3 de junho de 2018

Capítulo 13

Não mexam na churrasqueira
Meg não me ouviu
E agora vamos CA-BUM

AH, QUE PITORESCA aquela vista para o mar! As ondas batendo nos penhascos abaixo, as gaivotas voando acima! O homem da mudança, forte e suado, deitado numa espreguiçadeira, lendo mensagens no celular! O sujeito ergueu o rosto ao notar nossa chegada, então fez cara feia, se levantou meio a contragosto e entrou na casa, deixando uma mancha de suor em forma de trabalhador no tecido da espreguiçadeira.
— Se eu ainda tivesse minha cornucópia, ia acertar uns presuntos caramelizados nesses caras — resmungou Piper.
Senti uma pontada nos músculos abdominais. Já tinha sido acertado na barriga por um javali assado disparado de uma cornucópia. Isso que dá causar a ira de Deméter… mas essa é outra história.
Piper se empoleirou na cerca do terraço, os pés na grade. Ela devia ter subido ali centenas de vezes, nem pensava mais na queda. Lá embaixo, ao pé de uma escadaria de madeira, uma estreita faixa de areia acompanhava a base do penhasco. Ondas batiam nas pedras irregulares. Decidi não me juntar a ela na cerca; não que tivesse medo de altura, eu tinha medo era da minha falta de equilíbrio.
Grover encarou a espreguiçadeira suada, a única mobília que restava no deque, e optou por continuar de pé. Meg andou até a churrasqueira a gás de aço inoxidável e começou a brincar com os botões — ou seja, ainda restavam uns cinco minutos antes que ela nos explodisse.
— Então. — Eu me encostei na amurada ao lado de Piper. — Você já sabia sobre Calígula.
Os olhos dela escureceram, indo de verde para um castanho cor de casca de árvore velha.
— Eu sabia que alguém estava por trás desses problemas: o Labirinto, os incêndios, isto. — Ela indicou a mansão. — Quando fomos fechar as Portas da Morte, lutamos contra muitos vilões que estavam voltando do Mundo Inferior.
Então faz sentido ter um imperador romano por trás da Triunvirato S.A. Pela aparência, Piper devia ter uns dezesseis anos, a mesma idade que… Bem, eu não podia dizer a mesma idade que eu. Se pensasse nesses termos, teria que comparar a pele perfeita dela com meu rosto manchado de acne; o nariz esculpido dela com minha bolota de cartilagem bulbosa; o físico suavemente curvilíneo dela com o meu, que também era suavemente curvilíneo, mas no formato errado. Então teria que gritar um EU TE ODEIO! para ela.
Era uma moça tão jovem, mas já tinha visto tantas batalhas. Até falou quando fomos fechar as Portas da Morte com a mesma tranquilidade que seus colegas da escola teriam dito quando fomos à piscina do Kyle.
— A gente já sabia desse Labirinto de Fogo — continuou ela. — Gleeson e Mellie nos contaram sobre ele, dizendo que os sátiros e as dríades… — Ela indicou Grover. — Bom, não é nenhum segredo que vocês andam passando dificuldades com a seca e os incêndios. Então eu tive uns sonhos. Sabe como é.
Grover e eu assentimos. Até Meg desviou a atenção de seus perigosos experimentos com equipamentos de cozinha e grunhiu em solidariedade. Nós todos sabíamos que semideuses não podiam tirar um cochilinho sequer sem serem assombrados por presságios e agouros.
— Então — continuou Piper —, concluí que precisávamos encontrar o centro desse Labirinto. Imaginei que a pessoa responsável por acabar com nossas vidas devesse estar lá, e que poderíamos mandá-la de volta para o Mundo Inferior.
— Quando você diz poderíamos, está falando de você e…? — perguntou Grover.
— Jason. É.
Ela baixou a voz ao mencionar Jason, no mesmo tom que eu usava quando era obrigado a dizer os nomes Jacinto ou Dafne.
— Aconteceu alguma coisa entre vocês — deduzi.
Ela limpou uma sujeira invisível da calça jeans.
— Foi um ano difícil.
Acha que eu não sei?, pensei.
Meg acendeu uma das bocas da churrasqueira, que ardeu em uma chama azul, como um motor de propulsão.
— Vocês terminaram ou o quê?
Sempre se pode contar com McCaffrey para ser insensível numa conversa sobre questões amorosas com uma filha de Afrodite enquanto acende um fogo na frente de um sátiro.
— Por favor, não brinque com isso — pediu Piper, com toda a delicadeza. — E, sim, nós terminamos.
Grover baliu.
— É mesmo? Mas ouvi… Eu achava que…
— Você achava o quê? — A voz de Piper permaneceu calma e firme. — Que ficaríamos juntos para sempre, como Percy e Annabeth? — Ela olhou em volta, encarando a casa vazia, não como se sentisse falta da antiga mobília, e sim como se estivesse imaginando o local totalmente redecorado. — As coisas mudam, as pessoas mudam. Jason e eu… Nós já começamos de um jeito estranho. Hera confundiu nossas cabeças, fez a gente pensar que tínhamos um passado, uma história que não existiu.
— Ah. Parece mesmo coisa de Hera — comentei.
