9 de junho de 2018

Capítulo 11


SOU EU QUE vou ao aeroporto buscar Margot e Ravi enquanto papai dá os toques finais no jantar e Kitty faz o dever de casa. Coloco o endereço no GPS só por garantia e chego lá sem incidentes, graças a Deus. Nosso aeroporto é pequeno, então eu dou uma volta enquanto espero os dois saírem.
Quando encosto o carro, Margot e Ravi estão esperando, sentados nas malas. Eu estaciono, pulo para fora, corro para Margot e jogo os braços em volta dela. O cabelo está recém-cortado na altura do queixo, ela usa suéter e calça legging e, quando a aperto com força, penso: Nossa, como senti saudade da minha irmã!
Eu a solto e dou uma boa olhada em Ravi, que é mais alto do que eu pensava. Ele é alto e magro, com pele morena, cabelo e olhos escuros e cílios longos. É muito diferente de Josh, mas parece muito o tipo de garoto com quem Margot namoraria. Tem uma covinha na bochecha direita.
— É bom conhecer você na vida real, Lara Jean — diz ele, e na mesma hora fico impressionada com o sotaque. Meu nome parece muito mais chique enfeitado com o sotaque inglês.
Estou nervosa, mas vejo que a camiseta dele diz ARMADA DE DUMBLEDORE e relaxo. Ele é fã de Harry Potter, como a gente.
— É bom conhecer você também. De que casa você é?
Ele pega as bagagens dos dois e as coloca no porta-malas.
— Vamos ver se você consegue adivinhar. Sua irmã errou.
— Só porque você estava tentando me impressionar durante o primeiro mês em que nos conhecemos — protesta ela. Ravi ri e se senta no banco traseiro. Ele não tenta sentar na frente, o que, para mim, conta a favor de seu caráter.. Margot olha para mim. — Quer que eu dirija?
Fico tentada a dizer sim, porque eu sempre prefiro que Margot dirija, mas balanço a cabeça e sacudo as chaves bem alto.
— Pode deixar.
Ela ergue as sobrancelhas, como quem está impressionada.
— Que bom.
Ela vai para o lado do carona e me acomodo no banco do motorista. Olho para Ravi pelo retrovisor.
— Ravi, quando você for embora da minha casa já vou ter descoberto a sua casa.

