20 de junho de 2018

Capítulo 1

O tempo estava congelante no adro da igreja, mesmo antes de os mortos chegarem.
Todos os anos, Blue e sua mãe, Maura, iam ao mesmo lugar, e todos os anos fazia frio. Mas aquele ano, sem Maura ali com ela, parecia pior.
Era 24 de abril, véspera do Dia de São Marcos. Para a maioria das pessoas, o Dia de São Marcos ia e vinha sem que o notassem. Não era feriado escolar. Não se trocavam presentes. Não havia fantasias ou festivais. Não havia promoções do Dia de São Marcos, não havia cartões do Dia de São Marcos nas prateleiras das lojas, nenhum programa de televisão especial que fosse ao ar apenas uma vez no ano.
Ninguém marcava o dia 25 de abril no calendário. Na realidade, a maioria das pessoas vivas nem sabia que são Marcos tinha um dia em sua homenagem.
Mas os mortos se lembravam.
Enquanto Blue tremia, sentada sobre o muro de pedra, pensou que pelo menos não estava chovendo naquele ano.
Era para aquele lugar que Maura e Blue iam em todas as vésperas do Dia de São Marcos: uma igreja isolada tão velha que seu nome havia sido esquecido. A ruína estava envolta pela densa vegetação das colinas, nas cercanias de Henrietta, distante ainda vários quilômetros das montanhas propriamente ditas. Apenas as paredes exteriores permaneciam; o teto e o piso haviam desabado há muito tempo. O que não havia apodrecido estava escondido debaixo de trepadeiras ávidas e árvores jovens de cheiro rançoso. A igreja era cercada por um muro de pedra, interrompido apenas por um portão coberto, largo o suficiente para um caixão e seus condutores. Um caminho teimoso que parecia impermeável a ervas daninhas levava até a velha porta da igreja.
— Ah — sibilou Neeve, gorducha, mas estranhamente elegante, ao se sentar ao lado de Blue sobre o muro. Blue se impressionou outra vez, como no momento em que a conhecera, com suas mãos peculiarmente atraentes. Punhos roliços levavam a palmas suaves como as de uma criança e a dedos delgados com unhas ovais.
— Ah — murmurou Neeve novamente. — Esta é uma daquelas noites.
Foi assim que ela disse: “Esta é uma daquelas noites”, e nesse momento Blue sentiu a pele se arrepiar um pouco. Ela havia ficado de vigília com a mãe pelas últimas dez vésperas de são Marcos, mas aquela noite parecia diferente.
Era uma daquelas noites.
Naquele ano, pela primeira vez, e por razões que Blue não compreendia, Maura havia mandado Neeve para fazer a vigília na igreja em seu lugar. Havia perguntado a Blue se ela iria, como de costume, mas não foi bem uma pergunta. Blue sempre fora; iria dessa vez também. Não era como se tivesse feito planos para a véspera de são Marcos. Mas tinha de ser consultada. Maura havia decidido em algum momento, antes do nascimento de Blue, que era desumano dar ordens às crianças, e assim a garota havia crescido cercada por pontos de interrogação imperativos.
Blue abriu e fechou as mãos geladas. As bordas das luvas sem dedos estavam puídas. Ela as havia tricotado, muito mal, no ano passado, mas mesmo assim elas mantinham certa elegância ordinária. Se Blue não fosse tão vaidosa, poderia usar as luvas sem graça, mas funcionais, que ganhara no Natal. Mas ela era vaidosa, por isso usava as luvas sem dedos e puídas, infinitamente mais legais, embora não tão quentes, e não havia ninguém para vê-las, a não ser Neeve e os mortos.
Os dias de abril em Henrietta eram com frequência belos e suaves, induzindo árvores preguiçosas a florescer e joaninhas apaixonadas a bater contra as vidraças.
Mas não naquela noite. Parecia inverno.
Blue consultou o relógio. Faltavam poucos minutos para as onze horas. As lendas antigas recomendavam que a vigília na igreja fosse feita à meia-noite, mas os mortos não eram pontuais, em especial quando não havia lua.
Diferentemente de Blue, que não tendia à paciência, Neeve era uma estátua majestosa sobre o muro da velha igreja: mãos sobrepostas, tornozelos cruzados por baixo da longa saia de lã. Blue, encolhida, mais baixa e mais magra, era uma gárgula agitada e cega. Não era uma noite para seus olhos comuns. Era uma noite para videntes e paranormais, bruxas e médiuns.
