15 de junho de 2018

Warner

Estou sentado no escuro, de costas para a porta do quarto, quando ouço alguém abri-la. Ainda é o meio da tarde, mas estou há tanto tempo sentado aqui, olhando para essas caixas fechadas, que parece que até o Sol se cansou de me observar.
A revelação de Castle me deixou atordoado.
Ainda não confio em Castle — não acredito que fizesse a mínima ideia do que estava falando —, mas, ao fim da conversa, não consegui afastar uma terrível sensação de medo, e meus instintos passaram a implorar uma verificação dos fatos. Eu precisava de tempo para processar as possibilidades. Para ficar sozinho com meus pensamentos. E quando expressei isso a Castle, ele respondeu: “Processe tudo o que quiser, garoto, mas não deixe nada distraí-lo. Juliette não deve se encontrar sozinha com Haider. Alguma coisa não me parece certa nisso, senhor Warner, e você precisa encontrá-los e estar com eles. Agora. Mostre a ela como navegar pelo nosso mundo”.
Mas não consegui fazer isso.
Apesar de todos os meus instintos de protegê-la, eu não a limitaria assim. Juliette não pediu minha ajuda hoje. Fez a escolha de não me contar o que estava acontecendo. Minha intromissão abrupta e indesejada só a faria pensar que concordo com Castle, ou seja, que não acredito que ela seja capaz de realizar seu trabalho. E eu não concordo com Castle. Na verdade, acho-o um idiota por subestimá-la. Então, voltei para cá, para este quarto, para pensar. Para olhar os segredos não revelados de meu pai. Para esperar a chegada dela.
E agora…
A primeira coisa que Juliette faz é acender a luz.
— Oi — cumprimenta com cautela. — O que está acontecendo?
Respiro fundo e viro-me em sua direção.
— Esses são os arquivos antigos de meu pai — explico, apontando com uma das mãos. — Delalieu reuniu tudo isso para mim. Pensei em dar uma olhada para ver se alguma coisa aqui poderia ser útil.
— Ah, nossa! — exclama, seus olhos iluminam-se ao reconhecê-los. — Eu estava mesmo me perguntando o que seriam essas coisas. — Atravessa o cômodo para se agachar ao lado das caixas, passando cuidadosamente os dedos por elas. — Precisa de ajuda para levá-las ao seu escritório?
Nego com a cabeça.
— Quer que eu ajude a separá-las? — propõe, olhando por cima do ombro. — Eu ficaria feliz em…
— Não — respondo, muito prontamente. Levanto-me, faço um esforço para parecer calmo. — Não, não será necessário.
Juliette arqueia as sobrancelhas.
Tento sorrir.
— Acho que quero passar um tempo sozinho com esses arquivos.
Ao ouvir minhas palavras, ela assente, mas entende tudo errado e seu sorriso compreensivo faz meu peito apertar. Sinto um instinto, uma sensação gelada esfaqueando meu interior. Ela acha que eu quero espaço para enfrentar minha dor. Que mexer nas coisas do meu pai será difícil para mim.
Mas Juliette não sabe. Queria eu mesmo não saber.
— Então… — ela fala enquanto se aproxima da cama, deixando as caixas de lado. — Hoje foi um dia… interessante.
A pressão em meu peito se intensifica.
— Foi?
— Acabo de conhecer um velho amigo seu — conta, soltando o corpo no colchão. Leva a mão atrás da cabeça para soltar os cabelos, até agora presos em um rabo de cavalo, e suspira.
— Um velho amigo meu? — repito.
Mas, enquanto ela fala, só consigo encará-la, estudar a forma de seu rosto. Não consigo, no presente momento, saber com total certeza se o que Castle me falou é verdade; mas sei que encontrarei nos arquivos de meu pai, nas caixas empilhadas dentro desse quarto, as respostas que procuro.
Mesmo assim, ainda não tenho coragem de olhar.
— Ei — ela chama, acenando para mim. — Você ainda está aí?
— Sim — respondo reflexivamente. Respiro fundo. — Sim, meu amor.
— Então… Você se lembra dele? — ela indaga. — Haider Ibrahim?
— Haider. — Confirmo com um gesto. — Sim, claro. É o filho mais velho do comandante supremo da Ásia. Ele tem uma irmã — falo, mas roboticamente.
— Bem, eu não soube da irmã — ela conta. — Mas Haider está aqui. E vai passar algumas semanas. Vamos todos jantar com ele hoje à noite.