* * *

Quando chegamos, papai, Kitty e a sra. Rothschild estão nos esperando na sala. Margot parece surpresa ao vê-la sentada no sofá com papai, os pés descalços no colo dele. Eu estou tão acostumada com a presença dela que parece que já faz parte da família. Não tinha me ocorrido quanto aquilo poderia abalar Margot. Mas a verdade é que a sra. Rothschild e Margot não passaram muito tempo juntas porque minha irmã está longe, na faculdade; ela não estava aqui quando a sra. Rothschild e papai começaram a namorar e só voltou para casa uma vez, no Natal.
Assim que a sra. Rothschild vê Margot, ela dá um pulo para abraçá-la e elogiar seu cabelo. Ela também abraça Ravi.
— Nossa, você é muito alto! — comenta ela, e ele ri, mas Margot está com um sorriso duro no rosto.
Até ver Kitty, que envolve em um abraço de urso e, segundos depois, grita:
— Ah, meu Deus, Kitty! Você usa sutiã agora?
Kitty ofega e faz cara feia para ela, as bochechas em um tom vermelho furioso.
Encabulada, Margot diz com movimentos labiais: Desculpa.
Ravi se adianta e aperta a mão de papai.
— Oi, dr. Covey, sou Ravi. Obrigado por me convidar.
— Ah, ficamos felizes em receber você, Ravi — diz papai.
Ravi sorri para Kitty, levanta a mão em um cumprimento e diz com algum constrangimento:
— Oi, Kitty.
Kitty assente sem fazer contato visual.
— Oi.
Margot ainda está olhando para Kitty sem acreditar. Eu estava aqui o tempo todo, e por isso tenho dificuldade de ver quanto Kitty cresceu em um ano, mas é verdade, ela cresceu. Não tanto os seios, o sutiã é puramente decorativo, mas de outras formas.
— Ravi, quer beber alguma coisa? — pergunta a sra. Rothschild. — Temos suco, Fresca, Coca diet, água.
— O que é Fresca? — pergunta Ravi, as sobrancelhas franzidas.
Os olhos dela se iluminam.
— É um refrigerante de grapefruit delicioso. Com zero calorias! Você precisa experimentar. — Margot observa a sra. Rothschild ir até a cozinha e abrir o armário onde ficam os copos. Enquanto enche um de gelo, ela diz: — Margot, e você? Quer alguma coisa?
— Eu estou bem — responde Margot em um tom agradável, mas consigo perceber que ela não gosta de, dentro da sua própria casa, alguém que não mora aqui lhe oferecer uma bebida.
Quando a sra. Rothschild volta com a Fresca de Ravi, ela lhe entrega o copo com um floreio.
Ele agradece e toma um gole.
— Bem refrescante — diz Ravi, e ela abre um sorriso.
Papai bate palmas.
— Vamos levar as malas lá para cima? Assim vocês podem descansar antes do jantar. O quarto de hóspedes está arrumado. — Ele olha para mim com carinho e diz: — Lara Jean deixou chinelos novos e um roupão para você, Ravi.
Antes que Ravi possa responder, Margot diz:
— Ah, que gentil. Mas, na verdade, acho que Ravi vai ficar comigo no meu quarto.
Parece que Margot largou uma bomba no meio da sala. Kitty e eu trocamos olhares de AH, MEU DEUS, os olhos arregalados. Papai parece atordoado e sem saber o que dizer. Ao arrumar o quarto de hóspedes para Ravi, deixar o conjunto de toalhas dobradas na ponta da cama e pegar o roupão e os chinelos, não passou pela minha cabeça que ele ficaria no quarto de Margot. Era óbvio que esse pensamento também não tinha passado pela cabeça do papai.
O rosto do papai vai ficando mais vermelho a cada segundo.
— Ah, hã… não sei se…
Margot junta os lábios com nervosismo enquanto espera papai terminar a frase. Estamos todos aguardando, mas ele não consegue pensar no que dizer em seguida. Seu olhar desvia para a sra. Rothschild em busca de apoio, e ela encosta a mão nas costas dele.
O pobre Ravi parece extremamente desconfortável. Meu primeiro pensamento foi que ele era Corvinal, como Margot; agora, estou pensando que é Lufa-Lufa, como eu. Ele diz, em voz baixa:
— Eu não me importo de ficar no quarto de hóspedes. Não quero criar nenhum problema.
Papai começa a responder, mas Margot é mais rápida.
— Não, não tem o menor problema — garante ela. — Vamos tirar o resto das coisas do carro.
Assim que eles saem, Kitty e eu nos viramos uma para a outra. Ao mesmo tempo, nós dizemos:
— Ah, meu Deus.
— Por que eles precisam ficar juntos no mesmo quarto? — repete Kitty. — Precisam tanto assim fazer sexo?
— Já chega, Kitty — diz papai, no tom mais ríspido que já o vi usar com ela.
Ele se vira e sai, e ouço o som da porta do seu escritório se fechando. É para lá que ele vai quando está com muita raiva. A sra. Rothschild olha para Kitty com severidade e vai atrás dele.
Kitty e eu nos olhamos de novo.
— Ih — falo.
— Ele não precisava surtar — retruca Kitty, de mau humor. — Não sou eu que quero botar o namorado na minha cama.
— Ele não fez por mal. — Eu a puxo para perto de mim e abraço seus ombros ossudos. — Gogo tem muita coragem, hein?
Ela é muito impressionante, a minha irmã. Só sinto pena de papai. Essa não é uma briga que ele esteja acostumado a ter… na verdade, ele não está acostumado a nenhum tipo de briga.
Claro que mando uma mensagem na mesma hora para Peter e conto tudo. Ele responde com um monte de emojis de olhos arregalados. E: Acha que seu pai nos deixaria ficar no mesmo quarto??
Eu ignoro a pergunta.

