9 de junho de 2018

Capítulo 20

TRINA E EU estamos no sofá tomando chá. Estou mostrando a ela fotos de arranjos florais quando papai entra pela porta da frente e desaba no sofá conosco.
— Dia longo? — pergunta Trina.
— O mais longo de todos — responde ele, fechando os olhos.
— Tenho uma pergunta — digo.
Ele abre os olhos.
— Sim, filha do meio?
— O que vocês estão pensando para a primeira dança?
Ele geme.
— Estou cansado demais agora para pensar em danças.
— Por favor. É seu casamento! Precisa se interessar, papai.
Trina ri e cutuca a lateral dele com o pé.
— Precisa se interessar, Dan!
— Tudo bem, tudo bem. Bom, Trina é fã de Shania Twain. — Eles sorriem um para o outro. — Então… que tal “From This Moment On”?
— Aww — diz ela. — Você me conhece mesmo.
— Shania Twain? — repito. — É ela quem canta aquela música “Man! I Feel Like a Woman”?
Trina segura a caneca como se fosse um microfone e inclina a cabeça.
— “From this moment, I will love you” — canta ela, desafinada.
— Acho que não conheço essa música — digo, tentando parecer neutra.
— Bote para tocar no celular — pede ela para papai.
— Não julgue — avisa ele, e bota a música.
É a música mais nada a ver com ele que já ouvi. Mas ele fica com um sorriso bobo no rosto o tempo todo, que só aumenta quando Trina envolve os ombros dele com um dos braços e o faz balançar com o ritmo.
— É perfeita — digo, e de repente sinto vontade de chorar. Eu pigarreio. — Agora que a música está escolhida, podemos começar a avançar pela lista. Ando discutindo com a Tilly’s Treats por causa dos pudins de banana em potinhos de conserva, e eles dizem que não podem fazer por menos de sete dólares cada um.
Papai franze a testa.
— Parece meio caro, não?
— Não se preocupe, vou fazer uma visita a uma confeitaria de Richmond, e se o preço do frete não for muito alto, pode ser a solução. — Viro as páginas do meu fichário. — Eu ando tão focada nas sobremesas que não tive oportunidade de me reunir com a banda com que fiz contato. Eles vão tocar em Keswick este fim de semana, então talvez eu vá vê-los.
Papai olha para mim com preocupação.
— Querida, parece que você substituiu os doces pelo planejamento do casamento para aliviar o estresse. Isso está meio exagerado.
— A banda não é exatamente uma banda — digo rapidamente. — É um vocalista e um cara com um violão. Eles estão começando, então os valores são bem razoáveis. Vou saber mais quando os conhecer pessoalmente.
— Eles não têm vídeos que você possa assistir? — pergunta Trina.
— Claro, mas não é a mesma coisa.
— Acho que não precisamos de uma banda — diz papai, trocando um olhar com Trina. — Acho que ficaríamos ótimos botando música para tocar no computador.
— Isso é bom, mas teríamos que alugar o equipamento de som. — Eu começo a folhear o fichário, e Trina apoia a mão no meu braço.
— Querida, acho ótimo você querer nos ajudar com isso e fico muito agradecida. Mas, sinceramente, eu ia preferir que você não se estressasse com isso. Seu pai e eu não ligamos para os detalhes. Nós só queremos nos casar. Não precisamos de food truck nem de pudins de banana. Ficaríamos felizes mesmo só de pedir churrasco no BBQ Exchange. — Eu começo a falar, mas ela me impede. — Você só tem um último ano do ensino médio e quero que o aproveite. Você tem um namorado gato e acabou de entrar em uma ótima faculdade. Seu aniversário está chegando. É hora de vocês serem jovens, comemorarem e aproveitarem a companhia um do outro!
— Com certos limites, claro — completa papai rapidamente.
— Mas eu não estou estressada — protesto. — Me concentrar no casamento me dá uma sensação de paz! É bem tranquilizador para mim.
— E você tem ajudado muito, mas acho que tem outras coisas em que você devia estar pensando. Como terminar o último ano e se preparar para a faculdade. — Papai está com aquela expressão firme e impassível no rosto, a que vejo tão raramente.
Eu franzo a testa.
— Então é isso, vocês não querem mais que eu ajude com o casamento?
— Eu ainda quero que você fique encarregada dos vestidos das madrinhas, e adoraria que você fizesse nosso bolo de casamento… — diz Trina.
— E o bolo do noivo? — interrompo.
— Claro. Mas o resto nós vamos resolver. Juro que estamos fazendo isso para o seu bem, Lara Jean. Chega de discutir preços com prestadores de serviço.
— Chega de viagens improvisadas para Richmond atrás de mesas de bolo — acrescenta papai.
Dou um suspiro relutante.
— Se vocês têm certeza…
Trina assente.
— Seja jovem. Concentre-se em encontrar um vestido para o baile. Você já começou a procurar?
— Mais ou menos. — Só agora estou me dando conta de que estamos a menos de um mês do baile e eu ainda não tenho vestido. — Se vocês têm certeza…
— Nós temos certeza — diz papai, e Trina assente.
Enquanto subo a escada, ouço papai sussurrar para ela:
— Por que você a está encorajando a ir aproveitar o namorado gato dela?
Eu quase dou uma gargalhada alta.
— Não foi isso que eu quis dizer! — retruca Trina.
Ele faz um som de reprovação.
— Foi o que pareceu.
— Ai, meu Deus, não precisa ser tão literal, Dan. Além do mais, o namorado dela é gato.