— Nós lutamos na guerra contra Gaia, depois passamos meses atrás do Leo. Daí tivemos que tentar nos adaptar à escola. E depois, assim que eu tive tempo de respirar…
Ela hesitou, observando nossos rostos. Pareceu perceber que estava prestes a compartilhar os verdadeiros motivos, os motivos mais profundos do término, com pessoas que mal conhecia. Lembrei de como Mellie chamou Piper de tadinha e de como tocou no nome de Jason com certo desprezo.
— Enfim, as coisas mudam. Mas nós estamos bem. Ele está bem, eu estou bem. Pelo menos… pelo menos eu estava bem, até isso começar. — Ela apontou para o salão, onde funcionários arrastavam um colchão até a porta da frente.
Decidi que era hora de confrontar o elefante na sala. Ou melhor, o elefante no terraço. Ou o elefante que estaria no terraço, se não tivesse sido levado pelo pessoal da mudança.
— Mas o que aconteceu, exatamente? — perguntei. — O que tem naqueles documentos amarelos?
— Como este aqui — completou Meg, pegando no cinto de jardinagem uma carta dobrada que provavelmente tinha furtado do salão. Para uma filha de Deméter, a garota tinha mãos bem leves.
— Meg! Isso não é seu — repreendi.
Eu talvez tivesse alguns problemas em relação a roubo de correspondência alheia. Ártemis uma vez mexeu nas minhas cartas e encontrou mensagens picantes de Lucrécia Bórgia. Ela passou décadas implicando comigo por causa disso!
— N. H. Financeira — insistiu Meg. — Neos Helios. É o Calígula, não é?
Piper fincou as unhas na amurada de madeira.
— Ai, se livra disso. Por favor.
Meg jogou a carta no fogo.
Grover soltou um suspiro.
— Eu podia ter comido isso para você. É melhor para o meio ambiente, e papel de carta tem um gosto ótimo.
Piper abriu um sorriso fraco, prometendo:
— O resto é todo seu. Essas cartas só têm um blá-blá-blá jurídico e financeiro, tudo muito chato e cheio de papo de advogado. Resumindo: meu pai está falido. — Ela ergueu a sobrancelha para mim. — Você não viu as colunas de fofocas? As capas das revistas?
— Foi o que eu perguntei — comentou Grover.
Fiz uma anotação mental para visitar a banca mais próxima e fazer um estoque de material de leitura.
— É uma vergonha, mas estou atrasado nas notícias — admiti. — Quando isso começou?
— Nem eu sei. Jane, a antiga secretária do meu pai, estava envolvida. E o gerente financeiro dele também. E o contador, o agente... Essa empresa, a Triunvirato S.A.… — Piper abriu as mãos, como se estivesse descrevendo e justificando algum desastre natural que não poderia ser previsto. — Parece que tiveram muito trabalho. Devem ter levado anos para gastar dezenas de milhões de dólares e conseguir destruir tudo que meu pai construiu. Acabaram com o dinheiro, os bens, a reputação com os estúdios... Tudo se foi. Quando contratamos Mellie… Bem, ela foi ótima. Foi a primeira pessoa a identificar o problema. E ela até tentou ajudar, mas era tarde demais. Agora meu pai está num nível pior que a falência: está com dívidas enormes. Deve milhões em impostos, coisas que nem sabia que precisava pagar. Agora temos que torcer para que ele, no mínimo, não vá para a cadeia.
— Que horrível.
O comentário foi de coração, eu estava falando sério. A perspectiva de nunca mais ver o abdome de Tristan McLean na telona me trazia um gosto amargo à boca, mas eu tinha tato o suficiente para não dizer isso na frente da filha dele.
— E também não dá para contar com a compaixão dos outros — continuou Piper. — Vocês deviam ver o pessoal da minha escola, com aqueles sorrisinhos debochados, falando de mim pelas costas. Mais que o habitual. Ah, tadinha. Perdeu as três casas.
— Três casas? — perguntou Meg.
Aquilo não me pareceu muito surpreendente. A maioria das deidades menores e das celebridades que eu conheci tinha pelo menos dez, mas Piper pareceu envergonhada.
— Sei que é ridículo — respondeu. — E levaram dez carros. E o helicóptero. Vão leiloar esta casa no fim de semana, e também vão levar o avião.
— Você tem um avião. — Meg assentiu, como se isso fizesse sentido para ela. — Legal.
Piper suspirou.
— Eu não ligo para as coisas, mas o antigo guarda florestal, um sujeito muito bacana que era nosso piloto, vai ficar sem emprego. E Mellie e Gleeson tiveram que ir embora. E todos que trabalhavam na casa. E, acima de tudo… estou preocupada com o meu pai.
Segui o olhar dela. Tristan McLean andava pela sala encarando as paredes vazias. Gostava mais dele como herói de ação; ele não ficava muito bem no papel de homem arrasado.
— Mas ele está melhorando. Ano passado, foi sequestrado por um gigante — contou Piper.
Estremeci. Ser capturado por gigantes era uma experiência traumatizante. Ares nunca mais foi o mesmo depois de ter sido sequestrado por dois, milênios atrás. Ele já era bem arrogante e irritante, mas depois disso ficou arrogante, irritante e grosseiro.