* * *

Quando Ravi sobe para tomar banho e trocar de roupa, a sra. Rothschild diz que tem um jantar com as amigas e precisa ir. Consigo perceber que Margot fica aliviada. Depois que a sra. Rothschild sai, Kitty leva James Fox-Pickle para dar uma volta, e Margot e eu vamos para a cozinha preparar uma salada para acompanhar o frango que papai está assando. Estou ansiosa para ter um momento sozinha com ela para podermos falar sobre a situação de quem vai dormir onde, mas não tenho a oportunidade de perguntar, porque assim que entramos na cozinha Margot sussurra para mim:
— Por que você não me falou que papai e a sra. Rothschild estão namorando sério?
— Eu falei que ela vem jantar quase todas as noites! — respondo sussurrando.
Começo a lavar uma cesta de tomates cereja para o som da água corrente abafar nossa conversa.
— Ela está andando pela casa como se morasse aqui! E desde quando temos Fresca? Nós nunca fomos uma família que bebe isso.
Começo a cortar os tomates ao meio.
— Ela adora, então eu sempre compro quando vou ao mercado. É bem gostoso. Ravi pareceu gostar.
— Não é essa a questão!
— Qual é o seu problema com a sra. Rothschild, assim do nada? Vocês se deram bem quando você veio no Natal… — Eu paro de falar na hora que papai entra na cozinha.
— Margot, posso falar com você um minuto?
Margot finge estar ocupada contando os talheres.
— Claro, o que foi, pai?
Papai olha para mim, e eu volto a me concentrar nos tomates. Vou ficar para dar apoio moral.
— Eu prefiro que Ravi fique no quarto de hóspedes.
Margot morde o lábio.
— Por quê?
Há um silêncio constrangido, e papai diz:
— Eu só não fico à vontade…
— Mas, papai, nós estamos na faculdade… Você sabe que nós já dividimos uma cama antes, não é?
— Eu tinha minhas suspeitas, mas obrigado por confirmar — diz ele com sarcasmo.
— Eu tenho quase vinte anos. Moro longe de casa, a milhares de quilômetros, há quase dois anos. — Margot olha para mim, e eu me encolho. Eu devia ter saído quando tive oportunidade. — Lara Jean e eu não somos mais crianças…
— Ei, não me meta nisso — falo no tom mais brincalhão que consigo.
Papai suspira.
— Margot, se você quiser bater o pé em relação a isso, eu não vou impedir. Mas eu gostaria de lembrar que esta ainda é a minha casa.
— Eu achava que era nossa casa. — Ela sabe que venceu a batalha, então deixa a voz leve como um suspiro.
— Bom, vocês não pagam a hipoteca, eu pago, então isso devia tornar a casa um pouco mais minha. — Com essa piada final de pai, ele coloca luvas de cozinha e tira o frango, que sai estalando do forno.
Quando nos sentamos para comer, papai fica de pé na cabeceira e corta o frango com a faca elétrica nova e chique que a sra. Rothschild lhe deu de presente de aniversário.
— Ravi, você prefere a carne mais escura ou a branca?
Ravi pigarreia.
— Hã, desculpa, mas eu não como carne.
Papai olha para Margot, horrorizado.
— Margot, você não disse que Ravi é vegetariano!
— Desculpa — diz ela, fazendo uma careta. — Eu esqueci completamente. Mas Ravi adora salada!
— Adoro mesmo — garante ele para papai.
— Eu fico com a porção de Ravi — eu me ofereço. — Aceito as duas coxas.
Papai as corta para mim e diz:
— Ravi, amanhã de manhã vou fazer uma enchilada incrível no café da manhã. Sem carne!
— Nós vamos a Washington amanhã de manhã. Talvez no último dia dele aqui? — diz Margot, sorrindo.
— Combinado — confirma papai.
Kitty está estranhamente quieta. Não sei se de nervosismo por ter um garoto que ela não conhece na mesa da sala de jantar ou se é porque está ficando mais velha e passando a interagir de uma maneira menos infantil com gente nova. Se bem que imagino que um garoto de vinte e um anos está mais para um homem jovem.
Ravi tem ótimos modos, provavelmente por ser inglês. Não é verdade que os ingleses têm modos melhores do que os americanos? Ele pede desculpas o tempo todo. “Desculpa, será que eu posso…” “Desculpa, pode repetir?” O sotaque dele é um charme. Eu fico dizendo “Como?” para fazer com que ele repita tudo.
Da minha parte, tento descontrair o clima conversando sobre a Inglaterra. Pergunto por que os ingleses chamam as escolas particulares de públicas, se onde ele estudou era parecido com Hogwarts, se ele já conheceu a família real. As respostas dele são: porque são abertas ao público pagante; eles tinham monitores e monitores-chefe, mas não tinham quadribol; e ele uma vez viu o príncipe William em Wimbledon, mas foi só a parte de trás da cabeça dele.
Depois do jantar, o plano é Ravi, Margot, Peter e eu irmos ao cinema. Margot convida Kitty para ir junto, mas ela recusa e dá o dever de casa como desculpa. Acho que ela fica nervosa perto de Ravi.
Eu me arrumo no quarto, passo um pouco de perfume, um pouco de brilho labial, visto um suéter sobre a blusinha e calça jeans porque é frio no cinema. Fico pronta rápido, mas a porta de Margot está fechada, e consigo ouvi-los conversando baixinho, mas exaltados. É estranho ver a porta dela fechada. Sinto-me como uma espiã quando estou parada ali do lado de fora, mas é esquisito, porque quem sabe se Ravi está sem camisa ou algo assim? É tudo tão adulto, aquela porta fechada, aquelas vozes sussurradas.
Do corredor, pigarreio e digo:
— Vocês estão prontos? Falei para Peter que o encontraríamos às oito.
Margot abre a porta.
— Prontos — diz ela, e não parece feliz.
Ravi sai atrás dela, carregando a mala.
— Vou só deixar isto no quarto de hóspedes e estou pronto — comenta ele.
Assim que ele sai, sussurro para Margot:
— Aconteceu alguma coisa?
— Ravi não quer perder pontos com o papai por dividir o quarto comigo. Eu falei que não tinha problema, mas ele não se sente à vontade.
— É muita consideração da parte dele. — Eu não ia dizer isso para Margot, mas era a coisa certa a se fazer. Ravi só sobe no meu conceito.
— Ele tem muita consideração pelos outros — diz ela, relutante.
— E também é muito bonito.
Um sorriso se abre no rosto dela.
— É, tem isso também.

