosa, imprevisível. O Homem Cinzento não se importava com pessoas perigosas, mas preferia pessoas perigosas sóbrias. Ele observou o garoto entrar na fábrica e voltar com a sacola vazia. O Mitsubishi partiu, pneus cantando.
Então o Homem Cinzento desligou os Kinks, atravessou a rua e subiu a escada para o apartamento no segundo andar. No patamar, descobriu o conteúdo da sacola do Garoto do Mitsubishi: uma pilha de carteiras de motorista da Virgínia idênticas. Cada uma trazia uma fotografia mal-humorada de Ronan Lynch ao lado de uma data de nascimento que o colocaria a alguns meses da festa de seu aniversário de setenta e cinco anos. Fora a data de nascimento claramente jocosa, eram falsificações muito boas. O Homem Cinzento segurou uma contra a luz que passava pela janela quebrada. Quem a produzira havia caprichado no trabalho de replicar a parte mais difícil, o holograma. O Homem Cinzento estava impressionado.
Ele deixou as carteiras do lado de fora e arrombou a porta da Indústria Monmouth.
Mas foi cuidadoso. Quebrar uma fechadura era fácil. Voltar atrás, não. Enquanto o Homem Cinzento trabalhava nela, digitou um número no telefone e o ajeitou no ombro.
Levou um momento para alguém atender.
— Ah, é você — disse Maura Sargent. — Rei de espadas.
— E é você. A espada nas minhas costas. Acho que perdi minha carteira em algum lugar. — O Homem Cinzento deixou a porta comprometida se abrir. Um cheiro de papel mofado e hortelã se assomou à sua volta. Grãos de poeira brincavam sobre milhares de livros; não era bem isso o que ele esperava. — Quando você estava passando o aspirador debaixo de Calla, não encontrou nada por acaso?
— Passando o aspirador! — disse Maura. — Vou olhar. Ah. Veja só. Tem uma carteira no sofá. Imagino que você queira vir buscar. Como vamos fazer?
— Eu adoraria conversar a respeito. — O Homem Cinzento trancou a porta atrás de si. Se os garotos voltassem para buscar algo, ele teria alguns segundos para encontrar um plano de ação. — Pessoalmente.
— Você é realmente horripilante.
— Imagino que você goste de homens horripilantes.
— Provavelmente — admitiu Maura. — Misteriosos, talvez. Horripilante é uma palavra muito forte.
O Homem Cinzento caminhou em meio à confusão da busca de Gansey. Tirou um mapa aberto na parede. Ele ainda não tinha certeza do que estava procurando.
— Você podia me fazer uma leitura. — Ele sorriu ligeiramente enquanto dizia isso, folheando um livro sobre armas medievais que ele também tinha.
Maura ouviu o sorriso em sua voz.
— Com certeza não posso. Nenhum de nós quer isso, posso lhe garantir.
— Tem certeza? Eu poderia ler mais poesia para você quando tiver terminado. Eu sei um monte de poesias.
Maura gargalhou.
— Isso é um lance da Calla.
— E qual é o seu lance? — O Homem Cinzento conferiu uma pilha de livros sobre a língua galesa. Ele se sentia tão encantado com todos aqueles objetos de Richard Gansey.
No entanto, não sabia direito se Gansey compreendia quão bem Glendower estava escondido. A história era sempre enterrada fundo, mesmo quando você sabia onde procurá-la. E era difícil escavá-la sem cometer estragos. Pincéis e esfregões de algodão, não cinzéis e picaretas. Trabalho lento. Você tinha de gostar de fazê-lo.
— O meu lance — disse Maura — é que eu nunca conto qual é o meu lance.
Mas ela estava satisfeita; ele podia sentir isso na voz dela. Ele gostava da voz dela, também. Ela tinha a dose certa de sotaque de Henrietta, de maneira que você sabia de onde ela vinha.
— Você me dá três chances para adivinhar?