— A pedido dele, certamente.
— Sim. — Ela ri. — Como você sabe?
Sorrio. Vagamente.
— Eu me lembro muito bem de Haider.
Juliette fica em silêncio por um instante. Em seguida, conta:
— Ele me revelou que vocês se conhecem desde a infância.
E eu sinto, embora não consiga dar nome a essa sensação, a tensão repentina que se espalha pelo quarto. Só faço um gesto afirmativo.
— Isso é muito tempo — Juliette prossegue.
— Sim. Muito tempo mesmo.
Ela se mexe na cama. Apoia o queixo em uma das mãos e me encara.
— Pensei que você tivesse dito que nunca teve amigos.
As palavras dela me fazem rir, mas o som é falso.
— Não sei se chamaria nossa relação de amizade, exatamente.
— Não?
— Não.
— Será que poderia elaborar um pouco mais?
— Há pouco a ser dito.
— Bem… Se vocês não são exatamente amigos, por que então Haider está aqui?
— Tenho minhas suspeitas.
Ela suspira. Diz que também tem as suas e morde a parte interna da bochecha.
— Acho que é assim que começa, não é? Todos querem dar uma olhada no show de horrores. No que fizemos… Em quem eu sou. E vamos ter que dançar conforme a música.
Mas só estou ouvindo vagamente suas palavras.
Em vez disso, encaro as muitas caixas atrás de Juliette, as palavras de Castle ainda ecoando em minha mente. Lembro que devo dizer alguma coisa a ela, qualquer coisa, para parecer envolvido na conversa. Então, tento sorrir ao dizer:
— Você não me disse que ele tinha chegado. Queria ter estado lá para ajudá-la de alguma forma.
As bochechas dela, subitamente rosadas de constrangimento, contam uma história; seus lábios contam outra.
— Não achei que precisasse contar tudo a você o tempo todo. Consigo cuidar sozinha de algumas coisas.
Seu tom duro é tão surpreendente que força minha cabeça a se concentrar. Olho-a nos olhos e noto que ela está me encarando com um olhar repleto de dor e raiva.
— Não foi isso que eu quis dizer — explico. — Você sabe que acredito que você é capaz de fazer qualquer coisa, meu amor. Mas eu poderia ter dado uma ajudinha a você. Conheço essa gente.
Agora seu rosto está ainda mais ruborizado. Ela não consegue me olhar nos olhos.
— Eu sei — admite baixinho. — Eu sei. Só tenho me sentido um pouco sobrecarregada ultimamente. E hoje cedo tive uma conversa com Castle, uma conversa que deixou minha cabeça um pouco confusa. — Suspira. — Estou me sentindo estranha hoje.
Meu coração começa a bater rápido demais.
— Você conversou com Castle?
Ela assente.
Esqueço-me de respirar.
— Ele disse que precisávamos conversar sobre algumas coisas. — Juliette me fita. — Por exemplo, há mais coisas sobre o Restabelecimento que você não me contou?
— Mais sobre o Restabelecimento?
— Sim. Há alguma coisa que você deva me contar?
— Alguma coisa que eu deva contar…
— Hum, você vai continuar repetindo o que eu digo? — ela questiona, dando risada.
Sinto meu corpo relaxar. Um pouquinho.
— Não, não, é claro que não — respondo. — Eu só… Eu sinto muito, meu amor. Confesso que também estou um pouco aéreo hoje. — Aponto para as caixas do outro lado do quarto. — Parece que tenho muito a descobrir sobre meu pai.
Ela balança a cabeça, seus olhos grandes e tristes.
— Sinto muito, de verdade. Deve ser horrível ter que ver todas as coisas dele assim.
Suspiro e falo mais para mim mesmo do que para ela:
— Você não tem ideia. — Então, viro o rosto. Ainda estou olhando para o chão, a cabeça pesada com o que aconteceu hoje e as demandas que o dia geraram.
Juliette estende a mão para testar minha reação, e pronuncia apenas uma palavra.
— Aaron?
E então posso sentir, posso sentir a mudança, o medo, a dor em sua voz. Meu coração continua batendo forte demais, mas agora por um motivo totalmente diferente.
— O que foi? — pergunto, olhando imediatamente para ela. Sento-me ao seu lado na cama, estudo seus olhos. — O que aconteceu?
Ela balança a cabeça. Olha para suas mãos abertas. Sussurra ao dizer:
— Acho que cometi um erro.