* * *

Peter já está no cinema quando nós chegamos, tenho certeza de que por causa de Margot. Ele não vê problema nenhum em se atrasar para sair comigo, mas nunca ousaria deixar minha irmã mais velha esperando. Ravi compra todos os ingressos, o que impressiona Peter.
— Nossa, que educado — sussurra ele para mim quando nos sentamos.
Ele dá um jeito de ficarmos na seguinte ordem: eu, Peter, Ravi e Margot, assim os dois podem continuar conversando sobre futebol. Margot me olha por cima da cabeça deles, achando graça, e consigo ver que todo o clima desagradável de antes passou.
Depois do filme, Peter sugere irmos comer frozen custard.
— Você já comeu creme frozen custard? — pergunta ele a Ravi.
— Não.
— É uma delícia, Rav — comenta ele. — É caseiro.
— Genial — fala Ravi.
Quando os garotos estão na fila, Margot diz para mim:
— Acho que Peter está apaixonado… pelo meu namorado. — Nós duas caímos na gargalhada.
Ainda estamos rindo quando eles voltam para nossa mesa. Peter me entrega o meu com amêndoa caramelizada e creme.
— O que é tão engraçado?
Eu só balanço a cabeça e enfio a colher no creme.
— Espere, temos que comemorar que minha irmã passou para a William and Mary! — diz Margot.
Meu sorriso parece congelado quando todo mundo bate seus copinhos no meu.
— Muito bem, Lara Jean. Jon Stewart estudou lá, não foi? — pergunta Ravi.
— Ah, sim, estudou — respondo, surpresa. — Isso é algo bem aleatório para você saber.
— Ravi é o rei da cultura inútil — diz Margot, lambendo a colher. — Não peça para ele falar sobre os hábitos de acasalamento dos bonobos.
— Duas palavras — diz Ravi. Ele olha de Peter para mim e sussurra: — Esgrima peniana.
Margot fica tão animada perto de Ravi. Houve uma época em que achei que ela e Josh tinham sido feitos um para o outro, mas agora não tenho mais certeza. Quando falam sobre política, os dois têm o mesmo tipo de paixão, e ficam indo e voltando, um desafiando o outro, mas também fazendo concessões. Eles parecem duas pedras soltando fagulhas. Consigo imaginá-los em um programa de tevê como residentes que competem entre si em um hospital e que primeiro, de má vontade, se respeitam, e depois acabam se apaixonando loucamente. Ou dois assessores políticos na Casa Branca, ou jornalistas. Ravi está estudando bioengenharia, o que não tem muito a ver com a antropologia de Margot, mas não há dúvida de que eles formam uma ótima dupla.