Ela não respondeu imediatamente, e ele não a pressionou. Ferimentos do coração, ele sabia, faziam a pessoa pensar mais lentamente.
Enquanto esperava, o Homem Cinzento se inclinou para estudar o modelo em miniatura de Henrietta feito por Gansey. Quanto afeto naquelas ruas minúsculas recriadas! Ele se endireitou com cuidado para não danificar nenhum dos prédios feitos com tanto carinho, e seguiu em direção a um dos dois quartos pequenos. O quarto de Ronan Lynch parecia o cenário de uma briga de bar. Todas as superfícies estavam cobertas por partes caras de alto-falantes caros, partes pontudas de gaiolas pontudas e partes puídas e estilosas de jeans puídos e estilosos.
— Me conte então, sr. Cinzento: você é perigoso?
— Para algumas pessoas.
— Eu tenho uma filha.
— Ah. Eu não sou perigoso para ela. — O Homem Cinzento pegou um estilete da escrivaninha e o estudou. Ele tinha sido usado para ferir algo antes de ser apressadamente limpo.
— Eu só não sei se é uma boa ideia — disse Maura.
— Não sabe?
Ele inverteu uma bota de caubói que parecia fora do lugar. Deu uma sacudida nela, mas nada caiu para fora. Ele não sabia dizer se o Greywaren estava em algum lugar no prédio. Procurar algo sem uma única descrição... Ele tinha de imaginar como um pão se parecia, com base na trilha de migalhas que ele deixava para trás.
— Eu só... Me conte algo verdadeiro a seu respeito.
— Eu tenho uma calça boca de sino — ele confessou. — E uma camisa de discoteca laranja.
— Não acredito em você. Use, então, da próxima vez que nos vermos.
— Não posso — disse o Homem Cinzento, divertido. — Eu teria que mudar o meu nome para sr. Laranja.
— Pessoalmente — respondeu Maura —, não acho que a sua autoimagem deva ser flexível. Especialmente se você for andar por aí como o rei de espadas.
Da sala principal, a maçaneta estalou audivelmente enquanto a tranca era testada.
Alguém estava ali. Alguém sem chave. Ele disse para Maura:
— Guarde essa ideia. Eu preciso ir.
— Matar alguém?
— De preferência não — disse o Homem Cinzento, numa voz muito mais baixa. Então se escondeu atrás da porta semiaberta do quarto de Ronan. — Quase sempre existem maneiras mais fáceis.
— Sr. Cinzento...
Alguém arrombou a porta com um chute. O trabalho cuidadoso do Homem Cinzento com a fechadura foi por água abaixo.
— Depois eu ligo — o Homem Cinzento a interrompeu educadamente.
Parado nas sombras do quarto de Ronan Lynch, ele observou dois homens entrarem cautelosamente. Um usava uma camisa polo grande demais e o outro uma camiseta com um míssil impresso. Os dois homens avaliaram o espaço, obviamente incomodados, e então se dividiram. O da camisa polo grande demais saiu da área próxima das janelas para vigiar o estacionamento, e o outro partiu para cima dos pertences dos garotos. Eles chutaram para o chão pilhas de livros, abriram gavetas e levantaram os colchões vazios.
Em determinado momento, o Míssil se virou para o Camisa Polo. O Míssil segurou um par de óculos escuros para inspeção.
— Gucci. Riquinhos filhos da mãe.
Ele largou os óculos escuros antes de pisar neles. Uma das hastes quebradas escorregou pelas tábuas largas do assoalho até os pés do Homem Cinzento, mas apenas ele a estava observando. Ele se inclinou e pegou o pedaço, passando o polegar, pensativo, sobre a extremidade quebrada e afiada.
Então essas eram as pessoas sobre as quais Greenmantle o tinha avisado. Colegas na busca do Greywaren, o que quer que isso fosse. O Homem Cinzento palitou os dentes com a haste quebrada dos óculos escuros e então usou seu telefone para tirar fotos dos homens para Greenmantle.
