20 de junho de 2018

Bônus - Fragmento do Natal na Rua Fox, 300


Dezembro na Rua Fox, 300 era um campo de batalha de celebração sazonal. Havia muitas pessoas de muitas origens para apresentar uma frente unificada de feriado para os clientes que vinham buscar presente certificados (dê o presente perfeito para o seu amado: clareza para o Ano Novo!), então os cidadãos de Henrietta tinham que se satisfazer com um tumulto de alegria tradicional. Do lado de fora da pequena casa azul, luzes coloridas de Natal rodeavam as janelas, parcialmente obscurecidas por uma bandeira preta, vermelha e verde apontando para o leste. No interior, anjos com túnicas brilhantes se alinhavam no corredor da frente, sua luminescência desafiada pelas velas em grupos de três e sete na sala de estar. Armações de feno escoravam uma pequena árvore de Natal; feno que nos próximos dias faria a viagem intrépida para a sala de leitura, subiria as escadas e, finalmente, forraria as gavetas de meias de todos. Na cozinha, a cidra temperada borbulhava no fogão, enquanto os panetones esfriavam no balcão. O cheiro de presunto salgado brigava com o de pudim e montanhas de quiabo.
Presentes. Havia presentes, mas nunca sob a árvore. Ao longo de dezembro, grande parte do feno seria evacuado de sob a árvore, mas nunca o suficiente para dar lugar a pacotes. Então os presentes eram deixados em meias penduradas nas costas das cadeiras ou nas maçanetas do quarto. A faia no quintal também recebia presentes: na noite do dia vinte, Maura se agachava para derramar meio galão de leite em uma tigela lisa formada por raízes expostas, enquanto Calla e Perséfone riam e bebiam bourbon atrás dela.
Então, na noite do dia vinte e um – a noite mais longa do ano – Maura, Calla e Perséfone insistiriam que toda a comida fosse deixada na mesa. Quando a última luz se apagasse do céu, as três se retirariam para o lado de fora para passar toda a noite gelada sob a faia. Blue sempre tinha certeza de que era uma época de folia secreta e implorava para poder sentar-se com elas. Quando Blue tinha onze anos, Maura dera permissão. Blue se encontrara sentada durante oito horas de silêncio perfeito e frio, entediada sem distração enquanto as três mulheres mais velhas observavam sem palavras as estrelas entre os ramos nus.
Na manhã seguinte, reunidas na cozinha com a comida ainda em espera, uma Blue exasperada perguntara a Perséfone:
— O que vocês estavam olhando?
Ela estava tremendo de fome, pronta para dormir, mesmo quando o sol brilhava para ela através do vidro da porta para o quintal.
— Tudo — respondera Perséfone, selecionando um pedaço de quiabo muito frio e seco para levar com ela. — E deixando que olhassem para nós.
Blue não pediu para se sentar com elas novamente. Tudo não era algo que ela veria.
Agora ela passava a noite do dia 21 em seu quarto, recortando destinos exóticos das revistas rejeitadas da biblioteca. O brilho das estrelas estava escondido pelas luzes que ela pendurara na janela do quarto. O que você quer para o Natal, Blue? Algo mais.
Geralmente ela ganhava luvas. Maura quase sempre dava luvas para todos no Natal. Tudo bem, Blue supôs. Não era o mundo inteiro, mas era alguma coisa. Ela sempre poderia usar outro conjunto de luvas.


Tradução: Dandara

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Boa leitura, E SEM SPOILER!