Meus olhos se arregalam enquanto a observo. Seu rosto se contrai. Suas emoções saem do controle, agredindo-me com seu ardor. Juliette está com medo. Está com raiva. Com raiva de si mesma por sentir medo.
— Você e eu somos tão diferentes — admite. — Ao conhecer Haider hoje, eu apenas… — Suspira. — Eu lembrei de como somos diferentes. Como nossa criação foi diferente.
Estou congelado. Confuso. Sinto seu medo e apreensão, mas não sei onde ela quer chegar com isso. Ou o que está tentando dizer.
— Então você acha que cometeu um erro? — indago. — Sobre… nós?
Sinto um pânico repentino enquanto ela processa o que estou dizendo.
— Não! Meu Deus! Não sobre nós — ela se apressa em responder. — Não, eu só…
Sou inundado por um alívio.
— … eu ainda tenho muito a aprender — prossegue. — Não sei nada sobre governar… nada. — Juliette emite um ruído de impaciência e irritação. Mal consegue pronunciar as palavras. — Eu não fazia ideia do que estava aceitando. E todos os dias me sinto extremamente incompetente. Às vezes, não sei se consigo acompanhar seu ritmo nisso tudo. — Hesita antes de acrescentar baixinho: — Esse trabalho deveria ter ficado com você, você sabe disso. Não devia ser meu.
— Não.
— Sim — ela retruca, assentindo. Não consegue mais olhar no meu rosto. — Todo mundo pensa isso, mesmo que não diga. Castle. Kenji. Aposto que até os soldados pensam.
— Todos podem ir para o inferno.
Ela sorri de leve.
— Acho que podem estar certos.
— As pessoas são idiotas, meu amor. A opinião delas não tem o menor valor.
— Aaron — Juliette franze a testa ao pronunciar a palavra. — Agradeço por você ficar com raiva por mim, de verdade, mas nem todas as pessoas são idio…
— Se a consideram incapaz, é porque são idiotas. Idiotas porque já se esqueceram que você foi capaz de realizar em questão de meses o que eles passaram décadas tentando. Esquecem-se de onde você partiu, o que superou, a velocidade com a qual encontrou a coragem necessária para lutar quando mal conseguia ficar de pé.
Parecendo derrotada, Juliette ergue o rosto.
— Mas eu não sei nada de política.
— Você não tem experiência — digo a ela. — Isso é verdade. Mas pode aprender essas coisas. Ainda tem tempo. Estou disposto a ajudar. — Seguro sua mão. — Meu amor, você inspirou as pessoas deste setor a seguirem-na em uma batalha. Elas colocaram a própria vida em risco e sacrificaram seus entes queridos porque acreditaram em você. Na sua força. E você não as decepcionou. Jamais se esqueça da enormidade do que fez. Não deixe ninguém tirar isso de você.
Ela me encara com olhos arregalados, brilhando. Pisca ao desviar o rosto, enxugando rapidamente uma lágrima que escapou.
— O mundo tentou esmagá-la — digo, agora com um tom mais gentil. — E você se recusou a se estilhaçar. Venceu cada um dos obstáculos e saiu uma pessoa mais forte, ressurgindo das cinzas e deixando todos à sua volta impressionados. E vai continuar surpreendendo e confundindo aqueles que a subestimam. É inevitável. Mesmo assim, você deve estar preparada e deve saber que ser líder é uma ocupação ingrata. Poucas pessoas demonstrarão qualquer sinal de gratidão pelo que você faz ou pelas mudanças que implementa. Elas têm memória curta… Aliás, elas têm memórias que surgem de acordo com a conveniência. Qualquer nível de sucesso que você alcançar será escrutinizado. Suas conquistas serão deixadas de lado, só servirão para gerar mais expectativas naqueles à sua volta. Seu poder acaba afastando-a dos amigos. — Desvio o olhar, nego com a cabeça. — Você vai se sentir sozinha. Perdida. Vai desejar a aprovação daqueles que no passado admirou, pode agonizar entre agradar velhos amigos e fazer o que é certo. — Ergo o rosto, sinto o coração inchar de orgulho enquanto olho para ela. — Mas você não deve nunca, nunca mesmo, deixar os idiotas a influenciarem. Isso só vai fazê-la se perder.
Os olhos de Juliette brilham com lágrimas não derramadas.
— Mas como? — pergunta com uma voz instável. — Como eu tiro essas pessoas da minha cabeça?
— Ateie fogo nelas.