* * *

No dia seguinte, Margot leva Ravi para Washington, e os dois visitam alguns dos museus do National Mall, o Lincoln Memorial e a Casa Branca. Eles me convidaram, com Kitty, para irmos também, mas respondi não em nome de nós duas porque eu tinha certeza de que eles iam querer um tempo sozinhos e porque eu queria ficar quietinha em casa para trabalhar no scrapbook de Peter. Quando eles voltam à noite, pergunto a Ravi do que ele mais gostou em Washington, e ele diz que o National Museum of African American History and Culture ganhou disparado, e me arrependo de não ter ido com eles, pois nunca estive nesse museu.
Nós colocamos na Netflix um programa da BBC sobre o qual Margot vive falando e que foi filmado perto de onde Ravi cresceu, e ele mostra lugares marcantes na sua vida, como onde foi seu primeiro emprego e seu primeiro encontro com uma garota. Nós comemos sorvete direto do pote, e percebo que papai gosta de Ravi, pois fica insistindo para ele tomar mais. Tenho certeza de que ele reparou que Ravi está no quarto de hóspedes, e sei que ficou grato. Espero que Ravi e Margot continuem namorando, porque eu consigo imaginá-lo na nossa família para sempre. Ou pelo menos que fiquem juntos tempo o bastante para que eu e Margot façamos uma viagem para Londres e fiquemos na casa dele!
Ravi tem que ir para o Texas na tarde seguinte, e embora eu esteja triste de ele ir, também fico um pouco feliz, porque vamos ter Margot só para nós antes de ela voltar para a Escócia.
Quando nos despedimos, eu aponto para ele e digo:
— Lufa-Lufa.
Ele sorri.
— Você acertou de primeira. — Ele aponta para mim. — Lufa-Lufa?
Eu também sorrio.
— Você acertou de primeira.

