9 de junho de 2018

Capítulo 22

NA MANHÃ DO baile, Kitty entra no meu quarto quando estou pintando as unhas dos pés.
— Você acha que essa cor combina com meu vestido? — pergunto.
— Parece que você mergulhou as unhas em xarope sabor tutti frutti.
Eu olho para meus pés. Parece mesmo. Talvez eu devesse usar um tom nude.
O consenso é que o vestido pede um coque. “Para mostrar as clavículas”, diz Trina. Eu nunca pensei nas minhas clavículas como algo a ser exibido; na verdade, nunca dei muita atenção às minhas clavículas.
Depois do almoço, Kitty vai comigo ao salão, para supervisionar tudo. Ela diz para a cabeleireira:
— Não deixe arrumado demais, sabe?
A cabeleireira me olha com nervosismo pelo espelho.
— Acho que sim… Você quer que fique natural? — Ela está falando com Kitty, não comigo, porque é óbvio quem está no comando. — Tipo, um coque natural?
— Mas não natural demais. Tipo Grace Kelly. — Kitty procura uma foto no celular e mostra para ela. — Assim, mas queremos o coque de lado.
— Só não use muito laquê — peço timidamente enquanto a cabeleireira enrola meu cabelo em um nó na base do meu pescoço e mostra para Kitty.
— Ficou ótimo — afirma Kitty. Para mim, ela diz: — Lara Jean, ela precisa usar laquê se você não quiser que desmorone.
De repente, estou cheia de dúvida sobre o penteado.
— Nós temos certeza de que queremos um coque?
— Temos — responde Kitty. Para a cabeleireira, ela diz: — Nós vamos fazer o coque.

* * *

O penteado fica mais “arrumado” do que estou acostumada. Meu cabelo foi preso em um coque lateral; a raiz está esticada como a de uma bailarina. Está bonito, mas, quando olho no espelho, não me reconheço. É uma versão mais velha e sofisticada de mim que vai à ópera ou à sinfonia.
Depois de todo o tempo que a cabeleireira passou arrumando meu cabelo, eu desmonto o penteado assim que chego em casa. Kitty grita comigo enquanto penteia meu cabelo, mas eu aguento. Esta noite, quero me sentir eu mesma.
— Como você vai fazer sua grande entrada? — pergunta Kitty enquanto passa a escova pelo meu cabelo uma última vez.
— Grande entrada? — repito.
— Quando Peter chegar aqui. Como você vai entrar na sala?
Trina, que está deitada na minha cama tomando picolé, se empertiga.
— No meu baile, os pais levavam as garotas pela escada, e alguém anunciava a gente.
Eu olho para as duas como se elas fossem doidas.
— Trina, eu não vou me casar. Só vou ao baile.
— Que tal apagar todas as luzes e botar uma música, e você aparece e faz uma pose no alto da escada…
— Eu não quero fazer isso — interrompo.
Ela franze a testa.
— Qual parte?
— Tudo.
— Mas você precisa de um momento em que todo mundo olhe para você e só para você — insiste Kitty.
— Isso se chama “primeiro olhar” — explica Trina. — Não se preocupe, vou filmar tudo.
— Se tivéssemos pensado nisso antes, poderíamos caprichar e talvez viralizasse. — Kitty balança a cabeça para mim de um jeito repreendedor, como se aquilo fosse culpa minha.
— A última coisa de que preciso é de um vídeo meu viralizando. — De forma direta, continuo: — Lembra o vídeo do ofurô?
Ela parece meio envergonhada por um segundo.
— Não vamos ficar remoendo o passado — retruca Kitty, ajeitando meu cabelo.
— Ei, aniversariante — diz Trina para mim. — O plano de sair para comer churrasco amanhã à noite ainda está de pé?
— Está.
Com o falecimento de Stormy, o baile, o casamento do papai e tudo mais, não pensei muito no meu aniversário. Trina queria dar um festão, mas eu falei que preferia jantar fora com a família e comer bolo com sorvete em casa. Trina e Kitty vão fazer o bolo enquanto eu estiver no baile, e vamos ver como vai ficar!

