15 de junho de 2018

Juliette

A solidão é uma coisa estranha.
Ela se arrasta por você silenciosa e calma, senta-se ao seu lado na escuridão, acaricia seus cabelos enquanto você dorme. Envolve seus ossos, apertando-os com tanta força que quase o impede de respirar, quase o impede de ouvir o pulsar do sangue que corre sob sua pele. Toca desde seus lábios até a penugem da nuca. Deixa mentiras em seu coração, está bem ao seu lado à noite, apaga todas as luzes imagináveis. É uma companhia constante, aperta sua mão só para empurrá-la para baixo quando você tenta se levantar, pega suas lágrimas só para forçá-las garganta abaixo. Assusta simplesmente por estar ao seu lado.
Você acorda de manhã e se pergunta quem é. Você não consegue dormir e sua pele estremece. Você tem dúvidas tem dúvidas tem dúvidas
vou
não vou
devo
por que não
E mesmo quando você está pronto para se desprender. Quando está pronto para se libertar. Quando está pronto para ser uma pessoa nova. A solidão é uma velha amiga, parada ao seu lado no espelho, olhando-o nos olhos, desafiando-o a viver sem ela. Você não consegue encontrar palavras para lutar contra si mesmo, para combater as palavras que gritam que você não é suficiente nunca é suficiente jamais é suficiente.
A solidão é uma companhia amarga e vil.
Às vezes, ela simplesmente não vai embora.
— EXCERTO DOS DIÁRIOS DE JULIETTE NO HOSPÍCIO

A primeira coisa que faço ao retornar à base é pedir a Delalieu que leve todas as minhas coisas para os antigos aposentos de Anderson. Ainda não pensei em como vou lidar ao ver Warner o tempo todo. Ainda não refleti sobre como agir perto de sua ex-namorada. Não tenho ideia de como as coisas serão e, nesse momento, não posso me dar ao luxo de me preocupar com isso.
Estou furiosa demais.
Se eu puder acreditar nas palavras de Nazeera, tudo o que tentamos fazer aqui — todos os nossos esforços para ser gentis, diplomáticos, realizar uma conferência internacional de líderes — foram em vão. Tudo o que fizemos até agora vai direto para a lata do lixo. Ela diz que eles planejam destruir todo o Setor 45. Todas as pessoas. Não só aquelas que vivem em nosso quartel. Não apenas os soldados que permaneceram ao nosso lado. Mas também todos os civis. Mulheres, crianças — todo mundo.
Vão fazer o Setor 45 desaparecer.
De repente, começo a sentir que estou perdendo o controle.