Alguma coisa a respeito deles estava fazendo com que ele perdesse a paciência. Talvez o fato de eles ainda não terem notado que ele os estava observando. Ou talvez a ineficiência do seu processo. O que quer que fosse, se solidificou precisamente quando eles começaram a pisotear o modelo em miniatura de Henrietta. Ele não sabia como era o Greywaren, mas estava certo de que poderia encontrá-lo sem chutar um tribunal de papelão em miniatura.
Ele saiu rapidamente do quarto de Ronan.
— Ei! — disse o Míssil do meio da Henrietta destruída. — Não se mexa.
Como resposta, o Homem Cinzento enfiou a extremidade afiada da haste no pescoço do Camisa Polo. Eles lutaram brevemente. O Homem Cinzento usou uma combinação de física e a borda do ar-condicionado da janela para deitar suavemente o outro homem no chão.
Isso aconteceu tão rápido que o Míssil mal os tinha alcançado quando o Homem Cinzento limpava as mãos na calça e dava um passo sobre o corpo.
— Puta que pariu — disse o Míssil, apontando uma faca para o Homem Cinzento.
Essa luta durou um pouco mais que a primeira. A questão não era que o Míssil era ruim; a questão era que o Homem Cinzento era melhor.
E assim que o Homem Cinzento aliviou o outro de sua faca, a luta terminou imediatamente. O Míssil se agachou nos destroços de Henrietta, os dedos se agarrando às tábuas do assoalho, com a respiração ofegante.
— Por que você está aqui? — o Homem Cinzento lhe perguntou. Ele enfiou a ponta da faca o mais fundo possível no ouvido do homem sem fazer um estrago.
O homem já estava tremendo e, diferentemente de Declan Lynch, se entregou de primeira.
— Procurando uma antiguidade para um cliente.
— Quem é ele? — incitou o Homem Cinzento.
— Nós não sabemos o nome dele. Ele é francês.
O Homem Cinzento lambeu os lábios e se perguntou se o lance de Maura não seriam questões ambientais. Ela não estava usando sapatos, e isso, para ele, possivelmente era o tipo de coisa que alguém interessado no meio ambiente poderia fazer.
— Francês morando na França ou francês morando aqui?
— Eu não sei, cara, o que importa? Ele tem sotaque!
Importava para o Homem Cinzento. Ocorreu-lhe que ele teria de trocar de roupa antes de passar pela Rua Fox, 300 em busca de sua carteira. Ele tinha matéria intestinal na calça.
— Você tem um número de contato? É claro que não. Qual era a antiguidade?
— Ah, hum, uma caixa. Ele disse que provavelmente era uma caixa. Chamada Greywaren. Que nós saberíamos quando víssemos.
O Homem Cinzento duvidou muito daquilo. Ele olhou para o relógio. Eram quase onze horas; o dia estava voando e ele tinha muitos planos. Por fim, disse:
— Eu te mato ou te deixo ir embora?
— Por favor...
O Homem Cinzento balançou a cabeça.
— Foi uma pergunta retórica.

4 comentários:

  1. "— Hum — disse o Homem Cinzento, já preferindo esse irmão Lynch ao último."

    São poucas as pessoas que preferem o Ronan ao Declan, se o Homem Cinzento é uma dessas ele merece minha confiança

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  2. Tenho sentimentos muito controversos em relação ao Homem Cinzento

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  3. Quando não sabemos oque pensar sobre o Cinzento ? Bom ou Mal ?

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  4. A autora falou tanto nessa maquete que quando os cara começaram a pisar nela me deu vontade de fazer igual o Homem cinzento.
    Tô imaginando como vai ser a reação dos garotos quando voltarem pra Monmouth...
    Eu tô gostando do Homem cinzento, queria que ele passasse pra o "grupo do bem"

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Boa leitura, E SEM SPOILER!