* * *

Quando Peter e a mãe dele chegam, ainda estou correndo de um lado para outro, dando os últimos retoques.
— Pessoal, Peter e a mãe chegaram — grita meu pai do pé da escada.
— Perfume! — exclamo para Kitty, que o borrifa em mim. — Onde está minha bolsa?
Trina a joga para mim e pergunta:
— Você botou batom aí?
Eu abro para olhar.
— Botei! Onde estão meus sapatos?
— Aqui — diz Kitty, pegando-os no chão. — Coloque logo. Vou descer e dizer que você está quase pronta.
— Vou abrir uma garrafa de champanhe para os adultos — diz Trina, indo atrás dela.
Não sei por que estou tão nervosa. É só Peter. Acho que o baile tem mesmo uma magia especial. A última coisa que faço é botar o anel de Stormy, e penso em como ela deve estar me olhando agora, feliz por eu estar usando o anel dela na noite do baile, em homenagem a ela e a todos os bailes a que foi.
Quando desço a escada, Peter está sentado no sofá com a mãe. Ele está balançando o joelho, e é assim que sei que também está nervoso. Assim que me vê, ele levanta.
Peter ergue as sobrancelhas.
— Você está… uau.
Na última semana, ele perguntou detalhes de como era meu vestido, e eu enrolei para fazer surpresa, e fico feliz por ter feito isso, porque vale a pena ver a expressão no rosto dele.
— Você também está uau.
O smoking cai tão bem nele que parece feito sob medida, mas não é; foi alugado na After Hours Formal Wear. Eu me pergunto se a sra. Kavinsky fez alguns ajustes. Ela é excelente com agulha e linha. Eu queria que os garotos pudessem usar smoking com mais frequência, apesar de achar que tiraria um pouco da graça.
Peter coloca meu corsage no pulso; é um ranúnculo branco com mosquitinho, o arranjo exato que eu escolheria. Já estou pensando em pendurá-lo na minha cama para que seque do jeito que está. Kitty também está arrumada. Ela colocou seu vestido favorito para aparecer nas fotos.
Quando Peter lhe entrega um corsage de margaridas, o rosto de Kitty fica rosado de satisfação, e ele pisca para mim. Nós tiramos uma foto minha com ela, depois uma minha com Peter e ela, então ela diz, daquele jeito mandão:
— Agora só Peter e eu.
E eu sou empurrada para o lado com Trina, que ri.
— Os garotos da idade dela vão ver o que é bom — diz ela para mim e para a mãe de Peter, que também está sorrindo.
— Por que não estou em nenhuma foto? — pergunta papai, e é claro que tiramos uma série de fotos com ele também, e algumas com Trina e a sra. Kavinsky.
Depois, tiramos fotos do lado de fora, ao lado da árvore no quintal, ao lado do carro de Peter, nos degraus da frente, até que ele diz:
— Chega! Nós vamos acabar perdendo o baile.
Quando vamos para o carro, ele abre a porta para mim de forma galante.
No caminho, Peter fica olhando para mim toda hora. Eu mantenho o olhar voltado para a frente, mas consigo vê-lo pelo canto do olho. Nunca me senti tão admirada. Devia ser assim que Stormy se sentia o tempo todo.

* * *

Assim que chegamos ao baile, eu digo para Peter que temos que entrar na fila para a foto oficial do baile com o fotógrafo profissional. Peter diz que devíamos esperar até a fila diminuir, mas eu insisto. Quero uma foto boa para o scrapbook antes de o penteado desmontar. Fazemos a pose clássica, com Peter atrás de mim, as mãos na minha cintura. O fotógrafo nos deixa dar uma olhada na foto, e Peter insiste em tirar outra porque não gostou de como o cabelo dele ficou.
Depois da foto oficial, encontramos nossos amigos na pista de dança. Darrell combinou a cor da gravata com o vestido de Pammy, lilás. Chris está usando um vestido preto justo, não muito diferente do que Kitty escolheu para eu experimentar quando fomos fazer compras com Margot. Lucas parece um lorde inglês em seu terno perfeitamente ajustado. Eu consegui convencer Chris e Lucas a irem ao sugerir que os dois “dessem só uma passada”. Chris disse que ia para uma boate com os amigos do trabalho de qualquer jeito, mas, pelo que parece, não vai a lugar algum tão cedo. Ela é o centro das atenções por causa do vestido.
“Style” começa a tocar, e todos nós vamos à loucura, gritando bem alto e pulando. Peter fica mais louco que todo mundo. Ele me pergunta várias vezes se estou me divertindo. Só pergunta em voz alta uma vez, mas continua querendo saber com os olhos, brilhantes e esperançosos, cheios de expectativa. Com um olhar, eu digo Sim, sim, sim, estou me divertindo.
Nós estamos começando a pegar o jeito de dançar música lenta. Talvez a gente devesse fazer aulas de dança de salão quando eu me transferir para a UVA, para podermos ficar bons de verdade.
Digo isso a ele, que me responde de forma afetuosa:
— Você sempre quer ir mais longe em tudo. Como com os cookies com gotas de chocolate.
— Já desisti disso.
— Como com as fantasias de Halloween.
— Eu gosto que as coisas sejam especiais. — Peter sorri para mim. — É uma pena, nós nunca vamos dançar de rosto colado.
— Talvez a gente possa encomendar pernas de pau pra você.
— Ah, você está falando de saltos altos?
Ele ri.
— Acho que não existe salto de vinte e cinco centímetros.
Eu o ignoro.
— Pena que seus braços magricelas não sejam fortes o bastante para me levantar.
Peter solta um rugido de leão ferido e me pega no colo e gira, como eu sabia que faria. É raro conhecer alguém tão bem — saber se a pessoa vai seguir pelo caminho da esquerda ou da direita. Fora da minha família, acho que ele é quem eu conheço melhor.