Em outras palavras, o resto de sua família.
Em meio ao silêncio, Neeve perguntou:
— Está ouvindo algo? — Seus olhos brilhavam na escuridão.
— Não — respondeu Blue, pois não ouvia nada. Então ela se perguntou se Neeve perguntara isso porque ela sim ouvira algo.
Neeve a encarava com o mesmo olhar que usava em todas as suas fotos no site — um olhar fixo e sobrenatural, deliberadamente enervante, que durava vários segundos a mais do que seria confortável. Alguns dias após a chegada de Neeve, Blue ficara perturbada o suficiente para mencionar isso para Maura. As duas estavam apinhadas no único banheiro, Blue se aprontando para a escola e Maura para o trabalho.
Enquanto tentava prender todas as partes do cabelo escuro em um rabo de cavalo rudimentar, a garota perguntou:
— Ela precisa encarar as pessoas daquele jeito?
No chuveiro, sua mãe desenhava formas no boxe de vidro coberto de vapor. Ela parou para rir, um lampejo da pele visível através das linhas longas e cruzadas que ela havia desenhado.
— É a marca registrada dela.
Blue pensou que talvez houvesse coisas melhores pelas quais ser conhecida.
No adro, Neeve disse enigmaticamente:
— Há muito para ouvir.
A questão era que não havia. No verão, os contrafortes estavam vivos com insetos zunindo, tordos assobiando para lá e para cá, corvos ralhando com os carros. Mas aquela noite estava fria demais para qualquer coisa ainda estar acordada.
— Eu não ouço coisas assim — disse Blue, um pouco surpresa de que Neeve ainda não soubesse disso. Na família acentuadamente clarividente de Blue, ela era uma casualidade, uma estranha às conversas vibrantes que sua mãe, tias e primas mantinham com o mundo escondido para a maioria das pessoas. A única coisa especial sobre ela era algo que ela mesma não conseguia experimentar. — Eu ouço tanto dessas conversas quanto o telefone. Eu só torno as coisas mais intensas para os outros.
Neeve ainda a encarava.
— Então é por isso que a Maura estava tão ansiosa para que você viesse comigo. Ela chama você para todas as leituras também?
O pensamento fez Blue estremecer. Um número considerável de clientes que entravam na casa da Rua Fox, 300, era de mulheres infelizes, esperando que Maura visse amor e dinheiro em seu futuro. A ideia de se ver presa em casa com isso o dia inteiro era torturante. Blue sabia que com certeza era tentador para sua mãe tê-la presente, para tornar seus poderes paranormais mais fortes. Quando era mais jovem, a garota nunca havia entendido que Maura a chamasse tão poucas vezes para se juntar a ela em uma leitura, mas, agora que compreendia quanto aprimorava o talento das outras pessoas, ela ficava impressionada com a moderação de Maura.
— Não, a não ser que seja uma leitura muito importante — ela respondeu.
O olhar de Neeve havia passado da linha sutil entre o desconcertante e o horripilante. Então ela disse:
— Isso é algo de que você devia se orgulhar, sabia? Tornar mais forte o dom paranormal de outra pessoa é algo raro e valioso.
— Pfff — exclamou Blue, não de forma cruel, mas tentando ser engraçada. Ela tivera dezesseis anos para se acostumar à ideia de que não tinha intimidade com o sobrenatural e não queria que Neeve pensasse que ela estava experimentando uma crise de identidade a respeito. Blue puxou um fio da luva.
— E você tem muito tempo para desenvolver seus próprios talentos intuitivos — acrescentou Neeve, com um olhar parecendo faminto.
Blue não respondeu. Ela não estava interessada em ler o futuro de outras pessoas. Estava interessada em correr atrás do próprio futuro.
Neeve finalmente baixou o olhar. Traçando um dedo preguiçoso pela terra sobre as pedras entre elas, disse:
— Eu passei por uma escola a caminho da cidade. Academia Aglionby. É lá que você estuda?
