15 de junho de 2018

Warner

Meu coração bate frenético no peito. Minhas mãos estão úmidas, instáveis. Mas não tenho tempo de enfrentar minha mente. As confissões de Nazeera podem custar minha sanidade. Só posso torcer para que esteja errada. Só posso ter esperança de que o tempo provará que ela está desesperada e terrivelmente errada e não há tempo, tempo nenhum, para lidar com nada disso. Não tenho como criar espaço no meu dia para essas emoções humanas frágeis e incertas.
Preciso viver no aqui e no agora.
Em minha própria solidão.
Se for necessário, hoje serei apenas um soldado, um robô perfeito, de espinha ereta, olhos que não entregam nenhuma emoção, enquanto nossa comandante suprema Juliette Ferrars sobe ao palco.
Hoje estamos todos aqui, um pequeno batalhão posicionado atrás dela como sua própria guarda pessoal: eu, Delalieu, Castle, Kenji, Ian, Alia, Lily, Brendan e Winston. Até mesmo Nazeera e Haider, Lena, Stephan, Valentina e Nicolás permanecem atrás de nós, fingindo demonstrar apoio quando Juliette dá início a seu discurso. Só faltam Sonya, Sara, Kent e James, que ficaram para trás, na base.
Nos últimos tempos, Kent não se importa muito com quase nada além de manter James longe de perigo, e não tenho como culpá-lo. Às vezes também sinto vontade de poder deixar essa vida de lado.
Aperto os olhos com força. Endireito o corpo.
Só quero que isso acabe logo.
O local do simpósio bianual é de acesso relativamente fácil, mas em reconhecimento à nossa comandante suprema, o evento foi transferido para o Setor 45, um esforço possibilitado exclusivamente por Delalieu.
Posso sentir todo o nosso grupo pulsar com diferentes tipos e níveis de energia, mas tudo está tão misturado que sequer consigo diferenciar medo de apatia.
Então, concentro-me no público e em nossa líder, já que suas reações são o ponto mais importante. E de todos os muitos eventos e simpósios em que já estive ao longo dos anos, nunca senti uma carga tão elétrica vinda da multidão quanto sinto agora.
Quinhentos e cinquenta e quatro de meus colegas comandantes-chefes e regentes estão na plateia, assim como seus esposos ou esposas e vários membros de sua equipe mais próxima. É algo sem precedentes: todos os convites foram aceitos. Ninguém queria perder a oportunidade de conhecer a nova líder adolescente da América do Norte. Estão fascinados. Famintos. Lobos em pele humana, ansiosos por rasgar a carne da jovem garota que já subestimaram.
Se os poderes de Juliette não conferissem a seu corpo um certo grau de invencibilidade funcional, eu estaria extremamente preocupado ao vê-la parada ali sozinha, desprotegida, diante de todos os seus inimigos. Os civis deste setor podem estar torcendo por ela, mas o restante do continente não tem o menor interesse no tipo de perturbação que ela trouxe a essas terras ou na ameaça que ela significa às posições deles no Restabelecimento. Os homens e as mulheres diante dela hoje são pagos para serem leais a outro grupo. Não têm nenhuma simpatia por sua causa, por sua luta pelas pessoas comuns.
Não faço ideia de quanto tempo vão deixá-la falar antes de a atacarem.
Mas não tenho que esperar muito.
Juliette mal deu início a seu discurso — apenas começou a expor as muitas falhas do Restabelecimento e a necessidade de um novo começo — e a multidão de repente fica agitada. As pessoas se levantam, erguem os punhos, e minha mente se desliga quando gritam com ela, os eventos se desenrolando diante dos meus olhos como se acontecessem em câmera lenta. Ela não reage.
Uma, duas, dezesseis pessoas estão em pé agora, e ela continua falando. Metade da sala começa a vociferar palavras furiosas em sua direção e, agora, consigo sentir Juliette ficando cada vez mais furiosa, sua frustração ganhando força, mas de alguma maneira ela se controla. Quanto mais protestam, mais ela ergue a voz, está falando tão alto que praticamente berra. Olho rápido para o espaço entre ela e a multidão, minha mente trabalhando desesperadamente para decidir o que fazer. Kenji me encara e nós dois compreendemos um ao outro sem precisar pronunciar uma única palavra.
Temos de intervir.
Juliette agora está denunciando os planos do Restabelecimento de extinguir as línguas e a literatura; está explicando suas esperanças de levar os civis para fora dos galpões; acaba de começar a abordar a questão do clima quando ouvimos um tiro na sala.
E então, sobrevém um momento de perfeito silêncio antes de… Juliette puxar a bala entortada de sua testa. Jogá-la no chão. O leve tintilar do metal no mármore reverbera pelo espaço.
Caos em massa.
Centenas e centenas de pessoas de repente estão de pé, todas gritando com ela, ameaçando-a, apontando suas armas para ela, e consigo sentir, consigo sentir a situação fugindo do controle.
Mais tiros ecoam e o segundo de que precisamos para formular um plano já é tempo demais. Brendan cai no chão com uma arfada repentina e horrível. Winston grita, segura o corpo do colega.
E é isso.
De repente, Juliette fica paralisada; e minha mente fica lenta.
Consigo sentir antes de acontecer: sinto a mudança, a estática no ar. O calor em volta dela, as ondas de poder emanando de seu corpo como raios prestes a cair e não tenho tempo para fazer nada além de segurar a respiração quando, de repente…
Juliette dá um grito.
Demorado. Alto. Violento.
O mundo parece se tornar uma mancha por um segundo — por apenas um momento tudo cessa, congela: corpos contorcidos; rostos furiosos e distorcidos; tudo congelado no tempo.
As placas que formam o chão se levantam e se estilhaçam. Estouram como trovões ao atingirem as paredes. As luminárias balançam precariamente antes de caírem no chão.
E então, todo mundo.
Cada uma das pessoas em seu campo de visão. Quinhentas e cinquenta e quatro pessoas e todos os seus convidados. Seus rostos, seus corpos, os assentos que ocupam, tudo dilacerado como se fossem peixes frescos. Sua carne é rasgada para fora, amontoando-se lentamente enquanto uma contínua torrente de sangue acumula-se em poças em volta de seus pés.
Todos caem mortos.

16 comentários:

  1. só jesus na causa da Juliette

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  2. OMG,OMG,OMG. Sou uma pessoa horrível ser fala q adorei

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  3. Meu pai eterno 😱


    Vitória Kellyn

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  4. Viiiiiaaaaado! Que tiro foi esse?! Juju mandou todo mundo pros quintos dos infernos, sem escala!

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  5. ELA LIMPOU TODOS OS SETORES DO SEU PRÓPRIO DOMÍNIO AH MDS 😂😂😂

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  6. Meu deus, ela matou 554 pessoas com um só grito em um evento importantíssimo, o quão absurdo e maravilhosamente louco isso foi? Eu to surtando audhausha

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  7. Que triste. Poxa. Todos os amigos dela

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  8. kkkkkkkkkkkkkk arrasou manaa
    - Thalita G.

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  9. Agora ela vai se sentir mais bosta e culpada ainda.

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  10. Eu vou pro inferno por ter amado essa cena?
    Eles mereceram né?

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  11. Palavra nenhuma é boa o suficiente para descrever o quão eu gostei disso.

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  12. Amei amei amei

    Agora a Juju é a Comandante suprema do mundo. .. kkkkkkkkkk mandou todo mundo pro inferno literalmente. Kkkkkkkkkk

    Flavia

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  13. PQP!!! O que foi isso?
    Se foi isso mesmo ela vai se sentir péssima agora.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!