Os antigos aposentos de Anderson são enormes — em comparação, fazem o quarto de Warner parecer ridículo —, e depois que Delalieu me deixou sozinha, fico livre para aproveitar os muitos privilégios que meu falso papel de comandante suprema do Restabelecimento tem a oferecer. Dois escritórios. Duas salas de reuniões. Uma cozinha ampla e equipada. Uma suíte-máster. Três banheiros. Dois quartos de hóspedes. Quatro closets totalmente lotados — tal pai, tal filho, percebo — e inúmeros outros detalhes. Nunca antes passei muito tempo em uma dessas áreas; a dimensão é vasta demais. Só preciso de um escritório e, de modo geral, é lá que passo a maior parte do tempo.
Mas hoje reservo alguns momentos para observar, e o espaço que atrai mais meu interesse é um que nunca notei antes. É aquele mais próximo do banheiro: um cômodo inteiro dedicado à coleção de bebidas alcoólicas de Anderson.
Não sei muito sobre álcool.
Nunca passei por nenhum tipo de experiência adolescente tradicional; nunca tive festas para ir; nunca estive sujeita à pressão dos colegas, como leio nos romances. Ninguém jamais me ofereceu drogas ou uma bebida mais forte, provavelmente porque tinham um bom motivo para isso. Mesmo assim, fico impressionada com a miríade de garrafas perfeitamente dispostas em prateleiras de vidro instaladas nas paredes escuras desse cômodo. Não há nenhum móvel além de duas enormes cadeiras de couro marrom e da mesinha de café fortemente envernizada entre elas. Sobre a mesa há uma… uma moringa? … cheia de um líquido âmbar e um solitário copo a seu lado. Tudo aqui é escuro, um bocado deprimente, e cheira a madeira e alguma coisa antiga, almiscarada — velha.
Estendo a mão, passo os dedos pelos painéis de madeira e conto. Das quatro paredes, três são dedicadas a abrigar várias garrafas antigas — 637 no total —, sendo a maioria cheia com o mesmo líquido âmbar. Apenas algumas trazem um líquido claro. Aproximo-me um pouco mais para inspecionar os rótulos e descobrir que as garrafas claras são de vodca — uma bebida da qual já ouvi falar.
Porém, as garrafas âmbares possuem nomes diferentes. Em muitas delas aparece escrita a palavra Scotch. Há sete garrafas de tequila, mas a maior parte do que Anderson mantinha em seu quarto se chama Bourbon — 523 garrafas no total —, uma substância sobre a qual nada sei. Para ser sincera, só ouvi falar que algumas pessoas bebem vinho e cerveja e margaritas — mas aqui não tem nenhuma dessas bebidas. A única parede que abriga outra coisa além de álcool guarda várias caixas de charuto e mais desses copos pequenos e detalhadamente lapidados.
Pego um deles e quase o derrubo; é muito mais pesado do que parece. Fico me perguntando se essas peças são de cristal verdadeiro.
Pego-me questionando as motivações de Anderson ao criar um espaço como esse. É uma ideia tão estranha dedicar todo um cômodo à exposição de garrafas de álcool. Por que não guardá-las em um armário? Ou em uma geladeira? Sento-me em uma das cadeiras e ergo o rosto, distraída pelo enorme lustre pendurado no teto.
Por que me senti atraída por esse cômodo? Não sei dizer. Mas aqui sei que estou realmente sozinha. Isolada de todo o barulho e confusão do dia. Sinto-me de fato isolada em meio a essas garrafas, de um jeito que me acalma. E, pela primeira vez hoje, sinto-me relaxar. Sinto-me deixando tudo para trás. Em um retiro. Fugindo para algum canto escuro de minha mente.
Há uma sensação estranha de liberdade em desistir.
Há uma liberdade em sentir raiva. Em viver sozinha. E o mais estranho de tudo: aqui, entre as paredes do antigo refúgio de Anderson, sinto que finalmente o entendo. Finalmente entendo como foi capaz de viver do jeito que viveu. Ele nunca se permitia sentir, nunca se permitia se magoar, nunca acolhia emoções em sua vida. Não tinha obrigações com ninguém além de si mesmo. E isso o libertava.
Seu egoísmo o libertava.
Levo a mão à moringa de líquido âmbar, retiro a tampa e encho o copo de cristal ao lado. Passo algum tempo observando o copo, que me encara de volta.
Por fim, eu o apanho.
Um gole e quase cuspo o líquido, tusso violentamente quando alcança a garganta. A bebida preferida de Anderson é asquerosa. Como morte e fogo e óleo e fumaça. Forço-me a tomar um rápido gole do líquido horrível antes de baixar outra vez o copo, meus olhos lacrimejando enquanto o álcool escorre para dentro de mim. Nem sei por que fiz isso — por que quis experimentar ou o que espero que esse líquido faça por mim. Não tenho expectativa de nada.
Só me sinto curiosa.
Só me sinto descuidada.
E os segundos passam, meus olhos se abrem e fecham no tão bem-vindo silêncio, e arrasto o dedo pelos lábios, conto as muitas garrafas outra vez, e já começo a pensar que o sabor terrível da bebida não era tão ruim assim quando lentamente, alegremente, um toque de calor surge dentro de mim e libera seus raios em minhas veias.
Ah, penso
ah
Minha boca se repuxa em um sorriso, mas parece um pouco desajeitada, e não me importo, não mesmo, nem com o fato de minha garganta parecer um pouco entorpecida. Seguro o copo ainda cheio e tomo outro enorme gole de fogo, e dessa vez vou sem medo. É agradável estar perdida nisso, sentir a cabeça tomada por nuvens e ventos e nada mais. Sinto-me solta e um pouco desajeitada ao me levantar, mas a sensação é boa mesmo assim, é gostosa, calorosa e agradável, e me pego vagando a caminho do banheiro e sorrindo enquanto procuro alguma coisa nas gavetas
alguma coisa
onde está
Por fim a encontro, um cortador de cabelo elétrico, e decido que chegou a hora de cortar meus cabelos. Estão me incomodando há muito tempo. São longos demais, longos demais, uma lembrança, uma recordação do meu tempo no hospício, longos demais por causa de todos esses anos que fiquei esquecida e deixada para apodrecer no inferno, pesados demais, sufocantes demais, demais, demais isso, demais aquilo, irritantes demais.
Meus dedos tateiam em busca do botão até conseguirem ligar o aparelho. Sinto-o zumbindo em minha mão e penso que talvez devesse tirar as roupas antes, não quero ter cabelo pra todo lado, não é mesmo? Devo tirar as roupas primeiro, sem dúvida.
E então estou em pé, vestindo apenas a roupa de baixo, pensando em quantas vezes secretamente desejei fazer isso, como pensei que seria tão bom, tão libertador…
Passo a lâmina na cabeça em um movimento ligeiramente irregular.
Uma vez.
Duas vezes.
Várias e várias vezes, e estou rindo enquanto o cabelo cai no chão, um mar de ondas castanhas longas demais se curvando a meus pés e nunca me senti tão leve, tão boba boba feliz