* * *

Pesquiso vestidos de baile no computador e dou uma gargalhada toda vez que penso em papai chamando Peter de meu “namorado gato”. Depois de uma hora pesquisando, tenho certeza de que encontrei o vestido certo. É no estilo bailarina, com corpete de tecido metálico trançado e saia de tule. O site chama a cor de rosa-antigo. Stormy vai ficar satisfeita.
Com isso resolvido, entro no site da William and Mary e pago a taxa de matrícula, como devia ter feito semanas antes.

* * *

Na mesma semana, no caminho para a escola, Peter diz que escapou de fazer uma entrega para a mãe dele e que pode ir comigo ver a banda tocar em Keswick.
— Acontece que papai e Trina não querem a banda — digo, chateada. — Não querem quase nada, na verdade. Eles querem que seja um casamento barato. Vão pegar umas caixas de som emprestadas e botar música do computador. Adivinha que música eles escolheram para a primeira dança?
— Qual?
— “From This Moment On”, da Shania Twain.
Ele franze a testa.
— Nunca ouvi falar.
— É muito brega, mas, ao que parece, eles adoram. Sabia que a gente não tem uma música? Uma música nossa?
— Tudo bem, vamos escolher uma.
— Não funciona assim. Não se escolhe a música. A música escolhe você. Que nem o Chapéu Seletor.
Peter assente com vigor. Ele finalmente terminou de ler os sete livros do Harry Potter e sempre quer provar que entende minhas referências.
— Entendi.
— Tem que… acontecer. Um momento. E a música transcende o momento, sabe? A música da minha mãe e do meu pai era “Wonderful Tonight”, do Eric Clapton. Eles dançaram no casamento deles.
— E como se tornou a música deles?
— Foi a primeira música lenta que eles dançaram na faculdade. Foi em um baile, pouco depois de começarem a namorar. Já vi fotos daquela noite. Papai vestia um terno grande demais e o cabelo da minha mãe estava preso em um coque banana.
— Que tal assim: a próxima música que tocar vai ser a nossa música. Vamos deixar o destino escolher.
— Nós não podemos fazer o nosso destino.
— Claro que podemos. — Peter estica a mão e liga o rádio.
— Espere! Qualquer estação de rádio? E se não for uma música lenta?
— Tudo bem, vamos botar na Lite 101.
Peter aperta o botão.
— O Ursinho Pooh não sabe o que fazer, está com um pote de mel preso no focinho — diz uma mulher.
— Que merda é essa? — pergunta Peter.
— Essa não pode ser a nossa música.
— Melhor de três?
— Não vamos forçar a barra. Vamos saber quando ouvirmos, eu acho.
— Talvez a gente ouça no baile — comenta Peter. — Ah, isso me lembra uma coisa. De que cor é o seu vestido? A minha mãe vai pedir à amiga florista para fazer seu corsage.
— É rosa-antigo. — Chegou pelo correio ontem, e quando experimentei, Trina disse que era o vestido “mais Lara Jean” que ela já tinha visto. Mandei uma foto para Stormy, que respondeu com um “Uh la la” e um emoji de mulher dançando.
— O que é rosa-antigo? — pergunta Peter.
— É um tom de rosa meio dourado. — Peter continua parecendo confuso, então suspiro e digo: — É só falar para a sua mãe. Ela vai saber. E você pode levar um corsage menor para Kitty e fingir que foi ideia sua?
— Claro, mas eu poderia ter tido essa ideia sozinho, sabe? — resmunga ele. — Você devia me dar a oportunidade de ter minhas próprias ideias.
Eu dou um tapinha no joelho dele.
— Só não esqueça.

8 comentários:

  1. Agora eu me pergunto:como teve uma época q eu n gostava do Peter?

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    1. Mandy Nerd K-Otaku26 de junho de 2018 15:37

      me pergunto a mesma coisa....

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    2. Gente n sei nem como vcs n se apaixonaram desde o primeiro livro

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  2. Sempre gostei do Peter ele tirava Lara Jean de eu habitual e lhe mostrava coisas diferentes a fazia feliz, só ficava com raiva dele quando ele encontrava com a Genevive😒

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    1. Exatamente como eu... gostava dele mas dentia raiva nesses momentos, tinha vontade de socar a cara dele e depois dar um bj pra sarar KKKK

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