Juliette arregala os olhos.
— Mentalmente — esclareço, arriscando um sorriso. — Deixe essas pessoas alimentarem o fogo que a mantém lutando. — Estendo a mão, uso os dedos para acariciar seu rosto. — Idiotas são altamente inflamáveis, meu amor. Deixe todos eles queimarem no inferno.
Ela fecha os olhos, ajeita o rosto em minha mão.
E eu a puxo para perto, encostando minha testa à sua.
— Aqueles que não a entendem sempre duvidarão de você — afirmo.
Ela se afasta uns poucos centímetros. Olha para cima.
— E eu… — continuo. — Eu nunca duvidei de você.
— Nunca?
Nego com a cabeça.
— Em momento algum.
Juliette desvia o olhar. Enxuga os olhos. Dou um beijo em sua bochecha, sinto o sal das lágrimas.
Ela se vira outra vez para mim.
Quando me olha, consigo sentir. Sinto seus medos desaparecendo, sinto suas emoções se transformando. Suas bochechas coram. Sua pele de repente fica quente e elétrica sob meu toque. Meu coração bate mais rápido, mais forte, e ela não precisa dizer nada. Posso sentir a temperatura entre nós mudar.
— Oi — ela diz. Mas está olhando para minha boca.
— Olá.
Ela encosta seu nariz no meu e alguma coisa dentro de mim ganha vida. Sinto minha respiração acelerar. Meus olhos se fecharem voluntariamente.
— Eu te amo — ela diz.
Essas palavras provocam alguma coisa em mim toda vez que as ouço. Elas me transformam. Criam algo novo dentro de mim. Engulo em seco. Sinto o fogo consumir minha mente.
— Sabe… — sussurro. — Nunca me canso de ouvi-la dizer isso.
Juliette sorri. Toca o nariz na linha do meu maxilar enquanto se ajeita, levando os lábios à minha garganta. Estou sem ar, morrendo de medo de me mexer, de perder esse momento.
— Eu te amo — ela repete.
Minhas veias são tomadas por um calor escaldante. Sinto-a em meu sangue, seus sussurros esmagando meus sentidos. E por um segundo repentino, desesperado, penso na possibilidade de estar sonhando.
— Aaron — ela me chama.
Estou perdendo uma batalha. Temos muito a fazer, muito do que cuidar. Sei que deveria agir, sair dessa situação, mas não consigo. Não consigo pensar. E então ela sobe no meu colo e minha respiração se torna acelerada, desesperada, uma luta contra um ímpeto de prazer e dor. Não tenho como fingir nada quando Juliette está assim, tão próxima de mim. Sei que é capaz de me sentir, que consegue sentir quanto a quero.
Eu também consigo senti-la.
Seu calor. Seu desejo. Ela não esconde o que quer de mim. O que quer que eu faça com ela. E saber disso só deixa meu tormento mais agudo.
Ela me dá um beijo suave, suas mãos deslizando por baixo da minha blusa, e me abraça. Puxo-a para perto e ela se acomoda no meu colo, fazendo-me novamente respirar de forma dolorosa e angustiante. Todos os meus músculos se enrijecem. Tento não me mexer.
— Sei que já é tarde — ela diz. — Sei que temos um milhão de coisas para fazer. Mas sinto sua falta. — Juliette estende o braço, os dedos deslizando pelo zíper das minhas calças, seu toque fazendo meu corpo arder em chamas. Minha visão fica turva. Por um momento, não ouço nada além do meu coração latejando na cabeça.
— Você está tentando me matar — digo.
— Aaron. — Posso sentir seu sorriso quando ela sussurra no meu ouvido, ao mesmo tempo em que desabotoa minha calça. — Por favor.
E eu... eu me entrego.
De repente, tenho uma mão em sua nuca, a outra em volta da sua cintura, e eu a beijo, fundindo-me com ela, caindo para trás na cama e puxando-a comigo. Eu sonhava com isso — com momentos assim —, como seria abrir o zíper de sua calça jeans, deslizar os dedos por sua pele nua, senti-la, quente e macia, contra meu corpo.
Paro de súbito. Afasto-me. Quero admirá-la, estudá-la. Lembrar a mim mesmo que Juliette está realmente aqui, que é mesmo minha. Que me deseja tanto quanto eu a desejo. E quando a olho nos olhos sou tomado por um sentimento avassalador, que ameaça me afogar. E logo ela está me beijando, mesmo enquanto me esforço para recuperar o ar, e tudo, todo tipo de pensamento e preocupação, é empurrado para longe, substituído pela sensação de sua boca na minha pele. Suas mãos, reivindicando o meu corpo.