Solto a máquina ainda zumbindo na pia e dou um passo para trás, admirando meu trabalho no espelho enquanto toco os fios recém-raspados. Agora tenho o mesmo corte de cabelo de Warner. Os mesmos poucos centímetros de penugem, com a diferença de que meus fios são escuros enquanto os dele são claros. De uma hora para a outra pareço bem mais velha. Mais durona. Séria. Consigo ver minhas maçãs do rosto. A linha do maxilar. Pareço furiosa, bastante assustadora. Meus olhos brilham enormes no rosto, o centro da atenção, enormes e intensos e penetrantes e os adoro.
Adoro.
Continuo rindo enquanto atravesso o corredor, vagando de roupa íntima pelos aposentos de Anderson, sentindo-me mais livre do que em anos. Solto o corpo na enorme cadeira de couro e termino o copo em dois rápidos goles.
Anos, séculos, vidas inteiras se passam, e lá longe ouço algumas pancadas. Ignoro-as.
Agora estou de lado na cadeira, as pernas penduradas no braço do móvel, relaxando enquanto o lustre gira…
Estava girando antes?
… mas logo meu devaneio é interrompido, num instante ouço vozes apressadas que reconheço vagamente, mas não me levanto, apenas contraio o corpo e, giro a cabeça na direção do barulho.
— Puta merda, J…
Kenji de repente entra no quarto e fica paralisado ao deparar comigo. De repente, lembro-me vagamente de que estou de roupa íntima e de que uma antiga versão minha preferiria que Kenji não me visse assim… Mas isso não é o bastante para me fazer agir. Kenji, por sua vez, parece muito preocupado.
— Ah merda merda merda…
Kenji e Warner estão parados à minha frente, os dois me encarando, horrorizados, como se eu tivesse feito alguma coisa muito errada que os deixou furiosos.
— O que foi? — pergunto, irritada. — Deem o fora daqui!
— Juliette… meu amor… o que foi que você fez…
E então, Warner está ajoelhado ao meu lado. Tento olhar para ele, mas de repente fica difícil focar a vista, difícil enxergar. Minha visão embaça e tenho que pensar várias vezes para fazer o rosto dele parar de se movimentar, mas então estou olhando para ele, realmente olhando para ele, e alguma coisa dentro de mim tenta se lembrar de que estamos furiosas com Warner, de que não falamos mais com ele e de que não queremos mais vê-lo ou falar com ele, mas então ele toca
meu rosto…
e eu suspiro
Descanso a bochecha na palma de sua mão e me recordo de alguma coisa linda, alguma coisa doce, enquanto uma enxurrada de sentimentos se espalha por mim
— Oi — cumprimento-o.
E ele parece tão triste tão triste e está prestes a responder, mas Kenji fala:
— Irmão, acho que ela está bem bêbada, tipo, não sei, deve ter tomado uma garrafa inteira dessa coisa. Talvez meia caneca? E para alguém com o peso dela? — Pragueja baixinho. — Uma quantidade dessas de uísque acabaria comigo.
Warner fecha os olhos. Fico fascinada com seu pomo de adão subindo e descendo na garganta, e estendo a mão para passar os dedos por seu pescoço.
— Querida… — ele sussurra, ainda de olhos fechados. — Por que você…
— Sabe quanto te amo? — interrompo-o. — Eu amo... amava tanto você. Tanto.
Quando Warner volta a abrir os olhos, eles estão iluminados. Brilhando. Não diz nada para mim.
— Kishimoto — chama, baixinho. — Por favor, ligue o chuveiro.
— Pode deixar.
E Kenji sai.
Warner continua sem me dizer nada.
Toco seus lábios. Levo meu corpo mais para a frente.
— Você tem uma boca tão linda — sussurro.
Ele tenta sorrir. Parece triste.
— Gostou dos meus cabelos? — pergunto.
Ele assente.
— Sério?
— Você está linda — ele garante, mas quase não consegue pronunciar as palavras. Sua voz falha ao prosseguir: — Por que fez isso, meu amor? Estava tentando se ferir?
Tento responder, mas de repente sinto náuseas. Minha cabeça gira. Fecho os olhos para apaziguar a sensação, mas ela não vai embora.
— Chuveiro pronto — ouço Kenji gritar. E, de repente, sua voz está mais próxima: — Você dá conta, irmão? Ou quer que eu assuma?
— Não. — Uma pausa. — Não, pode ir. Vou cuidar para que ela fique bem. Por favor, diga aos outros que não estou me sentindo bem agora à noite. Transmita meu pedido de desculpas.
— Pode deixar. Mais alguma coisa?
— Café. Várias garrafas de água. Duas aspirinas.
— Deixa comigo.
— Obrigado.
— Não por isso, irmão.
E então estou em movimento, tudo está em movimento, tudo está de lado e abro os olhos e rapidamente os fecho e o mundo é um borrão à minha frente. Warner está me levando em seus braços e eu enterro o rosto em seu pescoço. Seu cheiro é tão familiar.
Segurança.
Quero falar, mas me sinto tão letárgica. Como se meus lábios demorassem toda uma vida para se mexer, como se tudo estivesse em câmera lenta; quando enfim se mexem, é como se as palavras se comprimissem todas juntas quando as pronuncio, várias e várias vezes.
— Já estava com saudade de você — sussurro contra a pele dele. — Sinto saudade disso, de você, tanta saudade de você…
Então ele me coloca no chão, me ajuda a me equilibrar e a entrar debaixo do chuveiro.
Quase grito quando a água entra em contato com meu corpo.
Meus olhos se abrem violentamente, minha mente fica parcialmente sóbria um instante depois, enquanto a água desce por meu corpo. Pisco rapidamente, respiro fundo enquanto me apoio na parede do chuveiro, olhando ferozmente para Warner do outro lado do vidro. A água continua escorrendo por minha pele, minha boca se abre. Meus ombros tremem menos à medida que o corpo se acostuma à temperatura, conforme os minutos passam, nós dois olhando um para o outro, mas sem dizer nada. Minha mente se acalma, mas não fica limpa. Ainda há uma névoa pairando sobre mim, mesmo quando estendo a mão para aquecer a água em muitos graus.
Consigo ver seu rosto — lindo, mesmo distorcido pelo vidro que nos separa — quando ele diz:
— Você está bem? Está se sentindo melhor?
Dou um passo adiante, estudando-o silenciosamente, e não digo nada enquanto solto o sutiã, deixando-o cair no chão. Não recebo nenhuma resposta dele, exceto seus olhos ligeiramente mais abertos, o leve movimento em seu peito. Então, tiro a calcinha, chutando-a para trás, e ele pisca várias vezes e dá um passo para trás, desvia o olhar, olha outra vez para mim.
Abro a porta de vidro.
— Entre aqui — convido-o.
Mas Warner não olha para mim.
— Aaron…
— Você não está se sentindo bem — é sua resposta.
— Estou ótima.
— Meu amor, por favor, você acabou de beber praticamente seu peso em uísque.
— Só quero tocar em você — insisto. — Venha aqui.
Ele enfim vira o rosto para me encarar, seus olhos subindo lentamente por meu corpo, e eu vejo, vejo acontecer quando alguma coisa dentro dele parece se romper. Parece sentir dor e estar vulnerável e engole em seco enquanto dá um passo na minha direção, o vapor agora preenchendo o banheiro, gotas de água quente caindo sobre meus quadris nus, e seus lábios se entreabrem quando olha para mim, quando estende a mão, e acho que talvez ele entre aqui quando
em vez disso
ele fecha a porta entre nós e anuncia:
— Espero você na sala de estar, meu amor.