* * *

Claro que Peter vence o concurso de rei do baile. A rainha é Ashanti Dickson. Fico aliviada de não ser Genevieve lá em cima, dançando com ele com uma tiara na cabeça. Ashanti tem quase a mesma altura de Peter, e os dois poderiam dançar de rosto colado, mas não dançam. Ele olha para mim e pisca. Estou de pé ao lado de Marshawn Hopkins, o par de Ashanti. Ele se inclina na minha direção e diz:
— Quando eles voltarem, a gente devia ignorar os dois e sair dançando.
Isso me faz rir.
Sinto orgulho de Peter, de como ele dança com a postura certa, as costas retas. Em um momento mais intenso da música, Peter joga Ashanti para trás, e todo mundo faz o maior alvoroço, e também sinto orgulho disso. As pessoas são tão sinceras na afeição que sentem por ele. Todos podem celebrar Peter porque ele é legal e faz todo mundo se sentir bem. Ele dá mais brilho a esta noite, e todos ficam felizes por isso, e eu também. Fico feliz por ele ter essa despedida.

* * *

Uma última dança.
Nós dois estamos em silêncio. Ainda não acabou. Ainda temos o verão inteiro pela frente.
Mas o ensino médio, nós dois aqui, juntos, os atuais Lara Jean e Peter, essa fase acabou. Nunca mais vamos ser as mesmas pessoas que somos hoje.
Estou me perguntando se Peter também está triste quando ele sussurra:
— Dá uma olhada no Gabe tentando botar a mão na bunda da Keisha.
Ele me vira de leve para eu poder ver. Gabe está mesmo com a mão na lombar de Keisha, como uma borboleta indecisa procurando um lugar para pousar. Dou uma risadinha. É por isso que eu gosto tanto de Peter. Ele vê coisas que eu não vejo.
— Já sei qual devia ser nossa música — diz ele.
— Qual?
Então, como magia, a voz de Al Green se espalha pelo salão do hotel. É “Let’s Stay Together”.
— Você os fez tocar isso — acuso, já com lágrimas nos olhos.
Ele sorri.
— É o destino.
Whatever you want to do… is all right with me-ee-ee.
Peter segura minha mão e coloca sobre o peito.
— “Let’s, let’s stay together” — canta ele. A voz soa límpida e verdadeira, tudo que amo nele.