— Nossa, é incrível que a mente dele ainda esteja intacta — comentei.
Piper estreitou os olhos.
— Quando o resgatamos, fizemos com que tomasse uma poção para apagar a memória. Afrodite disse que era a única coisa que poderíamos fazer por ele. Mas agora… Quanto trauma uma pessoa pode aguentar?
Grover tirou o gorro e o encarou, tristonho. Talvez estivesse fazendo um momento de silêncio em respeito, talvez só estivesse com fome.
— E o que vocês vão fazer agora?
— Nossa família ainda tem bens nos arredores de Tahlequah, Oklahoma, onde fica a reserva Cherokee original. No fim da semana, vamos usar pela última vez nosso avião e voltar para casa. Acho que os seus imperadores do mal venceram essa batalha.
Não gostei de ouvir os imperadores serem chamados de meus. Não gostei do jeito como Piper disse casa, como se já tivesse aceitado que ia passar o resto da vida em Oklahoma. Nada contra o lugar, vejam bem, meu amigo Woody Guthrie é de Okemah. Mas os mortais de Malibu não costumavam encarar isso de maneira positiva.
Além disso, pensar em Tristan e Piper sendo obrigados a se mudar para o leste me lembrou das visões de Meg, na noite anterior: ela e o pai sendo expulsos do lar pelo mesmo blá-blá-blá jurídico e chato em cartas amarelas, fugindo da casa em chamas, indo para Nova York. Saindo da frigideira de Calígula e caindo na fogueira de Nero.
— Não podemos deixar Calígula vencer — falei para Piper. — Você não é a única semideusa que sofreu nas mãos dele.
Ela pareceu refletir por um momento, então olhou para Meg, como se a visse de verdade pela primeira vez.
— Você também?
Meg desligou o fogo.
— É. Meu pai.
— O que aconteceu?
Ela deu de ombros.
— Já faz muito tempo.
Ficamos esperando, mas Meg tinha decidido ser Meg.
— Minha jovem amiga aqui não é de muitas palavras — expliquei. — Mas, se ela me permitir…?
Meg não me mandou calar a boca nem pular do terraço, então contei o que vira nas suas lembranças. Quando terminei, Piper pulou da amurada, chegou mais perto de Meg e — antes que eu pudesse dizer Cuidado, ela morde mais forte que um esquilo! — a abraçou.
— Sinto muito.
Piper beijou o topo da cabeça dela.
Fiquei aflito, esperando ver as espadas douradas surgirem nas mãos de Meg.
Mas, depois de um momento petrificada de surpresa, a garota derreteu no abraço de Piper. Elas ficaram muito tempo assim, com Meg trêmula nos braços de Piper, como se a jovem fosse a semideusa Consoladora-Chefe, como se os próprios problemas fossem irrelevantes perto dos de Meg.
Finalmente, com uma última fungada meio soluçante, Meg se afastou e secou o nariz.
— Obrigada.
Piper olhou para mim.
— Há quanto tempo Calígula está interferindo na vida dos semideuses?
— Vários milhares de anos. Ele e os outros dois imperadores não voltaram pelas Portas da Morte; eles nunca deixaram o mundo dos vivos. Viraram basicamente deuses menores. Tiveram milênios para construir esse império secreto, a Triunvirato S.A.
— Então por que nós? — perguntou Piper. — Por que agora?
— No seu caso, só posso supor que Calígula queira tirar você do caminho. Você não vai ser ameaça nenhuma se estiver distraída com os problemas do seu pai. E ainda mais se estiver morando em Oklahoma, longe do território do imperador. Quanto a Meg e ao pai dela… não sei. Ele estava envolvido em algum trabalho que Calígula considerou uma ameaça.
— Alguma coisa que teria ajudado as dríades — acrescentou Grover. — Só podia ser algo do tipo, considerando aquelas estufas e o lugar onde ele estava trabalhando. Calígula arruinou um homem da natureza.
Eu nunca vira Grover tão irritado. Duvidava que houvesse um elogio maior que um sátiro pudesse fazer a um humano do que homem da natureza.
Piper encarou as ondas ao longe.
— E vocês acham que está tudo interligado. Calígula está tramando alguma coisa, afastando qualquer um que o ameace, criando esse Labirinto de Fogo, destruindo os espíritos da natureza.
— E aprisionando o Oráculo da Eritreia — acrescentei. — Como uma armadilha para mim.
— Mas o que ele quer? — perguntou Grover. — Aonde ele quer chegar com isso?
Eram perguntas excelentes. Mas, quando se tratava de Calígula, quase sempre era melhor ficar sem as respostas, porque em geral isso significava tragédia.
— Queria perguntar isso à Sibila — respondi. — Se alguém aqui souber como encontrá-la.
Piper apertou os lábios.
— Ah. É por isso que vocês estão aqui.
Ela olhou para Meg e para a churrasqueira a gás, talvez tentando decidir o que seria mais perigoso: partir em uma missão com a gente ou ficar com uma filha de Deméter entediada.
— Vou buscar minhas armas — disse ela, por fim. — Vamos dar uma volta.