* * *

Naquela noite, estamos no meu quarto assistindo a um programa no meu laptop quando Margot toca no assunto da faculdade, e é assim que sei que, de certo modo, ela também estava esperando Ravi ir embora para poder falar comigo sobre coisas sérias. Antes de começarmos o episódio seguinte, ela me olha e diz:
— Podemos falar sobre a UVA? Como você está se sentindo agora?
— Eu fiquei triste, mas está tudo bem. Eu ainda vou estudar lá. — Margot me olha sem entender, e explico: — Vou pedir transferência depois do primeiro ano. Falei com a sra. Duvall, e ela disse que, se eu tirar boas notas na William and Mary, com certeza conseguirei ir pra lá por transferência.
Ela franze a testa.
— Por que você está falando de pedir transferência da William and Mary se nem começou lá ainda? — Como eu não respondo, ela diz: — É por causa do Peter?
— Não! Quer dizer, ele é um dos motivos, mas não é o único. — Eu hesito antes de declarar o que ainda não tinha dito em voz alta. — Sabe aquela sensação de que você devia estar em um determinado lugar? Quando visitei a William and Mary, eu não tive essa sensação. Não como tive na UVA.
— Pode ser que nenhuma faculdade deixe você com a mesma sensação que você teve com a UVA — diz Margot.
— Pode ser… e é por isso que vou pedir transferência depois de um ano.
Ela suspira.
— Só não quero que você deixe de aproveitar toda a experiência na William and Mary porque preferia estar com Peter na UVA. O primeiro ano é tão importante. Você devia pelo menos dar uma chance. Pode ser que você acabe adorando lá. — Ela me lança um olhar intenso. — Lembra o que a mamãe dizia sobre faculdade e namorados?
Como eu poderia esquecer?
Não seja a garota que vai para a faculdade namorando.
— Eu lembro — respondo.
Margot pega meu laptop e entra no site da William and Mary.
— Esse campus é tão bonito. Olhe esse cata-vento! Tudo parece saído de um vilarejo inglês.
Eu me animo.
— Até que parece mesmo. — É tão bonito quanto o campus da UVA? Não, não para mim, mas acho que nenhum lugar é tão bonito quanto Charlottesville.
— E, olha, a William and Mary tem um clube de guacamole. E um clube para quem gosta de observar tempestades. E, ah, meu Deus! Uma coisa chamada clube dos bruxos e trouxas! É o maior clube de Harry Potter nas universidades americanas.
— Uau. Isso é muito legal. Tem clube para quem gosta de assar bolos e biscoitos?
Ela verifica.
— Não. Mas você pode criar um!
— Pode ser… Seria divertido… — Talvez eu devesse me juntar a um ou dois clubes.
Ela abre um sorriso para mim.
— Está vendo? Tem muita coisa com que ficar animada. E não se esqueça da Cheese Shop.
A Cheese Shop é uma loja ao lado do campus. Lá são vendidos queijos, é claro, mas também geleias, pães e vinhos diferentes e massas gourmet. Fazem um ótimo sanduíche de rosbife com molho da casa, uma mostarda com maionese que já tentei imitar, mas não ficou tão gostosa quanto a da loja, com o pão fresco deles. Papai adora comprar novas mostardas e comer sanduíche no Cheese Shop. Ele ficaria feliz de ter uma desculpa para ir lá. E Kitty adora o outlet de Williamsburg. Lá vende uma pipoca que é doce e salgada ao mesmo tempo, bastante viciante. Ela é feita na hora e sai tão quente que até derrete um pouco o saco.
— Quem sabe eu possa até arrumar um emprego no Colonial Williamsburg — falo, tentando entrar no clima. — Eu poderia bater manteiga. Usar um traje de época. Tipo um vestido de algodão com avental, ou o que quer que usassem no período colonial. Já ouvi falar que eles não têm permissão de conversar usando nossas expressões atuais, só o arcaico, e as crianças sempre tentam fazer com que eles pisem na bola. Pode ser divertido. A única coisa é que não sei se contratariam uma oriental, porque não respeitaria muito a precisão histórica…
— Lara Jean, nós vivemos na época de Hamilton! Phillipa Soo é descendente de chineses, lembra? Se ela pode fazer o papel de Eliza Hamilton, você pode bater manteiga. E se alguém se recusar a contratar você, vamos expor nas redes sociais e fazer com que contratem. — Margot inclina a cabeça e olha para mim. — Está vendo? Tem tanta coisa com que se empolgar, se você se permitir. — Ela apoia as mãos nos meus ombros.
— Eu estou tentando. Estou mesmo.
— Só dê uma chance à William and Mary. Não a descarte antes mesmo de estar lá. Tá?
Eu faço que sim.
— Tá.

9 comentários:

  1. Agr q eu lembrei q o Josh ainda existe

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    1. Eu também kkkkk pena q ele sumiu era ou é tão fofo bom pelo menos agora podemos roubar ele hehehe

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  2. Que irmã chata, tentando mudar a cabeça da menina. Deixa a meninas escolher o que ela quiser. Afff

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    1. Ahn??? Ela só quer que a irmã não fique na outra faculdade pensando o tempo todo no quanto estar na outra seria melhor. E ela tá certa no ponto do motivo de querer tá na UVA é por ela mesma, ou por causa do Peter. Fazer a irmã olhar o lado bom de outro ponto de vista não é querer controlar ela...

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  3. O Josh evaporou kkkkkkk

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  4. "— Vocês estão prontos? Falei para Peter que o encontraríamos às oito."

    Por que eu olhei para o relógio quando Lara Jean disse isso? ksksk

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  5. Primeira vez que vejo lufanos sendo protagonistas cof cof
    Até em Animais Fantásticos os animais e o Grindelwald roubam a cena do Newt ksksksk

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    1. Kkkkkkkk boiei mutiiito! 😂
      Mas achei engraçado.
      A.D.R

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