* * *

A caminho do pós-baile, Peter diz que está com fome e pergunta se podemos parar na lanchonete antes.
— Acho que vai ter pizza no pós-baile — digo. — Por que a gente não come lá?
— Mas eu quero panqueca — resmunga ele.
Nós paramos no estacionamento da lanchonete, e ele sai do carro e corre até o lado do carona para abrir minha porta.
— Está tão cavalheiro hoje — comento, o que o faz sorrir.
Nós andamos até a lanchonete, e ele abre a porta para mim cheio de pompa.
— Eu poderia me acostumar com esse tratamento real.
— Ei, eu abro portas para você — protesta ele.
Nós entramos, e eu fico paralisada. Nossa mesa, aquela em que sempre nos sentamos, está com balões cor-de-rosa amarrados em volta. Tem um bolo redondo no meio da mesa, um monte de velas, cobertura rosa com confeitos e Feliz aniversário, Lara Jean escrito com cobertura branca. De repente, vejo a cabeça das pessoas aparecerem de debaixo de mesas e de trás de cardápios. São todos os nossos amigos, ainda com os trajes do baile: Lucas, Gabe, o par de Gabe, Keisha, Darrell, Pammy e Chris.
— Surpresa! — Todo mundo grita.
Eu me viro.
— Ah, meu Deus, Peter!
Ele ainda está sorrindo quando olha para o relógio.
— É meia-noite. Feliz aniversário, Lara Jean.
Eu me jogo para abraçá-lo.
— Isso é exatamente o que eu queria fazer no meu aniversário na noite do baile e nem sabia.
Eu o solto e corro até a mesa.
Todo mundo se aproxima para me abraçar.
— Eu não tinha ideia de que vocês sabiam que meu aniversário era amanhã! Quer dizer, hoje!
— Claro que a gente sabia — diz Lucas.
— O garotão aqui está planejando isso há semanas — completa Darrell.
— Foi tão fofo — diz Pammy. — Ele me ligou para perguntar que tipo de assadeira devia usar para o bolo.
— Ele me ligou para perguntar isso também — diz Chris. — Eu falei: como é que eu vou saber?
— E você! — Eu bato no braço de Chris. — Achei que você ia para uma festa com seus amigos!
— Talvez eu ainda vá depois de roubar umas batatas. Minha noite está só começando, gata. — Ela me puxa para um abraço e me dá um beijo na bochecha. — Feliz aniversário, garota.
Eu me viro para Peter.
— Não consigo acreditar que você fez isso.
— Eu que fiz o bolo — se gaba ele. — Foi de caixa, mas mesmo assim. — Ele tira o paletó e pega um isqueiro no bolso para começar a acender as velas. Gabe pega uma vela acesa e o ajuda. Depois, Peter se senta na mesa e balança as pernas. — Venha.
Eu olho em volta.
— Hum…
É nessa hora que ouço as notas de abertura de “If You Were Here”, dos Thompson Twins.
Minhas mãos voam para as bochechas. Não consigo acreditar. Peter está recriando a cena final de Gatinhas e Gatões, quando Molly Ringwald e Jake Ryan se sentam em uma mesa com um bolo de aniversário entre os dois. Quando vimos o filme alguns meses atrás, eu disse que era a coisa mais romântica que eu já tinha visto. E agora ele está fazendo para mim.
— Suba antes que as velas derretam, Lara Jean — diz Chris.
Darrell e Gabe me ajudam a subir na mesa, tomando cuidado para não botar fogo no meu vestido.
— Agora você olha para mim com adoração, para eu poder me inclinar para a frente, assim — diz Peter.
Chris se adianta e afofa minha saia.
— Enrole mais a manga — diz ela para Peter, olhando para o celular e para nós. Peter obedece, e Chris assente. — Está bom, está bom.
Ela volta para onde estava e começa a fotografar. Não preciso de esforço nenhum para olhar para Peter com adoração hoje.
Quando sopro as velas e faço meu pedido, desejo sempre sentir por Peter o que estou sentindo agora.

14 comentários:

  1. Como o Peter é tão fofo aaaaa

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  2. Ahhhhh que fofosss.. quero um namorado assim❤

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    1. QUEM NÃO QUER?!! Ooooowwwnnnn 💚
      Pena q só existe nos livros ಠ_ಠ

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    2. entao entra na fila porque eu o quero desde o primeiro livo
      teamPeter
      ASS:Janielli

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  3. Lindos... 😍😎
    Pena q só acontece nos livros e filmes.

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  4. Peter seu lindo!!
    Como que eu preferi o Josh em vez do Peter?
    Como que eu preferi o Jonh em vez do Peter?
    AHHHH

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  5. Esperando acontecer comigo isso , e pensar que eu já odiei peter ❤❤😍

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  6. Peter fez a Lara Jean desabrochar. Acho que isso que é amar! ☺
    (Ownttt ele fez o bolo)
    A.D.R

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  7. O Peter sempre foi o cara que sabe exatamente o que dizer é fazer. Amo ele 😍💖

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  8. Aaaaaaaaaaaaa!!!! Alguém me envia um Peter pelo Correio, sei que vai demorar, mas eu espero assim mesmo! ❤❤😍😍

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Boa leitura, E SEM SPOILER!