Os olhos de Blue se abriram com humor. Mas é claro que a tia, uma pessoa de fora, não poderia saber. Mesmo assim, ela podia ter deduzido, pelo saguão enorme de pedra e o estacionamento cheio de carros que falavam alemão, que aquele não era o tipo de escola que ela e a mãe podiam pagar.
— É uma escola só para garotos. Para filhos de políticos, de barões do petróleo e... — Blue se esforçou para pensar em quem mais seria rico o suficiente para mandar seus filhos para Aglionby — para os filhos de amantes que vivem de suborno.
Neeve elevou uma sobrancelha sem voltar os olhos.
— Não, sério, eles são horríveis — disse Blue.
Abril era uma época difícil para os garotos da Aglionby; à medida que esquentava, os conversíveis apareciam, trazendo garotos em bermudas tão ridículas que só os ricos teriam coragem de usar. Durante a semana escolar, todos vestiam o uniforme da Aglionby: calça cáqui e um blusão com gola em V com o emblema de um corvo. Era uma maneira fácil de identificar o exército que avançava. Garotos corvos.
Blue continuou:
— Eles acham que são melhores que a gente e que todas nós somos malucas por eles. E bebem até cair todos os fins de semana e picham as placas de saída de Henrietta.
A Academia Aglionby era a razão número um pela qual Blue havia desenvolvido suas duas regras: primeira, fique longe dos garotos, porque eles trazem problemas. E segunda, fique longe dos garotos da Aglionby, porque eles são uns canalhas.
— Você parece ser uma adolescente muito sensata — disse Neeve, o que incomodou Blue, pois ela já sabia que era uma adolescente muito sensata. Quando você tinha tão pouco dinheiro como os Sargent, a sensatez em relação a todas as questões era entranhada desde cedo.
Na luz ambiente da lua quase cheia, Blue percebeu o que Neeve havia desenhado na terra. E perguntou:
— O que é isso? Minha mãe já fez esse desenho.
— É mesmo? — perguntou Neeve. Elas estudaram as formas. Eram três linhas curvas que se cruzavam, formando uma espécie de triângulo longo. — Ela disse o que era?
— Ela estava desenhando isso no boxe do chuveiro, mas não perguntei.
— Eu sonhei com isso — disse Neeve, em um tom de voz baixo que enviou um arrepio desagradável pela nuca de Blue. — Eu queria ver como ficava desenhado.
Ela esfregou a palma sobre o desenho, então abruptamente ergueu uma bela mão e disse:
— Acho que eles estão vindo.
Era por isso que Blue e Neeve estavam ali. Todos os anos, Maura se sentava no muro, com os joelhos puxados até o queixo, olhava para o vazio e recitava nomes para Blue. Para ela, o adro seguia vazio, mas, para Maura, ele estava cheio de mortos. Não de pessoas que já estavam mortas, mas dos espíritos daqueles que morreriam nos próximos doze meses. Para Blue, aquilo sempre fora como ouvir metade de uma conversa. Às vezes sua mãe reconhecia os espíritos, mas frequentemente tinha de se inclinar para frente para perguntar o nome deles.
Maura lhe explicara certa vez que, se a filha não estivesse ali, ela não poderia convencê-los a lhe responder — os mortos não conseguiriam ver Maura sem a presença de Blue.
Blue nunca se cansava de se sentir particularmente necessária, mas às vezes ela gostaria que necessária parecesse menos com um sinônimo de útil.
A vigília na igreja era crucial para um dos serviços mais incomuns de Maura. Contanto que os clientes vivessem na região, ela garantia que os avisaria se eles ou um ente querido estivessem prestes a morrer nos próximos doze meses. Quem não pagaria por isso? Bem, a resposta na verdade era: a maior parte do mundo, já que a maioria das pessoas não acreditava em fenômenos paranormais.
— Você está vendo alguma coisa? — perguntou Blue, esfregando bem as mãos dormentes antes de pegar um caderno e uma caneta no muro.
Neeve estava absolutamente imóvel.
— Algo tocou meu cabelo agora há pouco.
Mais uma vez, um arrepio subiu pelos braços de Blue.
— Um deles?
Em um tom de voz rouco, Neeve disse:
— Os futuros mortos têm de seguir o caminho dos corpos pelo portão. Esse provavelmente é outro... espírito chamado pela sua energia. Eu não percebi o efeito que você teria.
Maura nunca havia mencionado outras pessoas mortas sendo atraídas por Blue. Talvez ela não quisesse assustá-la. Ou talvez Maura simplesmente não as tivesse visto — talvez ela fosse tão cega para esses outros espíritos quanto Blue.
Blue se sentiu desconfortável com uma brisa mais rápida que lhe tocou o rosto, fazendo levantar o cabelo encrespado de Neeve. Uma coisa eram espíritos invisíveis e ordeiros de pessoas ainda não verdadeiramente mortas. Outra eram fantasmas que não estavam a fim de permanecer no caminho.
— Eles estão... — Blue começou a falar.
— Quem é você? Robert Neuhmann — interrompeu-a Neeve. — Qual é o seu nome? Ruth Vert. Qual é o seu nome? Frances Powell.
Rabiscando rapidamente para acompanhá-la, Blue escrevia os nomes foneticamente, conforme Neeve perguntava. De tempos em tempos, erguia o olhar para o caminho, tentando ver... algo. Mas, como sempre, só via o capim crescido, os carvalhos quase imperceptíveis e a boca negra da igreja, aceitando espíritos invisíveis.
Nada para ouvir, nada para ver. Nenhuma evidência dos mortos, exceto pelos nomes escritos no caderno que tinha na mão.
Talvez Neeve estivesse certa. Talvez Blue estivesse tendo uma espécie de crise de identidade. Em alguns dias, parecia um pouco injusto que toda a maravilha e o poder que cercavam sua família tivessem passado para Blue na forma de papelada. Pelo menos eu ainda posso fazer parte disso, pensou Blue de um jeito sério, apesar de se sentir tão incluída quanto um cão-guia para cegos. Segurou o caderno bem próximo do rosto, a fim de ler no escuro. Era uma lista de nomes comuns setenta ou oitenta anos atrás: Dorothy, Ralph, Clarence, Esther, Herbert, Melvin.
Um monte dos mesmos sobrenomes, também. O vale estava dominado por várias famílias antigas e numerosas, talvez influentes.
Em algum lugar fora dos pensamentos de Blue, o tom de Neeve ficou mais enfático.
— Qual é o seu nome? — ela perguntou. — Com licença. Qual é o seu nome?
A expressão consternada parecia errada em seu rosto. Por hábito, Blue seguiu o olhar de Neeve até o centro do adro.
E ela viu alguém.
O coração de Blue martelava no peito. Do outro lado do batimento cardíaco, ele ainda estava ali. Onde não deveria haver nada, havia uma pessoa.
— Eu estou vendo — disse Blue. — Neeve, eu estou vendo.
Blue sempre imaginara a procissão de espíritos como algo ordenado, mas aquele ali perambulava, hesitante. Era um jovem de calça e blusão, com o cabelo despenteado. Não era exatamente transparente, tampouco estava ali de verdade. Sua figura era escura como água suja, e seu rosto, indistinto. Não havia um traço que o identificasse, exceto sua juventude.
Ele era tão jovem — essa era a parte mais difícil de se acostumar.
Enquanto Blue o observava, ele fez uma pausa e colocou os dedos do lado do nariz e na têmpora. Era um gesto tão estranhamente vivo que Blue se sentiu um pouco enjoada. Então ele tropeçou para frente, como se tivesse sido empurrado por trás.
— Pegue o nome dele — sussurrou Neeve. — Ele não me responde e eu preciso pegar os outros.
— Eu? — Blue respondeu, escorregando do muro. O coração ainda batia forte dentro do peito. Então ela perguntou, sentindo-se um pouco boba. — Qual é o seu nome?
Ele não parecia ouvi-la. Sem um traço de reconhecimento, ele começou a se mover novamente, lento e confuso, na direção da porta da igreja.
É assim que encontramos o caminho para a morte?, perguntou-se Blue. Um desaparecer trôpego em vez de um final consciente?
Enquanto Neeve começava a fazer perguntas para os outros, Blue abriu caminho na direção do sujeito que perambulava.
— Quem é você? — chamou de uma distância segura, enquanto ele segurava a testa com as mãos. Sua forma não seguia nenhuma linha, ela via agora, e seu rosto era verdadeiramente desprovido de traços. Não havia nada a respeito dele, realmente, que lhe desse uma forma humana, mas mesmo assim ela via um garoto. Havia algo contando para sua mente o que ele era, mesmo que não estivesse contando para seus olhos.