11 comentários:

  1. Estou amando a o bromance do Kenji e do Aaron <3 de verdade.
    E A JULIETTE BÊBADA É A MINHA JULIETTE FAVORITA

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  2. Oq o álcool nao faz, ne kkkkkkkk
    Muito louca de rapaz o cabelo rsrs

    Quem diria q Aaron e Kenji se dariam tão bem. Adorando a nova camaradagem entre eles.

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  3. ELA É LOUCA MANOOOO
    COMUASSIM RASPOU O CABELO ?
    Ta careca pqp

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  4. Juju, sua loka! Kenji e Warner trabalhando juntos... Melhor dupla!

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  5. Ela ficou bêbada e eu fiquei tipo "como é? Ui vc está se revelando novinha"
    Aí ela raspou o cabelo :0
    já não sei mais o que pensar

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  6. Eu estou chocada. Nem sei oa dizer. Isso parece ser muito mais serio aue um simples ato de bebado gente.

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  7. Gente a Britney de 2007 possuiu ela alguém exorcisa essa doida

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  8. lembrar de que estamos furiosas com Warner, de que não falamos mais com ele e de que não queremos mais vê-lo ou falar com ele, mas então ele toca

    Só eu me preocupei com essa frase? Tudo no plural? Será que ela tem dupla personalidade! Tomara que eu só esteja viajando mesmo. ..

    E como assim vc raspa esse seu cabelo lindo? Podia cortar curto mas não precisava raspar. ..

    Flavia

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  9. Virou a Britney de 2007

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Boa leitura, E SEM SPOILER!