Meu Deus, isso é uma droga irresistível.
Juliette me beija como se soubesse. Soubesse… como eu preciso desesperadamente disso, preciso dela, preciso desse conforto e libertação. Como se ela também precisasse.
Seguro-a em meus braços, viro-a tão rápido que ela chega a gemer de surpresa. Beijo seu nariz, as bochechas, os lábios. Os contornos de nossos corpos se fundem. Sinto-me dissolvendo, transformando-me em pura emoção quando ela abre a boca, quando me saboreia, quando geme em minha boca.
— Eu te amo — consigo dizer, cada palavra ofegante. — Eu te amo.
É mesmo interessante notar quão rapidamente me tornei o tipo de pessoa que cochila no fim da tarde. A pessoa que fui no passado jamais desperdiçaria tanto tempo dormindo. Por outro lado, aquele indivíduo do passado nunca soube relaxar. Dormir era brutal, ilusório. Mas agora…
Fecho os olhos, encosto meu rosto em sua nuca e respiro.
Ela se mexe quase imperceptivelmente ao me sentir ali.
Seu corpo nu esquenta junto ao meu, meus braços a envolvem. São seis horas. Tenho mil coisas a fazer e não quero, de jeito nenhum, sair daqui.
Beijo seus ombros e ela arqueia as costas, suspira e vira-se para me olhar.
Puxo-a para perto.
Juliette sorri. E me beija.
Fecho os olhos, minha pele ainda quente com a memória de seu corpo. Minhas mãos estudam a forma de seus contornos, seu calor. Sempre me impressiono com a maciez de sua pele. Suas curvas são suaves. Sinto meus músculos se retesarem com anseio e me surpreendo com quanto a desejo.
Outra vez.
Rápido assim.
— É melhor nos vestirmos — ela sugere com uma voz arrastada. — Ainda preciso me encontrar com Kenji para conversar sobre hoje à noite.
De repente, recuo.
— Caramba — sussurro, afastando-me. — Não era isso mesmo que eu esperava ouvi-la dizer.
Juliette ri. Muito alto.
— Hum. Kenji é um assunto que não o deixa animado. Já entendi.
Sentindo-me mesquinho, só consigo franzir a testa.
Ela beija meu nariz.
— Eu realmente queria que vocês dois fossem amigos.
— Ele é um desastre ambulante — retruco. — Veja o que fez com meus cabelos.
— Mas é meu melhor amigo — ela rebate, ainda sorrindo. — E não tenho tempo para escolher entre vocês dois o tempo todo.
Olho de soslaio para ela. Agora está sentada na cama, o corpo coberto apenas com o lençol. Seus cabelos castanhos e longos estão desgrenhados; as bochechas, rosadas; os olhos, grandes e redondos e ainda um pouco sonolentos.
Não sei se seria capaz de dizer não a ela.
— Por favor, seja educado com ele — ela pede, arrastando-se sobre mim, prendendo o lençol no joelho e perdendo a compostura.
Arranco o lençol de uma vez por todas, o que a faz arfar, surpresa com a imagem de seu próprio corpo nu. E não consigo evitar: tenho que tirar vantagem do momento, então a puxo outra vez para debaixo de mim.
— Por quê? — questiono, beijando seu pescoço. — Por que se sente tão ligada assim a esse lençol?
Juliette desvia o olhar e enrubesce, e estou outra vez perdido, beijando-a.
— Aaron — arfa, sem ar. — Eu tenho… tenho mesmo que ir.
— Não vá — sussurro, depositando leves beijos em sua clavícula. — Não vá.
Seu rosto está corado; os lábios, muito vermelhos. Os olhos, fechados, desfrutando do prazer.
— Eu não quero — admite, a respiração presa enquanto seguro seu lábio inferior entre os meus dentes. — Não quero, mesmo, mas Kenji…
Bufo e solto o corpo no colchão, puxando um travesseiro para cobrir meu rosto.

7 comentários:

  1. Ser vc não quer eu quero 😍😍😍 Warner

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  2. "Bufo e solto o corpo no colchão, puxando um travesseiro para cobrir meu rosto."

    kkkkkk

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  3. Merda é ter que ler esse livro sabendo q o próximo só sairá em 2019.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!