Não havia emoção em vê-lo, como ela achou que teria. Tudo que ela conseguia pensar era: Ele estará morto em um ano. Como Maura aguentava isso?
Blue se aproximou furtivamente. Quando estava próxima o suficiente para tocá-lo, ele começou a caminhar novamente, ainda sem dar sinal de que a via.
Suas mãos estavam congelando por causa daquela proximidade. Seu coração também. Espíritos invisíveis sem calor próprio lhe sugavam a energia, deixando-a arrepiada nos braços.
O jovem parou na soleira da igreja, e Blue sabia, simplesmente sabia, que se ele entrasse ali ela perderia a chance de pegar seu nome.
— Por favor — disse ela, de maneira mais suave do que antes. E estendeu uma mão, tocando a ponta do blusão ausente. Um frio aterrorizante percorreu seu corpo. Ela tentou se firmar com o que sempre ouvira dizer: espíritos tiravam sua energia das cercanias. Tudo que ela sentia era que ele a usava para ficar visível.
Mas ainda assim aquilo parecia aterrorizante.
Ela perguntou:
— Você vai me dizer o seu nome?
Ele a encarou, e Blue ficou chocada ao perceber que ele usava um blusão da escola Aglionby.
— Gansey — ele disse.
Apesar de seu tom de voz ser baixo, não era um sussurro. Era uma voz real, falada de algum lugar quase distante demais para ser ouvido.
Blue não conseguia parar de olhar para seu cabelo despenteado, a sugestão de olhos que a encaravam, o corvo estampado no blusão. Ela viu os ombros dele encharcados, e o resto da roupa salpicado de chuva, de uma tempestade que ainda não havia acontecido. Estava tão próxima dele que podia perceber uma fragrância de hortelã, que não sabia ao certo se era específica dele ou específica dos espíritos.
Ele era tão real. Quando finalmente aconteceu, quando ela finalmente o viu, não pareceu nenhum truque de mágica. Era como se ela estivesse olhando para o túmulo e vendo-o olhar de volta para ela.
— Isso é tudo? — ela sussurrou.
Gansey fechou os olhos.
— É só isso.
Ele caiu de joelhos — um gesto silencioso para um garoto sem um corpo real. Uma mão se abriu na terra, os dedos pressionando o chão. Blue viu a escuridão da igreja mais claramente do que a forma curva do ombro dele.
— Neeve — disse Blue. — Neeve, ele está... morrendo.
Neeve se postou logo atrás dela e respondeu:
— Ainda não.
Gansey havia praticamente sumido, desvanecendo igreja adentro, ou a igreja desvanecendo nele.
A voz de Blue saiu mais sussurrada do que ela gostaria.
— Por quê? Por que eu consigo vê-lo?
Neeve olhou por cima do ombro, porque havia mais espíritos entrando ou porque não havia mais nenhum — Blue não sabia dizer. Quando olhou de volta, Gansey havia desaparecido completamente. Blue começou a sentir o calor voltando para o corpo, mas havia algo gelado atrás de seus pulmões. Uma tristeza perigosa, sugadora, parecia estar se abrindo dentro dela: luto ou arrependimento.
— Existem apenas duas razões para uma não vidente ver um espírito na véspera do Dia de São Marcos, Blue. Ou você é o verdadeiro amor dele — disse Neeve —, ou você o matou.

11 comentários:

  1. Omg demais
    ASS: JanielliARMYBTS

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  2. uumm. que tal se for as duas razões...

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  3. Ou quem sabe as duas coisas :v considerando a "maldição"dela kkkkk

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  4. Gente nn sei se vcs perceberam mas o Prólogo e o primeiro capítulo são os mesmos de "Os garotos corvos"
    Ass:Lua_Julie

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  5. Opa! Esse sim deu vontade de continuar lendo!
    Só...

    "mas os mortos não eram pontuais, em especial quando não havia lua"

    "Na luz ambiente da lua quase cheia, Blue percebeu"

    Q?

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Boa leitura, E SEM SPOILER!