15 comentários:

  1. Tenho quase certeza que o Jason terminou com a Piper por causa dessa profecia, sabe aquele típico sacrifício de se separar para que a outra pessoa não se machuque, seria bem a cara dele.

    ResponderExcluir
  2. Laíres de Deus câmara campos4 de junho de 2018 17:13

    a definição dela de "dar uma volta" é meio... dez letras. começa com A. kkkkk(assustador) até demais.

    ResponderExcluir
  3. Laíres de Deus câmara campos4 de junho de 2018 17:33

    e outra coisa: COMO ASSIM A PIPER E O JASON TERMINARAM?! me acorda desse pesadelo, Karina!!!!

    ResponderExcluir
  4. Piper!!!!!!!!!!!
    Como assim a Piper e o jason terminaram????

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Laíres de Deus câmara campos5 de junho de 2018 12:38

      né! 😓😓😓

      Excluir
    2. Damon Herondale, filho de Zeus6 de junho de 2018 03:10

      Eu tinha vistos uns spoilers, mas ainda não caiu minha ficha.

      Excluir
  5. Gente... Eu fiquei com pena, mas até agora eu detestava os dois quando estavam juntos, e a Piper tá parecendo mais legal nesse momento, do mesmo jeito que o Jason tinha sido mais legal sozinho... acho que esse casal fica melhor separado, mas eu tô com pena deles terem terminado.

    ResponderExcluir
  6. Só eu estava torcendo pra esse relacionamento que começou totalmente errado acabar? Pq sinceramente não importa se eles quase morreram juntos salvando o mundo, se fosse assim todo mundo que estava abordo do ArgoII devia tá em um relacionamento (uma grande suruba). Eles não tem uma história juntos que justifique esse relacionamento igual Percy e Chase (entende a relação deles mas meu shipp é outro).

    ResponderExcluir
  7. Eu só estou triste nesse momento

    ResponderExcluir
  8. Agatha filha de zeus13 de junho de 2018 00:44

    Aii que triste isso, Jason e Piper separados, e eu lendo isso no dia dos namorados ainda... ( pra mim ainda é porque n dormi)

    ResponderExcluir
  9. Bem, eu sempre fui muito imparcial ao fato de Jason e Piper namorarem, apesar de eu sempre ter visto eles como amigos e nada mais, mesmo assim eu fiquei tão triste, não pelo fado deles terem terminado, mas pelo fato da amargura com a qual Piper fala de Jason, me faz pensar que ele fez algo imperdoável e eu realmente não quero odiar esse personagem, mas eu tenho uma teoria, enfase na palavra TEORIA, é a primeira vez que leio o livro e tbm não recebi nenhum spoiler, mas eu acho que era Jason na visão de Apolo no qual a Sibila fala para ele que algo de ruim vai acontecer com a Piper e o Jason terminou com ela por causa disso. Confesso que é um pouco clichê e espero que seja algo mais interessante, mas com as peças que recebemos até agora é isso que o quebra-cabeças forma.

    ResponderExcluir
  10. Eu gostei deles terminarem. Acho que tio Rick quis colocar no livro algo diferente, tirando essa fantasia de que em histórias infanto-juvenis os casais toda vez fica juntos para sempre (ou terminam por causa de algum acontecimento e não porque simplesmente não davam certo junto)

    ResponderExcluir
  11. Ah lembro em HdO as narrações de Piper tão apaixonada pelo Jason. Era chato, mas acostumei a ideia.

    Talvez eles voute a fica juntos
    🤔🤔🤔

    ResponderExcluir

Se você não tem conta no Google e quiser comentar, utilize a opção Nome/URL e preencha seu nome/apelido/nick; o URL pode deixar em branco.

Boa leitura, E SEM SPOILER!